Há Um Deus Chamado Enel

1 Capítulo 1 - Há um Deus que eu amo


Notas iniciais
Primeiro capitulo, há muita explicação sobre algumas coisas que possibilita a quem não assistiu a saga entender.

“Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?”

Fernando Pessoa

Se você olhar para o céu talvez não possa ver, talvez não consiga nem imaginar, mas Bilka está lá, uma cidade sobre as nuvens. A visão mais próxima do que vocês chamam de céu. A mais de dez mil pés sobre o mar abaixo, o mar onde os piratas reinam você poderia achar uma cidade construída sobre um lençol de nuvens.

Eu caminhava saltitante por entre as árvores da floresta celestial, meus longos cabelos ruivos ao vento que balançava meus cachos e o meu vestido branco. Eu olhei para trás e vi ele me seguindo serio, Enel não costumava sorrir muito, ele sempre foi do tipo serio, mas, no fundo era um cara legal. Eu sorri para ele, minhas covinhas se realçaram, ele apenas esboçou um sorriso e continuamos andando.

Andamos mais um pouco até chegar à praia, ele se aproximou, eu o olhei nos olhos “o seus olhos são tão lindos” ele disse, depois nos beijamos ao por do sol. Seus lábios eram quentes, e eu sentia meu corpo se arrepiar ao beija-lo, como se estivesse tomando um choque. Ele passou os braços fortes pela minha cintura delicada apertando levemente, eu passei os meus braços por cima dos ombros dele acariciando sua nuca. Ele era o cara perfeito pra mim, até mesmo em seu silencio eu sabia que ele era demais.

Eu diria que estava me sentindo no céu, se não estivesse no céu de verdade, mas, como pode uma cidade sobre uma nuvem? Eu não sei explicar exatamente como descobriram tal façanha, mas há diferentes tipos de nuvens e tendo esse conhecimento qualquer coisa pode ser feita: as nossas casas, os nossos veículos, nossas ferramentas e tudo mais. As nuvens mais densas são nosso solo e as menos densas nosso mar, o mar branco.

- Então o que você quer fazer a noite? – Ele perguntou enquanto alisava meus cabelos.

- Não posso sair hoje, Deus vai à minha casa visitar meu pai, eles são velhos amigos sabe, vou ter que estar lá. – Disse porem queria mesmo dizer “vamos pra qualquer lugar que você quiser”.

- Okay então, deixamos tudo pra amanhã. Não dá pra contrariar a presença de Deus, né? – Ele disse sarcasticamente porem eu senti uma pitadinha de ciúmes.

Mas espera, “Deus vai à minha casa”? Sim, você entendeu direitinho. Outra coisa que temos aqui que não há em nenhum outro lugar é um Deus. Não um Deus como os que muitos conhecem, ou melhor, desconhecem que nunca viram e só possuem por fé. O Deus da cidade do céu é alguém como nós, não exatamente como nós, alguém com um poder muito além do nosso, que nós proteja dos invasores do mar abaixo e que nos guie com sabedoria.

- Mas, se você quiser, pode passar lá em casa depois que ele se for, eu vou fazer a sobremesa, posso guardar um pedaço pra você. – Disse sorrindo como sempre.

- Já que você pediu com tanto carinho, talvez eu não deva recusar. – Sabia que ele não recusaria, ele amava doce, a torta de maça era sua favorita.

O Deus de Bilka habitava um templo em uma nuvem acima da nuvem onde estava cidade principal. O templo era uma construção extraordinária que abrigava alem de Deus seus sacerdotes e o grupo dos 50 combatentes, um pequeno exercito que defendia Bilka de invasores.

O atual Deus de Bilka era Purana, um homem de meia idade, já estava há algum tempo no poder e fazia um ótimo trabalho, não tínhamos problemas com viajantes invasores nem com problemas internos, ele sempre tinha uma solução diplomática para tudo. O povo o amava e ele me amava. Esse era o motivo para os ciúmes de Enel.

- Então Shanti, ele vai à sua casa hoje... – Enel começou, mas eu já sabia exatamente o que ia dizer. -... Ele ainda está com essa ideia louca de se casar com você?

- Espero que não, já faz um tempo desde que ele tocou nesse assunto. – Sentamos nas nuvens a beira do mar branco. – Ele disse que queria ver meu avô, saber como ele tá.

- Espero que seja só isso, eu não quero ter eu lutar com ele por isso. – Enel disse olhando pro mar.

