Guilty Pleasure

17 Capítulo 15 - Beautiful Lies


Notas iniciais
Aqui estamos com mais um capítulo! Primeiro eu quero agradecer à Izabel e a Bruna Alves pelas lindas recomendações. Iza, você sabe o quanto é especial para mim então muito obrigada pelo apoio e carinho de sempre. Bruna eu percebo o quanto você ama GP, só pelos seus comentários surtados, e eu quero agradecer muito por ter tirado um tempinho e feito essa recomendação também. Esse capítulo é especialmente para vocês duas. Eu espero que estejam com seus corações preparados. Mas antes, eu só quero deixar uma frase aqui, que sempre me faz pensar em Guilty: “Pode se encontrar a felicidade mesmo nas horas mais sombrias, se a pessoa se lembrar de acender a luz.” Falo com vocês nas notas finais.

Beautiful lies

Cover my eyes with your hands

Just pretend we're better

Turn out the light

There are no more surprises to come

Let's be numb together

The world's so fast

That nothing lasts

Let's save it while we can

Cause I want to be forever

Like smoke in the air

Float like a feather, going nowhere

Lost in the silence

I don't need to be free

Kill me with kindness and please

(Beautiful Lies — Birdy)

♥

Oliver Queen

Houve uma batida a porta, mas nenhum de nós se moveu.

Meus olhos se recusando a saírem dos dela, mesmo que os de Felicity seguissem olhando para baixo, evitando os meus, segurando a verdade por mais alguns minutos. Meu corpo ainda tenso, não pela expectativa de finalmente saber o que Felicity escondia de mim, mas por perceber o quanto se abrir parecia difícil para ela. Não, não apenas difícil, mas doloroso. E me preocupei. Qual era o preço que esse segredo cobrava dela?

Apertei sua mão sob a minha, lembrando-a de que eu estava junto com ela. Qual fosse o preço dos seus segredos, talvez eu pudesse tomar sua dívida para mim, liberá-la daquele acordo doloroso de silêncio que ela havia feito consigo mesma.

— Felicity? – apertei sua mão ao chamar seu nome. Houve um pequeno movimento do seu pescoço, erguendo a cabeça ainda que minimamente, mas seus lindos olhos contemplaram-me de baixo para cima, cravando-se intensamente nos meus.

Alguma coisa se apertou em volta do meu coração.

Li tantos sentimentos em seus olhos, que me perguntei: como Felicity conseguiria traduzi-los em palavras?

E então veio outra batida, e mais outra, dessa vez mais forte e insistente. Apenas quando Thea chamou meu nome, numa voz urgente ameaçando entrar, e Felicity desviou o olhar nervoso da porta para mim, que percebi que talvez essa conversa tivesse que esperar um pouco. Tentei ignorar o longo suspiro de alívio que deixou os lábios de Felicity quando meus olhos deixaram os dela, o toque de nossas mãos se extinguiu, me ergui da cama e abri a porta.

Eu havia me afastado e ela poderia segurar seus segredos por mais alguns momentos.

— Ollie, nós temos problemas. – Thea disse, parecendo aflita. Olhei para Felicity por cima do ombro. Seus olhos temerosos em mim, olhei suas mãos, apoiadas em seu colo, ambas tremendo – Um oficial de justiça está lá fora e não é só isso...

— Eu já estou descendo. – Eu assenti, já sabendo como eram essas coisas.

— Okay... – Thea pareceu hesitante, seu olhar indo para dentro do quarto e vendo Felicity no meio da cama. -... Eu sei que é tolice perguntar – sua voz tornou-se mais baixa intencionalmente -, mas Felicity está bem? – a pressão em meu peito se tornou maior.

— Eu duvido que ela tenha estado realmente bem há um tempo. – Encontrei compreensão nos olhos de minha irmã, fazendo-me me questionar até onde Thea conhecia as aflições de Felicity. Com certeza mais do que eu conhecia.

— Eu vou avisar que está descendo. – Thea deu-me as costas, e eu me virei, voltado para Felicity. Deixei a porta aberta e permaneci de pé em frente a cama. Eu precisava manter uma pequena distância ou acabaria naquela cama, ignorando o mundo enquanto apenas a abraçava e finalmente a ouviria, deixaria a escuridão em seu coração finalmente escorrer para fora e fazer lar no meu.

— Eu volto logo. – Sorri para ela.

— Não quer saber o que tenho a contar?

— Não agora. – menti, forçando um pequeno sorriso.

— Oliver... – seu tom veio condescendente. – Não minta para mim.

— Você ainda vai querer me contar depois? – Não foi muito honroso da minha parte, mas temi que ela perdesse a coragem assim que eu saísse pela porta. Eu estava acostumado em ver Felicity sempre escapulir entre meus dedos.

— Eu preciso contar. – Notei não só mudança no verbo, mas a urgência na voz ligeiramente quebrada, e seus olhos... Esses aumentaram a pressão dentro do meu peito.

— Então eu volto logo. – repeti, deixei ambas as mãos pousarem ao redor de seu rosto, perdendo um momento para acariciá-lo antes de erguê-lo um pouco, curvar meu próprio corpo para frente fazendo nossos narizes roçarem. Me permiti um sorriso antes de capturar seus lábios cheios num singelo beijo de até mais.

Um beijo terno e que fazia minhas emoções se acalmarem um pouco.

Talvez fizesse o mesmo nela.

Quando nos afastei, quando seus olhos vieram aos meus, com tantos sentimentos não ditos, eu entendi porque meu coração parecia doer. Porque não havia modo de verbalizar seus sentimentos — bons e ruins – sem quebrar algo importante. Meu coração doía em antecipação, porque seja lá o que Felicity precisava me contar, eu sabia que mudaria tudo entre nós.

***

Era o que eu imaginava.

Embora eu mantivesse um semblante sério e apático ao encarar o oficial de justiça na minha porta, eu apertava as folhas em minhas mãos, amassando-as com força. A acusação de Felicity consistia em quarenta e poucas páginas de informações retóricas e muitos documentos para analisar, perícias médicas, da polícia, testemunhos... Muito disso eu já vinha analisando há um tempo, me preparando antes mesmo de saber como o processo de Felicity iria desenrolar. Eu estava adiantado nesse ponto, porém agora que eu tinha oportunidade de ler a acusação, havia alguns detalhes novos, e eu estava um pouco preocupado com meus prazos. Slade com certeza tinha conseguido mover alguns pauzinhos porque aquele seria um processo anormalmente rápido. Eu tinha meu prazo normal para apresentar minha defesa inicial, mas o restante? O júri já estava sendo convocado, eu tinha dias para apresentar meu rol de testemunhas e correr atrás das provas – não que houvessem muitas — talvez se eu conseguisse protelar um pouco, falar com a juíza Nyssa e conseguir um motivo para adiar a audiência... Não que atrasar fosse resolver alguma coisa.

Mas me daria mais tempo com Felicity.

— É ruim? – Thea me perguntou, se colocando na ponta dos pés para olhar por cima dos meus ombros para os papeis que eu ainda amassava.

— Sim. – respondi, tentando ser neutro, mas falhando miseravelmente.

