Guia Angelical de Sedução
6 6- Atuar é a alma do negócio.
Notas iniciais
-Prima, acho que está faltando um relatório, pode pegar pra mim? – Jéssica pediu por detrás da pilha de papéis que ela era obrigada a assinar.
-Certo, afinal eu sou a única que está com o trabalho adiantado – Riza concordou e saiu, afinal para ela só tinham mais uma ou duas folhas a serem assinadas.
Assim que a loira fechou a porta, Jéssica foi até a janela a procura de alguma coisa para distrair seus colegas e, por sorte, havia a cena perfeita – Homens,aquele não é o MajorChambers aos agarros com a Tenente-Coronel Bridge?
Como num passe de mágica todos pararam com o trabalho e foram para a janela conferir a mais nova fofoca.
-Eu sabia que ali tinha coisa – Breda comentou superior.
-É tinha um clima rolando entre os dois desde a Academia Militar – Falman completou.
Nessa agitação nem viram uma Riza aparecer do nada, vestida com trajes militares, ela pegou uns papéis e foi para a sala do Coronel. Apenas Jess reparou, deu um sorriso maroto antes de atiçar mais as fofocas.
‘Riza’ fechou a porta atrás de si e respirou fundo, encarou o moreno que cochilava ao invés de trabalhar.
“É agora! O que o Roy faria numa situação dessas... Ah sim! Já sei!” ela ponderava num monólogo mental rápido. Ela se aproximou silenciosamente e deixou os papéis num canto da mesa, deu a volta e se sentou do lado das pernas do Coronel, que se apoiavam displicentemente no móvel.
-Que bonito, dormindo no meio do serviço? – ela comentou reprovadora, com a voz alta o suficiente para ele acordar.
“Caramba! Nunca fui tão hipócrita na minha vida!” a loira reclamou pra si, mas se controlou para não rir de si mesma.
-Te... Tenente! – Roy se assustou e sentou direito -o que faz aqui? – ele deu uma ênfase no aqui indicando com o olhar a mesa onde ela estava sentada.
-Vim conferir se o senhor estava trabalhando e, é claro, te trazer mais alguns papéis – ela apontou para a nova pilha de papéis.
-Por que você quer tanto me matar de trabalhar, tenente? – ele perguntou fazendo uma carinha de dó, que não funcionou com ela.
-Acho que se o senhor dormisse menos e trabalhasse mais, perceberia que qualquer ser humano consegue terminar esse trabalho no prazo correto – ela parou e olhou para cima como se pensasse em algo, mas antes que ele se desse conta ela virou seu olhar na direção dele e o olhou nos olhos – não acha? – terminou com um sorriso que era um misto de cínico com divertido.
“Eu mereço o Oscar” ela se gabou ao ver ao ver que Roy estava confuso e não parava de olhar dos seus olhos para seu sorriso. Ela se levantou delicadamente ficando do lado dele – Algum problema, Coronel? – ela re-fez a sua cara inexpressiva, mas por dentro cantarolava algo como: “Hahahaha e mais um ponto para Riza Hawkeye! A rainha da sedução, ninguém resiste a minha beleza”.
-E... Estou -ele balbuciou enquanto voltava ao normal.
-Então volte ao trabalho! – ela saiu e assim que fechou a porta desapareceu.
No instante seguinte Riza entrou na sala trazendo os papéis que sua prima falara que faltavam e, ao ver todos na janela fofocando bateu com os papéis na mesa deles.
Todos se viraram e deram de cara com uma primeira-tenente os encarando com seu típico e muito perigoso olhar de ‘voltem para o trabalho se não quiserem ganhar um furo no meio da testa’. Temendo por suas vidas todos voltaram a trabalhar.
BEM longe dali, mas bem longe mesmo, em outro mundo, na sala onde o plano fora arquitetado, Riza e Roy contavam como tinha sido a primeira parte do plano.
-Sabe, você bem que podia seguir mais o que você fala... Principalmente quando o assunto é trabalhar – Roy comentou assim que ela terminou de contar.
-Comigo é assim, faça o que eu digo, não o que eu faço – ela retrucou com uma piscadela e apoiou os pés na mesa, do mesmo jeito que certo Coronel Humano estava à um tempinho atrás.
-Eu percebi isso.
-Agora está na sua vez que contar – ela disse e tirou os pés da mesa, no lugar deles apoiou os cotovelos e cruzou as mãos apoiando a cabeça nas mesmas.
-Certo – ele tomou fôlego – não foi nada de mais, algumas indiretas.
-Não era você o ‘Senhor Indiretas Não Dão Certo?’ – Ela o interrompeu.
-Sou, mas você é a ‘Senhorita Eu Só Sei Seduzir Usando Indiretas’ – ele retrucou e sorriu da cara ela fez – Continuando... Eu, sempre que tinha chance, a olhava nos olhos, e teve uma hora que eu me aproximei e ‘tirei um papelzinho do cabelo dela’, então eu saí enquanto ela ficara sem reação.
-Você sabe por que o olhar é tão importante, senhor Mustang? – Riza perguntou séria olhando-o nos olhos.
-Não – ele sabia sim o porquê, mas sentiu que este era um dos raros momentos profundos e filosóficos dela, então a deixou explicar.
-É porque os olhos não mentem – ela contou, olhando-o tão intensamente que ele não conseguiria, mesmo se quisesse, interromper o contato visual – não invista nos olhares, pois você não conseguirá passar a mesma intensidade que seu protegido passa quando olha para a minha protegida – aconselhou.
Roy estava usando de todo seu auto-controle pra prestar atenção no que ela falava e não se perder nos olhos dela – Pode deixar, até enganarei meus olhos se for preciso – ele prometeu.
-Esse plano é a prova de falhas – ela tinha um sorriso confiante – é melhor a gente voltar, antes que certos humanos sintam nossa falta – completou e interrompeu o contato visual ao se levantar.
-Vamos então.
Os dois saíram da sala e voltaram para o mundo dos humanos.
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