Guilty Pleasure

8 Capítulo 7 - My Guilty Pleasure – parte 1


Notas iniciais
Voltei :) Então vamos começar pelos agradecimentos? Primeiro a Mrs Smoak Queen que escreveu uma recomendação maravilhosa! Feliz que você tenha se apaixonado desde a sinopse, e espero muito que a fic continue nas suas favoritas! Muito obrigada pelo carinho e por ter separado um tempinho para recomendar Guilty e fazer essa escritora feliz. Ah e por isso vai ganhar essa capítulo de presente! Espero que goste.... Agradeço muito a quem comentou, amei ler suas teorias e opiniões, eu estou respondendo, mas demoro um pouco porque quero responder a altura! Enfim, à todos os meus leitores espero que apreciem esse capítulo! Sim, eu dividi em dois e mesmo assim ficou enorme hahaha não desistam de mim, apenas achei que ficaria cansativo um cap de mais de quinze mil palavras.... Boa leitura!

My guilty pleasure I ain't goin' nowhere

Baby, long as you're here

I'll be floating on air

You can be a sweet dream or a beautiful nightmare

Either way I

Don't wanna wake up from you

I mention you when I say my prayers

I wrap you around all of my thoughts

Boy, you are my temporary high

I wish when I wake up you're there

So wrap your arms around me for real

And tell me you'll stay by my side

(Sweet Dreams — Beyoncé)

♥

Felicity Smoak

Eu nunca fui boa em esperar.

Eu já havia me levantado da cadeira, andado várias vezes de um lado para o outro em círculos ou então seguindo as linhas do piso de cerâmica, mas depois de alguns olhares reprovadores, agora eu estava sentada comportadamente ao lado de Oliver. Mas isso não significava que eu conseguia controlar meu pé que batia freneticamente sobre o chão, ou as mãos que batucavam sobre meu colo seguindo o mesmo ritmo ansioso. Não havia outras pessoas naquele corredor que era silencioso e inexpressivo demais para mim, e tudo o que eu tinha a encarar era a parede cinza a minha frente – é claro que havia Oliver, mas olhar para ele nunca era uma boa ideia, ainda mais quando ele aparentava estar tão oposto a mim, todo calmo e seguro de si.

Nossas diferenças me irritavam.

Depois de um longo tempo naquele silêncio, a porta a nossa frente se abriu e vozes alteradas preencheram o lugar, eu imediatamente me coloquei de pé, observando atônita a cena que se desenrolava a minha frente.

— Eu disse que foi sem querer! – a mulher ruiva saiu correndo por uma das portas, disse numa voz chorosa – Eu não vou ir em cana por causa daquele babaca traidor! Não foi minha culpa! É tudo culpa dele! Ele causou isto, não eu! – Ela gritava em plenos pulmões, seus gritos se misturando ao choro lhe dando um ar ainda mais desesperado e dramático. Ela não chegou a fugir, mas essa era a óbvia intenção e antes que ela desse um passo a frente uma policial feminina a rendeu, prendendo os pulsos às costas dela. – Por que ninguém acredita em mim? Eu estou falando a verdade! – Aquela frase me tocou, aquela mulher podia estar dizendo a verdade e mesmo assim estava sendo presa, enquanto eu...

Eu iria mentir.

Minhas chances eram ainda menores.

— Carrie Cutter, você está presa pela... – eu não consegui escutar qual era o crime da ruiva, já que a mulher chorava e implorava para que não fizessem isso, e que era tudo culpa do tal namorado que a havia traído. Tive um momento de solidariedade feminina, não confiar em um homem é a regra universal de uma mulher inteligente, mas nenhuma de nós usa muito o cérebro quando o coração se envolve... Observei a policial que a algemava a escoltar levando-a para longe da minha visão, sem se importar com o que ela tinha a dizer, o que não devia ser muito já que tudo o que saía da sua boca eram ofensas contra ao tal namorado traidor.

Seria assim comigo também?

Ou eu teria ao menos a dignidade de aceitar tudo de cabeça erguida sem nada a dizer?

A verdade era que não importava o modo que eu lidaria com uma possível prisão, em poucos minutos eu poderia perder a minha liberdade e assim como a ruiva deixar o prédio acompanhada de uma policial. Eu não tinha dado tanto valor a liberdade até a eminência de perdê-la, para ser honesta toda essa história de estar sendo acusada desse crime ainda parecia surreal às vezes, mas agora, pensando em tudo o que eu poderia perder, no que seria da minha vida, se algo nesse plano desse errado eu sentia o instinto de autopreservação, que andava sumido ultimamente, começar a aparecer.

— Oliver...? – eu sabia que estava aflita, eu sentia meu coração palpitando tão acelerado que temia que ele fosse sair pela boca a qualquer momento. – A próxima serei eu. – minha voz saiu num sopro baixo, um pequeno medo que deixei escapar e compartilhei justo com ele. Deixei meu corpo cair novamente na cadeira enquanto eu tentava lidar com o nervosismo, respirando pausadamente. Não era assim que eles ensinavam que devíamos agir durante um ataque de pânico?

— Hey — o escutei tentar chamar minha atenção com aquela única sílaba. Sua voz era forte e anormalmente doce e convidativa. Não sei como isso pode ser possível, mas a voz de Oliver era macia como o meu cobertor favorito quando criança, aquele capaz de me acalentar e me proteger de todos os monstros que viviam embaixo da minha cama. Eu era uma adulta agora, mas os monstros não mais se escondiam, eles ainda estavam ali e tudo o que eu desejava fazer era ir até aquele velho e familiar cobertor quente e protetor, e me enrolar naquela maciez, fechar meus olhos e deixar que ele fosse novamente meu lugar seguro e afastar meus monstros. Mas dessa vez, esse lugar seguro era a voz de Oliver, e eu não podia me permitir ir na direção dela, porque no fundo eu sabia que por mais convidativa e protetora que ela parecesse, ela também poderia trazer antigos monstros de volta. Muito piores dos que eu estava prestes a enfrentar — Olhe para mim, Felicity. – Pediu mais incisivo dessa vez, e novamente eu recusei, ainda encarando a curva do corredor em que a garota havia seguido após ser algemada. Eu ainda estava impressionada e com medo de que o mesmo fosse acontecer comigo. Eu estava pensando na sensação de como seria ter algemas frias apertando os meus pulsos e restringindo meus movimentos, quando eu senti algo quente e confortável tocando a minha mão, acariciando-a tão vagarosamente que durante o tempo que durou tudo o mais desapareceu da minha mente, até que dedos grandes se engancharam na abertura dos meus fazendo instantaneamente uma onda de calmaria se espalhar pelo meu corpo. Era muito mais do que um simples toque. Era um aperto suave, um daqueles que dizem “Hey, você não está sozinha, eu estou aqui com você e não estou indo a qualquer lugar”. Desviei meu olhar para nossas mãos unidas encarando-a com o cenho franzido por mais tempo do que deveria, até que desisti de racionalizar o sentimento e me permiti apenas sentir, sentir o modo como a mão de Oliver parecia dar força a minha. Como um simples toque era capaz de me passar tranquilidade? Finalmente, atendendo ao seu pedido ergui meu olhar cheio de indagações para o dele, mas minhas perguntas se perderam quando me vi sem fôlego com o que vi ali.

