Gunslinger
9 New Orleans.
Notas iniciais
Capítulo 9:
Travis levantou da cama já convocando Emilly:
— Emilly! Emilly!
Ele correu até o escritório.
— O que foi?! — Travis a ouviu gritar.
— Corre aqui! Por favor!
Em alguns milésimos de segundos Emilly parou na porta, suspirando quase sem fôlego, disse:
— O que foi cacete?
— Acho que encontrei a senha do cofre.
Ela sorriu e se aproximou dele.
— Vamos tentar? — Travis a perguntou com uma das sobrancelhas arqueadas.
— Sim, sim — ela disse balançando a cabeça positivamente.
E então ele digitou o código: 9807.
Correto.
Travis teve sua reação de quando estava feliz, mas nervoso: começou a rir. E virou-se para Emilly.
— Acho que agora conseguimos!
Ele retirou a única coisa que estava dentro do cofre: uma maleta.
Travis abriu a maleta com a maior cautela do mundo, como se dali saísse um monstro.
Mas, pelo contrário, havia uma Desert Eagle.
— Por que ele trancaria no cofre só uma arma? — Emilly perguntara quase a si mesma. — Tem muitas armas dentro dessa casa, essa não é a única.
Travis retirou a arma de dentro da maleta. E abriu o fundo falso desta. Encontrando uma boa quantia em dinheiro e mais uma chave de algum carro.
Ele riu.
— Já vi muitas maletas como estas.
— Já eu não tenho a mesma experiência — ela disse e abriu um breve e fraco sorriso.
— Ele tinha quantos carros, Em? — Travis a perguntara.
— Dois. Mas eu só vi um deles.
— E como você tem certeza que ele tinha outro carro?
— Porque quando ele comprou logo me avisou.
Travis observou por sobre os ombros de Emilly e indagou:
— Onde fica a garagem?
— Vem comigo.
Emilly se levantou e desceu as escadas rapidamente. Abriu a porta que dava para o porão e, logo mais abaixo, mais pra dentro do porão, havia uma outra porta; ela a abriu e acendeu as luzes que compunham o recinto. Quando tudo estava mais claro, Travis notou um carro coberto por uma capa bege, um pouco velha por sinal, em seguida ele se aproximou do carro e retirou a capa. Debaixo da capa velha havia um belo Mustang Sally.
Phillips fechou os olhos e foi levado dali para o passado. À época do colegial. Ele se lembrara desse Mustang Sally vermelho. Harry o tinha desde os 19 anos, foi seu primeiro carro depois que tirara a habilitação.
— Já andei muito nesse carro. — Travis deu um sorriso um tanto peculiar ao se lembrar. — Quanto tempo...
Ele entrou em um devaneio profundo.
Na época em que Harry ganhara o carro, ele sentia um intenso ciúme por ele, quase como se fosse o filho dele.
Ele se recordara também do primeiro dia em que saíram com esse carro.
Já estava tarde, em torno de nove da noite.
Bom, tarde para quem não dormiu o dia inteiro e que acordou cedo demais.
Esse era o caso de Travis naquele dia.
Em sua antiga casa, a janela de seu quarto era para a rua. Então todos os barulhos externos ecoavam em seu ouvido, caso não os deixasse pra lá.
E então, uma buzina estridente soou em seu ouvido. Ele até tentou ignorar, mas era impossível evitar.
Travis olhou pela janela e viu um Mustang vermelho parado em frente a sua casa.
— Quem seria a essa hora? — ele murmurou para si mesmo, esfregando os olhos.
Colocou uma blusa e desceu silenciosamente para não acordar sua irmã e nem sua mãe.
— Harry? — Travis o perguntou assim quando se apoiou na janela do Mustang.
— Entra ai, cara!
— Mas... Está tarde... O que você está fazendo aqui a essa hora?
— Acabei de ganhar esse carro! — Harry o dissera com um sorriso no rosto.
Travis se viu rendido a entrar no carro.
Depois de um grande tempo de silêncio, Harry confessara:
— Travis, eu vi uma mulher esses dias e não a tiro da minha cabeça.
Travis não dissera nada a Harry naquele momento.
