Gunslinger
4 Dirty Little Girl
Notas iniciais
— Acho melhor eu ir pra casa – disse, me levantando.
— Ah, pode dormir por aqui mesmo. Amanhã eu te levo em casa. – ele disse, sorrindo maliciosamente.
— Claro que eu posso dormir aqui, mas não hoje. Nós acabamos de nos conhecer, e eu não sou desse tipo. – disse, ficando levemente zangada.
— Você não precisa fazer nada, eu sei esperar muito bem pelas coisas, senhorita Steele – ele disse, se aproximando de mim. Quando ele dava um passo à frente, eu dava um pra trás. Até eu me encostar na parede. Matt deu uma risadinha e tomou meus lábios como nenhum homem havia feito antes.
Chapter 4 — Dirty Little Girl
Acordei com gritos e com a campainha tocando freneticamente. A luz estava me cegando, me fazendo demorar a reconhecer os elementos diferentes presentes no meu quarto. Uma camisa da banda que não era do meu tamanho, um short jeans pequeno e o mais marcante: cabelos cor de fogo saindo por debaixo das minhas cobertas. Respirei fundo, sentindo o cheiro daquela mulher, enquanto a campainha tocava mais uma vez, seguida por gritos.
Levantei-me e fui abrir a porta. Achei incrível a ruiva não acordar com os gritos do Jim, nem com a campainha.
— MAAAAAAAAAATT ! Cara, você tá um caco! — disse Jimmy, entrando na minha casa.
Eram 2 da tarde de sábado.
— Eu estava dormindo, Jim. A Kylie também. — respondi com a voz rouca, de sono. Segui para a cozinha e comecei a fazer um café. Estava com ressaca. Muita por sinal. 1 litro de tequila, tô bem demais.
— A noite foi boa, hein? – comentou Jim, malicioso.
— Ela só dormiu aqui, não rolou nada – disse, já servindo café pro Jimmy. Ele pegou algumas colheres de açúcar, enquanto eu tomava puro.
— Incrível. Primeiro você traz ela pra sua casa, e é a primeira depois da Val. E agora vai me dizer que vai saber esperar o tempo dela ? – comentou The Rev, olhando-me seriamente.
— Ela me puxa pra algo fundo, Jim. Eu não sei explicar. – confessei frustrado. Não queria me sentir assim. Não depois de tudo o que eu passei. Não depois da Valary.
— Deixa rolar – filosofou o baterista, tomando seu café. Eu já estava na minha segunda xícara. Ficamos um momento calado, quando eu ouvi passos descendo a escadas.
— Matt, tá por aqui? – escutei uma voz baixa, rouca pelo sono.
— Cozinha – disse, em voz alta.
Ela estava linda naquele figurino. Meia arrastão e uma camisa xadrez minha que mais pareceu um vestido nela. Ela era realmente baixinha. Estava com os cabelos bagunçados, o rosto amassado e pálido, já sem a maquiagem.
Kylie se surpreendeu com Jimmy estando ali, mas nada muito estranho.
— Boa tarde para vocês – disse com a voz fraca. Ressaca também.
— Cara, você bebe mais do que eu! – exclamou Jimmy. Fizemos uma careta.
— Não grita The Rev. – eu disse, olhando para Kylie. Ela se sentou num banco ao meu lado e se encolheu, com frio. Servi uma xícara de café pra ela e puxei-a para mais perto, esquentando-a. Ela pareceu não se importar, nem se surpreender. Já o Jimmy, do outro lado da bancada, me encarou surpreso e deu um sorrisinho feliz. Não sabia o porquê de ter feito isso. Acho que não precisava de motivos para estar perto dela.
— Toma o açúcar, Kay. – Sullivan disse.
— Não, eu gosto assim. – ela respondeu, se aconchegando em mim.
— Só você e o Matt mesmo. Café sem açúcar. Esquisitos. Se merecem mesmo. – Jim fez uma careta, enquanto a Kay riu baixinho, sem graça.
— O que veio fazer aqui, Jimmy? – perguntei, me lembrando de repente de que ele quase nunca vinha aqui em casa sem avisar.
— Ah é, me lembrei. Sua mãe chamou a gente pra ir pra casa dela, Sanders. Esqueceu? — me lembrei de repente do aniversário da minha mãe, droga! – todo mundo já foi pra lá, só vim confirmar se você estava vivo e falar pra você não se atrasar. – disse Jim, se levantando. Kay também se levantou e foi pro banheiro, provavelmente vomitar. Segui Jimmy até a sala.
