Gênese: A Saga da Rosa - Temporada I
8 Sonserina
“Ninguém é igual a ninguém. Todo o ser humano é um estranho ímpar.
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SCORPIUS
O exuberante clamar ecoou por todo o enorme salão de Hogwarts.
A Seleção havia terminado. O último que experimentou o famoso — e também chato, na minha opinião — Chapéu Seletor foi um garoto, meio loiro, gordinho e cheio de sardas. Foi escolhido para Corvinal… a Casa dos inteligentes.
Ainda estava trêmulo, com a ansiedade que se esvaía lentamente de meu corpo.
Quando havia chegado minha vez, fiquei meio nervoso e receoso. Me erguera com cautela, e me dirigira àquele banquinho, com o olhar fixo somente a ele.
Naquele meio tempo, milhares de possíveis falhas miseráveis que poderiam acontecer se passaram em minha cabeça.
Eu poderia ter dado de cara no chão, com milhares de risadas espalhafatosas me enchendo os tímpanos. E literalmente quebrado meu rosto. Ai.
Ou aquela diretora podia não ter ido com a minha cara... ou até mesmo o próprio Chapéu Seletor.
Daria para se imaginar se eu tivesse ido de cara abanando direto para a Casa dos corajosos? Eu nem gostava de imaginar isso — nada contra, obviamente.
Ainda assim, a sensação de ter caído na Sonserina era… estranha. Como se, por um momento, eu tivesse tido a esperança de que fosse diferente.
Era como se… a história estivesse se repetindo outra vez.
Rose, a ruiva esquentadinha — mas legal — iluminou aquela mesa da Grifinória; ela era a única que eu provavelmente gostaria de interagir por lá. Ela parecia ter o rosto absolutamente congelado com um sorriso permanente. Era estranho, e até meio assustador.
Alvo Potter fora para a Sonserina. E todos pareciam encará-lo, cada qual com uma reação.
Uns riam, outros arregalavam os olhos em negação.
Eu era uma dessas pessoas. Nunca imaginei que ele viria a ser meu companheiro de Casa.
Parece que vou ter que aguentá-lo mais alguns anos. Pensei, dividido entre o receio e a satisfação.
Ao mesmo tempo meu corpo transmitia uma sensação de alívio.
Afinal, Alvo era o único que eu realmente havia gostado de conversar até então, e me sentia familiarizado de alguma forma.
Bem, não que Rose não fosse uma possível amiga. Sua companhia também parecia ser muito agradável.
Mas Alvo era diferente.
Eu só não sabia dizer por que.
Para minha surpresa, assim que o jantar terminara — após McGonagall fazer o discurso de encerramento, e todos nós começarmos a ir em direção aos dormitórios – percebi que Alvo não compartilhava do meu evidente entusiasmo.
Ele só poderia reaver os primos na manhã seguinte, exceto se nos encontrássemos antes de entrarmos nas masmorras. Então decidi que podia tentar animá-lo um pouco.
— Ei, Potter – dei um soquinho de brincadeira em seu ombro – Sonserina, cara. Que legal! Agora somos colegas de Casa!
Alvo me deu um sorriso fraco, mas não pude deixar de perceber o nervosismo em seu olhar.
Eu reconheci aquela expressão… por que sabia que também a ostentava.
— Está preocupado com que seu pai vai achar, não é? — arrisquei.
Sim, podia ver a leve ponta de pânico nos olhos de Alvo. Eu só conseguia imaginar se meu pai ficaria decepcionado, ou se já contava com aquilo.
Já Alvo, o primeiro Potter sonserino da história… ali estava uma situação completamente diferente.
— Sim – ele sussurrou por fim, enquanto caminhávamos com os demais alunos — olha… Scorpius, não é? — assenti, ao que ele continuou – um pouco antes de eu embarcar no trem, papai me disse… que o Chapéu Seletor leva em conta a nossa opinião. Bem… — Alvo franziu o cenho – então… eu vim pensando… como pode haver um único tipo de bruxo? Ele mesmo me disse que já viu bruxos da Grifinória covardes… pessoas da Corvinal que não eram tão inteligentes. Pessoas da Lufa-Lufa realmente extraordinárias. E um sonserino… — ele sufocou uma risadinha – mais corajosos que muita gente que ele conheceu.
