Pequenos hábitos faziam a rotina dos dois. O apartamento pequeno não era problema quando dividiam as noites e as manhãs seguintes. Os hábitos que encaixavam-se na rotina, o sorriso de Yatake pela manhã ao se aproximar lhe tocando o queixo antes de abraçá-lo durante o banho. A verdade era que o apartamento pequeno não atrapalhava o convívio, pelo contrário. Podiam se banhar muito próximos um do outro, tinham a desculpa de dividirem o sofá, ficando agarradinhos enquanto viam alguma programação na tv, e mais que isso. O fato de dividirem a cama certamente não era por conta do espaço, longe disso.

Haruki sorriu sentindo os lábios tocar seu pescoço, arrepiou-se quando a língua passou na pele molhada pelo banho, arfou quando as mãos de Yatake deslizaram até sua cintura. Pequenos gestos, hábitos, rotina. Era feliz assim, sabia o que esperar e não se decepcionava com Yatake. Fosse em momentos como aquele onde se permitiam um pouco mais da intimidade conquistada para dar asas ao tesão matinal, fosse em momentos mais castos. O que, definitivamente, não era a opção da vez. Não quando embaçavam o vidro do box, quando gemiam em uníssono e guiavam os corpos ao frenesi do orgasmo. Mas a pureza vinha durante o café, enquanto espremiam-se na cozinha pequena, Haruki preparando o café enquanto Yatake fazia as torradas para degustarem um momento à dois.

O café sempre seguia num silêncio confortável, em dedos que vez ou outra entrelaçavam-se, porque havia intimidade para isso. Em sorrisos um para o outro, em toques suaves de dedos na tez. Hábitos de uma boa vida, de uma feliz. Hábitos que Haruki passou a amar, a desejar, coisas que sempre quis.

— Nos vemos mais tarde. Que tal jantar fora hoje?

— Comemorando algo? — Haruki mantinha os olhos as peças de roupa que colocava para secar, sentia de novo os braços à lhe envolver a cintura, os lábios a selarem um beijo em sua nuca.

— Sim, todos os dias eu tenho o que festejar, afinal, tenho você.

Era aquela leveza, aquela vida feliz que ele tanto almejou, e enfim encontrou com Yatake. Nos braços daquele que foi seu verdadeiro amigo quando o seu pequeno e fragilizado mundo parecia ruir. Quando após a atrocidade se abater sobre ele, não desistiu de ficar ao seu lado e fazê-lo feliz.

— Jantamos fora então. — O sorriso iluminava o rosto, a casa, trazia brilho À vida de Yatake que se via cada vez mais apaixonado por Haruki.

Claro que o jantar não foi “só” uma comemoração por ter Haruki em sua vida, mas também um pedido para que ficasse de vez, com direito a alianças numa caixinha de veludo, e um pedido emocionado de joelhos.

Enfim, Haruki tinha a vida feliz, e com o tempo havia adquirido os hábitos de felicidade.

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