Se sua mão me passava força e me acalmava, seu olhar me passava outras emoções, emoções mais fortes, emoções que eu não deveria encontrar em seus olhos.

— Tudo vai ficar bem, como você mesma disse, eu sou o melhor advogado do mundo. – um sorriso convencido apareceu em seu rosto e ele era tão lindo, que foi impossível não me sentir mais leve por causa dele.

— Thea disse isso, não eu. – o corrigi, apenas para provocá-lo, ao mesmo tempo grata pelo clima amistoso que desviava a atenção do que eu pensei ter visto em seus olhos.

— Mas você não discordou. – eu ri diante do seu sorriso que se tornara ainda maior, era impossível discutir com Oliver.

— Você sempre tem um argumento?

— É isso o que faz de mim um bom advogado! — piscou para mim. – Os outros advogados se encolhem quando me veem e quando são arrogantes o suficiente para não fazê-lo, eles sempre acabam frustrados com o quão rápido eu sou capaz de acabar com eles. Além disso, os juízes escutam o que eu tenho a dizer, e o júri me ama...

— Eu aposto que a parte feminina dele ama mesmo. – havia uma pontada de despeito na minha frase, que não consegui disfarçar, Oliver a notou também, eu podia jurar que tinha sido isso o que fez o canto de seus lábios se erguer num sorriso irritante. Eu podia imaginar o olhar de cada mulher em uma sala de audiência seguindo Oliver, prestando atenção em como o terno de corte impecável marcava bem o seu corpo, atentas ao movimento de seus lábios ao invés das palavras que saiam por eles.

— Eu não tenho culpa se sou naturalmente encantador! – se defendeu, aquele pequeno e maldito sorriso ainda estava lá ficando ainda maior.

— Eu espero que seja charmoso com a Juíza Nyssa também, e não apenas arrogante. Mulheres não gostam quando um homem é arrogante. – falei num suspiro, eu não gostava da ideia de presenciar Oliver sorrindo enquanto jogava seu charme para cima de uma jovem juíza, mas eu não estava em posição de escolher muito. Oliver abriu a boca para dizer algo, mas imediatamente a fechou quando alguém nos interrompeu.

— Felicity Megan Smoak. – uma garota saiu da sala chamando meu nome, me coloquei de pé, levando Oliver que ainda segurava a minha mão comigo – A Srtª. Nyssa Al Guh mandou que entrassem em dois minutos, estejam prontos. — avisou antes de deixar a sala.

Como ficar pronta se possivelmente eu iria sair daquela sala algemada?

— Fique calma, vai dar tudo certo. – a mão de Oliver apertou a minha mais forte enquanto ele falava comigo. — Você vai ficar bem e... – o vi vacilar, era a primeira vez que via algo diferente de confiança no semblante dele, pensei ter visto um breve medo ali também -... E mesmo que algo dê errado hoje, o que eu irei dar tudo de mim para evitar, eu preciso que se lembre que te fiz uma promessa, Felicity, eu não vou desistir de você assim tão fácil.

Ele não iria desistir de mim.

Meu coração inflou dentro do peito e eu apertei ainda mais a mão dele na minha, me segurando na sensação que ela me passava. Suas palavras eram novamente como aquele meu cobertor, eu podia me enrolar nelas, que nada jamais me atingiria enquanto eu estivesse protegida pelas palavras de Oliver.

— Pronta? – Ele perguntou, seus olhos inspecionavam os meus enquanto sua outra mão segurava firme na maçaneta que nos levaria a sala da juíza. Eu apenas a assenti, disposta a demonstrar coragem.

— Oliver? – o parei antes que a girasse, só então percebendo algo.

— Sim? – seus cílios piscaram, seu olhar se perdeu no meu atento e solícito pronto para atender qualquer pedido meu. Naquele pequeno momento eu tive a impressão que se pedisse Oliver para desistir de tudo e me ajudar a fugir para outro país, ele talvez o tivesse feito.

— Acho que deveríamos soltar nossas mãos. – eu disse, e nossos olhares desceram para nossas mãos, ainda fortemente unidas.

— Você está certa. – ele sorriu tristemente, soltando nossas mãos num suspiro e então abrindo a porta guiando-me para a sala dentro dela.

Eu estava prestes a enfrentar uma audiência que definiria se eu teria a minha liberdade ou não, eu estava sendo acusada de um crime que era muito mais complicado e iria mentir para uma juíza, mas não era isso o que estava na minha mente naquele momento. Meus pensamentos se resumiam unicamente sobre como eu não queria estar certa, apenas para continuar com minha mão segura na de Oliver por mais tempo.

***

Oliver soltou a minha mão.

Era o certo a fazer, mas assim que ele o fez parte da minha força e coragem foi embora com ele. Eu não gostava disso, não gostava do quão dependente eu estava ficando daquela segurança que apenas Oliver me passava. Eu vivi cinco anos sem ele, sem precisar da mão dele... Por que justo agora, eu parecia voltar no tempo e ser novamente aquela garota que tudo o que mais queria e precisava era de Oliver Queen na sua vida?

Ergui o queixo, disposta a pelo menos fingir que não estava assustada.

Era bom começar a interpretar de todo modo.

A sala da juíza não era exatamente o que eu estava esperando. Era grande e nenhum pouco intimidadora, com suas paredes claras e decoração até mesmo um pouco exótica. Ela não tão grande quanto a sala de Oliver. Mas assim como a dele, haviam livros metodicamente organizados em estantes de todos os lados, e bem no meio havia uma grande escrivaninha de madeira escura onde, ainda de costas para nós com seus cabelos escuros e longos, estava a mulher que tinha minha liberdade em suas mãos.

Essa mulher precisava gostar de mim.

Mais do que isso, ela precisava amar Oliver.

Me lembrei de algo, e parei, fazendo Oliver parar ao meu lado.

— O quê foi? Precisa de algo? – voltou-se para mim, seu semblante me dizendo que aquela não era a melhor hora, mas que ele me ajudaria se eu pedisse.

— Preciso que seja charmoso. – pedi, sussurrando ao ouvido de Oliver ele piscou não compreendendo o que eu queria dizer com aquilo. – Com a juíza. – Acrescentei.

— Se os dois já tiverem parado de cochichar, eu gostaria que se aproximassem da minha mesa para acabarmos logo com isso. – a voz feminina era energética e decisiva, Oliver e eu caminhamos lado ao lado até a mesa da juíza. Nyssa Al Guh era jovem e bonita, e eu torcia para que fosse impressionável o suficiente para se derreter com apenas um sorriso de Oliver. Me senti um pouco mais confiável ao ver o modo em que seus cílios longos se estreitavam ao redor de seus olhos escuros, enquanto ela olhava na nossa direção com um olhar apreciativo e que parecia positivo, possivelmente, como toda mulher já analisando Oliver e pelo ligeiro sorriso que apareceu no canto em seus lábios, acompanhado por um leve aceno de confirmação, eu podia dizer que Nyssa Al Guh gostava muito do que via.

