Guren
1 Prólogo
Notas iniciais
*Appatarus: Uma criatura tirada da minha imaginação, na historia ela seria basicamente como uns demônios de níveis extremamente baixos, sem poderes alguns, além de aparência desagradável. Eles são aqueles tipos de demônios encontrados no purgatório, que ficam lhe machucando, etc. Desculpem se ficou idiota, mas não querendo desanimar, eles não serão as ultimas criaturas tiradas da minha imaginação nada normal.
4 de abril de 2013, Londres, Inglaterra.
Sentia uma estranha nostalgia. Afinal, à quanto tempo não estava ali? Um século? Talvez mais. Mas não era isso o que importava ao jovem de cabelos preto-azulados naquele momento. Estava mais ocupado prestando atenção na garota à sua frente. Tinha cabelos castanhos que caiam pouco mais que os ombros. Seus olhos eram acinzentados e sua pele extremamente branca. Hayley era seu nome, tinha 14 anos e fez um contrato com Ciel há três anos, quando seu padrasto matou sua mãe e tentou mata-la. Hayley ficou em um orfanato por um mês até conhecer Ciel, com quem fez um contrato para se vingar e procurar seu irmão. Estavam agora em Londres indo para o Internato Asphodel, onde Hayley e Ciel estudariam (contra à vontade de Ciel, é claro) durante o ano.
–Vai ficar olhando o nada como um louco ou irá me ajudar com as malas? – A voz de Hayley o despertou.
Ele olhou para a garota que tinha algumas maletas nas mãos e o olhava com as sobrancelhas levantadas.
–Você consegue ser bem irritante quando quer. – Ele disse, pegando as malas e indo até a garota.
–Obrigada. – Sorriu. Andando até o taxi que os esperava.
Sentaram no banco traseiro e deram as coordenadas ao motorista.
–Ainda não entendo porque temos que estudar. – Disse Ciel, apoiando o cotovelo na porta do carro e colocando o rosto na mão, fechada em um punho.
– É só por um ano, ou menos, dependendo dos acontecimentos. – Disse a garota. – Mas do que esta reclamando? Estou lhe pagando, afinal de contas.
Ciel soltou uma pequena risada e olhou as ruas. Sua cidade não mudara tanto assim afinal de contas. Olhou a garota ao seu lado, e por alguns segundos, desejou que isso também não mudasse.
Uma semana se passou dês de suas chegadas ao orfanato. Estavam agora na biblioteca, Hayley lia um livro sentada no chão, enquanto Ciel olhava a chuva pela janela. Sentiu uma presença a mais na sala.
–Antares... A que devo o prazer da visita?- Perguntou virando-se.
Hayley tirou os olhos de seu livro por um segundo observando os dois demônios a sua frente, dando de ombros e voltando a leitura em seguida. Antares era um homem de cabelos grisalhos, que iam até seus ombros, mas com uma aparência de no máximo 40 anos. Tinha olhos castanhos e lábios carnudos, acompanhados de um sorriso. Vestia um sobretudo preto que lhe ia quase até os pés, o mesmo estava aberto mostrando sua blusa preta que lhe ia até o pescoço e suas calças igualmente pretas.
–Vim lhe contar uma historia...-Sorriu, não o tipo de sorriso amigável, mas seu típico sorriso misterioso. – Há 17 anos eu estava sendo caçado pelos arcanjos e deixei uma criança de 5 meses na porta de uma família que eu julgava segura, e eu não podia ser visto com esse tipo de criança...
–Esse tipo de criança?- Ciel interrompeu. Antares fez um gesto dizendo para ele esperar.
–Essa criança é fruto de um romance proibido entre um demônio e um anjo, ambos de alta escala. O anjo e o demônio foram julgados e executados. Mas o que seria a junção de um demônio e um anjo de alta escala? – Ciel ia responder, porém Antares não deixou, continuando rapidamente.- Um ser com poderes mistos que podem ser usados para o bem ou o mal. Há duas semanas um Apparatus* atacou sua casa, e matou seus pais. E se um apparatus a achou os anjos também podem, e se os anjos a acharem irão leva-la para as forças do bem.
–Interessante historia, mas não acho que veio aqui apenas para se socializar, o que quer?-Perguntou Ciel.
Antares riu.
–Quero que ela faça um contrato. – Sorriu, olhando Ciel.
Hayley, apesar de estar lendo o livro, ainda prestava atenção na conversa e hesitou ao ouvir as palavras do demônio, fato que não passou despercebido por Ciel, que não pode deixar de sorrir ao falar:
–Já tenho uma contratante.
–Vejo que sim, mas eu não me referia à você, e sim ao seu contratado.
–Não tenho contato com ele há anos, deveria saber disso.
–Sim, mas também sei que pode fazer contato a qualquer hora e em qualquer lugar.- Disse Antares.
Ciel suspirou.
–De qualquer jeito, um contrato exige a alma do contratante no final. Não seria ruim se a alma dessa garota fosse “devorada” por um demônio?
–Na verdade, esse é o plano.
Ciel fez uma expressão confusa, que foi logo desfeita.
