HANDCUFFED
1 imgonnagetyouback
Notas iniciais
Lilac short skirt, the one that fits me like skin
Did your research, you knew the price going in
Aqui, fora do estádio, o cordão da área VIP pesava no pescoço da morena.
Ela só precisava mostrá-lo para o segurança, encontrar a pessoa que havia entrado em contato com ela por telefone e colocar o "plano" em ação.
"Você é uma estúpida!" — sua mente a acusava. — "Você já está aqui, já jogou metade da sua vida fora, não desperdice tudo agora."
Então, com uma respiração profunda que chegou a doer nos pulmões, a morena falou com o segurança, que a conduziu aos bastidores. Em pouco tempo, ela encontrou a loira, que deu aquele mesmo sorriso que ela conhecia bem.
— Você está pronta? — perguntou, enquanto tragava o cigarro.
A morena estava pronta?
Nem ela sabia.
10 anos antes
Bella POV
Finalmente, Juilliard!
Todo o esforço, as noites em claro estudando, deixando para trás festas e saídas com amigos... Tudo valeu a pena.
Sorrio ao ver meu reflexo no espelho. Hoje é meu primeiro dia de aula, e, para minha surpresa, não estou tão nervosa quanto imaginei que estaria. Na verdade, sinto uma paz inesperada, com apenas uma leve pitada de ansiedade.
Desde pequena, sempre soube que nasci para ser uma grande pianista e compositora. E hoje estou dando o primeiro passo para realizar esse sonho.
Ajeito minha saia lilás de ginástica. Manter minha rotina de exercícios é essencial, especialmente depois de um ano tão intenso. A terapia, os exercícios e a alimentação saudável foram o que me salvaram de uma crise de autossabotagem.
Arrumo meu cabelo, passo uma maquiagem leve, pego minha mochila com os cadernos e uma troca de roupa para a academia, e saio em direção à Juilliard.
O apartamento em Manhattan, que meu pai comprou para que eu ficasse mais confortável, não fica longe da faculdade. Agradeço todos os dias pela boa condição de vida que temos, algo que só foi possível graças à herança da minha mãe. Que Deus a tenha.
Mamãe veio de uma família rica e conheceu meu pai enquanto estava na faculdade. Pouco tempo depois, eu nasci. Minha chegada, segundo meu pai, foi uma bênção para meus pais, mas trouxe muitas tensões com meus avós maternos, que não aprovaram o relacionamento deles.
Quando eu nasci, meus avós deram a parte da herança da minha mãe, basicamente a expulsando de casa, sob o pretexto de que ela precisava aprender a ser responsável. Meus pais não planejavam ficar juntos, mas decidiram tentar por minha causa. Quando eu tinha quatro anos, minha irmã Alice nasceu, e desde então, sou a orgulhosa irmã mais velha.
Apesar dos desafios, não posso reclamar da vida que tive. Estudei nas melhores escolas de Seattle e cresci cercada pela elite da cidade. Alice e eu sempre fomos muito próximas, e no próximo ano ela vai se mudar para Nova York para estudar na Parsons. Ela ainda não passou, mas fala com tanta convicção que eu não duvido — Alice sempre teve uma espécie de "sexto sentido".
Sobre nossa mãe, há dois anos ela foi diagnosticada com uma síndrome rara e, infelizmente, o tratamento tardio não foi suficiente para salvá-la. Foi um momento difícil para todos nós, especialmente para meu pai e Alice, que eram muito ligados a ela. Eu, por outro lado, sempre tive uma relação mais distante com minha mãe. Ela fazia o que era necessário, mas nunca foi muito além das suas responsabilidades. O afeto, para mim, sempre veio do meu pai.
Mas agora, deixo essas tristezas para trás. Hoje começo um novo capítulo da minha vida — um capítulo que sei que será inesquecível.
Mais tarde, naquele mesmo dia
Eu não sei o que estou fazendo aqui.
Todas as aulas apenas fizeram com que eu me sentisse um lixo.
Eu realmente não faço ideia do que estou fazendo aqui.
Sério. O brilho e empolgação da manhã se esvaíram completamente depois das primeiras aulas. A cada minuto, me sentia menor e mais insignificante. A primeira aula, com o temido professor Caius, foi particularmente brutal. Ele parecia tirar prazer em desmerecer qualquer talento que ousássemos mostrar.
Saí da aula sentindo um nó na garganta. Só queria me esconder em algum canto e deixar o piano ser meu refúgio. Ou, no caso, a composição, que sempre foi a minha maneira de processar o caos interno. Mas a Juilliard tinha outros planos.
A última aula do dia era uma interdisciplinar. Alunos de diferentes áreas criativas precisavam se juntar para criar um projeto conjunto, que renderia uma apresentação no final do semestre das produções criadas. Ótimo. O que eu precisava no meu primeiro dia era ser exposta ainda mais à minha própria insignificância.
Quando entrei na sala, já tinha um monte de gente espalhada em grupinhos. Era uma aula de música e narrativa, o tipo de coisa que normalmente me deixaria animada, mas hoje eu só queria terminar o dia.
Foi aí que o professor anunciou que nós seríamos divididos em duplas, e meu nome foi chamado junto com o de alguém que eu não conhecia. Olhei em volta, tentando localizar a pessoa, até que ele apareceu.
Ele não parecia pertencer àquele lugar. Cabelo bagunçado, num tom de ruivo… não, um tom de cobre muito diferente, jaqueta de couro, uma atitude de "não me importo" que contrastava completamente com o ambiente clássico da Juilliard. Podia ver algumas tatuagens em suas mãos e seus dedos e muito provavelmente haviam outras por baixo daquela jaqueta. Não que eu me importasse.
Ele caminhou até mim com uma confiança irritante, os olhos verdes brilhando de curiosidade, e me deu um sorriso meio debochado.
— Isabella Swan, certo? — ele perguntou, já sabendo a resposta.
— Bella… Isso — respondi, tentando parecer mais tranquila do que estava.
— Prazer, Edward Cullen — e me deu uma piscadela que me deu uma leve sensação de hiperventilar.
O projeto era criar uma performance que misturasse música e narrativa, e nossa tarefa era compor algo juntos. Só de imaginar já sentia um peso nas costas.
— Então, Swan — ele disse, com aquele sorriso casual, enquanto brincava com um lápis entre os dedos. — Qual é a sua ideia?
Seu tom era relaxado, mas havia algo nos olhos dele, uma intensidade que me deixava desconfortável. Tentei me concentrar, olhando para o caderno aberto à minha frente. Eu não sabia o que esperar dessa parceria. Obviamente ele era talentoso, mas também sentia que Edward não gostava de seguir regras. E eu... eu era tudo sobre regras.
— Acho que podemos começar com algo simples. — Falei, com a voz mais calma do que eu realmente estava. — Podemos criar uma melodia base no piano e trabalhar a letra em cima disso.
Ele ergueu uma sobrancelha, intrigado.
— Simples, huh? — Ele sorriu de lado. — Por que não fazemos algo mais intenso? Uma combinação que vá além do piano clássico.
Eu revirei os olhos, sem querer, mas rapidamente me recompus. Não que eu tivesse medo de fazer algo mais ousado, mas seu jeito provocador me irritava. Era como se ele estivesse testando meus limites.
— Pode ser — respondi, secamente. — Mas vamos ver onde a melodia nos leva antes de complicar demais.
Ele riu baixinho, como se achasse graça da minha seriedade. O som ecoou na minha cabeça, e por algum motivo, não consegui parar de pensar em como era cativante. Mas mantive minha expressão indiferente.
— Como você quiser, Swan. — Edward se levantou e foi até o piano, puxando o banco como se fosse sua segunda casa. Ele deslizou os dedos pelas teclas, sem esforço, e uma melodia suave começou a preencher o ar.
Me aproximei lentamente, tentando me focar apenas na música, mas a habilidade dele me pegou desprevenida. Edward era um pianista excepcional, com uma fluidez que eu só havia visto em músicos com anos de prática. Ele fechou os olhos por um segundo, completamente imerso no som, como se estivesse no comando de cada nota que saía do instrumento. Eu não conseguia desviar o olhar, e isso me irritou ainda mais.
Quando ele parou de tocar, abriu os olhos e me encarou, um sorriso de canto nos lábios.
— Sua vez, Swan.
Respirei fundo e fui até o piano. Eu sabia que tinha talento, mas a maneira como ele tocava parecia desafiadora, como se dissesse: “Mostre o que você tem.”
Coloquei os dedos nas teclas, sentindo a familiaridade do instrumento. Era o meu território. Toquei uma melodia que vinha à mente, uma combinação de notas suaves e melancólicas. Não era tão ousada quanto o que Edward provavelmente esperava, mas tinha uma profundidade que me representava.
Quando terminei, ele me observou em silêncio por alguns segundos, e eu senti o peso do olhar dele sobre mim. Como se estivesse me desvendando.
— Isso foi... bonito — ele disse, com um tom sério. — Triste, mas bonito.
— É só um esboço — retruquei, tentando manter a pose, como se o elogio dele não tivesse efeito.
Ele sorriu novamente, mas dessa vez, parecia diferente. Mais sincero.
— Você toca bem. — Ele inclinou a cabeça, ainda me estudando. — Tem uma profundidade na sua música que não esperava.
Fiquei um pouco desconcertada, mas mantive a compostura. Não queria parecer intimidada, embora, por dentro, meu coração estivesse batendo rápido.
— Obrigada. — Respondi de maneira fria, voltando a atenção para as partituras em branco na minha frente, anotei algumas notas enquanto estava tentando disfarçar o calor no meu rosto.
Edward levantou e foi até um violão que estava encostado na parede. Ele dedilhou algumas cordas, afinando o instrumento, e logo começou a tocar uma melodia mais despojada, mas que estranhamente combinava com a melancolia que eu havia criado no piano. A combinação das nossas melodias, mesmo com estilos opostos, parecia funcionar de um jeito inesperado.
— Escreve alguma coisa pra isso? — Ele pediu, sem tirar os olhos das cordas do violão.
Fiquei observando ele tocar por um momento, absorvendo o som. Uma parte de mim ainda estava hesitante. Eu não queria parecer cega pelas ideias dele, mas ao mesmo tempo, havia algo que me puxava para essa colaboração.
Peguei meu caderno e rabisquei alguns versos enquanto ouvia Edward improvisar. As palavras fluíram mais rápido do que eu esperava, inspiradas pela combinação improvável da melodia e pela presença desafiadora dele. Quando terminei, recitei os versos em voz baixa. As letras falavam de uma dualidade, sobre resistência e entrega, o medo de ser vulnerável, algo que claramente vinha de dentro de mim.
Música — Symphony (1º esboço)
(Estrofes em tom melancólico, com toques de profundidade e força)
(Bella cantando)
"I could feel the silence, echoing in me,
Building up the walls so no one could see,
Tried to keep my heart from breaking free,
But then your rhythm pulled me to the sea."
"You’re a melody hidden from the light,
Dancing through the shadows in the night,
But with each note, I bring you near,
Playing your heartbeat so loud and clear."
"Now we're a symphony, rising high,
Every note, every sigh, a lullaby,
In this song, we're intertwined,
Playing the notes that we tried to hide."
Sinfonia (tradução)
"Senti o silêncio ecoando em mim,
Erguendo as paredes pra ninguém ver,
Tentei manter meu coração preso em mim,
Mas então seu ritmo me levou ao mar."
"Você é uma melodia oculta na escuridão,
Dançando nas sombras da solidão,
Mas a cada nota, te trago pra perto,
Tocando seu coração, tão vivo e certo."
"Agora somos uma sinfonia, subindo alto,
Cada nota, cada suspiro, um acalanto,
Nesta canção, estamos entrelaçados,
Tocando as notas que tentamos guardar calados."
Edward parou de tocar e me olhou por um longo segundo, como se tivesse acabado de descobrir um segredo.
— Isso é... incrível, Bella. — Ele parecia genuinamente impressionado, e eu senti uma pontada de orgulho.
— Acho que combina — respondi, tentando não sorrir
A aula estava quase no fim, e eu senti uma sensação estranha de alívio misturado com a satisfação de ter conseguido produzir algo tão bom em tão pouco tempo. Edward, por outro lado, parecia estar apenas começando. Ele não parava de olhar para mim, com aquele sorriso travesso, como se soubesse de algo que eu ainda não sabia. Quando o professor finalmente deu por encerrada a sessão, Edward se levantou, ajeitando o violão em seu lugar, e lançou um último olhar em minha direção.
— Nos vemos por aí, Swan. — Ele disse, com aquele tom confiante, uma leveza que me intrigava e uma piscadela ao final, como se fosse um convite para algo que eu ainda não conseguia decifrar.
Enquanto ele saía, eu tentei manter a pose, fingindo indiferença. Mas uma parte de mim já sabia, mesmo sem querer admitir: aquele era apenas o começo de algo que eu jamais esqueceria.
Na semana seguinte
Uma nova semana se iniciava e eu pensava todos os dias em desistir de Julliard.
Bem que foi me dito que eu estaria entre os melhores, porém ninguém contou que, eu, Bella Swan, a filha prodígio e a melhor aluna e musicista da Bellevue Private High School seria uma das piores.
Eu sei, eu tenho um ego insuportável, minha terapeuta diz que é mecanismo de defesa, mas podemos falar disso em outro momento.
Cheguei a faculdade e andei o mais devagar que pude até a aula do Prof. Caius, passei o final de semana inteiro recolhida em minha insignificância me preparando para a humilhação que seria participar dessa aula.
Entro na sala de aula e vou me dirigindo até o fundo da sala, onde era o único lugar disponível quando cheguei na semana anterior. Não presto atenção em nada a não ser na minha autopiedade, quando escuto aquela voz.
— Swan! Por que essa cara tão séria?
Olho para frente e vejo aqueles cabelos rebeldes, o olhar esverdeado curioso e o seu sorrisinho sacana dançando em seus lábios que eram muito bonitos por sinal.
FOCO ISABELLA!
— Segundas-feiras — digo ao me sentar ao seu lado — quem é feliz às segundas-feiras?
Ele me olhou, e de novo deu aquela piscadela.
— Eu sou — e sorriu convencido — porque eu estou vazando daqui — e antes que eu pudesse prestar atenção, Edward me deu um beijo no rosto e foi indo em direção a saída.
Tudo foi muito rápido.
Senti meu rosto corar.
Meu coração disparar.
E quando me dei conta, estava pegando minhas coisas e indo atrás desse rapaz que eu estou vendo pela segunda vez na minha vida.
Edward estava descendo as escadas, e eu acelerei o passo até alcançar o corredor, tentando manter a pose de quem sabe exatamente o que está fazendo — apesar de não ter a menor ideia.
— Você sempre sai assim, do nada? — perguntei, minha voz um pouco mais aguda do que pretendia.
Ele parou e olhou por cima do ombro, o sorriso divertido ainda nos lábios.
— Só quando vejo uma boa razão para isso — ele respondeu, com uma intensidade que me fez prender a respiração por um segundo.
Revirei os olhos, tentando esconder o fato de que ele tinha me pegado de surpresa. Ele se virou completamente, inclinando a cabeça enquanto me observava com uma intensidade que me deixava levemente desconcertada.
— Então... vai ficar só olhando ou vai me acompanhar? — Ele arqueou uma sobrancelha, mantendo aquele meio sorriso desafiador.
Eu sabia que não era sensato. Faltar na aula do Prof. Caius era praticamente assinar meu atestado de destruição acadêmica. Mas algo na atitude de Edward, na forma como ele parecia tão à vontade no próprio mundo, me fazia querer experimentar algo fora do meu roteiro habitual.
— Depende, Cullen. Pra onde vamos?
Ele sorriu mais largamente, como se tivesse acabado de ganhar um prêmio.
— Eu te mostro — disse, virando-se e começando a andar.
Relutante, mas decidida a seguir meu impulso, fui atrás dele. Seguimos por alguns corredores e saímos da faculdade em direção ao Central Park, que era ridiculamente perto dali. Edward segurava um violão, que eu nem percebi que ele tinha trazido.
— Você sempre anda com um violão por aí? — perguntei, arqueando uma sobrancelha.
— Nunca se sabe quando a inspiração vai aparecer — respondeu ele, se sentando em um banco de madeira, sob a sombra de uma árvore. Ele bateu ao lado dele, me chamando para sentar. — Tem alguma coisa em mente, Swan? Ou quer que eu comece?
Sentei ao lado dele, tentando disfarçar o nervosismo. Ele começou a tocar uma melodia suave, os dedos se movendo com facilidade pelas cordas. A música era envolvente, e, por um momento, eu me esqueci completamente de onde estava. Ele olhou para mim, um sorriso se formando nos lábios enquanto tocava.
— Que tal uma letra pra isso?
Fiz a besteira de olhá-lo e me perdi na intensidade do seu olhar.
Queria saber quando foi que eu fiquei tão molenga desse jeito.
Minha mente disparou. Tentei buscar palavras, uma frase, algo que pudesse desviar minha atenção da intensidade do momento. Rabisquei alguns versos no caderno que carregava e, quase sem pensar, recitei em voz baixa, olhando para ele enquanto as palavras saíam.
Ele parou de tocar, apenas me observando, o olhar fixo e sério, como se cada palavra que eu dissesse carregasse um segredo que ele precisava desvendar. Depois de um momento, ele sorriu de um jeito que me deixou ainda mais nervosa — e estranhamente curiosa.
— Acho que nós dois somos melhores juntos do que gostaríamos de admitir — ele disse, a voz rouca, os olhos não se desviando dos meus.
Eu não respondi. Apenas tentei manter o ar de indiferença, mesmo sentindo uma corrente elétrica no ar entre nós. No fundo, porém, uma coisa era clara: isso não estava nem perto de acabar.
E Edward Cullen era sinônimo de problemas.
E eu, geralmente, fugia deles.
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Ficamos ali por alguns segundos, encarando um ao outro sem saber exatamente o que viria a seguir. A intensidade do olhar de Edward me desconcertava, e eu tinha certeza de que ele percebia isso. Estava acostumado a provocar reações nas pessoas, e a forma como ele me olhava era como se estivesse esperando a minha.
— Quer dar uma volta? — Ele quebrou o silêncio, a voz grave, mas com um sorriso tranquilo.
Assenti, mais por reflexo do que por decisão, e deixei que ele me guiasse. Caminhamos pelo parque em silêncio, um silêncio que não era desconfortável, mas cheio de uma energia densa. Edward parecia completamente à vontade, como se soubesse exatamente o efeito que tinha sobre mim, mas sem se preocupar em forçar nada.
Ele me levou até uma parte mais afastada do parque, onde havia um pequeno lago cercado por árvores. Paramos ali, de frente para a água, e ele se encostou numa das árvores, observando a paisagem por um instante antes de voltar a olhar para mim.
— Você parece tão... reservada — comentou, como se estivesse fazendo uma constatação. — Como se escondesse algo.
Senti uma pontada de desafio no comentário dele, como se estivesse provocando algo em mim. Respirei fundo, tentando manter a compostura.
— Talvez porque prefiro não ser uma exibição ambulante, Cullen. Nem todo mundo gosta de viver como se estivesse em um palco.
Ele sorriu, e o brilho nos olhos dele mostrava que ele estava gostando da troca. Como se finalmente tivesse encontrado alguém que não se derretia facilmente com suas provocações.
— Gosto disso em você, Swan — ele respondeu, se aproximando um pouco mais. — É... intrigante.
Senti meu coração acelerar, e uma parte de mim quis recuar, mas meus pés pareciam presos ao chão. Ele se inclinou um pouco mais, com calma, o olhar fixo nos meus, sem qualquer pressa. Estava tão perto agora que eu podia sentir o calor da presença dele, o ar entre nós carregado de algo indefinível.
Por um segundo, nenhum de nós disse nada. Ele apenas ficou ali, estudando cada detalhe, como se quisesse entender o que se passava na minha mente. A intensidade daquele momento era silenciosa, mas cheia de significado.
— Talvez eu devesse te deixar adivinhar o que vou fazer a seguir — murmurou.
Rolei os olhos, tentando disfarçar o nervosismo.
— Se você acha que consegue me deixar sem palavras, Cullen, está se enganando.
Ele riu baixinho, aquele som suave que parecia vibrar pelo espaço entre nós.
— Veremos.
Dito isso, ele se afastou um pouco, ainda com aquele sorriso que desafiava, e começou a caminhar de volta pelo caminho por onde viemos. Fiquei ali, parada por um instante, tentando processar o que havia acabado de acontecer.
Ele olhou para trás, sem parar de andar.
— Então, Swan? Vai me deixar esperando?
Suspirei, mais por tentar disfarçar o sorriso do que por qualquer outra coisa, e fui atrás dele. Caminhamos lado a lado de volta, sem necessidade de palavras. E pela primeira vez, a tensão entre nós parecia algo natural, como se o próximo passo estivesse escrito, mesmo que nenhum de nós quisesse admitir.
Eu sabia que ele gostava de um desafio, e ele parecia entender que eu não cederia fácil. Mas, por algum motivo, isso só fazia tudo parecer ainda mais inevitável.
Enquanto caminhávamos de volta pelo parque, o silêncio entre nós era carregado de um magnetismo que eu não conseguia ignorar. Cada passo ao lado dele fazia meu coração bater mais forte, mas eu me forçava a manter a cabeça erguida e o rosto inexpressivo, como se aquela tensão não me afetasse. Mas Edward parecia captar tudo, cada detalhe.
Voltamos até a entrada da faculdade, onde o movimento dos alunos começava a crescer, e ele parou, se voltando para mim com as mãos nos bolsos, me observando de um jeito que misturava curiosidade e provocação.
— Bella, posso fazer uma pergunta? — Ele se inclinou levemente, e o tom da voz dele era sério, diferente do tom despreocupado de antes.
Assenti, tentando manter a postura.
— O que te trouxe até aqui? Digo, a música, Julliard… — Ele olhou em volta, como se tentasse entender algo sobre mim através do ambiente. — Você não parece alguém que está aqui só pelo prestígio.
Ele realmente queria saber. Algo dentro de mim relaxou com a pergunta, como se ele estivesse tentando ver além das minhas barreiras.
— Porque... — hesitei, sem saber como expressar em palavras algo tão pessoal. — Eu precisava de um lugar para onde pudesse fugir e ao mesmo tempo me encontrar. A música... sempre foi uma espécie de refúgio. Um espaço seguro onde posso ser quem sou sem me preocupar com o que esperam de mim.
Ele me observou em silêncio por um momento, como se absorvesse cada palavra.
— Eu entendo isso — ele disse, e havia algo sincero em seu tom que me surpreendeu. — Eu... também toco por esse motivo. Mas, ao mesmo tempo, sinto que estou preso a expectativas que nem são minhas.
Aquilo me pegou de surpresa. Era difícil imaginar Edward Cullen, com toda sua confiança e talento, lutando contra as próprias expectativas.
— Sério? — perguntei, tentando disfarçar a curiosidade.
Ele assentiu, com um sorriso leve.
— É, Swan. Às vezes, é preciso ter coragem para se libertar da imagem que as pessoas têm de você. — Ele deu de ombros, com um olhar distante. — Talvez seja algo que você entenda mais do que imagina.
Ficamos ali, cada um absorvendo a presença do outro em silêncio. Algo entre nós parecia ter se encaixado, uma compreensão mútua que ia além das palavras e das provocações. Não era só uma tensão passageira, era algo mais profundo — algo que me fazia querer conhecer o que estava por trás da fachada de Edward Cullen.
Ele deu um passo para trás, como se já soubesse a hora exata de recuar, de manter o mistério.
— Nos vemos por aí, Swan — ele disse, com aquele sorriso meio enigmático.
E sem esperar por uma resposta, virou-se e começou a se afastar. Fiquei ali, observando ele se afastar com uma sensação estranha de expectativa, como se soubesse que aquela não era a última vez que nossos caminhos se cruzariam. Eu queria negar, me convencer de que ele era apenas mais um colega, mas algo dentro de mim já sabia que Edward Cullen tinha vindo para ficar.
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A semana passou arrastada, e, para minha surpresa, eu não vi Edward uma única vez. Parte de mim sentia um estranho alívio — ele me tirava da zona de conforto, algo que eu não queria admitir que gostava. Mas outra parte, mais curiosa, se perguntava onde ele estava, o que ele estava fazendo.
Na quinta-feira, durante o intervalo, sentei no jardim com meu café, observando os outros alunos e aproveitando o momento de paz. Angela Weber, uma colega do curso de composição, se aproximou e sentou-se ao meu lado, com um sorriso amigável.
— Você é a Bella, certo? — ela perguntou, enquanto ajeitava os óculos.
Assenti, sorrindo de volta.
— Sou sim. Angela, não é?
Ela confirmou com a cabeça e deu uma olhada ao redor antes de se inclinar um pouco mais perto, como se fosse contar um segredo.
— Então... ouvi dizer que você tem andado meio próxima do Edward Cullen. — O tom dela era descontraído, mas algo na curiosidade dela me fez franzir o cenho.
