Guerreiros do Olimpo: Os que largaram o lado semi
11 A perda das cores de um arco íris.
Notas iniciais
–Sam.
Ser raptada por um ruivo louco... Já passei por coisas mais horríveis, mas certamente essa foi uma das piores. Fui jogada em um quarto escuro e estranho, não enxergava nada, a força do desespero me consumia cada vez mais.
Sam– SEU LOUCO! POR QUE ESTA FAZENDO ISSO? – olhava para os lados, mas sem sucesso, pois estava escuro mesmo. Tudo bem, eu sou avoada, mas né...? Era isso ou ficar quieta, o que eu não conseguia fazer.
Gokas – Não sou louco, sou apenas um pouco fora do controle – Aquele cara...
Gokas devia ser o nome dele. Ouvi um estalar de dedos, luzes se ascederam, confundindo minha visão e me fazendo retrair, com o braço em frente ao rosto. Segundos depois tive coragem para abrir os olhos e, de pouco em pouco, dei de cara com ele. O maldito estava sentado em uma cadeira de balanço, indo para a frente e para trás com um enorme sorriso maléfico. Queria eu que essa fosse a parte mais macabra. Depois de um tempo, as enormes paredes vermelhas, o chão e o teto de madeira ficaram bem visíveis. Agora, olha só a situação que me atingiu. Imagine todos os quadros que você mais gosta, quadros que mostravam seus desenhos favoritos, não... SEUS, desenhos favoritos. Parecia que eu havia acabado de me sentar para observar meus cadernos. Apenas acontece que as folhas das minhas coleções não tinham tamanho o suficiente para preencher tais quadros inteiros, eles deveriam ter quase um metro quadrado e os meus cadernos... Eram cadernos!
Bem... Ia ficando pior. Não conseguindo parar de olhar, eu mudava lentamente meu campo de visão sobre todas as paredes. Desenhos que eu não havia feito estavam lá, mas que pareciam ser meus, mostrando as partes mais profundas e vegonhosas da minha mente... Quanto mais eu pensava naquilo, mais eu entendia que não havia mostrado para ninguém. Então... As fotografias entraram no meu campo de visão. Certas gravuras que me fizeram encolher e parecer um tomate. Uma delas em especial... foi de um dia em que eu e meu pai estavamos na praia, sorridentes. Aquilo me fez desabar totalmente, estava paralisada e em estado de choque. Como ele poderia saber daquilo tudo?
Sam – Louco... SEU LOUCO, DOENTE! – Disse sem pensar e com a onda de ódio que me preenchia. – IDIOTA! LADRÃO! PARA COM ISSO! – A única coisa que recebi foi uma risada completamente insana. Ele parecia se divertir como nunca apenas observando minha tamanha insegurança. — Como você pode ter isso tudo? Como soube... como? – Eu estava muito, muito perplexa.
Gokas – Simples. Eu já vi o futuro Sam. Eu estava a espera de você... a minha ruiva. – Ele não tirava aquele maldito sorriso do rosto.
Sam — ...Ãhn? – sim, eu buguei. Novamente, eu tinha motivo. Como assim “minha”? Minha raiva só não superava o medo, ele era realmente louco de pedra.
Gokas – Samantha Allen, eu sou um filho do deus Jano. O deus romano das escolhas e das portas... mas parece que no dia em que me fez, ele estava na sua escolha de grego. Ah esquece isso... Vamos ao ponto! Eu posso ver o futuro! Eu posso realmente ver, assim como você tem direitos a ligações de iris grátis e explosoes arco-iris... – Ele estendeu sua mão pra mim, nela se formava um... Arco-íris. Dentro de tal, eu podia ver uma estátua da minha mãe... Íris... Como um reflexo na água. — Eu posso ver o futuro – O ruivo ajeitou a gravata e se posicionou de uma forma autoritária, levantando da cadeira de balanço. Eu rangi os dentes de ódio. Ele fazia meus nervos irem a loucura.
Sam – E por isso... tinha que me trazer para cá? VOCÊ É IDIOTA? ME SOLTA!!! – Eu estava inconformada, apenas não fazia sentido nenhum. Se o futuro mostrou pra ele que eu era... Dele... Como me prender num buraco de lembraças ia ajudar? É... Pensando bem, a raiva estava ganhando.
Gokas -.... É... Não, eu adoro ruivas. As amo de verdade, mas você consegue ser ainda melhor... me parece especial... VOCÊ – Em um piscar de olhos Gokas estava a minha frente, olhando dentro dos meus olhos com seus próprios esbugalhados, transmitindo sua total loucura. – Você é minha! – Ele segurou meus pulsos com suas mãos. Não sei de onde ele poderia tirar tanta força, era apenas um pouco mais alto, mas o quanto mais eu me debatia, eu sentia-me mais presa as mãos daquele louco desnaturado.
Sam – ME SOLTA! NÃO SOU SUA COISA NENHUMA! – Comecei a me debater incontrolavelmente, eu realmente tentei quase de tudo pra me livrar. Quanto mais perto ele chegava, mais parecia que tudo estava perdido. Sua presença me era repugnante, mas caso o deixasse... Poderia acabar não acordando do pesadelo. Eu apenas... Segui meus instintos, mordi a mão dele o mais forte que podia. Mas o mordi com tanta força em sua mão que chegou a sangrar. Gokas me soltou, liberando um urro de dor, eu aproveitei para me afastar e procurar segurança em outro canto do quarto. O lugar não tinha portas ou janelas... Como eu poderia sair? O plano que bolamos no helicóptero havia me deixado indefesa até demais. Me virei de volta para o sádico desgraçado, procurando entender qual seria sua resposta ao que fiz e então... Apenas o olhar, somente seu encarar gerou um súbito arrependimento que me subiu pela garganta. Ele começou a rir feito louco observando o seu sangue que escorria de sua mão.
