Gêmeas
28 Você é mais fresca que a Thayla
Notas iniciais
Assim que Zeus abriu a porta, deu de cara com a filha e mais dois meninos. Mas não teve tempo de perguntar quem era o que não conhecia, apenas acenou para Nico e Thayla e passou por eles, sem cumprimentar o garoto que estava ali, que deu de ombros.
Jason, que estava deitado na sala quase dormindo, levantou a cabeça com uma cara confusa, encarando Connor. Até porque, estava acostumado com as visitas do Nico.
— Connor? – Jason franziu o cenho.
— Eu? – Connor arqueou a sobrancelha.
— Eu quero falar com a Thalia…- Thayla começou, mas foi cortada pelo irmão mais velho.
— Você não vai encontrar ela aqui, ela saiu faz um tempo, deixou as malas no meio da sala pra MIM guardar e se mandou.
— Tem ideia de onde ela foi? – Thayla mandou os meninos entrarem e fechou a porta.
— Deve estar dando – Jason deu de ombros, se esparramando no sofá novamente.
— Eles vão dormir aqui, tá? – Thayla empurrou Connor para o corredor, pra ir logo pra outro lugar.
— Contanto que fiquei longe do meu quarto – Jason deu de ombros novamente e se virou, provavelmente caindo no sono.
— Eita menino que dorme rápido – Nico comentou, seguindo Thayla.
— Eu sei – Thayla entrou no quarto, vendo as roupas da irmã pela cama. – Ela não sabe ser organizada?
— É a Thalia – Connor lembrou a menina, que resmungou, mas se jogou contra a cama.
Connor sentou ao lado da garota.
— Não se comam na minha frente e não, não vou sair daqui – Nico resmungou se encostando na parede.
— Senta ai o menino carente – Thayla apontou para a cama da Thalia.
— Se acha mesmo que eu vou colocar minha linda bundinha ai? Pra depois a Thalia arrancar meu couro? – Nico disse incrédulo.
— Aham – Thayla sorriu.
— É, você tá certa – Nico se sentou na beirada da cama, pegando o celular e começando a mexer.
Nico ignorou algumas trocas de caricias na outra cama e continuou vidrado no celular, perdendo a noção do tempo completamente. O garoto só voltou a si, quando escutou a porta da sala batendo com força.
— Opa, vamos levantar – Nico se levantou em um salto, observando a colcha da cama amassada, passando a mão por ali rapidamente.
Thalia entrou no quarto, com uma carranca enorme. Em uma das mãos a garota levava os coturnos e na outra um saco de gelo, que estava colocando no corte em seu rosto.
— Thalia? O que foi? – Nico puxou a mão da garota devagar, vendo o corte que tinha desde o fim da sua sobrancelha até o começo de sua boca. – O que você fez?
Thalia soltou os coturnos no chão, soltando sua mão da do Nico e recolocando o gelo no corte, que estava roxo.
— O que você tá fazendo aqui? – A morena perguntou se deitando na cama.
— Então…eu vou dormir aqui – Nico esperou a garota surtar, mas não aconteceu nada.
Thalia tentou revirar os olhos, mas gemeu de dor ao realizar o ato.
— Porra – a menina xingou.
Nico caminhou até a cama, sentando-se na beirada e tirando novamente o gelo da mão da garota, colocando sobre a cama, para poder ver o corte. O garoto levou a mão até o queixo da menina, empurrando levemente a cabeça dela para o lado, para o corte ficar exposto totalmente.
Thalia deu uma leve risadinha.
— Não desistiu de ser médico ainda, Di Ângelo?
Nico deu um leve sorriso.
— Médico? – Thayla franziu o cenho, tentando imaginar Nico como um médico.
— Thayla, pega a caixinha de primeiros socorros, por favor? – Nico pediu.
Thayla se levantou da cama, indo até a cozinha procurar a caixinha.
Nico pressionou o dedo levemente ao lado do corte, onde estava roxo.
— Doí?
— Muito – a garota fechou os olhos, prendendo a respiração para a dor amenizar.
Thayla entrou no quarto com a caixa em mãos e deu para Nico.
—Valeu – o garoto agradeceu, pegando uma pomada que lendo o rotulo, identificou que era a certa. – Vai arder. – O garoto segurou a mão da menina, que não esboçou reação alguma.
— Eu aguento – a menina respondeu simplesmente.
Nico começou a passar a pomada e sentiu Thalia apertar sua mão cada vez mais forte.
— Thalia, preciso das minhas mãos – o menino sussurrou para a garota, que tinha um semblante calmo, mas uma careta surgia de vez em quando.
— Não tenho culpa, essa pomada é horrível – Thalia murmurou, afrouxando o aperto na mão do Nico.
— Eu sei – Nico deu de ombros – Vou fazer um curativo.
Thalia soltou a mão do garoto e respirou fundo, sentindo a ardência parar um pouco. Nico pegou o que era preciso para fazer o ato e começou a realizá-lo.