Ele tinha ganhado a atenção dela.

Ótimo.

Eu estava ligeiramente enciumada, mas no momento contente por poder usar isso ao nosso favor.

— É claro, excelência. – Oliver a cumprimentou com um aceno casual e um sorriso normal. Merda, ele não estava sequer se esforçando para ser encantador, talvez achasse que só porque Nyssa parecia apreciar a beleza dele já seria o suficiente. Mas que inferno, eu precisaria dar um empurrãozinho.

— Elogie o cabelo dela. – sussurrei novamente, entre os dentes dessa vez, já que a tal Juíza não parava de olhar para nós dois.

— O quê?

— Faça o que eu disse! – pisei sobre o seu pé, e Oliver apenas segurou o xingamento olhando para Nyssa e sorrindo o máximo que conseguia.

— Excelência, se me permite dizer o seu cabelo está lindo hoje. – Oliver disse num sorriso ainda incerto — É um prazer...

— Significa que ele não estava nos outros dias? – ela o cortou, sua voz vindo num tom tão mordaz e falsamente fútil que Oliver recuou um passo — E como você pode saber se essa é a primeira vez que nos vemos? Eu estou um pouco decepcionada com você Sr. Queen, meu pai disse que você era um dos melhores alunos da turma dele, e sua fama o precede como um excelente advogado criminalista, eu não esperava encontrar um puxa-saco. – ela foi dura.

Oh, merda!

Eu teria entendido os sinais todos errados?

Eu era uma mulher, eu li a linguagem corporal dela, eu conhecia, era assim que uma mulher agia quando se sentia atraída por alguém num primeiro momento! Mas se os sinais estavam lá, por que ela parecia tão contrária ao charme de Oliver?

— Excelência, eu...

— Eu vou perdoá-lo dessa vez e começaremos de novo, Queen, mas apenas porque acho que a sua acompanhante não merece ser culpada pelo seu comportamento inapropriado... – Ela sorriu para mim rapidamente antes de se virar para Oliver com o olhar sério e repressivo — E espero que isso não se repita, atenha-se ao caso Sr. Queen e poupe-nos de seu charme, ambos sabemos que não vai funcionar comigo. — Embora suas palavras tenham sido duras, o pequeno sorriso de diversão mostrou que ela tinha visto a situação com certo humor. Oliver sorriu também, embora eu não tenha compreendido bem a razão do seu sorriso.

— É claro vossa excelência.

— Então, se todos estiverem em seus lugares e o Dr. Queen não tiver nenhum outro gracejo para fazer... Ah, não quer elogiar minha pele? Minhas unhas roídas? – não controlei o sorriso, e a juíza pareceu aprovar — Então nós podemos começar?

A audiência não foi como eu esperava.

Muito menos como Oliver havia me treinado.

Nyssa era surpreendente tranquila, sorridente e até mesmo engraçada, ela me fez algumas perguntas sobre a noite do crime, tentei não soltar todas as respostas perfeitamente ensaiadas dando um toque de mais naturalidade como Oliver havia me ensinado. Mas o restante de suas perguntas foram exclusivas sobre mim. Eu não estava acostumada a isso, mas falei sobre a minha vida em Coast City vagamente enquanto Nyssa fazia algumas anotações. Depois disso ela deu um tempo para Oliver fazer a minha defesa oral.

Oliver fez um pequeno discurso, citando letras de leis e discursando sobre a liberdade.

Ele era bom.

Na verdade, Thea estava certa ele era realmente o melhor.

Mesmo que eu fosse leiga à maioria dos termos técnicos, quando Oliver falava, era impossível não fitá-lo, não acompanhar seus gestos ou não sorrir com a paixão que cada frase dita por ele parecia ter, ou como cada palavra podia ser ouvida, entendida e até mesmo sentida. Eu senti certo orgulho de vê-lo assim, tão confortável em seu meio, fazendo o que ele nascera para fazer.

Era bonito de se olhar.

Tão bonito, que mesmo quando ele acabou, eu continuei olhando.

— Realmente inspirador, eu preciso concordar com o meu pai e acrescentar que quando não está jogando fora seu charme, você é realmente um excelente advogado, Sr.Queen. – meu peito inflou ainda mais.

— Obrigado. – ele respondeu, satisfeito consigo mesmo e levemente envergonhado pelo elogio, senti seu olhar vindo brevemente para o meu, seu sorriso podia ser controlado e polido, mas seu olhar me dizia que havíamos conseguido.

Eu só parei de olhar para Oliver quando uma garota, que pela idade eu deduzi que fosse uma espécie de estagiária, entrou na sala exibindo um olhar aterrorizado e deslizou uma nota de papel por sobre a mesa de Nyssa que uniu as sobrancelhas enquanto a lia. Ela não pareceu nenhum pouco satisfeita com o conteúdo, muito ao contrário ela parecia irritada uma vez que amassou o papel em uma bolinha jogando-o no ar e acertando com precisão a lixeira do outro lado da sala.

— Como...? – Eu ia perguntar, ainda abismada com a capacidade dela. Eu não conseguia nem acertar o cesto de lixo que ficava ao lado da minha mesa!

— Eu vou precisar de algumas horas para deliberar sobre o pedido de liberdade provisória, Sr. Queen – Nyssa anunciou com certo desagrado, um sorriso que pensei ter visto ali se contorcendo numa careta e o semblante leve e descontraído desapareceu — Ao que parece eu tenho uma reunião possivelmente bem longa com o Juiz Wilson bem agora. — eu podia sentir o medo voltar, não apenas para mim, mas principalmente para Oliver cujas linhas do rosto imediatamente se enrijeceram e o corpo ficou tenso ao ouvir o nome. Ele se colocou ainda mais perto de mim, sua mão segurando ao redor da curva do meu braço — Eu entro em contato com você, Sr. Queen, ainda hoje, assim que essa reunião sem propósito acabar. – Oliver assentiu mecanicamente, sua mente parecia estar em outro lugar — Mas acho que todos podemos concordar que um uniforme laranja não combina com o tom de pele da Senhorita Smoak. – Nyssa olhou diretamente para mim e sorriu.

Mais do que isso.

Ela piscou.

Para.

Mim.

***

Eu estaria um pouco mais confiante se após deixar a sala de Nyssa, Oliver e eu não tivéssemos esbarrado em Slade. Não esbarrado exatamente, uma vez que ele se encontrava parado em frente a porta da sala de Nyssa. Slade não disse nenhuma palavra, não que fosse necessário. Ele era um daqueles homens grandes com um olhar frio e semblante assassino, ele provavelmente era capaz de matar alguém usando apenas a força do pensamento.

E pelo jeito que ele olhou para mim e Oliver, certamente ele tentou.

— Eu pensei que Nyssa estava na sua, você viu o modo como ela ficou te olhando quando entramos? Eu vi todos os sinais de interesse feminino, mas aí ela te cortou e eu não entendi mais nada.

