Guia Gejimayu: como viver em tempos de paz!
8 A Tradição
Um dia perfeitamente preguiçoso com um sol tímido, ventos frios e algumas nuvens no céu devido ao término do verão fora de época. Todos estavam aproveitando o clima para relaxarem, todos menos um ninja com cabelos tigelinha: Rock Lee.
Com o “sucesso” da Missão Especial, Lee estava com toda sua energia restaurada e pronto para sua rotina de treinos. Ao contrário dele, Tenten apenas observava o companheiro de time, sentada em um dos troncos de madeira do Terceiro Campo de Treinamento.
— Trezentos e quarenta e dois, trezentos e quarenta e três, trezentos e quarenta e... — a contagem dos socos foi interrompida.
— Que dia chato... — a morena boceja, pulando de cima do tronco.
— Trezentos e quarenta e cinco, trezentos e quarenta e seis, trezentos e quarenta e sete, trezentos e quarenta e oito, trezentos e quarenta e nove... — ele não ignorava Tenten por mal, apenas estava focado demais.
— Acho que vou ir almoçar mais cedo hoje, vai vir também, Lee? — a fala tranquila é acompanhada de mais um bocejo.
— Trezentos e cinquenta e um...
— Ei, você me ouviu? — ela cruza os braços.
— Trezentos e cinquenta e dois, trezentos e...
Vendo que não conseguiria chamar a atenção do sobrancelhudo apenas com a voz, a garota sai o puxando pela gola do collant, sem se importar mais com resposta alguma.
— Ei, Tenten! — ele finalmente nota a companheira de time quando já estava longe o suficiente do tronco para não conseguir acertar os golpes.
— Vamos almoçar logo! Eu já estou com fome só de ver você fazendo isso... — ela continuava o puxando, um tanto irritada agora.
— Mas eu não acabei o meu treinamento e...
Dessa vez Lee não foi interrompido pela amiga, mas sim pelo som de fome vindo do estomago dela.
— Vamos? — a voz agora era ainda mais irritada, seguida de um olhar assassino.
O rapaz acena positivamente com a cabeça enquanto algumas gotas de suor escorrendo pelo rosto. O convite para almoçar junto depois dos treinos era um costume desde quando começaram a fazer parte do mesmo time, a diferença é que agora iam apenas os dois, já que Neji não retornou da guerra e Gai normalmente não treinava com eles.
O local para onde iriam foi escolhido pela garota: Ramen Ichiraku, onde o cheiro maravilhoso de comida podia ser sentido do lado de fora. Depois de um delicioso ramen com seus acompanhamentos, o sorriso no rosto de Tenten estava de volta.
— Estava delicioso... — a garota comenta, ainda sorridente.
— INCRIVEL!!! — era possível ver chamas saindo pelos olhos ligeiramente esbugalhados.
— Parece que conquistei dois clientes fiéis... — Teuch comenta com um sorriso.
— Com toda a certeza! — a fala de Tenten é seguida de um bocejo longo. — Acho que vou ir tirar uma soneca agora...
— Ah, Tenten-san! — Ayame acabava de chegar com algumas sacolas — Conseguiu comer seu ramen ontem?
— Ontem? — a curiosidade de Lee é despertada — Mas ontem você não foi buscar as armas?
— Eu encomendei antes de ir e tentei levar em um pergaminho, mas quando eu finalmente fiz uma pausa para comer antes de chegar na forja... — a morena havia começado a explicar, mas é interrompida.
— Foi a sua luta contra o seu sequestrador e você... — agora Lee é interrompido com uma cotovelada.
— Para de inventar! — a Mitsashi se levanta — um nukenin me atacou, mas a única coisa que ele conseguiu foi levar uma tigelada na cara e ser trago amarrado pra cá!
— ... Só isso? — a decepção no rosto de Lee era inevitável, o grandioso ato de sua rival foi reduzido a algo tão simples. — Então o rastro de sangue não eram seus ferimentos e... — novamente ele é interrompido.
— Era só o molho! De onde você tira essas coisas!? — ela suspira.
— Você não me parece mais tão incrível como antes... — agora o sobrancelhudo estava desanimado, se levantando.
— Só porque eu não correspondi à sua imaginação? — ela realmente não estava acreditando naquilo — Eu vou ir dormir pra tentar ignorar você, Lee... — ela já estava saindo.
— Mulheres são assim, elas nunca agem como achamos que elas agiriam... — Teuch tenta reconfortar o ninja com cabelos tigelinha, que ainda parecia desolado.
— Pai... — Ayame repreende o pai com um olhar ameaçador.
— Tudo bem. — o rapaz sorri, um pouco melhor — acho que vou ir para o meu treinamento de novo... — ele acenava, saindo.
Horas mais tarde, naquele dia preguiçoso, o sol estava se pondo e deixando um belíssimo alaranjado no céu, os pássaros voavam de volta para seus ninhos fazendo barulhos engraçados entre os galhos e Rock Lee descansava enquanto apreciava toda aquela cena, tentando recuperar o folego depois de tanto tempo treinando.
— Mesmo sem um rival, eu vou continuar me esforçando todos os dias! — ele sorri — E quando eu finalmente achar um... — a fala com tom dramático é interrompida.
— Ei, Lee... — aquela voz era familiar...
— N-Ne-Nej-ji!? — os olhos de Lee conseguem se arregalar mais ainda, olhando em volta.
— Quando você fica obcecado por algo, não consegue esquecer nem em uma pausa de seus treinamentos... — ele falava calmamente, de pé, em cima de um dos troncos de árvore no qual Lee estava encostado — Você é assim, Lee.
— É que você era o meu rival, mas agora eu não tenho nenhum e a Tenten... — ele é interrompido.
— Eu vim te aconselhar, Lee. — o Hyuuga sorri — Termine o que começou, mas do jeito certo! Não se esqueça... Mitsashi.
— Espera, como assim? — o rapaz de cabelos tigelinha se levantava, mas quando olha novamente para o tronco não tinha ninguém lá — NEJI!!!
O máximo que o ninja vestido de verde conseguiu com o grito foi espantar alguns pássaros do ninho, que voavam fazendo um som que soava parecido com “baka”. Ele havia sido deixado sozinho de novo, mas agora por Neji.
No caminho para casa, Rock Lee tentava a todo custo entender o conselho do amigo, mesmo sendo uma tarefa quase impossível. “Algo que eu comecei e não terminei do jeito certo, dessa vez tem relação com a Tenten... Teve o treinamento, mas não é a primeira vez que ela foge do treino... Pensa Lee, pensa! ”.
— A MISSÃO ESPECIAL! — ele ergue um dos punhos, sorrindo por finalmente entender o significado.
Lição número oito: mantenha as tradições.
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