Notas iniciais
olaaaar cap novo!!! n se esqueçam de comentar

— Jane? Tá tudo bem? — Lina cumprimentou pelo telefone com uma voz sonolenta.

— Oi, Lina, perdão pelo horário. — disse olhando meu relógio de pulso. Era quase uma hora da manhã.

Eu era uma vadia por acordá-la tão tarde.

Mas precisava saber.

Lina era minha colega de laboratório e, como era a que morava mais perto do local, deixei a minha chave reserva com ela.

— Será que você teria como me entregar a chave do lab? Preciso conferir um negócio urgentemente.

— Agora? O que houve?

— Eu te explico melhor no trabalho. — afirmei enquanto deixava minhas malas no apartamento que dividia com Logan, me forçando a não prestar muita atenção nos detalhes ali, então desci para a garagem.

— De jeito nenhum. Eu vou com você! — Lina rebateu no seu tom definitivo e bem acordado.

Não adiantava discutir.

Não lembrava de como estava com saudade da minha rotina no laboratório até entrar ali.

Lina vinha a tiracolo e eu tive que explicar boa parte do que tinha acontecido na ilha.

Eu havia contado tudo tantas vezes nos últimos dias que estava começando a me distanciar daquela tragédia.

Era como se eu estivesse contando algo que aconteceu com outra pessoa.

Mas então, quando a noite chegava, era impossível fingir que aquilo não tinha acontecido comigo.

— Sinto muito, J. Ele parecia ser um cara decente.

Respirei fundo ligando as luzes e indo até o lugar onde deixávamos algumas substâncias separadas para comparação.

— Não precisa sentir. Poderia ter sido pior.

E quanto mais eu parava para pensar, mais eu acreditava naquilo.

Poderia mesmo ter sido pior.

Eu poderia ter ido adiante com aquele casamento e viver infeliz ou enganada pelo resto da vida.

— Então você acha que ele dopou a garota? — Lina perguntou colocando as luvas e me ajudando a separar os itens necessários.

— Ao que tudo indica...— murmurei despejando o conteúdo do frasco que peguei no quarto de Logan para análise. — Ela foi dopada e, se eu conheço aquela cabeça doentia pelo menos um pouco, não fez nada com ela. Foi só para parecer que fez.

Minha análise manual reconheceu Flunitrazepam, Diazepam, o GHB e pelo menos mais uma substância que eu identificaria apenas enviando para um laboratório mais especializado no assunto.

Porém, já era o suficiente.

A combinação daquelas substâncias já indicava a real intenção naquele pequeno frasco, eu só precisava convencer Rachel a fazer alguns exames o mais rápido possível.

Pedi para que Lina confirmasse para mim e ela o fez, chocada com minha conclusão.

— E agora? — ela perguntou.

— Agora eu tento fazer ele pagar mais um pouco por tudo que fez com a gente.

Consegui criar coragem para fazer o convite para Rachel no dia em que eu deveria estar subindo no altar.

Todas as coisas pareciam estar cooperando para tudo dar certo.

Havia um congresso na cidade em que Rachel morava e o laboratório de análise também era numa cidade vizinha a dela.

Era tudo ou nada.

Os resultados da análise chegaram bem rápido e indicava o que eu desconfiei: uma combinação forte e um tanto perigosa de um Boa Noite Cinderela potente.

Minha raiva por Logan só aumentava a cada momento que passava.

Uma dosagem errada e ele poderia ter não só ferrado a saúde de Rachel, mas também causado uma parada cardíaca.

Meu coração doía cada vez que eu me recordava das vezes que ela repetiu na carta como não conseguia lembrar de muita coisa.

Como isso a fazia se sentir impotente e vulnerável.

Como parecia que tinham arrancado uma página na sua cabeça.

Deveria ser uma sensação horrível.

