Notas iniciais
Olá galera! Desculpa pela demora, mas como disse eu faço faculdade e estou em final de semestre o que significa que tenho provas para estudar e fazer e trabalhos para apresentar, espero que vocês estendam. Felizmente dias 15 estarei de férias e as coisas podem voltar ao normal, até lá vou tentar postar quando der. Ah, eu uso dois separados um para tempo([...]) e outro para espaço(—). Se ficar confuso me avisem. Espero que gostem

O sol se mostrava impiedoso naquele dia queimando com seus raios que ousava sair de alguma sombra, mas para aquelas mulheres ficar na sombra de suas celas era tão ruim quanto ganhar uma queimadura do sol. Nessa área a céu aberto várias mulheres tentavam aproveitar esse tempo que lhe era dado para aproveitar a sensação de como era viver fora das celas, mesmo que os vários guardas vigiando fossem um detalhe impossível de ser ignorado, algumas prisioneiras conversavam em bancos, outras jogavam o esporte liberado naquele dia e outras malhavam, Sasha fazia parte do último grupo e mesmo que sempre fosse advertida sobre o quão ruim era malhar em baixo daquele sol ela não se importava, gostava da exaustão que malhar naquelas condições trazia já que aquilo era o mais próximo que chegava de sentir na pele o mesmo sentimento de quando era uma agente ativa.

Enquanto levantava a barra, sempre de olhos fechados, ela gostava de sentir os raios do sol batendo em sua pele, por isso foi rápida ao perceber quando alguém parou em sua frente tapando o sol, ao abrir os olhos viu uma de suas parceiras de cela, amiga e informante do que acontecia dentro e fora da cadeia.

— Sasha, de acordo com as minhas fontes, a sua bebida chegou. — A boca de Sasha se abriu um sorriso, parando o seu exercício para ouvir a mulher mais atentamente — A única coisa que falta é falar com o babaca do Azad para ele fazer tudo acontecer e você encontrar o entregador.

— Entregador? O que aconteceu com a mulher do bloco C?

O fato de agora ser um homem que ia entregar sua bebida não era um problema grande, mas sim a mudança que podia afetar a integridade da preciosa bebida.

— Ela foi solta há dois dias.

Sasha suspirou e logo se levantou enquanto limpava a testa do suor e dos fios castanhos ali grudados, o ruim de permanecer com o cabelo grande como ela tinha era que a cada sessão de treinamento uma limpeza maior teria que ser feita, o que custava parte da sua paciência para conseguir o que queria, paciência essa que normalmente era somente gasta quando o assunto envolvia beber. A mulher se limpava e andava em direção ao segundo pior ser humano a qual ela havia tido o desprazer de conhecer, Azad, o guarda-chefe que as vigiava e que em troca de alguma coisa conseguia o que você queria, esse tipo de guarda a fazia pensar que havia uma coisa boa que o legado de corrupção que seu tio, após assumir a presidência da Turquia, havia deixado.

— Se você quiser, eu-

Sasha levantou o braço fazendo a amiga parar de falar, todos ali sabiam que se pudesse ela mesma resolveria todos os assuntos que a ela eram interessantes e mesmo que odiasse falar com esse homem não iria deixar outra pessoa falar no lugar dela.

Enquanto ia em direção à Azad, o olhando, ela sentia os olhos maliciosos dele percorrendo seu corpo, que agora tinha parte expostas que mostrava o fato curioso que mesmo malhando sempre que possível ela não ganhava nenhum músculo, mas em troca mantinha seu corpo na forma que sempre tivera.

— Vou direto ao ponto, Azad. O que você quer para que eu consiga o encontro com o meu novo fornecedor de bebida? — As novatas normalmente ficavam impressionadas com a naturalidade com que ela falava com Azad sobre esse assunto, mas mal sabiam ela o quão recorrente era essa conversa.

— Sasha Karya, sempre vindo a mim pedindo favores. Assim eu fico mal-acostumado. — O guarda a olhou com um sorriso que só não fez com que a mulher vomitasse por havia gostado do almoço naquele dia e não estava disposta a deixa-lo ir tão facilmente.

Sasha o encarou com os seus típicos olhos irritados que deixavam claro que não queria conversar, queria repostas para as suas perguntas. Notando esse olhar o homem logo tratou de media-la de cima a baixo deixando claro a sua resposta.

