Guia Gejimayu: como viver em tempos de paz!
14 Fontes Termais: Quentura.
— Finalmente acabamos, kore! — Konohamaru falou esgotando completamente a animação que ainda tinha.
Ele e os amigos agora estavam jogados no chão da cantina, ou melhor, restaurante gourmet cinco estrelas. Faltava pouco menos de meia hora para o jantar e só agora os três haviam terminado de arrumar todas as mesas.
— Ei... Depois do jantar, vamos receber o pagamento... — Moegi olha para o “líder” — ... Né?
— Na verdade... — antes de responder, o pequeno Sarutobi é interrompido.
— De novo não! — Udon chega a se encolher, sabendo aonde isso iria parar — Nós só íamos entregar os convites, depois já tivemos que fazer a recepção...
— É verdade! E ainda tivemos que arrumar tudo aqui! — a menina fala irritada, se sentando.
— Ei, ei... — o líder suspira — Eu só ia falar que depois do jantar vamos poder ficar nas águas termais também! — ele sorri.
— Pelo menos isso... — depois da fala, Udon suspira aliviado.
— Pois é... — a voz de Konohamaru saiu arrastada enquanto ele se sentava e espreguiçava — Nem tão cedo vamos poder vir num lugar assim de novo, kore...
— E ainda tem gente que não veio, hunf — a ruiva diz cruzando os braços.
— Quem não veio!? — a voz arrastada virou um grito de pânico por parte de Konohamaru, que se levantava em um pulo — Como alguém pode faltar!? — ele olha em volta.
— O Gai-sensei não apareceu ainda... Nem a Tsu — antes de completar a fala, Moegi é interrompida.
— A cadeira de rodas! — dessa vez, era Udon quem se levantava em um pulo. — Eu já volto!
Esta foi toda a explicação que os outros dois amigos tiveram, enquanto o rapaz ia novamente até os portões.
Foi uma falha enorme ter esquecido a cadeira de rodas de Gai na rua, principalmente porque o Hokage pediu para ele tomar conta. Alguém poderia ter levado a cadeira, gatos de rua poderiam ter arranhado ela, várias coisas poderiam ter acontecido... Mas esse “tudo” se torna pouco quando Udon encara o verdadeiro problema.
Sentada na cadeira, com algumas garrafas vazias jogadas próximas, estava Tsunade. Ela não parecia irritada, mas também não parecia tão sobrea quanto de costume. Ela encarava o nada, mexendo o liquido dentro de uma garrafa de saquê que ainda tinha nas mãos, chegando ao ponto de nem notar a aproximação do jovem ninja.
— T-Tsu-suna... Sama! — foi tudo o que Udon conseguiu pronunciar, fazendo uma reverencia em pedido de desculpas e sinal de respeito.
— Hun? — a mulher encara-o, mas logo depois volta a olhar para o nada — Ainda tem gente que me chama assim? — ela bebe todo o liquido da garrafa de uma vez só.
— ... Todos chamam a senhora assim. — mesmo sem entender o motivo daquela pergunta, ele achou melhor responder.
— Eu fui esquecida... — a loira joga a garrafa, agora vazia, perto das outras — Até a Shizune me esqueceu aqui!
— N-Na verdade, ela me pediu para esperar a senhora... — Udon engole o seco — Mas tinham muitas coisas para arrumar lá dentro e...
— Nem mesmo a Tonton... — ela suspira pesadamente, olhando em volta — E agora?
— E-E agora? — o rapaz diz enquanto suava frio só de pensar em nas consequências.
— É, e agora!? — a voz saiu irritada, enquanto ela se levantava. — Acabou a bebida!
— Tem mais lá dentro! — após o aviso, ele se encolhe tampando o rosto com as mãos.
Tsunade não gritou ofensas, nem acertou alguma parede aleatória pela irritação e nem mesmo fez algo para machucar Udon. A loira sorria, com os olhos brilhando, só de se imaginar bebendo e relaxando.... Se ao invés de ir comprar bebidas para esperar, ela tivesse apenas chamado alguém...
Enquanto as coisas do lado de fora se acertavam, as brigas recomeçaram nas fontes termais. Enquanto o lado feminino discutia sobre quem tinha o melhor relacionamento, cabelo mais bem cuidado e várias outras coisas em que as mulheres se comparavam umas com as outras, quase saindo no tapa para decidir a “vencedora”, no lado masculino a discussão era bem mais simples: quem era mais pervertido.
— CLARO QUE É O KAKASHI-SENSEI! — Naruto falava apontando para o Hokage — olha só para ele!!!
— Hun? — o homem de cabelo branco nem se importava mais com as discussões idiotas que o aluno criava, mas ele ficou um tanto curioso para saber o que estava fazendo que justificasse isso, além, é claro, de estar lendo novamente um de seus livros.
— Naruto! — Iruka o repreende, mas nem mesmo o antigo professor tinha controle sobre todas aquelas “crianças”.
— É verdade, é ele mesmo... — Kiba falava como se fosse um dos juízes da competição, olhando o Rokudaime de cima abaixo, chegando a receber alguns latidos de Akamaru em confirmação.
— Ele já não está velho demais para este tipo de coisa? — a fala saiu tranquila, acompanhada do sorriso típico de Sai.
— Sabem que eu não sou assim tão velho, não é? — dessa vez, Kakashi parecia um tanto incomodado com onde a brincadeira foi parar.
