Gêmeas
59 Dia de limpeza
Notas iniciais
— Thals? – Nico a chamou pela décima vez por esse apelido, não obtendo resposta e começando a se preocupar. – Amor da minha vida?
Thalia se forçou a abrir os olhos, formando um sorriso nos lábios inchados e vermelhos.
— Esse é um bom apelido – sua voz estava rouca e ela teve que pigarrear e repetir, para que ele entendesse sem falhas.
— Como você se sente?
— Ainda com sono, eu posso dormir? – questionou, disfarçando.
— Não, a gente tem muita coisa para fazer hoje, vamos levantar! – o Di Ângelo saiu da cama, se espreguiçando e a observando atentamente, por muito tempo e vendo que ela não conseguia se mexer direito. – Filha da puta!
— O que?
— Eu perguntei, Thalia! Você deveria ter falado que eu estava te machucando caralho, mas que porra, menina!
Thalia fez um bico e disse em uma voz adocicada:
— Mas estava tão bom.
— É! E você me fez quebrar a maldita promessa de que eu não ia te machucar, sendo que eu ainda tomei cuidado com essa porra, eu não acredito nisso Thalia Grace!
— Você não quebrou a promessa, você não me machucou, ok? É só uma dor que todo mundo sente depois de perder a virgindade, quer pesquisar no google? – questionou, se sentando e soltando um “ui” prolongado com isso. – Acho que hoje vai ser um pouco difícil, mas nada que um eu te amo não melhore!
— Eu não vou te falar nada, vou ir tomar banho! – ele fechou a porta do banheiro, a deixando sozinha.
— Ah, não! NICO! Fica aqui eu não posso correr atrás de você, infeliz! – Thalia aumentou uma oitava, para que ele a ouvisse.
Ele não sabia se dava risada ou se ficava puto com essa frase, optando por se afundar na piscina do banheiro e permanecer ali por um bom tempo, ponderando se deveria continuar a ser o namorado dela, mas tirou isso de seus pensamentos o mais rápido que surgiu, negando em reprovação.
Assim que saiu do banheiro, se surpreendeu ao não ver Thalia ali, arqueando a sobrancelha e descendo para a cozinha, devidamente vestido e tendo um sobressalto ao vê-la do jeito que veio ao mundo sentada na cadeira do balcão, respirando fundo.
— Eu fiz ovos para você – ela apontou para a frigideira, fazendo-o se irritar.
— Você está machucada e ainda faz questão de fazer ovos para mim?
— Eu não estou machucada, caralho! Eu estou com a dor normal que todas as garotas têm depois que se PERDE A VIRGINDADE, porque foi isso que você fez ontem, entendeu?
— Thals...- ele suspirou, a fazendo sorrir minimamente por ele tê-la chamado por um apelido fofo. – Eu vou te matar, mas eu te amo, ok?
— Romeu E Julieta, não, por favor – retrucou, negando em reprovação e cruzando as pernas, sentindo uma pontada de dor e fazendo uma careta.
— O Romeu não mata a Julieta, você sabe disso, não é?
— Não sei, nunca li – deu de ombros com um meio sorriso.
Nico a abraçou, apertando-a contra seu corpo.
— Eu não sei o que eu faço com você, Thals!
— Talvez me apertar um pouco menos primeiro, segundo me dar um beijo, terceiro dizer que me ama, quarto dizer que não está com raiva de mim e prometer que não vai me deixar porque eu estou com uma dorzinha, e nem ficar bravo.
Ele deu risada, afrouxando o aperto e se inclinando, selando seus lábios em um beijo rápido.
— Eu te amo, não estou mais com raiva de você e eu prometo que nunca vou te deixar, porque isso seria uma merda enorme que eu faria porque eu amo você, então por que deixaria alguém que batalhei tanto para ter?
— Aí que tiro – murmurou inebriada, sorrindo. – Eu também te amo.
A campainha soou pela casa, a fazendo arregalar os olhos e descer da cadeira em um movimento brusco demais, disfarçando seu gemido com um uh prolongado, que o fez segurar a risada.
— Sua blusa, agora! – mandou, o fazendo negar em reprovação e tirar a blusa, dando para ela.
— Eu acho que vão notar que você não tem nada por baixo, sabe? Quando você sentar no sofá...
— Eu vou subir para pegar meu celular, vai abrir a porta antes que o Leo invada aqui igual a Miley Cyrus...de novo! – ela endireitou a postura e andou na frente dele – está na cara?
— Não, você consegue disfarçar mais do que a Thayla – retrucou, o que a fez fazer uma careta.
— Viu? Todo mundo sente dor! Agora vai, que eu já vou – empurrou-o para a porta de vidro, vendo seus amigos ali e acenando cumplice, subindo as escadas com uma calma que até ela se surpreendeu, seguindo até o quarto mordendo a língua para conter a dor e fechando a porta atrás de si, ofegante. – Consegui, porra!
Caminhou até o guarda-roupa e o abriu, pegando uma cueca de Nico e a vestindo com dificuldade, deixando de lado o sutiã e saindo do quarto normalmente, lembrando-se de pegar seu celular e colocar os cabelos para frente, para ocultar seus peitos.
— Você não vai nem acreditar! – Annabeth a recebeu no começo da escada, com um sorriso brilhante que a assustou. – Saiu no site da competição que a Drew e o Ethan copiaram uma coreografia da internet, então vocês ganharam! Thals, vocês passaram para a segunda fase!