— Não estou a venda. — Ela às vezes pensava o quão sortudo era aquele homem, porque se não fosse ele quem tornava o contrabando lá dentro mais fácil ela já teria o espancado há muito tempo mesmo que isso significava ir para a solitária. — Que tal eu falar com algumas pessoas e em poucas horas a melhor revista pornô aparecerá na sua mesa, aí você pode dar alguma utilidade para o que você tem no meio das pernas.

— Eu cansei de figuras, quero algo mais real, e se você não está afim de se sacrificar então o nosso trato está-

Sasha o interrompeu agarrando os seus testículos com a mão e os apertando, fazendo a expressão no rosto do guarda mudar para uma expressão de dor enquanto ele se inclinava em um movimento instintivo.

— Estou começando a perder a minha paciência e quando isso acontece homens normalmente perdem suas bolas, o que, sinceramente, seria um favor ao mundo não deixar você reproduzir. Agora, daqui a algumas horas eu vou encontrar o meu fornecedor e pegar a minha bebida.

Azad acenava a cabeça positivamente inúmeras vezes até que Sasha o largou para ir ao banheiro mais próximo para lavar sua mão enquanto deixava para trás um guarda com uma expressão insatisfeita.

[...]

Enquanto era escoltada por um guarda pela ala masculina Sasha se lembrava a cada segundo porquê preferia que seus fornecedores fossem mulheres, toda vez que passava em frente a uma cela seus ouvidos eram preenchidos por todo tipo de coisa, não que ela não esperasse algo diferente, sempre considerou esse tipo de homem uma versão menos evoluída dos humanos que podiam ser comparados a macacos que tiveram seu desejo sexual reprimidos. Por vezes achava engraçado o quão essencial a bebida havia se tornado, após o encerramento do projeto, que a fazia passar por esse tipo de situação.

Assim que chegou em frente a porta da lavanderia da ala masculina o guarda a soltou para logo acenar para que ela entrasse enquanto ele abria a porta e assim o fez, lá dentro a única coisa que existia eram máquinas de lavar e quando foi se virar para sair a porta se fechou na sua cara. Sasha sabia exatamente o que aconteceria e as risadas masculinas só confirmaram o que já era óbvio.

Por de trás das máquinas quatro homens, cada um como uma característica de os deixava únicos um dos outros, apareceu.

— Então você é a mulher que acha que pode fazer o que quiser. Interessante. — O prisioneiro que falava a mediu com os mesmos olhos maliciosos dos demais, exceto pelo fato desse homem ter apenas um olho para fazer isso. — Te achei um pouco sem conteúdo, mas vai dar uma foda interessante. Comece a tirar a roupa, meu pau já-

— Me dá logo a bebida, otário, não estou aqui para ver você ou seu pau minúsculo.

A cada segunda que ela passava no mesmo ambiente que aqueles homens seu sangue fervia mais e mais, queria pegar a garrafa na mão daquele homem e dar o fora dali como sempre fizera com sua antiga fornecedora.

O homem levantou a garrafa em suas mãos, a mesma garrafa que havia pego do verdadeiro fornecedor da cadeia, na altura dos olhos, fitando-a, para logo após quebra-la na máquina de lavar mais próxima. Ele olhou para Sasha enquanto mostrava um sorriso com seus dentes amarelos.

— Você fala demais, vou deixar a sua boca ocupada primeiro. Tirem a roupa dela!

Um dos prisioneiros foi em direção à ela, esse que era o único que não era um conjunto de músculos, com a mão já seguindo para ombro, mas antes mesmo que ele chegasse a toca-la a mesma pegou o braço do prisioneiro puxou para si até que a mão livre fosse para as costas dele o empurrando para a máquina de lavar mais próxima. O homem magro logo se recuperou e se virou pronto para ataca-la, mas Sasha foi mais rápida acertando-o com a primeira divisão dos dedos em sua garganta, fazendo com que ele se ajoelhe com as mãos no pescoço enquanto tentava recuperar algum ar.

O líder do grupo, o homem de um olho só, soltou uma risada enquanto via a cena deplorável do companheiro.

— Então a gatinha está mostrando suas garras. — Ele lambeu os lábios — Eu adoro quando vocês resistem.