— Como assim, “tem andado próxima”? A gente só se encontrou algumas vezes na aula, duas vezes, pra ser mais exata… não tem nada demais — respondi, tentando manter um tom casual.
Angela riu, e eu percebi que ela sabia mais do que deixava transparecer.
— É que... o pessoal comenta, sabe? Ele é meio famoso por aqui. E já que você é nova... — Angela deu de ombros, como se não fosse nada demais.
Senti uma ponta de curiosidade incômoda.
— E o que exatamente estão comentando?
Ela me lançou um olhar curioso, inclinando a cabeça, antes de responder:
— Edward é tipo um prodígio da Juilliard. Autodidata, músico excelente... toca piano, guitarra, violão, e dizem que canta muito bem. Ele é super inteligente, além de popular. Mas, pelo que ouvi, ele não deve ficar aqui por muito tempo. Parece que uma banda de rock conhecida está procurando um novo vocalista, e ele fez o teste para a vaga.
Surpresa, tentei esconder a expressão de leve desapontamento. Edward talvez nem ficasse na faculdade? Fingi desinteresse, tomando um gole de café.
— E como você sabe de tudo isso? — perguntei com uma sobrancelha arqueada, para desviar o foco.
Angela sorriu, parecendo se divertir com minha reação.
— Bella, você precisa se enturmar mais! Não leve essa coisa de faculdade tão a sério. — Ela me deu um leve empurrão no ombro, brincalhona. — E, falando nisso... por que você não vem comigo na festa dos calouros amanhã?
Minha primeira reação foi negar. Eu não era muito fã de festas — preferia me concentrar nos meus estudos e evitar distrações desnecessárias. Mas Angela parecia determinada.
— Vem, vai ser divertido! E… — ela hesitou, olhando para mim com um sorriso malicioso — ouvi dizer que Edward estará lá.
Fingi indiferença, respirando fundo para controlar meu rosto, que teimava em mostrar interesse. Precisava manter minha postura neutra, como se a informação não fizesse diferença nenhuma para mim.
— Ah, bom saber — respondi, tentando soar casual. — Mas... não sei, festa não é muito a minha praia.
Angela revirou os olhos, mas com um sorriso nos lábios.
— Pensa bem, Bella. Pode ser uma oportunidade de relaxar e se divertir. Quem sabe até de… entender mais sobre as “fofocas” por aí. — Ela piscou para mim, e eu não pude evitar rir.
— Tudo bem, vou pensar no assunto — respondi, dando uma última olhada para o campus ao meu redor, tentando não pensar no quanto eu queria ver Edward novamente.
Angela pareceu satisfeita e se levantou, acenando antes de ir embora.
— Te vejo lá, Bella!
Quando ela se afastou, fiquei olhando para o horizonte, considerando todas as opções. Eu sabia que era uma decisão simples, mas também sabia que algo na presença de Edward me instigava, me empurrava a ser mais... aventureira.
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And I'll tell you one thing, honey, I can tell when somebody still wants me, come clean
Standing at the bar like something's funny, bubbly, once you fix your face, I'm goin' in
Na sexta-feira à noite, eu me peguei em frente ao espelho, ajustando meu cabelo e experimentando roupas que me fizessem parecer casual, mas também com um toque de confiança. Eu nem queria admitir o motivo real para isso, mas a expectativa de vê-lo de novo me fazia prestar mais atenção aos detalhes.
Quando finalmente cheguei à festa, o lugar estava um tanto cheio de estudantes, a música alta e as luzes criando uma atmosfera animada. Vasculhei o ambiente, tentando não parecer óbvia, mas logo encontrei Angela, que acenou para mim com entusiasmo.
— Sabia que você viria! — ela gritou por cima da música, me puxando para perto.
Conversamos por alguns minutos, algumas amenidades, Angela não estava acreditando que eu tinha aceitado seu convite. Achei um tanto estranho a sua animação, afinal não éramos tão próximas assim… Mas tentei deixar isso pra lá.
A festa já estava lotada quando comecei a me soltar de verdade. O som alto e vibrante, as luzes coloridas, e a energia das pessoas ao redor criavam um ambiente que não parecia em nada com as salas de aula que eu costumava frequentar. Angela me puxava de um lado para o outro, insistindo que eu precisava “me enturmar”, o que basicamente significava me apresentar a um monte de gente que eu provavelmente não veria nunca mais. Sorri e acenei para todos, tentando ser simpática, mas, na verdade, minha mente estava a quilômetros de distância.
— Você precisa relaxar, Bella — Angela me disse, já rindo das minhas tentativas de parecer descontraída. Ela provavelmente percebeu que eu não estava inteiramente ali, e, bom, ela estava certa. Eu tentava seguir o conselho dela, mas a única coisa em que eu conseguia pensar era… Edward. Faziam dias desde o dia em que conversamos no Central Park, e a ausência dele me incomodava. Meus pensamentos voltavam insistentemente para a imagem dele — o sorriso que ele dava quando notava que eu estava nervosa, a forma como parecia saber exatamente como me desarmar. Ele tinha um jeito de mexer comigo, de me fazer sentir… vulnerável.
Que pela primeira vez na vida era algo que eu estava me sentindo… bem?
E então, como se o universo tivesse decidido me testar, eu o vi. Ele estava do outro lado da festa, casual, quase despreocupado, rindo enquanto se inclinava no balcão improvisado de bebidas. O cabelo caía sobre o rosto, e ele tinha aquele sorriso de canto que parecia ter um poder hipnótico sobre todos ao redor. Ele estava cercado de pessoas, claro. Algumas garotas pareciam praticamente penduradas em cada palavra dele, enquanto alguns caras o olhavam com uma mistura de respeito e admiração. Eu já sabia que ele era popular, mas vê-lo assim, tão confortável e natural naquele ambiente, fez com que isso ficasse mais evidente ainda.
— Interessada na vista? — Angela apareceu ao meu lado, me entregando um copo com alguma bebida que me recusava a descobrir o que era, e com aquele sorriso irônico que só ela sabe dar. Eu tentei disfarçar, mas Angela já tinha me pegado no flagra.
— Vai dizer que você não está interessada, Bella? — ela insistiu, cutucando-me com o cotovelo.
Revirei os olhos, tentando ser casual, mas meu rosto estava quente demais para fingir, dei um gole naquela bebida insalubre e a respondi.
— Ele é… interessante, só isso. E estamos no mesmo projeto, você sabe — murmurei, me amaldiçoando internamente pela voz meio hesitante.
Angela ergueu as sobrancelhas, claramente se divertindo.
— Claro. Interessante. Porque a “simpatia casual” é mesmo a sua vibe, né? — Ela riu, como se tivesse descoberto o segredo mais óbvio do mundo — Vai por mim, Bella, você devia parar de levar tudo tão a sério. Aproveita um pouco. E se isso inclui o “Sr. Interessante” ali, qual o problema?
Dei um gole na bebida e engoli sentindo o líquido queimar minha garganta, enquanto eu também engolia as palavras de Angela que estavam mais que certas.
A festa continuava animada e a energia típica festa em sexta-feira à noite. Eu tentava manter a postura enquanto continuava observando Edward de relance, sentindo intrigada com a presença dele no meio daquela bagunça, era intrigando o quanto ele parecia à vontade, como se fosse o centro de um universo caótico e envolvente ao mesmo tempo. E eu estava ali, sentindo uma pontinha de inveja dessa desenvoltura dele enquanto estava ao lado de Angela, fingindo indiferença, mas, no fundo, tudo o que eu fazia era seguir Edward com o olhar, tentando entender o magnetismo que ele parecia exercer.
Angela, notando a minha distração, se inclinou e deu uma cotovelada de leve, com um sorriso cúmplice.
— Se você está tentando disfarçar o quanto não liga pra ele, está falhando miseravelmente.
Ri um pouco sem graça, e balançcei a cabeça.
— Eu não ligo! Só... — hesitei tentando inventar uma desculpa, sem sucesso.
Angela riu, com um olhar de quem sabia exatamente o que eu estava tentando disfarçar, mas decidiu não insistir.
Nesse momento, Edward parecia ter sentido meu olhar de longe, porque se virou e seus olhos verdes me encontraram em meio à multidão. Ele abriu um sorriso provocador e ergueu o copo, brindando de longe como se tivesse alguma piada silenciosa acontecendo entre nós. Senti meu rosto esquentar, mas forcei-me a manter uma expressão casual e retribuí o gesto com um sorriso relaxado — ou pelo menos tentei.
Alguns minutos depois, ele apareceu do meu lado, com aquele jeito confiante e descontraído de sempre, como se nada o abalasse.
— Swan, não esperava te ver numa festa dessas, ainda mais numa sexta-feira — comentou com um brilho divertido nos olhos. — Achei que você passasse as noites de sexta trancada em casa, estudando partituras ou algo assim.
Soltei uma risada leve, mas o sarcasmo estava ali, evidente.
— E eu achei que você passasse as suas dando shows particulares para grupos secretos — respondi, com um tom desafiador.
Ele riu, claramente entretido pela troca, e arqueou uma sobrancelha de forma provocadora.
— Só quando recebo convites realmente irresistíveis — respondeu, com aquele sorriso travesso de sempre. — Mas, por sorte, parece que hoje a festa aqui está interessante o suficiente.
Revirei os olhos, tentando não parecer afetada, mas não consegui evitar um sorriso pequeno e contido.
— Ah, é mesmo? — falei, tentando parecer cética, indicando a festa ao redor com um gesto da mão. — Então você acha que tudo isso é “irresistível”?
Edward deu de ombros e se inclinou um pouco mais perto de mim, de forma que só eu pudesse ouvir.
— Bom, talvez a festa em si não seja — ele disse, a voz baixa e suave demais para meu coração aguentar. — Mas algumas pessoas nela...
Ele deixou a frase no ar, e senti aquele sorriso travesso se intensificar. Minha respiração ficou mais curta, e eu fingi olhar para o meu copo, tentando disfarçar o nervosismo. Algo na proximidade dele, no tom casual, mas ao mesmo tempo intenso, estava me deixando… desconcertada.
— Você se acha irresistível demais, Cullen — rebati, tentando soar despreocupada e provocativa.
— Só porque é verdade — ele retrucou, com aquele sorriso convencido, mas com um brilho nos olhos que parecia querer dizer mais do que as palavras. — Mas, para ser justo, você também não faz muito para ser esquecida.
Por um instante, o barulho da festa pareceu se dissolver ao redor. Eu estava totalmente ciente da intensidade com que ele me olhava, e fiquei paralisada, como se um campo magnético invisível nos mantivesse ali, conectados. Por um momento, Edward pareceu ultrapassar as provocações, e no olhar dele havia uma sinceridade inesperada que me pegou desprevenida. Eu me perguntei, quase sem querer, quem ele era além dessa confiança exagerada que ele exibia para o mundo.
Então, como se percebesse que o momento estava intenso demais, ele recuou um pouco, deixando um sorriso leve brincar nos lábios.
— Bom, Swan — disse ele, com um tom mais leve, mas ainda com aquela faísca nos olhos —, vou deixar você aproveitar a festa com seus amigos. Mas, quem sabe, a gente se esbarra por aí de novo, não é?
E, antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele piscou e se afastou, desaparecendo devagar entre as pessoas.
Fiquei ali parada por um momento, os ecos da conversa e o olhar de Edward ainda pairando em minha mente. A presença dele tinha uma intensidade que me incomodava e, ao mesmo tempo — eu odiava admitir — me atraía. Respirei fundo, tentando me convencer de que não estava tão afetada quanto parecia. Ele era apenas um rapaz charmoso e arrogante, certo? Nada que eu já não tivesse encontrado antes.
— Bella, você precisa conhecer a Jess e o Mike! — Angela falou animada, me tirando dos meus pensamentos e me apresentando a um casal de amigos dela, que estavam claramente envolvidos em alguma conversa divertida sobre as últimas apresentações musicais no campus. Mesmo tentando prestar atenção, minha mente parecia inquieta, presa na ideia de que Edward ainda me olhava, mesmo à distância.
Alguns minutos depois, a música mudou para um ritmo mais lento, criando uma atmosfera um pouco mais íntima na festa. Vi Edward dar um passo em minha direção, como se estivesse considerando se aproximar, mas antes que ele pudesse fazer qualquer movimento, um outro cara apareceu ao meu lado, me oferecendo um copo de cerveja.
— Ei, sou o Eric. Bella, certo? Angela mencionou você — ele disse, sorrindo.
— Ah, sim. Oi, Eric. — Aceitei o novo copo, tentando ser educada, embora minha atenção estivesse em Edward, que continuava me observando de longe, agora com um sorriso sutil e um olhar de desafio.
Eric começou a conversar, claramente animado por ter alguém novo por perto, mas eu mal conseguia focar. Depois de alguns minutos, ele percebeu minha distração e seguiu seu caminho, o que me deixou aliviada e, ao mesmo tempo, um pouco culpada. Voltei a olhar para Edward, mas ele havia sumido.
Angela apareceu do meu lado como um fantasma e percebeu minha distração e deu uma risadinha, obviamente se divertindo com a situação.
— Ah, Bella, ele realmente mexe com você, né? — Angela comentou com um sorriso compreensivo. — E, sinceramente, eu não te culpo. O Edward é do tipo que a gente acha que entende, mas depois percebe que é um enigma.
Sorri de lado, balançando a cabeça.
— Ele é... algo, definitivamente. Mas é só isso — respondi, tentando parecer despreocupada.
Angela levantou as mãos em sinal de rendição, mas com um olhar de quem sabia mais do que deixava transparecer.
— Claro, claro. Vamos fingir que você não se importa. Mas, já que estamos aqui, talvez seja uma boa ideia aproveitar a festa ao invés de ficar pensando no garoto misterioso.
Antes que eu pudesse responder, alguém aumentou o volume da música, e a multidão ao redor começou a dançar com mais energia. Angela aproveitou o momento e me puxou para o meio da pista. No início, resisti, mas, logo, me deixei levar pela música e pela agitação ao meu redor, sentindo a tensão dos últimos dias finalmente se dissipar aos poucos. As luzes, os risos, o ambiente vibrante... tudo me fez relaxar.
No meio de uma volta, senti uma mão leve tocar meu ombro. Me virei, e encontrei os olhos verdes de Edward me observando, com um sorriso travesso que parecia dizer "eu sabia".
— Eu sabia que você se divertia, Swan — ele comentou, e o tom desafiador na voz dele já me era familiar demais.
Revirei os olhos, mas não consegui esconder o sorriso. — Até parece que você é o responsável por isso, Cullen. Eu estava me divertindo muito bem sem você, aliás.
Ele riu, erguendo as mãos como se estivesse se rendendo. — Certo, você venceu. Mas, já que estou aqui, me concede uma dança?
Edward estendeu a mão, o olhar brilhando de um jeito que era impossível ignorar. Eu hesitei por um segundo, mas acabei aceitando, segurando a mão dele e tentando manter a pose. Ele me puxou suavemente para perto, e começamos a dançar no ritmo lento que a música impôs de repente. Estar tão perto dele me deixava mais nervosa do que eu gostaria de admitir. O toque leve das mãos dele e o olhar fixo em mim, como se nada mais no mundo importasse, faziam meu coração disparar.
— Sabe, eu estava certa sobre você, Cullen. Você gosta de jogar com as pessoas.
— Talvez... — Ele respondeu, com aquele sorriso enigmático. — Mas, no fundo, acho que você também joga, Swan. E é isso que eu gosto em você.
Senti meu rosto esquentar com o comentário, mas não desviei o olhar. — Talvez, mas eu sou muito boa em disfarçar.
Ele soltou uma risada baixa, aquele tipo de riso que parece carregar um segredo. — Eu já percebi isso, Swan. Mas, sabe, quando você disfarça, fica ainda mais interessante.
No ritmo lento da música, estávamos envoltos em uma tensão sutil e misteriosa. Cada movimento parecia carregar um significado profundo, como se estivéssemos dizendo tudo o que não conseguíamos expressar em palavras.
Levantei o queixo, determinada a não mostrar o quanto ele mexia comigo. A música continuava lenta, e o mundo ao redor parecia desaparecer, deixando apenas nós dois ali, numa bolha de tensão e curiosidade.
— E você acha que eu estou aqui para te entreter, Cullen? — retruquei, num tom provocador.
— Acho que você está aqui para viver, Swan — ele respondeu, segurando-me com um pouco mais de firmeza enquanto se movíamos no ritmo da música. — E isso não é algo que você parece permitir muito, é previsível.
Abri a boca para responder, mas nada saiu. Como ele podia enxergar isso em mim, mesmo com tão pouco tempo? Aquilo me irritava, e ao mesmo tempo... me atraía de um jeito inexplicável. Desviei o olhar, tentando recuperar algum controle.
“I don’t need anything fancy, I just wanna slow dance with you,” a voz suave da música parecia narrar nossos sentimentos confusos, a atração e a incerteza que pairavam no ar. O toque leve da mão dele sobre a minha, o modo como ele me puxava para perto... era exatamente isso: um desejo de apenas estar, sem complicações, sem rótulos, mas sem ignorar a intensidade que se formava entre nós.
— Se eu sou tão previsível assim, então por que ainda está aqui? — sussurrei, desafiando-o a encontrar uma resposta.
Ele me observou por um instante, os olhos verdes intensos, refletindo um misto de ousadia e... sinceridade.
— Porque, por mais que você tente se esconder, tem algo em você que eu quero descobrir.
Meu coração disparou, mas eu mantive o rosto calmo, sem demonstrar a onda de emoções que ele acabara de causar em mim. Aquela frase atravessou minhas barreiras como se ele soubesse exatamente onde mirar.
— Boa sorte com isso, Cullen. — Tentei soar desinteressada. — Não sou um livro aberto.
Ele sorriu de lado, como se apreciasse o desafio. — Eu gosto de mistérios, Swan. Especialmente os difíceis de resolver.
A música acabou, e o momento se desfez com o som de uma nova batida alta. Ele soltou minha mão devagar, mas o olhar dele permaneceu preso ao meu.
— Nos vemos por aí? — perguntou, com um tom que parecia casual, mas carregado de significado.
Parece que esse “nos vemos por aí” tinha se tornado a maneira dele de dizer que sim, ele iria me encontrar, onde quer que eu estivesse.
Senti um arrepio ao ouvir suas palavras, mas disfarcei com um leve aceno de cabeça, tentando parecer despreocupada.
Quando ele se afastou e desapareceu na multidão, fiquei ali, parada, por um momento, me sentindo estranhamente conectada a ele de um jeito que não conseguia entender.
Suspirei, tentando afastar o turbilhão de emoções que girava dentro de mim. Caminhei de volta ao bar e pedi um drink, na tentativa de esfriar a cabeça e convencer a mim mesma de que aquela intensidade entre mim e Edward era passageira. Um drink virou dois, e a cada gole a noite ficava mais leve, mais borrada, como se tudo fosse um sonho em câmera lenta.
Angela apareceu, tentando puxar assunto, mas minha atenção se perdia entre os rostos ao meu redor, como se procurasse alguém sem admitir. Ela percebeu e me lançou um olhar malicioso, cutucando-me com o cotovelo.
— Está esperando ele voltar, né? — provocou.
— Claro que não. — Eu sorri, escondendo o rosto atrás do copo, mas a verdade era óbvia demais até para mim.
Com o tempo, comecei a sentir os efeitos das bebidas — uma leveza atrevida, um calor que fazia as minhas defesas caírem, uma sensação quase despreocupada. Ri de algo que Angela disse, e me permiti relaxar como há tempos não fazia. Até que meu olhar foi atraído de volta para a entrada. E lá estava ele, parado, me observando com aquele olhar intenso, como se eu fosse um enigma que ele ainda precisava decifrar.
Angela notou e se inclinou, sussurrando:
— Vou pegar mais uma bebida. Se precisar de mim, sabe onde me achar.
Enquanto Angela se afastava, senti uma sensação esquisita, como se ela soubesse exatamente o que estava fazendo ao me deixar sozinha com Edward outra vez. Ele caminhou até mim, as mãos nos bolsos e o olhar fixo em mim, como se estivesse decifrando algo. Parou ao meu lado, um sorriso cheio de segundas intenções dançando em seus lábios.
— Hora de ir, Swan. Não vou deixar você fugir de novo. — A voz dele estava baixa, mas carregada de uma firmeza provocadora, como se ele estivesse me desafiando.
Arqueei uma sobrancelha, soltando uma risada curta e dando um sorriso enviesado.
— Quem sempre foge é você, Edward.
Por um segundo, ele pareceu surpreso pela minha resposta, mas logo recuperou aquele sorriso provocador, balançando a cabeça como se estivesse gostando da minha réplica. Sem uma palavra, ele estendeu a mão. Olhei para ela, hesitante, mas acabei aceitando. Talvez fosse o efeito do álcool, ou talvez eu só estivesse curiosa para ver onde aquela noite nos levaria.
Saímos da festa e o ar frio da noite me ajudou a clarear um pouco a cabeça. Caminhamos em silêncio, as ruas vazias ao redor criando uma espécie de bolha confortável. Era estranho... Mas, ao mesmo tempo, natural. Como se eu pudesse ficar horas caminhando ao lado dele sem a necessidade de dizer nada. Passamos por um bar e o som distante de "Can’t Take My Eyes Off You" chamou minha atenção. Parei instintivamente, nem percebendo o quanto a música havia me impactado, não me dei conta de que estava balançando no ritmo da música, até que senti o olhar de Edward sobre mim.
— Vamos dançar aqui mesmo? — Ele perguntou, com uma sobrancelha erguida e aquele sorriso de sempre, que parecia carregado de um misto de desafio e promessa.
Olhei para ele com curiosidade e um toque de descrença. Mas, ao mesmo tempo, uma parte de mim queria dizer sim. Queria ver onde essa noite nos levaria, como seria me deixar levar sem pensar demais.
— Está achando que vou fazer cena com você? — rebati, tentando manter o tom irônico.
Ele apenas riu e se aproximou, estendendo a mão novamente.
— Não precisa fazer cena, Swan. Só dança comigo.
Soltei uma risada, e, antes que pudesse me arrepender, aceitei. Edward me segurou com uma firmeza natural, segura, e começamos a nos mover ao som da música. A batida lenta e suave se misturava ao som distante da cidade, criando um ritmo que nos envolvia. Fiquei surpresa com o quão bem ele conduzia; seus movimentos pareciam ensaiados, como se ele tivesse dançado ali mil vezes.
Enquanto dançávamos, senti uma onda de pensamentos desconexos e... inesperados. Havia algo no jeito como ele me olhava que me fazia pensar que ele ia se aproximar mais. Será que ele ia me beijar? Por um segundo, deixei que o pensamento me dominasse, meu coração batendo mais forte. Será que ele estava mesmo pensando nisso?
Quando a música chegou ao refrão, ele me puxou um pouco para mais perto, e eu fiquei paralisada, imaginando que talvez ele se inclinasse... Mas não. Ele apenas sorriu, como se soubesse exatamente o que eu estava esperando. E, ao mesmo tempo, parecia determinado a não me dar o que eu queria. A frustração começou a crescer em mim, e eu tentei disfarçar com um sorriso relaxado, como se não me importasse.
A música acabou, e eu dei um passo para trás, ainda com o sorriso no rosto, tentando não transparecer a mistura de frustração e curiosidade que ele havia despertado.
— E então, vai fugir de novo? — perguntei, tentando soar despreocupada, mas sentindo meu coração ainda acelerado.
Ele riu, balançando a cabeça.
— Dessa vez, quem sabe eu fique por perto.
Meus olhos se arregalaram ligeiramente, e senti o rosto esquentar. Quis esconder a expressão, mas sabia que era inútil. Edward parecia me conhecer bem demais para isso, apesar do pouco contato. E, de qualquer forma, ele já tinha me deixado vulnerável.
Caminhamos em silêncio por um tempo, até eu finalmente quebrar o gelo.
— Então, é verdade o que dizem sobre você? — perguntei casualmente e sem pensar muito devido ao álcool, lembrando da conversa com Angela.
Edward soltou uma risada, olhando para o chão.
— Ah, o papo de que eu sou "bom demais para estar aqui" e que, a qualquer momento, vou largar tudo para entrar em uma banda de rock? — Ele deu de ombros, com uma expressão levemente cínica. — As pessoas adoram inventar histórias sobre quem não se encaixa nos moldes.
Fiquei observando-o, tentando interpretar o que ele estava dizendo de verdade. Havia algo na voz dele, uma mistura de dúvida e... alguma coisa mais. Ele não era o que parecia ser. E isso me deixava cada vez mais curiosa.
Ele respirou fundo, como se estivesse prestes a se abrir.
— Sobre a banda de rock… talvez seja verdade. Depende do sim deles. E quanto ao ser "bom demais para estar aqui"? Acho que há pessoas muito melhores do que eu. Às vezes, me sinto completamente perdido perto delas. — Ele sorriu, mas havia uma melancolia sutil ali.
— Então... por que ainda está aqui? — perguntei, mais para mim mesma do que para ele.