— Verdade, ele está com a aparência de acabado por causa do trabalho, mas acho que não chega a tanto... — a voz de Shikamaru era arrastada.
— Acho que ele prefere ser chamado de pervertido do que de velho... — Choji comenta, um tanto pensativo.
— Não se preocupe, Kakashi-sensei! Nunca é tarde para ser um pervertido! — apesar da fala animada, Naruto não parecia ter ideia da idiotice que estava falando — E você é o maior pervertido de Konoha, sem dúvida alguma!
— Obrigado, eu acho... — foi tudo o que o Hatake falou, já ignorando novamente os mais novos e voltando toda a atenção para seu livro.
— Tá, tá! Mas quem ficou em segundo lugar!? — dessa vez, quem iniciou uma nova discussão foi Kiba.
— Eu desisto! — foi tudo o que o Umino conseguiu falar, antes de lançar um olhar irritado para os rapazes, devido ao mau comportamento, e se afundar na água.
Enquanto a prata e o bronze eram decididos de forma centralizada pelos rapazes, as garotas continuavam com suas várias e pequenas discussões, com exceção de Tenten. Ela estava bem mais concentrada em apenas relaxar e planejar o que faria com Lee, ou melhor, tentar... As conversas altas estavam a atrapalhando.
— Maciez! — Sakura falava irritada, olhando para as duas loiras em sua frente — Um cabelo bem cuidado é macio!
— Mas o brilho é mais importante! — Ino também estava irritada, encarando a Haruno com faíscas saindo pelo olhar.
— Não adianta nada sem ter volume... — apesar de Temari parecer indiferente com a “briga”, foi ela quem direcionou a conversa para o que um cabelo bem cuidado deveria ter.
Vendo que nem tão cedo aquele assunto seria deixado de lado, a morena acha melhor se distanciar e sentar e ficar próxima das mais velhas.
— Não acho que cuidar da Tonton se compare com cuidar de um filho, definitivamente. — Kurenai parecia séria.
— Eu sei que não se compara, eu só estou falando que não tenho tempo para relacionamentos porque tenho que cuidar dela e da Tsunade-sama. — a voz de Shizune também era séria.
— E quando vai começar a cuidar de si mesma? — apesar de não ter a intensão de ofender, aquilo realmente mudou o rumo do debate.
— Está insinuando que eu não me cuido!? — agora, além de séria, a voz de Shizune também era irritada.
A Mitsashi se distancia das duas lentamente e sem movimentos bruscos...
Talvez a melhor opção fosse ficar perto de Hinata e Ayame, afinal de contas, as duas sempre eram tão calmas e bem-humoradas que não iriam começar uma discussão como as outras, pelo menos, era isso o que Tenten pensava.
— Um relacionamento agrega muito mais a uma pessoa do que... — antes de poder continuar, a Hyuuga foi interrompida.
— Relacionamentos são perda de tempo, não dá para saber quem é melhor sem experimentar antes. — a fala de Ayame apenas fez com que Hinata ficasse corada.
— E-Eu não preciso experimentar ninguém para saber que o Naruto-kun é melhor! — a resposta saiu decidida.
— Você tem o byakugan, certo? Talvez realmente possa ter visto algo nele que te interessou, mas a experiência agrega muito mais. — a mais velha cruza os braços, sorrindo de canto ao notar que a outra estava ainda mais vermelha.
Não foi só Hinata quem ficou vermelha com aquilo, mesmo só ouvindo por alto e não tendo certeza de que tipo de assunto as duas estavam falando, Tenten ficou envergonhada ao ponto de ir para o outro extremo do lago de águas quentes, praticamente na divisória entre os dois banhos.
A garota fechou os olhos e se afundou na água, finalmente ela poderia aproveitar os poucos minutos que ainda tinha lá, se não fosse por alguns sussurros estranhos que ela estava conseguindo ouvir. No começo ela achou ser só a imaginação, mas assim que olhou um pouco melhor em volta, notou que Anko estava a alguns metros de distância e parecia discutir com o nada.
— Eu já disse pra sair logo daí! — apesar de serem quase sussurros, ela parecia em fúria.
— É a minha vez! — dava para ouvir outra voz baixa do lado oposto da parede.
“São só sussurros dela com a parede, você precisa de descanso, Tenten...”, a morena pensa enquanto fechava os olhos novamente, suspirando e tentando a todo custo relaxar. “... Tem alguém do outro lado falando com ela!”, agora ela olhava um tanto assustada para Anko.
— Eu mandei sair! — a Mitarashi ainda mantinha o tom baixo, enfiando o dedo no que parecia ser um buraco na parede.
Dessa vez, ao invés de sussurros, Anko recebeu um grito alto e estridente de dor. O grito não chamou a atenção só de quem estava perto, chamou também a atenção de todas as outras garotas. Rapidamente, a mais velha se afastou com um sorriso amarelo e fingindo não ter feito nada.
— Tem algum pervertido olhando a gente!? — Ino parecia surpresa, encarando a Mitsashi.
— Tem! E merece bem mais do que um olho machucado! — ela respondeu irritada principalmente por ter reconhecido a voz daquele grito.
Ela se levantou calmamente, certificando-se de estar com a toalha muito bem presa em si mesma, e andou na direção do vestiário. Isso não sairia tão barato assim...
Lição número quatorze: evite dedurar seus amigos.
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