Gypsy Heart
13 Nyx
Notas iniciais
Selene narrando
Acordei junto com o sol, tomei meu banho e me arrumei para começar a treinar. Hoje terei que mais uma vez ir até o 13º templo, mas é para falar com Saga (que está substituindo Shion como grande mestre) para terminar o meu relatório sobre a missão que eu tive na Roma.
Terminei de pentear os meus cabelos e os prendi rapidamente em uma trança baixa para não dificultar no treino. O pior é que agora aquele narcisista do cavaleiro de peixes cismou comigo!
Lembro-me que nunca cheguei a treinar realmente aqui, a maior parte do meu treinamento foi na Sibéria e passei muito pouco tempo no santuário. A primeira vez que vim até o santuário eu ainda era uma garota magricela de 14 anos que nem havia encorpado ainda. Meu mestre foi chamado no santuário e eu tive que vir junto, fiquei esperando na porta do templo de aquário e conseguia ouvir os barulhos e gemidos do templo de peixes. Aquele cavaleiro sempre foi um cachorro, que se faz de santo mas é igual a todos os homes. Eu sei bem como os homens são.
– Saia do meu caminho chienne – falou a amazona de abelha
– Retire o que disse! Rita, você não sabe de nada! – falei não me intimidando.
Eram poucas as pessoas que sabiam de meu passado, que sabiam que aos 10 anos eu havia me tornado órfã e meu tio depois de arrancar a minha virgindade me vendeu para um bordel. Durante três anos eu servia de acompanhante para homens casados que necessitavam se sentir jovens ficando com uma criança, até que um dia um tentou me matar e eu libertei o meu cosmo. O meu mestre, Camus, passava por perto e me tomou por sua aprendiz. Nunca serei grata a alguém, mas do que por ele.
Rita era uma aprendiz em estado probatório do santuário – no primeiro ano a maioria dos aprendizes não tem um mestre fixo, apenas Marin e Shina para a garota e dois outros cavaleiros para os garotos, mas Rita esperava ser treinada por Camus. Foi uma surpresa para todos quando ele mandou uma carta falando que encontrou uma aprendiz e que não voltaria para o santuário para poder treinar melhor a garota.
A minha história foi mantida em grande segredo, apenas Atena, meu mestre, Shina e Marin deveriam saber de meu passado. Mas Rita sabia, não sei como, mas ela descobriu. Mas se eu mostrar que isso me incomoda estarei perdida.
– Não sei de nada? Você não passa de uma chienne que pensa que é amazona! Deve ser mais rodada que o Afrodite!
– Se você precisa usar essas palavras e xingamentos para se conformar que eu sou melhor e que eu fui a aprendiz de mestre Camus, use-as – falei em tom superior – mas agora eu tenho que treinar, não tenho tempo a perder com garotinhas frívolas.
Falei usando um tom superior, mas por dentro eu estava absolutamente confusa. Uma parte de mim queria matar aquela desgraçada que ousava falar mal de mim, mas outra parte queria chorar por me lembrar de tudo o que passei.
Cheguei no campo de treinamento, e apenas os aprendizes no estado probatório treinavam sem descanso. Comecei a me aquecer para começar a treinar, eu sempre treinava sozinha, não tinha amigas aqui ou em qualquer outro lugar. As vezes meu antigo mestre Camus me chamava para treinar com ele, ou até mesmo Hyoga. Algumas vezes eu visitava Hyoga em seu treinamento, tenho muito afeto por ele.Agora o cavaleiro de cisne tem uma aprendiz.
Continuei treinando, aos poucos outros cavaleiros chegam para treinar seus aprendizes ou para fazer seu treinamento individual. Vi a garota que está sendo treinada pelo cavaleiro de câncer chegando emburrada, ele a mandou correr em uma pista de obstáculos que geralmente é usada pelos aprendizes que já treinam a dois anos, só que ela ainda tinha que carregar uma mochila cheia de pedras. Se ela sobreviver ela irá virar uma lutadora muito forte.