–A alma dessa garota contêm benefícios?
–Benefícios que deverão ser utilizados quando chegar a hora.
–Então não seria mais fácil deixa-la viva?- Ciel perguntou.
–Não seria possível, mesmo que a treinássemos ela não é imortal. Um dia ela morrerá, e temo que isso não demore tanto.
–De qualquer jeito, você poderia falar com ele sozinho.
–Ele precisará de sua ajuda, estou apenas economizando palavras. Como eu disse, um appatarus a atacou, outras criaturas podem vir.
Ciel suspirou, olhando o chão.
–Ela chegará aqui em alguns dias. – Virou seu corpo, indo embora.
Ciel parecia pensar. Hayley colocou o livro em seu colo, olhando o demônio.
–Irá falar com ele?- Perguntou.
–Não sei, essa historia me parece ser um problema...
A garota deu de ombros, voltando a leitura.
–Iria fazer desse ano menos entediante...
Ciel ficou olhando para o nada, pensando. Sorriu consigo, talvez não fosse tão ruim rever um velho amigo.
Paris.
A família estava no carro há 24 minutos, se dirigindo ao aeroporto. O casal nada falava, apenas trocavam alguns olhares. O homem usava um terno e óculos de grau, tinha 34 anos. Sua esposa tinha cabelos ruivos, falsos, boca pintada por um forte batom vermelho. A garota no banco de trás olhava para a janela. Cabelos escuros, compridos. Levou sua mão aos olhos, coçando-os.
–Pare. –A voz da mulher, sua responsável, a interrompeu. – Irá rasgar as lentes... de novo.
–Calada. –A garota disse, entediada.
–Com quem pensa que está falando? –Gritou. –Se não fosse por mim estria morta, já que nem seus pais lhe protegeram...
A garota fechou suas mãos em punhos, respirando fundo. A mulher soltou um gemido alto, colocando as mãos na cabeça.
–O que foi querida? –O homem perguntou.
–Minha cabeça... –soltou um grito. –Parece queimar.
O homem virou o rosto para trás, olhando a garota.
–Lotus, pare! –Falou.
A garota relaxou as mãos e voltou para sua antiga posição, encostada na porta do carro. A mulher respirou fundo, sem sentir mais dores.
–Mal posso esperar para nunca mais vê-la. –A mulher sussurrou.
–Sinto o mesmo. –A garota respondeu.
Dois meses atrás...
Dormia profundamente até ser acordada por um grito. Abriu os olhos decorados por uma heterocrômia um tanto anormal, um olho vermelho e o outro esverdeado. Desceu as escadas com pressa, seu corpo tremeu ao ver a cena que acontecia na cozinha. Uma criatura, que lhe parecia uma gárgula com asas sem penas e de cor acinzentada (como o resto do corpo), segurava o pescoço de sua mãe no alto, deixando-a sem ar, no chão estava o corpo de seu pai ensanguentado, já sem vida alguma. Sua mãe olhou-a com os olhos arregalados.
–Fuja!- conseguiu dizer, antes de ser jogada no chão com uma força brutal. O choque entre o chão e sua cabeça levaram sua mãe à morte instantaneamente. A criatura olhou Lotus, que ainda tinha os olhos assustados. Aproximou-se, a garota não recuou. Seus olhos tornaram-se brancos e levantou a mão em direção à criatura, e sem ao menos toca-la, fez aquilo se quebrar como um vidro que cai no chão, a garota ficou inconsciente depois.
Agora.
Lotus não lembrava de nada que acontecera na noite depois de ver seus pais mortos. Não contou a ninguém sobre o que viu, a mandariam para uma clinica psiquiátrica como queriam fazer quando descobriram o que ela podia fazer. Quando criança por exemplo, fez um pássaro voltar a vida, do mesmo modo que o fez morrer. O segredo foi mantido até da família, mas a irmã de sua mãe acabou descobrindo. Seus tios estavam agora mandando-a para um internato em Londres, onde ficaria os próximos anos. Ou pelos menos, esses eram os planos.
Londres
Estava em seu quarto lembrando-se da conversa daquela tarde. Pegou seu telefone, lembrava-se dos números que ele lhe disse para ligar em emergências. Discou-os enquanto sentava-se em uma poltrona ao lado da cama.
–Aconteceu alguma coisa? –Falou a voz do outro lado da linha.
–Apenas encontrei uma informação e pensei que lhe seria interessante.
–O que?
–Sabe onde estou certo? –Perguntou Ciel.
–Em um internato na Inglaterra com Hayley.
–Sim, e recebi uma visita de Antares hoje.
–O que ele queria?
Ciel suspirou antes de contar a historia. Realmente não achou que o veria tão cedo, na verdade pensou que não o veria depois de fazer um contrato com Hayley,
–Achei que lhe tiraria do tedio... – Disse depois de contar a historia. – Ao menos é claro, que já tenha achado um contratante.
–Ninguém interessante o bastante, até agora...
–Antares disse que ela chegará em poucos dias, não demore muito.- Ciel disse preparando-se para desligar o celular. Ouvindo as ultimas palavras do demônio.
–Yes... My Lord.
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