— Ollie, eu vou falar com ela. Isso é absurdo! – sua voz soou revoltada, e quando me virei encarando-a, percebi o quanto minha irmã parecia desesperada. Isso deveria estar acontecendo com ela. — Felicity não pode passar por isso, é minha culpa e eu vou assumi-la. – Dei-lhe um meio sorriso daqueles sem emoção e que sequer mostravam os dentes, ao mesmo tempo colocando ambas as mãos em seus ombros.

— Thea, eu amo você e...

— E você ama Felicity também. – Ela se adiantou, com olhos ansiosos.

Quase sorri de verdade dessa vez.

Thea não desperdiçava uma chance.

— Eu te disse que não posso ou vou escolher entre vocês duas. — retomei minhas palavras anteriores — Mas, você honestamente acha que Felicity vai deixá-la assumir?

— Eu não preciso da autorização dela. – Ergueu o queixo numa atitude petulante. Eu amava minha irmã, e não importava se ela fosse maior de idade e responsável por seus atos e por suas próprias decisões. Meu instinto seria sempre protegê-la. Mesmo que isso muitas vezes significasse protegê-la de si mesma.

— Prometa-me que não vai fazer nada sem falar comigo antes. – pedi, aumentando a pressão de minhas mãos ao redor de seus ombros — Thea, você pode acabar complicando as coisas para as duas. Não é um caso simples de ir à delegacia e dizer que foi você. Se for o desejo das duas que você assuma, nós três iremos pensar em uma estratégia juntos. — frisei a ultima palavras.

— Tudo bem. – Não me permiti respirar aliviado, mas assenti confiando que Thea viria até mim antes de qualquer decisão.

— Pode ficar com Felicity por um tempo? – Pedi a ela que me lançou um olhar desconfiado.

— O que vai fazer? – Soltei um longo suspiro levando uma das mãos ao cabelo, com vontade de arrancá-los. Joguei os malditos papeis sobre a primeira superfície que vi. Que diabos eu iria fazer?

— Eu preciso trabalhar. Preciso esmiuçar cada palavra disso. – ergui os papeis amassados, forçando minha mente a tentar trabalhar. Mesmo que milhares de outras coisas ficassem girando em minha cabeça exigindo atenção. — Preciso ir para o escritório, todas as informações que preciso estão lá na pasta dela, talvez tentar entrar em contato com Nyssa e ver o que consigo protelar nesse processo. Vou precisar falar com Roy, ele é a nossa única testemunha, talvez entrar em contato com Curtis... – eu caminhava pela sala de um lado para o outro enquanto seguia falando. Levei as mãos aos meus bolsos buscando por algo, mas não o encontrando. — ...ele pode atestar sobre a boa índole de Felicity... – varri a sala com meu olhar procurando-o, e por fim desisti — Thea, você viu as chaves do carro?

— Ollie, você não pode sair agora. – braços cruzados, numa postura resoluta, uma sobrancelha arqueada e lábios franzidos, exatamente como a nossa mãe costumava a fazer sempre que algo a desagradava.

— Claro que posso. – Por que Thea parecia preocupada comigo?

— Não, não pode! Primeiro porque você está procurando as chaves do carro e elas estão na sua mão. – Thea ergueu a minha mão com a dela, mostrando-me. Quando eu as havia pego? — Você está um pedaço de merda. – jogou na minha cara — Não dormiu essa noite, ficou o tempo todo no hospital se preocupando com Felicity, tentando resolver as coisas. Diabos! Você contratou um segurança para ela, como conseguiu fazer isso durante a madrugada e sem sair do hospital? – Eu não ia explicar que havia ligado para Diggle às três da manhã e pedido ajuda nisso. Meu amigo não hesitou, mas jurou que eu ia pagar caro por ter acordado os gêmeos.

— É meu trabalho, eu não posso simplesmente deixar para depois!

— Você acha mesmo que tem condições de dar seu melhor por ela agora? Quando está cansado, assustado e um pouco desesperado demais... Nós dois sabemos que esta não é uma boa combinação. Tome um tempo para si, para organizar a bagunça que está por dentro antes que ela transborde para fora e bagunce tudo ao seu redor. – Suspirei. Era um argumento válido.

— Eu não quero perder tempo. – reclamei.

— Eu sei que não. – falou docemente — Você quer cuidar de tudo e todos ao seu redor, mas às vezes se esquece de cuidar de si mesmo. – Eu estava assim tão ruim? Eu me sentia cansado, é claro, mas a cabeça ainda fervilhava com todas as coisas que eu precisava resolver.

— Quando você ficou toda madura e responsável?

— Quando eu vi minha melhor amiga e meu irmão tentando limpar a bagunça que eu causei.

— Thea...

— Apenas Suba, Ollie. – ela me deu um sorriso, um pouco nervoso demais. — Descanse com Felicity. Me deixe cuidar de algumas coisas aqui. – Não gostei nenhum pouco da ideia de deixar nada nas mãos de Thea. Não que eu não confiasse na minha irmã, eu apenas gostava de ter o controle de tudo nas minhas mãos.

— Ei, eu vou apenas conversar com Ronnie, ver o que podemos fazer em relação aos jornalistas ao redor da casa. – franzi o cenho, caminhando até uma das janelas onde afastei a cortina um pouco. Forcei o olhar além dos muros, havia dezenas deles pendurados ali, com suas câmeras a mão. O que os abutres esperavam? — A propósito, você deveria ter me avisado que contratou um segurança! Imagina como foi para mim? Entrei na cozinha e encontrar aquele armário em forma de gente assaltando a nossa geladeira!? – Thea brincou, tentando tirar a tensão de ver todos aqueles jornalistas do lado de fora da nossa casa.

— Depois do acidente de Felicity no Queen’s Gambit achei que seria melhor ter alguém protegendo-a quando eu não estivesse por perto.

— Protegendo-a, como se você acreditasse que vai acontecer outra vez? – Apenas olhei para minha irmã, sem confirmar ou negar, ainda pensando até que ponto eu deveria contar a ela.

— Slade a empurrou e ele não vai parar. – ela engoliu em seco, digerindo a verdade naquelas palavras.

— Eu coloquei Felicity em um grande problema. – senti a vergonha em suas palavras. – Bem, eu vou a casa de Roy e ver se ele está melhor para amanhã vocês dois conversarem sobre o testemunho dele. O que acha? – assenti – Vou ligar em Diggle e Tommy e pedir para passarem aqui depois do expediente com a pasta de Felicity, então você poderá trabalhar em casa. — pisquei surpreso com a facilidade com que Thea estava resolvendo tudo — Parece bom para você? – assenti novamente – Então suba e descanse.

Eu iria protestar, mas percebi que talvez Thea precisasse fazer isso. Ela permitiu que Felicity assumisse um crime por ela, sentia-se culpada, e tentaria fazer tudo o que pudesse para ajudar. Subi as escadas como ordenado, deixei minha mente desligar um pouco e meus pés fazerem seu próprio caminho até... Felicity.

Parei bem a porta do quarto dela, me lembrando de como estávamos antes de sermos interrompidos. Ela iria me contar. Não porque quisesse isso, ou porque confiava em mim o suficiente, apenas porque a ameaça de Slade pairando sobre nós a pressionava a isto.