Edward parou, e olhou para mim com intensidade, como se decidisse se devia ser honesto.
— Porque, por mais que eu me rebele contra tudo isso, uma parte de mim quer provar que eu sou capaz. E... talvez eu tenha alguns motivos a mais para ficar. — Ele piscou, e senti meu rosto ficar quente. Dessa vez, sem nenhuma habilidade para esconder.
Quando finalmente chegamos à porta do meu prédio, senti uma pequena hesitação. O certo seria agradecer e entrar, mas algo em mim me impedia. Talvez fosse a curiosidade, ou talvez... eu só quisesse entender por que ele ainda estava aqui.
— Bom, obrigada pela companhia, Cullen — disse, tentando soar indiferente, mas sabendo que ele perceberia a hesitação.
Edward sorriu daquele jeito malicioso, e eu me perguntei por um instante se ele ia... me beijar. Me preparei, talvez até inclinei o rosto sem perceber, mas ele apenas sorriu, como se gostasse de prolongar minha frustração.
— Foi um prazer, Swan. — Ele deu um passo para trás. — Só para constar, a gente ainda vai continuar com o projeto, certo? A apresentação é no final do semestre, e quero ver até onde você vai.
Revirei os olhos, fingindo desinteresse.
— Se você aguentar o desafio, talvez.
Ele riu, acenando levemente antes de se afastar.
— Nos vemos por aí, Swan.
Enquanto eu entrava, um pensamento persistente continuava comigo: por mais que eu quisesse fingir que estava no controle, a última coisa que eu queria era que ele realmente sumisse da minha vida.
xxx
Acordei no dia seguinte com a cabeça latejando, sentindo o peso de uma noite mal dormida e os resquícios dos drinks que ainda circulavam pelo meu corpo. Por alguns instantes, fiquei deitada, com os olhos fechados, tentando afastar as memórias da festa. Mas, como sempre, elas vieram com força, projetadas na minha mente como um filme sem fim.
Lembro de tudo: das risadas com a Angela, das doses que passaram do limite, da dança com o Edward e da caminhada de volta pra casa. A lembrança dos meus passos cambaleantes ao lado dele me encheram de vergonha. "Ótima primeira impressão," pensei, me recriminando.
Suspirei e, com esforço, abri os olhos, me sentando na cama e esfregando as têmporas numa tentativa de aliviar a dor. Além da ressaca física, a moral também estava ali, bem presente. Eu não costumo me soltar daquele jeito — muito menos na frente de alguém que, de algum modo, me deixa tão vulnerável.
Levantei, ignorando o incômodo, e fui para a cozinha fazer um café forte. "Essa é a última vez que deixo a Angela me convencer a ir numa festa," murmurei para mim mesma, segurando a caneca e tentando organizar os pensamentos.
Mas, lá no fundo, eu sabia que não era só sobre a festa. Tinha algo a mais, algo diretamente ligado à presença do Edward. Ele mexe comigo de um jeito estranho, me fazendo agir de maneiras que eu mal reconheço. "Não posso deixar ele fazer isso comigo," pensei, decidida. "Preciso me concentrar no que realmente importa."
Estava nessa tentativa de autoafirmação quando o celular vibrou em cima da mesa. Ao pegar, vi a mensagem da Angela:
"E aí, sobreviveu ao seu primeiro ‘porre universitário’? E como foi a volta pra casa com o Edward? Ele falou alguma coisa interessante?"
Bufei ao ler a mensagem. Eu quase conseguia ouvir o tom divertido dela, mas não estava pronta para responder ainda. De qualquer forma, sabia que não dava pra evitar o assunto pra sempre. Edward estava ali, na mesma faculdade, e a última coisa que eu queria era fugir ou parecer afetada.
Respirei fundo, decidida a enfrentar as consequências da noite anterior — e, se tivesse que encontrar o Edward de novo, manteria a compostura. "Foi só uma noite," murmurei, tentando convencer a mim mesma. "Não significa nada."
Mas, no fundo, eu sabia que nada disso era real.
Eu estava apenas me enganando.
xxx
Segunda-feira chegou novamente e eu queria me encolher de vergonha enquanto caminhava até Julliard. Parte de mim queria enterrar tudo do final de semana — a dança, as risadas, a caminhada com Edward. Mas outra parte, teimosa, parecia estranhamente intrigada com aquilo.
Quando cheguei à Julliard, a primeira pessoa que vi foi Angela, acenando animadamente. Tentei lançar um olhar de "não me faça perguntas", mas ela ignorou totalmente o aviso e veio direto na minha direção.
— Olha só quem sobreviveu! — disse Angela, rindo. — Achei que você fosse me culpar para sempre pela noite de sexta, nem respondeu minha mensagem.
Suspirei, tentando disfarçar o sorriso que se formava no canto da boca. — Não vou negar que considerei nunca mais sair de casa... mas aqui estou.
Angela riu e me cutucou, maliciosa. — E aí, como foi com o Edward? Vocês estavam bem... próximos.
— Ele só me acompanhou até em casa, nada demais. — Tentei soar casual, mas senti o rosto esquentar imediatamente.
Ela ergueu uma sobrancelha, com um sorriso divertido.
— Ah, claro. O Edward só "acompanhando" alguém até em casa, super normal. Esse é o cara que some depois de cinco minutos quando qualquer garota tenta se aproximar.
Revirei os olhos, mas lá no fundo essa informação me surpreendia.
— Ele é só... complicado. Nada que eu precise entender.
Angela balançou a cabeça, ainda com aquele sorriso de quem sabe mais do que deveria.
— "Complicado," né? Que seja. Mas saiba que metade das garotas da Juilliard adorariam estar no seu lugar. Eu incluída.
Dei uma risada. — Sério? Ele é tão... misterioso assim?
— Digamos que ele tem aquela coisa enigmática que todo mundo ama. Inteligente, talentoso, meio distante... a combinação perfeita. Mas, Bella, você deveria se soltar um pouco mais. Dar uma chance para as coisas aqui.
Dei de ombros, sem admitir que a ideia parecia tentadora. — Talvez... vou pensar no seu conselho.
— Ótimo! Porque tem outra festa na sexta e espero ver você lá. Sem desculpas, Swan. Quem sabe você encontra alguém... ou reencontra?
Forcei um sorriso, desviando o olhar. Angela parecia visivelmente empolgada com a ideia de me ver "mais solta" nas festas universitárias.
— Não sei, Angela. Ainda tô meio... em dúvida, sabe? Mas vou tentar. Prometo.
Angela piscou, satisfeita.
— É só isso que eu queria ouvir. Você tem que aproveitar, Bella. Tem tanta coisa boa ao seu redor, só precisa dar uma chance.
Assenti, sentindo um nó na garganta. Não podia negar que Juilliard e tudo ao redor me deixavam curiosa. E Edward... bom, ele era apenas uma parte disso, certo? Mas o jeito como ele aparecia e desaparecia, sempre tão evasivo, mexia comigo de um jeito que eu não sabia explicar.
A aula passou num borrão. Eu tentava me concentrar, mas as palavras do professor mal faziam sentido, diante da minha mente que teimava em voltar à noite de sexta. Como sempre, me esforçava para manter uma fachada fria, indiferente ao que acontecia ao meu redor. Mas, por dentro, uma inquietação crescia.
Assim que Edward deu um passo à frente e lançou aquele olhar intenso, respirei fundo, tentando disfarçar o desconforto que crescia em mim.
— Ainda está fugindo de mim, Swan? — Ele perguntou, com aquele sorriso provocante que parecia ler minha alma.
— Fugindo de você? — respondi, cruzando os braços e encarando-o com firmeza. — Não tô fugindo, Edward. Não sei de onde você tirou essa ideia.
Ele inclinou a cabeça, como se avaliasse cada palavra minha, e o sorriso provocante dele se alargou.
— Ah, não sabe? Interessante... porque parece que toda vez que estou por perto, você se manda — disse, a voz carregada de um tom malicioso.
Revirei os olhos, tentando conter o calor que subia até meu rosto. — Talvez você esteja imaginando coisas, Cullen. Ou, quem sabe, interpretando errado? Se estou ocupada ou concentrada em outras coisas, isso não significa que estou fugindo de você, e não tenho como fugir, temos um projeto juntos… que inclusive a aula é hoje.
Ele deu um meio sorriso, aquele mesmo sorriso que sempre parecia saber algo que eu não sabia, e deu de ombros.
— Claro, se você diz, Swan. Mas não vou mentir: gosto desse jeito teimoso que você tem de manter a pose. — A voz dele ficou mais suave, quase um sussurro. — Só sei que um dia, mais cedo ou mais tarde, você vai parar de “não fugir” e eu estarei aqui esperando.
Meu coração deu uma batida mais forte, mas me forcei a manter o olhar impassível.
— Quando eu decidir o que fazer, você será o primeiro a saber, Edward. Agora, se me der licença — falei, mantendo o tom firme, mas sentindo o peso do olhar dele até o momento em que saí do campo de visão.
Enquanto me afastava, eu repetia para mim mesma que não havia nada em Edward que pudesse me abalar.
xxx
As semanas seguintes passaram como uma sequência de notas em um pentagrama, cada uma trazendo algo novo para a estranha dinâmica que se formava entre mim e Edward. Nosso projeto musical, que no início parecia apenas mais uma tarefa obrigatória da faculdade, tornou-se um espaço onde as linhas entre o profissional e o pessoal começavam a se confundir.
No início, nossas interações eram pontuadas por provocações e silêncios desconfortáveis. Ele insistia em questionar meu "hábito" de fugir, enquanto eu fingia ignorar o impacto que sua presença tinha sobre mim. Trabalhar juntos exigia uma convivência que, aos poucos, deixou de ser apenas uma imposição acadêmica.
Nos reuníamos regularmente na sala de ensaio, um espaço pequeno e abafado com paredes cobertas de espuma acústica e um piano no canto. Era sempre ele quem chegava primeiro, já ajustando as partituras ou afinando o violão com uma paciência que não parecia combinar com seu jeito irônico. Eu entrava alguns minutos depois, carregando minha partitura e tentando ignorar a forma como ele sempre me olhava quando eu passava pela porta.
— Pontual como sempre, Swan. — Ele dizia, com aquele sorriso de canto que já começava a me parecer familiar.
— Não sabia que você ligava para horários, Cullen. — Eu retrucava, tentando soar indiferente enquanto me sentava ao piano e folheava minhas anotações.
Nos primeiros encontros, nossa conversa girava apenas em torno do projeto. Discutíamos os arranjos, testávamos melodias e ajustávamos harmonias. Edward tinha uma habilidade natural para música, e às vezes, enquanto ele tocava uma sequência de acordes no violão, eu me pegava admirando a facilidade com que seus dedos deslizavam pelas cordas.
— Por que você evita falar sobre si mesma, Swan?
— Quem disse que eu evito? — Retruquei, erguendo uma sobrancelha.
Ele deu de ombros, com aquele meio sorriso provocador. — Só uma observação. Sempre que a conversa parece chegar perto de algo pessoal, você muda de assunto ou se fecha.
Cruzei os braços, tentando não demonstrar o incômodo que suas palavras provocaram. — Talvez eu só não ache que minha vida seja tão interessante assim.
— Duvido. — Ele respondeu, sem hesitar. — Ninguém que toca piano como você tem uma história sem graça.
Fiquei em silêncio por um momento, pensando no que responder. Parte de mim queria encerrar a conversa ali, mas outra parte, mais curiosa, sentiu vontade de dizer algo.
— Minha história não tem grandes segredos ou mistérios, Cullen. Só sou... eu. Cresci em uma cidade grande, tive uma mãe cheia de energia, um pai quieto, uma irmã que é uma graça e um piano que me ajudou a sobreviver a tudo isso. — Soltei uma risada curta, meio sem graça. — Agora estou aqui, tentando não afundar no meio de tanta gente mais talentosa que eu.
Ele me olhou por um instante, como se processasse cada palavra, e depois sorriu de lado.
— Acho que você se subestima demais, Swan. Mas entendo.
— Entende? — Perguntei, com um tom de desafio.
Edward inclinou a cabeça, o olhar distante por um momento, antes de responder:
— Também cresci em um lugar que não parecia grande o suficiente para mim. Minha mãe era... intensa, de um jeito bom, mas que às vezes me sufocava. E meu pai? Bom, ele queria que eu seguisse os passos dele, mas nunca pareceu realmente me ouvir. A música era minha saída, meu jeito de respirar. Então, sim, acho que entendo mais do que você imagina.
Havia uma vulnerabilidade na voz dele que me surpreendeu. Por um momento, Edward Cullen não parecia o garoto misterioso e confiante que todos viam; ele parecia apenas alguém tentando encontrar seu lugar, assim como eu.
— Parece que temos mais em comum do que eu pensava. — Falei, com um pequeno sorriso.
Ele riu baixo, balançando a cabeça. — Talvez. Mas você ainda não contou a parte mais interessante da sua história.
— E qual seria?
— Por que você insiste tanto em manter distância de todo mundo? — Ele perguntou, e, apesar do tom leve, havia uma curiosidade genuína em seus olhos.
Suspirei, desviando o olhar. — Talvez porque é mais fácil assim. Menos complicado.
— Ou talvez você só esteja esperando a pessoa certa para quebrar essa distância. — Ele disse, quase num sussurro, e havia algo na maneira como ele me olhou que fez meu coração disparar.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!— Não conte com isso, Cullen. — Retruquei, tentando soar indiferente, mas sentindo o calor subir até meu rosto.
Ele apenas sorriu, como se soubesse de algo que eu não sabia, e voltou a tocar o violão. Enquanto os acordes preenchiam a sala, me peguei pensando que talvez Edward estivesse certo. Talvez eu estivesse esperando algo — ou alguém — para mudar tudo.
E ele parecia estar disposto a tentar ser essa pessoa.
Com o tempo, os ensaios começaram a se estender para além do necessário. A música fluía, mas as conversas também ganhavam um ritmo próprio. Havia algo entre nós que parecia crescer a cada sessão, como se as notas e os acordes fossem apenas uma desculpa para ficarmos ali, naquela sala abafada, enquanto o resto do mundo ficava em segundo plano.
Naquela noite, depois da troca sobre nossas histórias, Edward sugeriu que ficássemos um pouco mais para trabalhar em uma nova ideia. Ele tinha uma melodia em mente e insistiu que eu ajudasse a aprimorá-la no piano. Embora eu estivesse cansada, algo no olhar dele — aquele brilho entre provocação e curiosidade — me fez ceder.
Ele se inclinou sobre o piano, os dedos tamborilando levemente a superfície enquanto eu ajustava a partitura.
— Vamos lá, Swan. Quero ver como você interpreta isso. — Ele disse, indicando os primeiros acordes.
Comecei a tocar, os dedos deslizando pelas teclas enquanto ele acompanhava no violão. A melodia era suave, melancólica, mas havia algo esperançoso nela, como um segredo esperando para ser revelado.
— É linda. — Murmurei, sem conseguir evitar.
— Foi o que pensei quando te ouvi tocar pela primeira vez. — Ele respondeu, a voz baixa, quase como se não quisesse ser ouvido.
Levantei os olhos, surpresa, e o peguei me observando com uma intensidade que me deixou desconcertada.
— E você diz que eu sou a que evita falar de si mesma. — Brinquei, tentando aliviar a tensão que pairava no ar.
Edward sorriu de canto, aquele sorriso que sempre parecia esconder mais do que mostrava.
— Talvez seja porque eu sei que, com você, algumas coisas não precisam ser ditas.
Engoli em seco, desviando o olhar para as teclas. Meu coração batia rápido, mas eu me forcei a continuar tocando, tentando ignorar o que quer que estivesse acontecendo naquele momento.
Depois de um tempo, ele parou de tocar, mas eu continuei. O som do piano encheu a sala, e quando finalmente terminei, Edward estava sentado no banco ao meu lado. Ele tinha aquela expressão serena, quase vulnerável, que raramente mostrava.
— Você tem talento, Bella. Não só com a música, mas com as emoções que coloca nela. — Ele disse, e havia algo em sua voz que parecia tão sincero que era impossível duvidar.
— Acho que você está dando mais crédito do que eu mereço. — Respondi, tentando esconder o quanto suas palavras me afetaram.
— Não é crédito, é verdade. E é por isso que esse projeto está funcionando. Você entende o que eu quero dizer sem que eu precise explicar tudo. — Ele inclinou a cabeça, o olhar fixo no meu. — Não acontece com muita gente.
Por um momento, ficamos ali, em silêncio. O som do piano já havia desaparecido, mas o espaço entre nós parecia carregado, como se houvesse algo esperando para ser dito ou feito.
— Acha que vai valer a pena? Todo esse trabalho no projeto? — Perguntei, tentando quebrar o momento, mas também curiosa para ouvir sua resposta.
Ele riu baixo, balançando a cabeça.
— Eu acho que algumas coisas já estão valendo a pena. — Ele respondeu, sem desviar o olhar.
E, mais uma vez, me vi sem palavras. Edward tinha esse jeito de dizer coisas que pareciam simples, mas que carregavam um peso maior, algo que me fazia querer entender o que estava por trás de cada frase.
Aquela noite terminou tarde, e quando finalmente saímos da sala, a cidade já estava mergulhada em silêncio. Caminhamos lado a lado pelas ruas escuras, o vento frio passando por nós. Ele me acompanhou até o portão do prédio onde eu morava, como de costume, mas dessa vez, ao se despedir, não houve provocação nem sorrisos maliciosos.
— Boa noite, Bella. — Ele disse, a voz suave, mas carregada de algo que não consegui identificar.
— Boa noite, Edward. — Respondi, e enquanto ele se afastava, não pude deixar de pensar que algo estava mudando entre nós, ainda que eu não soubesse exatamente o que.
E talvez, só talvez, eu estivesse começando a querer descobrir.
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Nos dias que se seguiram, Edward começou a demonstrar um esforço mais claro em se aproximar. Ele sugeria novos horários para os ensaios, sempre estendendo a conversa além do necessário, encontrando formas de me incluir em assuntos que, aparentemente, não tinham nada a ver com o projeto musical.
— Está livre depois da aula amanhã? Pensei que poderíamos ensaiar na sala principal. O som é melhor lá. — Ele comentou casualmente, enquanto guardava o violão na capa.
— Acho que vai estar ocupada, não? Geralmente reservam para as apresentações de dança. — Respondi, desviando o olhar.
Edward sorriu de canto, com aquele jeito tranquilo que parecia nunca se abalar.
— Já me adiantei. Reservei a sala para a gente.
Revirei os olhos, tentando esconder o leve sorriso que ameaçava surgir. Ele era persistente, eu precisava admitir.
— Certo, mas só se prometermos terminar cedo. Tenho coisas para fazer.
— Fechado. — Ele respondeu, mas o brilho em seus olhos me dizia que ele sabia que, mesmo relutante, eu estava começando a ceder.
A verdade era que a aproximação de Edward mexia comigo de um jeito que eu não sabia lidar. Ele tinha essa habilidade de me desarmar, mesmo quando eu tentava manter as coisas apenas profissionais. Mas, ao mesmo tempo, algo em mim se recusava a entregar qualquer controle.
Naquela tarde, ensaiamos na sala principal, como ele havia planejado. O som realmente era melhor ali, e por um tempo, conseguimos nos concentrar apenas na música. Mas quando fizemos uma pausa, Edward se inclinou contra o piano, os braços cruzados, e me observou com um olhar que eu já começava a reconhecer.
— Você é difícil de decifrar, Swan. — Ele disse, a voz baixa, mas com um toque de provocação.
— E você parece não entender que nem tudo precisa ser decifrado. — Respondi, tentando manter a expressão neutra.
— Talvez. — Ele deu de ombros, mas o sorriso de canto não desapareceu. — Mas eu gosto de desafios.
Revirei os olhos, mas antes que pudesse responder, ele continuou:
— Por que você sempre tenta manter essa distância? — A pergunta dele veio do nada, mas o tom era sério dessa vez.
Fiquei em silêncio, surpresa pela mudança de abordagem.
— Não estou tentando nada, Edward. Só não acho que precisamos complicar as coisas.
— Complicar? — Ele arqueou uma sobrancelha, a expressão suavizando. — A gente não está complicando nada, Bella. Estamos nos conhecendo. Ou pelo menos eu estou tentando.
Aquilo me pegou desprevenida. Eu não sabia o que responder, então simplesmente me levantei e comecei a organizar as partituras na pasta.
— Talvez você esteja tentando demais. — Respondi por fim, sem olhar para ele.
Edward suspirou, mas não insistiu. Pelo menos, não naquele momento.
O restante da semana passou com um equilíbrio frágil entre nós. Ele continuava tentando, em pequenos gestos e conversas, e eu continuava erguendo barreiras, mesmo que elas estivessem começando a se desgastar.
Na sexta-feira, a Juilliard estava especialmente agitada. Um grupo de alunos organizava uma apresentação informal no pátio, e Angela praticamente me arrastou para assistir.
— É só um pouco de música, Bella. Você precisa sair da sua bolha. — Ela disse, empolgada, enquanto procurávamos um lugar para sentar.
Antes que eu pudesse responder, Angela cutucou meu braço e apontou discretamente para o palco improvisado.
— Olha quem está lá.
Segui o olhar dela e vi Edward ajustando o violão, conversando com outros músicos. Ele parecia completamente à vontade, como se aquele fosse o lugar onde ele sempre deveria estar.
— Parece que alguém vai mostrar todos os seus talentos — Angela comentou, sorrindo.
Fiquei quieta, observando enquanto ele começava a tocar. A melodia era familiar
A apresentação começou com um silêncio que parecia segurar a respiração de todos no pátio. Edward ajeitou o violão, trocou um olhar com os outros músicos e, então, começou a tocar.
Nos primeiros acordes, meu coração deu um salto. Era "Can't Take My Eyes Off You". A música da dança. A mesma música que, dias atrás, havia feito tudo ao meu redor desaparecer.
Minha garganta secou. Ele não podia ter escolhido essa música por acaso. Não quando ela carregava tanto peso. Não quando eu ainda me lembrava do toque dele enquanto dançávamos, das risadas abafadas, do jeito como tudo parecia tão surreal e, ao mesmo tempo, tão certo.
Angela percebeu minha reação imediatamente, mas permaneceu quieta.
Enquanto Edward cantava, a voz dele era mais suave do que eu lembrava, cheia de emoção, como se estivesse colocando cada palavra diretamente no meu coração. Eu não conseguia respirar direito. Cada verso parecia feito para mim, para aquele momento.
Quando ele chegou à parte final, um pequeno sorriso se formou em seus lábios, e por um instante, parecia que o mundo inteiro havia desaparecido de novo. Só existia ele, a música, e aquela conexão estranha e inexplicável que eu ainda tentava ignorar.
Ao terminar, a plateia explodiu em aplausos, mas eu mal ouvi. Tudo o que eu conseguia pensar era no olhar de Edward enquanto ele guardava o violão e começava a caminhar na minha direção.
— Ele está vindo pra cá. — Angela murmurou, mal escondendo o entusiasmo. — Bella, você precisa dizer algo. Qualquer coisa.
Fiz que não com a cabeça, tentando controlar a onda de emoção que ameaçava me engolir.
— Então? O que achou? — Ele perguntou quando parou na minha frente, a expressão cheia de expectativa.
— Eu... foi... incrível. — Murmurei, incapaz de encontrar palavras melhores.
Edward sorriu de canto, aquele sorriso que parecia sempre saber mais do que eu estava pronta para admitir.
— Fico feliz que tenha gostado. Mas acho que você sabe que não foi só pra plateia.
Minha respiração ficou presa. Ele estava sendo direto dessa vez, e eu não tinha ideia de como responder.
Antes que eu pudesse pensar em algo, ele continuou:
— Eu estava pensando... e se fizéssemos algo fora daqui?
— Algo como...? — Perguntei, tentando esconder meu nervosismo.
Ele passou a mão pelo cabelo, um gesto casual, mas os olhos não deixaram os meus.
— Um encontro. — Ele disse, direto, e então sorriu de um jeito que fez meu coração disparar. — Levar você pra um lugar bacana. Você se veste com o melhor vestido, eu com a melhor roupa, e no final eu te levo pra casa e te dou um beijo... e, caramba, eu não vejo a hora disso acontecer.
Minhas bochechas queimaram, e pela primeira vez em muito tempo, fiquei completamente sem palavras.
— Edward, eu... — Comecei, mas ele levantou uma mão, me interrompendo.
— Não precisa responder agora. Só queria que soubesse o que estou pensando. E, pra ser honesto, não consigo mais evitar isso.
Fiquei ali, parada, enquanto ele dava um passo para trás, ainda com aquele sorriso no rosto.
— Pense nisso, Swan. Estarei aqui quando você decidir.
E então, ele se afastou, deixando meu coração em um caos absoluto enquanto eu tentava processar tudo o que havia acabado de acontecer.
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Passei o resto do dia como uma folha ao vento, os pensamentos emaranhados nas palavras de Edward, na música, no convite tão inesperado quanto direto. Angela, claro, não perdeu a chance de comentar.