— Oh, não acho que foi em mim que Nyssa se interessou. – havia humor em sua voz.

— E quanto ao Slade? – parei de evitar o assunto e vi o semblante de Oliver ficar mais pálido — Você acha que ele a subornou? – eu joguei a pergunta se esperar por uma resposta, ou sequer olhar na direção de Oliver, meu cérebro não parava de pensar nas possibilidades e quando ele estava assim, eu precisava me agitar também. Por isso andava de um lado para o outro enquanto deixava todas as preocupações saírem por minha boca — Ou talvez ela a chantageou usando algum segredo sujo do passado dela? Embora Nyssa não me pareça do tipo que tem algum segredo, mas todo mundo tem um...

— Felicity...

— ... e o segredo dela pode ser algo que coloca a carreira dela em risco, então certamente ela aceitou o que Slade pediu! – tirei os sapatos e joguei-os no canto próximo ao sofá, estava cansada de andar de um lado para o outro e ouvir o barulho dos meus saltos. Continuei minha tarefa de andar em círculos sem realmente ver para onde estava indo — Você me disse que Slade não era honesto, mas Nyssa é uma juíza, ela tem algum poder também, seria estupidez dele agir justo com ela, não é? E também... Mas que...! – eu comecei a xingar quando eu bati numa parede, por sorte eu segurei o xingamento. Porque a parede tinha mãos que se colocaram ao redor do meu ombro, e também um olhar tão intenso que me fez todas as preocupações que rondavam minha mente desaparecerem num passe de mágica.

Essa parede era Oliver Queen.

— Respire, Felicity. — a pressão daquelas mãos grandes aliadas ao olhar insistente me fizeram o obedecer sem hesitar. Me vi sugando o ar uma vez e mais outra o soltando logo em seguida, sentindo aos poucos o coração se acalmar embora não tivesse adotado um ritmo mais lento, mas nesse caso eu sabia que a culpa não era da minha ansiedade.

— Obrigada. – o agradeci, e dei um passo pequeno para trás lhe dando a deixa perfeita para se afastar.

— De nada. – ele sorriu, mas não tirou as mãos dos meus ombros, tão pouco aceitou a pequena distância que nos impus, ele a rompeu e se aproximou ainda mais num passo largo.

Respirei fundo, dessa vez pegando um pouco do cheiro do seu perfume. Eu já não me importava mais em ter seu cheiro me rondando, depois de passar tanto tempo com Oliver eu havia me acostumado a tomar uma dose diária de seu cheiro, tanto que me vi inclinando apenas um pouco para sentir mais...

— Você me cheirou?

— O quê? Não! – me defendi – Eu só queria saber o que você acha. – Oliver piscou — Eu quero dizer, de todas as minhas perguntas, eu fiquei falando e falando e você não as respondeu. – tentei inverter o jogo.

— E você achou que meu cheiro teria as respostas? – Oh, Deus! Por que eu fui cheirá-lo?

— Eu. Não. Estava! E honestamente esse não é o caso, temos assuntos mais importantes a discutir — bati o pé, e um sorrisinho irritante apareceu em seu rosto. – Agora me diga por que não respondeu minhas perguntas. – exigi, tentando mudar de assunto desesperadamente.

— Eu teria respondido se você tivesse parado um momento de surtar e me deixado falar. – revirei os olhos, sabendo que estava fazendo a diversão do Oliver. – Mas se quer realmente a minha opinião, como seu advogado e como alguém que conhece Slade – Oliver começou a falar, deixando o humor de lado e adotando uma postura mais séria. – Eu acho que... – o celular dele começou a tocar o interrompendo bem naquele momento – Um momento Felicity. – pediu levando o aparelho ao ouvido e então se afastando.

Eu me encostei a sua mesa enquanto o observava de longe, notei imediatamente que a ligação era importante, ao ver o quão compenetrado ele parecia. E a ligação foi cheia de “hums” “é claro” e “eu entendo” nada que me desse qualquer dica de com quem Oliver falava, apenas que era importante porque Oliver estava sério. Oh, e que era uma mulher, eu havia identificado uma voz feminina antes dele se afastar.

Eu estava me questionando se seria a ligação de Nyssa.

Até que Oliver riu ao telefone, e um sorriso gostoso tomou conta de seu rosto.

Então não podia ser ela.

Oliver desligou o aparelho e seu rosto veio para mim, aquele maldito sorriso ainda estava lá, me fazendo irracionalmente irritada por não ser eu a razão, mas a mulher do telefone.

— O quê? – perguntei num certo mau humor.

— Era a juíza Nyssa. – me coloquei ereta desencostando o corpo da mesa, mas mantendo uma das mãos segurando com força na madeira enquanto esperava por Oliver. — Ela decidiu por não prender você. – eu escutei, mas eu não entendi — Dessa vez. – Oliver acrescentou a ressalva com um sorriso — Felicity? Você me ouviu?

— Ouvi, mas não tenho certeza.

— Você não vai ser presa. – ele se aproximou, a voz mais cálida e gentil.

— Não? – ergui os olhos para o rosto de Oliver, que estava mais próximo do que eu havia percebido. Quando foi que ele rompeu a distância entre nós dois?

— Não. – ele confirmou a minha negativa — Tem algumas ressalvas, é claro. — Oliver começou a dizer, mas eu não estava prestando muita atenção. Eu estava a salva, aos poucos meu corpo ia assimilando aquela sensação, a liberdade ainda não havia sido arrancada de mim, eu não estava dando adeus à nada ou a ninguém... — Você fica na minha responsabilidade, morando na minha casa e não pode deixar Starling City enquanto durar o processo, entendeu? – assenti. – E também...

— Obrigada! – eu me joguei nos braços de Oliver, envolvendo seu pescoço com minhas mãos, encostando minha cabeça na curva do seu pescoço enquanto seguia murmurando palavras de agradecimentos contra a sua pele. Abraça-lo era bom. Marcava o fim daquela tensão que me sujeitei nos últimos dias, aliviava o medo e tirava um pouco do peso do meu coração.

Era confortador.

Como há muito eu não sentia.

Por isso me permiti tomar mais desse abraço. Só mais um pouquinho. Somente o suficiente para me aquecer.

— De nada. – escutei sua voz rouca e quente ao pé do meu ouvido, suas palavras vieram com tamanha leveza que mesmo tendo meu rosto escondido na curva do seu pescoço eu sabia que Oliver sorria. Talvez eu pudesse manter aquele abraço platônico. Talvez não fosse perigoso se ele durasse um pouco mais... Senti suas mãos grandes circularem meu corpo o trazendo ainda mais para o dele. Tão perto dele que eu sentia tudo.

Escutava o coração de Oliver batendo.

Sentia o seu cheiro.

O calor da sua pele junto a minha.

Isso nunca seria platônico.

Quase todos os sentidos meus sentiam Oliver.

Só faltava o paladar.

Imediatamente tentei me afastar ao perceber onde aquele abraço estava me levando. Devia ser apenas um abraço de agradecimento, eu só me permitia ter um abraço platônico com ele. Era seguro ter apenas um abraço.