Felicity não era de confiar nas pessoas, mas ela estava disposta a me dar esse pedaço seu porque estava com medo. Correção: Felicity não confiava em mim.

De repente eu já não me sentia ansioso para conversar com Felicity. Temeroso seria uma palavra mais adequada. O que ela poderia esconder de mim, que a atormentava tanto?

Quando retornei para o quarto Felicity dormia, encolhida como uma bolha no meio da cama grande demais. Deixei um riso baixo e sem humor raspar pela garganta, pensando por quanto mais adiaríamos esta conversa. Fazia mesmo diferença se ela me contasse agora ou mais tarde?

Sim.

Porque tempo era precioso, e Slade poderia estar nesse momento planejando algo e...

— Desligue um pouco, Oliver. – Disse a mim mesmo ao perceber que minha mente já formulava diversos cenários hipotéticos, novas maneiras que Slade poderia tentar chegar até Felicity. Mas Thea estava certa, ficar pensando nas possibilidades não me ajudava, eu precisava parar. Ficar com a mente livre para quando tivesse todos os fatos, ela não se dispersasse.

Deitei na cama ao lado de Felicity, deixando-a ter seu próprio espaço. Eu apenas tirei os sapatos, coloquei a cabeça sobre o travesseiro e encarei o teto. Tentando não pensar demais. O que era impossível, já que pensar demais era como uma segunda natureza para mim, ou pelo menos pensei que fosse até sentir o calor que varreu todos meus pensamentos, fazendo-me me concentrar apenas nela.

Seu corpo havia procurado pelo meu, suas mãos pousando na altura do meu estômago, pernas me abraçando enquanto sua cabeça fazia do meu braço seu travesseiro particular. Olhei seu rosto completamente limpo, livre de qualquer uma daquelas emoções que pareciam estar sempre brigando. Vê-la assim me fizera sorrir, liberara o aperto constante que havia em meu coração.

Porque agora só existia Felicity.

E ela fazia meu coração flutuar.

Aconcheguei seu corpo ainda mais no meu, e virei-me ficando de frente para ela, bebendo da sua visão, deixando que ela, mesmo sem fazer nada, trouxesse a paz que fazia a tensão pouco a pouco desaparecer do meu corpo.

A cortina na janela tremeluzia com a brisa suave do final do outono. Do outro lado do quarto as flores do buquê de girassóis que eu lhe dera, agora balançavam dentro do vaso de flores. Pequenos raios de sol dançavam pelo quarto, aquecendo e criando diferentes padrões de luz sobre a pele do rosto de Felicity.

Pintando-a com tons de dourado.

A imagem dela me fez sorrir ainda mais.

Lembrei-me de que ainda havia luz para nós, e finalmente me permiti respirar e me soltar de todas as preocupações que me afligiam. Fechei meus olhos e aproximei meu rosto do dela, eu sentia sua respiração fluida e calma, seu calor quando rocei a ponta do meu nariz no dela. Desejei que pudesse ser o senhor do tempo e pará-lo nesse momento. Que pudesse ser apenas ela e eu, sem tempo para segredos ou medos.

Apenas tempo para amar.

Mas não era assim.

Aceitei que o que tínhamos juntos não poderia ser vivido para sempre, pelo menos não agora.

Mas em algum dia o nós teríamos.

O nosso sempre.

***

Felicity Smoak

Abri meus olhos, apenas para encontrar uma imensidão azul me olhando de volta. Minha última lembrança era de estar na cama sozinha depois de Oliver sair com Thea dizendo que voltava logo. Eu provavelmente adormeci enquanto esperava, mas em que momento Oliver se juntou a mim? Em que momento ele entrelaçou meu corpo ao dele? Se bem que considerando a forma em que me agarrava a Oliver, era provável que eu tenha sido a responsável por isso.

— Oi. – ele disse, sem mover nada além de seus lábios, que formaram um pequeno sorriso. Talvez, assim como eu, Oliver estivesse confortável demais naquela posição.

— Oi. – devolvi, gostando do jeito que nossas respirações se misturavam enquanto eu falava. Gostando de sua mão deslizando suavemente pela extensão do meu braço, da minha perna aninhada entre as dele, da falta de espaço entre nós e como nossos corpos pareciam se encaixar perfeitamente um no outro... Eu gostava muito mais do que deveria.

— Uma moeda por seus pensamentos. – a ponta de seu indicador se colocou no espaço entre minhas sobrancelhas, tentando desfazer a ruga que havia se formado bem ali.

— Eu acho que dormi demais. – respondi, dando-lhe uma meia verdade. Oliver balançou a cabeça, como se soubesse que eu estava mentindo. Ele havia ficado muito bom em me ler, era surpreendente que ainda não tivesse desvendado meus segredos.

— Acho que se eu tivesse oferecido um beijo por seus pensamentos, talvez você não os escondesse de mim. – eu ri, observando seu rosto sereno, e como seus lábios ficavam tão lindos curvados num pequeno sorriso. Meu sorriso. Com toda certeza Oliver estava certo, eu teria me vendido por um beijo.

— Alguém se tem em alta conta. – revirei meus olhos, fingindo não querer seus beijos, fazendo Oliver rir.

— Um beijo por seus pensamentos, Felicity. – barganhou. Seus olhos intensos me encarando com seriedade e um pouquinho de diversão. Como eu poderia resistir?

— Estava pensando no quanto gosto de acordar em seus braços. – mordisquei minha boca me impedindo de detalhar mais, e também, me punindo por aquela verdade. Mas valeu a pena ao ver que o sorriso dele se tornou ainda maior, tão grande que chegou até seus olhos formando pequenas rugas de felicidade nas extremidades. Seu rosto se aproximou um pouco mais, e não segurei o suspiro quando sua boca caiu suave sobre a minha, oferecendo meu pagamento.

Nossos lábios se moveram preguiçosamente, a boca de Oliver tomando um tempo particularmente longo para sugar o meu lábio inferior e depois fazer o mesmo com o superior, como se tivéssemos todo o tempo do mundo para nos perder no gosto um do outro. Braços puxaram-me e apertaram-me junto ao calor do seu corpo, que recebeu o meu com muita animação.

Permiti me desfazer e me refazer em seus braços.

Deixei o beijo ser mais, tomar mais de mim do que jamais dei a alguém que não Oliver. E para a minha surpresa, eu recebi o mesmo de volta. Recebi tanto dele. Com abnegação, com tanta vontade de se doar que desejei ser capaz de me dar inteira para ele.

Havia algo de sensual em ir tão devagar naquele beijo. Não houveram toques mais íntimos, não houve qualquer outro estímulo, apenas nossas bocas perecendo uma na outra. Cada movimento da sua língua era uma nova carícia, e ela estava em todo o lugar, tocando o canto da minha, tracejando com a destreza de um pintor profissional o contorno do lábio inferior, atingindo o céu da minha boca... Exalei um gemido baixo nesse último e senti meu corpo estremecer.

Senti também o sorriso satisfeito se formar em sua boca, ainda contra a minha. Pensei ter escutado meu nome sair num suspiro de seus lábios, mas não tinha muita certeza, uma vez que tudo em mim se concentrava em sentir a pressão da boca que aos poucos se afastava da minha.