— Então ele finalmente tomou coragem, hein? — Ela disse, mal escondendo o entusiasmo enquanto saíamos juntas da última aula. — Um encontro, Bella. E você precisa me dizer que vai.
— Eu nem sei o que responder. — Murmurei, ainda tentando recuperar o controle dos meus sentimentos.
Angela revirou os olhos, claramente frustrada.
— Não sabe? Sério? Bella, ele praticamente colocou o coração na mesa hoje. E, francamente, se você não for, eu mesma vou tomar seu lugar.
Eu ri, mas a verdade era que a ideia me deixava assustada. Não só pela coragem de Edward, mas pelo que aquilo significava. Eu estava tão acostumada a manter as pessoas à distância que pensar em deixar alguém se aproximar — realmente se aproximar — era aterrorizante.
Naquela noite, enquanto me deitava, a cena do pátio se repetia como um filme em looping na minha cabeça. A música. A forma como ele cantou. As palavras dele.
"No final, eu te levo pra casa e te dou um beijo..."
Fechei os olhos com força, tentando ignorar o calor que subia ao meu rosto toda vez que me lembrava daquele sorriso confiante.
Nos dias seguintes, Edward manteve a mesma postura descontraída, mas era evidente que estava esperando minha resposta. Ele não mencionava o convite diretamente, mas havia algo em sua presença, em como ele parecia sempre estar por perto, me observando com aquele olhar curioso e intrigante.
Na sexta-feira, o destino decidiu intervir.
Eu estava no estúdio da Juilliard, finalizando os últimos ajustes do projeto musical. Edward chegou pouco depois, trazendo dois copos de café.
— Para a chefe do projeto. — Ele disse, entregando um para mim.
— Obrigada. — Respondi, surpresa com o gesto.
Ele se sentou ao meu lado, observando enquanto eu ajustava algumas partituras. Ficamos em silêncio por um tempo, mas não era desconfortável. Na verdade, era quase... fácil.
— Sabe, você trabalha demais. — Ele comentou de repente, rompendo o silêncio.
— Não estou reclamando. — Respondi, sem desviar os olhos das partituras.
— Não está reclamando agora. Mas daqui a uns anos, quando estiver cansada e arrependida por não ter aproveitado mais... pode ser tarde demais.
Revirei os olhos, mas havia algo na suavidade de sua voz que me fez parar.
— Tudo bem, Edward. Qual é o ponto?
Ele sorriu, inclinando-se para frente, os olhos fixos nos meus.
— O ponto é que você deveria dizer sim.
— Sim?
— Sim para o encontro. Para mim. Para, sei lá, tentar algo diferente. — Ele deu de ombros, como se a ideia fosse a coisa mais simples do mundo. — Você não tem nada a perder.
Olhei para ele, tentando encontrar as palavras certas. Mas, no fundo, sabia que ele estava certo. Sabia que estava me escondendo por medo, me agarrando a uma rotina segura e previsível.
— Tudo bem. — Respondi finalmente, a voz mais firme do que esperava.
Os olhos de Edward brilharam, e ele sorriu daquele jeito que fazia meu coração dar voltas.
— Sério?
— Sério. — Respondi, sentindo o calor subir ao meu rosto. — Mas só se você cumprir a promessa.
— Que promessa?
— Melhor lugar, melhor roupa... e um beijo no final.
Ele riu, levantando-se.
— Considera isso fechado, Swan.
Enquanto ele saía do estúdio, percebi que estava sorrindo. Pela primeira vez em muito tempo, a ideia de arriscar parecia menos assustadora e mais... excitante.
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I can feel it coming, humming in the way you move
Push the reset button, we're becoming something new
O dia do encontro finalmente chegou, e eu estava nervosa de uma maneira que nunca pensei ser possível. O vestido que escolhi era simples, mas elegante, de um tom azul profundo que realçava meus olhos. Meu cabelo estava cuidadosamente preso, mas ainda com aquele toque descomplicado, como eu gostava. O salto, que nunca era meu aliado, parecia agora uma aventura, mas a expectativa do que estava por vir me fazia ignorar qualquer desconforto.
Quando a campainha tocou, meu coração acelerou. Respirei fundo antes de abrir a porta. Edward estava ali, parado, impecável, como se tivesse saído de uma revista de moda. Ele usava um terno escuro que se ajustava perfeitamente ao seu corpo, com uma camisa branca por baixo e uma gravata preta simples, mas que fazia o conjunto parecer ainda mais atraente.
— Uau. — Foi a única coisa que consegui dizer enquanto o observava, surpresa pela forma como ele parecia deslumbrante.
Edward sorriu, o olhar brilhando de diversão.
— Você também está incrível. — Ele se aproximou, oferecendo-me uma mão, que aceitei hesitante. — Pronta para a noite?
— Acho que sim. — Falei, tentando manter o tom leve, embora meu coração estivesse batendo forte. — Onde estamos indo?
Ele deu um meio sorriso, como se estivesse prestes a revelar algo secreto.
— Um lugar especial. Confia em mim?
Eu assenti, sem palavras. Confiar em Edward... de alguma forma, parecia mais fácil naquele momento. Ele me conduziu até o carro, e a viagem foi tranquila, o som suave de uma música clássica preenchendo o espaço entre nós. Eu tentava não ficar tão consciente de sua presença, mas era impossível. O silêncio entre nós não era desconfortável, mas também não era totalmente relaxante. Era como se o ar estivesse carregado com algo que ambos sabíamos, mas ainda não falávamos.
Quando chegamos ao restaurante, fiquei ainda mais surpresa. Era sofisticado, mas sem ser excessivo, com luzes suaves e uma atmosfera acolhedora. Um ambiente perfeito para um primeiro encontro.
— Você realmente sabe como escolher lugares, hein? — Falei, impressionada, enquanto ele me guiava até a mesa reservada.
— Gosto de agradar. — Ele sorriu, puxando a cadeira para que eu me sentasse. — E quero que essa noite seja perfeita.
A conversa fluiu facilmente entre nós. Falamos sobre nossos gostos musicais, nossas famílias, e até mesmo sobre como a Juilliard, para ambos, parecia ser mais do que apenas uma escola. Para Edward, a música era uma fuga, uma maneira de expressar o que ele não conseguia dizer com palavras. E para mim, era uma forma de descobrir quem eu realmente era, em meio ao caos do mundo ao meu redor.
— Não sei se já disse isso antes, mas você realmente tem um jeito com palavras. — Ele comentou durante o jantar, o olhar focado em mim. — Às vezes, você me faz querer entender mais de você, Bella.
Eu ri, tentando desviar o olhar.
— Não sou tão misteriosa quanto pareço. — Disse, me sentindo vulnerável por um momento.
Edward inclinou-se ligeiramente para frente, seu olhar intensificando.
— Ah, eu acho que você é. — Ele pausou. — Mas talvez eu goste disso. Gosto de descobrir o que está por trás do que você mostra.
A conversa continuou leve, mas havia algo mais ali, algo que ambos sentíamos, mas não sabíamos como nomear. A noite estava perfeita. O ambiente, a comida, a companhia — tudo estava se encaixando. Quando a sobremesa chegou, Edward pediu para compartilhar, e a conversa fluiu ainda mais naturalmente, como se já fôssemos velhos amigos.
Depois de algum tempo, ele pagou a conta, e nos dirigimos para o carro. Ele parecia à vontade, mas eu podia perceber que estava tão imerso naquele momento quanto eu.
— Foi tudo perfeito. — Eu disse, olhando para ele com um sorriso genuíno.
— Fico feliz que tenha gostado. — Ele sorriu, tocando levemente minha mão antes de abrir a porta do carro para mim. — Agora, vou te levar para casa.
A viagem de volta foi silenciosa, mas dessa vez não havia tensão no ar. A cada olhar que trocávamos, sentíamos que algo estava crescendo entre nós. Eu estava começando a me abrir para ele, para a ideia de que talvez eu pudesse me permitir sentir algo real.
Quando chegamos em frente ao meu prédio, Edward estacionou o carro e me olhou de maneira intensa. Eu estava sem palavras, a sensação de que a noite estava chegando ao fim de uma forma que eu não queria admitir me invadiu.
— Obrigada, Edward. — Falei, tentando esconder a emoção que estava transbordando.
Edward então, sem dizer nenhuma palavra, se inclinou em minha direção, o ar ao redor pareceu se tornar mais denso, como se o tempo tivesse desacelerado. Eu podia sentir meu coração acelerando em meu peito, o som do meu respirar misturado com o dele. Suas mãos eram suaves ao tocar minha nuca, me puxando com uma delicadeza que, ao mesmo tempo, parecia cheia de desejo. Meu corpo reagiu antes da minha mente, e eu me encontrei inclinando-me para frente, de forma quase instintiva.
Quando nossos lábios se encontraram, a sensação foi avassaladora. Não era apenas um beijo qualquer. Era como se todo o peso dos dias, as incertezas, as tensões que eu carregava, desaparecessem de uma vez. O toque dele era tão suave, tão cativante, que eu quase não conseguia distinguir onde ele começava e eu terminava. Eu me deixei levar completamente pela sensação, pelos sentimentos que estavam começando a emergir e que eu até então tentava ignorar.
Minhas mãos, inicialmente rígidas ao lado do corpo, começaram a se mover lentamente, como se tivessem vida própria. Quando toquei seu peito, o calor de sua pele me fez tremer, e isso só aumentou a intensidade do beijo. Edward não se apressava, ele parecia querer explorar cada momento, cada segundo dessa proximidade, e a maneira como ele me beijava fazia com que tudo ao meu redor se desvanecesse. Era só ele e eu.
Enquanto ele me beijava, eu não conseguia impedir os pensamentos que se aglomeravam na minha mente. “Isso é real?” Pensava, quase com uma sensação de incredulidade. Eu tentava racionalizar, mas o contato físico, a sensação das suas mãos em mim, a suavidade de seus lábios... tudo era tão real, tão urgente e ao mesmo tempo tranquilo, como se aquilo fosse o próximo passo natural, como se não houvesse mais dúvidas a serem resolvidas.
"Não posso me apaixonar assim, posso?" Essa era a pergunta que se repetia dentro de mim, mas, ao mesmo tempo, uma parte de mim sabia que estava além do ponto de não retorno. “Estou me entregando, e não sei como lidar com isso.” Uma sensação de vulnerabilidade me envolvia, mas não era uma vulnerabilidade negativa. Era uma vulnerabilidade segura, um espaço onde eu poderia finalmente permitir-me sentir algo que estava reprimido por tanto tempo.
Quando ele se afastou, o mundo pareceu voltar ao normal, mas eu ainda sentia o calor do beijo queimando nos meus lábios e a leveza do corpo, como se flutuasse.
Eu procurei palavras, mas elas não vinham. Edward me olhou com um sorriso tranquilo, e sua expressão, que antes era levemente provocante, agora estava mais suave, quase... satisfeita.
— Eu disse que ia te dar um beijo. — Ele murmurou, a voz baixa, carregada de um tom caloroso. Ele me olhou nos olhos com tanta intensidade que parecia poder ler minha alma naquele momento. — E eu não vejo a hora de fazer isso de novo.
Eu estava atordoada, o coração ainda batendo descompassado. Eu queria dizer algo, mas só consegui sorrir, ainda perdida no turbilhão de emoções que ele tinha despertado em mim.
"O que aconteceu agora? Como posso seguir em frente depois disso?" Esses pensamentos se entrelaçavam com o desejo que ainda se fazia presente, a necessidade de mais, de continuar. Eu queria algo mais do que só palavras, algo mais profundo do que um simples beijo.
Com a voz trêmula, finalmente consegui falar.
— Eu... eu também não vejo a hora de fazer isso de novo. — Falei baixinho, sentindo a sinceridade das minhas palavras mesmo que elas parecessem pequenas diante do que eu realmente estava sentindo.
A atmosfera entre nós mudou. O jantar, a conversa, tudo parecia ter sido um prelúdio para o que estava prestes a acontecer. Ele olhou para mim com aquela intensidade familiar, seus olhos fixos nos meus, e, por um instante, o mundo lá fora desapareceu. Eu estava prestes a descer, mas algo me dizia que ainda havia algo mais que ele queria dizer, algo mais que ele queria fazer.
Eu abri a porta do carro, mas ele me deteve com um movimento suave da mão, a mesma mão que antes havia tocado minha nuca com tanta suavidade.
— Bella... — A voz dele soou baixa, quase como se ele estivesse pesando cada palavra. Ele se aproximou um pouco mais, seus olhos agora ainda mais penetrantes. — Eu gostei muito dessa noite. De estar com você. De te conhecer mais, e ver como as coisas se encaixam entre nós.
Eu fiquei em silêncio, tentando ordenar os pensamentos que pareciam embaralhados em minha mente. O que ele estava dizendo? Eu sentia o mesmo, mas ao mesmo tempo, havia uma parte de mim que estava com medo. Medo de estar me entregando demais, de abrir meu coração para alguém de novo.
Edward não parecia perceber minha luta interna. Ele continuou com aquele sorriso suave, mas algo mais profundo passava pelo seu olhar, como se ele soubesse que eu precisava de mais tempo para processar tudo aquilo.
— Eu sei que isso tudo é novo para você, Bella. — Ele falou, a voz cheia de compreensão. — E eu não quero te apressar. Não agora. Mas a verdade é que... eu quero estar mais perto de você. Eu quero passar mais tempo com você. E, se você me deixar, quero fazer mais noites como essa, porque eu sinto que isso entre nós... está começando a ser algo que vale a pena.
Eu me vi diante de uma escolha silenciosa, entre me abrir, confiar e seguir com ele, ou me manter na distância segura que eu sempre costumava colocar entre mim e os outros. Eu respirei fundo, tentando controlar as emoções que estavam borbulhando dentro de mim.
— Eu também gostei muito dessa noite, Edward. — Falei finalmente, com mais sinceridade do que eu esperava. — Não sei exatamente o que isso significa, mas... eu quero ver até onde isso pode nos levar.
Ele sorriu com mais intensidade, um sorriso que iluminou o rosto dele de uma maneira que fez meu coração acelerar. Era claro para ele, ele estava esperando por essa resposta. Ele estava tão certo do que queria, tão tranquilo em suas intenções, e eu... eu queria acreditar naquilo.
— Eu também quero ver. — Ele disse, a voz mais suave, mas carregada de algo mais profundo. Ele se inclinou um pouco para frente, a mão ainda suavemente repousando perto do meu rosto. — E não importa onde isso nos leve. O importante é que, por agora, é o que eu quero.
Eu olhei para ele, sentindo o calor da sua proximidade, e antes que eu pudesse processar mais, ele se aproximou e me beijou. O beijo foi suave, mas repleto de tudo o que ele não havia dito com palavras. Foi um beijo cheio de promessas, de algo novo, de algo que eu não sabia ainda o que seria, mas que, por agora, parecia certo.
Quando ele se afastou, ambos ficamos ali, em um silêncio compartilhado, onde as palavras não eram necessárias para entender o que estava acontecendo. Ele olhou para mim com aquele sorriso tranquilo, ainda com a intensidade de antes.
— Boa noite, Bella. — Ele murmurou, a voz baixa, quase um sussurro. — Eu realmente espero que a gente possa fazer isso de novo.
Eu sorri de volta, sentindo uma sensação de paz, mas também de excitação pelo que viria a seguir. Eu não sabia o que o futuro nos reservava, mas algo me dizia que esse momento, essa noite, estava apenas começando.
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10 anos depois
I hear thе whispers in your eyes
I'll make you wanna think twice
You'll find that you were never not mine
(You're mine)
Narrador POV
— Você está pronta? — perguntou, enquanto tragava o cigarro.
A morena estava pronta?
Nem ela sabia.
A pergunta pairava no ar, pesada como as lembranças que Bella tentava enterrar há anos. Ela sentiu as pernas fraquejarem, como se seu corpo estivesse respondendo à turbulência interna que não queria admitir. Estava pronta? Claro que não. Talvez nunca estivesse.
Ela respirou fundo, mas o ar parecia cortante, queimando seu peito. O olhar da loira diante dela era fixo, quase impaciente, como se esperasse que Bella respondesse de forma automática. Mas nada naquele momento era automático para ela. Tudo era desconfortável, real demais. A memória de Edward, como uma sombra persistente, envolvia seus pensamentos.
Dez anos. Dez anos desde que tudo aconteceu, deixando-a com o tipo de vazio que nenhuma palavra ou gesto conseguiu preencher. Dez anos desde que ela prometeu que nunca mais se deixaria levar por algo tão destrutivo. Dez anos, e ali estava ela, com o coração batendo forte como naquela época, vulnerável como se todo o tempo não tivesse significado nada.
Bella desviou o olhar da loira por um instante e encarou o chão. Como posso ainda estar tão apaixonada? A pergunta ecoava em sua mente, mas era perigosa demais para ser respondida. Aquele sentimento não fazia sentido. Não deveria fazer. E, no entanto, lá estava ele, vivo, pulsante, como se estivesse esperando o momento certo para consumi-la novamente.
— Bella? — A voz da loira cortou seus pensamentos, impaciente, mas ainda carregada de algo que parecia preocupação. — Eu perguntei se você está pronta.
Bella levantou os olhos, encarando-a novamente. A pergunta parecia tão simples, mas a resposta trazia consigo uma avalanche de emoções que ela não sabia se conseguiria enfrentar.
— Eu… — Sua voz saiu hesitante, quase um sussurro. Mas antes que pudesse completar a frase, Bella parou. Seu coração acelerou, e uma sensação fria correu por sua espinha. Ela não sabia o que estava prestes a dizer, mas temia o que viria a seguir.
A loira tragou o cigarro mais uma vez e soltou a fumaça devagar, os olhos avaliando Bella com uma calma quase cruel. Jogou o cigarro no chão com uma impaciência visível.
— Tudo bem. — Disse, enfim, com um meio sorriso. — Você vai descobrir no caminho.
E, com isso, virou-se, deixando Bella sozinha com seus pensamentos e a porta dos bastidores aberta à sua frente.
Por um instante, Bella ficou ali, imóvel, o peso das decisões passadas e do que estava por vir colidindo dentro dela. Ela tinha chegado longe demais para recuar, mas dar o próximo passo parecia impossível.
Com um suspiro trêmulo, ela cruzou a porta, sem saber se estava caminhando para a solução que sempre desejou ou para a ruína que sempre temeu.
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10 anos antes
Bella POV
Algumas semanas se passaram desde aquela noite, e, aos poucos, o que começou como uma simples conexão se transformou em algo mais. Edward e eu nos víamos com mais frequência, sem pressa, sem pressões. A cada encontro, eu me sentia mais confortável com ele, mais tranquila ao perceber que ele não queria apressar nada. Ele era paciente comigo, e, por mais que eu estivesse cheia de dúvidas sobre o que realmente estava acontecendo entre nós, algo dentro de mim sabia que eu estava pronta para ver onde isso nos levaria.
A cada conversa, eu conhecia mais sobre ele, sobre sua vida, suas ambições, suas frustrações. Ele, por sua vez, se mostrava curioso sobre a minha, atento aos pequenos detalhes que eu normalmente não compartilhava com qualquer um. Edward sabia o que me fazia sorrir, o que me deixava nervosa, o que me fazia ficar pensativa. Ele notava as pequenas coisas, aquelas que às vezes eu mesma não percebia, e isso me fazia sentir como se, de algum modo, ele estivesse me entendendo mais do que eu imaginava.
Eu estava aprendendo a confiar nele. Estávamos nos descobrindo aos poucos, e isso me deixava ansiosa de um jeito bom. Mas também havia o medo. O medo de me entregar, de me permitir gostar dele tanto quanto estava começando a gostar. Às vezes, meus sentimentos pareciam um mar agitado, e eu me perguntava o que aconteceria se eu me deixasse levar por tudo aquilo. Mas, de alguma forma, Edward parecia ser o calmante para as minhas inseguranças, o ponto de equilíbrio que eu precisava.
Uma sexta-feira à noite, ele me convidou para uma festa na casa de uns amigos dele. Ele falou com tanto entusiasmo sobre o evento que não pude resistir. Quase toda vez que nos víamos, a conversa entre nós era tranquila, mas a ideia de conhecer mais sobre a vida social dele, as pessoas com quem ele estava mais próximo, me deixou um pouco nervosa. Eu não sabia exatamente o que esperar.
Quando cheguei ao local, a festa já estava acontecendo, com risos e música ao fundo. Edward me segurou pela mão e me guiou até a área externa, onde o som estava mais alto e as pessoas estavam dançando e se divertindo.
— Quero te apresentar a alguns amigos, Bella. — Ele disse, com aquele sorriso que só ele sabia fazer.
Fui logo apresentada a um grupo de pessoas, mas havia duas que se destacaram: Rosalie e Seth. Eles estavam conversando animadamente quando Edward nos aproximou.
— Rosalie, Seth, esta é a Bella. Bella, esta é a Rosalie e o Seth. — Ele disse, com uma expressão tranquila, como se estivesse muito confortável em me apresentar a eles.
Rosalie era deslumbrante. Ela tinha cabelos loiros platinados, que caiam em ondas perfeitas sobre seus ombros. Seus olhos eram brilhantes, com um olhar afiado e observador. Ela parecia ser alguém de personalidade forte, mas ao mesmo tempo, havia uma suavidade no modo como ela me cumprimentou.
— É um prazer, Bella. — Ela sorriu com simpatia, estendendo a mão. — Edward tem falado bastante de você.
Seth, ao lado de Rosalie, era o oposto. Tinha um jeito mais descontraído, com cabelo bagunçado e um sorriso largo no rosto. Ele tinha uma energia que me fez relaxar um pouco mais. Era como se sua presença fosse mais casual, e ele parecia ser o tipo de pessoa que fazia qualquer um se sentir à vontade.
— Oi, Bella! Finalmente nos conhecemos. — Seth disse, apertando minha mão de maneira amigável. — Edward tem sido bem reservado com as histórias, mas parece que você já está ganhando o prêmio de melhor companhia dele.
Eu ri, me sentindo mais à vontade com cada palavra trocada. Edward estava ali, ao meu lado, e o jeito que ele me olhava, com aquele sorriso tranquilo, me fez perceber que ele estava gostando de me ver se entrosando com seus amigos. Ele se afastou um pouco para conversar com outros convidados, mas me deixou com Rosalie e Seth, o que me fez perceber que ele confiava que eu ficaria bem ali.
Rosalie, que parecia ser a mais observadora do grupo, não demorou a me fazer perguntas sobre minha vida, meus interesses, e logo se mostrou uma pessoa interessante, com uma história de vida bem diferente da minha. Eu fiquei surpresa com a facilidade com que nos conectamos, apesar de nossas diferenças. Seth, por sua vez, estava mais interessado em saber sobre meus hobbies, meus gostos. A conversa fluiu sem esforço, e logo percebi que estava me divertindo muito mais do que eu imaginava.
Ao longo da noite, Edward voltava esporadicamente para verificar como eu estava, e sempre que ele se aproximava, o calor que eu sentia dentro de mim se intensificava. Ele era meu porto seguro naquele ambiente um pouco desconhecido, mas, ao mesmo tempo, eu estava aprendendo a me abrir mais para as pessoas ao redor dele.
Quando a noite foi chegando ao fim, Edward me levou de volta para o carro. A conversa durante o caminho de volta foi leve, mas havia algo mais, uma conexão que se aprofundava a cada encontro, e eu sabia que aquilo significava mais do que eu conseguia compreender naquele momento.
Edward parou o carro na frente do meu prédio e olhou para mim com aquele sorriso calmo.
— Você se saiu muito bem hoje. — Ele disse, sua voz suave, mas cheia de orgulho.
Eu sorri, ainda um pouco atordoada pela noite, e respondi:
— Achei que fosse ficar nervosa, mas... foi mais fácil do que eu imaginava.
Ele se aproximou de mim, e antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, ele me beijou. Não era o mesmo beijo de antes, mas havia algo mais agora, uma confiança mútua, um sentimento mais profundo. Quando ele se afastou, seus olhos estavam cheios de significado.
— Eu gosto de estar com você, Bella. — Ele disse, mais sério do que antes.
Eu olhei para ele, com o coração acelerado, e, pela primeira vez, consegui responder com toda a sinceridade que eu sentia:
— Eu também gosto de estar com você, Edward.
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Os dias após a festa na casa dos amigos de Edward passaram como um borrão suave, com memórias se misturando aos pensamentos e sensações que ele sempre despertava em mim. Era estranho — reconfortante, mas assustador ao mesmo tempo — perceber o quanto eu já me acostumava à presença dele na minha vida.
Ainda lembro do sorriso de Rosalie, confiante e acolhedor, e das piadas de Seth que, mesmo descontraídas, me faziam sentir que eu estava sendo observada com atenção. Mas o que mais ficou na minha mente foi a forma como Edward ficou ao meu lado o tempo todo. Sem invadir meu espaço, sem pressionar. Ele apenas estava ali, como se tivesse todo o tempo do mundo para me esperar.