— Leva alguém, Matt. Se não vai ficar de vela lá. – comentou Jim, saindo. Só percebi que ele estava com as chaves do meu carro quando ele as atirou pra mim.
Fechei as portas e fui pro meu quarto, colocar uma peça de roupa na mochila, tomar um banho e etc. Quando dobrei a calça que ia levar Kylie saiu do banheiro do meu quarto, mais pálida que antes. Ela se sentou na minha cama e se enrolou entre as cobertas.
— Você tá bem? – perguntei, sentando-me ao lado dela.
— Só de ressaca mesmo. E com frio – ela respondeu, cansada. – Vou me arrumar e ir embora, Matt. Valeu pela noite.
— Kylie – disse, colocando minha mão na testa dela. Estava quente – você tá com febre, garota.
— Normal, não se preocupa – ela disse, retirando minha mão de lá. Se levantou e pegou a blusa do chão, seguindo pro banheiro pra se trocar.
— Como não se preocupa? Nem vem com essa – disse, aflito, meus instintos protetores aflorando tão naturalmente pra uma quase desconhecida. – Vamos fazer o seguinte: eu te levo pra sua casa, você toma um banho rápido, se arruma, nós vamos no shopping, você me ajuda a comprar um presente pra minha mãe, e nós vamos pra casa dela.
— Matt, sua mãe mora na Califórnia. Só chegaríamos lá amanhã. E outra, eu não conheço ninguém por lá, ficaria completamente sem jeito. – ela respondeu.
— Vamos Kay, vai ser divertido! – incentivei-a. – Além do mais você esta passando mal, e mora sozinha. Eu ficaria completamente preocupado com você e não aproveitaria o aniversário da minha mãe. E vai ter gente que você conhece lá. Meus pais e minha irmã você não conhece, mais os caras da A7X vão estar lá, além das namoradas deles. E quanto a casa, ela esta num sitio em Manchester, New Hampshire. Só vai demorar umas... 5 horas de carro.
Ela parecia ponderar sobre o assunto. Mas não parecia inclinada a aceitar o meu pedido.
— Vamos Kylie. Por mim – pedi, fazendo minha melhor cara de cachorro pidão. Ela suspirou resignada e assentiu com a cabeça, resmungando “olha a fria”. Sorri ternamente e beijei aqueles lábios que faziam meu coração acelerar. Ela tinha usado meu antisséptico, e eu com gosto do café. Uma mistura interessante, e gostosa. Nos separamos sem ar e ela sorriu. O primeiro sorriso verdadeiro do dia. Eu estava amando aqueles sorrisos.
— Pegue uma roupa e vamos pra minha casa. Você toma banho lá em casa e depois vamos pro shopping, tudo bem? – ela falou, ainda sorrindo.
— Tudo bem – disse, colocando a roupa que ia usar na mochila também. Peguei uma blusa de moletom preta e entreguei para ela, enquanto eu vestia outro, de cor verde-musgo. Meu moletom ficou grandão nela, me fazendo rir do pouco tamanho da ruiva. Ela fez uma careta, em reprovação.
— Não fica rindo do meu tamanho. Quem mandou você ser um monstrão desses? – ela disse, sorrindo sarcástica – O meu tamanho é normal, você é que parece uma girafona.
— Quem é a girafona – disse, jogando ela na cama como uma boneca. Ela gargalhava da minha cara aparentemente brava.
— Você! – a ruiva gritou.
— Então a girafona aqui vai te matar de cocegas. – disse, sorrindo malvado. Ela parou de rir.
— Matt, não! Por favor! – ela pediu, mas não adiantou. Comecei a fazer cocegas nas costelas dela, e ela começou a rir muito alto, se contorcendo.
— Quem é a girafona? – perguntei.
— NÃO É VOCÊ! – ela gritou, entre risos. – MATT, PARA! EU VOU VOMITAR PORRA!
Quando parei de fazer cocegas, Kylie respirou com dificuldade, como se tivesse corrido 200 metros com barreiras.
— Você tá legal? – perguntei, sorrindo.
— Só preciso respirar, vai ficar tudo ótimo – ela respondeu, o rosto vermelho e molhado em lágrimas de riso. – Nunca mais brinco com você, malvado.
— Vamos logo – disse.
— Matt, o que você vai comprar pra sua mãe ? – perguntei, assim que entramos no shopping, de mãos dadas, meia hora depois que saímos da casa dele.