Ele era bem confiante em sua força. O olhei de cima a baixo mais uma vez. Enel era bem alto e muito forte, seus músculos eram salientes, sua barriga definida e braços grandes, de certo força física ele tinha de sobra, mas, precisaria mais do que isso para vencer Purana, afinal ele era Deus, mas, já havia algum tempo que Enel tinha ganhado tanta confiança.

Eu conheço Enel desde sempre e antigamente ele era bem mais frágil, pode-se dizer. Faz uns cinco anos desde que tudo mudou. Foi quando aqueles piratas chegaram aqui, ele me contou uma vez, ele pegou algo no navio daqueles piratas que havia mudado sua vida, mas ele nunca me disse o que foi. Desde então ele sai algumas vezes na semana para treinar, algumas vezes ele vai até para o ar abaixo das nuvens, diz que lá tem mais espaço para mostrar todo seu potencial.

- Você acha mesmo que poderia derrotar Deus? – Perguntei mesmo sabendo a resposta.

- Você sabe que eu posso, eu venho treinando duro, um dia eu vou ser o deus de Bilka e depois agente vai realizar o seu sonho. – Ele disse voltando os olhos para o horizonte onde a lua subia lentamente. – Agente vai poder ir para Fairy Vearth, a terra dos sonhos. – De fato esse era o meu maior sonho, ir para a terra dos nossos ancestrais.

Havia uma lenda no nosso povo que dizia que há muitos anos o povo de Bilka vivia em Fairy Vearth e depois de um tempo eles decidiram visitar a Terra e nunca mais voltaram conseguiram voltar construindo assim uma cidade nas nuvens, uma dessas cidades é Bilka, alem de nós ainda há Skypiea e Shandians, uma cidade no mar abaixo, mas o que é Fairy Vearth? Um lugar com terra sem fim, alguns viajantes que chegaram à ilha do céu a chamaram de Lua.

- Enel, o que você pegou naquele navio que lhe deu tanta confiança em sua força a ponto de desafiar Deus?

- Apenas umas pulseiras de ouro. – Eu sabia que não era só isso, ele havia me dado umas pulseiras desse tal ouro e minha confiança era a mesma, porque a dele mudaria com isso?

Passei as mãos pelos cabelos dele e puxei seu rosto para perto beijando seus lábios, ele passou uma das mãos na minha perna acariciando minha coxa, aquele seria um ótimo momento para ter uma noite de amor e – pera, NOITE, A LUA NO CÉU, O JANTAR COM DEUS!

- Eu tenho que ir! – Disse terminando o beijo e levantando as pressas. – Já escureceu e eu tenho que estar em casa para o jantar, caso o contrario meus pais me matariam. A mim e a você, não importa o quão grande é sua força agora. – Disse sorrindo e correndo pelas árvores da floresta celestial.

— De certo seu pai poderia matar qualquer um quando está com raiva. – ele disse me seguindo pela floresta.

Cheguei em casa depois de correr um pouco, me despedi dele com um beijo, ele passou as mãos nas minhas pequenas asinhas e sussurrou algo como “se tem algo de celestial em Bilka com certeza é você” depois de separar nossos lábios com dificuldade entrei e corri para o meu quarto para me arrumar.

Isso mesmo, minhas asas. Todos os habitantes dos céus possuem pequenas asas em suas costas. Não podemos voar, nem se quer achamos outra utilidade para elas, são apenas alvo de curiosidade para viajantes, pequenos enfeites que nós dão o apelido de anjos.

Tomei um banho, coloquei um vestido longo e passei um perfume não muito chamativo, não queria dar expectativas para Purana. Coloquei minha aliança de namoro no dedo apesar de saber que isso não o impediu de me cantar das ultimas vezes. Desci para verificar minha torta de maça se estava tudo certo e felizmente dessa vez seu irmão não comeu nenhum pedaço.

- Shanshan, que bom que você já está em casa, eu achei que iria se atrasar para a visita de Purana-san minha filha. – Disse meu pai aparecendo do outro lado da cozinha, ele era o típico cara de meia idade, vestindo uma toga branca e com os cabelos negros penteados para trás, sorria como uma criança demonstrando a felicidade por receber seu amigo de infância.

- Querido, espero que você não a chame de “Shanshan” na frente de Deus. – Disse minha mãe logo atrás dele com seu vestido sobre o joelho e seu cabelo ruivo jogado sobre o ombro direito.