Ele estava entre delírio e realidade, até que foi se libertando de seu devaneio.
A imagem de Emilly foi se formando aos poucos em sua cabeça.
Era dela que ele estava falando.
Travis logo pensou isso e um sentimento péssimo o dominou.
Ele estava se sentindo culpado.
Travis gostava da Emilly. Ele tinha total convicção disto, convicção o suficiente a ponto de acreditar que poderia passar o resto de sua vida ao seu lado.
Mas ao todo ele estava traindo a confiança de Harry.
Mas será que o destino deles já estava traçado?
Isso só o tempo o responderia.
— Emilly! — Essa foi a primeira palavra que saiu de sua boca enquanto a imagem da mesma estava se dissipando aos poucos.
À medida que a imagem dela se dissipava, parecia que essas nuvens formavam gotículas de água em seus olhos.
Ele comprimiu os olhos e com isso algumas dessas lágrimas escaparam. Emilly observava-o em silêncio, parecendo respeitar seu devaneio.
— Está tudo bem, Travis? – ela perguntou-o, se aproximando.
Em seguida sua mão encostou no braço dele.
— Me desculpa, Em. Mas eu não consigo... E-eu não posso... — ele disse, com a voz um tanto trêmula. Com isso bateu em retirada.
Emilly não havia entendido nada. Mas deu o devido espaço para Travis.
***
Ao subir Travis foi se deitar para pôr seus pensamentos no lugar.
E acabou por dormir.
***
Algumas horas depois de ele ter subido, Emilly subiu para verificar para como ele estava; se estava melhor ou... não.
— Travis? — Emilly se deu a liberdade de abrir a porta gradativamente.
Ela o encontrou dormindo.
E então sentou-se em uma poltrona do quarto, pensativa.
Travis acordou, um tempo depois, assustado e logo lançou seu olhar à poltrona que Emilly estava sentada.
— O que você está fazendo aqui? — Travis perguntou de bate-pronto.
A pergunta foi feita tão rápida que soou até como uma grosseria.
— Nossa, como você é grosso — Emilly disse, revirando os olhos.
Travis suspirou e passou a mão no rosto.
— Me desculpe. — Ele fez uma pausa. — A intenção não foi essa.
— Entendo... — ela murmurou de cabeça baixa, e de repente a reergueu novamente. — Sabe... Eu tive uma ideia enquanto eu te observava dormir.
Travis sorriu bem disfarçadamente.
— Qual ideia seria? — ele perguntou, vagarosamente, com as duas sobrancelhas arqueadas.
— Vamos descobrir onde é essa imobiliária que Harry iria fechar o contrato, e vamos descobrir qualquer outra coisa que o envolvia.
— Mas pode ser perigoso... — Travis retrucou.
— Perigoso? — ela riu. — Depois de tentarem me matar dentro da minha própria casa? Acho que não há nada mais perigoso do que isso.
Ele suspirou.
— Tá bom, você venceu, Emilly.
— Eu sei, Travis. Sempre venço.
Ele riu e começou a procurar pelo cartão que tinha o número da tal imobiliária.
— Boa tarde. — A voz da mulher aparentava ser desgastada, ou talvez ela estivesse cansada momentaneamente.
— Boa tarde. Qual seu nome?
— Liv, no que poderia ajudar?
— Eu gostaria de saber se vocês tem um cliente chamado Harry Singleton.
— Vou pesquisar em nossos arquivos, só um momento.
Em torno de 6 minutos depois, ela retornou ao telefone:
— Harry Singleton? Sim, temos sim.
— Você poderia me fornecer algumas informações sobre ele?
— Me desculpe senhor... Mas não fornecemos nenhuma informação de nenhum de nossos clientes por telefone.
Ele revirou seus olhos.
— Onde é o escritório de vocês?
— Em Nova Orleães, Luisiana.
Travis encarou novamente o cartão, e o virou. Em letras miúdas, estava escrito Nova Orleães, Luisiana.
— Ahñ, ok, obrigado.
Ao desligar o telefone. Ele olhou diretamente para Emilly.
— O escritório é em Nova Orleães.
— Luisiana? — ela o perguntou.
— Sim.
Ela sorriu e disse:
— É para lá que vamos então.
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