Gypsy
2 Corporativo Engomadinho.
Notas iniciais
POV Rachel
Entrei na enfermaria e já soltando um suspiro alto. Definitivamente a vida de uma residente não era fácil! Faltavam apenas alguns poucos meses para finalizar minha residência em ortopedia e traumatologia e minha mentora, Sue, era uma megera! Eu não conseguia imaginar como uma mulher daquela podia ser tão mal amada, só podia ser falta de sexo, muito tempo trancada naquele hospital tinha feito ela ficar um pouco maluca.
O resultado dessa loucura era: eu estava com quase um mês completo sem conseguir fazer nada a não ser dar plantão e correr pra casa pra dormir. A última vez que tinha saído pra me divertir acabei no apartamento de algum desses corporativos engomadinhos, então eu precisava de outra noitada urgente! Mas, pelo andar da carruagem, isso não iria acontecer tão cedo. Por isso aqui estou eu novamente, chegando no hospital, depois de apenas cinco horas de descanso, para enfrentar mais um dia na urgência do hospital em New York.
Geralmente era bem corrido, eu só dava conta do quanto estava exausta quando sentava em qualquer lugar e acabava cochilando. No entanto, tirando toda correria, eu amava o que fazia, tinha certeza que estava na carreira certa. Portanto botei um sorriso no rosto quando avistei as primeiras pessoas me cumprimentando, respondendo da forma mais agradável que pude. Depois de falar com o pessoal na recepção fui direto para a salinha onde os médicos da urgência ficavam. Estava torcendo para Sue não estar naquele horário, porque se ela não estivesse, o Blaine estaria e eu simplesmente amava quando atuava na urgência com ele, era outra coisa, tudo ficava muito menos estressante. Para minha sorte, quando adentrei a salinha, era realmente o Blaine que estava lá.
– Doutor Anderson, boa tarde. — Falei enquanto entrava para cumprimenta-lo.
– Rachel, querida, me chame de Blaine! — Ele sorriu de volta, enquanto tomava um gole de algo que, pelo cheiro que estava na sala, presumi que era chá.
– E então, preparada para mais uma tarde corrida na urgência?
– Claro que sim, doutor And… — Ele me lançou um olhar repressor e eu me corrigi. — Blaine! Mas sinceramente, não vejo a hora de concluir minha residência!
– E de se livrar da Sue também, não é? — Ele piscou pra mim, divertido. Nunca havia reclamado em alto e bom som da Sue, mas era bem claro que o pessoal do hospital não gostava muito dela.
– Não diga isso, Blaine! A doutora Sylvester é uma excelente profissional, só é um pouco rígida as vezes. — Fui até a cafeteira, pronta pra pegar um café para entrar no ritmo da emergência, mas antes que eu pudesse beber, uma enfermeira adentrou a sala, atraindo minha atenção e a de Blaine.
– Doutor Anderson, temos duas urgências que acabaram de surgir, precisamos do senhor.
– Mas como espera que eu atenda duas urgências de uma vez? Eu sou só um! — Ele falou franzido a testa e logo largando o copo que segurava, se preparando para sair apressado.
– Bom, um dos casos é mais delicado e precisa de mais urgência. Porém temos um que aparenta ser uma simples contusão, então achei que a doutora Berry pudesse atender no lugar do senhor.
Sorri ao ouvir a enfermeira me chamar de doutora Berry, mas o sorriso logo sumiu quando o Blaine concordou e passou a me encarar.
– O que acha, Rachel?
– O quê? Está falando sério? — Eu larguei o café sobre o balcão um pouco nervosa.Eu já havia atendido algumas ocorrências, mas sempre com supervisão do médico responsável, fazer aquilo sozinha, ainda por cima em uma urgência, me parecia um pouco arriscado.
– Claro que sim! Você será traumatologista oficialmente em alguns dias, já é totalmente competente para tratar de um caso simples.
– Não alguns dias, alguns meses… — Falei baixo, um pouco travada.
– Vamos lá, Rach, não temos tempo a perder, afinal isso é uma urgência!
Saímos da sala e o Blaine correu com a enfermeira para a outra urgência, enquanto outra pessoa me trazia a ficha do outro caso. Respirei fundo e comecei a ler a ficha. Em resumo, se tratava de um homem que havia sido atropelado por uma bicicleta e simplesmente não conseguiu mais se levantar sem fazer um escândalo, então o que restou ao ciclista foi chamar a ambulância e agora o cara estava aqui, em uma das várias salas de atendimento que havia no hospital. Ao chegar na porta, parei por um segundo, tentando me manter calma e logo abri a porta, mantendo meus olhos na ficha.
– Boa tarde, senhor… — falei rápido ao entrar na sala, checando o sobrenome do paciente. — … Hudson, então o que temos aqui? Acidente causado por uma colisão com uma bicicleta, segundo o que a enfermeira me disse parece ser uma simples contusão. O senhor ainda sente muita dor?
Continuava a olhar para a ficha, esperando a resposta do homem que estava deitado na maca. Diante do silêncio do rapaz levantei os olhos para ele, com medo que ele estivesse tendo algum tipo de ataque, mas ele simplesmente me encarava curioso. O olhei por um segundo e percebi que sua feição não me era estranha, mas eu não conseguia me lembrar de onde o conhecia.
– Senhor Hudson, está tudo bem? — Ele pareceu acordar quando falei com ele novamente, piscando os olhos rapidamente.
– Ahn? Sim, sim… Está tudo bem, doutora… — Ele olhou para o crachá, procurando pelo meu nome. — Rachel Berry… — Ele sorriu malicioso e eu me senti constrangida por aquela situação, não gostava do jeito que ele me olhava. Tentei afastar isso da minha mente e focar no atendimento, mas antes que pudesse falar mais alguma coisa, fui interrompida. — Quer dizer que esse é seu nome e que você é médica? Hm… Ainda bem que você sabe meu endereço.
Quando ele disse isso instantaneamente me lembrei de onde o conhecia e tudo que eu queria era que o chão se abrisse e pudesse me engolir. Não conseguia acreditar que o meu primeiro paciente sem supervisão era também o ultimo cara que havia me levado para cama.
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