“Então, quando o Chapéu Seletor foi me escolher… eu pensei nisso. Pensei que, se não existe necessariamente um único tipo de bruxo… também não precisava ir para a Grifinória só por ser um Potter, não é?”
Ele mordeu o lábio, como se esperasse pela minha reação.
Pisquei, surpreso. Alvo tinha razão nesse ponto. Afinal, eu havia sido escolhido para a Sonserina por que, no fundo, eu pertencia mesmo a esta Casa? Ou, simplesmente, por que eu era um Malfoy?
— E você escolheu ficar aqui – falei.
Ele confirmou com a cabeça.
— Não sei explicar. Pareceu… o certo – ele esfregou as mãos no rosto aflitivamente – o que meus primos vão pensar?
Por mais que eu estivesse condoído com a luta interna que Alvo aprecia enfrentar, eu acabei me distraindo o bastante para não responder sua pergunta.
Lembrei de Rose Weasley e o momento em que havia sido selecionada.
Eu não sabia dizer ao certo… mas, por alguma razão, achei ter visto um laivo prateado nos olhos assustados da garota, antes do Chapéu anunciar a casa para o qual seria escolhida.
Porém, julguei que fora uma ilusão causada pelo meu ataque nervoso, e parei de pensar naquilo.
Finalmente, depois de uma longa caminhada, o monitor da Sonserina, um garoto alto chamado Peter Wayne, nos guiou pela abertura da masmorra, ditando a senha “naja sussurrante”, e, em seguida, nos levando ao subterrâneo do castelo.
— Este é o salão comunal da Sonserina – ele falou, assim que chegamos a uma longa sala cheia de sofás e pufes verde-oliva, circulada por janelas que emitiam uma luz esverdeada – como podem ver, fica abaixo do lago, por isso esta iluminação peculiar. Seus dormitórios ficam à frente – apontou para o corredor adiante – meninas á direita, garotos á esquerda. Os horários das aulas se encontram no quadro-negro ao sul, e suas bagagens já estão nos quartos. Qualquer dúvida, podem falar comigo a qualquer hora.
— Exceto quando a Sophia McAdams estiver arrancando a boca dele fora – brincou um dos alunos mais velhos, dando um empurrãozinho brincalhão no monitor, que ficou vermelho feito um tomate.
— Cala a boca, Romulo – ele pigarreou, revirando os olhos e dando passagem para os alunos do primeiro ano.
Prosseguimos, encantados com a beleza do Salão Comunal, até entrarmos em nossos dormitórios e começarmos a nos instalar. Nossos animais de estimação também já estavam lá,d ando boas-vindas aos seus respectivos donos.
Vi o garoto que nos acompanhara no barco lançar um olhar enojado em nossa direção, enquanto ajeitava seu malão diante da cama.
Ainda tentava entender o que ele e sua amiga tinham contra nós.
Alvo balançou a cabeça, fazendo uma imitação engraçada da cara feia dele, e me fazendo rir. Terminamos de arrumar nossas coisas, e passamos o restante da noite conversando um pouco, antes de vestirmos os robes e deitarmos para dormir.
— Boa noite, Scorpius – ouvi ele dizer da cama ao lado, quando Peter fez com que as luzes se apagassem magicamente.
— Boa noite, Alvo -sorri em meio ao escuro, suspirando, enquanto me ajeitava no edredom.
Crystal deu um pio suave no poleiro ao lado de minha cama, rutilando seus olhos brilhantes para mim.
Embalado pelo som do lago atrás das paredes, assim como pela farta refeição que fizera, relaxei lentamente até adormecer, mal podendo esperar para descobrir o que nos aguardava em nosso primeiro dia de aula.
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