Era uma tarde chuvosa e fria de segunda-feira, mas me lembro como se fosse hoje.

Meu sobretudo marrom estava encharcado, eu estava encharcado. Devo admitir que a vida de um investigador profissional não é fácil. Temos prioridades e levamos nosso trabalho acima de tudo, inclusive nosso bem-estar.

Faziam duas horas que fui acionado para investigar o desaparecimento de uma garotinha chamada Tsunade, por volta de seis anos, loira e de olhos castanhos. A mãe fez questão de contar detalhadamente tudo o que se lembrava, mesmo estando desesperada.

— O senhor promete achar a minha Tsunade? Promete? — ela me segurou pelos ombros, com os olhos marejados.

Droga... Odeio ver mulheres chorando!

— Trarei ela sã e salva. — me esforcei para ser gentil, até consegui sorrir para ela.

— Se quiser, a porquinha dela pode ajudar a encontrar... — Shuzune-san me soltou e pegou o animalzinho de pele rosa que zanzava perto dela — A Tonton tem um ótimo faro!

— Lamento, mas eu trabalho sozinho, senhora. — eu coloquei a mão no ombro dela, ainda sorrindo — Fiquem aqui caso ela volte para casa, certo?

A mulher apenas acenou positivamente, mais calma.

Saindo de lá, enfrentei a chuva novamente para percorrer toda a cidade. A leve neblina me forçou a sair do carro diversas vezes para olhar melhor em volta... crianças se escondem fácil em locais abertos.

Jamais imaginei que minha carreira chegaria neste nível. Me sinto como se estivesse regredindo ano após ano, devido aos tempos mais tranquilos. Ainda me lembro de quando Konoha era um lugar violento, onde as pessoas viviam com medo.

Bons tempos...

Pode parecer egoísmo da minha parte, mas a adrenalina das perseguições é o que mantem minha jovialidade viva, como se fosse uma chama. Pode-se dizer que este é o meu segredo: a chama da juventude.

Lembro-me também de quando era um iniciante e trabalhava junto ao meu superior, Gai-sensei, o cara que me ensinou isso. Era uma época feliz!

Infelizmente, um dos maiores líderes do crime organizado com quem tivemos um confronto, Madara, o impediu de continuar executando o trabalho de campo. Agora ele fica no escritório central com o Kakashi-sensei, cuidando da papelada e tomando café com rosquinhas.

Volte ao que interessa, Lee! Museu é que vive do passado!

Continuei minhas buscas por horas a fio, até que resolvi dar uma pequena pausa.

A garotinha não estava em lugar algum do parque, nem próxima da escola em que estuda. Perguntei até mesmo em lojas de brinquedos e doces, mas não havia sinal algum dela...

Seja aonde ela estiver, vou encontra-la, mas preciso comer alguma coisa antes.

O estereótipo com rosquinhas pode parecer real, mas eu não me encaixo nesse padrão. Prefiro comidas saldáveis, apesar de que a falta de tempo me faz vir sempre ao mesmo lugar: Ichiraku Ramen.

É um lugar pequeno, em uma rua movimentada. O lado bom de vir até aqui é que sempre ouço alguma coisa de interessante nas minhas conversas com o Teuch-san ou a sua filha, Ayame-san.

— Ah! É o Lee! — o cozinheiro falou sorridente como sempre, notando minha chegada.

— De novo por aqui, Lee-san? — a filha dele, também sorridente, sempre comentava sobre a minha frequência naquele lugar.

— Ayame, não fale este tipo de coisa com os clientes!

— Tudo bem, tudo bem... — eu me sentei e esperei pacientemente o meu prato ficar pronto.

Talvez eu realmente estivesse indo muito lá, já que eu nem precisava mais fazer o pedido. Apenas me sentava, esperava alguns minutos e chegava o meu prato preferido. Me pergunto por vezes se o Naruto-san, um amigo do trabalho, continua indo lá mesmo depois de casado... foi ele quem me apresentou este ramen maravilhoso.

— Por acaso, viram alguma garotinha perdida por aqui? — comentei como quem não quer nada, quando meu prato foi servido.