Mas Oliver discordou.

Ele me apertou ainda mais em seus braços, não permitindo que eu fosse para longe. Ele me segurou firme como se precisasse me manter ali, presa em seus braços eternamente.

Nós precisávamos acabar com isso.

Mas a gente não se afastou.

Vi o momento em que seus olhos tão azuis desceram dos meus e olharam fixamente para meus lábios entreabertos, um brilho conhecido perpassando por eles. Eu sabia o movimento que Oliver iria fazer a seguir, eu sabia que deveria me afastar antes que nos enveredássemos por aquele caminho mais uma vez. Mas como me afastar se tudo o que eu mais desejava era me afogar em seus lábios? Sentir seu gosto e deixar que mais uma vez Oliver me levasse ao paraíso, mesmo que no final ele me deixasse despedaçada no inferno?

Eu fui fraca.

Eu cedi no momento em que seus lábios macios tocaram os meus, hesitantes e ainda controlados, exigindo de mim apenas um contato superficial. Não me arrependi por me inclinar ainda mais, encaixando meus lábios nos dele tão perfeitamente e os movendo ainda que vagarosamente enquanto sugavam a maciez da carne dele. Oliver se afastou e um som grunhido e indistinto saiu da sua garganta. No instante seguinte eu senti seus lábios mais uma vez sobre os meus com força, ele respirou fundo dentro da minha boca, parecendo aliviado por eu não ter recuado e ao mesmo tempo sedento demais para pensar no que estávamos fazendo. Nesse momento, nada mais importava.

Eu não queria pensar em mais nada.

Porque eu estava sentindo novamente, e isso era infinitamente melhor.

Sentindo tudo o que eu não sentia há cinco anos.

Eu não permiti um momento para me recriminar por ainda me sentir assim com Oliver, eu apenas me permiti beijá-lo, me permiti envolver seu pescoço com minhas mãos e acariciar seus cabelos enquanto seguíamos nos beijando. Eu me permiti me entregar. Porque era bom. E há muitos anos que não havia nada de bom na minha vida, há muitos anos que sentimentos e sensações como essas tinham sido banidas porque sentir machucava demais.

Mas agora eu me concentrei no que era bom.

Concentrei-me em receber e guardar cada uma das sensações provocadas por seu beijo, em sentir seu gosto fresco e mentolado, sentir sua língua quente e macia se mover lentamente sobre a minha. Em apenas sentir.

Porque eu não sabia quando sentiria algo bom assim.

— O que eu estou fazendo? — Oliver se questionou num murmuro dando um passo para trás, mas ainda me tendo em seus braços, seus olhos fechados, sua boca ainda tão perto da minha que sua respiração ofegante me provocava. Eu me lembrei de já ter escutado aquela mesma pergunta cinco anos atrás num momento parecido com esse. Isso era tão Oliver. Ele quer algo e ao invés de seguir seus desejos de se entregar, ele está sempre se questionando se é certo ou não, se se encaixa em seus planos ou não.

Eu não era certa.

Eu não me encaixava no plano, eu nunca me encaixei.

Mas e daí?

— Você está me beijando. – enrosquei minha mão em seu pescoço com mais força e o puxei para mim, impedindo que ele se afastasse novamente, impedindo que aquela maldita parte racional assumisse o controle novamente, eu queria que Oliver se perdesse em mim, ao menos mais uma vez, eu queria que ele sentisse o que eu sentia, o que apenas ele fazia comigo. Eu precisava dele, precisava do que estar com provocava em mim.

Eu precisava sentir.

Qualquer coisa. Todas as coisas.

E eu precisava de Oliver para isso.

Eu liderei o beijo dessa vez, sem deixar espaço para dúvidas ou arrependimento. Ele deixou de ser um roçar lento e sensual de lábios, para se tornar mais faminto e exigente. E Oliver me correspondeu com o mesmo fervor. Seus dentes puxaram meus lábios, se prendendo na carne, suas mãos pararam de passear por minhas costas e desceram sem pudor se encaixando na minha bunda.

Seus passos vieram decisivos e largos me empurrando para trás até que eu encontrasse a sua mesa, e nem assim Oliver parou de me beijar e me tocar. Eu parecia ter libertado aquela parte de si que Oliver sempre controlava, a parte responsável por seus desejos. O nosso beijo, a essa altura já havia se tornado um reflexo de nós dois: uma bagunça desesperada, uma confusão de sentimentos explodindo e lutando entre si.

Eu gemi contra seus lábios quando uma de suas mãos apertou meu seio por cima do sutiã e eu me vi respondendo aquilo, roçando meu corpo em certa parte do dele que estava bem acordada.

Oliver me parou por um momento em meio a minha pressa, afastando nossos lábios e retirou suas mãos de mim. Eu pensei que era o fim, que ele iria colocar aquela distância novamente entre nós, que a razão finalmente o tivesse alcançado e que ele iria murmurar um me desculpe e fingir que isso nunca aconteceu. Mas para a minha completa surpresa ele não o fez.

Seu olhar veio para meu rosto, intenso e com fogo brilhando por trás de suas íris azuis. Mas não foi o desejo que me cativou e me fez prisioneira de seu olhar, foi o que havia de indistinto ali, que me dizia que Oliver não estava apenas me olhando, ele estava realmente me vendo.

Cada parte de mim.

Meu coração.

Minha alma.

Eu queria desesperadamente me esconder de seu olhar, mas como se percebesse a minha vontade de fugir, Oliver sorriu. E me tocou.

Seus dedos roçando suavemente a pele dos meus lábios fazendo-me estremecer, desceram por meu queixo e contornaram a linha do meu rosto. Seu toque mais parecia o toque de um feiticeiro me encantando, me fazendo inclinar em sua direção, desejando ter mais do toque, mais da suavidade que nem sempre aparecia entre nós.

E então ele me beijou.

Realmente me beijou.

Profunda e ternamente.

Com lábios se unindo e se movendo na mais perfeita sincronia. Pode um beijo te levar as nuvens? Um beijo te fazer sorrir e flutuar? Fazer o mundo parecer um lugar melhor?

Mas por mais que seu beijo fosse doce, suas mãos mantiveram a mesma urgência de antes. A necessidade era de tocar e apertar, sentir o calor e eu compartilhava isso com ele. Por isso quando senti suas mãos se abaixando até minhas coxas e me impulsionando para cima, para que eu me sentasse em sua mesa, eu não demorei a entender o que Oliver queria de mim, e enrosquei minhas pernas nas dele, prendendo meus tornozelos atrás de seus joelhos.

Seu corpo pareceu aprovar, eu agora sentia sua rigidez crescente contra mim. Ele também havia retirado minha blusa por sobre a cabeça com um único movimento e me deixado apenas de sutiã. Agora as mãos de Oliver faziam de minhas coxas seu lugar favorito, e passeavam contentes pela pele subindo e descendo, se aproveitando da parca barreira deixada pela saia que eu usava e a essa altura já se embolava no meu quadril.