– Faça isso até eu ficar entediado – falou o cavaleiro de câncer abrindo uma cerveja.
Já estava indo voltar ao meu treinamento quando sou abraçada por alguém, olho para baixo e vejo a cigana de olhos tão inocentes quantos vermelhos. Ela é uns 5 cm mais baixa que eu e as vezes penso que é uma garotinha de tão inocente que é.
– Bom dia Selene! – ela disse alegremente.
– Bom dia.
Sentia os olhares do cavaleiro de peixes sobre mim, não olhei para ele nenhuma vez. Ele é como todos os homens que pagavam para se deitar comigo, só procuram uma noite de luxuria e prazer, mas vem as garotas como animais.
– Vamos treinar juntas hoje? Afrodite disse que não se importaria – ela falou com um sorriso tão doce que era impossível dizer não.
Heike narrando
Era fim de tarde e graças a deus o meu treino com o sádico do Máscara da Morte terminou! Estou toda dolorida e despedaçada! Ele é um péssimo mestre, treinador... tanto faz! Não suporto ele, tudo o que tenho feito é correr! Ninguém merece! Como se correr muito fosse me ajudar a salvar a Kiara em um momento de emergência!
O pior de tudo foi que assim que eu cheguei no meu templo todo dolorida e xingando o sádico do Máscara em alto e bom som, quem estava lá rindo e se divertindo com o Mu! E aquela tal de Nira ainda perguntou se estava tudo bem comigo! O Mu agora só tem olhos pra Nira!
Tomei um banho irritada e pronta para matar o primeiro idiota que viesse se meter no meu caminho. Estava usando um top e uma saia cigana cheia de contas de medalhas de ouro. Acho que estou em um momento de nostalgia e saudade do meu clã!
– Tudo bem Heike? – perguntou Mu entrando no meu quarto.
Como assim Tudo bem Heike? Ele nem olhou na minha cara direito desde que essa amiguinha dele chegou! Talvez eles sejam até mais que amigos! Ele disse que me amava, mas já está todo de chamego pra cima de outra!
– Agora você está preocupado comigo? Porque não vai ver se a sua queria Nira precisa de algo? – falei irritada.
– Heike é claro que eu me preocupo com você! – ele disse chocado.
Ele só se preocupa comigo quando a vadia da Nira está longe! Porque quando ela está por perto ele nem se lembra que eu existo! Os olhos deles parecem hipnotizados por aquela vagabunda de cabelos verdes!
Simplesmente odeio essa garota! Ela estragou tudo! As coisas estavam bem e melhor quando ele não agia feio um retardado baba ovo de uma garota sem sal e sem personalidade!
– Se preocupa comigo? Agora você só tem olhos para essa Nira! Até parece que vocês tem algo – falei em tom acusador.
– E se tivermos? Você deixou bem claro que não quer nada comigo – falou o Mu.
Como ele pode? Ele disse me amar? Disse que eu era importante pra ele, ele me beijou! Não aguentei isso, eu realmente não aguentei ouvir aquilo da boca dele! Isso não podia estar acontecendo, não podia ser real! Foi como se o sádico do Máscara da Morte tivesse me feito treinar por semanas sem parar!
Não aguentei, peguei o abajur e tudo o que eu consegui alcançar e comecei a tacar nele com raiva! Meu coração estava despedaçado, eu não queria isso! Não poderia aguentar algo assim. Ele tentou se esquivar e falar comigo, mas eu não queria ouvir! Não quero ouvir ele falando sobre como a Nira é legal ou do relacionamento deles!
Acho que ele se cansou de servir de alvo para as coisas do meu quarto – mais da metade já esta no corredor – e por isso saiu dali. Me joguei no chão chorando, eu me sentia sem chão. Sem saber o que fazer. Odeio desabafar e todas essas coisas, mas eu preciso da Kiara. Sei que sou eu quem deve protegê-la, mas agora, sou eu que preciso de um abraço.
