H2O: Vida de Sereia
30 A Magia da Lua
Notas iniciais
Anos depois…
A mulher andava apressada pelo cais, tentando chegar o mais rápido possível em uma das embarcações. Nem devia nem ter saído naquele dia para começo de conversa! Mas agora corria contra o tempo e contra o perigo também. Torcia para que o capitão da guarda não a interrompesse pelo caminho, mas não teve sorte, o homem era insistente em suas investidas.
— Senhorita… — o homem tentou interceptá-la.
— Agora não, capitão Nagato, eu estou muito atarefada, com licença – ela se desviou dele.
— Mas… – o capitão ainda tentou falar, mas foi interrompido.
— Ei estranha – uma voz rouca a chamou. – Está muito atarefada para um velho amigo?
A mulher de longos cabelos loiros e olhos verdes se virou para a voz que não lhe era estranha. Um homem em uma calça de alfaiataria e uma camisa branca semi aberta sorria levemente para ela e foi aquele sorriso que a deixou sem chão.
— Sasuke – ela murmurou o reconhecendo.
— Como vai? – ele se aproximou dela.
— Indo – ela respondeu, a voz amena.
— Sinto muito pela sua perda, sei como você e aquela velha eram próximas – por mais que a palavra fosse uma ofensa, foi dita em tom de carinho.
— Sabe? – ela o questionou.
Sasuke havia mudado um pouco, estava mais alto e encorpado, como quem praticava exercícios diariamente, tinha uma leve barba no rosto, o que o deixava charmoso. Não era mais aquele garoto que ela havia conhecido no final da adolescência.
— Ninguém te falou? Sou sócio do Jiraya – Sakura ficou surpresa com a informação.
— Foi sua ideia nomear de “Siren’s”? – ela o questionou, com um leve sorriso no rosto.
— De quem mais seria? – ele devolveu o sorriso e se aproximou ainda mais dela.
Sakura se afastou instintivamente. Olhou para o céu inquieta, a lua estava a espreita.
— Desculpa – ele interpretou mal o seu gesto.
— Não – ela respondeu afoita. – É só que eu preciso ir – suspirou.
— Aê Sasuke! – um cara num barco se aproximava em uma velocidade maior do que deveria naquele momento.
O cabelo platinado era familiar.
— É o Suigetsu? – Sakura reconheceu, surpresa.
— O próprio – Sasuke bufou irritado.
— Ele parece que não mudou nada – disse Sakura.
— Eu que o diga – Sasuke cruzou os braços.
Ele ia se aproximando cada vez mais rápido do cais, levando buzinadas das embarcações em volta e até um apito de alguém por perto.
— Tomou um toco Sasuke? – ele gritou enquanto espichava água em direção aos dois.
Sakura até tentou desviar, mas não adiantou, a água tocou nela.
— Seu idiota! – Sakura gritou irritada.
— Ih, calma lá, é só água – o homem que mais parecia uma criança riu.
Sakura olhou para os lados desesperada e correu em direção ao antigo barco de Tsunade.
— Espera – Sasuke pegou o braço dela.
Sakura agarrou os ombros dele.
— Me ajuda – implorou, então olhou para o mar e de volta para ele.
Sasuke entendeu num instante.
— Você… – murmurou percebendo. – Sai daqui agora – ele acenou.
E Sakura correu, pulando na água assim que conseguiu.
— Você tinha que me atrapalhar? – gritou irritado para o amigo, muitas cabeças se virando em direção aos dois, o que foi ótimo para Sasuke, assim ninguém ia perceber alguém na água, nem mesmo o capitão que parecia caidinho por Sakura.
— Foi mal, não achei que ela fosse ficar tão irritada – Suigetsu tentou se defender.
— Você não trabalha mais não? – Sasuke perguntou, mantendo o assunto.
Olhou rapidamente para onde Sakura havia corrido, torcendo para ter conseguido entrar na água a tempo, e levou o amigo a sair do barco.
. . .
Mais tarde…
Sasuke caminhou devagar entre as pedras, a explosão na ilha tempos atrás havia feito novas aberturas surgirem e com isso, novas cavernas também.
Para andar na Ilha Mako era necessário uma licença, que, por um acaso, Sasuke tinha. Como sócio de Jiraya, havia conseguido transformar a antiga lanchonete em um ponto turístico muito bem requisitado, que ficou conhecido como “Siren’s”, uma homenagem indireta, não só para a mãe, mas para outras como ela.
Com a licença ele podia ofertar uma visita guiada à Ilha Mako. Com a indicação de Tsunade havia descoberto as novas cavernas, mas jamais levava os turistas lá, o máximo que os levava era até a cachoeira e não podiam se banhar nela já que o rio onde desaguava era cheio de peixes.
A Ilha Mako agora era um patrimônio tombado e todo e qualquer um que ousasse desobedecer às leis seria severamente punido.
Sasuke ouviu algo mexer na água pela abertura próxima à caverna e escutou a voz de Sakura dizer:
— Você não deveria estar aqui.
Ele passou pela curva e viu a forma deslumbrante de Sakura na água. A longa cauda refletia o brilho da água em tons de vermelho e rosa, o cabelo dela também ficava em um tom de rosa claro, por mais que na forma humana fosse loiro. Os olhos dela brilhavam o verde do qual ele sentiu muita falta, ninguém tinha os olhos no tom de esmeralda como os dela.
— Você… ainda… – ele balbuciou.
— Sim – ela suspirou – ainda sou uma sereia.
Tsunade nunca havia lhe dito nada a respeito, como sócio de Jiraya havia se aproximado bastante da velha, mas a mulher nunca lhe disse nada.
— Senti sua falta – ele revelou.
— Sasuke, não é hora e nem lugar pra isso – Sakura tentou o impedir.
— Por favor – ele implorou – só me escuta.
— Sasuke, hoje é dia de lua cheia – ela revelou. – Eu não tenho nenhum controle quando a lua está no céu e é perigoso, você tem que sair daqui – ela pediu.
— A lua é sua amiga e sua protetora – ele se lembrou de palavras que a Tsunade disse uma vez. – Eu não tenho intenção de machucar ou ferir você – afirmou.
— E a história de caçar sereias? – ela retrucou. – De entrar pros livros de história?
— Peço perdão por tudo o que aconteceu no passado, mas é o que é: passado – ele se agachou em frente a ela. – Eu não ligo mais, pra nada disso.
— Eu queria acreditar em você – ela respondeu angustiada.
— Vamos lá Sakura, só se arrisque, me dá esse voto de confiança – ele pediu. – Vamos ser amigos.
— Amigos? – ela fez careta.
Sasuke sorriu malicioso para ela.
— Se você quiser algo a mais eu não vou me opor.
Sakura jogou água nele.
— Você é muito convencido.
Sasuke então tirou as roupas que usava.
— O que está fazendo? – a voz dela saiu esganiçada.
Calmamente, peça por peça, ficando só com a cueca, mergulhou na água ao lado dela.
— Sasuke – ela murmurou quando ele se aproximou dela.
— Eu não tenho medo – ele afirmou. – Me permita ficar ao seu lado – pediu mais uma vez.
Sakura o puxou para um abraço.
— Senti muito a sua falta – ele murmurou no ouvido dela.
— Eu também senti a sua – ela confessou.
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