Notas iniciais
É gente, não deu pra ficar ISSO TUDO. Mas foi o que rolou. Façam uma boa leitura e aguardem o capítulo 69 ;)

Acordei num salto, suando frio e arfando. Olhei em volta, assustada, mas não havia nada. Respirei fundo, contei até três para me manter calma. Relaxa Kate. Foi só um pesadelo, eu dizia para mim mesma repetidas vezes. Meu quarto estava escuro, e a luz branco-prateada entrava suavemente pela janela. Oh, Luna. Me ajude. Pus as mãos no rosto e lamentei por não conseguir dormir. Outra vez. Fiquei assim durante a semana inteira. Eu tinha pesadelos com Emma toda noite, lembrando da sensação horrível que foi perde-la. Fazia pouco mais de uma semana desde o ataque de Alastor e eu chorava por ela toda noite.

Para piorar, os gêmeos não facilitavam em nada. Passar dez minutos com aqueles dois era enlouquecedor, que dirá dez dias. Eu já estava me sentindo sufocada, era briga que não acabava mais. Owen falava, Jared provocava, um rosnava e o outro mordia. Deixei meu corpo cair sobre o colchão, afundando a cabeça no travesseiro e encarei o teto. Eu estava com muito sono e com muito medo de voltar a dormir e ter mais pesadelos. Não queria reviver a morte de Emma de novo. E de novo. E de novo.

Cogitei chamar Jared para passar a noite comigo, mas eu sabia que seria inútil. Eu já podia imaginá-lo dizendo: ’Você me acordou no meio da noite pra ir pra sua cama e não quer sexo? Que tipo de pessoa você é? ‘

Revirei os olhos com o pensamento. Meu medo de ficar sozinha naquela noite foi tanto que pensei em chamar Owen para ficar ali comigo, mas é claro que não fiz isso. Nós passamos esses dias em casa e pudemos conversar, mas ainda não nos conhecíamos direito. Ele insistia em tentar chamar minha atenção, me elogiava sempre que podia e de vez em quando eu o pegava me encarando sem motivo e sorrindo feito uma criança que cobiça a vitrine de uma loja de doces. Confesso que aquilo era cativante e achei que seria legal ter a chance de conhecê-lo, mas toda vez que eu me aproximava, Jared vinha e estragava tudo. Inventava desculpas para me manter longe, atrapalhar nossas conversas. Certa vez ele jogou o que sobrou do leite de seu Fruit Loops na cabeça do pobre do Owen. Aquilo rendeu poucas risadas e muita porrada no chão da sala.

Deixei meus pensamentos vagarem soltos até que meus olhos começassem a se fechar sem esforço. Eu sabia que tinha que estar bem descansada porque no dia seguinte nós três iríamos até a casa de tia Jen para que ela e Isaac finalmente conhecessem Owen. Quando o cansaço tomou conta de mim, adormeci.

***

"É muito longe a casa dessa tal de Jenna?" perguntou Owen no banco de trás.

"Não, na verdade fica na..." comecei a dizer, mas Jared me interrompeu bruscamente.

"Sim, fica muito longe. E vai ficar ainda pior se você não calar essa sua boca."

"Jared, para com isso." Eu pedi, já irritada. Minha cabeça doía, eu estava cansada e cheia de sono. Aguentar o sarcasmo de Jared era a última coisa que eu queria fazer.

"Cala a boca você também, bruxa." Resmungou ele. Bufei.

"Quanta descortesia..." Owen comentou e esticou a cabeça entre os bancos da frente para olhar para mim. "Você sabe que não precisa passar por isso, não é Kate? Eu usaria cada palavra minha só pra ver você sorrir."

Com isso, sorri.

"Eu usaria cada palavra minha pra ver você sorrir." Jared afinou a voz e fez gestos com uma das mãos, como uma boquinha abrindo e fechando, debochando do irmão. "Que nojo..."

Owen e eu lançamos um olhar reprovador para Jared e ele simplesmente nos ignorou encarando a rua à frente, serpeando por entre os carros.

"Quando é que você vai crescer, Jared?" perguntei. Ele olhou para mim e ergueu as sobrancelhas, provocando-me com um olhar arrogante.

"Está reclamando do meu tamanho, Kate? Quando foi que você ficou tão gulosa?"

Eu estava prestes a dar uma resposta, quando Owen interferiu.

"Isso é um ultraje! Não se diz tais coisas na frente de uma mulher!" Owen rebateu com seu impecável sotaque britânico.

"Ui, a rainha Elizabeth sabe falar!" Jared riu. "Toma vergonha nessa cara e para de falar que nem mulherzinha."

"Antes rainha Elizabeth do que fracassar na tentativa de ser homem." Respondeu Owen e Jared ficou em silêncio imediatamente.