Na manhã seguinte, acordei pensando nele. Isso começava a se tornar comum: Edward surgindo nos meus primeiros pensamentos do dia, como uma melodia que se repetia ao fundo da minha mente. Eu me perguntava se ele sentia o mesmo, se pensava em mim com a mesma intensidade que eu pensava nele.
Naquela semana, nossas rotinas começaram a se entrelaçar mais. Ele aparecia com mais frequência ao final das minhas aulas, sempre com aquele sorriso tranquilo e uma pergunta que parecia tão simples, mas carregava um significado maior:
— Como foi o seu dia, Bella?
Era como se ele realmente quisesse saber, como se cada detalhe importasse. E, com Edward, eu sentia que podia ser honesta. Não precisava escolher palavras ou tentar minimizar as partes difíceis. Ele ouvia tudo com atenção, sem julgamento, e às vezes apenas segurava minha mão enquanto eu falava.
Em uma das noites, fomos caminhar pela cidade, algo que ele sabia que eu gostava. A brisa estava fresca, e o céu, limpo o suficiente para que pudéssemos ver algumas estrelas entre os prédios. Edward sugeriu parar em uma livraria que ficava aberta até tarde, e, enquanto folheávamos alguns livros juntos, percebi o quanto ele parecia confortável em momentos simples como aquele.
Ele escolheu um livro de poemas de Pablo Neruda e, enquanto me olhava com aquele brilho nos olhos, leu um trecho baixinho:
— "Eu te amo sem saber como, nem quando, nem onde. Eu te amo diretamente, sem problemas nem orgulho: assim te amo porque não sei amar de outra maneira..."
A intensidade da voz dele misturada ao peso das palavras fez meu coração acelerar. Não era apenas o que ele dizia; era a maneira como dizia, como se cada verso fosse uma confissão discreta.
— Por que você escolheu esse poema? — perguntei, tentando soar casual, mas sentindo meu rosto esquentar.
Edward sorriu, um pouco tímido, algo raro nele.
— Porque me lembrou de você.
Eu não sabia o que responder. Então, ao invés de palavras, segurei sua mão e deixei que o momento falasse por mim.
Nos dias seguintes, Edward começou a aparecer mais frequentemente na minha rotina. Ele me ligava para dizer algo aparentemente banal, como a música que tinha ouvido pela manhã ou o café que havia experimentado, mas eu sabia que era sua maneira de criar um espaço para nós. E, sem perceber, eu fazia o mesmo.
Estava se tornando natural. Não era mais uma questão de "se" ou "quando" eu o veria, mas "como" passaríamos o tempo juntos. Ele tinha uma forma única de entrar na minha vida sem fazer alarde, mas ainda assim deixando sua marca em cada canto.
Numa quinta-feira, enquanto eu organizava algumas coisas no meu apartamento, ele me ligou.
— Você está em casa? — perguntou, com um tom que indicava que algo estava por vir.
— Sim, por quê?
— Ótimo. Estou subindo.
Fiquei imóvel por um momento, surpresa, mas, ao ouvir a batida na porta minutos depois, minha surpresa deu lugar à curiosidade. Quando abri, ele estava lá, segurando uma sacola de papel e sorrindo como se tivesse acabado de resolver o maior problema do mundo.
— O que é isso? — perguntei, apontando para a sacola.
— Jantar. Achei que você ia gostar de algo diferente hoje.
Era algo tão simples, mas eu não conseguia evitar o sorriso que tomou conta do meu rosto. Ele entrou, e nós passamos as próximas horas jantando e rindo na minha pequena mesa de cozinha, como se fosse o lugar mais especial do mundo.
Aos poucos, percebi que Edward não estava apenas entrando na minha vida; ele estava transformando ela, tornando tudo mais leve, mais simples e, ao mesmo tempo, mais profundo.
No fim de semana, ele me convidou para um passeio fora da cidade. Disse que queria me levar a um lugar especial, sem revelar muitos detalhes. Aceitei, mesmo sem saber exatamente o que esperar, porque, com Edward, eu começava a entender que as melhores coisas aconteciam quando eu me permitia confiar.
Quando chegamos ao destino, um pequeno campo aberto com uma vista espetacular das montanhas, fiquei sem palavras. Ele trouxe uma cesta de piquenique e uma manta para nos acomodarmos na grama.
Enquanto comíamos e conversávamos, ele me observava de uma maneira que me fazia sentir como se fosse a única pessoa no mundo.
— Eu gosto de te ver assim, relaxada. — Ele disse, depois de um momento de silêncio.
— Assim como?
— Feliz.
Olhei para ele, sem saber o que dizer. Edward sempre tinha essa habilidade de me desarmar com palavras simples, mas carregadas de significado.
Era ali, naquele campo tranquilo, com o vento balançando suavemente a grama ao nosso redor, que percebi algo: eu não estava apenas me apaixonando por Edward. Eu já estava apaixonada.
E, de repente, isso não me assustava mais tanto assim.
A luz suave do fim da tarde banhava o campo, tingindo o céu com tons de laranja e dourado. O mundo parecia desacelerar, cada detalhe ganhando uma nitidez quase dolorosa. O farfalhar das árvores ao longe, o som distante de pássaros retornando para seus ninhos e a brisa que roçava minha pele – tudo parecia conspirar para nos envolver em uma bolha onde nada além de nós dois existia.
Estávamos sentados na manta, nossos corpos próximos, mas ainda havia aquele espaço sutil entre nós, cheio de expectativas não ditas. A proximidade era ao mesmo tempo reconfortante e inquietante, como se cada movimento dele estivesse escrito em minha pele antes mesmo de acontecer. Meu coração batia forte, e eu tinha certeza de que Edward podia ouvir.
Ele estava deitado de lado, apoiado em um cotovelo, o rosto parcialmente sombreado pela luz dourada. Seus olhos estavam fixos nos meus, intensos e penetrantes, como se ele pudesse enxergar até os cantos mais profundos de mim. Era avassalador, mas eu não queria desviar o olhar. Havia algo hipnotizante na maneira como ele me olhava, como se eu fosse o centro de seu universo.
Com a ponta dos dedos, Edward traçava círculos invisíveis na palma da minha mão, movimentos lentos, quase imperceptíveis, mas que deixavam minha pele em chamas. Seu toque era ao mesmo tempo inocente e cheio de promessa, cada traço como uma pergunta que ele não ousava formular em voz alta.
— O que foi? — perguntei, minha voz quase um sussurro, quebrando o silêncio carregado entre nós.
Ele sorriu, um sorriso torto que fazia minhas pernas tremerem.
— Só estou pensando em como você é bonita.
A simplicidade da frase me atingiu com força, deixando-me momentaneamente sem palavras. Meu rosto queimou, mas eu não olhei para baixo. Algo dentro de mim queria que ele visse o efeito que tinha sobre mim, queria que ele soubesse que eu estava tão vulnerável quanto ele.
— Às vezes, acho que isso é surreal — murmurei, minha voz hesitante, mas honesta. — Nós dois aqui, juntos.
Ele se inclinou ligeiramente, diminuindo a distância entre nós. A ponta dos seus dedos subiu até meu rosto, traçando uma linha suave desde minha têmpora até meu queixo. O toque era delicado, mas carregado de intenção, como se ele estivesse aprendendo cada curva do meu rosto.
— Nada em você é surreal, Bella — ele respondeu, sua voz baixa e grave, vibrando através de mim. — Você é a coisa mais real que eu já tive.
Meu coração tropeçou em uma batida, e antes que pudesse hesitar, nossos lábios se encontraram. O beijo era hesitante no começo, como uma dança tímida, mas rapidamente tornou-se mais firme, mais profundo. Era como se estivéssemos explorando algo proibido, mas inevitável, algo que nos chamava há muito tempo.
Minhas mãos encontraram seus cabelos, dedos entrelaçando-se em suas mechas macias enquanto eu o puxava para mais perto. O calor de seu corpo irradiava para o meu, e cada toque de suas mãos era uma fagulha que incendiava algo dentro de mim. Ele segurou minha cintura, os dedos apertando suavemente através do tecido fino do meu vestido, enviando ondas de calor por todo o meu corpo.
A tensão entre nós era quase insuportável agora, um fio que estava prestes a se romper. Seus dedos subiram lentamente por minha coxa, empurrando o tecido do meu vestido para cima com cuidado, mas também com uma intenção que fez minha respiração falhar. Cada movimento dele era lento, como se ele estivesse me dando tempo para recuar, mas meu corpo se arqueava em direção ao dele, respondendo antes mesmo que eu pudesse pensar.
Ele inclinou-se sobre mim, apoiando o peso em seus cotovelos, mas mantendo um cuidado quase reverente. Sua respiração quente roçou minha orelha, e ele murmurou algo que parecia meu nome, mas soava mais como uma prece.
Antes que eu me desse conta, Edward levantou meu vestido. Eu nem me importei que alguém poderia nos ver, eu estava me sentindo finalmente completa. Aproveitei o momento e retirei a sua camiseta, vendo pela primeira vez o seu peitoral e abdome, que eram definidos na medida perfeita.
Ele nunca deixava de ser perfeito?
Edward voltou a me beijar e algum tempo depois pude sentir que seus dedos roçando timidamente em meus seios, arfei enquanto o beijava e meu corpo se arqueou em direção ao dele, ele entendeu como um sinal verde e seus dedos longos e perfeitos encobriram meu seio, apertando firmemente e me fazendo engasgar.
Eu não era nenhuma puritana, tenho sim meus bloqueios emocionais e tive minha cota de rapazes, mas nenhum, nenhum deles me deixou dessa forma com tão pouco.
Edward, sempre tão controlado, parecia estar lutando consigo mesmo. Seus olhos escuros e intensos me fitavam com um misto de desejo e adoração, como se ele não pudesse acreditar que aquilo estava realmente acontecendo. Sua mão deslizou mais firmemente pelo meu corpo, cada toque enviando ondas de calor que me faziam tremer.
Quando seus lábios deixaram os meus, ele traçou um caminho quente e lento pelo meu pescoço, deixando um rastro de sensações que arrepiavam cada centímetro da minha pele. Minha cabeça caiu para trás, expondo mais de mim para ele, enquanto meus dedos encontravam seus cabelos, puxando-os levemente em um pedido silencioso para que ele continuasse.
Ele murmurou meu nome novamente, dessa vez com uma urgência que fez meu coração disparar. Seus movimentos eram ainda cuidadosos, mas carregavam uma necessidade que me fazia sentir cada segundo como uma eternidade. Quando seus lábios finalmente chegaram ao topo do meu vestido, ele hesitou por um momento, seus olhos buscando os meus, perguntando sem palavras se aquilo era o que eu realmente queria.
Sem pensar duas vezes, minha mão foi até a dele, guiando-o com firmeza. "Sim, Edward", sussurrei, minha voz carregada de emoção. "Eu quero isso. Quero você."
Com essa permissão, ele continuou, seu toque agora mais seguro e confiante. O calor de sua pele contra a minha era intoxicante, e cada nova carícia parecia acender algo dentro de mim que eu nem sabia que existia. Meu corpo respondia ao dele como se estivéssemos em perfeita sintonia, cada movimento dele sendo recebido como um bálsamo para a minha alma inquieta.
Edward me beijou novamente, mais profundamente desta vez, como se estivesse colocando tudo o que sentia em cada movimento. Quando suas mãos exploraram mais de mim, cada toque e cada suspiro tornavam o momento mais intenso, mais íntimo. Era como se, naquele instante, nada mais no mundo importasse.
Eu sabia que estava me entregando completamente a ele, e, pela primeira vez em muito tempo, isso não me assustava. Com Edward, tudo parecia certo, como se o universo inteiro tivesse conspirado para nos levar até ali, até aquele exato momento em que éramos apenas nós dois, sem máscaras, sem barreiras. Apenas nós.
Edward parecia estar em um estado de fascínio absoluto, como se cada movimento dele fosse guiado não apenas pelo desejo, mas por uma devoção quase surreal. Seus olhos encontravam os meus de tempos em tempos, escuros e intensos, como se quisesse memorizar cada expressão minha, cada suspiro que escapava dos meus lábios.
Ele afastou uma mecha de cabelo do meu rosto, seus dedos deslizando pela minha pele com uma suavidade que me fez fechar os olhos por um momento.
— Você é tão... perfeita — ele sussurrou, e a sinceridade em sua voz quase me fez chorar.
Engraçado, pensei, eu também te acho tão, tão perfeito.
Minhas mãos traçaram o contorno de seu torso, explorando cada linha e curva que sentia sob meus dedos. Edward não era apenas bonito; ele era um misto de força e controle, mas também uma vulnerabilidade que tornava tudo ainda mais intenso. Era como se cada barreira entre nós tivesse desaparecido. Não havia insegurança, apenas entrega.
Quando ele voltou a me beijar, agora com uma urgência maior, minha mente se esvaziou completamente. Tudo o que existia era ele, o calor de seus lábios, o peso de seu corpo pressionando o meu, os toques que acendiam faíscas por toda a minha pele. Minhas mãos correram por suas costas, sentindo a firmeza de seus músculos enquanto ele me envolvia com ainda mais intensidade.
Sua boca desceu lentamente pelo meu pescoço, deixando rastros de calor que faziam minha respiração se acelerar.
— Me avise se for demais — ele disse entre um beijo e outro, e sua preocupação, mesmo no meio de toda aquela tensão, me fez sorrir.
— Você nunca será demais para mim — respondi, puxando-o mais para perto, e a intensidade em seus olhos se transformou em algo quase feroz.
Quando ele chegou à curva do meu ombro, suas mãos exploraram com mais confiança, deslizando para onde o tecido fino do meu vestido já havia sido deslocado. Eu sentia o coração dele batendo contra o meu, um ritmo frenético que combinava com o meu próprio. Era como se estivéssemos em um universo à parte, onde o tempo havia parado e tudo girava em torno daquele momento, daquele toque, daquele beijo.
Sua voz soou grave contra a minha pele. — Você me faz perder o controle, — ele confessou, e havia algo tão cru e honesto em suas palavras que me fez tremer.
— Então se perca comigo — murmurei, e a frase parecia ecoar no espaço entre nós, uma provocação, uma promessa.
Edward me ergueu com facilidade, me fazendo prender o fôlego enquanto ele nos ajustava, como se quisesse que eu estivesse o mais perto possível. Cada movimento dele era carregado de uma reverência que tornava tudo ainda mais eletrizante. Eu sabia que, dali em diante, nada mais seria o mesmo.
Nossos corpos dançavam em um ritmo que parecia orquestrado por forças além de nós, como se as estrelas tivessem sussurrado segredos antigos que só agora faziam sentido. O mundo ao nosso redor desaparecia, dissolvendo-se em um borrão de calor e proximidade. Tudo o que restava era o som de nossas respirações entrecortadas e o sutil estremecer de cada toque, cada movimento.
As mãos de Edward se moviam por mim como um artista esculpindo sua obra-prima, explorando com cuidado e paixão. Seu olhar, tão intenso, capturava o meu a cada intervalo, como se precisasse reafirmar que eu era real, que aquele momento era mais do que um sonho. Em seus olhos, eu via algo mais profundo que desejo — era um tipo de devoção que parecia invencível, inabalável.
— Você é minha — ele murmurou, a voz rouca, quase um sussurro perdido entre nós. As palavras pairaram no ar, entrelaçando-se com a eletricidade que crepitava ao nosso redor. Minha pele, antes fria com a incerteza, agora queimava sob seu toque, cada centímetro meu despertando para algo novo, algo que parecia ao mesmo tempo assustador e glorioso.
Meus dedos deslizaram pela curva de sua nuca, descendo devagar até seus ombros firmes. "E você é meu," respondi, e as palavras carregavam uma força que eu não sabia possuir. Elas não eram apenas uma declaração; eram uma verdade, uma âncora que nos ligava naquele instante eterno.
Cada movimento seu era medido, como se ele estivesse saboreando cada momento, gravando cada reação minha em sua memória. E eu, em minha própria tempestade de emoções, me encontrava incapaz de pensar, de ser qualquer coisa além de um corpo em chamas sob o toque de quem parecia me conhecer melhor do que eu mesma.
Quando seus lábios encontraram novamente os meus, algo estava diferente, desta vez o beijo era mais profundo, mais cru, carregado de promessas e emoções que palavras não poderiam jamais traduzir. Meu coração parecia um tambor descompassado em meu peito, e cada vez que sua mão se movia, eu sentia como se estivesse sendo desenhada por ele, recriada em suas linhas e contornos.
— Eu não sabia que podia sentir isso — confessei, minha voz quase um sussurro. Edward sorriu, um sorriso pequeno, quase reverente, como se aquela confissão fosse um presente precioso.
— Você me faz sentir como se o impossível fosse real — ele respondeu, e a vulnerabilidade em suas palavras fez algo dentro de mim se quebrar e, ao mesmo tempo, se reconstruir.
O tempo parecia não ter mais relevância. Cada segundo com ele era eterno, e cada toque parecia carregar o peso de uma galáxia inteira. Quando nossos corpos finalmente se uniram, foi como se o universo respirasse ao nosso redor, cada estrela brilhando um pouco mais forte, cada constelação alinhando-se em celebração silenciosa.
E ali, naquele instante perfeito, eu entendi. Não éramos apenas corpos buscando saciar uma necessidade. Éramos duas almas encontrando algo que tinham perdido há muito tempo, algo que parecia ter sido prometido desde o início dos tempos. Estávamos nos redescobrindo, um no outro, e no espaço entre nós não havia mais vazio, apenas completude.
— Eu nunca vou esquecer isso — ele disse, sua voz um sussurro quente contra a minha pele.
— Nem eu — respondi, porque naquele momento, com Edward, eu era mais do que eu mesma. Eu era infinita.
O universo ao nosso redor parecia suspenso, como se o próprio tempo estivesse nos concedendo a permissão para existir apenas um no outro. Cada toque, cada movimento era uma conversa silenciosa, um diálogo entre corações que já não precisavam de palavras. O calor de Edward me envolvia como uma promessa — de cuidado, de entrega, de eternidade.
Quando nossos corpos se ajustaram em uma sincronia quase divina, senti como se o mundo tivesse se realinhado. Um suspiro escapou dos meus lábios, mas não era só desejo; era algo mais profundo, algo que carregava anos de espera e uma necessidade de ser vista, compreendida, amada. Edward parecia perceber isso, porque seus olhos estavam fixos nos meus, como se ele buscasse dentro de mim as respostas para perguntas que nem sabia que carregava.
— Você é meu universo agora — ele sussurrou, sua voz baixa e rouca, mas carregada de uma sinceridade que fazia meu coração vibrar. Sua mão encontrou a minha, nossos dedos se entrelaçando como se, juntos, fôssemos capazes de segurar a vastidão do que estávamos vivendo.
Nossos movimentos, antes hesitantes, tornaram-se mais seguros, mais intensos. Cada toque dele sobre minha pele parecia incendiar algo dentro de mim, e eu me sentia completamente consumida, mas de um jeito que não assustava. Pelo contrário, era como se eu estivesse finalmente me encontrando, finalmente entendendo o que significava ser inteira.
Edward se inclinou-se novamente sobre mim, beijando meu rosto, meu pescoço, até que encontrou meus lábios novamente. O beijo era diferente agora, não apenas por ser mais profundo, mas porque carregava algo que transcendeu o momento: compromisso, devoção. Eu sentia como se ele estivesse me entregando cada parte de si, sem reservas, e eu fazia o mesmo, sem medo de ser vulnerável.
Seus movimentos ficaram mais lentos, quase reverentes, como se quisesse prolongar o momento por toda a eternidade. Suas mãos desenhavam linhas invisíveis na minha pele, e cada carícia era uma promessa silenciosa de que ele jamais esqueceria. Quando ele murmurou meu nome, foi como se as estrelas o carregassem, o transformassem em algo sagrado.
Finalmente, quando nos unimos, foi como se o mundo ao nosso redor explodisse em luz. Eu senti como se cada pedaço de mim estivesse conectado a ele, como se não houvesse mais distinção entre onde ele terminava e eu começava. E quando nossos corpos relaxaram, um silêncio preenchido de significado nos envolveu, como o final de uma música que ecoa mesmo depois de terminada.
Edward se moveu levemente, ainda me segurando como se eu fosse algo precioso demais para ser deixado. Ele repousou sua testa contra a minha, e por um instante, ficamos assim, respirando juntos, sentindo juntos, existindo apenas um no outro. Seus dedos traçaram delicadamente as linhas do meu rosto, e seus olhos buscaram os meus mais uma vez.
Depois, ele me envolveu em seus braços, nossos corpos ainda entrelaçados enquanto o céu se preenchia de estrelas. Encostei minha cabeça em seu peito, ouvindo o som ritmado de seu coração, que parecia bater em sintonia com o meu.
— Eu nunca pensei que pudesse me sentir assim — confessei, minha voz baixa, mas firme.
Ele beijou o topo da minha cabeça, seus dedos brincando distraidamente com meus cabelos.
— Eu também não.
Levantei o rosto para olhar para ele, e seus olhos brilhavam com uma ternura que quase me desarmou.
— Eu te amo, Bella. — Suas palavras eram calmas, mas carregadas de uma intensidade que não deixava espaço para dúvidas.
Meu coração parecia explodir, mas não havia hesitação quando respondi:
— Eu também te amo, Edward.
O sorriso que ele me deu depois foi o mais lindo que eu já tinha visto. Ficamos ali, enrolados um no outro, enquanto o vento sussurrava histórias antigas ao nosso redor, e pela primeira vez na vida, eu me senti completa.
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A noite avançava enquanto permanecíamos deitados sob as estrelas, envoltos por uma tranquilidade que parecia suspender o tempo. Edward acariciava suavemente meu braço com a ponta dos dedos, como se quisesse memorizar cada linha da minha pele. O toque dele era um lembrete constante da conexão que havíamos acabado de compartilhar, algo tão novo e profundo que parecia surreal.
— O que está pensando? — ele perguntou, sua voz baixa, como se não quisesse perturbar a serenidade ao nosso redor.
Olhei para ele, os olhos dele refletindo as estrelas, e sorri.
— Que nunca imaginei que algo pudesse ser assim — confessei. — Não sabia que podia me sentir tão... completa.
Edward sorriu de um jeito que fez meu coração disparar novamente. Ele sempre parecia entender exatamente o que eu queria dizer, mesmo quando as palavras falhavam.
— Para mim, tudo com você é uma descoberta, Bella. Nunca pensei que pudesse existir algo tão... perfeito.
Corei, desviando o olhar para o céu. Mas ele não deixou que eu me escondesse, inclinando-se para beijar minha testa de forma terna.
— Você realmente acredita nisso? — perguntei, minha voz mais suave.
Ele segurou meu rosto com ambas as mãos, seus olhos fixos nos meus.
— Eu nunca tive tanta certeza de algo em toda a minha existência. As palavras dele me atingiram com força, mas dessa vez, eu não me retraí. Em vez disso, me deixei levar pela verdade que estava ali, entre nós, tão clara e inegável quanto as estrelas acima.
Ficamos em silêncio por mais algum tempo, apenas aproveitando a presença um do outro. O vento começava a ficar mais frio, mas o calor dos braços de Edward me mantinha protegida.
— Acho que está ficando tarde — ele disse finalmente, embora não parecesse querer se mover.
— Talvez devêssemos voltar — concordei, embora minha vontade fosse permanecer ali para sempre.
Com relutância, levantamo-nos e recolhemos a manta, caminhando de volta para o carro. A viagem de volta foi tranquila, preenchida pelo som suave de uma playlist que Edward havia criado. Suas mãos estavam firmemente entrelaçadas nas minhas, como se ele não quisesse me deixar ir.
Quando chegamos em frente ao meu prédio, ele estacionou e desligou o motor, mas nenhum de nós se moveu imediatamente. O silêncio entre nós era confortável, mas havia algo no ar, algo que eu sabia que precisava ser dito.
— Edward... — comecei, virando-me para ele.
Ele me olhou com atenção, como sempre fazia, como se cada palavra que eu dissesse fosse importante.
— Obrigada por hoje. Por tudo. — Minha voz estava cheia de emoção. — Eu não sei como colocar isso em palavras, mas você me faz sentir coisas que eu nem sabia que era capaz.
Ele sorriu, aquele sorriso que parecia iluminar tudo ao redor.
— Bella, você não precisa agradecer. Você faz o mesmo por mim todos os dias.
Ele se inclinou para mim, seus lábios encontrando os meus em um beijo suave e cheio de significado. Quando nos afastamos, senti meu coração se encher de algo que eu só podia descrever como felicidade plena.
— Durma bem, meu amor — ele disse, sua voz baixa e gentil.
— Você também, Edward.
Com um último sorriso, saí do carro e entrei no prédio, sentindo como se estivesse andando nas nuvens. Subi para o meu apartamento, deitei na cama e fechei os olhos, revivendo cada momento da noite. Pela primeira vez em muito tempo, eu estava ansiosa pelo que o futuro poderia trazer.