- Papai, você sabe que eu não me atrasaria. – Disse o abraçando, o cheiro de perfume forte invadiu meu nariz, era obvio que queria impressionar como sempre, ele agia como se fosse a primeira visita de Purana, mas ele vinha pelo menos uma vez por mês. – Ah e também espero que não me chame assim na frente de Deus.

- Então é um complô contra mim? Você é e sempre será minha garotinha. – Ele disse aos risos.

Alguns minutos de espera depois, finalmente Deus chegou. Deus Purana era alto e tinha cabelos brancos lisos e grades penteados totalmente para trás, ele usava uma toga longa com um cachecol azul no pescoço, não aparentava ser tão velho de fato, na cintura a toga era presa por um laço preto, seus pulsos eram decorados com pulseiras de ouro e seu rosto com um sorriso. Junto dele estavam dois homens um pouco menores, gêmeos idênticos, sacerdotes do templo de Deus. Os acompanhantes eram loiros e usavam óculos grandes, bem mais novos que Purana com certeza.

- Oyasumi Tora-san. – Purana cumprimentou meu pai amigavelmente.

- Vamos entrando Kami-san. – Meu pai o tratava como o amigo que era.

O jantar voou, depois de uma seção de elogios sobre a comida da minha mãe o assunto começou a se diversificar, eles conversaram enquanto eu tentava não chamar atenção, volta e meia o assunto se direcionava para mim, mas eu finalizava imediatamente com respostas diretas sem puxar muito assunto. “Então Shanti, você acha que a colheita de aboboras será farta esse ano?” “Espero eu sim.” Respostas rápidas e sem direito a treplica. Conversei um pouco com os gêmeos, mas não queria direcionar o assunto a Purana, por isso procurei não conversar muito. Assim que a sobremesa foi servida eu me retirei da sala de estar enquanto eles conversavam, resolvi ficar na varanda do fundo até a hora da despedida, mas não funcionou tão bem.

- Então, está se escondendo de mim? – Purana apareceu alguns minutos depois na varanda me assustando completamente. – Achei que já teria superado esse seu romancezinho e finalmente me daria uma chance.

- Se você está falando do meu namoro com Enel, ainda estamos juntos E felizes. – Disse mostrando minha aliança sem me levantar da poltrona eu me encontrava. – Achei que você já teria desistido dessa ideia, com todo respeito Kami-sama, mas, eu não quero me casar com você.

- Hum, você prefere insistir nessa historia com um vagabundo qualquer do que se casar com um Deus. – Ele disse mostrando sua raiva quanto a isso, de fato eu devia ser a única que o viu irritado depois de se tornar Deus.

- Você já sabe a resposta para isso. – Queria encerrar logo o assunto, queria que ele encerrasse logo o assunto. – O que queres que te diga se eu não te amo?

- Eu tentei ser um cara legal e você nem me deu uma chance, mas, eu vou te dar uma ultima oportunidade. – Ele disse se retirando da varanda e voltando para a sala de estar.

- O que você quis dizer? – Ele continuou andando, me ignorou, o que ele quis dizer com isso? Não creio que seja algo bom. Não tem como ser algo bom. Mesmo vindo de Deus, ele pareceu ser mais um demônio.

A noite finalmente terminou assim, eu não retornei para a sala nem para ver qual era a continuação do assunto, preferi manter distancia. Eu voltei para me despedir mais tarde, abracei os gêmeos, foi bom ter conhecido eles, Domi e Somi eram caras legais, seria bom ser amigo deles. Preferi não abraçar Purana apenas disse “tchau”, ele nem se quer respondeu.

Algum tempo mais tarde Enel apareceu criando um grande interrogatório sobre o que houve, mas preferi não entrar em detalhes. Ele comeu o pedaço de torta de maça eu guardei para ele e depois de alguns beijos ele partiu, não por vontade própria, mas sim por que viu meu pai observando agente da janela do quarto.

Sim, meu pai não gostava muito dele apesar de ele ser um rapaz legal, mas, meu pai queria mesmo que eu namorasse com Purana. Eu chego a imaginar as vezes que o próprio motivo de Deus vir tanto a nossa casa e meu pai sempre pedir a minha presença não passa de um plano do meu pai para tentar nos juntar.

“Como é duro odiar os que se gostaria de amar.”

Voltaire

Notas finais
Espero que vocês tenham gostado do capitulo, deixem um comentário falando se está bom, em breve postarei outro.
xoxo