Ai. Aquilo doeu em mim. Os olhos de Jared faiscaram e os músculos de sua mandíbula se contraíram assim como suas mãos que apertaram o volante com muita, muita força. Num movimento rápido, o carro voou para o lado acelerando e deu uma cortada no carro da frente que logo ficou para trás juntamente com o motorista que xingava horrores. O movimento repentino lançou Owen de volta para o banco de trás, caindo sentado em seu assento e eu tive que me segurar na alça da porta para me equilibrar mesmo estando com o cinto de segurança.

Jared estacionou na frente da casa de Jenna e assim que saímos do carro ela apareceu na porta da frente para nos receber. Jen correu na minha direção para me abraçar e parou de repente quando finalmente viu os gêmeos. Eu ri de sua expressão.

"Oh!" exclamou ela pondo uma mão na boca enquanto seus olhos dançavam de um lado para o outro, alternando de Jared para Owen e para Jared novamente. Ela soltou um arquejo que foi quase um riso. "Luna! Negativo, positivo. Positivo, negativo. Isso é de mais pra mim!"

Owen sorriu para ela e deu um passo à frente para cumprimenta-la. Jared, ao contrário, se manteve ao lado do caro, com a cara amarrada e os braços cruzados. Tia Jen sorriu para Owen, alegando estar sentindo boas vibrações e estendeu a mão para apertar a dele. Ao invés de saudá-la com um aperto, Owen tomou a mão de tia Jen e deu um beijo dócil no dorso.

"Céus, de onde você veio?" perguntou ela deslumbrada e Owen deu um risinho.

"Sabe como é. Quando uma coisa não dá certo," ele olhou brevemente para Jared, de esguelha. "A gente tenta de novo até acertar."

Jared caminhou por mim em silêncio, mas com a expressão carregada e deu um esbarrão em Owen ao passar pelo irmão.

"Vou dar uma volta." Murmurou ele, mal humorado. Eu o segui com os olhos até perdê-lo de vista quando ele contornou a casa indo em direção ao quintal de trás. Algo se remexeu em meu estômago quando tive um ligeiro vislumbre de Astaroth.

"Kate," ouvi Isaac me chamar. Ele caminhou até mim e me deu um abraço. Eu sabia que ele estava aqui, pois assim que cheguei eu vi seu Porsche Carrera prata estacionado. "Que bom que vocês chegaram. Este é o famoso Owen?"

"Agradeço pela recepção." Owen disse enquanto apertava a mão de Isaac com firmeza. Em seus lábios, um sorriso dócil.

Eu não conseguia me acostumar com aquilo. Era tão estranho.

"Vamos entrar, eu fiz cheesecake." Disse Jenna com empolgação.

Quando entramos, comemos o cheesecake que tia Jen havia feito. Eu não sabia que eu estava tão faminta até então. Mas pior que a minha fome, era o meu sono. Eu estava exausta! A conversa entre Owen, Isaac e Jenna se estendeu e eu me vi deslocada. De vez em quando Owen tentava me incluir na conversa, mas eu estava cansada demais para conseguir sustentar um diálogo que me exigisse pensar demais.

Toda a conversa foi estranhamente tranquila e só então percebi que Jared não estava por perto. Olhei para o quintal, através da janela da cozinha, mas não vi nem mesmo um sinal de Jared. Tampouco Astaroth. Um calafrio me desceu pela espinha e eu engoli em seco.

"Querida, está tudo bem?" perguntou tia Jenna. "Você está distante."

"Ah, eu só estou cansada." Esbocei um sorriso sem graça e dei de ombros. "Eu não tenho dormido muito bem ultimamente."

"Tem alguma coisa que eu possa fazer?" perguntou Owen prontamente atencioso. Sorri para ele com gratidão e balancei a cabeça. Não consegui pensar em nada que ele pudesse fazer para resolver meu problema com pesadelos.

"Estou bem. Eu só tenho tido alguns pesadelos." Confessei. "Ainda não consegui superar a perda da minha melhor amiga."

"Oh, querida." Jenna veio até mim com um sorriso gentil e me abraçou, consolando-me. "Venha comigo, vou te levar lá pra cima. Acho que eu sei o que pode te ajudar." Ela disse sorrindo.

Suspirei e concordei. Não custava nada tentar. Eu só queria que aqueles pesadelos parassem. Ficar me desgastando daquele jeito não traria Emma de volta. Eu tinha que aprender a lidar com a dor. Tia Jen me acompanhou até o segundo andar e me levou até um dos quartos, onde eu costumava ficar. Estiquei a mão para girar a maçaneta, mas ela pôs sua mão sobre a minha, sem deixar que eu abrisse a porta. Não entendi.

"Espere aqui um instante, meu bem." Ela pediu e entrou no quarto fechando a porta atrás de si, deixando-me sozinha no corredor. O que tia Jen estava planejando?