Os dias em Juilliard eram intensos, repletos de ensaios, aulas, e momentos de criatividade compartilhada que nos aproximavam ainda mais. O campus parecia um microcosmo de sonhos, onde cada sala de aula, estúdio ou auditório reverberava com a paixão daqueles que estavam dispostos a sacrificar tudo por sua arte. Para Edward e eu, nossos momentos no piano e violão haviam se tornado mais do que uma colaboração acadêmica. Eram nossas conversas sem palavras, uma forma de explorar nossos sentimentos e criar algo maior do que nós mesmos.
O projeto que estávamos prestes a apresentar era o coração da nossa jornada em Juilliard. Edward, com seu domínio do violão, trazia um toque de intensidade crua, enquanto eu no piano me dedicava a criar harmonias que equilibrassem sua energia. O resultado era uma peça que misturava o clássico e o contemporâneo, cheia de camadas e emoção, algo que parecia refletir perfeitamente quem éramos juntos.
— Acho que temos algo especial aqui, Bella — ele disse uma noite, depois de um ensaio particularmente inspirado.
— Eu também acho, Edward. Mas... você acha que é suficiente? — perguntei, insegura.
Ele sorriu, aquele sorriso tranquilizador que sempre parecia apagar todas as minhas dúvidas.
— Não só é suficiente, como é único. Você colocou sua alma nisso, e eu também. Não tem como dar errado.
Mesmo com suas palavras de encorajamento, eu sabia que ele estava distraído. Nos últimos dias, percebi que Edward checava o celular com mais frequência, sempre com uma expressão que alternava entre expectativa e nervosismo.
Finalmente, na tarde de uma sexta-feira, enquanto ajustávamos a última parte da nossa apresentação, o telefone dele tocou. O som ecoou pelo estúdio, cortando o ar com uma intensidade que nos fez parar instantaneamente. Ele olhou para a tela por alguns segundos, como se estivesse ponderando se deveria atender, antes de finalmente apertar o botão e levar o telefone ao ouvido.
— Alô? — Sua voz estava tensa, mas controlada.
Eu observei enquanto ele ouvia atentamente, os olhos arregalados e o corpo tenso. Então, gradualmente, seu rosto se iluminou com uma mistura de surpresa e alegria.
— Sério? Não acredito! — Ele riu, a emoção evidente em sua voz. — Sim, claro, eu quero. Obrigado. Obrigado mesmo.
Quando ele desligou, ficou parado por um momento, o telefone ainda na mão, como se estivesse processando o que acabara de acontecer.
— Edward? — chamei suavemente, sentindo meu coração acelerar.
Ele se virou para mim, os olhos brilhando.
— Bella, eu consegui. Fui escolhido para ser o vocalista da Breaking Dawn.
Minha respiração parou por um instante. A banda de rock. O sonho dele. Edward havia falado sobre a Breaking Dawn algumas vezes, sempre com entusiasmo e esperança. Ele sabia que a banda estava procurando um novo vocalista, e eu sabia o quanto ele queria aquilo, mesmo que tentasse não demonstrar.
— Edward, isso é incrível! — Sorri, tentando esconder o aperto no peito.
Ele se aproximou, segurando minhas mãos, mas seu sorriso logo deu lugar a uma expressão preocupada.
— Eles querem que eu vá para Los Angeles na próxima semana para os primeiros ensaios.
E aí estava. A parte difícil. O silêncio entre nós foi carregado, cada um de nós perdido em pensamentos. Ele começou a andar de um lado para o outro, algo que raramente fazia, claramente lutando contra alguma decisão interna.
— Bella, eu não sei se devo ir. Temos o nosso projeto, e eu... eu não quero te deixar.
— Edward... — comecei, minha voz falhando por um momento. — Isso é o seu sonho. Você não pode desistir dele por mim.
Ele parou, olhando para mim como se estivesse tentando entender o que eu estava realmente dizendo.
— Mas e nós? Eu não quero que isso nos afaste.
Engoli em seco, tentando conter a mistura de emoções que me invadia. Eu sabia que apoiá-lo era a coisa certa a fazer, mas o pensamento de vê-lo partir para o outro lado do país era quase insuportável.
— Nós vamos encontrar uma maneira de fazer isso funcionar — falei, tentando soar mais confiante do que me sentia. — Não quero que você perca essa oportunidade por medo.
Edward parecia lutar contra si mesmo, mas então, ele suspirou e apertou minha mão com força.
— Eu só vou se você me prometer que vamos nos manter conectados, não importa o que aconteça.
— Eu prometo — sussurrei, sentindo as lágrimas se acumularem.
Ele me puxou para um abraço apertado, e por um momento, tudo pareceu mais fácil. Mas, no fundo, ambos sabíamos que o desafio real estava apenas começando. O que tínhamos era forte, mas seria o suficiente para enfrentar a distância e as incertezas que estavam por vir?
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Os dias que se seguiram à decisão de Edward foram uma mistura de sentimentos. Por um lado, havia o entusiasmo contagiante dele enquanto se preparava para ir a Los Angeles, experimentando essa nova fase de sua vida. Por outro, havia o vazio crescente em mim, um aperto no peito que eu não conseguia afastar.
Nosso projeto em Juilliard estava quase finalizado. Cada ensaio parecia mais carregado de emoção, como se, inconscientemente, estivéssemos tentando colocar tudo de nós mesmos naquela apresentação. Era uma maneira de nos despedirmos de um tempo que, sabíamos, nunca seria exatamente o mesmo depois de ele partir.
Na véspera de sua viagem, ficamos no estúdio até tarde, finalizando os últimos ajustes na composição. A melodia fluía entre nós com uma facilidade que só nossa conexão podia explicar. Não precisávamos de palavras para comunicar as mudanças ou intensidades; tudo estava ali, na música.
Quando finalmente paramos, depois de horas tocando, Edward encostou o violão ao lado e me observou em silêncio. Eu estava sentada ao piano, os dedos ainda descansando nas teclas, mas sem coragem de olhar para ele.
— Bella, olha pra mim. — A voz dele era suave, mas carregada de um peso que me fez prender a respiração.
Eu levantei o olhar devagar, encontrando os olhos dourados que pareciam mais intensos do que nunca.
— Eu estou levando você comigo, sabe disso, não sabe? — Ele se aproximou, ajoelhando-se ao meu lado e pegando minhas mãos.
— Eu sei — respondi, a voz mal saindo. — Mas...
— Mas o quê? — Ele insistiu, os olhos fixos nos meus.
— Mas vai ser difícil. — A confissão veio com um nó na garganta. — Não sei como vai ser não ter você por perto todos os dias.
Edward suspirou, encostando a testa na minha mão por um momento antes de me olhar novamente.
— Eu sei. Mas, Bella, eu não quero que isso nos derrube. Vamos dar um jeito. Ligações, mensagens, visitas... eu vou fazer o possível pra estar presente, mesmo de longe.
A sinceridade na voz dele me desarmou. Eu sabia que ele acreditava em cada palavra, e queria acreditar também.
Na manhã seguinte, acompanhei Edward ao aeroporto. O clima estava pesado, mesmo com nossas tentativas de mantê-lo leve. O terminal estava lotado, mas parecia que o mundo ao nosso redor havia silenciado.
— Não vai ser um adeus — ele disse, me abraçando com força.
— Não. Apenas um até logo — respondi, sentindo as lágrimas ameaçarem cair.
Quando ele finalmente desapareceu pelo portão de embarque, senti uma onda de vazio tomar conta de mim. Mas, ao mesmo tempo, havia orgulho. Ele estava seguindo um sonho, e eu sabia que era o certo a fazer.
Dias depois
A ausência de Edward era palpável. Nosso estúdio de ensaios parecia maior e mais silencioso sem ele, e as noites em que costumávamos tocar juntos agora eram preenchidas por um vazio que eu preenchia com meus próprios exercícios musicais.
Falávamos todos os dias. Ele ligava entre os ensaios e reuniões da banda, contando sobre como era estar em Los Angeles, sobre as músicas que estavam trabalhando, e sobre como ele sentia falta de mim.
— Você ia adorar estar aqui — ele disse em uma chamada, a voz cheia de entusiasmo. — O estúdio é incrível, e os caras da banda são muito gente boa.
— Você parece tão animado — respondi, tentando esconder a saudade na minha voz.
— Estou, mas não é a mesma coisa sem você aqui.
Os dias começaram a passar mais rápido conforme a apresentação do nosso projeto se aproximava. Mergulhei no trabalho, dedicando cada momento livre à música. Não era só uma distração; era minha maneira de lidar com a ausência dele e, ao mesmo tempo, honrar o que tínhamos criado juntos.
Edward, mesmo a quilômetros de distância, fez questão de acompanhar meu progresso. Ele pedia vídeos dos ensaios, fazia anotações sobre as músicas e até sugeria ajustes que pareciam sempre certos.
Na véspera da minha apresentação, ele me ligou mais tarde do que o normal. Sua voz estava rouca, provavelmente de ensaiar o dia todo.
— Bella, eu queria estar aí amanhã.
— Eu sei. Mas é só o começo, Edward. Teremos muitos outros momentos.
— Eu amo você.
As palavras, ainda novas entre nós, aqueceram meu coração.
— Eu também amo você.
Desligamos, e por um momento fiquei olhando para o celular, deixando as palavras ecoarem no meu coração. A distância era dolorosa, mas, de alguma forma, eu sabia que estávamos mais fortes do que nunca.
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O auditório de Juilliard estava cheio, cada assento ocupado por alunos, professores e alguns convidados. O som de vozes animadas enchia o espaço enquanto os participantes se preparavam para as apresentações finais. Eu estava no camarim, ajustando minha roupa e tentando controlar o nervosismo crescente. Era a primeira vez que eu apresentaria nosso projeto sozinha, e o peso disso parecia mais real do que nunca.
Enquanto tentava me acalmar, ouvi uma batida na porta. Antes que pudesse responder, Rosalie entrou, segurando uma guitarra com confiança.
— Oi, Bella. — Ela sorriu, colocando a guitarra em um suporte.
— Rosalie? O que você está fazendo aqui? — perguntei, confusa, mas aliviada ao vê-la.
— Edward me pediu para vir. — Sua resposta foi simples, mas carregava uma carga emocional. — Ele sabia que você ia precisar de alguém para te apoiar hoje.
Meu coração deu um salto ao ouvir o nome dele, e, por um momento, fiquei sem palavras.
— Ele pediu para você tocar? — perguntei, a voz ainda incerta.
— Sim. — Ela deu de ombros, ajustando as cordas da guitarra. — Ele disse que queria garantir que o projeto fosse exatamente como vocês planejaram. E, honestamente, eu acho que ele só queria ter certeza de que você não estaria sozinha.
Senti meus olhos marejarem, mas pisquei rapidamente para afastar as lágrimas.
— Obrigada por vir, Rosalie. Isso significa muito para mim.
Ela se sentou ao meu lado, cruzando as pernas com uma postura casual que parecia natural para ela.
— Ele se importa muito com você, sabe? — Rosalie começou, a voz baixa e sincera.
Eu olhei para ela, surpresa pela mudança de tom.
— Eu sei. Eu também me importo muito com ele.
Rosalie sorriu de leve.
— Edward é intenso. Sempre foi. Mas, com você, é diferente. Ele parece mais... calmo. Mais ele mesmo.
As palavras dela aqueceram meu coração e, ao mesmo tempo, trouxeram um peso de responsabilidade.
— Eu só espero estar fazendo o suficiente por ele. — Minha voz saiu mais baixa do que eu pretendia.
— Você está. — Rosalie garantiu, colocando a mão no meu ombro. — E, só para constar, ele nunca faria nada que não fosse importante para vocês dois.
O tempo parecia correr mais rápido do que eu esperava. Antes que percebêssemos, era hora de nos prepararmos para subir ao palco. O nervosismo voltou com força total, mas a presença de Rosalie me deu um pouco de conforto.
O palco estava iluminado, e o silêncio na plateia parecia ainda mais ensurdecedor, carregado de expectativas. O calor dos refletores tornava o ambiente quase palpável, mas o que realmente pesava sobre mim era o nervosismo, uma onda de adrenalina e receio que eu tentava domar. Caminhei até o piano, cada passo ecoando como se estivesse sozinha naquele grande salão. Respirei fundo ao sentar no banco, os dedos repousando sobre as teclas frias e familiares. Era o meu momento, mas, pela primeira vez, senti que talvez não estivesse pronta.
Ao meu lado, Rosalie ajustava a alça da guitarra com a elegância confiante que parecia ser parte natural dela. Ela me lançou um olhar encorajador, um leve aceno de cabeça que dizia: Você consegue.
No entanto, antes que eu tocasse a primeira nota, o som de passos no palco fez meu coração parar por um instante. Não era parte do plano. Levantei o olhar, confusa, e lá estava ele. Edward.
Ele caminhava em minha direção com violão em mãos, seu rosto iluminado pelo mesmo sorriso que sempre parecia ter a capacidade de desmontar qualquer barreira que eu tentasse construir. A confiança em sua postura era inegável, mas havia algo mais: um brilho nos olhos que misturava cumplicidade e determinação.
— Achei que precisava de mim. — Ele disse baixo, o suficiente para que só eu ouvisse, enquanto tomava posição ao meu lado.
Minhas emoções colidiram em um instante: alívio, surpresa, gratidão. O nó na garganta parecia impossível de desatar, mas, de alguma forma, seu gesto foi tudo o que precisei para me recompor. Respirei fundo, piscando rapidamente para afastar qualquer sinal de lágrimas.
Edward posicionou o violão com uma facilidade que apenas alguém apaixonado pelo instrumento teria, e olhou para mim com aquele sorriso que dizia mais do que mil palavras poderiam dizer.
— Vamos lá. — Ele sussurrou.
As primeiras notas do piano ecoaram no salão, suaves e hesitantes, mas logo encontrei o ritmo. Minhas mãos começaram a dançar pelas teclas, o som preenchendo o espaço e trazendo uma calma inesperada. Foi então que Edward entrou com o violão, e a melodia ganhou uma nova dimensão. Sua harmonia se encaixava perfeitamente, como se tivéssemos ensaiado juntos inúmeras vezes, embora não tivéssemos feito isso em semanas.
Rosalie seguiu com a guitarra, o som elétrico adicionando intensidade e profundidade à música. Ela parecia totalmente em sintonia conosco, o que tornava a apresentação ainda mais forte, mais completa.
Quando comecei a cantar, minha voz saiu hesitante no início, mas logo ganhou força. As palavras carregavam todo o significado do que havíamos criado juntos, uma fusão das nossas almas traduzida em notas e versos. Cada acorde, cada frase parecia uma conversa entre mim e Edward, uma troca silenciosa de emoções que só nós entendíamos.
Enquanto cantava, meus olhos se encontraram com os dele algumas vezes. O jeito como ele me olhava, como se eu fosse a única pessoa naquele salão lotado, me dava uma coragem que eu nem sabia que possuía. Era como se estivéssemos sozinhos no mundo, compartilhando algo tão íntimo que ninguém mais poderia compreender.
O público estava em silêncio absoluto, absorvendo cada detalhe. Quando a última nota foi tocada, houve um instante de quietude, como se todos estivessem segurando o fôlego. Em seguida, uma explosão de aplausos encheu o auditório, como uma onda que nos envolveu completamente.
Eu olhei para Edward, e ele já estava sorrindo, aquele sorriso que parecia carregar a essência de tudo o que éramos juntos. Ele se aproximou, me puxou levemente para um abraço rápido, sussurrando em meu ouvido:
— Você foi incrível.
Senti meu coração acelerar, o som dos aplausos se tornando um pano de fundo para o momento que estávamos vivendo. Olhei para Rosalie, que também sorria, balançando a cabeça em aprovação.
A saída do auditório parecia um contraste absoluto com o calor e a intensidade do palco. O silêncio entre nós não era desconfortável, mas carregado, cada passo ecoando na calçada molhada pela fina garoa que caía. O frio da noite de Nova York mordia levemente, mas eu mal sentia a temperatura; minha mente ainda estava imersa na apresentação, no peso das emoções e, acima de tudo, na presença de Edward ao meu lado.
Quando finalmente paramos em frente ao meu prédio, Edward se virou para mim. O brilho das luzes da rua iluminava seu rosto parcialmente, realçando o olhar sério que ele me lançava. Era um contraste com o Edward despreocupado que eu conhecia, e isso fez meu coração apertar.
— Bella, preciso conversar com você. — Sua voz estava baixa, quase um sussurro, mas carregada de uma intensidade que me deixou tensa.
Eu cruzei os braços contra o frio, mas também para me preparar. Algo estava vindo, algo importante.
— O que foi? — perguntei, minha preocupação transparecendo na voz.
Ele respirou fundo, como se o que estava prestes a dizer exigisse toda a coragem que tinha.
— Eu tomei uma decisão. — Pausou, deixando as palavras pairarem no ar por um momento antes de continuar. — Vou deixar Juilliard.
Senti o ar ser arrancado dos meus pulmões. Pisquei algumas vezes, tentando entender se havia ouvido corretamente.
— O quê? — Minha voz saiu mais alta do que eu pretendia. — Por quê?
Ele passou a mão pelos cabelos, um gesto de nervosismo que raramente via nele.
— A banda está se tornando algo real. — Ele começou, os olhos fixos nos meus. — Eles querem que eu esteja lá integralmente, e eu preciso dar essa chance ao meu sonho.
As palavras eram lógicas, e eu sabia que ele estava sendo honesto. Era o sonho dele, algo que fazia seus olhos brilharem de uma forma única. Mas, ainda assim, aquilo doía.
— E onde eu entro nisso? — Minha voz saiu mais baixa dessa vez, quase um murmúrio. Não era uma acusação, mas uma pergunta sincera, cheia de medo do que sua resposta poderia significar.
Ele deu um passo mais perto, segurando minhas mãos nas dele. Suas palmas estavam quentes contra minha pele gelada, e aquele toque me trouxe uma mistura de conforto e angústia.
— É por isso que estou aqui. — Ele me olhou nos olhos, sem desviar. — Quero que você vá comigo.
As palavras dele foram como um golpe, e meu coração disparou. Nova York, Juilliard, meus projetos, meus sonhos... Deixar tudo isso para trás parecia impossível. Mas, ao mesmo tempo, havia Edward, e a ideia de ficar sem ele parecia igualmente inconcebível.
— Eu... — Minha voz falhou, e olhei para o chão por um momento, tentando encontrar clareza. — Eu preciso pensar, Edward. Julliard é meu sonho.
Ele assentiu lentamente, o rosto um misto de compreensão e ansiedade.
— Pense o tempo que precisar. — Sua voz era suave, mas havia uma urgência ali, uma vulnerabilidade que ele raramente mostrava. — Só quero que saiba que você é parte de tudo isso para mim.
O beijo que ele me deu em seguida foi diferente de todos os outros. Não era apenas paixão ou carinho; era um pedido silencioso, uma promessa e, talvez, um adeus, tudo ao mesmo tempo.
Quando ele se afastou, fiquei parada ali, vendo-o se virar e desaparecer na esquina. O mundo parecia mais frio sem ele ao meu lado, e a enormidade da decisão que precisava tomar me envolveu como uma onda.
Entrei no prédio, meus passos ecoando nos corredores vazios, e me joguei no sofá da sala. A cidade continuava viva do lado de fora, mas dentro de mim havia um turbilhão de pensamentos e sentimentos que não pareciam ter fim.
Ele quer que eu vá.
A frase ecoava na minha mente, cada repetição trazendo uma nova camada de dúvidas e medos. Abandonar tudo por ele significava mais do que mudar de cidade; significava mudar meu futuro, reescrever meus planos e confiar em algo que, apesar de real, ainda era tão novo.
Passei as mãos pelos cabelos, encarando o teto. Em algum lugar, lá fora, Edward provavelmente estava sentindo a mesma coisa. E, por mais difícil que fosse, uma parte de mim sabia que precisava encontrar a resposta — não só por ele, mas por mim também.
O que você realmente quer, Bella?
A pergunta pairou no ar, sem resposta.
10 anos depois
Os últimos dez anos foram um borrão. Às vezes, parece que cada dia passou em um piscar de olhos. Outras vezes, parece que vivi décadas desde que Edward entrou naquele palco para tocar comigo. Desde então, minha vida mudou completamente, mas, de certa forma, eu ainda carrego muito do que deixei para trás naquela noite.
Depois que Edward foi embora para Los Angeles, eu tentei seguir em frente. Ele tentou me ligar várias vezes. Mensagens chegavam quase todos os dias durante as primeiras semanas, e eu me recusava a ler. Só de ver o nome dele aparecer na tela, meu coração acelerava, e a dor de não escolher ir com ele voltava. Era como se cada toque do telefone reabrisse a ferida que eu estava tentando cicatrizar
No começo, eu dizia a mim mesma que estava correndo atrás dos meus sonhos como ele estava correndo atrás dos dele e que era o melhor para nós dois. Mas, com o passar do tempo, percebi que era mais do que isso. Era medo. Medo de não ser suficiente, medo de ser deixada para trás.
Minha mãe sempre dizia que me amava, mas sua presença sempre foi intermitente. Renée estava sempre em busca de algo — algo que não era eu. Mesmo quando ficávamos juntas, eu me sentia como uma peça solta em sua vida, como se ela estivesse comigo por pena ou por obrigação.
Quando Edward me pediu para ir com ele, tudo isso voltou à tona. A ideia de me tornar a “segunda opção” de alguém de novo era insuportável. Então, eu cortei contato. Foi mais fácil assim. Ou, pelo menos, era o que eu dizia a mim mesma.
Juilliard se tornou meu refúgio. Durante os anos que se seguiram, mergulhei completamente na música. Havia algo tranquilizador no ritmo das aulas, na pressão dos ensaios e no desafio de criar algo novo todos os dias. E, depois de nossa apresentação final — minha, de Edward e de Rosalie —, o Professor Caius me chamou para conversar.
“Você tem um talento raro, Bella,” ele disse. “Eu quero que você trabalhe comigo na minha gravadora quando se formar.”
Foi a validação que eu precisava, mas não a que esperava. Aceitar a oferta significava ficar, continuar trilhando um caminho distante de Edward.
Ainda assim, eu disse sim.
Agora, aqui estou, formada, trabalhando como compositora e pianista em uma das gravadoras mais prestigiadas do país. Crio trilhas sonoras, escrevo para artistas emergentes até para popstars e toco piano em gravações de estúdio quando necessário. Em teoria, tenho o emprego dos sonhos.
Mas, mesmo com todos os meus sucessos, há noites em que me sento ao piano e tudo o que consigo pensar é nele.
Edward e a banda Breaking Dawn estão em todo lugar agora. Não dá para ignorar. Sempre que ligo o rádio ou entro no Spotify, lá estão eles, com seus refrões marcantes e letras que grudam na cabeça. Eles têm esse som que mistura a intensidade do rock com uma melodia quase etérea, algo que só Edward seria capaz de criar.
E eu ouço. Claro que ouço. Mesmo que doa.
Há músicas que me fazem acreditar que ele ainda pensa em mim. Letras que falam sobre escolhas difíceis, sobre perder alguém e viver com isso. Mas eu sempre acabo rindo de mim mesma. É arrogante pensar que uma estrela do rock mundial ainda guarda algo por mim, não é?
Mas então, há Rosalie e Seth.
Depois que dois membros da banda saíram, Rosalie assumiu a guitarra, e Seth, o baixo. Os dois sempre tiveram esse brilho natural, e é difícil não se sentir feliz por eles. Pelo menos, foi difícil no começo. Agora, sempre que os vejo em entrevistas ou vídeos nos bastidores, sinto uma pontada de algo que nem sei como descrever. Não é inveja. É... saudade.
Eles são um lembrete constante de tudo o que deixei para trás.
Hoje à noite, estou sozinha em casa, sentada ao piano, olhando para as teclas como se elas fossem me dar respostas que eu não consigo encontrar. Nova York brilha do lado de fora da janela, mas a cidade nunca pareceu tão vazia.
Eu toquei algumas notas, mas minhas mãos logo pararam. O silêncio que se seguiu foi mais alto do que qualquer música que eu poderia compor.
Será que fiz a escolha certa?
Essa pergunta me atormenta desde o dia em que decidi não ir com Edward. E, por mais que eu tente afastá-la, ela sempre volta. Especialmente quando ouço a voz dele em uma nova música ou vejo Rosalie e Seth sorrindo para as câmeras.
Dez anos. Parece uma eternidade, mas, ao mesmo tempo, parece que foi ontem.
Fecho os olhos e inspiro profundamente. A única certeza que tenho é que preciso viver com as escolhas que fiz. Mesmo que, às vezes, elas ainda doam.
Na manhã seguinte, entrei no prédio da gravadora com meu café em mãos, pronta para mais um dia de trabalho. O andar estava animado, vozes e risadas enchendo o espaço enquanto eu me dirigia à sala de Caius. Assim que entrei, ele olhou para mim com um sorriso raro, um brilho incomum em seus olhos.