Desde que voltei da ilha, ainda não tinha aberto o aplicativo de mensagens. Eu sabia o que encontraria, ainda assim passei por todos os milhares de contatos me consolando e indagando o que tinha acontecido e cliquei no nome de Rachel.

Havia mensagens dela se desculpando mais uma vez no dia que eu havia cancelado o casamento. Dizendo que sentia muito.

Era hora de responder:

Eu

Oi, Rachel.

Não precisa dizer que sente muito.

Eu sei disso.

Se não fosse por tudo o que o que

aconteceu, hoje eu estaria

me casando com um canalha.

Alguns segundos se passaram e eu pude ver que ela rascunhou uma mensagem várias vezes, mas acabava apagando.

Por fim, ela enviou:

Rachel

Digo porque não tenho o que dizer

além de sinto muito.

Hoje deveria estar sendo

o melhor dia da sua vida...

Estraguei tudo.

Era alarmante o seu modo de pensar. Era alarmante a maneira que Rachel achava que ela tinha sido responsável por estragar o casamento quando nem mesmo lembrava o que tinha acontecido entre ela e Logan naquela noite.

Lembrar que ela poderia ter me contado dos avanços de Logan muito antes, em vez de me deixar no escuro, deixava um gosto amargo na minha boca, mas ainda que ela tivesse ido de livre e espontânea vontade para a cama dele, Logan ainda era o que tinha um compromisso comigo.

Doía porque eu já a considerava uma amiga, mas Logan era a porra do meu noivo.

Eu

Olha, Rachel, me perdoe se no nosso último

encontro eu dei a entender

que tudo foi culpa sua.

Não foi.

Se tem um culpado por tudo

o que estou passando e que imagino

que você também esteja, sabemos

bem quem é...

Enfim, eu estou na sua cidade

Gostaria de te encontrar

para bater um papo.

Acho que como uma das duas

mulheres que foram mais

manipuladas por Logan, você

é a única que pode me entender.

Eu não tinha percebido o quanto aquilo era verdade até escrever. Já havia conversado com minha mãe, com Jenny, com Mary Ann e até com Lina, mas eu recebia geralmente pena e consolo, não compreensão.

Por mais que tentassem, essas mulheres não conseguiam entender intrinsecamente o que eu estava passando ou sentindo.

Elas não podiam saber qual era a sensação de sentir o mundo se abrindo aos seus pés sem nenhum aviso prévio.

Não podiam saber a sensação de ver a pessoa com quem você quase confiou sua vida e seu futuro virando um monstro bem diante dos seus olhos.

Rachel entendia tão bem quanto eu.

Não tinha percebido o quanto eu desejava algo assim.

Dessa vez a resposta demorou ainda mais para vir e quando veio foi com apenas uma frase:

Rachel

Você quer sair?

Eu sabia como tinha soado para a mente dela.

A mulher que quase tinha batido na sua cara na frente de várias pessoas e que tinha exposto seu quase futuro marido diante de todos os convidados te chamava para "conversar".

No mínimo era suspeito.

E eu não poderia fazer nada para aplacar aquilo, além de escrever uma resposta que eu esperava que passasse a sinceridade das minhas intenções.

Eu

Isso. Consigo ocupar parte

do tempo no laboratório, mas

sinto que preciso me abrir com

alguém ou vou explodir.

Acho que você me entende...

Além disso, tenho algo importante

para te dizer.

Eu esperava que ela inventasse alguma desculpa, mas estava pronta para implorar se fosse necessário. Quanto mais tempo se passava entre o dia em que tudo aconteceu, menos chance tinha de localizar a presença das substâncias em seu corpo.

Algumas já tinham saído no dia seguinte e ela precisava de pelo menos 25% delas ainda no organismo para poder iniciar um processo.

Se ela quisesse.

No entanto, não precisei implorar ou barganhar, a resposta de Rachel foi boa o suficiente.

Rachel

Hm...Ok.

Eu saio do trabalho às 17h.

18h30 tá bom para você?

Perfeito.