Suspirei contra seus lábios, parando o beijo por um momento e soltando um gemido ao sentir suas mãos tocarem num ponto sensível. Eu estava perdendo o controle com seu toque, não demoraria muito e ele iria me desfazer apenas com isso, e Oliver ainda estava vestido com seu maldito terno que não deixava nenhuma porção de pele para que eu tocasse.

Movi minhas mãos entre nós desabotoando o paletó e sussurrando ainda ofegante a ordem contra a sua boca:

— Tire-o.

Uma palavra e o paletó foi ao chão. Assisti com ansiedade Oliver afrouxar a gravata, puxando-a por cima da cabeça com certa rudez, voltando a me fazer refém de seus lábios.

Eu poderia dizer que esse nosso rompante, essa perda de controle era coisa de momento, mas não. Eu sempre soube que em algum ponto nós iriamos acabar assim, desde o primeiro dia do meu retorno, quando ele abriu a porta para mim naquela noite, não havia maneira de fugir por mais que eu tentasse. Eu queria Oliver. Eu sempre o iria querer, não havia botão on e off. Eu queria o sentir como eu o senti há cinco anos. Nem que para isso eu precisasse me afogar naquela ilusão de uma noite só e fingir que era para sempre, mais uma vez.

Ao menos dessa vez, eu sabia onde estava entrado.

Ao menos ao final disso eu não terminaria como uma jovem desolada pela perda do primeiro amor.

Eu era uma mulher adulta agora.

Eu não iria mais me iludir.

Eu o queria sim, porque eu nunca encontrei alguém que me fizesse sentir uma mulher como Oliver fazia. E eu tentei, mas com todos os outros parecia faltar sempre algo. Diferente de com Oliver, que precisava apenas me tocar para que eu me derretesse em seu toque quente, seus beijos não me faziam suspirar. Eu não queria fugir dessa vez, eu queria me jogar, eu queria me afogar.

Eu puxara a camisa de Oliver com força e comecei a desabotoá-la, eu parecia um pouco desesperada, mas eu não me importava, eu finalmente tinha minhas mãos por sobre aquele peitoral magnífico, meus dedos contornando os detalhes da sua musculatura rígida. Oliver não me parou quando eu desci meus dedos e desafivelei seu cinto e o acariciei por cima da calça, mas o gemido rouco contra a minha boca dizia-me tudo. Eu não era a única que queria sexo.

Ou talvez eu fosse, porque senti a mão de Oliver sobre a minha parando-me.

A outra segurou em meu queixo para que eu não virasse o rosto e evitasse encará-lo. Ficamos assim sem nos beijar, apenas um bebendo da respiração do outro, sentindo aquela vontade louca de se embriagar naquilo. Nossos olhos... Oh, nossos olhos estavam presos em uma conexão que eu não conseguia parar ou sequer explicar. Aquela era uma prisão da qual eu não queria fugir.

Não notei quando sua mão deixou meu queixo e se espalhou sobre a mesa atrás de mim. Apenas escutei o som de algumas coisas sendo arrastadas e outras caindo ao chão e se quebrando, mas não me concentrei nisso. Como poderia se logo em seguida eu tinha Oliver curvando o seu corpo sobre mim, deitando-me sobre a sua mesa e beijando-me como se o mundo fosse acabar?

Oliver era pesado, seu corpo comprimia o meu não deixando muito espaço para eu me mexer. Mas eu não me sentia sufocada ou restringida, eu apreciava a sensação de pele com pele, de senti-lo tão perto de mim outra vez, de quase sermos um só.

Não era nada parecido com aquela primeira vez.

E ao mesmo tempo era tão parecido.

Era tudo urgente e intenso.

Tinha seus momentos doces e ternos.

E cada toque trazia uma nova sensação, ou me fazia recordar das antigas.

Como agora que Oliver havia deixado meus lábios e se ocupara de dar beijos em meu pescoço. Aproveitei do breve momento que tive para deslizar as mãos por dentro da camisa aberta e puxá-la para baixo tirando aquela barreira e me permitindo mover minhas mãos por suas costas nuas.

Oliver desceu seus lábios de meu pescoço, fazendo um caminho que me deixava sem fôlego. Passando-os por minha clavícula e chegando ao meio dos seios. Oliver não estava com muita paciência, apenas senti seus dedos nas alças do sutiã as movendo para baixo e lhe dando livre acesso.

Ele moveu sua mão sobre a renda da peça primeiro, afastando-a sem muita gentileza ou controle e colocou o bico do seio direito em sua boca.

E sugou.

E brincou com sua língua nele.

E o mordeu.

E enquanto ele fazia isso o mundo girou ao meu redor. O ar desapareceu dos meus pulmões e cada pelo do meu corpo se arrepiou, enquanto eu me desfazia pela boca de Oliver.

Prendi minhas unhas em suas costas com força, quando ele deixou o bico do seio apenas para sugar a pele ao redor. Com fome. Como se estivesse faminto, não por sexo, mas por mim.

Eu resmunguei quando Oliver parou e se afastou ficando de pé e me deixando deitada ali, me inclinei para ele sentando-me a mesa pronta para puxá-lo de volta mais uma vez e obrigá-lo a continuar o que começou, mas parei ao perceber que havia um propósito em seu afastamento.

Oliver se ajoelhara no chão.

Oh, caralho! Aquela era uma visão que jamais deixaria a minha mente.

Suas mãos puxaram meu corpo até a borda num movimento fluído.

Eu não respirei durante o longo e sensual percurso que as pontas de seus dedos fizeram até as tiras da minha calcinha, eu ergui o quadril para ajuda-lo, mas continuei prendendo a respiração enquanto ele a descia lentamente por minhas pernas. Oliver se pôs de pé, suas mãos ainda em minhas coxas, apertando-as com a força mostrando-me que apesar de seu semblante parecer controlado, Oliver estava tão perto da borda de um precipício quanto eu, e estava me convidando para pular com ele. Como dizer não, se eu tinha seus polegares acariciando a parte interna das coxas fazendo círculos provocativos tão perto de onde eu realmente o queria sentir? Oliver estava me olhando como se me desse uma última chance para desistir, mas o fogo em seus olhos o desmentia pedia para que eu não o fizesse.

Oh, foda-se! Como se eu fosse louca de desistir de tudo na melhor parte.

Era como ir num parque de diversões e não andar nos melhores brinquedos, como ganhar na loteria e recusar o prêmio. Então eu me inclinei para ele, tomando uma decisão e oferecendo uma volta na roda gigante.

Oliver não a recusou.

Seus dedos subiram mais se colocando no meio das minhas pernas e acariciando o meu sexo, eu me vi derretendo nos braços de Oliver, tombando a cabeça em seu ombro e abafando meus suspiros contra sua pele, aproveitando para deslizar meus lábios e provar o gosto ligeiramente salgado de Oliver.

— Eu quero ver você. – senti a mão que não me acariciava no meio das pernas ao redor de meu rosto o deixando alinhado com o de Oliver – E não morda os lábios, Felicity. – exigiu repreendendo o que eu sequer notava que estava fazendo. Mas como não mordê-los, se eu tinha Oliver me dando prazer com seus dedos e eu precisava extravasar a sensação de algum modo? — Deixa que eu os morda por você.

