Guilty Pleasure
4 Beginning of... friendship?
Notas iniciais
O barulho da bateria, juntamente com o da guitarra e microfone, apesar da proteção acústica, estavam ensurdecedores, e aquilo deixava a garota cada vez mais irritada, devido a dor de cabeça. Ela deixou o Macbook de lado e bateu na porta da onde provinha o barulho. Bateu uma, duas, três vezes e nada, resolveu então abrir a porta de uma vez, o que fez um enorme barulho, assustando os 4 que estavam ali.
– Er..desculpem, mas sabe, são quase 6 da tarde e lembrei que não almoçamos...
– Pede alguma coisa então! – sugeriu Tomo.
– Não quero pedir, quero fazer algo, estamos comendo muita besteira, olhem para a barriga de vocês!
– A minha ainda está ótima! – Jared levantava a blusa mostrando-o a garota.
– Tá, senhor gostoso, sua barriga tá perfeita como todo o resto! – sorria para ele – Mas não seja egoísta, pense nos outros...
– Eu sempre penso em você, meu chaveirinho... – ela lhe lançou uma careta.
– Por favor, deixem isso para a intimidade de vocês! – Shannon continuava irritada – E Jared, a garota tem razão, precisamos comer algo saudável...
– Obrigada! Vamos, me dêem a s chaves de algum dos carros! -os quatro somente a olharam e começaram a rir – Qual a graça?
– Meu carro eu não empresto! — Tim foi o primeiro a falar – Lembro da última vez!
– O meu, sabe como é, tenho ciúmes! – Tomo soltava qualquer desculpa.
– Jared?! – ela perguntava.
– Já te empresto a casa!
– Canalha... – lhe mostrava o dedo do meio, todos riam e voltavam-se para Shannon que apenas balançava a cabeça.
– Ótimo, alguma das menininhas me acompanhe até o mercado então! – eles soltaram algum murmúrio tirando o corpo fora. – Que se dane quem vai ficar sem comer não sou eu mesmo! – dava de ombros e ia saindo.
– Ei, garota, espere, eu vou com você! – Shannon vestia uma blusa e andava até ela.
– Obrigada, mais uma vez!
– Não tem de que! – sorriu forçado.
– Posso?! – pegou as chaves que estavam em cima de uma mesa indicando que iria dirigir.
– Nem fudendo você pega minha Land Rover, garota!
– Maxista, hunf! – cruzou brava e assim foi até entrar no carro.
– Maxista! – repetiu quando sentou no veículo.
– Quer parar com isso, garota, eu só preso pelo que é meu, e pela minha vida também! – sussurrou essa ultima frase.
– Ok! – estava parecendo uma garotinha quando lhe dizem não.
– Ótimo! – dava a partida.
– E a propósito, Shannon! – voltava-se para ele se inclinando um pouco, deixando parte do decote a vista dele que encarava através dos óculos escuros – Eu tenho nome, e é Nina...acho que você sabe! – aquilo soou aos seus ouvidos um pouco sexy demais, era incrível como ela conseguia passar de criança a mulher em segundo, ele apenas deu de ombros e saiu com o carro.
Ficaram algum tempo em segundos, ouvindo alguma música que não estava agradando a garota, que já estava mexendo nos CDs.
– Credo, Shannon, você só tem porcarias aqui!
– Ei, não são porcarias...
– Ao meu ver é! – jogava os CDs ao lugar de onde os pegou.
– E o que seria algo bom para você?!
– Lionel Richie! – ele começou a gargalhar – Ei, não ria...
– Desculpe, mas é muito brega.
– Sabia que não devia ter te contado! – emburrava novamente fazendo um biquinho – Tem um motivo para gostar dele ok?!
– Posso advinhar?
– Tente...duvido que acerte...
– Hum...por causa de um cara.
– Acertou...que mais?
– Eleera seu namorado e provavelmente disse que alguma música do Lionel Richie era de vocês, então se tornou especial, mas ele te deixou e, embora você ela te deixe triste por você lembrar dele a música é a sua preferida...
– Ual, deveria trabalhar como vidente, acertou quase tudo!
–Nada, é que garotas são cliques demais. O que eu errei?
– A parte do namorado e a de me deixar.
– Era namorada e você a deixou?!
– Não, otário, era meu pai e...-uma lágrima formou debaixo de seus olhos – Ele morreu assassinado em uma investigação policial, a música era Angel!
– Oh, me desculpe eu não...
– Não importa, só não vamos falar mais disso! – o interrompeu.
– Tudo bem! Já chegamos mesmo! – estacionava o carro.
