Notas iniciais
ENTÃOOOOO ME DESCULPEM, SÉRIO, PELO TEMPÃO QUE EU FIQUEI FORA!!!!! Sério gente... é que minhas aulas começaram e eu fiquei SUPER ocupada por uns tempos, então não consegui escrever. Eu não iria apenas abandonar a fic assim, então nem se preocupem com essa possibilidade!!! Eu AMEI esse capítulo. Sério. É muito triste, mas essencial pra história. Espero que vcs gostem, e até o próximoooo :) :) :)

E Ela me disse o que fazer. A Lua gigante, brilhante no céu me deu as respostas que eu tanto precisava, as memórias que eu necessitava ter de volta.

Ela apenas não tinha me dito que isso iria me horrorizar.

Quando chego na escola no outro dia, já sei que o tormento das lembranças que a Lua me trouxe iriam tornar meu dia horrível. Tudo o que eu precisava era passar despercebida por todos, assistir a minhas aulas e voltar para casa. Eu nem ao menos tinha encontrado Anna naquela manhã, já que havia saído correndo para pegar o ônibus antes que qualquer um acordasse.

Anna. Se eu visse ela hoje, iria desabar.

Tento não pensar sobre isso enquanto pego o que preciso em meu armário. Ao abrir a porta, vejo a foto de nós duas quando éramos pequenas, a foto que ela havia insistido para que eu colocasse ali. “Para que você sempre lembre de mim!”, ela disse, ao me dar a foto. Olho para a versão mais nova de mim mesma, sorrindo alegremente e abraçando minha irmã. Aquilo com certeza tinha acontecido antes do acidente, antes que tudo mudasse entre nós.

Fecho a porta com força, tentando bloquear as lembranças que me assaltam com força agora. É quando vejo Jack chegando, com o sorriso habitual de sempre. Mas eu não posso encontra-lo, não agora. Por isso eu apenas viro as costas e saio, rápido. Tento ignorar sua voz me chamando, confusa. Tento não pensar em como ele pode ficar magoado com isso, e machucado.

De qualquer forma, tudo o que eu seria capaz de fazer, independentemente de como eu o tratasse, seria machuca-lo. É só disso que sou capaz.

******

Na sala de aula, é um esforço absurdo tentar controlar meus poderes. Aparentemente tudo o que eu tocava congelava. Jack, depois de algumas tentativas frustradas em falar comigo, sentou do outro lado da sala. Tento focar na aula, mas não consigo. Meus pensamentos não param de voar para longe. Começo a me sentir sufocada naquela sala de aula, rodeada pelo conjunto de lápis e canetas congeladas em minha mesa. Levanto rapidamente e vou ao banheiro, tentando me distrair.

Olho meu reflexo cansado, envelhecido, no espelho. Tento respirar e ficar calma, controlando as lágrimas que virão qualquer hora. É quando percebo uma garota saindo de um dos boxes.

– Ah, Elsa – ela diz, sorrindo. – Olá, Rainha.

Olho para ela, confusa. Ela me parece estranhamente familiar, mas não consigo entender se é de uma maneira boa ou ruim. Seu sorriso é malicioso.

– Oi – digo, pigarreando – Você quer alguma coisa?

Ela se aproxima de mim. Tento me afastar, mas ela chega cada vez mais perto. Só então que me lembro que ela é uma das meninas rindo de mim outro dia, enquanto eu beijava Jack.

Mas nem consigo formular as ideias direito, porque ela me empurra para o chão.

– Escuta aqui, você vai desistir dessa competição, está entendendo? – ela grita, olhando-me furiosa lá de cima – Você não é ninguém aqui, e você não vai ser Rainha, entendeu? Não tem lugar para você aqui.

– O que você quer dizer com isso? Eu não estou nem tentando ganhar, e não sei por que isso te ofenderia... – Por mais que eu tentasse argumentar com ela, a garota só parecia ficar mais brava.

– Aparentemente estão gostando de você e seu namoradinho. Não entendo, você é tão nada aqui. Toda estranha pelos corredores, uma aberraçãozinha.

Ela frisava cada adjetivo referente a mim, numa clara tentativa de tentar me ofender ainda mais. E sim, aquilo me afeta, mas não da maneira como ela pensa.

Porque meus pais podem achar que sou uma aberração.

Eu mesma posso acreditar firmemente que sou uma aberração.

Mas aquela garota que nem ao menos sabe de meus poderes, que aparentemente me odeia por causa de um baile estúpido... Ela não tem o direito de achar isso.

Me levanto, ardendo por dentro e totalmente desequilibrada. Congelo o chão, e ela escorrega.

– Como... o que... – ela balbucia, mas eu a ergo pela blusa e a coloco contra a parede de gelo pontiaguda que crio. Seu olhar é completamente arregalado agora, e ela parece perceber quem está por cima. Eu quero machuca-la, quero que ela saiba do que sou capaz. Quero que perceba que sou forte, que tenho poderes que me tornam diferente, perigosa. Que eu não sou frágil como ela acredita, como todos acreditam.

Com minha mão na frente de seu rosto, pronta para atacar, eu ouço a porta abrir.

– Elsa? – é a voz de Anna, fraquejante, insegura. Assustada.

É quando me dou conta do que eu fiz. Do risco que estou correndo. Eu revelei meu segredo.

– Anna... Calma... – digo, me virando para Anna. Ela parece confusa, seus olhos cheios de lágrimas.

– O que é isso?! Você ia machuca-la??

– Não é bem assim, você não entende – tento tocá-la, mas ela se afasta e vai até a garota caída no chão. – Anna, por favor, me deixe explicar...

Mas ela não quer que eu a explique nada, eu tenho certeza disso. Ela sabe por si própria. Sabe que sou um monstro. Sabe do que sou capaz.

Tento não imaginar a cena que ela viu ao entrar no banheiro. Tento não pensar nas consequências do que estou prestes a fazer, nas pessoas que deixarei para trás, em Jack... Mas, mesmo assim, eu faço. Me viro e saio correndo o mais rápido que posso. Passo pelo pátio da escola, e finalmente pelo portão principal. Não deixo que ninguém me segure, e apenas fujo, percebendo que não há espaço para mim nesta vida, neste mundo normal.

Enquanto corro, as lembranças inundam minha mente. Eu e Anna, crianças, brincando no gelo. O momento de distração que me faz acertá-la bem na cabeça, deixando-a inconsciente. Meus pais vendo a cena, e sua voz ríspida e desesperada me perguntando o que eu tinha feito. Sua aflição. Aquela cena horrível que o Homem da Lua tinha me mostrado, e que eu sabia não ser um sonho e, sim, uma lembrança.

Eu já tinha machucado minha própria irmã, quantos outros eu ainda não seria capaz de machucar? Eu era um monstro, e Anna sabe disso. Por isso eu corro, com lágrimas nos olhos, visando as montanhas distantes ao longo do horizonte.