Gokas – Muito bem, muito bem... acha que pode ferir o seu mestre... – ele ajeitou novamente a gravata com a mão ferida, me encarando de novo.
Sam – VOCÊ NÃO É MEU MESTRE! EU NÃO TE PERTENÇO! ME DEIXA SAIR DAQUI!!! – O que eu menos queria, as lágrimas... Elas começaram a escorrer, percebi que meu desespero havia atingido um ponto máximo.
Gokas – Sam, Sam, Sam... Você não me deixou escolhas. – Gokas então estalou os dedos e uma porta se abriu lentamente atrás dele. Aquele, sim, certamente, poderia ser chamado de pior momento da minha vida. Não cheguei a comentar com as pessoas a minha volta, mas duas delas sabiam do momento complicado que eu estava passando. Numa noite com esses dois... Jon e Lily, dentro do meu chalé, cheguei a dizer a eles que o meu pai... O meu pai estava a beira da morte em estado de coma, isso tudo por um acidente no trabalho... e agora... Eu estava a espera da ajuda dos deuses para que salvassem o meu pai.
Gokas – Ou você se torna minha... – eu travei, desabei em prantos, pois o que estava vendo era outro Gokas com uma faca no pescoço de meu pai no quarto do hospital – Ou... o seu pai morre! ELE MORRE, MORRE E MORRE! – O pior de todos os risos diabólicos me levou a apenas duas e completamente desesperadoras opções.
Salvar o meu pai, ou... Deixar o orgulho me levar?
–Bella.
Droga... O que eu podia fazer? Eu devia voltar e pedir ajuda aos outros? A única resposta que tive pra isso foi a minha consciência levando razão, dizendo coisas como “Mas já cheguei até aqui”... Decidi seguir em frente. Atravessei as portas gigantes da mansão, por algum motivo infeliz e macabro, parecia ainda mais enorme por dentro, com seu revestimento de madeira antiga e elegante. Dos dois lados haviam escadas para o segundo andar, passagens para outros cômodos e um corredor longo á frente. Nessa situação... É, eu simplesmente não sabia por onde começar. Não haviam muitas pessoas lá, na verdade, não havia ninguém, exceto por um cara que eu gosto de chamar como “o ignorante do dia”. Tal ser com deselegância extrema vestia uma jaqueta de couro preta, uma calça jeans preta, um sapato preto, cabelos pretos até bem grandes, lisos e cheios, deixando cair uma franja sobre seu olho esquerdo. Pela parte direita do seu rosto descoberto, pude reparar que seus olhos eram... Ok, você já entendeu, ele era a representação do negro. Tinha um metro e oitenta de altura e havia acabado de deixar seu cigarro cair no chão após esbarrar em mim.
Bella- Ah... Me desculpe. – Observou, não é? Eu fui educada. Agora cheque isso:
???- Olha por onde anda, porra! Eu devia te fazer comprar uma caixa de cigarros novinha. — ... Calma, ainda não acabou.
Bella- Eu... Já pedi desculpas. – Observei ele puxando uma carteira de cigarros e um isqueiro do bolso. – Sou Bella, e você?
???- Ãhn? Quem te perguntou? – Viu?! Esse é o motivo do “apelido carinhoso”.
Bella- Sua mãe não te deu educação não? – Um silêncio constrangedor se formou após a minha frase. Com uma simples encarada do “ser pacífico”, eu quis imediatamente mudar de assunto – Esqueça. Você... Sabe onde o Jon está? – Ele levantou uma das sombrancelhas, terminou de ascender seu cigarro e pôs o que tinha tirado dos bolsos de volta no lugar.
???- Tsc... É a menina que ele tava esperando, é?
Bella- Como?
???- Última porta desse corredor – Ele apontou para trás com o polegar – E vê se não me enche o saco. – Logo após, sumiu da minha vista e saiu da mansão. Sinceramente, ainda bem. Quer dizer... Melhor ainda, estava apenas a um corredor de encontrar Jon.
Depois de um minuto andando – O que achei que seria mais, pois novamente, aquele lugar era enorme. – Cheguei á ultima porta. Desde os últimos passos que precisei, notei o som do AC/DC. Definitivamente, aquela era a porta. Abri lentamente, pois após dois encontros “sutis” e perder uma amiga daquela forma, eu estava bem... BEM, insegura. Para meu alívio, lá estava ele. Na mão esquerda, seu celular no volume máximo. Na direita, o Whisky que ele tanto amava. Ao notar que eu havia chegado, ele cruzou as pernas em sua poltrona de couro e pôs a garrafa de vidro numa estante que havia ao lado dele. O quarto era tão elegante quanto a mansão, cheio de móveis que se vê em filmes antigos. Mas bem... Naquele momento eu não estava nem um pouco concentrada nisso.
Jon- Bella... Eu estava esperando por você. Entre, feche a porta e se acomode. – Fiz o que ele pediu com muita calma, já não sabia mais o que esperar.
Bella- É... Eu sei, o seu amigo lá atrás me garantiu isso.
Jon- O Leon? Haha... – Jon desligou a música. – Ele não deve ter sido gentil...
Bella- Não, nem ele, nem o tal de Gokas. Onde está Sam?
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