Os dois desceram da Land Rover e andava lado a lado sem trocarem nenhuma palavra, até que Shannon, de leve, a empurrou com a lateral do quadril, fazendo-a cambalear.
– Ei, para...
– Ei, para – a imitava. – Bebê.
– Casmurro!
– Que porra é “casmurro”?! – tentava pronunciar a palavra com dificuldade por causa do sotaque.
– Esquece, é só alguém chato como você!
– Da onde arrumou isso?
– Minha avó é portuguesa e me deu um livro em português que se chama Dom Casmurro.
– Você sabe ler em português?
– Não! – ria divertida – Só sei falar e entender algumas coisas, nunca li o livro, mas perguntei o significado da palavra a ela, só que eu to com preguiça de te explicar.
– Idiota! — lhe abraçava enquanto ela lhe mostrava a língua.
– Então, vamos fazer assim, você vai procurando essas coisas – lhe dava uma lista que tirou do bolso traseiro da calça. – Que eu vou procurar uma coisa, de menina sabe?!
– Er...tá! – ele arregalou os olhos entendendo o que era.
– Já volto!
Poucos minutos depois ela voltou e, vendo que Shannon estava distraído quis pregar uma peça nela. Saiu correndo e pulou no carrinho fazendo-o andar pelo corredor e, como estava distraída olhando para trás, não viu a prateleira de revistas e acabou caiu, com o carrinho, em cima da mesma derrubando-a fazendo um barulho enorme e que todos olhassem para ela.
– O que aconteceu?! – Shannon corria para ajudá-la a se levantar – Você está bem?!
– Ótima! – ela ria – Não se preocupe! – não conseguia parar de gargalhar.
– Ei, os dois, fora daqui, andem, onde já se viu ficar brincando, parecem duas crianças!
– Me desculpe senhora eu...
– Vem Shannon, esse povo não tem senso de humor! – Nina pegou em sua mão e saiu arrastando-o para fora do mercado.
– Você enlouqueceu foi?
– Por que?! – estava pulando ao invés de andar.
– Fazer aqui com o carrinho, poxa, nós fomos expulsos do mercado, que tipo de pessoa é expulsa de um mercado.
– Pessoas como nós, ora essa!
– Não! Pessoas como você, isso sim!
– Relaxa, Shannon, você leva a vida a sério demais...
– E você leva de menos.
– Tá! – parava de andar e se recompunha – Desculpe-me! – ficaram em silêncio – É...sobre ontem...
– Já disse que não quero saber! – a interrompia.
– Não, me escute! – parava de andar e o parava segurando em seu braço – Eu não faço aquilo sempre, não sou uma viciada, eu só faço aquilo quando estou triste!
– Você não estava triste ontem, me pareceu muito feliz por sinal!
– Shannon, as pessoas mentem e fingem sabia? Não é necessário ser ator para isso.
– Ah é?! – desconfiava um pouco dela – E porque estava triste então?!
– Ontem fez 10 anos que meu pai morreu, eu sei que pode parecer besteira ficar mal por uma coisa que aconteceu a anos, mas ele era meu herói, meu tudo, a única pessoa que realmente me importava.
– Sinto muito!
– Não sinta, não foi sua culpa! – deu-lhe um sorriso fraco.
– Me prometa uma coisa então...
– Não gosto de promessas.
– Façamos um acordo, melhor assim?
– Tudo bem!
– Seja verdadeira comigo, não esconda nada de mim.
– E você, em troca...
– ...serei verdadeiro com você!
– Ok. Combinado! – cuspiu na palma da mão direita e lhe estendeu. – Anda, toque...
– Mais que coisa nojenta é essa?! – olhava com nojo.
– Por favor, deixe de ser menininha, você já fez coisas piores que eu sei, tipo em um banheiro assim... – ria ainda com a mão estendida.
– Não outra maneira para selarmos isso?
– Tipo...
– Um beijo, tem faliva e não é nojento!
– Aproveitador!Humf...mas não mesmo! Vamos, ande logo com isso!– o olhava irritada.
– Tá legal! – deu uma leve cuspida na mão e tocou na dela.
– Isso pronto! Agora estamos de acordo! – separaram as mãos e limparam o cuspe cada um em sua camiseta.
– Você é nojenta!
– Shannon...- chamou e ele virou para ela.
– Que é?! – ela aproximou-se rapidamente dele e roubou-lhe um selinho.
– Satisfeito?! Agora cala a boca e vamos comprar as coisas logo. – saiu correndo a frente dele sorrindo marota.
Fale com o autor