— Eu gosto também. – Confidenciou. Olhos sinceros nos meus, causando em mim uma agitação na boca do meu estômago e um arrepio na espinha, que insinuava que gostar não era a palavra certa. – Gosto demais, Felicity.

Meu coração tolo disparou, talvez por perceber que estávamos na mesma sintonia. Ambos gostando demais.

— Acho que nós dois precisávamos disso. – a voz de Oliver estava mais relaxada, e o círculo escuro embaixo de seus olhos havia quase desaparecido. Ele se afastou um pouco, apenas para ajeitar um dos braços embaixo da cabeça e me olhar.

Por que ele precisava me olhar tanto?

— Precisávamos nos beijar? – perguntei com falsa ingenuidade.

— Oh, isso também. – Me distraí ao sentir seus dedos deslizarem pela palma da minha mão aberta, como se estivessem tocando uma melodia delicada, uma que apenas meu coração era capaz de ouvir — Mas eu falava de descansar um pouco, fazer isso um nos braços do outro foi um bônus. – Oliver sorria tão pacificamente. Ele continuaria a sorrir para mim depois que eu contasse?

— Já que estamos descansados, acho que há outra coisa que precisamos fazer. – Oliver me olhou sem entender – Devíamos aproveitar que estamos os dois acordados e sozinhos nesse quarto. – apertei sua mão, nervosa demais, seus dedos pararam de tocar a canção e Oliver me olhou tão intensamente que por um momento fiquei preocupada.

— Eu não acho que você tem autorização médica para isso ainda, Felicity. Eu posso cansá-la demais. – Demorei meio segundo para entender ao que isso se referia. Graças ao seu meio sorriso insinuante que me dizia exatamente o que se passava na mente de Oliver, e isso fazia meu sangue correr mais rápido. Me envergonhando e ao mesmo tempo me excitando com a ideia.

Eu precisava recuperar o controle.

— Eu quis dizer conversar. – Soquei o seu ombro, seu corpo forte sequer se moveu e Oliver apenas riu da minha reação.

— Eu sei. – sua mão fechou-se ao redor da minha, impedindo-me de acertá-lo uma segunda vez — Mas eu não podia deixar passar a oportunidade de te provocar, você parecia muito tensa. – soltei um suspiro, se Oliver fosse me provocar sempre que eu parecesse tensa, nós nunca terminaríamos essa conversa.

— Eu estou tentando ser séria aqui, Oliver. – Essa era uma inversão e tanto de papéis. – Não podemos passar o dia nessa cama, precisamos ter essa conversa. – mesmo que nada seja o mesmo depois. Omiti essa última parte, mas sendo Oliver tão bom em me ler, ele com certeza via esse medo estampado em meu rosto.

Ele deveria se afastar.

Se assustando com o meu medo.

Mas Oliver apenas se aproximou mais de mim, a mão ainda presa na minha. Como se soubesse que eu estava pronta para me afastar dele, mesmo que ainda não tivesse tomado essa decisão.

— Podemos conversar bem assim. – ele pediu. – Estou pronto para te ouvir.

E Oliver estava.

Com todo o seu corpo virado para mim, seus olhos nos meus, apenas esperando.

Como eu poderia conversar olhando em seus olhos? Seus braços ao redor do meu corpo? Dedos brincando em minha pele? Eu conseguiria suportar ver a alegria em seus olhos se dissolver, quando algo obscuro tomasse conta deles? Seu sorriso desaparecer sendo substituído por uma linha reta de decepção? Seus braços deixando de me tocar porque tudo o que Oliver iria desejar era estar bem longe de mim?

Não seja covarde, Felicity.

É hora de lidar com as consequências das escolhas que fez.

— Ok. – puxei uma longa respiração, tentando me acalmar, mas ainda assim, quando falei, a voz saiu trêmula, manchada pelo temor – Eu acho que devo começar pelo começo, certo? Mas que tola, todas as histórias começam pelo começo, eu conheço algumas que começam pelo fim, mas essas são confusas de entender e os livros nunca eram muito bons... Eu estou tagarelando! – eu ri de nervoso, mas senti a mão de Oliver na minha, seus dedos voltando a dedilhar pela palma da minha mão. Me acalmando.

— Comece por onde desejar. – meneei a cabeça. Eu não desejava contar nada. Meu desejo era o silêncio, mas eu não poderia tê-lo para sempre. E Oliver merecia saber.

— Eu preciso te contar porque deixei Starling City há cinco anos e nunca mais quis voltar — Oliver ficou mais tenso, eu sabia que ele se culpava por isso. O que ele não sabia era que a história ia muito além... Eu tinha muito a dizer à ele, e isso me deixou ainda mais nervosa. — Mas antes eu preciso que prometa que vai me deixar contar toda a história. – pedi com uma urgência que me surpreendeu — Por favor, prometa-me que não importa o que eu diga, não importa o que isso o faça sentir, você vai me deixar chegar até o final dessa história. – apertei seus dedos e me sentei, ciente de que Oliver me olhava parecendo temeroso, e que ainda não tinha dito nada — Prometa, Oliver!

— Hey, eu prometo. – ele disse se sentando de frente para mim. – Não precisa ficar nervosa, eu prometo por tudo o que é mais sagrado para mim, eu a deixarei contar a sua história, Felicity.

Sua voz aos poucos me acalmava e trazia a força que eu precisava para seguir em frente, mas não me impediu de dar um pulo, sobressaltada quando alguém bateu à porta.

— Por que alguém sempre interrompe a gente? – Oliver me olhou parecendo chateado com aquilo, mas era engraçado, eu não sentia sua chateação, talvez fosse porque eu ainda tinha suas mãos na palma da minha, e tudo o que elas me faziam sentir era calor e coisas boas.

— Por alguém você quer dizer Thea?

— Eu estou escutando vocês dois falarem de mim e estou entrando, por favor estejam vestidos. – Ela disse já abrindo a porta.

— Estamos vestidos. – Oliver olhou para mim, com uma expressão indescritível no rosto — Ou quase. – Ah merda. Eu havia dormido de roupão e nada mais. E Oliver fazia questão de fitar o nada mais, enquanto eu ajeitava rapidamente o tecido que escorregava em todos os lugares errados.

— Oh, vocês ficam a coisa mais bonitinha juntos. – havia um pequeno sorriso em seus lábios, e seus olhos em nossas mãos ainda unidas. Thea tinha aquele mesmo olhar de quando anunciou o casamento da sua boneca Barbie com o Ken. Eu deveria me preocupar? — Tommy e Diggle estão aqui e querem falar com você. E já que eu interrompi as coisas eu gostaria de conversar com Felicity também.

Oliver me olhou, me perguntando se eu estava de acordo. Apenas dei de ombros, mesmo sabendo que só estava adiando o problema. Eu era uma bomba atômica prestes a explodir e ao invés de me desarmar, eu continuava acrescentando alguns minutos a mais no meu tempo de contagem regressiva.

Uma hora eu ia acabar explodindo e destruindo tudo e todos ao meu redor.

— Tudo bem. – Não estava tudo bem. Mas Oliver adiaria, se era o meu desejo.

Ele deixou um beijo sobre minha testa, calçou seus sapatos e antes de passar por Thea na porta, sussurrou algo em seu ouvido, olhando diretamente para mim. Minha amiga sorriu ainda mais amplamente, com seja lá o que o irmão lhe disse.

