Hölle

27 Extra VIII: Isle of Flightless Birds


Eleonora cruzou os braços. Ela sentia falta do peso confortante dela. Era bom ter os 3 pares extras para ajudar, mas Eleonora a queria em seus braços, onde ela tinha certeza de que a bebê estava segura. A bebê. Ela ainda não tinha um nome.

— Ela ainda tá dormindo. — Elisheva sussurrou, um sorriso no rosto, a câmera nas mãos.

— Deu certo. — Dana, que vinha logo atrás, sorriu também.

Desde o dia em que ela nascera, ninguém falava nada sem estar sorrindo. Ela tinha esse efeito sobre as pessoas. Elisheva e Dana haviam se comprometido a capturar todos os momentos da vida dela. O sono, o choro, o eventual sorriso.

A porta da frente abriu e Hiezabel se abanou com a mão livre, a outra segurava uma caixa de pizza maior que ela.

— Faye? Liv? Ella?

— Não. Nada ainda.

Nenhuma sugestão de nome parecia certa. Eleonora queria um nome curto, simples, como o de Dana (como o de ***, seu cérebro supriu a contragosto).

— Eu tentei. — Hiezabel deu de ombros e colocou a caixa na mesa de centro. Em segundos, Elisheva e Dana já estavam com fatias na boca.

Quatro pessoas paralisaram ao ouvir o choro vindo do quarto de Eleonora.

— Eu vou lá — Eleonora disse.

— Não, você cuida dela de noite. Eu vou.

Quando Hiezabel voltou com a recém-nascida nos braços, Eleonora suspirou e sentiu o peso fantasma nos seus.

— Ha, se a Elisheva fosse fácil de cuidar assim, ela teria tido um irmão. — Hiezabel balançava o bebê suavemente de um lado para o outro.

— Nojento. — Elisheva comentou do chão.

— Anna… Amma… Emma? — Todos se viraram para Eleonora, que brincava com a barra de sua camisola.

— Emma? Seu nome é Emma? — Hiezabel sorriu.

Emma Malloch. Emma Reyes Malloch..

Eleonora ainda podia ouvir as vozes exasperadas no telefone. Os pais de Amatore mandando atear fogo a tudo que era dele. O irmão dele (uma cópia dele, uma cópia do filho dele, Eleonora quase desmaiou na primeira vez que o viu) dizendo “Tudo vai ser dela, mas ela tem que ter o nosso sobrenome”, Eleonora estava tão exausta que, ela entendia Bellona, ela entendia Amatore, ela acenou com a cabeça. As duas casas, o carro, o fundo universitário que seria do Cameron. Tudo seria da Emma. Emma Reyes Malloch. Eleonora estendeu os braços em um pedido mudo. Hiezabel, os lábios franzidos, colocou o bebê em seu colo.

Eleonora podia estar imaginando o toque prolongado em seu braço, mas Hiezabel apertou as costas de sua mão também.

— Teimosa. — Ela disse antes de se sentar no tapete com Dana e Elisheva.

Ela era perfeita, desde seu cabelo enrolado, passando pelo rosto modelado como o de uma boneca de porcelana, até a ponta de seus dedos. Eleonora corria o dedo pelas bochechas, afagava os cachos macios, arrumava a roupa que não estava bagunçada. Tudo para se certificar que ela era real.

— Emma? — Ela sussurrou e os pequenos lábios se moveram em resposta. Emma era a imagem perfeita de seu pai, talvez até mais do que, e Eleonora rangeu os dentes, seu irmão.

A pequena Emma nunca conheceria seu pai, seus avós maternos e paternos, seu irmão. Eleonora segurou a mãozinha na sua. Ela sentia os olhos de Dana, Hiezabel e Elisheva nelas.

Somos só nós agora, Eleonora pensou.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.