Sei que não conseguiria encarar o mais novo casal feliz do santuário trocando chamegos e beijos. Tudo bem eu ainda não vi eles se beijando, mas eles devem fazer isso toda vez que eu viro as costas!
Optei por sair pela janela, aposto que esse ariano nem vai sentir a minha falta. Afinal de contas, agora ele só tem olhos para essa nojenta da Nira. Garota sem personalidade e que veio aqui totalmente de intrusa! Ela podia muito bem continuar no moquifo onde morava antes!
Subi rapidamente pelas doze casas procurando pela Kiara, com a minha sorte ela deve estar junto com aquele tal de Afrodite. Não confio nesse cara, ele fica dando em cima da Kiara e ela nem percebe! É obvio que todo esse carinho que ele sente por ela é fingimento! Ele só está querendo fazer com que a Kiara se apaixone por ele.
– Heike! – falou uma Kiara sorrindo pra mim.
Kiara descia as escadas entre a casa de Peixes e de Aquario, então sim, ela estava com ele de novo. Já avisei-a milhares de vezes para se afastar, que ele não é bom para ela. Só que ela NUNCA me escuta.
– oi – o meu cumprimento não saiu tão animado quando eu gostaria.
Ela parou para me olhar, depois sorriu me pegou com a mão e me levou para sentar em baixo de uma das árvores que contornam as escadarias das doze casas. Ela me fez deitar em seu colo e começou a fazer tranças no meu cabelo colocando flores junto. Ela cantava uma musica do nosso clã para me acalmar.
– Calva, vai dar tudo certo – ela disse terminando a trança – o que houve?
Não aguentei, eu simplesmente despejei tudo o que eu sentia. Contei sobre os meus sentimentos por Mu, contei sobre o nosso beijo e sobre o que houve no meu aniversário. Contei da declaração dele e das minhas inseguranças, que eu não deveria amá-lo, pois a minha obrigação era com Kiara. Falei para ela dessa vadia de cabelos cor de meleca de nariz que está na casa de Aries, falei sobre como meu coração está partido.
Sempre considerei que chorar era mostrar fraqueza, aprendi que não posso me mostrar fraca perto de Kiara. Meus pais sempre me falaram que se eu me mostrasse fraca só prejudicaria a minha protegida. Todos sempre me falaram que a nova sacerdotisa era fraca, afinal ela é apenas uma mestiça filha de uma intrusa. Ela podia se dar ao luxo de ser fraca e conservar a inocência da infância porque eu deveria ser forte por nós duas.
– Não fique triste, gosto mais de você sorrindo – ela disse e com os dedos nas minhas bochechas fez um sorriso no meu rosto – sabe um dia em nossas viagens com o clã eu vi um painel com a mensagem: “A vida não é sobre aprender a esperar a tempestade passar, é sobre dançar na chuva”, sabe acho a vida é assim... Ela é difícil, mas no final somos recompensados.... Temos que ser bonzinhos o ano todo, mas no final somos recompensados com presentes do papai Noel. Acho que é isso, agora está em um momento triste e a tempestade não te deixar ver com clareza, mas se você for dançar na chuva...você vai entender... Acho que não falei nada de útil, né?
Ela deu um suspiro frustrado e depois beijou a minha testa. Kiara parecia tão doce e inocente, mas ao mesmo tempo tão madura e sabia. De certo esse é o enquanto de Kiara, mesmo que muitos duvidem eu sei que ela vai ser uma boa sacerdotisa a sua maneira.
– Porque dói tanto? Porque ele tinha que me esquecer? – murmurei voltando a chorar.
– Talvez ele tenha achado que você o mandou esquecê-la – ela falou beijando a minha testa – mas tudo bem! O amor é lindo, as pessoas que se amam vivem felizes para sempre. Ele não pode ter esquecido que te ama, então se você falar que o ama vocês ficam juntos.