— Bella, preciso falar com você.
Deixei minha bolsa em uma cadeira e me sentei.
— Parece sério.
Ele soltou um riso curto.
— De certa forma, é. — Ele se inclinou para frente, apoiando os cotovelos na mesa. — Tenho ouvido algumas músicas suas que estão paradas nos arquivos da gravadora. Descartadas por outros artistas, mas boas. Excelentes, na verdade, como sempre.
— E? — perguntei, levantando uma sobrancelha.
— Quero que você as grave.
— Eu? — Minha voz saiu mais alta do que eu pretendia.
— Sim. — Caius manteve seu tom firme. — Sei que você se vê como uma compositora, e não estou dizendo que precisa mudar isso. Mas sua voz tem algo especial. Além disso, você já tem uma base de fãs pequena, mas fiel. Você seria uma escolha natural para lançar essas músicas e dar vida a elas.
— Não sei se isso é pra mim… — murmurei, sentindo meu coração acelerar.
— Pense nisso, Bella. O mercado está cheio de compositores que viraram artistas. Isso não significa que você vai abandonar a escrita, apenas que talvez esteja na hora de mostrar um lado diferente do seu talento, talvez seja a hora de você mesma contar a sua história.
Assenti lentamente, sem saber o que dizer. Ele parecia tão convicto que era difícil não considerar sua ideia, mesmo que tudo em mim gritasse que isso era arriscado demais.
— Vou pensar.
— É só o que peço.
Saí da sala com as palavras de Caius ecoando na minha cabeça, tentando imaginar como seria dar esse salto. Não parecia real, e eu ainda não tinha certeza se era o que eu queria.
Quando cheguei em casa no final do dia, havia um pacote esperando por mim na portaria. Meu nome estava escrito à mão, com uma caligrafia que imediatamente me fez congelar.
Com um misto de ansiedade e curiosidade, abri o embrulho. Dentro, encontrei o novo álbum da Breaking Dawn. Ele era sofisticado, com uma capa minimalista, e parecia quase intimidante nas minhas mãos. Mas foi a carta ao lado que prendeu minha atenção.
Desdobrei o papel e comecei a ler:
"Bella,
Não sei se você vai ler isso ou se vai sequer abrir o pacote, mas senti que precisava escrever.
Nos últimos anos, houve momentos em que me perguntei se tudo o que eu fiz valeu a pena. Não foi fácil deixar você para trás, e acredite, tentei entender suas razões.
Cada música neste álbum tem um pedaço de nós. Não importa o quanto eu tente, não consigo deixar essas lembranças para trás.
Espero que, de alguma forma, essas canções cheguem até você. Talvez seja o único jeito que encontrei para dizer tudo o que não consegui naquela noite. Pela última vez.
Com carinho,
Edward."
A carta deixou um peso no meu peito. Eu não sabia como responder àquilo. Talvez eu nem devesse.
Decidi ouvir o álbum, fragments era o nome, isso me causou um leve arrepio da espinha. E mesmo que parte de mim soubesse que isso poderia ser uma má ideia. As primeiras músicas eram envolventes, a energia característica da Breaking Dawn. Mas, então, uma faixa começou com uma melodia que me fez parar.
"Enquanto você estava lá fora, batendo papo procurando provas
Eu segui em frente
Enquanto você estava lá pesando as probabilidades
Eu estava implodindo a miragem.
Enquanto você estava lá fora daquele jeito
Tirei meu nome da camuflagem
Eu não estava escondido num álbum de fotos
Eu estava implodindo a miragem."
As palavras me atingiram como um soco. Era impossível não sentir que aquela música era para mim. A ideia de que ele estava me acusando de algo, mesmo que sutilmente, fez meu sangue ferver.
— Ele acha que eu estava me escondendo? Que eu não estava tentando? Que eu também não sofri? — perguntei em voz alta, embora não houvesse ninguém para responder.
A raiva e a frustração me impulsionaram de volta à ideia de Caius. Talvez ele estivesse certo. Talvez fosse hora de mostrar ao mundo — e a Edward — que eu não era apenas uma garota que escrevia nas sombras.
Peguei meu telefone, minha decisão já tomada.
— Caius, sou eu. Vou fazer o EP. Quando começamos?
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A criação do EP foi um turbilhão. As semanas se transformaram em meses de trabalho intenso, divididos entre o estúdio, a composição e o ajuste de cada detalhe. Caius tinha razão: as músicas descartadas eram boas. Eu as personalizei, ajustei letras e melodias para que se alinhassem com minhas próprias experiências e escrevi algumas novas com os sentimentos que estava sentindo. Cada canção era uma peça de um quebra-cabeça, e juntas formavam algo que era profundamente meu.
Gravar foi uma experiência diferente de tudo que eu já tinha feito. Estar no centro do palco criativo, usando minha voz e colocando minha alma em cada nota, foi assustador, mas também libertador. Cada dia no estúdio era uma batalha contra o medo, mas, pouco a pouco, fui ganhando confiança. Quando finalizei o EP, senti uma mistura de alívio e ansiedade. O próximo passo seria o verdadeiro teste: colocá-lo no mundo.
Escolhi chamar meu EP de "Lúmen". É um título curto, mas que carrega um mundo de significado. Para mim, "Lúmen" fala sobre luz, sobre a clareza que só chega depois de atravessar a escuridão. Esse processo de me encontrar, superar meus medos e colocar minha alma em cada canção foi exatamente isso: buscar e finalmente encontrar essa luz.
"Lúmen" não é apenas o nome do projeto; é o que ele representa. É introspectivo, elegante, e acho que traduz perfeitamente o que essas músicas significam para mim. Cada faixa é um fragmento dessa jornada, um reflexo da minha voz e do que carrego por dentro.
O lançamento aconteceu em plataformas digitais e em vinil, com uma estratégia modesta. Eu não era uma artista conhecida, mas Caius tinha razão sobre minha base de fãs. Eles foram rápidos em abraçar o projeto, compartilhando nas redes sociais e incentivando outras pessoas a ouvir.
Foi aí que as coisas ficaram interessantes.
Os fãs começaram a notar algo nas letras das músicas. Havia paralelos entre minhas canções e o trabalho da Breaking Dawn, especialmente em duas faixas. Minha música "This Is Me Trying" falava de arrependimentos e tentativas de reconexão, enquanto "My Own Soul's Warning", do último álbum da banda, abordava uma luta interna e o desejo de voltar para algo perdido. A semelhança temática era inegável, e a internet rapidamente fez sua mágica, conectando os pontos.
"Será que Bella Swan e Edward Cullen se conheciam antes da fama dele?"
Essa era a pergunta que começou a circular. Blogs de fãs e fóruns de música ressuscitaram rumores antigos de que nós dois havíamos estudado juntos em Juilliard. Algumas postagens mencionavam uma suposta apresentação que fizemos no final do curso — algo que, na época, não parecia relevante, mas agora estava sendo analisado com lupa.
A mídia começou a explorar a narrativa. Pequenos portais musicais publicaram artigos especulando sobre a relação entre mim e Edward. Alguns até sugeriram que nossas músicas eram uma espécie de diálogo não intencional.
"Breaking Dawn vs Bella Swan: Um amor perdido contado em canções?"
As teorias continuavam a crescer, e os fãs começaram a se dividir. Alguns achavam que tudo era uma coincidência, enquanto outros estavam convencidos de que havia algo mais profundo por trás das músicas.
Enquanto isso, eu tentava manter a cabeça no lugar. Ver minha vida pessoal sendo exposta dessa forma era desconfortável, mas, pior ainda, era a sensação de que as músicas de Edward realmente eram para mim. A letra de "My Own Soul's Warning" me atingiu em cheio:
"Eu tentei ir contra o aviso da minha própria alma
E, no final, algo simplesmente não parecia certo
Oh, eu tentei mergulhar mesmo quando o céu estava tempestuoso
Eu só queria voltar para onde você está."
Era como se ele estivesse confessando tudo o que eu já sabia, mas nunca quis admitir. O contraste com minha própria música, "This Is Me Trying", tornava tudo ainda mais evidente. Ambas falavam sobre arrependimentos, sobre lutar contra si mesmo e sobre uma tentativa desesperada de se reconectar.
Ao final daquele dia eu sentia uma inquietação insuportável dentro de mim. Olhando para a cidade pela janela, senti algo crescer dentro de mim até transbordar. Talvez fosse hora de parar de fugir. Talvez fosse hora de encarar o que deixei para trás. Mas, embora estivesse apavorada, não conseguia me arrepender da decisão.
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And I'll tell you one thing, honey
I could take the upper hand and touch your body
Flip the script and leave you like a dumb house party
Or I might just love you till the end
O dia estava frio, e a luz fraca de Nova York parecia combinar com minha inquietação. Depois de dias de hesitação, finalmente criei coragem para pegar o telefone. Consegui o número de Rosalie com uma pessoa da gravadora e respirei fundo antes de apertar o botão de chamada.
Ela atendeu no segundo toque, a voz animada como eu me lembrava.
— Alô? — perguntou desconfiada.
— Rose? É a Bella, Bella Swan.
— Bella Swan, a compositora mais famosa que conheço! Há quanto tempo!
Eu ri, um som nervoso que não conseguia conter.
— Oi, Rosalie. Espero não estar interrompendo nada.
— Claro que não. O que posso fazer por você? — Ela parecia genuinamente curiosa, mas o tom brincalhão logo surgiu. — Ouvi seu EP, por sinal. Foi uma jogada ousada. Muito bom.
Senti meu rosto esquentar, mas me forcei a ir direto ao ponto.
— Obrigada. E é sobre isso que eu queria falar… Bem, não exatamente sobre o EP, mas... sobre Edward.
Rosalie ficou em silêncio por um momento, mas quando respondeu, sua voz tinha um tom de expectativa.
— Estou ouvindo.
— Eu... queria falar com ele. — As palavras saíram hesitantes, como se admitir isso fosse quebrar uma barreira que eu tinha construído em volta de mim. — Mas não sei como.
Rosalie soltou uma risada baixa.
— Ah, Bella. Ele vai surtar. De um jeito bom, claro.
— Você acha? — perguntei, minha voz cheia de incertezas.
— Absolutamente. Edward nunca esqueceu você. — Ela fez uma pausa, como se estivesse escolhendo as palavras. — Ele teve alguns casos ao longo dos anos, mas nunca foi nada sério. Nada como o que vocês dois tinham.
O comentário me atingiu como um soco no estômago. Parte de mim queria perguntar mais, mas outra parte sabia que isso só tornaria tudo mais complicado.
— Então, o que eu faço? Não quero aparecer de repente e... causar problemas.
— Você não vai causar problemas. Na verdade, tenho uma ideia. — O tom de Rosalie ficou mais animado. — Estamos tocando no Madison Square Garden daqui a duas semanas. Por que você não vem ao show? Assim, ele já está preparado para a energia da noite, e vocês podem conversar depois.
— No Madison Square Garden? — Minha voz saiu quase como um sussurro.
— É um grande evento, Bella. Seria a oportunidade perfeita.
Hesitei, mas finalmente concordei.
— Tudo bem. Eu vou.
— Ótimo. Vou deixar tudo arranjado. — Rosalie fez uma pausa antes de continuar, o tom mais suave. — Ele ainda sente algo por você, sabe? Mesmo depois de todo esse tempo. Acho que ele ficaria feliz em te ver.
Desliguei o telefone com o coração acelerado, uma mistura de ansiedade e nervosismo que me acompanharia até o dia do show.
No show
O Madison Square Garden estava lotado, um mar de fãs agitados e luzes brilhantes. Eu estava nos bastidores, onde Rosalie tinha organizado um lugar para mim. O barulho e a energia eram quase esmagadores, mas tudo isso se tornou secundário quando a banda subiu ao palco.
Ver Edward ali foi como um choque. Ele estava exatamente como eu me lembrava, mas ao mesmo tempo, diferente. Mais confiante, mais intenso. Ele segurava o público com facilidade, cada movimento dele parecendo calculado, mas cheio de emoção.
Quando começaram a tocar "My Own Soul’s Warning", senti meu peito apertar. Era como se cada palavra estivesse destinada a mim, mesmo que eu tentasse me convencer do contrário.
O camarim estava estranhamente quieto comparado à energia que eu tinha sentido lá fora. Depois do show, Rosalie me conduziu até lá, dizendo que ele apareceria em breve. Agora, sozinha naquele espaço, cercada por instrumentos e itens pessoais da banda, me sentia uma intrusa. As luzes suaves refletiam na bancada de maquiagem, e o silêncio era interrompido apenas pelo som abafado da multidão lá fora, que ainda gritava e aplaudia.
Sentei no sofá, minhas mãos inquietas. Meu coração batia rápido, como se antecipasse algo que eu ainda não sabia se estava pronta para enfrentar. Então, ouvi passos no corredor.
A porta se abriu com força, revelando Edward, ainda usando a roupa do show, o cabelo bagunçado e o olhar intenso. Ele congelou quando me viu, os olhos arregalados por um breve momento antes de estreitarem, a surpresa sendo substituída por algo mais complicado — confusão, dor, talvez até raiva.
— Bella. — A voz dele era grave, controlada, mas eu podia sentir a tensão por trás dela.
— Oi, Edward. — Minha resposta saiu hesitante, quase um sussurro.
Ele entrou na sala, fechando a porta atrás de si, mas não se aproximou. Ficou parado perto da bancada, cruzando os braços como se precisasse criar uma barreira entre nós.
— O que você está fazendo aqui? — A pergunta foi direta, quase acusatória.
Respirei fundo, tentando encontrar as palavras certas.
— Eu precisava te ver. Precisava... falar com você.
Ele soltou uma risada curta, amarga, passando a mão pelo cabelo.
— Precisava falar comigo? Depois de dez anos? Você sumiu, Bella. Sumiu completamente. E agora, de repente, você aparece?
— Eu sei. — Engoli em seco, sentindo o peso da culpa em cada palavra dele. — Sei que demorei muito, mas...
— Não, você não sabe. — Ele interrompeu, o tom mais áspero agora. — Você não tem ideia do que foi pra mim. Eu tentei, Bella. Tentei falar com você, tentei entender o que aconteceu, mas você nunca respondeu.
A cada palavra, eu sentia como se ele estivesse arrancando minhas defesas uma por uma.
— Eu estava com medo, Edward. — Minha voz saiu mais alta do que eu pretendia. — Medo de me perder. Medo de que... de que eu não fosse suficiente.
Ele riu de novo, balançando a cabeça, mas dessa vez havia tristeza em seu rosto.
— Medo? E você acha que eu não tinha medo? Você acha que eu não lutei contra tudo isso também?
— Eu sei que errei. — Levantei-me do sofá, tentando me aproximar. — Mas eu estou aqui agora, tentando corrigir isso.
Ele deu um passo para trás, erguendo as mãos como se pedisse espaço.
— E o que você espera que eu faça? Que eu esqueça os últimos dez anos? Que eu simplesmente... aceite que agora você decidiu que é a hora certa?
As palavras dele foram como um golpe, mas eu sabia que ele tinha razão. Eu sabia que estava pedindo muito.
— Eu não espero nada, Edward. — Minha voz estava baixa agora, quase implorando. — Só queria que você soubesse que ainda penso em você. Que ainda sinto...
Ele levantou a mão, interrompendo-me.
— Não faz isso, Bella. Não diz essas coisas agora.
O silêncio que se seguiu foi pesado, cheio de tudo o que não estávamos dizendo. Ele desviou o olhar, apertando as mãos em punhos como se estivesse lutando consigo mesmo.
— Eu não sei se posso fazer isso, Bella. — A voz dele era um sussurro agora, carregada de emoção. — Ainda estou muito machucado.
Senti as lágrimas ameaçarem cair, mas as contive. Ele tinha todo o direito de sentir isso.
— Tudo bem. — Minha voz estava trêmula, mas sincera. — Eu só... precisava te ver. Precisava te dizer o que sinto.
Ele finalmente me olhou, e o que vi nos olhos dele foi um turbilhão — amor, dor, raiva, saudade.
— Eu preciso pensar. — Ele balançou a cabeça, como se estivesse tentando clarear os pensamentos. — Porque isso não é algo que eu posso resolver agora.
Assenti, dando um passo para trás.
— Eu entendo.
Edward ficou parado ali por mais alguns segundos, como se estivesse decidindo se deveria dizer mais alguma coisa. Mas, em vez disso, ele simplesmente virou-se e saiu, deixando a porta fechar com um leve estalo.
Quando fiquei sozinha novamente, o peso do que tinha acabado de acontecer caiu sobre mim. Eu sabia que essa conversa seria difícil, mas não estava preparada para o quão dolorosa seria.
Mas, ao mesmo tempo, eu sabia que precisava enfrentar isso. Mesmo que ele precisasse de tempo, mesmo que as coisas nunca fossem como antes, pelo menos agora ele sabia que eu estava disposta a tentar.
Os meses que se seguiram ao nosso encontro no camarim foram... confusos. Não houve contato entre mim e Edward, e, sinceramente, eu nem sabia se esperava por isso. Mas, mesmo à distância, não consegui evitar acompanhá-lo. A cada entrevista, a cada foto divulgada, a cada música lançada, eu tentava ler nas entrelinhas o que ele não estava dizendo.
Edward havia mudado. Era impossível não perceber. Os sorrisos fáceis que ele costumava distribuir durante entrevistas pareciam mais raros. Sua postura, antes descontraída, agora carregava uma rigidez que eu não reconhecia. Em vídeos dos bastidores, ele estava mais sério, quase distante. Mesmo no palco, onde sempre brilhou, parecia haver algo a mais — uma energia intensa, mas sombria, que antes não estava lá.
Alguns artigos começaram a apontar essa mudança.
"Edward Cullen: O astro em transformação", dizia um deles. "O vocalista da Breaking Dawn parece mais introspectivo do que nunca, trocando o charme despreocupado por uma intensidade que reflete em suas letras e performances."
Outro foi mais direto: "A banda mantém o sucesso, mas fontes próximas afirmam que Cullen está mais isolado, menos tolerante com atrasos e erros. Um perfeccionista ou alguém lidando com seus próprios demônios?"
Eu lia tudo isso com um aperto no peito. Não era difícil imaginar que ele ainda estava processando nossa última conversa. E, talvez, eu estivesse fazendo o mesmo, mas de formas diferentes.
Para mim, a música sempre foi o caminho. Então, durante esses meses, me joguei em composições. As palavras fluíam como se tivessem vida própria, e, em pouco tempo, eu tinha um conjunto de músicas que pareciam falar exatamente do que eu estava vivendo.
Caius, sempre observador, notou minha mudança.
— Essas músicas estão diferentes, Bella — ele disse, depois de ouvir as demos que gravei no estúdio. — Há uma força nelas que eu não via antes. Acho que está na hora de lançar outro EP.
Eu ri, mas sabia que ele estava certo. Havia algo nessas canções que parecia gritar para ser ouvido.
Quando discutimos qual seria o single promocional, a escolha foi óbvia. "imgonnagetyouback" era ousada, confiante, cheia de atitude. Não era uma música sobre mágoa, mas sobre decisão. Era um grito para o mundo — e, talvez, para Edward — de que eu não estava disposta a desistir.
O EP ganhou o título de "Reclaim". Não apenas porque eu queria reconquistar algo, mas porque, pela primeira vez em muito tempo, sentia que estava recuperando partes de mim mesma que haviam se perdido.
O lançamento foi recebido com entusiasmo. Meus fãs antigos abraçaram as novas músicas, enquanto um público mais amplo começou a descobrir meu trabalho. Mas foi a atenção que "imgonnagetyouback" recebeu que realmente chamou minha atenção.
Novamente os fãs ficavam procurando semelhanças, e vou ser bem sincera, eu fiz algumas letras serem sim respostas a algumas músicas de Edward, tanto antigas como as mais novas.
Não vou negar que fui um pouco sádica aqui.
E não me arrependo.
Por um tempo eu tentei não prestar atenção, mas era impossível ignorar. O público parecia fascinado pela ideia de que nossas músicas contavam uma história compartilhada. E, para ser honesta, não estavam completamente errados.
Cada vez que ouvia "My Own Soul’s Warning", era como se Edward estivesse falando diretamente comigo:
"Eu tentei ir contra o aviso da minha própria alma
E, no final, algo simplesmente não parecia certo
Eu só queria voltar para onde você está."
Minha resposta? Ela estava em cada verso de "imgonnagetyouback".
"Se vou ser sua esposa ou destruir sua vida
Ainda não decidi, mas vou te reconquistar."
Escrever e lançar o EP foi terapêutico, mas também desafiador. Era como se eu estivesse me expondo ao mundo de uma maneira que nunca havia feito antes. Mas, acima de tudo, foi uma declaração. Não apenas para Edward, mas para mim mesma.
Eu estava disposta a lutar pelo que queria. Agora só precisava descobrir se ele também estava.
Alguns dias depois
A chuva batia contra as janelas do meu apartamento, criando um ritmo constante que parecia acalmar meus pensamentos. Era uma daquelas noites em que Nova York parecia mais silenciosa, como se a cidade inteira estivesse escondida da tempestade. Eu estava no sofá, com uma xícara de chá nas mãos e o som de fundo de alguma playlist calma que eu mal prestava atenção.
Estava absorta em meus pensamentos quando ouvi a campainha. Franzi a testa, surpresa. Quem apareceria na minha porta a essa hora, no meio de uma tempestade? E sem o porteiro avisar?
Caminhei até a porta com cautela, sentindo um frio subir pela espinha. Quando abri, meu coração quase parou.
Edward estava lá, encharcado, o cabelo colado à testa, e seus olhos verdes intensos fixos em mim. Por um momento, nenhum de nós disse nada, eu mal conseguia respirar.
— Edward? — Minha voz saiu baixa, quase um sussurro.
Ele passou uma mão pelo cabelo, afastando a água que escorria, e deu um passo à frente, parando sob o batente da porta. Seus olhos não desviaram dos meus.
— Eu não conseguia mais ficar longe. — A voz dele era rouca, carregada de emoção. — Não depois de ouvir suas músicas. Não depois de tudo.
Senti o chão sumir sob meus pés. Dei um passo para o lado, deixando-o entrar. Ele hesitou por um segundo, mas então passou pela porta, pingando água no chão da minha sala.
Fechei a porta atrás dele, tentando organizar meus pensamentos, mas o silêncio entre nós parecia ensurdecedor. Ele se virou para mim, as mãos ainda tremendo, e finalmente quebrou o silêncio.
— Eu fiquei esperando, Bella. Por meses. Por anos. — A voz dele aumentou, a raiva evidente. — Você aparece no meu camarim depois de todo esse tempo, me deixa confuso, e depois desaparece de novo.
— Eu achei que você precisasse de espaço. — Minha resposta saiu defensiva, mas eu sabia que soava fraca. — Você disse que precisava pensar, Edward.
— Eu disse isso porque estava machucado! — Ele passou as mãos pelo rosto, exasperado enquanto aumentava o tom de voz — Porque eu não sabia como lidar com você depois de tudo o que aconteceu. Mas isso não significa que eu não quisesse te ver. Não significa que eu quisesse te deixar fora da minha vida de novo.
Fiquei em silêncio, sentindo a culpa e o peso de cada palavra. Ele respirou fundo, tentando se controlar, e continuou.
— E então você lança aquele EP. — A voz dele suavizou, mas havia algo quebrado nela. — "imgonnagetyouback"? É isso que você quer, Bella? Me reconquistar? Porque, se é isso, por que você demorou tanto para tentar?
As lágrimas ameaçaram cair, mas eu as segurei. Não era hora para isso. Dei um passo em direção a ele, minha voz finalmente firme.
— Eu não sabia como, Edward. Eu estava com medo. Medo de que você não me quisesse mais, medo de que tudo isso fosse uma ilusão. — Minha voz falhou por um momento, mas continuei. — Você acha que foi fácil para mim? Achar que cada música sua era sobre mim e me perguntar se você estava tão perdido quanto eu?
Ele balançou a cabeça, um sorriso amargo aparecendo.
— Perdido? Bella, eu estava completamente perdido. Todas aquelas músicas, todas as letras... Elas eram sobre você. Você sempre foi a porra da minha musa, mesmo quando eu queria te odiar por ter me deixado.
As palavras dele me atingiram com força, mas havia algo mais naquelas palavras — um amor inegável, mesmo que escondido sob a raiva e a dor.
— Eu nunca deixei de te amar, Edward. — Minha voz era baixa, mas carregada de sinceridade. — Mesmo quando eu estava fugindo, mesmo quando parecia que estava seguindo em frente, você sempre esteve lá. Sempre.
Ele fechou os olhos por um momento, como se estivesse tentando absorver o que eu tinha dito. Quando os abriu, havia lágrimas nos cantos de seus olhos, misturadas com a chuva que ainda escorria de seu rosto.
— Então por que agora, Bella? Por que só agora você decidiu lutar por isso?
Eu respirei fundo, tentando encontrar as palavras certas.
