HERÓIS NUNCA MORREM? TALVEZ
1 CAPÍTULO I - INVADIMOS O OLIMPO
DOIS DIAS ATRÁS...
— Annabeth, por favor — Percy insistiu, tentando fazer com que eu parasse — isso não vai levar a nada, nós dois sabemos que enfrentar os deuses nunca é uma boa ideia.
Eu me virei, furiosa. Rachel tinha sumido a mais de uma semana e ele estava tentando me parar?
— Perseus Jackson, não ouse tentar me parar. Ela é minha amiga e o que quer que os deuses tenham feito com ela, que eu esteja errada, eles irão pagar.
Percy parou me olhando atônito, deuses, tantos anos juntos e ele ainda não aprendeu nada. Eu não deixo meus amigos na mão. Rachel é minha melhor amiga, não posso deixar eles a levarem sem mais nem menos. Desde que Apolo bateu à nossa porta trazendo uma semideusa e em sua aparência de adolescente rebelde, Rachel nunca mais foi vista.
VLACA!! Eu deveria ter interligado as coisas assim que não a encontramos. Apolo também sumiu, disse que iria aproveitar um pouco as coisas até que seu pai decidisse que ele poderia voltar a ser um deus. Agora, Rachel está desaparecida e eu tenho certeza que os deuses a levaram, por culpa de Apolo. Agora eu estou a caminho do Empire State Building para trazer minha amiga de volta.
Sinto um toque em meu ombro que me traz de volta para o agora.
— Olha, Annie, eu sei que pode estar tudo interligado, o sumiço de Rachel com o fato de que Apolo não é mais um deus, mas pode ser que não, ela pode simplesmente ter ido passar uns dias com seus pais. Ser o Oráculo não é fácil.
Ele não entende, eu tenho esse pressentimento ruim que algo está errado.
— Percy, você tem que acreditar em mim, eu sei que tem algo acontecendo, eu adoraria que você viesse comigo, mas eu irei com ou sem você.
Ele tocou minha mecha de cabelo branco, resultado do nosso encontro com Atlas.
— Você sabe que eu nunca irei deixar você sozinha, não é?
Ele beijou minha bochecha.
— Então vamos questionar alguns deuses. — ele riu em minha orelha.
Passar pelo guichê do prédio foi a parte mais fácil, James, o porteiro, já me conhece do tempo em que eu acompanhava o projeto do Novo Olimpo. Ele nos deixou subir ao 600° andar. A nova ponte que ligava a entrada ao Olimpo em si foi toda modificada pelos meus projetos, eu tive liberdade para projetar tudo, cada entalhe no mármore veio de uma ideia minha, vir aqui era a melhor sensação de um trabalho bem feito. Caminhamos pela ponte e, ao chegar ao pátio principal, ouvimos uma discussão acalorada entre vozes monstruosamente altas.
"Não podemos mantê-la aqui, ela não tem nenhuma obrigação com esse papel."
Disse uma voz feminina, que eu jurei ser de minha mãe, Atena.
"Claro que ela tem, ela é o Oráculo..."
Não pensei em mais nada, adentrei pelo salão e fiquei chocada quando vi Rachel em uma jaula, desacordada, enquanto onze olimpianos, em sua forma original, olhavam para Percy e eu para entender o porquê de tal intromissão.
Olhei para minha mãe a procura de ajuda, mas ela não iria ajudar. Seria irracional ficar contra os deuses.
Zeus se adiantou e ficou frente a nós.
— Posso saber o que os pequenos heróis estão fazendo aqui?
Era fácil ver desprezo na voz dele, ele nunca iria admitir que éramos bons.
— É, bem, n-no-nos — Percy estava gaguejando, por São Nicolau, estamos perdidos.
— Nós viemos buscar nossa amiga, Rachel — eu disse com voz firme, Zeus não me amedronta, ele precisa de nós para salvar seu traseiro quase constantemente. — Quem vocês pensam que são para levá-la sem nenhuma explicação?
Todos me olhavam como se surgissem chifres em mim, apenas Hermes estava rindo, bastardo maldito.
— Annabeth!? — Minha mãe me repreendeu.
— O quê? A senhora acha certo eles levarem ela sem explicação? — Eu disse apontando para a jaula de uma Rachel inconsciente.
— Isto está além de você. Fique fora disso. — Ela disse. Não dava para negar que éramos mãe e filha, nosso temperamento deixava isso bem claro.
— Pois bem, o que ela faz aqui? Por quê Apolo bateu à nossa porta no início da semana parecendo mais mortal do que eu? — Perguntei, com os braços cruzados em meus peitos.
Zeus deu um passo em minha direção e se abaixou.
— Olha se não é a minha pequena e arrogante neta. Isso não é seu negócio, Rachel é o Oráculo e se até a reunião do solstício de inverno Apolo não retornar e arrumar a bagunça que ele fez, sua amiga será a nova deusa no lugar dele.
Oh deuses, não pode ser, Rachel nunca quis ser uma deusa. Ela gosta da vida mortal. Eu nunca deixarei isso acontecer.
— O que Apolo fez de tão grave? — Perguntei com um leve tremor em minha voz, que não passou despercebido por Zeus.
— Quer dizer que meu adorado filho não lhe contou?
Balancei a cabeça em negação.
— Bem, acho que ele mesmo terá que lhe dizer. Já que agora, se quiserem sua amiga de volta, você e essa cria do mar...
— Não fale assim do meu filho — Poseidon partiu em defesa do filho, que parecia que ia ter um ataque de tão calado.
Como se não tivesse sido interrompido, Zeus continuou.
— Enfim, como eu dizia, reúnam um trio e partam ao entardecer, você o encontrará no Hotel dos Comedores de Lotus. Vocês tem até a meia-noite do Solstício de Inverno para trazê-lo de volta.
Fale com o autor