— É estranho ver como Ollie se comporta ao seu redor. – Thea balançava a cabeça atravessando o quarto — Nunca o vi assim antes.

— O que está fazendo? – perguntei ao ver que Thea pegava o pesado vaso com flores do outro lado do quarto e as trazia consigo.

— Ollie me disse para deixar as flores perto de você. — explicou, colocando o vaso por sobre o criado mudo — Ele disse também disse “As flores a deixam feliz, e eu gosto de vê-la feliz” – Thea revirou os olhos, mas meu coração bateu mais rápido — Eu não fazia ideia que meu irmão era um romântico.

— Eu sei. – levantei uma das mãos tocando com suavidade as pétalas de um dos girassóis. Eu estava surpresa por seu gesto também. Provavelmente porque quando eu não passava de uma adolescente apaixonada, eu passei tempo demais idealizando Oliver, fazendo-o se encaixar nos meus sonhos de amor platônico. E depois daquela nossa noite, depois que meu coração ingênuo foi de completo êxtase para ser partido e pisoteado quando ele me mandou embora, eu passei cinco longos anos ferida e magoada. Deixei que o ressentimento o pintasse como um homem frio e sem coração, e tentei com todas as forças odiá-lo.

Mas nunca consegui, não de verdade.

A grande verdade é que eu nunca conheci o verdadeiro Oliver Queen, não como uma mulher conhece o homem com quem tem um relacionamento. Eu sabia um pouco sobre a sua vida e seus gostos, mas não fazia ideia do que passava em sua mente, do que se escondia em seu coração, seus sonhos e desejos, seus medos e inseguranças. E agora, sem sequer perceber, pouco a pouco ele me mostrava uma parte de si.

De sua mente.

De seu coração.

De seus sonhos.

E até mesmo de seus medos.

E eu estava me encantando por cada parte desse homem.

Mais do que me encantando.

— Talvez seja só com você. – Voltei a prestar atenção em Thea que havia se deitado na cama olhando pensativamente para o teto.

Me permiti pensar também. No quanto eu gostava da ideia de ser a exceção para Oliver. De ser apenas eu, aquela que conhecia esse seu outro lado. Gostava demais.

— Talvez. – o coração bateu mais forte, quase frenético.

— Sabe o que mais amo em ver vocês dois juntos? – sacudi a cabeça, temendo a resposta. Por isso me levantei da cama e comecei a me mover pelo quarto a procura de algo para vestir, assim me distrairia um pouco daqueles sentimentos se agitando em meu coração.

Sentimentos que Thea Queen parecia muito disposta a cutucar.

— Vocês são pessoas melhores quando estão juntos. – franzi o cenho, sem entender.

— Então quando estamos separados somos pessoas más? — Ri, tentando sair daquele campo minado de sentimentos que não queria enfrentar, e no qual Thea estava me forçando a andar. Me concentrei em me vestir pegando um par de roupa na gaveta da cômoda.

— O que eu quero dizer é que é óbvio que vocês se fazem felizes. – suspirei contente por ter me virado de costas para ela enquanto vestia a calcinha e a calça de ginástica por baixo do roupão.

Eu não poderia negar isso. Reencontrar Oliver, dar a ele uma parte da minha vida, me permitir a ilusão de chamá-lo de meu, tinha trazido algo que eu pensei que jamais fosse sentir novamente. Como se por muito tempo eu fosse água, sem cor ou sabor, funcional, mas sem qualquer emoção. E com Oliver eu era champanhe, quando estava com ele tudo passou a ser borbulhante e excitante. Até mesmo um pouco mágico.

— E eu quero que continue assim. Quero ver o meu irmão e minha melhor amiga sendo felizes. Vocês merecem isso. Principalmente você, Felicity. — Balancei a cabeça, jogando o roupão no chão, e enfiando uma camiseta que era a última peça de roupa que me faltava.

— Thea, você não vai me convencer a fazer isso. – Me virei para Thea, tentando soar determinada.

— Fazer o quê, Felicity? Se jogar no que está sentindo? Se permitir amá-lo, como seu coração está tão desesperado para fazer?

Amá-lo?

Não. Não. Não.

— Thea. – eu disse seu nome num tom de aviso, mas isso não foi o suficiente para pará-la. Ao contrário, ela permanecia a minha frente com um olhar de desafio e um sorriso convencido de quem sabe que está certa. — Eu não posso amá-lo. – exclamei, fazendo-a erguer uma das sobrancelhas me desafiando a ser sincera — Sim, eu estou perto de fazê-lo. – perigosamente perto — Mas isso não significa que eu vou.

Seu rosto se transformou para algo mais suave, condescendente até. Tive certeza do que era quando Thea se aproximou de mim e seus olhos transbordavam com compaixão.

— Você não está perto de amá-lo, Felicity. – sua voz veio indulgente e Thea deu mais um passo na minha direção – Você nunca deixou de amá-lo. – Meu coração falhou uma batida. Nunca deixei? Isso não era possível. — Sim, você o odiou por quebrar seu coração, amaldiçoou seu nome e jurou nunca mais deixar que ele te causasse essa dor outra vez, mas você sempre o amou, Felicity. Ele foi seu primeiro em tantas coisas... sua primeira paixonite que evoluiu para algo tão bonito e inocente chamado amor. Seu primeiro flerte, primeiros sorrisos. Seu primeiro homem e suas primeiras lágrimas também. E um primeiro amor como esse deixa um impressão no coração da gente. Oliver sempre será seu. Você sempre irá amá-lo. – eu não queria ouvir mais – Pode ter trancafiado o sentimento muito fundo, o revestiu em camadas de sentimentos hostis para se preservar. Mas voltar para Starling, voltar para Ollie... Trouxe vida para o seu coração, um sorriso para o seus lábios, e te livrou de tantas coisas pesadas que estavam sempre a puxando para baixo. Há apenas um sentimento capaz de transformar tanto na gente.

Amor.

Não respondi em voz alta. Eu não me atrevia. Principalmente com Thea me olhando com tanta expectativa, então eu apenas desvie do olhar dela. Mas me recusar a falar, não mudava aquela verdade que tão teimosamente eu vinha evitando enfrentar.

Eu ainda o amava.

Sempre amei.

Mesmo quando o odiei.

Oliver foi meu primeiro amor, e ele sempre teria uma parte do meu coração. Isso era imutável. E Thea estava certa, quando eu voltei para ele, o amor que estava ali cresceu e se espalhou, exigindo novas partes do meu coração.

E dessa vez, o sentimento era ainda mais forte.

Eu amava Oliver e...

—... Eu vou quebrar o coração dele. – me lembrei, levando a mão à boca, horrorizada com o que iria fazer.

— Você vai. – Thea concordou, sem sequer tentar amenizar as coisas — Mas também vai estar aqui ao lado dele para juntar cada parte, colocar ataduras e dar pontos, cuidar da ferida e para curar o coração dele, do mesmo modo que Oliver está curando o seu e você sequer percebeu.

Meu coração ainda estava quebrado.

