O dia começou com uma manhã preguiçosa depois de uma noite com chuva e frio.

Em todos os lugares ainda tinham poças de água, o que não impedia de Rock Lee continuar seu treinamento matutino como sempre. Ele estava caminhando com as mãos, controlando o máximo possível de equilíbrio do corpo para não escorregar, enquanto conversava com Neji... ou melhor, tentava se reconciliar com o amigo. Talvez não fosse para tanto, afinal, foi tudo uma grande encenação enquanto Lee tentava ajudar Shino com os insetos, mas o Hyuuga parecia ter ficado chateado de verdade.

— Ainda está muito bravo comigo?

— Hun.

Isso era o máximo que Neji falava, ou melhor, resmungava com a boca fechada enquanto olhava para o nada.

— Você me ajudou, não de um jeito muito normal, mas ajudou... — o sobrancelhudo deu um sorriso brilhoso — Sem você eu não seria um detetive!

— H-Hun. — apesar de tentar permanecer indiferente, aquele elogio fez os olhos pálidos brilharem.

— Ei, Neji... — notando que os esforços finalmente tinham retorno, ele chamou a atenção do amigo — Dois, três, cinco, sete, onze, treze...

— Hun? — o rapaz de cabelo cumprido chegou a inclinar um pouco a cabeça, sem entender.

— Dezessete, dezenove, vinte e três, vinte e nove...

— Trinta e um, trinta e sete...

Finalmente o Hyuuga falou alguma coisa! Aquilo fez com que os olhos de Lee brilhassem com as Chamas da Juventude enquanto ele ganhava uma carga extra de animação

— Quarenta e um, quarenta e três, quarenta e sete!

— Cinquenta e três! — não era apenas Rock Lee quem estava animado.

— Cinquenta e nove, sessenta e...

Antes de continuar a contagem dos tão conhecidos números primos – dessa vez não tinha problema em falar sobre números, já que Lee estava apenas fazendo sua caminhada – o sobrancelhudo foi interrompido por uma voz familiar e um tanto infantil.

— Sobrancelhudo-nii-chan! — Konohamaru sorriu, virando a esquina e se deparando com ele.

— Konohamaru-kun!

Aquilo foi o suficiente para que Lee se esquecesse dos números primos, de Neji, que aproveitou a brecha para “sumir”, e também se esquecesse das poças de água no chão, acabando por escorregar a mão em uma delas e cair.

— Você está bem!? — o garoto correu até ele, o ajudando a se levantar.

— Acidentes acontecem... — Lee respondeu um tanto sem graça, passando uma mão na nuca enquanto sorria sem jeito.

— Mas você precisa tomar cuidado para não se machucar, estamos perto do teste.

— Que teste?

— O teste físico, lembra? Uma vez ao ano...

Não, Lee não se lembrava que o Teste Físico estava perto.

— C-Claro!

— Mesmo? — o Sarutobi sorriu de canto, desconfiado.

— Mesmo, agora eu preciso ir! Obrigado, por me lembrar, Konohamaru-kun! — sem nem dar chance de mais conversa, o ninja vestido de verde voltou a se apoiar sobre as mãos e saiu em disparada.

Antes de qualquer coisa, havia algo muito importante para o ninja de cabelos tigelinha fazer, algo quase tão importante quanto treinar para o teste físico: pedir ajuda no treinamento para Tenten. Afinal, os dois sempre treinaram juntos para este tipo de coisa.

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Lição número vinte e quatro: faça as pazes com seus amigos.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Sugestões, dicas, críticas e observações são muito bem-vindas.