Guild Wars
1 Prólogo
Notas iniciais
A chuva caía lentamente, em perfeito contraste com aquele maldito dia melancólico, que ficaria pra sempre na mente do jovem Gray Heart.
O barulho de ossos quebrando. Seu pai lutando bravamente contra dez homens, apenas para o proteger. E de certa forma, conseguiu.
No final de tudo, todos os que lutaram estavam no chão.
Inclusive seu pai.
— Papai? — sua voz saiu fraca e trêmula. Ele sabia o que havia acontecido, mas não podia acreditar.
Só lhe restou chorar, enquanto abraçava o corpo sem vida daquele que chamou de pai.
— Erick! — uma voz grave e rouca pôde ser ouvida. O pequeno Gray olhou para frente, avistando um idoso ofegante. — Meu Deus...
Logo, o mais velho começou a chorar também, se ajoelhando ao lado do pequeno garotinho. Sem dizer uma única palavra, o abraçou, fazendo ele chorar ainda mais.
...
O senhor de idade suspirou com pesar, enquanto fechava as portas da sua ferraria.
Olhou para a rua movimentada, onde um aglomerado de crianças brincavam alegremente. Queria muito que seu neto estivesse ali também, mas sabia que isso era impossível por agora.
Passaram — se apenas dois dias desde a tragédia. Gray viu seu pai ser assassinado em sua frente, como poderia brincar como uma criança normal?
Era demais. O velho Enrich não se conformava. Dois dias antes do pai, o garoto perdera a mãe também. Não podia nem imaginar como ele estava se sentindo, afinal, era um garoto de apenas sete anos de idade.
Quando tentou dar um passo para ir pra casa, sentiu algo segurar o seu dedo. Olhou para baixo, vendo uma linda menina loira de olhos azuis. Era a pequena Noemi, que sempre o chamara de vovô, assim como todas as outras crianças do pequeno vilarejo de Eastwood.
— Vovô Enri, por quê o senhor tá triste? — perguntou docemente.
Ele deu um pequeno sorriso em resposta.
— É uma coisa de adulto, pequena. — respondeu com uma expressão sofrida.
— Por isso. Os adultos são difíceis de entender, estão sempre bravos ou tristes! — Enrich soltou uma risada ao ouvir a pequena. — Mas, vovô Enri, aquele menino que o senhor trouxe pra cá, que tem o cabelo vermelho e o olhinho verde, ele também é um adulto?
Foi pego de surpresa com a peegunta.
— Não, por quê?
— Ele tava triste também, isso eu percebi! — disse tranquila, deixando o mais velho espantado. — E ele nunca vem brincar com a gente...
Enrich viu ali, uma pequena esperança. Talvez, mesmo que demorasse muito, se Gray tivesse a companhia daquela garota tão doce e inocente, assim como de todas as outras crianças, ele poderia finalmente fazer amigos que alegrassem ele um pouco.
Isso era o que o velho Enrich mais queria.
— Escuta Noemi, o vovô pode pedir uma coisa pra você? — se abaixou, olhando a garotinha nos olhos. Ela assentiu. — Por favor, fale com os outros também. Tente... Brincar com o garoto que você falou. Vai ser muito difícil, mas não desista dele! — se segurou para não chorar, pra não assustar Noemi. — Ele viu coisas que nem um adulto deveria ver!
Noemi se espantou com a última frase. Mesmo tendo apenas seis anos — quase sete -, sabia que as coisas que um adulto via podiam ser aterrorizantes, foi isso que sempre ouviu de seus pais. Então, se perguntava oque havia acontecido com aquele garotinho.
— Pode deixar, vovô! A gente vai dar um jeito nisso! — ela deu um grande sorriso.
...
Fale com o autor