— Deveria esquecer o trabalho pelo menos enquanto come...

— Ayame, já disse para não incomodar os clientes! — apesar de tentar ser um pai sistemático, bastava a garota sorrir que ele deixava as queixas de lado — E como seria essa tal garotinha?

— Seis anos, loira, olhos castanhos, costuma andar com uma porquinha de estimação...

— Não me diga que é a Tsunade-sama! — o homem me olhou incrédulo e eu apenas concordei com a cabeça, enquanto enchia minha boca com o macarrão condimentado — Ela tem linhagem direta com os fundadores da cidade, os primeiros lideres daqui!

— Eu sei, mas ainda acho que seja apenas uma brincadeira de esconde-esconde e nada mais sério que isso.

Algo muito importante que aprendi nestes anos de prática é a não deixar a imaginação tomar conta dos meus julgamentos. A cidade está tranquila, a criança não chega a ter um dia de desaparecimento e, pelo que Shizune-san me contou, a garotinha costuma ser bem travessa...

— Você sabe com quem deve falar para ter mais informações... Se tem algum dos grandes envolvidos nisso, ela com certeza sabe.

Concordei, absolutamente.

Anos servindo os melhores pratos para policiais fez com que Teuch ouvisse coisas demais. Por sorte, ele é de confiança.

O ela, bem frisado por ele, se refere a maior comercializadora de armas do Estado: Mitsashi Tenten. Fomos parceiros por vários anos, mas ela resolveu se dedicar à sua paixão por armas e sair da correria. Se tem alguma movimentação suspeita nessa cidade, ela sabe com certeza!

Antes de terminar o meu jantar, mandei uma mensagem para ela marcando um encontro na nossa antiga zona de treinamento de tiros em alguns minutos. Ela nunca se atrasava e eu também não pretendia demorar a chegar, aproveitando que a chuva havia cessado.

Aproveitei o tempo mais limpo para dar uma boa olhada enquanto dirigia até o local, porém, nenhum sinal de Tsunade ainda.

A zona de treinamento é um campo aberto, com grades em volta e uma segurança um tanto duvidosa: mesmo sendo um local fácil de adentrar, ninguém era louco de se meter com quem frequentava ali.

— Tenten... — eu acenei, notando a garota um tanto emburrada — Desculpe o atraso, tem um pequeno engarrafamento na principal e...

— QUE ENGARRAFAMENTO, LEE!? — ela nem me deixou terminar — Eu não acredito que ao invés de procurar pela Tsunade-sama você ficou brincando este tempo todo!!! — agora, ela me acertou com um soco bem na cabeça. Aquela pancada me tirou a força do meu mundo de detetive.

— Eu procurei ela sim, mas estava chovendo e... — apesar de eu tentar me explicar, fui atingido de novo.

— É UM DIA DE SOL! — bem... minha antiga companheira de time parecia realmente irritada. — Esquece... Pelo visto se dividir para procurar em uma área maior foi uma idiotice!

— Mas o Neji ainda não voltou, ele foi para o... — novamente, fui impossibilitado de me explicar.

— Nem se estivesse vivo o Neji aceitaria participar das suas maluquices! — ela bufou irritada, me deixando para trás e começando a seguir um caminho qualquer.

Eu posso não ser um investigar profissional de verdade, mas eu sou bom em descobrir quando a Tenten está irritada, como agora. Também sei que não é bom contrariar ela...

— Anda logo, Lee!

— Já vou! — eu me levantei, batendo a poeira e indo atrás dela.

Não importa como, eu vou levar a Tsunade-sama sã e salva para casa.

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Lição número vinte: se entregue aos seus objetivos.

Notas finais
Perquirir é sinônimo de investigar. Para quem chegou até aqui e entendeu a referencia, avise nos comentários. Para quem chegou até aqui e não entendeu bem o título, recomendo a leitura de Gaara Chibi (também tem como personagem Lee e Tenten). Espero que tenham gostado! Sugestões, dicas, críticas e observações são muito bem-vindas. Enquanto esperam o próximo capítulo, que tal ler outra Fanfic minha? Tem Gaara Chibi e Crime das Flores e Sonhos de Grãos de Areia.