O segundo homem pegou uma faca improvisada com uma escova de dentes e lâminas, que um dia fizeram parte de uma lâmina de barbear, olhando para Sasha com mais atenção que o primeiro fizera. Dessa vez a própria Sasha fez o primeiro movimento, ela avançou no homem e com um movimento rápido o desarmou pegando a faca improvisada para si, no mesmo instante ela percebeu a cicatriz no rosto que esse homem possuía e sem pensar duas vezes ela reabriu a cicatriz e aumentando seu tamanho e profundidade, deixando o homem gritando de dor no chão.

Não deu passagem para o terceiro atacar, virando o corpo por completo ela encarou o prisioneiro a sua frente, que estava com os olhos arregalados, com um soco ela fez ele se curvar o suficiente para que ela pegasse a sua cabeça e trouxesse para o joelho com força, fazendo-o desmaiar.

No fundo da lavanderia o homem caolho a encarava com um misto de surpresa, medo e impotência, como se encarasse um animal selvagem que só de olhar já tinha consciência que nunca ganharia uma luta.

— Eu vou fazer você gritar até a garrafa que você quebrou voltar a ficar inteira.

Sasha largou a lâmina que estava em sua mão, não precisaria dela.

Antes mesmo que avançasse um passo a porta da lavanderia se abriu deixando entrar três guardas apontando armas para sua cabeça que fizeram ela levantar os braços em rendição, logo sentia seus braços sendo pegos e algemados. Sasha sabia que não iria voltar para a sua cela, por isso não teve nenhuma surpresa quando a colocaram na mesma solitária de sempre, que tinha uma parte da porta levemente amassada.

Após algumas horas lá dentro, Sasha se deixou vagar por entre seus pensamentos: Primeiro pensou na briga, que caso tivesse utilizado todas as suas habilidades já teria acabado com os três e nunca seria pega por isso, mas sempre se continha por algum motivo. Depois pensou na liberdade, caso quisesse já teria fugido dali há muito tempo e ser perseguida pela policia parecia ser uma vida mais interessante do que a vida que levava agora atrás das grades, mas ela sempre pensava em não usar as suas habilidades, só que dessa vez ela olhou para a porta de metal a sua frente com uma outra expressão pela primeira vez estava decidida à simplesmente não se importar com o sigilo dos seus poderes e fugir daquele lugar. Ao colocar a mão na porta ela voltou a sentir uma sensação há muito esquecida, mesmo que sempre utilizasse parte de seus poderes por motivos de segurança, ela sentiu um leve formigamento enquanto sentia cada pedaço daquela porta de metal à sua frente assim como sentia uma parte especifica da corrente elétrica em nível molecular. Ela fechou os olhos deixando-se aproveitar das lembranças que aquela sensação trazia, mesmo na época como agente ela sempre tentou o máximo não ser dependente dos seus poderes, mas admitia que eles tinham utilidades que suas habilidades físicas nunca iam suprimir.

— Você vai sair. — Uma voz ecoou para dentro da solitária fazendo Sasha abrir os olhos.

Um guarda abria a porta enquanto outros dois a algemavam.

— Essa foi a minha menor estadia na solitária. O que aconteceu, ficaram com saudades? — Por trás do sarcasmo na voz Sasha escondia um pouco de curiosidade, não iriam deixa-la sair sem um motivo maior. Ela chegou a cogitar que iria entrar para o coliseu de presos patrocinado pelos guardas que havia virado boato há alguns meses, sinceramente não achava a ideia de todo mal, seria uma vida divertida.

No momento atual ela não se importava com seu destino, aquele mistério e incerteza, duas coisas que lembravam a vida como agente, estavam deixando seu dia mais divertido do que qualquer outro dia do ano, mas isso tudo não a preparou para ficar frente a frente com a sala onde os novatos faziam suas visitas aos seus advogados, essa mesma sala que Sasha recusou-se a entrar já que tinha orgulho de ter atropelado os homens que a assediaram, e também não estava preparada para pessoa que iria encontrar lá dentro.

— O que você faz aqui? — perguntou. A pessoa à frente de Sasha, na concepção da mesma, não havia mudado em nada desde da última vez que viu cinco anos atrás, tinha o mesmo rosto um pouco arredondando, os mesmo olhos negros, a mesma pele negra perfeitamente lisa e o mesmo ar intimidador cercando-a.

— Sente-se, agente setenta e sete.

E o mesmo inglês com sotaque brasileiro.