Ronan

Último dia na ilha

Eu era o garoto da mamãe.

E não tinha vergonha de admitir.

Minha mãe era incrível e andava muito sozinha desde a morte de meu pai. Embora, ela nunca fosse admitir nem sob todos os tipos de tortura.

Ela era imigrante desde os sete anos de idade e aprendeu a endurecer a armadura muito cedo — exceto quando se tratava de amor e amizade, aí a mulher era uma manteiga.

Claro que eu não poderia herdar apenas a aparência, o coração tinha de vir junto também e é claro que a senhora Jeong-Weber se aproveitava disso em todas as ligações.

O plano inicial era ficar na ilha até janeiro, mesmo que a meta do intercâmbio fosse de duas semanas — o que eu já havia batido.

Porém, a voz doce da minha mãe, as promessas de fazer bulgogi todas vezes que eu pedisse, com o frio cada vez mais insuportável na ilha e o aviso de que provavelmente todo o pessoal ficaria enfurnado nos seus quartos de hotel até o Ano Novo não deixava aquilo se tornar uma escolha muito difícil.

Principalmente depois de passar três dias olhando para o teto de madeira do meu quarto alugado porque vários dos empregos de meio período tinham suspendido o dia de trabalho.

Então não hesitei em marcar o próximo voo de volta disponível.

Rachel e eu nos comunicávamos com frequência e eu tentava fazer, mesmo de longe, com que ela não se afundasse em tristeza. Às vezes, funcionava. Às vezes, eu só ficava consolando-a do outro lado da linha dizendo que ficaria tudo bem.

O máximo que eu poderia fazer, infelizmente.

Nossa amizade era recente, embora eu a considerasse como uma irmã.

Tudo bem que no começo eu tinha desenvolvido um leve interesse por ela quando a vi sentada sozinha perdida em pensamentos, mas foi só ouvi-la falando de Benjamim, mesmo quando ainda achava que não sentia nada por ele, que eu percebi que era uma conquista perdida.

E depois de ver os dois juntos pela primeira vez, fiquei feliz em vez de aborrecido.

Ninguém combinava mais com Rach do que Ben e vice-versa.

Ele era um cara incrível e ela era uma garota excepcional.

Não conseguia entender como eles haviam se enrolado tanto a ponto de estar separados mais uma vez.

Rachel me contara todo o conflito em uma das ligações e, no fim, eu não tinha nenhum conselho para dar a ela além de pedir que esperasse.

De jeito nenhum aqueles dois não acabariam juntos.

Entretanto, se o destino achava que eles precisavam de mais um tempo separados, quem seria eu para discordar?

A única coisa que eu desejava era encontrar alguém como meus pais tinham se encontrado — com culturas e criações diferentes —, como Benjamim encontrou Rachel — com todo os desencontros que tiveram e que continuavam tendo —, como vários amigos meus tinham encontrado alguém.

Geralmente, eu, Ronan, era o garoto que as meninas achavam fofo, que as colocavam lá em cima ou que faziam com que elas dessem risadas, mas era apenas isso. Um amigo. Um alívio cômico. Às vezes, alguém para esquentar a cama por uma noite.

Está bem, eu também não havia sido arrebatado por sentimentos apenas pela visão de alguém.

Quer dizer, com exceção de...

— Problemas com a conexão?

Uma figura parou na minha frente quando dei dois tapas na lateral do meu notebook.

Levantei o olhar para encontrar Benjamim lançando um olhar curioso para mim.

— O quê?

— Acho que você está com problemas de conexão, bater na máquina não vai ajudar. — Ele tirou uma bolsa dos ombros e se sentou no banco ao meu lado.

O aeroporto não estava mais cheio do que no dia em que eu tinha acompanhado Rachel, mas o movimento era considerável.

— Eu sei. Não estou fazendo isso para ajudar, estou fazendo isso para liberar a raiva.

Benjamim soltou o ar pelo nariz, rindo.