E talvez uma parte dele permanecesse assim para sempre. Mas eu sentia as pequenas partes que estavam voltando e se remendando. Sendo cuidadas com amor. Haveria muito trabalho para que ele voltasse a ser inteiro um dia, mas antes de Oliver, eu nunca sequer quisera ter de volta meu coração.

Eu olhei para Thea, parecendo tão contente com o que via em meu rosto.

E então percebi o que ela estava fazendo.

— A resposta é não. – falei, fazendo-a piscar.

— Mas eu não fiz nenhuma pergunta. – ela se fez de inocente. Mas há algo sobre melhores amigas e é o quanto elas entendem bem uma a outra.

— Eu te conheço, Thea Queen, sua pequena manipuladora. – acusei — Você quer assumir a responsabilidade, quer confessar que era você aquela noite e não eu. – sua expressão me disse que eu estava no caminho certo – E está tentando me mostrar o porquê eu deveria deixa-la fazer isso, mostrando o que eu teria a perder se...

— Não vou mentir dizendo que não era essa minha intenção. – Ela havia se sentado a cama, parecendo cansada demais — Mas tudo o que eu disse, sobre você e Oliver é verdade.

— Eu sei. – sussurrei bem baixinho, e me sentei ao lado dela.

— Então me deixe fazer algo por vocês. — pediu.

— Não. – fui resoluta – Melhor não complicar tudo agora, pelo menos comigo sendo acusada sabemos onde estamos e o que enfrentamos. É uma vantagem.

— Tudo bem. — concordou a contragosto — Mas eu sempre posso planejar uma fuga se as coisas ficarem ruins. – sorri. Ela não seria Thea se não tivesse alguma ideia maluca — Já te disse que herdei algum dinheiro? Eu vou deixar suas malas prontas. Roy tem uns contatos meio suspeitos que podem conseguir uma nova identidade, e basta você pintar o cabelo de preto que vai ficar irreconhecível...

— Thea, eu não poderia fazer isso...

— Tem razão. – ela deu um puxão em uma mecha do meu cabelo — Ollie gosta de seus cabelos loiros. – revirei meus olhos. Mas uma parte fútil de mim ficou feliz em ouvir isso.

— Ok. Você pode fazer um plano de fuga, mas não me jogue em alguma cidade esquisita e com um clima ruim como Gotham. – entrei na brincadeira, mesmo que parte de mim soubesse que Thea falava a sério.

— Prometo. – Ela ergueu o dedo mindinho.

— Eu não sei porque ainda faço isso. – Ergui meu próprio dedo e selei o estúpido acordo — não somos mais crianças.

— Mas às vezes precisamos agir como uma assim o peso da vida adulta é um pouco menor. – Ela deixou o troco cair na cama e fechou os olhos suspirando profundamente. Fiquei feliz por minha amiga. Aquele era um bom jeito de ver as coisas.

— Tem mais uma coisa que quero conversar com você. – o tom de Thea parecia apreensivo, preocupado até. — Roy me disse algo.

— O que ele disse? – perguntei, completamente perdida.

— Algo que ele preferiu não contar para Oliver. – fiquei imediatamente tensa, mesmo sem entender o que poderia ser, eu não queria acrescentar mais nada naquela lista de coisas que escondo de Oliver. – Ele me disse que você se deixou afundar. – aqueles olhos grandes e azuis estavam em mim, tentando ler a resposta pela reação do meu corpo — Me disse que quando pulou atrás de você e tentava te trazer para a superfície que... Parecia que você já havia desistido. – ambas prendemos a respiração. Um silêncio mortal pairando entre nós.

— Eu estava me afogando, Thea. – tentei explicar cuidadosamente — A água me puxava e eu estava sem fôlego ou forças. – dei de ombros minimizando a coisa toda, não querendo que Thea pensasse demais. – Eu provavelmente já estava inconsciente quando Roy pulou para me salvar.

— Se você diz, então acredito. – relaxei — Eu só estava preocupada que...

— Tudo está bem, Thea. – assegurei para cortá-la, e como se para contrariar minha afirmação um celular começou a tocar no quarto. Encontrei meu celular cuidadosamente guardado dentro da gaveta do criado-mudo, a tela dele exibindo uma mensagem que me fez xingar um palavrão.

— Tudo está bem? – Thea perguntou, tentando olhar o celular por cima do meu ombro.

— Sim. – enfiei o aparelho de volta dentro da gaveta.

— Então que cara é essa? – suas sobrancelhas se uniram e ela me olhava com uma expressão de dúvida.

— Nada. – dei de ombros.

— Você fez uma careta e falou um palavrão quando pegou o celular. – apontou.

— E estamos na pré-escola? Vai me colocar no canto da sala de castigo? – devolvi, descontando minha irritação em Thea.

— E agora está sendo rude com uma amiga. – Ela cruzou os braços e apenas esperou.

— É só uma mensagem do Ray, eu lido com isso depois. – Soltei, sabendo que não teria paz se não contasse. Mais um problema para jogar mais para a frente. Não que fosse ajudar, para esse problema eu não tinha uma solução.

— Tem algo que eu possa fazer para ajudar? – ofereceu, ansiosa.

— Não se preocupe, eu já esperava por isso. — apenas dei de ombros — Na verdade, considerando tudo até mesmo demorou.

— Então talvez eu possa ajudar você com outra coisa...

— Você já está cuidando do meu plano de fuga, certo? — me sentei na cama cruzando as pernas, Thea ficou ali me olhando.

— Você está de acordo com meu plano de te fazer viver em algum lugar bem longe de todas as pessoas importantes para você? – dei de ombros — Está disposta a sacrificar toda a sua vida por mim? – E lá estávamos nós voltando de novo.

— Thea...

— Me deixe te ajudar... – ela pediu mais intensamente – O que está fazendo por mim, o peso que está carregando por mim, não é certo, Felicity. E eu sei que é teimosa demais para abrir mão disso. – me censurou – E se não vai me deixar assumir a responsabilidade pelo o que fiz, então eu preciso encontrar uma forma de te ajudar, de retribuir por tudo o que está fazendo por mim. Me deixe ser uma amiga tão boa quanto você tem sido para mim.

— Você me ajudou quando eu mais precisei. – a lembrei.

— Eu não o fiz.

— Fez sim. – apertei sua mão na minha, um pequeno sorriso triste veio até meus lábios quando procurei por aquela lembrança — Cinco anos atrás, quando o mundo estava desabando sobre mim eu te procurei, Thea. Porque eu sabia que você seria a única a me entender. A única que respeitaria a minha decisão, não me julgaria e me apoiaria sem questionamentos...

***

Oliver Queen

Eu estava contendo a minha raiva por ser interrompido mais uma vez. Será que em algum momento Felicity e eu terminaríamos essa conversa? Ou pelo menos começá-la? Respirei fundo e disse a mim mesmo “um passo de cada vez”, eu resolveria as coisas com os rapazes e então com Felicity.

— Como sempre, Tommy Merlyn se comporta como se estivesse na própria casa. – anunciei minha entrada implicando com meu amigo, confortavelmente deitado no sofá da sala, jogando o controle da televisão para cima e o pegando no ar. Sorri quando ele inclinou a cabeça para mim e o controle o acertou bem no nariz. – Adoro quando o universo me vinga. – ri ainda mais ao vê-lo massageando o local.

