Há beleza no inverno
12 Compreendendo o não esclarecido
Notas iniciais
Tudo na minha cabeça está confuso. Tento confortar a menina em meus braços, enquanto procuro assimilar tudo o que acabou de acontecer. Mas era simplesmente coisa demais para se pensar.
Quer dizer, se eu realmente vi tudo o que eu achava que tinha visto, quer dizer que minha irmã escondeu algo de mim todos esses anos. Algo muito sério. Algo como ela ter alguma espécie de super poder e nunca ter demonstrado.
Ao mesmo tempo em que tentava entender o porquê de ela nunca ter me contado nada, procuro algum sinal de que Elsa não era, nem nunca foi, uma garota comum. E meus conceitos sobre ela começam a mudar à medida que eu percebo que todo o muro que ela construiu a sua volta esses anos todos não estava ali à toa. E que ela se distanciava de tudo e todos, inclusive de mim, porque se sentia diferente. E ela realmente era diferente.
Como sua irmã mais nova, eu sempre a admirei de longe. Eu a vi crescer e tornar-se cada vez mais bonita, inteligente e com uma aura de perfeição ao seu redor. Sempre me considerei completamente ordinária perto dela, mas nunca cheguei a sequer imaginar tudo o que ela deveria sentir por dentro.
E, apesar de ela ter tentado machucar a menina que estava tremendo agora em meus braços, eu sabia que ela não era perigosa. Não, essa não era ela.
– Você disse que a Elsa... sabe... criou gelo? Com as mãos??
– Sim... foi tudo muito rápido. – diz a menina. – Mas, sabe, eu meio que a provoquei. Eu não queria isso. Todo mundo acha ela meio esquisita, mas eu não tinha ideia do que ela era capaz. Mesmo. Eu...
– Ta bom, ta bom, acalme-se! –digo, quando ela começa a chorar. – O que exatamente você disse para ela?
Ela limpa as lágrimas com as costas das mãos, dizendo:
– Eu... meio que a chamei de... Eu disse que ela era uma aberração.
Tento engolir a raiva que aquilo me causou, e penso em como minha irmã deve ter se sentido neste momento. Ter passado a vida inteira se escondendo e se sentindo uma aberração, e depois ouvir isso de outra pessoa!
– Escute, você não pode falar pra ninguém o que aconteceu, está bem? – digo, olhando bem fundo nos olhos dela. – É sério, isso poderia causar uma repercussão horrível na vida da minha irmã e eu não quero isso. Entendeu?
Ela faz que sim com a cabeça.
– Acho que eu nem conseguiria dizer para ninguém. Eu entendo que eu a provoquei , e estragar a vida dela não seria uma boa maneira de pedir desculpas.
Assim que ela se sente melhor, eu percebo que preciso conversar com Elsa. Eu não tinha visto para onde ela tinha ido depois do incidente no banheiro, mas sabia que, com certeza, ela não estaria na sala de aula. Talvez ela não esteja mais nem no colégio.
Vou vagando confusa pelos corredores, tentando me concentrar em encontra-la, quando esbarro em alguém.
– Ai meu Deus, me desculpa! Eu não vi por onde eu ia e...
– Anna, sou eu. – diz Jack Frost, rindo – Está tudo bem?
Dou um gritinho de alegria. Ele saberia onde Elsa poderia estar!
– JACK! Minha nossa, eu preciso muito da sua ajuda. Eu não consigo...
– Você está procurando a sua irmã?
Olho para ele, sentindo um peso em meu estômago.
– Eu... achei que você soubesse aonde ela estava.
E é então que eu percebo o ar pesado que seu rosto carrega. Ele parecia cansado, preocupado. Triste.
– A Elsa... ela vem me evitando. Eu não sei bem por que... Ela saiu meio que correndo da nossa sala de aula, e eu senti que havia algo errado, mas não quis incomodar. Mas ela estava demorando muito para voltar e então eu... – sua voz começava a ficar pesada, contida. – Eu tive que vir atrás dela, mas não consigo saber onde ela foi.
Eu respiro fundo, tentando me controlar. Se eu ficasse desesperada nenhum de nós conseguiria encontra-la, e tudo seria muito pior. Percebo que eu teria que confiar em Jack, e contar o que aconteceu.
– Ela perdeu o controle!? – exclama, quando termino de contar toda a história.
– Não foi culpa dela, Jack, por favor não veja ela como uma aberração...
– Anna, relaxe, eu já sei. – ele diz, esboçando um sorriso – Eu sei dos poderes dela, e sei que ela nunca iria querer machucar ninguém. E que ela se considera um monstro por ter nascido assim. E eu... tenho os mesmos poderes que ela, sabe?
Ele ri quando vê que eu arregalo muito os olhos.
– NOSSA! Faz então MUITO sentido vocês estarem juntos! Quer dizer, vocês devem se gostar por outros motivos também... eu quis dizer que...
– Eu entendi Anna. – ele sorri – Eu estava tentando ensiná-la a controla-los, sabe, mas ela só é capaz de encontrar um equilíbrio sozinha. Ela tem que encontrar a resposta por ela mesma. Seu próprio jeito de controlar seus poderes.
Suspiro, cansada.
– Então, você acha que nós não deveríamos ir atrás dela?
– Não, Anna, eu acho que você deveria ir atrás dela. Vocês duas tem muito o que conversar. E se... – ele hesita – se ela quiser voltar, se quiser me ver, ela voltará.
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