— Faça isso. – consegui dizer num ofego que se misturou a um gemido ao sentir seu dedo se afundar em mim no mesmo momento em que Oliver prendia meu lábio inferior entre seus dentes, trazendo uma mistura perfeita de dor e prazer.

Estar com Oliver fazia tudo o que havia de ruim na minha vida desaparecer.

Será que era assim para ele também?

Fitei seus olhos, lendo apenas o fogo ali. Todas as outras emoções ainda indistintas para mim. Mas não importava, Oliver estava envolvido, eu duvidava que houvesse qualquer coisa diferente do que fazíamos em sua mente.

Desci minhas mãos por suas costas e contornei o cós da calça chegando até a parte da frente, eu já havia desfivelado o cinto então a desabotoei descendo o zíper. Oliver retirou seu dedo de mim, passando a acariciar a parte sensível do lado de fora, seu olhar me desafiava a fazer o mesmo, e o fiz. Abaixei suas calças e coloquei sem pudor minha mão dentro da sua cueca.

Oliver não estava apenas excitado.

Ele estava rígido e completamente duro.

Um grunhido veio do fundo de sua garganta e eu o senti morder minha boca com mais força do que pretendia quando o envolvi ao redor da minha mão e o estimulei.

— Eu não consigo adiar mais. — Eu sentia em minhas mãos a urgência dele — Felicity eu preciso...

— Eu também preciso. – falei contra seus lábios, mas Oliver não agiu. Talvez eu precisasse ser mais direta — Eu quero ter você dentro de mim agora, Oliver. – Usei todas as palavras olhando em seus olhos que faiscavam em desejo, e ele assentiu em afirmativo.

Nossas mãos deixaram de excitar um ao outro, e Oliver ajeitou nossos corpos um no outro.

Agora estávamos tão perto, que eu sentia o calor dele em mim.

As respirações ofegantes se mesclavam.

Engoli em seco, em expectativa.

Eu podia escutar o batucar alto do meu coração, e eu podia sentir a pulsação forte e rápida de Oliver onde quer que eu o tocasse. Estávamos ambos sedentos por isso. Como se precisássemos tanto um do outro que não houvesse lugar para mais nada, nenhum outro pensamento ou preocupação. Só havia nós. Nossas bocas que desejavam se perder no gosto uma na outra, nossas mãos querendo se tocar.

Apoiei minhas mãos nos ombros de Oliver e prendi com minhas pernas mais uma vez, puxando-o para mim. Suspirei e gemi alto quando senti seu membro me roçar. Eu não tinha me dado conta do quão excitada eu estava até senti-lo em toda a sua glória ali. Oliver simplesmente se posicionou melhor penetrando apenas um pouco e arrancando de mim outro suspiro – de prazer e frustração -, ele então colocou as mãos em minhas coxas as agarrando com vontade e me puxou para a borda da mesa afundando dentro de mim num movimento firme e fluido, instintivamente contrai meu corpo um pouco, fazendo ir mais fundo me preenchendo completamente. Tirei um minuto para deixar meu corpo cair contra o de Oliver, e respirei pesadamente contra a sua pele, eu precisava de algum tempo para me acostumar com o tamanho dele. Não que eu não fizesse sexo há muito tempo. Depois de Oliver eu tive outros parceiros. Eu realmente tentei fazer dar certo com alguns deles, mas nenhum deles jamais pareceu tão certo quanto ter Oliver Queen dentro de mim.

E isso me assustava.

— Você está bem? – apenas a voz dele em meu ouvido já me fez estremecer. Oliver soara preocupado e até mesmo solícito, mas a maldita voz dele era sexy demais, e a respiração dele quente, os lábios molhados sobre a pele do lóbulo da orelha...

— Mais que bem, eu me sinto ótima, perfeita na verdade, eu estou... – eu não consegui terminar a frase, quando ergui a cabeça e o encarei, havia um sorriso satisfeito em seus lábios. Como dizer a ele que eu estava no paraíso sem deixá-lo ainda mais convencido?

— Eu também estou. – confessou, sua mão retirando uma mecha do meu cabelo que grudava no meu rosto de um jeito tão cuidadoso que me fez sorrir — Mas eu preciso me mover, não consigo ficar dentro de você, Felicity. – pisquei confusa. Então ele queria sair? Instintivamente apertei minhas pernas ao seu redor com ainda mais força e gemi ao senti-lo se mover um pouco dentro de mim – Não sou louco de sair e não voltar, — ele explicou melhor ao ver minha confusão – eu quero sair e entrar, mas com você me apertando assim, com você gemendo desse jeito fodidamente sexy no meu ouvido... Eu vou explodir sem sequer me mover, e eu não quero, não antes de você.

Sorri ao perceber que Oliver era generoso no sexo.

— Então se mova. – falei.

Oliver não se moveu apenas. Não sei porque pensei que com ele seria assim tão simples. Oliver me curvou novamente sobre a mesa, ter seu corpo em cima do meu me trazia lembranças vívidas, e agora eu poderia acrescentar mais esse momento a minha coletânea de lembranças.

Era tudo o que eu sempre teria dele? Lembranças.

— Me beija. – pedi. Oliver o fez sem questionar, e quando seus lábios tocaram os meus eu voltei a me concentrar apenas em nós, todo o resto sendo esquecido, varrido para o fundo da minha mente que agora só havia espaço para Oliver e o prazer que ele me dava.

E Oliver me dava muito.

Entrando.

E saindo.

Entrando.

E saindo.

Ele encontrou o ritmo perfeito, mas isso não era surpresa. Seu beijo era perfeito, seu toque era perfeito. Eu queria morar nessa perfeição.

— É real.— escutei as palavras sem sentindo serem ditas contra meus lábios, e não as compreendi. - É tão real. Eu não posso mais... – Oliver não disse mais, mas seja lá o que se passava em sua mente, isso o fizera ser ainda mais feroz.

Sua boca sugava meu lábio inferior com uma fome desesperada, suas mãos deslizavam afoitas pelas minhas coxas, prendendo a carne enquanto ele se movimentava para dentro e para fora.

O cheiro de sexo preenchia o lugar.

Nenhum de dois conteve os gemidos, era como se precisássemos deles para dar vazão a todas as sensações.

— Oliver... – eu nem notei quando o nome dele escorregou dos meus lábios, mas eu senti um alívio assim que o falei. Oliver parou de me beijar, no entanto não reduziu o ritmo de suas estocadas, sua mão veio novamente para meu rosto, seus dedos tocando minha bochecha numa carícia tão leve e delicada que quase não a senti.

— Só com você... – Ele murmurou de volta para mim dentro de um sorriso como se respondesse a uma pergunta que eu não fiz. Seus lábios se repousaram sobre os meus mais uma vez, suave e terno, quase reverente, tão diferente da forma com a qual ele se movia dentro de mim, implacável e deliciosamente sensual. – Só. – reafirmou em seu tom cheio de certezas.

Eu não o perguntei sobre o que ele falava, eu nem tive chance.