— Valeu – Thalia se sentou, cruzando as pernas.
— Não ganho nem um selinho? – Nico sussurrou perto da garota.
— Ainda estou brava com você, Di Ângelo – Thalia deu um sorrisinho mínimo.
— Então se você não estivesse brava, daria um selinho? – Nico sorriu para a garota que deu de ombros.
— Eu não disse isso – ela sorriu.
— E não negou quando eu afirmei – Nico piscou para a garota, que comprimiu o lábio.
— Calado – ela encostou as costas na cabeceira da cama.
— Quer comer alguma coisa? – Connor perguntou para a garota, que finalmente notou ele ali.
— Claro! – Thalia exclamou.
— E você ainda pergunta isso pra ela? – Nico resmungou.
— Vou pegar o número da pizzaria – Thayla se levantou, saindo do quarto.
Thalia suspirou e se levantou.
— Fiquem aqui e não se matem. Eu já volto.
A morena caminhou para fora do quarto, indo até a cozinha, onde a irmã estava abaixada procurando algo nas gavetas da cozinha.
— Thayla – Thalia chamou, encostando os quadris na bancada. Thayla se levantou, evitando encarar a irmã nos olhos – Olha…eu também, tá? Mas você tem que aprender a crescer, nós não temos mais cinco anos mana.
— Owwnt que fofa, disse que me ama – Thayla sorriu para a irmã, que sorriu de volta. Sem pensar duas vezes, Thayla abraçou a irmã.
— Ai socorro, demonstração de carinho aqui – Thalia resmungou, mas deu risada, abraçando a irmã de volta. – Vê se cresce, maluquinha.
— Claro, panda – Thayla soltou a irmã.
— Olha só em… panda o cacete – Thalia resmungou, ainda com um sorrisinho.
— Vamos pedir a pizza logo, estou com fome – Thayla murmurou, fazendo um bico.
— Também, depois de dar duas vezes – Thalia murmurou discretamente, mas Thayla escutou, dando um tapinha na irmã.
— Thalia! – Thayla repreendeu.
— É a verdade – Thalia sorriu e deu risada.
***
Thalia estava sentada em sua cama, tentando coçar o olho sem sentir dor, o que estava sendo quase impossível.
— Não coça – Nico deu uma bronca na menina, que o olhou.
— Você surgiu do além, cara? – Thalia resmungou – Fantasma do caralho, eu hein.
Nico deu uma risadinha.
— Tá, agora vamos se arrumar para dormir, porque amanhã tem aula – Thayla se arrumou na cama, junto do Connor.
— Já dormiu na aula? Melhor lugar da vida para dormir – Thalia sorriu para a irmã, que bufou e olhou para Nico, que estava em pé.
Nico alternou o olhar entre as camas, pensando se pegaria ruim ele deitar no meio do Connor e Thayla. O garoto parou o olhar em Thalia, que arregalou os olhos minimamente.
— Aqui não – a garota disse antes que Nico falasse qualquer coisa – Vai dormir na suruba, mas não aqui.
Nico fez um biquinho, olhando para Thalia com os olhos pidões.
— Não – a garota continuou negando.
— Você sabe que por mais que negue, eu vou dormir ai né? – Nico deu uma risada e caminhou até a garota – Você vai ceder menina.
Thalia percebeu tarde demais o que Nico ia fazer. Ela começou a estapear as mãos do Nico, que percorriam sua barriga de forma rápida, fazendo a garota se contorcer de cócegas.
— P…para – Thalia pediu, tentando tomar fôlego.
— Eu vou dormir onde, Thalia? – Nico perguntou, não parando as cócegas.
— Na…Suruba – Thalia resmungou, conseguindo segurar uma das mãos do Nico, que se soltou rapidamente e continuou as cócegas.
Os olhos da garota transbordavam em lágrimas involuntárias, de tanto rir.
— Só mais uma vez, onde eu vou dormir, Thalia? – Nico repetiu a pergunta, diminuindo um pouco as cócegas.
— Tá – Thalia resmungou – Na minha cama, Nico.
— Eeeee – Nico parou as cócegas por completo.
— Ai como eu te odeio – a menina limpou as lágrimas, colocando as mãos sobre a barriga, recuperando o fôlego.
Nico sorriu e deitou na cama, encostando na parede.
— Eu fico na parede – Thalia grunhiu.
— Na não – Nico sorriu para a garota, a puxando pra si pela cintura, deixando a garota de costas para si.
— Meu machucado, Nico – a garota resmungou.
— Ai que dó – Nico murmurou, mesmo sabendo que não tinha encostado no machucado da garota.
Thalia começou a se debater para sair dali mas falhou miseravelmente.
— Nico, eu quero ficar na parede – Thalia fez manha, com um bico enorme.
