Gênese: A Saga da Rosa - Temporada I
2 A Família Malfoy
“A cada caminho que você toma, você está deixando seu legado”
— Michael Jackson
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SCORPIUS
Seria fácil dizer simplesmente o que me aconteceu.
Mas para entender o que houve no agora, muitas vezes é preciso compreender o passado.
Tudo começou bem antes do meu nascimento.
A guerra. A destruição do mundo bruxo; Milhares de vidas trilhadas à morte. O pavor, o pânico e a dor se abrigaram dos corações maduros aos mais jovens.
O mundo era um verdadeiro caos. Voldemort, com sua aparência física desumana, cobiçava mais o poder, assustando todos ao seu redor.
Poucas pessoas poderiam se orgulhar de serem sobreviventes.
Entretanto, todas as crianças da minha idade conheciam a lenda dos Três, aqueles que destroçaram cada parte do Lorde das Trevas. O famoso e lendário Trio de Ouro.
Curiosamente, quando tocava em tal assunto, papai ficava mudo, como se estivesse boiando em seus devaneios.
Minha família, Malfoy, é antiga e tradicional. A participação deles na Batalha Final – ou a falta dela — fez com que fossem inocentados de quaisquer julgamentos. No passado, serviram ao Lorde das Trevas… foram fiéis até a última instância.
Meu pai, Draco Malfoy, junto ao meu avô, Lucius Malfoy, eram Comensais da Morte – algo que ao mais ver soube que papai odiava ser.
A guerra deixara algumas marcas e cicatrizes por todo lugar, inclusive em minha família. A família Malfoy não era tão mais respeitada como antigamente, o que fez com que meu avô mordesse a língua amargamente, e engolisse a pose que um dia ostentara.
Hoje, me orgulho em dizer que não guardamos mais os mesmos princípios. Minha mãe, Astor ia, me ensinou a respeitar como iguais tanto os sangues-puros quanto os nascidos trouxas.
Vivíamos em uma enorme mansão, pertencente à família há anos, na qual, às vezes – ou a maior parte do tempo – eu me sentia extremamente solitário e isolado. Por isso, não via a hora de ir para Hogwarts.
Apesar de muitos duvidarem, fui criado com muito amor pela minha mãe e meu pai. Os dois não possuem nenhum cargo no Ministério da Magia – talvez a fortuna bem guardada em Gringotes fosse o suficiente para nos manter aos luxos por vários anos. Dificilmente saíamos de casa, e podia admitir que não havia muita distinção entre uma folha de papel e a cor de nossas peles.
Algo sempre me estorvava profundamente…. nas reuniões de família, a mansão parecia adquirir um tom mais neutro e tenso do que nos dias habituais.
Recordo-me de uma vez – e não foi apenas uma – em que mamãe e papai promoveram um jantar em nossa propriedade. E, irritantemente, vovó e vovô, com seus semblantes enojados e narizes empinados, não paravam de fuzilar minha mãe com os olhos. Ora com os talheres de prata, brincavam com o legume, ora lançavam olhares furtivos a mamãe, que parecera não se incomodar.
E o que era para ser uma reunião agradável e familiar acabou virando um verdadeiro inferno.
Silêncio, olhares e bate-boca. Minha avó com aquela expressão engraçada dela, como se estivesse com algo mal cheiroso debaixo do nariz, indignou-se, falando palavras do tipo: “meu neto está tratando aqueles… trouxas… como iguais? Que injúria!” E mamãe voltava a falar sobre o maldito preconceito que a família Malfoy ainda nutria.
Os dois também passaram a olhar feio para meu pai, sempre com as mesmas ladainhas de como aquele casamento envergonhava a família.
E eu achava tudo isso uma grande besteira. Não entendia os adultos. E esperava não virar um protótipo de Lucius ou Narcisa.
Ultimamente, não estava mais vindo a receber as ilustres visitas dos meus avós. E aquilo era um alívio.
Minha mãe também andara se preocupando muito comigo, como se eu fosse um bebê indefeso. Orientara-me a não falar com estranhos, pedia compadecidamente que eu não arranjasse confusão em Hogwarts, para que os professores se orgulhassem de mim, e que eu me esforçasse nos estudos.
Isso não seria tão trabalhoso assim.
Não que eu fosse convencido, é claro. Mas eu fazia de tudo para ser o tipo de bruxo do qual os meus pais – e os outros – pudessem se orgulhar. Um filho, amigo ou pessoa que realmente valesse a pena. Quem sabe, um dia, se assim fosse digno, alguém a ser lembrado, tal como os Três, admirado e respeitado por todo o nosso povo, deixando um legado para as outras gerações.
Havia histórias do tempo de colégio de meu pai.
E, bem, quando as mesmas chegaram aos meus ouvidos, surgiram duas imagens completamente distintas em minha mente. Era impossível sequer compará-las: O Draco Malfoy da época em que estudava em Hogwarts, e o homem que era meu pai.
Obviamente, minha mãe nunca teria se apaixonado pelo antigo Draco, com todas as suas ideais e princípios. Por isso, deduzia que algo mudara profundamente em papai, para que Astoria, a pessoa mais gentil desse mundo, pudesse amá-lo de verdade.
Eu amava meu pai, e sabia que isso era recíproco. No entanto, apesar de ser tão fisicamente parecido a ele, não me imaginava seguindo seus passos. O que me faltou em aparência, herdei em personalidade de minha mãe.
Possuía um imenso orgulho dela. Mamãe vinha de uma família inteiramente sangue-pura, mas jamais desprezou os trouxas, diferente de sua irmã, Dafne Greengrass, que estudou no mesmo ano que papai.
Eu não tinha muitas informações sobre minha tia. E, por mais que eu tentasse me convencer de que minha vida familiar estava bem, sabia que o passado dos Malfoy ainda impunha uma muralha nos pedaços de minha atribulada família.
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Há alguns dias, ocorrera meu décimo primeiro aniversário, e não demorou a chegar minha carta de Hogwarts.
Era um dia comum, monotonamente chato. Estava sentado em um balanço do jardim, parado, mirando o nada.
Senti um leve tremor sobre minha cabeça. Logo, me vi encarando outro par de olhos ligeiramente arregalados. Inicialmente levei um susto, porém percebi um papel pardo, preso a uma das patas da arrepiada coruja que esvoaçava diante de mim. Retirei com cuidado, e li a mensagem, escrita com uma formalidade… digna de uma diretora de escola.
Um sorriso brotou em meus lábios. Nunca estivera tão feliz antes.
Logo, estaria em Hogwarts. Passaria pela clássica seleção do Chapéu Seletor. E conheceria pessoas novas. Junto a elas, novas aventuras poderiam surgir.
O que eu simplesmente não pude imaginar era o que realmente estava ao meu aguardo.
Por que alguém surgiria para mudar minha vida para sempre.
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