— Ei homem, como está segurando as coisas? – Dig perguntou ao apertar minha mão. Eu sempre ficava surpreso com o quão perceptivo ele era. Dig sabia que um “Como você está?” jamais teria sido respondido com sinceridade.

— Levando. – ele assentiu – Me adaptando.

— Basicamente tentando resolver todos os problemas sozinho? – deduziu, a mão vindo para o meu ombro e um sorriso simpático iluminou o seu rosto.

— Você me conhece bem. – admiti.

— Hey, acham que meu nariz está muito vermelho? – Tommy se aproximou mexendo o nariz de um jeito engraçado e o tocando com a ponta do dedo. – Quebrado eu sei que não está.

— Não. — ergui ameaçadoramente o punho — Você quer que eu o deixe vermelho? Quebre ele para você?

— Por que tanta violência, Ollie? – Ele me abraçou, sorrindo daquele seu jeito irreverente. E então curvou a cabeça na direção do meu ouvido como se estivesse prestes a fazer uma confidência – Eu sou seu amigo e você sabe que se precisar socar alguém para aliviar a tensão, Dig está bem aqui, pronto para receber qualquer soco seu.

— E eu aqui pensando que você seria altruísta o suficiente para oferecer o seu próprio rosto. — Diggle meneou a cabeça divertido. – Mas você continua o mesmo babaca vaidoso. Eu só não entendo o porquê, não é como se você tivesse um rostinho bonito, Merlyn – a ofensa, como sempre, veio em tom de brincadeira e me fez sentir falta dos meus amigos. De apenas sair com eles numa quinta à noite depois do expediente, jogar conversa fora e rir de Diggle e Tommy implicando um com o outro, era revigorante.

— Eu não me importo com o que você pensa. – Tommy devolveu — Sara acha meu rostinho muito bonito, então vamos manter assim. – Diggle riu.

— Ele está completamente domado. – sussurrou para mim, e Tommy emburrou a cara pronto para protestar, mas então pensou melhor como se realmente estivesse reconhecendo que estava domado. – Vamos ao que importa. – Dig me entregou uma pasta — Trouxemos a pasta de Felicity e seu notebook. – apontou para o mesmo sobre a mesa de centro da sala — Dei uma palavrinha com Ronnie quando cheguei e ele já está instalando um novo sistema de segurança que sua irmã me solicitou. – franzi o cenho. Eu não sabia disso, mas apenas assenti — Lyla me garantiu que é o melhor.

— Uau. – exclamei impressionado — Thea realmente cuidou das coisas.

— Deve ser genético.

— Aceitam beber algo? – Ofereci, sabendo que os dois deviam estar exaustos cuidando das coisas no escritório praticamente sozinhos.

— Não, obrigado. — recusou — Hoje é dia de levar as crianças na casa da mãe de Lyla, e eu preciso ficar alerta com eles ou derrubam a casa e jogam pudim na cara da avó. – ele pausou por um momento pensando em algo e então continuou — Eu não posso culpa-los, quando ela começa a apertar as bochechas deles, eu mesmo tenho vontade de jogar pudim nela.

— Eu aceitaria. Mas vou recusar porque já me servi de uma dose enquanto te esperava. – Tommy me respondeu — Excelente scotch você tinha guardado, devíamos terminar a garrafa qualquer dia desses. – Típico de Tommy, vir a minha casa e tomar minha bebida mais cara.

— Eu não esperava menos de você, Merlyn.

— Su casa es mi casa. — trocou o ditado abrindo um sorriso amplo, e isso me bastou para desculpá-lo. Por mais irritante que Tommy fosse, era impossível ficar irritado com ele por muito tempo. — E se serve de desculpas, eu bebi porque estou um pouco nervoso com...

— Não pretendíamos demorar de todo modo. – Dig o interrompeu, olhando para meu outro amigo de um jeito suspeito — Sabemos que tem muitas coisas acontecendo e não queríamos atrapalhar, só queríamos lembrá-lo de que estamos aqui para o que precisar, somos seus amigos e você não precisa lidar com nada sozinho.

— Obrigado. – respondi sinceramente.

Eu era grato por tê-los.

— Se precisar de ajuda, basta ligar. – Dig acrescentou.

— Sim, mas não peça minha ajuda hoje. – Tommy se adiantou com um sorriso que era ao mesmo tempo sonhador e um pouco malicioso — Eu tenho um encontro com Sara, vou levá-la para vê-la o filme mais chato em cartaz, então poderemos ficar de amassos o filme inteiro e com sorte eu passo da segunda base... – ele parou ao receber uma cotovelada discreta de Diggle — Oh, merda. Me desculpe, Ollie!

— Por que está se desculpando? – Olhei suspeito para meus dois amigos que se entreolharam.

— Você e Felicity. — Tommy finalmente falou — É complicado, mas assim são as mulheres então obviamente essa coisa de amor seria complicada também, eu que o diga... Sara me enlouquece. — ele suspirou — E no seu caso é ainda pior com todo o lance de Slade tentando matar a sua garota, ela correndo perigo de ser condenada e com toda a pressão para salvá-la sobre seus ombros.

— E você apenas disse tudo o que eu te disse para não dizer, Merlyn. – Dig recriminou Tommy.

— Tudo bem. – me forcei a dar de ombros — É a verdade.

— Nos ligue se precisar, Ollie. – Tommy falou, mais sério dessa vez — Mesmo que você arruíne meu encontro, eu vou te atender.

— Desse jeito eu vou ficar muito tentado a arruinar seu encontro.

Me despedi de meus amigos, me sentindo mais leve por saber que sempre poderia contar com eles. Mas ao mesmo tempo, senti um sentimento mais obscuro deixar algo pesado em mim, assim que eles partiram.

Tommy iria levar Sara a um encontro e Dig sairia com os filhos e a esposa para jantar na casa da sogra. Eu sempre pensei que tivesse tudo o que importava na vida, mas eu não tinha o que os dois tinham.

A liberdade de apenas viver o amor sem temer que ele pudesse ser tirado de você a qualquer momento.

Eu estava com inveja.

Inveja do quão fácil parecia ser para eles.

Varri a sensação ruim do meu corpo, me recusando a me sentir assim. Eles não tinham culpa se eram felizes e eu não.

Eu não era feliz?

Eu tentei moldar a minha vida para ter cada aspecto do que representava a felicidade. Como se felicidade pudesse ser encontrada apenas cumprindo itens de uma lista de metas. Hoje eu percebia o quão errado estava. Eu poderia ter o mesmo futuro de Diggle, e estar casado com Laurel e ter um par de filhos, mas isso não me garantiria a felicidade.

Não traria aquela sensação de me sentir completo, de ter um propósito para o meu coração, para a minha vida. Não como eu era agora com Felicity. Me permiti sorrir porque apesar de todos os problemas, apesar de ser tudo incerto, quando eu estava com ela, eu era feliz.

Era estranho encontrar a felicidade em um momento tão ruim?

Talvez fosse irônico, mas eu iria aceita-la. Mais do que isso, eu iria usá-la como minha força. Subi as escadas, me sentindo ansioso para vê-la, falar com ela. Contá-la o quão feliz eu estava apenas por tê-la em minha vida.

