Gótica de Cidade Pequena
5 Capítulo V
Notas iniciais
Durante as primeiras horas desse domingo, Melissa pensou, repensou ... sobre o que ela vai argumentar pra conseguir a autorização dos pais pra participar do encontrinho na Praça, enquanto vestia o visual, disposto em cima do sofá.
Depois de sentar-se no sofá, já usando o vestido de alça e a meia calça arrastão preta, ela coloca uma meia e calça as botas pretas cano médio — na intenção de reproduzir uma foto da página da Emily Goth, por sinal, uma das mais curtidas da goth page.
Feito isso, ela rapidamente mexe os pés, ajustando os calçados e, em seguida, se levanta pra conferir o visual na frente do espelho do quarto. Enquanto caminha na direção do espelho, mentalmente ela vai pensando nas possíveis respostas dos pais.
O pequeno percurso, feito do sofá até o espelho, mudou levemente o semblante dela. Percebendo isso, ela respira fundo, tentando se acalmar, e lentamente coloca o choker, completando o visual pra participar do estudo da igreja, onde encontrará a amiga — se ela conseguiu despertar cedo.
Às 07h30, ela, já arrumada, coloca na bolsa a bíblia teen, o telefone celular, a carteira e alguns itens pra maquiagem depois do estudo a Igreja matriz. Após conferir o quarto, ela coloca a bolsa nas costas e vai tomar o café da manhã, como de costume dominical, acompanhada pelos país.
O dia iniciou bem cedo na casa deles, antes do sol nascer os pais já estavam acordados. Melissa, ainda muito sonolenta, demorou um pouco pra despertar da terra sagrada de Avalom, perto de Camelot. Entretanto a família conseguiu manter a rotina dominical.
Assim, em pouco tempo depois do café da manhã, a família costumeiramente inicia o percurso entre a casa e a Igreja. Pela janela do banco de trás do carro, dirigido pelo pai, acompanhado pela mãe, Melissa aprecia o caminho, enquanto seleciona as palavras.
O sol brilha timidamente no céu, no entanto, não vai demorar muito tempo pro frescor da manhã se dissipar em meio ao sol do entardecer, quando ela e a amiga estiverem, se os pais delas deixarem, é claro, no encontrinho da praça.
Pensando nas possíveis respostas, ela, tentando se acalmar e manter se otimista, retira o telefone da bolsa, conecta o fone de ouvido e coloca Fountain of Tears pra tocar, enquanto faz e refaz mentalmente a conversa, programada pro final do estudo.
Ao lembrar do estudo da classe, ela subitamente retira a revista da escola bíblica dominical da bolsa e faz uma breve leitura do estudo dessa manhã. Assim, passando o olho pela lição, ouvindo algumas músicas, ela finalmente consegue relaxar durante o percurso.
Às 09h da manhã, desse domingo ensolarado, as famílias estão reunidas no templo, enquanto as crianças, adolescentes e jovens estão reunidos nas salas de estudo. Todos, considerando estes detalhes, realizando a leitura das Escrituras.
As duas amigas finalmente se encontraram na classe dos adolescentes, faltando pouco pra entrarem na classe dos jovens — o que muda completamente o status e a responsabilidade. Aos poucos, as duas começaram a entrar em sintonia.
— Acha mesmo que seus pais vão deixar você ficar na praça depois do estudo? — perguntou a amiga, sentada do lado dela.
—Eu tenho fé! — brincou, enquanto abria a revista de estudo, quando viu o mestre entrar na sala.
A sala não era muito grande, mas o espaço era o suficiente pro quadro e algumas carteiras de estudo. Esta, igual as outras salas, ficam nos cômodos anexos ao templo principal, onde os mais velhos realizam os estudos semanais e reuniões extraordinárias.
Hoje, especialmente, estão reunidos em círculo de conversa, conforme orienta a lição da revista, na intencionalidade de estudar sobre vida cristã — o que certamente vai levar a manhã inteira desse domingo. Assim, elas entram no mundo espiritual.
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