Esse foi um péssimo conselho! Eu não posso chegar e falar que o amo agora que ele arrumou uma namoradinha idiota e que pertence à espécie dele? Pra que? Ele vai dizer que a fila andou e eu fiquei pra trás! Jamais!
Além do que, nós não podemos ficar juntos! A minha prioridade deve ser a Kiara, a segurança dela! Sou a protetora dela, sua guardiã! Ela tem que ser a minha prioridade e o foco da minha atenção, não um garoto. Já é difícil manter o foco só nela, se eu ficar com esse ariano, será um milhão de vezes pior!
– Heike não se preocupe tanto comigo, estamos bem agora e ter um relacionamento é bom, você não vai me proteger menos por isso – falou Kiara – agora pode ir sorrindo, ouviu bem?
Ela disse tudo em um tom fofo e depois começamos a conversar sobre coisas bobas. Lembramos de coisas de nossa infância, de nossas brincadeiras, lagrimas, brigas, dos lugares por onde passamos e de pessoas que conhecemos. Foi realmente muito boa a história.
Foi quando ouvimos um barulho, era quase um sussurro, mas não passou despercebido. Estava ali entre as árvores, eu ia me por em posição de ataque para enfrentar quem viesse. O problema foi que Kiara não deixou e começou a procurar pelo som.
– Olha um gatinho – falou Kiara apontando para um gato em cima da árvore – você ta bem gatinho? Como chegou aqui.
O gato miou de novo, mas não desceu. Foi quando para o meu desespero a Kiara resolveu subir na árvore para salvar o pobre gato. Não que nós nunca subíssemos em árvores quando pequenas, mas não em árvores tão altas. E se ela cai e quebra o pescoço! Eu deveria ter subido em seu lugar!
Depois a vi descendo com o gato nas gostas. Ela não se importava de estar sujando o top verde com o sangue do gato machucado. Além do top ela usava um short e uma saia curta cheia de medalhas de ouro. Ela tirou a saia ficando só com o short e embrulhando o gato.
– Temos que encontrar ajuda, ele não pode morrer! – ela falou.
O gato era preto e tinha um olho verde e outro amarelo, faltava um pedaço em uma das orelhas, ele estava muito magro e o pelo mal tratado. Mesmo assim era pequeno e parecia ser um filhote.
Fomos até o templo de Aquario, com Kiara segurando o gato com cuidado e chorando por ele. Camus estava lá e nos ajudou a tratar das férias do bichano e lhe dar de comer.
No final Kiara estava sentada no chão brincando com o gatinho, lhe fazendo carinho e brincando um pouco com ele. O riso dela era alegre e o miado do gato era alto, isso ao menos me acalmou um pouco.
– Você gosta de gatos, Camus? – perguntou Kiara sorrindo e fazendo carinho na cabeça do bichano.
– Eu acho-os bastante interessantes. São independentes, donos de suas próprias vidas, eles não barganham por comida ou se submetem a fazer truques idiotas para alegrar seus donos. – falou o ruivo serio – se eles estão com alguém é porque realmente gostam da pessoa. Não se pode ser dono de um gato, mas sim amigo. Isso é companhia de verdade e pelo visto esse bichinho te escolheu.
Kiara sorriu para o bicho e ele miou se enroscando nela, dava para ver o brilho no olhar dela. Ela também amava o gato, por mais fechado, recluso e um verdadeiro cubo de gelo que seja Camus.
– Esse fofo deve ter um dono, não é Nyx? – ela perguntou afagando seus cabelos – vamos procurá-lo Heike? Assim você distrai a cabeça.
Kiara narrando
Cheguei no templo de virgem pouco antes do horário do jantar carregando a minha gatinha no colo. A tarde com a Heike foi boa, o meu plano e o do Mu está dando certo! Tenho certeza que eles vão ser juntos!