Encontrei a porta do quarto entreaberta. Vozes femininas passando por ela e chegando com clareza até meus ouvidos, mesmo sabendo que deveria me anunciar de alguma forma, que era errado ficar ali e escutar, eu não consegui, apenas fiquei ali parado.

— Você me ajudou quando eu mais precisei. – Felicity disse.

— Eu não o fiz.

— Fez sim. Cinco anos atrás, quando o mundo estava desabando sobre mim eu te procurei, Thea. Porque eu sabia que você seria a única a me entender. A única que respeitaria a minha decisão, não me julgaria e me apoiaria sem questionamentos... Cinco anos atrás eu vim até você, e eu contei que estava grávida. – minha respiração parou. O mundo inteiro parou. — Você não me pressionou, não fez perguntas exceto o que eu precisava, como poderia me ajudar. Você me emprestou dinheiro para que eu pudesse segurar as pontas no começo, quando eu fui para o MIT completamente sozinha. E mesmo que eu tenha levado sete meses para te contar quem era o pai, mesmo quando eu disse que meu bebê era do Oliver, você não me amou menos por isso. – minha mão se ergueu empurrando a porta, meu coração havia parado ou estava indo tão rápido que eu já não era capaz de sentir as batidas?

Meu cérebro parecia ser capaz de assimilar apenas algumas palavras, e as repetia na minha mente num loop sem fim, enquanto eu olhava para Felicity. Seus olhos enormes e assustados, me lembrando tanto a menina que ela era aos dezoito.

Mas ela não era mais aquela menina.

Ela era uma mulher.

Cinco anos atrás.

Grávida.

Bebê do Oliver.

Uma menina que teve um filho meu.

Uma mulher que me negou conhecê-lo.

Não foi intencional. Eu não pretendia escutar a conversa delas, mas eu escutara. E isso mudava tudo. Tudo.

— Oliver... – meu nome em seus lábios soou tão distante, mesmo que Felicity estivesse há apenas poucos passos de mim agora. Eu não reconhecia sua voz, não a conhecia. Não como pensei conhecer.

— Nós... – Eu não conseguia reagir, não conseguia encontrar as palavras para dizer o que meu coração estava desesperado para falar. Me encostei a parede buscando por estabilidade. Eu ainda olhava para ela. Como não poderia? Eu ainda buscava entender, encontrar em seus olhos que sempre me cativaram alguma resposta. Um porquê. Alguma explicação. Qualquer coisa.

Mas apenas havia lágrimas ali.

Eu não queria suas lágrimas.

Eu tinha minhas próprias.

— Eu iria contar. – ela ainda falava baixo demais, com a voz instável. Como se temesse as próprias palavras. — Não queria que soubesse assim. – Suas palavras ativaram algo em mim, uma raiva que jamais senti quando pensava em Felicity. Cinco fodidos anos se passaram. Ela teve cinco anos para me contar. O inferno que não queria que eu ficasse sabendo assim!

— Você não queria que eu soubesse. – me desencostei da parede tão abruptamente que fiz Felicity vacilar num passo para trás – Ponto final. Você teve cinco anos para me contar! Cinco anos, Felicity! – Eu gritei.

— Eu sinto muito. – Balancei a cabeça discordando. Eu via em suas lágrimas que ela realmente sentia. Mas o problema é que eu sentia mais.

Eu sentia tanto que estava sendo sufocado por sentimentos.

Eu dei um passo para ela, olhando-a.

Com raiva.

Com amor.

Com dor.

— Nós tivemos um filho. – eu precisei dizer em voz alta para que as palavras tivessem um peso maior. E ela tiveram. Abraçaram meu peito e doeu tanto. Eu sentia a falta, eu sentia o amor desesperado para sair, eu sentia tudo por esse filho cujo a oportunidade de conhecer me foi negada.

— Sim. – sua voz não foi mais do que um sussurro, se perdendo na ruidosa onda de sentimentos em mim.

— Aquela noite... – me forcei a me acalmar quando mais uma vez as lembranças vieram, meu corpo sobre o de Felicity, eu a beijando, a tocando e fazendo-a minha pela primeira vez — Meu Deus! Eu tenho um filho! – comecei a me sentir desnorteado, tardiamente entendendo que eu era pai. — Onde ele está, Felicity? Onde está o meu filho? – meu coração inflou dentro do peito e me vi inundando por tantos sentimentos que pensar se tornou difícil, deixei o sentimento maior me dominar, a urgência de saber onde estava a criança que fizemos juntos, de ir até ela e conhecê-la tentar recuperar os anos perdidos — Você o deixou em Coast City? Com quem? Como ele é? Onde ele está? – repeti a pergunta ao notar que ela não respondia, seu rosto apenas se tornando mais pálido, de seus olhos azuis lágrimas começaram a cair compulsivamente, ela deu vários passos para trás, seu corpo encontrando a parede e ali ficando. Eu a segui parando novamente a sua frente, mas Felicity parecia ignorar minha presença. Seus braços envolvendo-se ao redor de si mesma como se ela tentasse se proteger, parecendo um animal acuado e ferido, que estava com medo de ser ainda mais machucado. Eu não entendia a reação dela, era eu quem deveria estar assim, assustado, com medo e triste, não ela. Eu que passei anos sem saber que tinha um filho, um filho que ela escondera de mim. – Me diga, Felicity, onde está meu filho? – Exigi com a voz mais grave, eu estava a um passo de sacudi-la e tirá-la daquele estupor.

Ela respirou fundo antes de me responder e até isso pareceu doloroso para ela.

Eu entendi quando a resposta finalmente saiu de seus lábios.

— Ele morreu, Oliver.

— O quê? – eu não a escutava, eu me negava a escutar.

— Nosso filho está morto. – repetiu com firmeza, e toda e qualquer resquício de luz deixou seus olhos como se algo dentro de Felicity estivesse morto também.

Notas finais
Sim, eu sei que esse final não é o que muitos de vocês gostariam. E sim, eu poderia simplesmente escrever algo que fizesse vocês “felizes”, dar o que vocês esperam, e seguir pelo óbvio clichê sem surpreender muito ou criar algo novo, apenas seguindo pelo “mais do mesmo”. Como escritora, eu gosto de me desafiar e desafiar à vocês também. Criar uma boa história vai muito além de escrever aquilo que os leitores querem. É sobre trazer algo novo, é sobre tornar os personagens tão reais que criamos uma conexão com eles, conseguimos sentir o que eles sentem, toda dor e amor, sem exceções. As vezes até mesmo nos identificamos com seus problemas. Por que histórias no mundo real não são feitas apenas de momentos lindos e felizes para sempre. Esta é a história de Oliver e Felicity em Guilty Pleasure. Eu não pretendo economizar nos momentos tristes, ou ignorar seus sentimentos, suas lutas e sonhos. Eu vou escrever essa história da forma que ela merece ser contada. Gostando disso ou não. E às vezes o amor precisa ser destruído, encarar seu lado feio, antes de se reconstruir ainda mais forte e verdadeiro. Como já fiz outras vezes, vou pedir a vocês que confiem em mim. Eu não escreveria está história, se não houvesse um propósito maior esperando no fim. Falo com vocês nos comentários. Bjos!