Gêmeas

2 Episódio I: Morta


Notas iniciais
Oi galera, voltei o/ Olha como eu estou regrada, postando os capítulos dessa fic todos os dias auhsuhauhsuahs Bom, não vou ficar me demorando aqui, então vambora!

A balada parecia animada de fora. Mesmo metros e metros longe, eu conseguia ouvir a música eletrônica alta. A fachada era vermelha, com neons coloridos expondo o nome. Cosmos. Excelente nome, parabéns para o dono desse lugar. Uma fila enorme se estendia por toda a calçada, pessoas se acotovelando para não perder seus lugares na fila. Entrar ali demoraria a noite toda.

__ Fique tranquila, tenho entrada VIP aqui na Cosmos. O dono é um amigo antigo – Ben disse, logo que o cab estacionou. Desci primeiro, seguida dele. Fiquei esperando um pouco mais atrás, enquanto ele falava com um dos brutamontes que guardavam a entrada da Cosmos.

__ Benjamin Field – ele disse. – Sou um velho amigo do Martin – e mostrou algo para o guarda. Dali de trás não consegui ver o que era, mas percebi que refletia luz. Ele guardou o objeto de volta no bolso e me chamou com um aceno de mão. Entramos juntos.

De dentro, ela parecia um globo de luz, refletindo feixes de luz em tons diferentes para todos os lados. Na parede direita, dezenas de garrafas de bebida ficavam expostas, a escolha do freguês. Nos cantos mais escuros, os casais mais animados se beijavam com ardor. No centro, uma massa dançava freneticamente na batida da música. Eu me sentia uma ateia na Terra Santa, totalmente deslocada. Entrando, nos sentamos no barzinho. Para tentar melhorar meu humor, pedi uma bebida bem forte. Ele me acompanhou.

Ficamos ali por algum tempo, conversando. Acabei descobrindo que ele era fã de quadrinhos, assim como eu. Engatamos num papo descontraído, eu ria mais de nervoso do que pelas piadas engraçadas.

Por volta da uma hora da manhã, eu já estava meio bêbada. Não sei como, mas quando me vi, já estava dançando na pista. Tenho esse problema, de vez em quando perco a memória. Culpa do álcool. Ali, no meio de tanta gente, não conseguia distinguir as faces – todas pareciam se misturar, no meio da confusão de cores, olhos brilhando, sorrisos abertos e cabeças virando. Nunca me droguei, mas me sentia diferente. Mais eufórica, talvez. O tipo de sentimento que eu não conseguiria com oito copos de cerveja.

De repente, eu senti como se saísse debaixo da água, conseguindo finalmente enxergar tudo mais claro. Estava olhando para o rosto de uma mulher. Ela estava sofrendo. Dor.

Seu rosto era igual ao meu. Éramos iguais.

Sophia?

*

As próximas imagens são um pouco difusas. Não me lembro de muito, a não ser ver uma mulher igual a mim cair morta, no chão da pista de dança. Depois disso, a próxima coisa que consigo recordar é do copo enorme de café quente e da manta que recebi na ambulância. A enfermeira fez algumas perguntas, nada que eu não conseguisse responder.

__ Bom, como isso é caso de polícia, duvido que alguém da Yard não vá passar aqui para te fazer perguntas. Sugiro que não saia enquanto eles não deixarem – ela aconselhou. A imagem do detetive consultor surgiu em minha mente por alguns segundos, antes de ser substituída pelo rosto da mulher.

Porque ela estava ali? Pelo que me lembro, ela estava morando na França, casada com um francês. Tinham dois filhos, segundo mamãe. Mamãe! Preciso avisá-la. Não sei como ela vai reagir, mas ela precisa saber. Ela deve ser uma das primeiras a saber.

Irmãzinha.

Irmãs gêmeas.

Sophia é – ou melhor, era – minha irmã gêmea.

E agora, ela está morta.

*

__ Oi filha – ouvi a voz de mamãe do outro lado da linha. Parecia tremer de nervoso, e estava chorando. Muito.

__ Oi mãe – respondi.

__ Está tudo bem com você?

__ Na medida do possível, sim. E a senhora?

Idiota. Não estava bem, porque eu perguntei isso? Pergunta estúpida.