Vai ser tão fofo se os dois ficarem juntos para sempre! Estou vendo, eles darão o beijo do amor verdadeiro, trocaram juras de amor e se casaram com o por do sol os iluminando! Será tão lindo!
– Quer conhecer o meu quarto, Nyx? – pergunto sorrindo para o gatinho.
Sempre quis ter um gatinho, mas o meu tio que é o chefe do clã nunca deixou. Ele diz que somos nômades, que ciganos são livres e não devem se apegar a um bicho traidor que só lhe fará gastar dinheiro com comida.
Estava deitada na minha cama brincando com o gato, me pergunto se Atena me deixaria ir espalhar pela cidade aqui do lado do santuário cartazes com o nome e a foto dele, também poderia aproveitar e comprar alguns brinquedos.
A serva que veio encrencar comigo por causa... bem do meu beijo com Shaka veio me chamar. Fui comer carregando Nyx no colo, mas sentia os meus lábios formigarem. Nunca havia sido beijada antes. Foi com o senhor Shaka o meu primeiro beijo.
Me sentei e coloquei o gatinho no meu colo que começou a ronronar, tão fofo! Ele deve ter se perdido de seu dono, quem seria capaz de abandonar por ai um gatinho tão fofo! Tão doce e tão delicado!
– Quem lhe deu permissão para trazer um gato para o meu templo – falou Shaka de forma dura.
Engoli em seco, em nenhum momento eu achei que ele fosse ligar. Sou mesmo uma tola, uma péssima hospede! Não devia ter trazido essa bola de pelo fofo e doce para cá sem perguntar!
Só que ele é a reencarnação de Buda, achei que ele amasse os animais e as plantas. Entendo que ele me ache inferior, não posso fazer nada quanto a isso. Mas achei que ele amasse os animais!
– Desculpe-me – falei constrangida – encontrei-o ferido... Não achei que ia se incomodar, ele está tão fraco... Amanhã eu verei se o Mu pode tomar conta dele enquanto não encontramos a família dele...
Droga estou tagarelando e falando demais, estou perturbando o silencio. Sou uma boba, o Nyx ronronou de novo enquanto eu fazia carinho em sua barriga. Ele me olhava com tanto amor que eu não pude evitar sorrir.
Eu e esse gato temos algumas coisas em comum, estamos perdidos e sem família. Encontrei uma família temporária no Santuario, uma família que eu amo muito e onde encontrei pessoas incríveis. Quero lhe dar um lar temporário enquanto ele não encontra sua própria casa. Eu tenho esses olhos vermelhos que muitos não compreendem, ele tem os incomuns olhos de duas cores que também são incompreendidos.
– Não iria me importar com um animal peludo que ficará espalhando pelo pela casa, arranhando minhas estatuas, derrubando coisas e atrapalhando o silencio – ele perguntou em um tom tão frio que partiu meu coração – mas uma cigana como você não tem uma capacidade de dedução tão boa.
– Sinto muito se o interpretei mal – falei com as faces rubras e tentando tomar coragem – mas achei que não ligaria, achei que no budismo os animais fossem importantes... afinal eles são formas de vida, não existe uma vida que é superior ou inferior... Não somos todos filhos da terra?
O gatinho ronronou mais uma vez e pedia por carinho, coloquei um pouco de comida em um prato e fui para o meu quarto. Sempre imaginei que o senhor Shaka fosse realmente bom, quer dizer eu sou uma intrusa que ele é obrigado a hospedar. Não posso mudar a opinião que ele tem sobre mim, mas achei que ele tivesse algo.
Comi quieta no quarto fazendo carinho em Nyx, amanhã verei com Mu se posso deixá-lo lá e assim aproveito para ver como anda a operação cupido. Deixei o prato na penteadeira.
Continuei fazendo um carinho leve em Nyx que me olhava com seus olhinhos, puxei o ursinho que ganhei do senhor Shaka para mais perto. Me pergunto que tipo de opinião o meu gatinho deve ter sobre Shaka.