— Carolina Silva, representante do Brasil na ONU e uma das cabeças do falecido Projeto Ascensão. — Sasha soltou uma risada, o dia acabara de ficar mais interessante. — A que devo a sua ilustre presença?

Carolina fez um sinal para o guarda que havia escoltado Sasha até ali fazendo-o soltar as algemas que haviam posto em Sasha, a representante do Brasil não via motivos para deixar a ex-agente presa caso fosse atacada não havia nada ali que fosse salva-la, muito menos algemas. Com outro sinal o guarda deixou a sala.

— Estamos trazendo parcialmente de volta à vida o Projeto Ascensão. — Carolina mantinha o tom neutro que sempre usara na época que o projeto era ativo. — Precisamos que você assuma novamente a identidade de agente setenta e sete.

— E você precisava vir pessoalmente aqui para isso? Sempre soube que era a preferida.

Sasha sabia que provocar aquela mulher era inútil, nos dez anos que trabalhou com aquela mulher nunca a viu irritada, ela era sempre uma pedra de gelo que nunca derretia.

— Como sempre fui eu que deu as ordens, achei mais do que necessário eu estar aqui porque já tenho uma missão para você, setenta e sete. — Carolina puxou uma pasta de arquivos da maleta e arrastou para a frente de Sasha. — Claro, se aceitar voltar à sua vida antiga.

A ex-agente deu um sorriso com o canto da boca, finalmente depois de cinco e monótonos anos ela teria de volta sua vida de adrenalina e incerteza que tanto gostava e sentia falta, mas antes conversou sobre algumas condições que foram facilmente aceitas.

— Então, qual é a missão, chefinha?

Todos já ouviram falar da famoso linha tênue que existe entre vários aspectos opostos como a justiça e a vingança, o amor e o ódio, a sanidade e a loucura, mas poucos sabem dos andarilhos que vivem caminhando nessa linha tênue e que por vezes se desequilibram e acabam por pisar em um dos dois lados, Michael Miller era uma desses andarilhos só que ele nunca tropeçou toda vez que escolhia um lado ele tinha total consciência disso, mas nos dias atuais ele sempre escolhia o que seria melhor para o mundo que sua irmã mais nova, Claire, viveria.

Enquanto olhava a irmã mais nova deitada no sofá ao eu lado Michael pensava no quanto os dois eram iguais fisicamente, os mesmo cabelos pretos e os mesmo olhos cinzas que nunca trocavam de cor independentemente da luz que se jogava neles, e no fundo ele desejava que esse fosse a única semelhança entre os dois por isso tentava deixa-la o mais longe possível da malicia e corrupção do mundo afora, mas nem mesmo ele conseguia controlar uma adolescente de dezesseis anos perfeitamente, por sorte ela tinha um gênio gentil e puro, coisa que Michael perdeu há muito tempo.

Foi então que ele se lembrou de uma fala do pai que ele levou para o resto da vida: “Não me olho com ódio, garoto, você é fruto do meu ser também. No fundo, você é tão podre quanto eu.”. Odiava admitir, mas após um ano, quando foi pego para fazer parte do projeto, essa frase nunca deixou de resumir Michael por completo, mas seu receio era que a irmão acabasse por ser igual a ele, por isso havia se tornado um policial para que Claire tivesse um bom exemplo, ou pelo menos era o que a sociedade pensava dos policiais, assim como alguns pesavam que o Projeto Ascensão era algo bom. A mão de Michael cerrou, ele achava engraçado como de uma forma ou outra essa época de sua vida o voltada para assombra-lo, mesmo após cinco anos esse ciclo vicioso de esquecer e relembrar continuava como algo constante em sua mente, mas no fundo admitia que ele não havia mudado muito, continuava a fazer praticamente as mesmas coisas, combatia práticas nocivas, mas ao mesmo tempo era tão nocivo quanto.

Interrompendo os pensamentos de Michael o som de batidas em sua porta ecoou pelo cômodo fazendo o moreno entrar em estado de alerta, era muito tarde para ser algo convencional, por isso preveniu que sua irmã estava dormindo – já que uma vez tivera que inventar uma desculpa enorme para explicar o porquê tinha uma mulher seminua na porta perguntando se ele estava atrás de diversão para uma criança de onze anos – e logo colocou sua arma, que estava em cima do balcão da cozinha, na parte de trás da calça. Ainda alerta ele abriu a porta, pronto para qualquer coisa, por isso não se deixou abalar para os homens de terno mostrando o distintivo da ONU.