— Sei lá. Vamos fazer assim – ele disse, tirando um cartão de crédito de dentro do bolso. – você vai comprar um presente qualquer pra minha mãe enquanto eu vou comprar alguma coisa pra gente comer. Que tal?
— Matt, eu nem conheço sua mãe. Como você quer que eu compre um presente pra ela? – perguntei indignada, tirando meus óculos de sol. Shadows tirou o dele, encarando-me. Verdes nos azuis, azuis nos verdes. Um arrepio subiu pelas minhas costas.
— Compre alguma coisa que você acha que ela iria gostar. Daqui a 15 minutos aqui mesmo, tá? – ele disse, me deu um beijão, me entregou um dos seus cartões de crédito e saiu andando, como se nada tivesse acontecido. O segui com os olhos, abobalhada, até ele sumir de vista.
Me desesperei. O que a senhora Sanders iria gostar de receber? Eu não conhecia seus gostos por roupas ou acessórios, não sabia o quanto ela calçava, nem seu estilo musical. O que eu daria de presente pra uma completa desconhecida?
Saí andando aleatoriamente pelo shopping, tentando identificar alguma coisa de útil, até que uma loja fez minha mente se clarear. É isso! Joias sempre agradam qualquer tipo de mulher!
Entrei na joalheria e a primeira coisa que eu vi foi um colar de ouro branco com um pingente de uma rosa, entalhada em perolas. Lindo e delicado, qualquer uma gostaria de ganhar. Comprei um par de brincos que combinavam e pronto! Meu presente e o do Matt estavam devidamente comprados e eu segui rapidamente para o ponto de encontro, onde vi um Matt meio que escondido.
— Fãs? — indaguei debilmente.
— É, vamos dar o fora, tá cheio de fotógrafos por aqui. — ele respondeu, pegando minha mão.
Seguimos para o carro, que estava no final do estacionamento do shopping, quando saiu um fotografo de trás de um carro e tirou uma foto nossa, de mãos dadas. Matt não pareceu se importar muito, mas eu fiquei com receio. Uma foto minha no jornal era tudo o que eu queria.
— Comprei um remédio antitérmico pra você. E um pra ressaca pra nós. — ele disse, pegando uma sacola no banco de trás — Não sei se gosta de Mcdonalds ou Burger King, então peguei o que eu gosto pra nós dois. — ele disse, me entregando um pacote do Burger King — Coma e depois tome o remédio.
Começamos nosso pic-nic dentro do carro, falando abobrinhas entre uma mordida e outra. Depois que Matt terminou [primeiro que eu], começamos nossa viagem.
4 horas depois, chegamos ao sitio, onde vários carros estavam devidamente estacionados em qualquer canto. No banco ao meu lado, uma Kylie muito ruiva e sonolenta dormia tranquilamente, como vinha fazendo nos últimos 40 minutos. Estacionei o carro ao lado de uma arvore, aproveitando para estralar o pescoço.
— Kay — sussurrei perto da orelha dela, recebendo um "hãn" como resposta — Já chegamos.
— Porque você não me acordou antes, Matt ? Olha minha cara de sono — ela respondeu, abrindo os olhos um pouco inchados.
— Você tá uma gracinha com essa rostinho amassado — disse sorrindo — além do mais, o farmacêutico me disse que o antitérmico ia te derrubar, fica tranquila. Pelo ao menos você não tá mais com febre — completei, colocando minha mão da testa dela, verificando que a temperatura estava normal. Ela sorria boba pra mim — O que foi?
— Ninguém nunca se importou assim comigo. De verdade — ela respondeu, parecendo, de repente, bem melancólica.
— Aposto que sua família te mima muito. — disse — Ainda mais que você tem este jeitinho fofo e pirracento.
— Você não conhece minha família. Definitivamente. — ela respondeu, rindo.
— Terei tempo de conhecer. Enquanto isso, você conhece a minha. — disse, dando um beijo nada contido nos lábios rosados.
Descemos do carro, e ela pegou a sacola com os presentes, enquanto eu peguei nossas mochilas. Tranquei o carro e segurei a pequena mão dela entre a minha.
— Seguir para o desconhecido? — ela disse, sorrindo.
— Vamos nessa! — respondi sorrindo, abrindo a porta da casa. E a primeira pessoa que eu vi foi a ultima que eu gostaria de ver.
— Olá Matt querido! — disse Valary DiBenedetto, olhando feio pra Kay — Quem é essa "zinha" aí ?
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