– Sabe... ele não é mal – falei enquanto fazia um carinho atrás de sua orelha – sei que ele tem um lado bom, mas acho que não sou digna desse lado dele.
Sei que é bobeira, mas não quero que Nyx odeio o Shaka. Falei alguma das qualidades dele para o meu gato e disse o quanto ele foi bom por me acolher. Talvez ele tenha bons motivos para não querer um gato aqui, eu devia ter perguntado. Sou mesmo uma boba.
Amanhã irei me desculpar com o Shaka, eu fui rude trazendo o Nyx para cá sem pedir permissão e eu não devia ter saído daquele jeito da mesa. Fui uma grossa com ele, espero que ele possa me perdoar amanhã.
– Boa noite Nyx, boa noite ursinho – falei abraçando o ursinho e sentindo o gato deitar na minha cama também.
Shaka narrando
Acordei no meio da noite, mais uma vez sonhará com ela. Meu corpo ainda respondia aquele sonho pecaminoso que tivera. A culpa era dela, com sua inocência de menina que vinha atrás de mim para me seduzir.
Mas, aquele sonho fora tão real. Ainda sentia o gosto dos lábios dela, morango, era esse o gosto. Provara dele duas vezes e sabia que se continuasse assim ficaria louco, tudo o que posso fazer é continuar meditando e me mantendo longe dela. Logo essa hospede incomoda voltará para sua vida pecaminosa longe daqui.
Fui até a cozinha pegar um pouco de chá para me acalmar e poder voltar a dormir. Tenho que parar de pensar nessa cigana. Tomei um chá de ervas calmantes e estava voltando para o meu quarto, quando noto que a porta do quarto dela está entre aberta.
Entro em seu quarto e mais uma vez ela me faz perder o controle, não consigo manter meus olhos fechados e a olho. Ela está serena e abraça fortemente o ursinho que eu lhe dei, o gato também está ali. Não é um gato particularmente bonito, é mago demais e não tem um pedaço da orelha direita.
Não podia permitir que aquele gato ficasse ali, estaria indo contra o que eu mesmo disse apenas para alegrá-la. Não vou me submeter as vontades dela, não vou. Só estou pensando assim agora por culpa daquele maldito sonho.
Já estava para ir embora quando ouço ela começar a se mexer, ela estava tendo um pesadelo. Ela se mexia muito e a expressão em seu rosto já não era mais serena, ela parecia perturbada.
– Não... não – ela murmurava.
Seu sonho parecia violento, lagrimas escorriam de seus olhos e ela se mexia sem parar. Ela abraçava o ursinho com força. Me pergunto o que está acontecendo, me sentei ao seu lado sem saber o que fazer. Não poderia acordá-la, ela não pode saber que eu estou aqui, não pode saber que eu vim até o seu quarto ou que eu quero que o seu tormento passe.
Ela ficou quase uma hora assim até que finalmente se acalmou. Varias lagrimas tinham escorrido, ela apertava o urso com força e parecia perturbada. Os cobertores dela já estava no chão e ela se encolheu toda de frio. Coloquei as cobertas sobre ela e a cobri, o gato se aproximou mais dela e um sorriso leve se forma. Senti vontade de beijá-la, mas ela começou a acordar. Sai dali rapidamente antes que ela acordasse, não deveria estar ali. Tudo isso foi por culpa do meu pesadelo, dos sonhos pecaminosos que tenho tido com ela.
Tenho que fazer com que ela entenda que é inferior e pare de se aproximar. Não vou deixar que ela interfira na minha vida, não vou deixar que ela destrua o equilíbrio desta casa. Tudo o que está acontecendo comigo é culpa dela, eu sei.
Urso que o Shaka deu: http://download.ultradownloads.com.br/wallpaper/239750_Papel-de-Parede-Ursinho-de-Pelucia--239750_1280x960.jpg
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