— Não tiraria você por um cara violento.

— Sou muito violento. — estreitei os olhos. — Fiz duas aulas de jiu-jítsu.

Levou três segundos para começarmos a gargalhar.

— Vai voltar para casa também? — perguntei o óbvio já que não havia outro motivo para Benjamim estar ali no meio do dia.

Ele assentiu com a cabeça.

— Minha irmã estava toda "vamos aproveitar o que a ilha tem de melhor" dias atrás, mas depois de se recusar a sair da cama por causa do frio várias vezes, decidimos adiantar a viagem em poucos dias. Aparentemente a única coisa que restou para se fazer aqui foi esquiar e acho que Bianca já esgotou a cota dela.

— Também estou indo embora mais cedo. O trabalho diminuiu drasticamente e os amigos que iam passar o Natal com minha mãe sofreram um imprevisto. Não quero deixá-la sozinha.

Benjamim se recostou na cadeira com um suspiro:

— Aparentemente somos filhos exemplares. Minha mãe também nos "convidou" para o Natal. — Ele fez aspas com os dedos. — E com convidou quero dizer que suas exatas palavras foram "pesquisei todos os canais de previsão do tempo possíveis, se vocês ficarem presos aí por causa da nevasca até depois do Natal nem se incomodem em pedir desculpas porque não aceitarei".

— Uau, bastante sutil.

— Nem me fale. Ei, seu voo é o das três também?

Assenti com a cabeça.

— Ah, que ótimo. Bianca é a pior companhia para viagens, se importaria de trocar de assento com ela?

— Nem um pouco.

Por um momento fiquei sem ter o que dizer para Ben.

Não sabia que assunto seria um campo neutro para abordar.

Parte de mim queria ativar o modo "em defesa de Rachel" embora ele também não estivesse errado naquela história, mas sabia que tudo ainda estava muito recente. E talvez Benjamim estivesse no estado de ficar afastado de tudo que lembrasse sua dor.

Conversamos sobre o meu curso e o relatório do intercâmbio que eu teria de fazer quando voltasse. Também falamos sobre o seu trabalho e futuros projetos, mas eu percebia que Ben tocava no assunto com cautela, afinal, a empresa pertencia à família de Rachel.

Quando o alto-falante anunciou o nosso voo e a irmã dele apareceu do nada, Benjamim parecia ter perdido toda a cor do rosto e — no frio que estava fazendo — uma camada fina de suor começava a cobrir sua testa.

— Ei, tá tudo bem? — perguntei, colocando a mão no seu ombro enquanto íamos em direção ao embarque e Benjamim apenas assentiu com a cabeça.

— Esqueci de comprar o remédio de enjoo de novo, mas vou ficar bem.

Soltei um risinho, mexendo na minha bagagem de mão:

— O que seria das pessoas do mundo sem mim?

Entreguei um comprimido para ele que me olhou agradecido.

Minutos depois estávamos acomodados em nossos assentos, Bianca com uma fileira vazia só para ela e Benjamim desmaiado ao meu lado.

Cheguei naquela ilha sozinho, mas estava voltando para casa com novos amigos.

Como minha avó costumava dizer: "Isso sim é um saldo positivo."

Para as coisas estarem perfeitas, eu só precisava entender porque me sentia tão vazio.

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Notas finais
Heeyyy, mon chouchous! descobri recentemente que gosto muito de escrever pov do ronanzinho, o que acharam? avisando que isso aqui tem grande chance de não ser mais um conto pq eu n tenho capacidade de escrever pouco kkkkkkkk Não se esqueçam de comentar o que estão achando, deixar aquele fave básico e compartilhar a história com os amigos ♥ me sigam no twitter (@whodat_emmz ) ou no Instagram (@emmiewrites) para saber mais sobre atualizações, spoilers dos próximos caps, quotes e etc... Nos vemos na próxima semana ♥ bjinhos
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.