Como se percebesse que eu iria questioná-lo Oliver jogou sujo, movendo a mão entre nós e me estimulando apenas um pouco. Eu não precisava de muito já estava no meu limite, mais uma estocada e ele atingiu o ponto perfeito dentro de mim, fazendo todo o meu sexo se contrair abraçando o dele. Eu gemi seu nome mais uma e outra vez, enquanto caía no redemoinho de prazer que Oliver me levara. O orgasmo veio forte e intenso, deixando-me desorientada por um momento. Percebi que no instante em que meu orgasmo acabava o de Oliver começava. Seu pênis latejou dentro de mim, enquanto Oliver se derramava num último movimento.

— Oh, Deus, Felicity! O que você fez comigo? – eu apenas tive forças para um riso abafado, enquanto seu corpo cansado e satisfeito pelo sexo intenso que fizemos caía sobre o meu. Oliver riu também, e seu corpo balançou junto ao meu, fazendo-me sentir uma coceira engraçada no meu estômago.

Ficamos assim, respirando um no ouvido do outro, mãos se encontraram e se enroscaram naturalmente como se tivessem o hábito de fazer isso sempre, corações aos poucos iam desacelerando e voltando a pulsação normal como se estivessem conversando entre si.

Oliver permaneceu dentro de mim, ainda que os espasmos do orgasmo tenham acabado e ambos estávamos ainda naquela letargia gostosa pós-sexo. Abri meus olhos quando Oliver se moveu um pouco, sua cabeça deixando seu lugar cativo em meu pescoço. Quando o fiz, minha primeira visão foi o sorriso satisfeito que ele estampava e me deixei retribuir um. Sua mão ainda apertava minha coxa com força como se não quisesse me deixar partir, seu corpo ainda sobre o meu, nossas peles suadas queimando uma contra a outra, sua maldita e tentadora boca aberta contra a minha, consumindo a respiração ofegante e quente uma da outra tentando-me a provar do seu gosto mais uma vez.

Eu queria cair na tentação.

Oliver finalmente abriu os olhos e olhou dentro dos meus.

Eu vi o pequeno sorriso desaparecer aos poucos de seus lábios. A neblina do sexo se dissipava e tudo ficava mais claro, os problemas começavam a voltar. Eu sabia que era nisso que Oliver estava pensando. Seus olhos se tornaram maiores e mais espertos, e ele engoliu em seco como se tivesse constatado algo. E vagarosamente o Oliver com quem eu dividi aquele momento íntimo e especial desaparecia, e eu via aquela parte dele que sempre me irritava tomar o controle.

Seu corpo deixou o meu de uma única vez, e eu não me senti apenas vazia ou fria pela ausência do calor dele. Eu me senti solitária. Eu odiava me sentir assim, odiava sentir que precisava dele na minha vida para mandar essa sensação embora, odiava que apesar de tudo, apesar de ter dito que eu era uma mulher adulta e que podia lidar com sexo, ainda havia aquela parte menina apaixonada em mim.

Uma parte que eu odiava porque sempre veria Oliver como seu primeiro amor.

E essa parte era muito maior do que eu gostaria.

Ergui meus olhos para os deles, vi a culpa estampada ali.

Eu não era a única odiando algo.

Era como se Oliver sentisse raiva de si mesmo por me querer. Raiva por ter perdido o controle comigo, e por termos cedido a atração e feito sexo bem em cima da mesa de trabalho dele.

Sentei-me a mesa com o coração na mão, e o observei se afastar sem dizer nada ficando de costas para mim.

Assim como o escritório de Oliver, eu estava uma bagunça completa. Saia enrolada no meio da cintura, um seio para fora do sutiã. Eu sequer sabia onde estava a minha calcinha. Pulei da mesa, ajeitando o sutiã e a saia, vestindo a minha blusa que estava sobre a poltrona dele e varri o escritório procurando pela bendita. Nada. Fui até meus sapatos que havia tirado mais cedo, e quando abaixei para calça-los a vi, debaixo da mesa de Oliver perto do porta-retratos sem foto que agora estava quebrado.

Eu dei meia volta para pegá-la quando as senti as palavras de Oliver me atingirem:

— Isso não devia ter acontecido. — Oliver disse ainda de costas para mim, balançando a cabeça, tornando impossível ver seu rosto e ler seus olhos, não que fosse necessário, Oliver estava sendo sincero. E constatar isso doeu tanto. Mais uma vez depois do sexo Oliver me rejeitava e quebrava uma parte de mim. E eu achando que estava madura o suficiente para lidar com aquilo, que na época eu era apenas uma jovem apaixonada que sofreu com a desilusão quando o príncipe encantado a deixou depois da melhor noite da vida dela. Mas as palavras dele ainda tinham o poder de me ferir como se fossem facas bem afiadas.

Mas o que eu esperava? Esse era o Oliver Certinho Queen. Eu não era boa o suficiente para ele quando era uma jovem tola e apaixonada, eu certamente não seria boa agora que ele me via como uma assassina mentirosa.

Apenas respirei fundo e segurei as lágrimas aceitando a rejeição e me esforçando para fingir que ela não me afetava.

— Você não parecia arrependido há poucos minutos quando se esqueceu da camisinha e gozou dentro de mim. — Falei com deliberada frieza, Oliver se virou para mim parecendo alarmado ao perceber nosso deslize, sua boca se abriu, mas as palavras não saíram. Eu queria ter prolongado a agonia dele, vê-lo se martirizar um pouco mais na culpa e no medo, mas eu não consegui. — Não faça essa cara, eu me cuido. – dei de ombros como se não fosse nada demais, dei-lhe as costas para pegar minha bolsa sobre o sofá e quando me virei, Oliver ainda estava parado no mesmo lugar, ainda estático. Reuni todo o meu fôlego e coragem, e finalmente desabafei — Mas você tem razão, eu sou um erro, e todos nós sabemos que não há lugar para erros na vida perfeita de Oliver Queen. Mas ao menos foi prazeroso, você não precisa se culpar por sentir prazer comigo.

Sai da sala, com a cabeça erguida e mantendo o sorriso no rosto pelo máximo de tempo que consegui antes de simplesmente desabar em lágrimas. Eu pensei ter ouvido Oliver dizer algo para mim antes de eu sair. Uma frase curta e sem muito sentido.

É real?

Eu não o entendi.

Eu nunca o entendia.

Mas não importava porque agora eu já estava na rua e sem calcinha – Sim, eu esqueci a merda da minha calcinha lá embaixo da mesa dele, e era uma das minhas melhores calcinhas. Não importava, nem morta eu me humilharia e voltaria para pegá-la, por mim que ele ficasse com ela de lembrança. Não queria ver aquele olhar que me machucava mais uma vez.

Afinal, quantas vezes eu deixaria Oliver Queen me arruinar até que eu entendesse que ele não era para mim?

Notas finais
Hey! Ansiosos para a parte 2 desse capítulo? Já tá prontinha então sem grandes atrasos aqui! Mas antes de postá-la fico no aguardo dos comentários lindos e cheirosos de vocês! beijos e até a próxima!