— Ai que dó, o pandinha tá dengosa – Nico murmurou, apertando mais a garota contra si.
— Porra menino, tu é forte – Thalia resmungou.
Thayla riu, abrindo os olhos e vendo a situação da irmã.
— Tá ruim ai, Thalia? – Thayla perguntou.
Thalia a encarou por alguns segundos.
— Tá!
Thayla riu e se aconchegou, tendo que se acostumar com o braço do Connor evolvendo-lhe a cintura.
— Tá, fica na parede então – Thalia resmungou – Me solta.
Nico soltou a garota, que se levantou xingando o menino. Thalia olhou pra ele por alguns segundos e deu um sorriso maroto.
Thalia engatinhou na cama, subindo em cima do garoto, que continuava de lado sem entender nada e começou a se infiltrar no pequeno espaço que a mesma criara entre Nico e a parede, até que por fim seu corpo não estava mais sobre o dele e sim sobre a cama.
— Como você se enfiou ai? – Nico virou o corpo, ficando de frente para a menina, que sorriu travessa.
— Eu sou magra querido – Thalia se exibiu – Agora vai um pouco mais pra lá, por que tá apertado aqui.
— E se eu não quiser? – Nico sorriu, a prensando mais contra a parede.
— Nico, eu to passando da parede – ela concluiu.
— Ue, você não queria ficar aí? – Nico arqueou a sobrancelha.
— Nico, você está espremendo minhas tetas – Thalia resmungou.
— Ih, é verdade, as tetas – Nico se lembrou que a garota tinha dois melões ali e se afastou, cedendo pra ela o lugar na parede.
— Há, o lugar é meu – Thalia se aconchegou como uma criança.
Nico revirou os olhos e tentou abraçar a garota, que impediu o braço do menino.
— Ainda estou puta, Di Ângelo – a menina resmungou.
— Porra, Thalia – Nico xingou – Olha, eu sei que você tá puta com tudo que aconteceu mais cedo, mas eu defendo o lado que acho certo. – O menino sussurrou para a garota, observando o casal da outra cama, que já estava dormindo – ou fingindo dormir -.
— Não importa, a briga era entre mim e minha irmã, você não tinha que defender ela – Thalia sussurrou, evitando revirar os olhos.
Nico deu um sorrisinho.
— Você está com muito ciúmes, Grace.
— Ciúmes é o teu cu – Thalia se virou de costas pra ele.
Nico abraçou a garota.
— Não precisa ter ciúmes pandinha – Nico apertou ela contra si.
Thalia mostrou o dedo do meio para o garoto, que riu. Nico puxou o rosto da garota com cuidado e roçou os lábios levemente, Thalia selou os lábios, deixando-os por alguns segundos grudados, podendo aproveitar o sabor de menta que o garoto possuía nos lábios. Assim que a menina desencostou do garoto, ele selou seus lábios novamente.
— Nico, não – Thalia pediu baixinho, desencostando levemente os lábios dos dele.
— Você é mais fresca que a Thayla – Nico sussurrou contra os lábios da garota.
— Não é frescura, eu tenho motivos…e você sabe muito bem disso – Thalia encarou os olhos negros do Nico – Agora…desencosta.
— Você é muito bipolar, alguns segundos atrás você estava beijando meus lábios…e de repente desencosta – Nico afinou a voz, dando ênfase no ''desencosta''. Mas desencostou da garota, se virando de barriga para cima e colocando o antebraço sob os olhos.
Thalia se encolheu um pouco, por causa da brisa gelada da noite. Percebendo que a coberta estava muito longe, olhou sob o ombro e viu Nico ali, não vendo outra escolha, se virou bem devagar, sem proporcionar nenhum movimento brusco na cama. A garota, sem mais nem menos, agarrou ele.
Como se o menino fosse um ursinho de pelúcia. Ele agora estava nos braços da garota sem entender nada.
— Não era desencosta? – Nico provocou a garota.
— Cala a boca e trate de ser um ursinho de pelúcia descente – a menina resmungou, se aconchegando mais a ele.
— Ursinho de pelúcia? – O garoto franziu o cenho.
— Ursinho de pelúcia! – A garota respondeu, se agarrando mais ele.
Nico deu uma risadinha baixa, começando a fazer cafuné nela a observando, que com o passar dos minutos ia caindo no sono lentamente.
Quando o garoto viu que ela tinha dormido, deslizou a mão lentamente pela calça de moletom que vestia e tirou dali o cordão que ela tinha jogado no chão mais cedo. Levantou a cabeça dela com cuidado, passando o cordão por ali e colocando nela.
Thalia, que não estava dormindo completamente, deslizou a mão até o pingente, o segurando contra a palma da mão.
— Não estava dormindo? – Nico sussurrou no ouvido da garota, a arrumando em seus braços.
Thalia deu um sorrisinho, acompanhado de uma risadinha baixa e finalmente dormiu, segurando o cordão em suas mãos.
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