Em menos de dois minutos, a porta se abriu lentamente e tia Jenna apareceu com um enorme sorriso no rosto. Ela parou de frente para mim segurando a porta entreaberta.

"Kate, você já pode entrar no quarto." Ela disse. Eu estreitei os olhos para ela, desconfiada e o sorriso dela se alargou. "Mas por favor, tome cuidado. Ela ainda está frágil."

Han? Ela? Ela quem? Me perguntei. Eu não fazia ideia do que tia Jen estava falando. Ela se afastou, voltando para a cozinha e eu encarei a porta entreaberta, receosa com o que eu encontraria lá dentro. Eu sabia que não tinha motivo para ter medo, eu confiava na minha tia, mas alguma coisa me dizia que eu teria uma surpresa. Respirei fundo tomando coragem e entrei no quarto.

Meu coração se apertou em meu peito e meu cérebro perdeu o comando do meu corpo. Nem mesmo minha reação de choque foi capaz de conter minhas lágrimas que começaram a descer imediatamente.

"Oi, Kate." Disse Emma acenando para mim com a mão que não estava presa ao corpo por uma tala.

Senti minhas pernas fraquejarem e então caí em meus joelhos, sem acreditar no que eu estava vendo. Ela me olhou com doçura, pena e então começou a chorar também, embora tivesse um sorriso no rosto.

"Kate, não chora, porra. Eu vou chorar também." Disse ela secando os olhos. "Sai daí e em vem cá me abraçar, sua cachorra."

Eu não conseguia acreditar. Sorri para ela, e com todo o meu esforço consegui me levantar e cambalear até ela. Fui cautelosa ao me aproximar, pois a ficha ainda não tinha caído. Depois de todas as cenas terríveis que me assombraram durante aquela semana, vê-la ali, viva, na minha frente era quase inacreditável. Havia um longo corte em sua testa, seu braço estava enfaixado e havia alguns hematomas que já se curavam marcados em sua pele clara. Quando finalmente tomei coragem, pulei para cima dela para um forte abraço.

"Ai! Ai! Cuidado, Kate. Meu braço!" ela riu em meio aos protestos de dor. Afastei-me no mesmo instante em que percebi que a estava machucando.

"Desculpe." Sorri sem jeito e sequei minhas lágrimas que ainda desciam. "Senti saudade. Você não faz ideia de como eu sofri, Emma. Como sobreviveu? Eu... Eu vi você..."

"Shhh." Ela sibilou para mim. "Calma, amiga. Eu te conto a história."

Nós ficamos deitadas na cama que foi minha, uma ao lado da outra, enquanto Emma contava a história. Parece que no momento em que Alastor atirou, ela tentou se esquivar, mas ele a acertou assim mesmo em algum lugar de suas costelas. O tiro por pouco não foi letal e por causa da quantidade de sangue que ela perdeu, ela acabou apagando. Aparentemente ela foi resgatada pela polícia rodoviária que estava passando por perto e acordou no hospital. Eles perguntaram sobre a identidade dela para encontrar os parentes dela, mas ao invés de chamar seus pais, ela chamou Jenna que a levou para casa depois que ela recebeu alta no hospital.

"Jenna tem cuidado de mim desde então." Concluiu ela.

"E por que ninguém me disse nada? Eu sofri essa merda toda à toa?" perguntei indignada.

"Claro que não! Agora eu tenho certeza que você me ama." Ela disse em tom brincalhão.

"Vadia." Resmunguei.

"Só nos fins de semana." Ela piscou para mim e nós rimos. Agora que a tensão havia sido quebrada entre nós, eu estava me sentindo bem mais tranquila e relaxada.

"Me conta uma coisa." Emma disse depois de um tempo que ficamos em silêncio. "É verdade essa história de gêmeos?"

"É sim." Sorri.

"Como é o outro?" ela quis saber. "É tão gostoso quanto Jared? É cachorro também?"

"Não." Respondi com um olhar cúmplice.

"E você já deu pra ele?"

"Emma!"

"O que foi?" ela ergueu sua mão boa em sinal de rendição e forçou um olhar inocente. "Esse gêmeo pode ser sua chance de não se iludir com um babaca e ainda assim manter o tesão."

"Você é ridícula. Eu nem o conheço direito." Declarei. Não era só isso. Eu não sabia se podia abrir mão de Jared assim facilmente. Por mais que ele fosse um babaca, aquilo me parecia errado. Não por Jared, mas por Owen.

"Mas você conhece Jared o suficiente pra saber que ele não presta. O que te leva a pegar o outro."

"Eu não vou pegar o Owen. Tira essa ideia da cabeça." Eu disse com firmeza. Emma grunhiu.