— Eba! – Thalia se fingiu de animada, mesmo que estivesse chorando por dentro. – Quando que é, mesmo? Para ter noção, preparar coreografia, sabe?
A loira engatou seu braço no dela e começou a arrastar para o sofá, a fazendo a xingar mentalmente de muitos nomes, mas permanecer inexpressiva por fora.
— Daqui a um mês – respondeu, a deixando sentar perto de Nico e se jogando no colo de seu próprio namorado.
— Vocês vieram aqui só para isso? – Thalia questionou, se aninhando no peito do Di Ângelo, que passou o braço entorno dela e franziu o cenho ao ver a blusa subir e notar que ela usava uma cueca sua, comprimindo os lábios e negando em reprovação.
— Por quê? Estamos atrapalhando o casalzinho? – Piper deu um sorriso malicioso, que a fez rir.
— Não, é porque hoje é dia de limpar a casa, então vocês se foderam porque vão me ajudar! – ela bateu palmas animada. – Eu vou dar banho nos cachorros, vocês separaram as tarefas, okay?
A Grace saiu do colo do namorado, chamando seus filhos para subirem junto dela, indo até o corredor de piscina e fechando a porta atrás de si, deixando com que eles se jogassem na água e se sentando em uma das espreguiçadeiras, ficando de olho para o caso de algum deles não conseguir subir na parte rasa.
Enquanto isso, o resto do povo estava dando duro para deixar aquela casa brilhando, passando o resto da manhã nisso, parando para almoçarem e Thalia deu a desculpa que voltaria a lavar Cérbero, que ter muitos cachorros era complicado, ainda mais quatro monstrinhos como ela tinha, voltando para a sala da piscina e quase dormindo ao ver que os cachorros estavam secando naturalmente.
Quando era quatro e meia da tarde, o pessoal entrou na sala de piscina, ficando incrédulos ao verem a garota dormindo tranquilamente enquanto os animais estavam aos seus pés, também roncando.
— Filha de uma puta! – Bianca xingou, querendo avançar para afunda-la naquela piscina até que ela implorasse por misericórdia.
— Não! Deixa ela, minha pandinha – Nico a parou, fazendo um bico e negando em reprovação – depois eu vou fazer ela limpar tudo isso sozinha, deixem ela pensar que se safou. Ela está trabalhando muito, porque ela está insistindo em pagar para mim para que possa ficar aqui.
Pipoca acordou com o barulho que eles faziam, correndo em direção ao Nico em pequenos saltos, fazendo-o confundi-lo com um filhote de cabra, até que ele sorriu e o pegou nos braços, notando que estava mesmo cheiroso.
— Ela te deu banho mesmo! – disse admirado, recebendo uma lambida na ponta do nariz. – Vou considerar isso como um sim! Tá cheirosinho meu bebê, tá? Tá?
***
— Thals? Pode acordar, eles já foram embora! – Nico a sacudiu levemente pelos ombros, a fazendo soltar um muxoxo e abrir os olhos azuis. – Bom dia bela adormecida.
— Me leva para a cama? Eu quero dormir mais! – ela esticou os braços manhosa, o fazendo rir leve e a pegar no colo, caminhando devagar pela casa.
Ele a depositou na cama com cuidado, observando-a se espreguiçar e começar a passar as mãos por seu próprio corpo, o que o fez estreitar os olhos desconfiados, já que ela tinha os olhos fechados.
Ela levou uma das mãos para o meio de suas coxas, o fazendo arregalar os olhos levemente e a chamar, com um tom de repreensão, que a fez abrir os olhos.
— O que você...? – questionou, cauteloso.
— O que? – ela murmurou meio perdida.
— Ah, nada!
— Você achou que eu ia me masturbar? – Thalia questionou ao analisar o jeito que ela estava.
— Sim.
— Achou certo – ela deixou um sorriso malicioso crescer em seus lábios.
A Grace resolveu fazer isso para zoar com ele, apenas para descobrir a reação que ele teria ao vê-la fazê-lo.
— Você não ousaria...- começou, com os olhos semicerrados em um desafio.
Ela afastou a cueca e foi direto em sua intimidade, tombando a cabeça contra o travesseiro e o fazendo trincar o maxilar e segurar sua mão.
— Thalia! – puxou sua mão dali, a fazendo rir. – Sua...sua...sua ninfomaníaca!
— O que foi? Eu não posso me causar prazer?
— Você está machucada, caralho! – retrucou obviamente.
– Mas...
— Nada de mas, Thalia! Você tem que se controlar menina, será que perder a virgindade foi o estopim para isso?
Thalia começou a rir, quase engasgando com sua própria saliva, apertando a barriga, já que sentia dor quando dava risada, porém não conseguindo deixar de fazê-lo, notando que ele tinha bufado baixo.
— Eu mereço você, garota!
— Eu não fiz nada, você que veio com segundas intenções achando que eu fosse me masturbar! Se eu fosse fazer isso, eu iria fazer em um clima especifico ou longe de você! – retrucou com um meio sorriso, com os risos cessando e morrendo em sua garganta.
— Pandinha, vai dormir! – mandou, vendo-a rolar os olhos e se aconchegar, dormindo em um instante.
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