— Porque, pela primeira vez, eu não estou com medo. — Dei mais um passo em sua direção, até que estávamos a poucos centímetros de distância. — E, se ainda houver alguma parte de você que queira isso, eu estou disposta a fazer funcionar. Eu estou disposta a lutar por nós, Edward.
Ele olhou para mim por um longo momento, e o silêncio entre nós parecia conter todo o peso do mundo. Então, ele balançou a cabeça, dando um passo para trás.
— Eu ainda preciso de tempo, Bella. — Sua voz era suave, mas cheia de dor. — Não sei se posso simplesmente apagar tudo o que aconteceu. Preciso pensar, preciso entender o que isso significa para mim agora.
Assenti, sentindo meu coração apertar, mas sabendo que ele estava sendo honesto.
— Tudo bem. — Minha voz era um sussurro. — Eu espero.
Ele me olhou uma última vez antes de se virar e sair pela porta, desaparecendo nas escadas e depois na noite chuvosa. Fechei a porta atrás dele, encostando minha testa contra ela enquanto as lágrimas finalmente vieram.
Edward estava de volta na minha vida, mas o caminho para ele ainda estava longe de ser claro.
Os dias após a visita de Edward passaram arrastados. A imagem dele parado na minha porta, encharcado de chuva e cheio de emoção, era difícil de apagar da memória. Cada palavra dita naquela noite reverberava em minha mente, criando uma mistura insuportável de esperança e frustração. Ele estava lá, presente, mas ainda tão distante.
Eu tentei me concentrar no trabalho. A gravadora estava a todo vapor com novos projetos, e meu EP continuava ganhando força nas paradas independentes. Recebi convites para participar de programas de rádio e eventos menores, mas nada disso parecia real. Minha cabeça ainda estava presa àquela noite.
Algumas semanas depois
Estava uma manhã fria e ensolarada quando recebi uma mensagem inesperada. Era de Rosalie.
"Você está livre hoje à noite? Sei que tem evitado algumas coisas, mas acho que deveria vir ao show privado que estamos fazendo no Apollo Theater. Vou deixar um ingresso e um passe de bastidores para você na portaria. Pense nisso."
Fiquei olhando para o celular, indecisa. Meu coração queria aceitar de imediato, mas minha mente lembrava de todas as emoções complicadas envolvidas. Enfrentar Edward novamente não seria fácil. Ainda assim, algo me dizia que eu precisava ir.
O Apollo Theater parecia mágico naquela noite, e eu estava em um estado constante de nervosismo desde o momento em que entrei. A energia do show ainda vibrava no ar enquanto eu aguardava nos bastidores, tentando acalmar minha mente. Quando Rosalie abriu a porta do camarim e me disse que Edward queria me ver, senti meu coração parar.
Entrei hesitante. Edward estava sentado no sofá, segurando o violão como se fosse parte dele. O silêncio entre nós era pesado, carregado de tudo o que não havia sido dito nos últimos anos. Quando ele finalmente levantou os olhos para me encarar, a intensidade do olhar dele me prendeu no lugar.
— Bella. — A voz dele saiu grave, cheia de emoções que ele tentava mascarar.
— Oi, Edward. — Murmurei, tentando manter o tom firme, mas sentindo a ansiedade crescer.
Ele colocou o violão de lado e se levantou devagar. Não havia raiva em seus olhos, mas algo mais complicado — um misto de saudade, dúvida e talvez até esperança.
— Então você veio — Ele cruzou os braços, a postura defensiva, mas sua voz não era fria, apenas cautelosa. — O que você realmente quer, Bella?
Respirei fundo, tentando reunir a coragem que me trouxera até ali.
— Eu precisava te ver. Precisava... falar com você. — Disse, sentindo a pressão de cada palavra.
Ele riu, um som curto, quase sem humor.
— Falar comigo? Depois de tanto tempo? Depois de me deixar esperando e de desaparecer de novo?
— Eu sei. — Admiti, o peso da culpa em minha voz. — Sei que errei, e não espero que você esqueça isso. Mas eu precisava vir. Precisava tentar.
Edward balançou a cabeça lentamente, os olhos fixos nos meus.
— Tentar o quê? — A pergunta saiu direta, sem rodeios. — Tentar consertar tudo o que quebrou? Porque, Bella, não é tão simples assim.
— Eu sei que não é simples. — Respondi, a emoção se infiltrando na minha voz. — Mas eu quero tentar. Quero provar que ainda podemos fazer isso funcionar, se você ainda quiser.
Por um momento, ele ficou em silêncio, os olhos avaliando cada expressão minha. Quando finalmente falou, sua voz estava mais suave, mas ainda carregada de cautela.
— Bella, eu não vou fingir que não estou magoado. Você me deixou quando eu mais precisava de você. E quando você apareceu no meu camarim meses atrás, me deu esperança, mas depois sumiu de novo. — Ele respirou fundo, como se estivesse tentando manter o controle. — Não posso passar por isso de novo. Não posso te deixar entrar na minha vida só para você desaparecer outra vez.
As palavras dele doíam, mas eram justas. Eu sabia que o machuquei, e sabia que ele estava tentando proteger a si mesmo.
— Eu não vou sumir de novo. — Minha voz estava firme agora. — Eu sei que errei, mas eu estou aqui para ficar. Se você me der essa chance, eu vou fazer valer a pena.
Edward me olhou por um longo momento, como se estivesse buscando a verdade em minhas palavras. Finalmente, ele suspirou, seus ombros relaxando um pouco.
— Tudo bem. — Ele disse, sua voz mais suave agora. — Mas preciso de limites. Não quero me jogar nisso sem cautela. Vamos fazer isso devagar, um passo de cada vez.
— É tudo o que eu quero. — Respondi rapidamente, a esperança finalmente brotando em meu peito.
Ele assentiu, ainda parecendo hesitante, mas com um brilho nos olhos que não estava ali antes.
— Mas, Bella... se eu sentir que você está hesitando, se eu perceber que você não está tão comprometida quanto diz, eu não vou continuar. Não posso me machucar mais.
— Eu entendo. — Disse, sinceramente. — Eu não vou te decepcionar, Edward.
O silêncio que se seguiu foi carregado de algo novo. Não era apenas o peso do passado, mas também uma leveza — a possibilidade de um recomeço. Ele deu um passo mais perto, e eu senti o calor familiar dele.
— Então... estamos tentando de novo? — Perguntou, um pequeno sorriso se formando no canto de seus lábios.
— Estamos. — Respondi, um sorriso tímido surgindo no meu rosto.
Edward respirou fundo, como se estivesse se permitindo finalmente relaxar. E, pela primeira vez em anos, senti que estávamos no caminho certo. Não seria fácil, mas estávamos dispostos a tentar. E isso já era um começo.
As semanas que se seguiram foram... diferentes. Não houve grandes gestos ou declarações românticas. Em vez disso, eu e Edward começamos a nos encontrar de forma simples, sem pressa. Almoços rápidos entre meus compromissos e os dele, conversas que fluíam com naturalidade, mas que, ao mesmo tempo, carregavam o peso do que estávamos tentando reconstruir.
Ele manteve os limites claros. Não houve nenhum toque prolongado, nenhum beijo, e eu respeitei isso. Ainda assim, havia uma proximidade que era inegável. Pequenos momentos que pareciam nos lembrar de quem éramos antes, mas também de como éramos agora.
Foi em um desses encontros, enquanto tomávamos café em um lugar discreto no Brooklyn, que descobri algo que me fez rir por minutos.
— Então você é pai de planta agora? — Perguntei, tentando conter a risada, mas falhando miseravelmente.
Edward sorriu, aquele sorriso tímido e quase envergonhado que eu não via há anos.
— Não ria. É mais difícil do que parece. — Ele respondeu, fingindo ofensa, mas claramente se divertindo com a minha reação. — Quando começamos a turnê, eu precisava de algo que me lembrasse de casa. Começou com uma planta pequena, e agora tenho umas cinco.
— E você cuida delas sozinho? — Perguntei, ainda incrédula.
— Sim, e com dedicação. — Ele disse com firmeza. — E, antes que pergunte, sim, elas viajam comigo.
Isso me fez rir ainda mais.
— Espera... você leva suas plantas em turnê?
— Não todas. — Ele deu de ombros, como se fosse a coisa mais normal do mundo. — Mas tem uma que sempre vai comigo. É uma samambaia. Chamamos de Fernanda.
O som da minha risada fez algumas pessoas na cafeteria olharem, mas eu não conseguia evitar.
— Fernanda. Claro. — Balancei a cabeça, ainda rindo. — Isso é... inesperado, Edward.
— Eu sei. — Ele sorriu de lado. — Mas eu gosto de cuidar delas. É terapêutico.
Foi nesse mesmo dia que descobri algo ainda mais inusitado.
— E o gato? — Perguntei, pegando-o desprevenido.
Ele piscou algumas vezes, parecendo surpreso que eu soubesse.
— Como você sabe disso?
— Rosalie. Ela me contou. — Respondi, divertida. — E então? É verdade que você tem um gato?
Ele suspirou, rendido.
— Sim, tenho. O nome dele é Bowie. Ele viaja comigo também.
— Você leva o gato para as turnês? — Perguntei, tentando manter a compostura, mas já sentindo outra crise de risos chegando.
— Ele tem uma rotina, Bella. — Edward respondeu com seriedade, mas havia um brilho divertido nos olhos dele. — Ele tem uma bolsa especial para transporte, comida específica, e até uma playlist que toca para ele durante os voos.
Eu simplesmente não conseguia acreditar.
— Você é basicamente um pai dedicado, mas com plantas e um gato. — Falei, tentando conter as lágrimas de tanto rir.
Ele deu de ombros, um sorriso genuíno no rosto.
— Todo mundo precisa de algo que o mantenha equilibrado.
Foi nesses momentos que percebi o quanto Edward havia mudado, mas também o quanto ele ainda era o mesmo. Ele ainda tinha aquele jeito intenso e apaixonado, mas agora parecia ter encontrado formas de canalizar isso para coisas que o mantinham centrado.
Algumas semanas depois
Nossas conversas continuaram, e, pouco a pouco, fomos nos aproximando mais. Ele ainda mantinha os limites, mas havia uma naturalidade em nossa convivência que me fazia sentir que estávamos no caminho certo.
Certo dia, estávamos sentados em um parque, aproveitando uma tarde ensolarada, quando ele olhou para mim e disse algo que me pegou de surpresa.
— Você sabia que Bowie gosta das suas músicas?
— O quê? — Perguntei, confusa.
— É sério. — Ele riu. — Toda vez que coloco alguma música sua, ele deita do lado do alto-falante.
Eu sorri, sentindo meu coração se aquecer com o comentário.
— Isso é muito fofo. — Respondi, genuinamente emocionada.
Ele olhou para mim, os olhos brilhando com algo que eu não via há muito tempo.
— É. E, honestamente, acho que ele entende mais de música do que algumas pessoas que conheço.
Ambos rimos, e naquele momento, o mundo parecia perfeito. Não éramos exatamente o que já fomos, mas também não éramos estranhos. Estávamos nos redescobrindo, e isso era mais do que eu poderia ter pedido.
Mas, no fundo, sabia que ainda havia muito a ser dito, muito a ser resolvido. O caminho que estávamos trilhando era delicado, e tudo dependia de como iríamos lidar com as próximas curvas.
Edward me mandou uma mensagem inesperada na manhã de uma sexta-feira. O texto era simples, direto, mas carregado de significado.
"Jantar comigo hoje? Oito horas. Te pego em casa."
Meu coração deu um salto. Depois de semanas nos reencontrando em encontros casuais, ele finalmente estava marcando algo que parecia diferente. Havia algo naquele convite que me deixava ansiosa, mas ao mesmo tempo animada. Eu confirmei com um breve "Estarei pronta" e passei o resto do dia tentando controlar minha expectativa.
Às oito em ponto, Edward estava na minha porta, vestindo uma camisa preta com os primeiros botões abertos, o cabelo perfeitamente bagunçado e um sorriso suave no rosto. Ele parecia mais relaxado, mas os olhos verdes carregavam algo que eu não conseguia decifrar.
— Você está linda. — Ele disse, com um sorriso genuíno, enquanto dava um passo para trás para me observar.
Eu sorri, tentando disfarçar o nervosismo. Usava um vestido lilás, semelhante ao que havia usado na primeira vez que nos vimos anos atrás, embora isso tivesse sido uma coincidência.
Entramos no carro, e, ao longo do caminho, o silêncio era confortável, pontuado apenas pelo som suave da música no rádio. Mas, quando ele estacionou, percebi onde estávamos. Era o mesmo restaurante italiano onde havíamos jantado quando estávamos em Juilliard. Meu coração disparou.
— Edward... — Comecei, mas ele apenas sorriu.
— Achei que seria apropriado. — Ele disse suavemente, saindo do carro e abrindo a porta para mim.
O restaurante parecia menor do que eu me lembrava, mas ainda carregava a mesma atmosfera acolhedora e romântica. A mesa era quase a mesma, próxima à janela, com uma vista discreta das ruas movimentadas de Nova York.
Durante o jantar, conversamos sobre tudo — a banda, meu trabalho na gravadora, Bowie e até Fernanda, a famosa samambaia. Ele parecia mais relaxado, mais aberto, e eu me deixei levar por aquele momento, como se o tempo tivesse parado. Mas, quando o garçom retirou os pratos, Edward inclinou-se para frente, os olhos fixos nos meus.
— Bella, preciso te dizer algo. — A voz dele estava baixa, mas carregada de emoção.
Meu coração acelerou. Havia algo no tom dele que parecia tão vulnerável, tão sincero.
— Eu fiquei bravo com você. Muito bravo. — Ele começou, e minha respiração ficou presa na garganta. — Quando você me deixou naquela época, eu senti como se tivesse perdido tudo. Como se nunca fosse me recuperar. E, honestamente, achei que não iria.
Eu tentei dizer algo, mas ele ergueu a mão, pedindo para continuar.
— Mas aí percebi que o problema não era só você. Era eu também. Eu sempre fui o cara que corria atrás de tudo o que queria, mas nunca soube lidar com o que realmente importava. — Ele respirou fundo, os olhos brilhando. — E, mesmo assim, mesmo quando eu estava tentando seguir em frente, você estava lá. Em cada música, em cada palavra que escrevi, em cada momento que me pegava pensando no que poderia ter sido.
Senti as lágrimas começarem a se formar, mas me contive.
— Edward, eu…
— Não, deixa eu terminar. — Ele interrompeu, com um sorriso suave. — Eu te amo, Bella. Sempre amei. Mesmo quando estava machucado, mesmo quando achava que te odiava, no fundo, eu sabia que era amor. E quero tentar de novo. Quero fazer isso direito. Quero você na minha vida, se você ainda me quiser.
As lágrimas que eu tentava segurar caíram, mas eram de alívio, de emoção. Eu assenti, minha voz falhando quando tentei responder.
— Eu quero, Edward. Sempre quis.
Ele segurou minha mão sobre a mesa, o toque quente e reconfortante, como se estivesse prometendo que nunca me deixaria de novo.
No apartamento de Edward
Quando chegamos ao apartamento dele, minhas mãos tremiam levemente, mas não era nervosismo. Era antecipação. Ele abriu a porta, me guiando para dentro. O lugar era exatamente o que eu imaginava — simples, acolhedor, mas com toques de sua personalidade por toda parte. Havia uma prateleira cheia de plantas e, claro, Bowie, o gato, estava deitado no sofá, nos observando com desinteresse felino.
— Ele vai nos julgar o tempo todo, não vai? — Perguntei, tentando aliviar a tensão.
Edward riu, trancando a porta atrás de nós.
— Ele é muito bom nisso. — Respondeu, pegando minha mão e me puxando suavemente para mais perto.
Ficamos ali, parados na sala, apenas nos olhando. Ele tocou meu rosto com cuidado, como se ainda estivesse incerto, e eu me inclinei para ele, encorajando-o.
O beijo veio devagar, mas carregado de toda a emoção que ambos segurávamos há tanto tempo. Não era apenas desejo; era amor, saudade, arrependimento e esperança, tudo misturado em um só gesto.
Quando Edward me guiou para o quarto, o mundo lá fora deixou de existir. O tempo parecia ter desacelerado, como se cada segundo fosse um quadro cuidadosamente desenhado para nunca ser esquecido. Ele parou na entrada, como se estivesse avaliando se o que estava prestes a acontecer era real ou uma ilusão, mas logo seus olhos encontraram os meus e me convidaram para entrar.
Ele fechou a porta atrás de nós com um cuidado quase reverente, como se aquele simples gesto fosse um ritual que marcava o início de algo sagrado. O quarto era aconchegante, com lençóis macios e o leve aroma amadeirado que sempre me fazia lembrar dele. Havia um abajur aceso no canto, projetando uma luz cálida que parecia embalar tudo ao redor, tornando o momento ainda mais íntimo.
Edward parou na minha frente e, sem dizer nada, colocou suas mãos em meu rosto. Seus dedos eram firmes, mas delicados, traçando o contorno das minhas bochechas, a linha do meu maxilar e, finalmente, repousando nos cantos da minha boca. Ele me olhava com uma intensidade que era quase difícil de sustentar, como se estivesse tentando memorizar cada detalhe, cada respiração.
— Você não faz ideia de como sonhei com isso... com você. — Ele sussurrou, a voz grave, carregada de uma vulnerabilidade que ele raramente deixava transparecer.
Antes que eu pudesse responder, seus lábios encontraram os meus, mas não foi um beijo apressado. Foi lento, como se estivéssemos aprendendo a nos conhecer de novo. Havia tanto em seu toque: saudade, arrependimento, esperança. Cada movimento era calculado, não por insegurança, mas por querer prolongar aquele instante, torná-lo eterno.
Ele segurou minha mão e entrelaçou nossos dedos, levando-a ao peito. Senti o ritmo acelerado de seu coração, e era como se ele estivesse tentando me mostrar o quanto aquilo significava para ele, o quanto eu significava.
— Estou com tanto medo de acordar e perceber que isso foi só um sonho. — Ele murmurou contra meus lábios, os olhos fechados, a testa colada à minha.
Eu segurei seu rosto com ambas as mãos, fazendo-o me olhar novamente. — Não é um sonho, Edward. Eu estou aqui.
Ele sorriu, um sorriso que carregava tanto alívio quanto amor, e me puxou para um abraço. Ficamos assim por um momento, nossos corpos colados, como se quiséssemos apagar qualquer vestígio de distância que o tempo tinha colocado entre nós.
Edward finalmente me guiou até a cama, seus movimentos cuidadosos, quase solenes. Ele ajeitou uma almofada sob minha cabeça e se deitou ao meu lado, mas não me soltou. Suas mãos continuaram explorando meu rosto, meus braços, como se ele precisasse garantir que eu era real, que não desapareceria.
— Cada dia longe de você foi uma eternidade. — Ele disse, sua voz embargada.
— Eu também senti sua falta. — Respondi, minhas próprias palavras carregadas de emoção.
Ele acariciou meu cabelo, seus dedos deslizando lentamente pelas mechas enquanto seus olhos permaneciam fixos nos meus. — Você mudou tanto, mas, ao mesmo tempo, ainda é a mesma... minha Bella.
Eu sorri, segurando sua mão e pressionando-a contra meu rosto. — E você ainda é o Edward que eu amo.
Passamos minutos – talvez horas – assim, apenas compartilhando aquele momento. Cada toque, cada olhar era carregado de significados, de memórias e de promessas silenciosas. Não precisávamos de palavras grandiosas; nossos gestos falavam por si. Ele beijou minha testa, minhas têmporas, e sussurrou coisas que eu sabia que só eram ditas para mim.
A conexão entre nós era palpável, algo que transcendia o físico. Era como se estivéssemos curando feridas invisíveis, reconstruindo algo que o tempo e a distância haviam fragmentado.
— Eu te amo, Bella. — Ele sussurrou contra minha pele.
— Eu também te amo, Edward. — Respondi, sentindo o peso das palavras e sabendo que, pela primeira vez em muito tempo, estávamos exatamente onde deveríamos estar: juntos, inteiros, e finalmente em paz.
Whether I'm gonna be your wife, or
Gonna smash up your bike,
I haven't decided yet
But I'm gonna get you back
Os anos passaram como um sonho que Bella e Edward nunca quiseram acordar. Não era perfeito, mas era real, construído com cada pequena escolha, cada renúncia, cada promessa mantida. O mundo continuava girando ao redor deles, com turnês, lançamentos, shows lotados e novos álbuns, mas em seu núcleo, o amor que compartilhavam era o que realmente importava.
A Breaking Dawn continuava sendo uma das maiores bandas do mundo. Cada álbum era um sucesso, cada música um reflexo das experiências e da jornada de Edward. Mas, entre as letras intensas e os riffs memoráveis, os fãs ainda conseguiam sentir o coração dele — um coração que sempre parecia voltar para Bella.
Bella, por outro lado, se tornara uma força em sua própria carreira. Depois de lançar o EP "Handcuffed," ela descobriu sua voz como artista. O título, uma referência à letra de sua música "imgonnagetyouback," simbolizava o que sentia por Edward — um amor que a prendia, não com correntes, mas com um vínculo inquebrável. Ela era reconhecida como uma das compositoras mais brilhantes de sua geração, mas também como uma performer que capturava os corações de seus fãs.
No meio de tudo isso, Bella e Edward encontraram um lugar que podiam chamar de lar. Uma casa cercada por árvores, com um estúdio musical no porão e um quarto cheio de plantas que Edward insistia em manter. Bowie, o gato original, agora compartilhava o espaço com Ziggy, um filhote mais enérgico que parecia se divertir ao atormentar o mais velho.
E, no quarto ao lado, estava a mais nova adição à família — uma garotinha de dois anos chamada Hazel. Com os olhos verdes brilhantes de Edward e a determinação de Bella, ela era a mistura perfeita dos dois. Hazel era uma tempestade de energia e curiosidade, correndo pela casa com Bowie a reboque e Ziggy observando de longe, intrigado.
Naquela noite, enquanto a tempestade caía do lado de fora, Bella estava no sofá com Hazel aninhada em seu colo. Edward estava ao lado delas, com um violão nas mãos, dedilhando uma melodia suave. Hazel observava o pai com fascinação, suas mãozinhas tentando imitar os movimentos dele.
— Ela vai pro ramo da música também. — Edward disse, sorrindo para Bella.
— Ou algo completamente diferente. — Bella respondeu, rindo suavemente. — Desde que ela seja feliz, é tudo o que importa.
Edward assentiu, mas não resistiu a um comentário.
— Embora, com esses olhos e esse gênio, eu tenha certeza de que ela vai conquistar o mundo.
Bella riu, balançando a cabeça. Hazel sorriu para eles, mesmo sem entender completamente o que diziam, e então apontou para o violão de Edward.
— Canta! — Ela pediu, a voz doce e imperativa ao mesmo tempo.
Edward começou a tocar uma versão suave de uma das músicas mais recentes da Breaking Dawn, e Bella o acompanhou com a voz, como faziam tantas vezes. Hazel observava encantada, batendo palmas no ritmo, enquanto Bowie e Ziggy cochilavam no canto.
O tempo continuava seu curso, mas a essência de Bella e Edward permanecia a mesma. Eles aprenderam a equilibrar a intensidade de suas carreiras com a simplicidade de sua família. Hazel crescia cercada por música, amor e histórias de como seus pais lutaram para ficarem juntos.
Os fãs ainda falavam sobre Bella e Edward como "o casal lendário da música." Não era apenas pelas músicas — era pela história deles, uma que parecia estar presente em cada letra, em cada melodia. A conexão entre seus trabalhos era inegável, e os paralelos eram óbvios. O EP "Handcuffed" e o álbum "Breaking the Chains" da Breaking Dawn se tornaram ícones não apenas de sucesso, mas de vulnerabilidade e reconciliação.
Na varanda de casa, Bella e Edward estavam sentados juntos, Hazel já dormindo. O silêncio ao redor era quebrado apenas pelo som das árvores ao vento. Edward segurava a mão de Bella, seus dedos entrelaçados.
— Ainda lembra de Juilliard? — Ele perguntou, sorrindo de lado.
— Como poderia esquecer? — Ela respondeu, rindo suavemente. — Foi onde tudo começou.
Ele olhou para ela, os olhos verdes brilhando com a mesma intensidade de anos atrás.
— E quem diria que uma garota que escrevia músicas e um cara que carregava um violão acabariam assim? — Ele disse, sua voz cheia de ternura. — Você me prendeu, Bella. De um jeito que nunca quis escapar.
Ela sorriu, inclinando-se para beijá-lo levemente.
— Acho que estamos presos um ao outro, Edward. Para sempre.
Eles ficaram ali, sob o céu estrelado, sabendo que, embora o amor deles tivesse enfrentado tempestades, sempre voltava mais forte. Afinal, eles não eram apenas músicos ou parceiros — eram duas almas que, contra todas as probabilidades, encontraram o caminho de volta uma para a outra. E isso era tudo o que importava.
FIM
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