"Isso é um desperdício, você sabe. Dois gostosos: orgasmos múltiplos." Ela disse sorrindo e fez uma pausa pensativa. "Pensando bem, isso me parece muito bom. Você devia tentar. Por que não?"

Revirei os olhos e suspirei extasiada. Era bom ter a Emma de volta.

"Quando vou poder ver esse tal de Owen?" perguntou ela.

"Quando você quiser. Ele está lá em baixo." Respondi.

Emma ergueu as sobrancelhas.

"O que estamos fazendo aqui? Vamos descer já!" disse ela se levantando.

"Emma, não pode ir. Você precisa descansar." Eu a repreendi.

"Eu estou aqui deitada há horas!" ela bufou. "Jenna disse que eu preciso me exercitar de vez em quando. Não saí da cama hoje, então essa é a oportunidade perfeita."

Ela foi até a porta e eu me levantei para acompanha-la. Quando a alcancei, ela me impediu.

"Não." Ela disse seriamente pondo a mão na minha frente, fazendo-me parar. "Você fica aqui. Estou vendo seu estado, você tem que dormir um pouco."

"Eu não vou deixar você descer as escadas sozinha, Em." insisti e deu um passo à frente. Com o dedo indicador ela me empurrou um passo atrás.

"Não se preocupe. O seu amiguinho Owen pode me ajudar com isso." Ela sorriu. "Vamos ver se ele é tão cavalheiro como você diz que ele é."

Rolei os olhos para ela, mas não insisti. Era inútil debater com Emma. Ao invés de me desgastar ainda mais, voltei para a cama. Joguei-me sobre o colchão e fechei os olhos sentindo o cansaço pesar sobre meus ombros. Dessa vez, eu não me sentia perturbada, pois sabia que Emma não estava longe e estava a salvo. Naquele momento de paz, permiti-me relaxar e então o sono me envolveu.

Acordei com o barulho da porta se abrindo. Rolei para um lado e abri os olhos. Com a visão embaçada, tudo o que vi foi a fresta de luz que entrava pela porta aberta e um vulto.

"Em?" chamei.

"Não." Respondeu uma voz gutural e masculina. "Melhor. Jared."

"Jared?" perguntei, meio tonta. "Onde esteve?"

"Por aí." Respondeu ele brevemente. Ele tirou os sapatos jogando-os em qualquer canto e fechou a porta deixando o quarto completamente escuro.

No breu total perdi sua silhueta e tudo o que eu pude fazer foi sentir sua presença. Ouvi seus passos se aproximando e logo ele estava deitado ao meu lado, sem camisa. Ele se deitou, mas não me tocou. Apenas ficou lá, deitado, em silêncio. Aos poucos minha visão foi se acostumando ao escuro e eu pude ver seus contornos. Ele estava sério, encarando o teto, com a cabeça repousada sobre as mãos. Aconcheguei-me ao seu lado e ele se mexeu, mas não me afastou.

Deitei minha cabeça sobre seu peito quente e fiquei ali durante o tempo, apenas ouvindo seu coração bater. Comecei a alisar a pele suave de seus tríceps com a ponta dos dedos e seus batimentos cardíacos se descontrolaram. Ele prendeu a respiração e a soltou devagar, sem fazer qualquer movimento.

"Jared." Eu o chamei, sussurrando.

"Hm."

"Onde você estava?" perguntei outra vez e estiquei meu pescoço para olhar para ele.

Ele deu um longo suspiro e me olhou de volta. Ficamos nos encarando enquanto seus olhos verdes se perdiam em pensamentos. Ele me surpreendeu com um beijo lento e firme e me puxou para cima para me moldar a ele, nivelando-nos. O beijo começou a acelerar e a ficar mais intenso. Quando ele começou a tirar minha blusa, eu o impedi.

"Jared, por favor. Não desvie da pergunta." Insisti e ele grunhiu.

"Eu estava resolvendo uns assuntos com Astaroth. Fazendo planos." Ele disse com desdém.

"Planos?" franzi o cenho sem entender. "Que tipo de planos?"

"Eu tomei uma decisão." Ele disse. "Eu vou para o inferno. Vou atrás de Harahel."

Notas finais
Eai? O que acharam? Mandem suas dúvidas, sugestões, desabafos, o que quiserem. MAS POR FAVOR, COMENTEM! EU TENHO FOME DE REVIEWS! Sério gente, participem da fic com a gente. É muito motivador quando vocês falam com a gente. Não se esqueçam das plaquinhas. Ainda tem muita gente que não mandou plaquinha "eu amo/leio híbrido". Sejam criativos e mandem para a gente pelo Tumblr (shipkatered.tumblr.com) ou tt (@beijared). PS: A Musa pediu desculpas pela ausência dela por aqui. Ela anda tendo problemas com o celular e por isso não tem respondido aos reviews. Mas ela lê tudinho e fica muito feliz. Beijared a todos ~Monique ;*