Guilty Pleasure
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Era domingo de manhã, passou a mão esquerda pelo lençol, procurando-o, não achou, então abriu os olhos e verificou que o mesmo não estava mais ali. Suspirou e, mesmo relutante, levantou da cama, vestindo uma blusa dele que pegou no armário e colocou o shorts que estava jogado ao chão.
Desceu vagarosamente as escadas, o Sol refletia-lhe na pele e nos cabelos dourados, ela sorria ao vê-lo ali sentado na mesa da cozinha rindo meio abobalhado para ela. Nina não se conteve e começou a descer as escadas correndo mas parou ao ver surgir atrás dele cumpridos braços, abraçando-o e puxando a cabeça dele para trás, beijando-o na boca. Voltou a descer as escadas normalmente até parar em frente aos dois, pigarreando e acabando com o momento romance.
– Bom dia! – disse seca.
– Bom dia, Nina não é?! – Alena vinha ao seu encontro abraçando-a.
– Oi! – Shannon disse meio constrangido.
– Fiz alguma coisa para o café, Shann me disse que estava aqui! – a loira alta a soltou lhe mostrando a mesa posta.
– Obrigada! – deu um meio sorriso e sentou na ponta da mesa, longe dos dois. – E então, quando voltou?! – dava fortes e nervosas colheradas no prato.
– Ontem de madrugada, o Shannon foi me buscar no aeroporto.
– Hum...é que ele não me disse nada! – o fuzilava com o olhar, o que o fazia abaixar os olhos.
– Ele é meio esquecido mesmo! Não é bebê?! – fez-lhe um bico com as mãos juntando seus lábios aos dele.
– Vou deixa-los a sós, devem ter muito o que conversar! – levantou nervosa da mesa, pegando o prato e tacando na pia.
– Que isso, Nina, fique, por favor...
– Não dá, tenho que fazer algumas coisas!
– Tipo?! – Shannon, pela primeira vez, se manifestava.
– Procurar um emprego!
– Sabe, eu podia te indicar lá na minha agência, daria uma boa modelo.
– Obrigada Alena, mas não sirvo pra essas coisas e, além do mais, sou bem baixinha!
– Imagina! Mas vou falar com meu empresário mesmo assim!
– Que seja! – deu de ombros e foi saindo quando a “Barbie” chamou-lhe atenção mais uma vez.
– Nina, hoje teremos um jantar para alguns amigos, não se esqueça, é as nove da noite!
– Legal, se der eu apareço. – acenou de costas e saiu.
Caminhou um pouco até que algumas lacrimas formaram-se em seus olhos e insistiram em escorrer pelo seu pequeno rosto. Limpou com as mãos e andou sem rumo por uma, duas, três horas até encontrar um bar. Era um lugar meio sujo, não ligou, já estivera em lugares piores, pensou sozinha, e entrou no local, sentando-se no bar.
– O que você vai querer?! – um velho barrigudo com a camisa meio esgarçada e manchada pelo tempo a atendera.
– Algo forte, por favor.
– Seja mais especifica, por favor, não tenho todo o tempo.
– Me vê então uma vodka dupla. – ele a obedeceu e pouco tempo depois ele voltou com um copo lotado, colocando-o em frente a ela.
– Divirta-se.
– Obrigada! – bebeu de uma só vez e abaixou a cabeça, desabando em um choro.
Embora fizesse calor do lado de fora do bar, ali dentro o frio reinava e seus ombros começaram a tremer, involuntariamente. Foi então que sentiu algo ser colocado em seus ombros, aquecendo-a.
– Olha, me desculpe, mas você não vai conseguir nada com esse seu ato de... – parou de falar ao dar de encontro com um belo par de olhos azuis, os quais nunca tinha visto.
– Eu não estou procurando nada, apenas quis ser gentil! – sorriu e passou a mão pelos cabelos loiros escuros.
– Desculpe, não estou acostumada a gentilezas, ainda mais de homens em um bar como esse! – riu limpando as lacrimas.
– Martin, Martin Beckett! – estendeu-lhe a mão.
– Nina, Nina Milenka Kelleher! – retribuiu apertando-lhe a mão.
Ficaram bebendo a tarde toda. Martin contou-lhe o porque de estar ali, que a noiva o tinha deixado fazia três meses pelo seu empresário e desde então nunca mais tinha ficado sóbrio, pelo menos não se lembrava de ter estado assim. Riam de qualquer assunto, e descobriram muitas coisas em comum, e quando se deu conta já passavam das 10 horas.
– Meu Deus, está tarde! – levantou rápido batendo nas coisas.
– Tarde pra que?!
– Tenho um jantar! – retirou a blusa para lhe devolver, mas ele a deteve.
– Não, fiquei, você me devolve depois!
– Vamos fazer assim! – pegou um pedaço de papel e escreveu um endereço, entregando-lhe em seguida – Vá busca-la aqui, quando quiser!
– Tudo bem! Quer que eu te acompanhe?!
– Não, é melhor não! – saiu correndo.
–-
A campainha tocou e um convidado qualquer abriu a porta, dando de cara com uma Nina bêbada que cambaleava andando entre os convidados que a olhavam horrorizados. Pegou uma taça de champanhe e algum salgado, bebendo tudo de uma vez, rindo.
– Alena!!! – abriu os braços e se atracou na loira, tascando-lhe um selinho.
– Oi, Nina, não acha melhor ir tomar um banho?! – estava constrangida.
– E perder sua festa? Imagina! Vamos, vamos dançar!!! -chaqualhava-se cambaleando um pouco e derrubando algumas peças de vidro que decorava a sala, até que algo a pegou pelo braço e levou-a para cima, arrastada.
– Mais que porra você estava fazendo?! – ele a tacou na cama com certa violência, machucando-a.
– Estava me divertindo! – sorria. – Não é isso que se fazem nas festas, Shannon?!
– Sim, mas como pessoas normais! Onde você esteve a tarde toda?!
– Nãooooooooooooooooo te interessa! – ria.
– Interessa sim, você está bêbada como uma porca e mora na minha casa, mereço satisfações.
– Não seja por isso, eu vou embora! – sorriu se aproximando da porta, mas ele segurou seus braços impedindo.
– Não vai a lugar nenhum, vai ficar aqui!
– Eu não sou criança!
– Não aja como uma então! – apertava-lhe o pulso.
– Me larga Shannon! – ele a obedeceu e soltou-a.
– Você vai ficar aqui, e não vai mais sair, está ouvindo?!
– Impeça-me! – o desafiou.
– Você quem pediu! – trancou as janelas e, em seguida saiu trancando a porta e deixando-a ali, chorando, até adormecer.
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