— Michael Miller, a ONU solicita novamente a sua presença como agente. — disse um dos homens.

Michael não esboçou nenhuma reação, apenas continuou com sua expressão fria e calma que sempre possuiu como agente, primeiro ele analisaria os dois homens depois pensaria no que fazer.

— Não é preciso trazer quaisquer pertences, só venha conosco. Pegaremos um jato para o QG atual, depois de pegarmos um carro.

O ex-agente continuou calado, mas sua mão logo foi em direção ao ombro do agente que estava falando, o plano seria simples ele mandaria impulso elétricos que faria o agente atirar no parceiro e depois nele mesmo, mas antes que pudesse encostar naquele homem uma mão puxou a sua anulando totalmente o poder de Michael e o mesmo sabia quem era o responsável por isso.

— Setenta e sete. — disse Michael com frieza.

— Sessenta e seis. — Sasha entrou na linha de visão de Michael, confirmando o que o ex-agente já sabia. — É melhor você sair de perto dele, cara. — alertou Sasha ao agente que ainda estava parado com o ombro perto demais da mão Michael, e logo o agente acatou a ordem.

— O que você está fazendo aqui?

Sasha continuava segurando a mão de Michael, sabia que não poderia deixa-lo ir até ter uma confirmação que todos ali ficariam bem.

— Não é óbvio? O projeto foi reativo, eles estão chamando ex-agentes para volta a vida antiga. — Sasha encarava os olhos frios de Michael que retribuía o olhar sem piscar. — É como o engravatado falou, você só precisa vir com a gente, sem gastar tempo fazendo uma mala para você — Sasha desviou o olhar para dentro da casa de Michael — e muito menos para a sua irmã.

No mesmo instante o ex-agente usou sua mão livre para puxar a arma que até então estava escondida do olhar dos demais e apontou para a cabeça de Sasha, mas como esperado dela ela também havia feito o mesmo movimento um milésimo depois que ele começou a mover o braço. Agora ambos se encaravam com armas apontadas para as suas cabeças.

— Carolina pediu para que não houvesse brigas desnecessárias e sinceramente não vejo porquê brigarmos por algo tão simples. Você só precisa dizer sim e vir com a gente e, claro, sua irmã virá também e será acomodada em uma das alocações do QG atual.

Sasha sabia que ele estava ouvindo, mas que ao mesmo tempo se recusava a ouvir, por um motivo simples: rivalidade. Como era de se esperar, junto cem pessoas e dá-las superpoderes iria com certeza criar rivalidades e Sasha Karya era uma das poucas que fazia Michael Miller usar somente os punhos para lutar em uma batalha, mesmo que fossem apenas batalhas de treinamento.

Por sorte, Carolina havia dito o que tinha que ser dito à Michael para que ele a ouvisse mais atentamente e mesmo que Sasha não quisesse estragar esse clima de rivalidade ela não podia se dar ao luxo de deixar um cidadão comum ver dois homens de terno olhando para duas pessoas, aparentemente comuns, apontando uma arma um para a cabeça do outro.

— O mundo está ficando perigoso novamente, Miller, não aceitar esse pedido é negligenciar uma porcentagem importante de proteção que você dá para a sua irmã. — Dessa vez o tom de voz de Sasha estava sério, não poderia tratar aquele assunto em especial com sarcasmos ou brincadeira. Caso deixasse Michael irritado sabia que sairia com dois agentes mortos e uma batalha que terminaria quando algum dos dois ficasse cansado demais para lutar. — O que você me diz? Vai deixar alguns fantasmas do passado afetarem a segurança dela?

Michael abaixou a arma, tento sua mão solta por Sasha, e foi até a sua irmã, não se importando em dar as costas para os agentes que estavam na sua porta. Não sabia como iria explicar para a sua irmã os anos de vida como agente, mas sabia que a vida dela era mais importante do que voltar a vida que nunca lhe acrescentou nada.

Notas finais
E ai, gostaram? Dicas sempre são bem-vindas. Fun Fact: Originalmente esse capítulo tinha 2970 palavras, mas eu queria revisa-lo para deixar-lo um pouco menor e melhor explicado, como puderam ver eu só cumpri com o segundo. Kkkk