Ela desatou a chorar de novo. Pergunta muito bem escolhida, Luna. Parabéns.

__ Não sei o que fazer. Não sei mais o que fazer – soluçou.

__ Calma mãe. Estou fazendo o possível para ajudar – disse, tentando confortá-la.

__ Ela era tão jovem... Minha menininha... Não acredito que ela... Não pode...

__ Calma mãe – repeti umas três vezes. Eu tenho o dom de não conseguir acalmar as pessoas. – O pai já sabe disso?

__ Sim... Ele está em Bristol, vai pegar o trem para Londres depois de amanhã.

__ Diga para ele que, se ele quiser, pode ficar aqui em casa – passei por cima do meu ego para conseguir dizer isso. É melhor parar com essa briga por um momento. Mamãe não aguenta mais.

__ Tudo b... Espera, deve ser um milagre. Não estão mais bravos um com o outro?

__ Por enquanto, até descobrirmos o que aconteceu a Sophia, é melhor parar – fui sincera. Ela parecia mais aliviada depois da minha resposta.

__ Tudo bem, vou avisá-lo. Luna, me prometa uma coisa.

__ Qualquer coisa, mãe.

__ Prometa que vai ajudar o máximo para que esse monstro seja preso. Prometa.

__ Prometo mãe. Juro.

__ Obrigada. Você não sabe o bem que isso me faz.

__ Fique tranquila, mãe.

Lestrade apareceu do meu lado.

__ Mãe, vou desligar. O chefe da polícia está aqui. Qualquer novidade, você será a primeira à saber. Prometo.

__ Tudo bem, anjinho. Toma cuidado. Ainda tem aquela arma?

__ Tenho. Vou andar com ela na bolsa, de hoje em diante. Beijinho, mãe. Não se esquece dos remédios para o coração, tá?

__ Não esqueço. Beijo.

Desliguei a ligação. Bloqueei o celular e o devolvi ao bolso da blusa. Dei mais uma bicada no café antes de responder Lestrade.

__ É o mundo dando voltas. É bom te ver de novo. O que sua mãe disse?

__ Que meu pai vem para cá depois de amanhã. E que quer que eu ajude a prender quem matou a Sophia.

__ Você não parece abalada. Não tanto quanto deveria. Ela era sua irmã.

__ Eu e Sophia éramos irmãs de sangue. Mas ela... Não era a melhor irmã do mundo. Brigávamos feio quando morávamos juntas, com mamãe e papai. Depois de uma briga que tivemos, ela saiu para beber. Bebeu demais e atropelou meu antigo noivo. Numa conversa, algum tempo depois, ela disse que não foi por querer. Mas depois do laudo da perícia ser de homicídio doloso, não aguentei. Ela foi condenada a um tempo de prisão, e eu finalmente consegui entrar na faculdade.

Tem mais. Mas não me atrevo a contar essa história para ninguém. Lestrade é policial, iria me prender.

__ Tinham quantos anos?

__ 23 – respondi. – Eu estava noiva há 1 ano.

Acabei tendo que contar tudo o que aconteceu naquele dia, desde sair do Barts, chegar em casa, ler, tomar banho, me arrumar, escolher a balada, as bebidas, a dança, até ver minha irmãzinha cair morta, com sangue escorrendo da boca.

Não demorou muito para que Greg Lestrade – descobri que esse era o nome dele com uma tal de Sally Donovan – chamasse o detetive consultor para bisbilhotar na cena do crime. Sherlock apareceu nas mesmas roupas de mais cedo (meu Deus, ele nunca tira aquele casaco?), só que parecia mais disposto. John estava logo atrás. Veio atrás de mim, enquanto Holmes dirigia-se para a entrada da Cosmos, agora lacrada com dois policiais.

__ Oi, Luna. Meus pêsames pela sua irmã. Como você está?

__ Tudo bem, obrigada por perguntar.

__ Conte-me tudo o que se lembra.

Notas finais
Gostaram? Espero que sim ^^ Comentários são sempre bem-vindos e, se gostarem muito, sigam para receber os updates de capítulos novos! A gente se vê amanhã, se tudo der certo :3 Beijinhos da ruiva, Amelia.