Estava parado, quase que anestesiado, sentado naquele banco frio do hospital, sozinho, esperando alguma noticia. O silencio reinava entre os corredores e podia nitidamente ouvir o barulho do ponteiro do relógio fazendo Tic-tac. Bebeu mais um gole do café. Avistou um médico vindo, ajeitou-se na cadeira esperando que fosse com ele, mas fora em vão, o doutor passou direto sem ao menos olhar-le um instante. Aborreceu-se.

- Senhor?! – tocaram-lhe o ombro, era uma pequena enfermeira com traços japoneses – O Doutor Cohen o está aguardando na sala 8, queira me acompanhar por gentileza. – virou as costas e ele a seguiu.

Pararam em frente a sala que tinha o número 8 na enorme porta, a qual a enfermeira abriu e ele entrou, ficando sozinho. Alguns minutos se passaram, para ele pareceram horas, até que o médico, com seu jaleco extremamente branco, podendo dizer que fazia parte da sala, entre e sente em frente a ele.

- Boa noite! – estendeu-lhe a mão – Sou Michael Cohen!

- E eu sou Shannon Leto! – apertou a mão do médico.

- O senhor é o que da paciente?!

- Um amigo, próximo, bem próximo...

- Ela não teria algum parente com quem eu possa estar falando?

- Não, só a mim mesmo! O único parente que ela tem está fora da cidade.

- Está certo... O que tenho pra te dizer não é nada bom...

- Como assim?!

- A garota ela perdeu muito sangue e, para complicar mais ainda, quebro 3 costelas, e uma delas acabou perfurando o pulmão, causando uma hemotórax...

- Desculpe, mas o que é isso?! – interrompeu.

- Hemotórax é quando ocorre o acumulo de sangue na caixa torácica, devido a o perfuração, e, graças a demora no socorro, o caso dela piorou...

- E isso que dizer...

- Que ela tem apenas 17% de chance de sobreviver. – Shannon ficou estático, e um frio passou por sua espinha.

- O que eu posso fazer para ajudar?

- Nada, mas talvez se a fizer comer, seria de grande ajuda para sua recuperação!

- Quando poderei vê-la ? – dizia levantando-se.

- Pode ir agora, mas acredito que esteja dormindo ainda.

- Com licença! — retirou-se da sala e foi em direção a quarto.

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Estava dormindo calmamente quando ele entrou, não podia perceber sua presença ali. Postou-se ao lado dela, com uma das mãos pegou na dela que estava livre de fios e com a outra acaricio seus cabelos. A fitava, estava tão pálida e sem vida, só agora percebi as olheiras escuras. Uma tímida lacrima caiu de seu lhos, e essa foi a responsável por outras virem a seguir, pegou a mão que estava junto a dela e, sem soltar, limpou o rosto.

- Sabia que essa era uma cena que nunca imaginei que assistiria um dia! – uma voz rouca, baixa disse lentamente.

- O que você está dizendo?! – fingiu não entender.

- Você chorando ai como um bebê!

- Ninguém está chorando aqui!!

- Admita, consegui despertar os mais fundos sentimentos em você!

- Não, você despertou apenas os melhores...

- Idiota! – balançou a cabeça – A quanto tempo estou aqui?!

- Desde ontem à noite!

- Hum... Me faz um favor?!

- Fala...

- Pega ali – apontou para uma espécie de criado mudo — meu celular, acho que está lá!

A obedeceu e pegou o aparelho que estava meio estilhaçado.

- Está aqui! – entregou.

- Ótimo! – abriu, com um pouco de dor – Agora coloca esse SD no seu iPhone e veja o único vídeo! – ele já ia colocando o pequeno chip, mas ela o interrompeu – Não, agora não, fica um pouco comigo sim?! – tinha os olhos cansados, assim como a voz – O Martin veio me ver?

- Não, ninguém sabe o que te aconteceu! Achei melhor ficar só entre a gente...

- Mas e meu casamento, estava tudo pronto e – ele colocou o dedo indicador na boca dela.

- Shiu...todos pensam que você fugiu comigo! – abriu um largo sorriso.

- Não, você não fez isso...

- Ah, eu fiz, mas se quiser eu posso desmentir...

- Melhor deixar assim, mas tem qe me prometer que isso vai ser verdade!

- Como assim?!

- Nós dois, bom, você sabe, iremos fugir, juntos...

- Podemos, para onde você quer ir?!

- Caribe, o que você acha?! Podemos nos divertir com tequila!

- Não prefere algo mais romântico e calmo, como a Sicilia?!

- Não! – sorria fraca e deu uma leve tossida.

- Que foi, está bem?! – preocupou – se.

- Sim, estou! Vem aqui mais perto! – avançou sobre ela – Um pouquinho mais! – já estavam com os rostos próximos – Assim mesmo! – sorriu e o beijou, um beijo calmo, leve e doce, diferente das outras vezes, esse tinha sentimentos mútuos de puro amor, afastou-se logo dele.

- O que foi?! Por que está chorando?! — limpava o rosto dela.

- É que você não tem idéia de quanto tempo eu esperei por isso! – sorriu sem jeito e começo a tossir forte e junto com a tosse saiam de sua boca algumas bolhas de sangue.

- O que está acontecendo?! – começou a se desesperar – Socorro, alguém ajuda aqui! – gritava, provavelmente acordando a todos que dormiam, ao passo que alguns aparelhos apitavam.

- Senhor, queira sair, por favor! – uma enfermeira o enxotou de lá, jogando-o contra o banco do corredor e trancou a porta.

Os médicos ficaram lá por cerca de 20 minutos, e quando saíram Shannon estava quase fazendo um buraco no chão de tanto caminhar de um lado ao outro.

- E então, o que aconteceu? Posso vê-la?!

- Meu jovem é melhor se sentar! – a enfermeira sentou-se ao lado dele — Eu sinto muito, fizemos tudo que podíamos... – de repente tudo começou a girar e ficou preto.

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- Tem certeza de que ficará bem sozinho Shannon?! – Jared abraçava fortemente o irmão na porta de sua casa.

- Absoluta! – afastou-se.

- Eu te ligo mais tarde então!

Shannon fechou a porta e se rastejou até o sofá, não tinha ânimos e seu estado físico não ajudava muito. Seu celular apitou, era aviso de mais uma mensagem, com certeza mais alguns falsos “sinto muito”. Não ligou e encostou a cabeça no sofá, só então se lembrou do SD que ela lhe dera, pegou o IPhone e abriu o arquivo de vídeo que Nina pediu...