Guerreiros de Gáler

16 O retono para casa


Notas iniciais
Vamos causar um pouco de suspense. Existe muita coisa acontecendo em vários lugares, então vamos desfocar um pouco de Káros e Táro e vamos ver o que está acontecendo nas terras de Madros? Espero que gostem. Um forte abraço. Ah tem mapinha *___*

Jhuan se aproximava do O Portal, montado em seu cavalo, enquanto os outros dois animais de Táro e Káros o seguiam pacientemente. Ele já podia avistar ao longe um grande arco de pedra, ao qual há tempos havia passado junto de seus amigos. Mas a essa altura ele havia percebido que tinha algo de diferente ali, havia algumas colinas e imensas árvores mortas que pareciam teimar em querer que deixar que folhas brotassem. Ele pensou que aquilo seria impossível, se não fosse pelo fato de ver algumas já crescendo. Jhuan percebera também a criação de um imenso lago de cor prateada, que se formava atrás da floresta, não que ele tenha ido até ela, mas os olhos dos Söllys eram bem treinados a longa distância, e por mais curiosidade que ele pudesse ter, ele não sentiu que tinha o direito de ir até lá, visto que sua jornada de volta para casa estava sendo muito bem vigiada por sua deusa, que constantemente surgia em forma enevoada a sua frente indicando um caminho seguro. O jovem Söllys não tinha pressa para o seu retorno, embora sentisse que sua vida só estaria segura após sua passagem do O Portal.

Ele se indagava sempre que podia sobre a atitude de Táro, em retirar o coração de seu amigo e entregar a Kaàkur, e o que o rei da cidade dos Mártires estaria fazendo, e o que mais o preocupava, seria o momento de contar ao pai de Táro e ao rei Madros o que havia acontecido. No entanto também estava preocupado, pois a Dama da Florestal insistia em não querer falar se os dois estavam bem. Ela apenas dizia: caminhe.

O ar estava impuro, e Jhuan já estava quase não acreditando que aquele cheiro iria sair seu corpo, sentia fome e cansaço, e ora ou outra fechava os olhos, mas sempre era acordado pela deusa, que dizia que dormir naquelas terras o poderia amaldiçoá-lo.

— É necessário que tome o máximo de cuidado, estas terras foram tocadas pelo difamador, e dormir aqui é desejar a própria morte. – dizia ela com sua doce voz. O jovem apenas seguiu o caminho, contornando o que a Dama chamou a futura Floresta Negra.

— Minha senhora, qual o intuito deste lugar? – perguntou Jhuan, enquanto uma névoa se formou a sua frente e ele pode ver a silhueta de sua deusa.

— O seu senhor, quando criado, caiu nas terras abençoadas por Sölly. Netus quando invadiu Gáler, tocou esse chão e depois subiu ao extremo norte onde criou o seu reduto. O difamador é desdenhoso, porém agora ele tem alguma idéia para esse local. Qual seria? Não tenho como afirmar, mas ela é proibida a qualquer um que desejar atravessá-la. Cuidarei disso o mais breve possível, pois tenho que levar meu pequeno Söllys em segurança a sua terra natal.

— Temo pelo o que esta por vir. – disse Jhuan, a névoa ganhou forma novamente.

— E deverá temer. Uma grande batalha se aproxima, e se o seu amigo conseguir convencer Nièkor a se juntar nesta empreitada, receio que tenhamos alguma chance. Gáler é nova, e ainda existe muita coisa para ser criada, e posso afirmar que vocês terão ajuda. Uma linda raça está para ser criada por sua deusa, Lyha.

— Eu tenho a sensação, minha senhora, de que estamos sozinhos nesta jornada, se a deusa Lyha é tão esperta como dizem ser, qual o motivo de ainda não ter despejado sua graça em Gáler para nos ajudar com a batalha?

— Justamente porque ela é esperta o suficiente para não criá-los agora. Não desdenhe de sua nobre deusa, ela governa a sabedoria, e digo que é mais sábia do que eu.

— Oras minha senhora, agora vejo que a senhora mesma se põe a um papel de insignificância. Cada um tem um propósito, não foi isso o que me disse enquanto me trazia as minhas terras?

— Não, jovem Jhuan. Eu não me diminuí em momento algum, mas sou uma deusa dramática, por isso cuido das florestas. É preciso um pouco de drama para governar o que eu me propus, pois somente assim posso dar o máximo de mim. Lyha é diferente, tenha certeza disso. Ela é sábia e não poupará esforços para ajudar o seu amado, que os criou e que vocês carregam o seu nome.

— Compreendo minha senhora. – Jhuan baixou a cabeça quando a névoa se dissipou — Mas minha senhora, eu adoro ouvi-la, ainda mais quando fala de Aluar. Conte-me mais sobre as terras dos deuses.

A névoa retornou.

— O divino sabe como criar um belo lugar, mas ele precisa criar seres para dar continuidade a sua criação. Por isso fomos criados. No grande castelo, ganhávamos nossas armaduras celestiais e tínhamos como meta descobrir novos mundos e encantá-los com nossa graça e maestria para que pudessem ser perpetuados pela história. Eu sempre fui a mais complacente dos deuses, tenho um forte apresso por animais e plantas, e em terras longínquas me chamavam de feiticeira. Um nome um tanto agressivo, mas não me importava. Existia um lugar, que também foi consumido por Netus, chamado de Hantár que eu comandava, mas aquele povo era difícil, totalmente desprovidos de conhecimento, e um belo dia se viraram contra mim e me expulsaram de seu mundo.

— E a senhora não os puniu?

— Qual a intenção de punição? – disse ela perplexa. A névoa pareceu ganhar mais vida. — Embora, com a minha partida foi mais fácil para Netus os comandasse, e de fato, suas mentes vazias foram preenchidas com os insultos do difamador. Hantár se tornou um local de miséria, destruição, e o próprio povo acabou se matando, enquanto Netus sentado no trono apenas ria da situação.

— Mas a senhora comandava Hantár sozinha? Se Netus é tão poderoso quanto a senhora mesmo disse inúmeras vezes, a senhora teria chance contra ele?

– Sozinha? Nunca. Mas eu tinha meus encantamentos, mas eles só permanecem protegendo enquanto eu estiver no local. Hantár seria consumida, mas iríamos guerrear se tivéssemos a chance. Alguns dos seus habitantes foram levados para Aluar, com a autorização do Divino é claro, mas também pereceram quando Netus nos descobriu. Foi uma terrível batalha, e quando nossas espadas brandiam nas armar negras, uma luz era irradiada, e infelizmente, por sermos quem somos, tal luz acabava cegando esse belo povo que se negava a se juntar aos escravos de Netus. A guerra sempre trás perdas, eu fiquei triste e cai em uma terrível tormenta de sentimentos impuros. Foi quanto eu recebi uma mensagem de Nièkor e me juntei a ele. Aluar estava entregue, precisávamos partir. Thèro se juntou a nós e vimos nosso mundo ser consumido pelas trevas. Fechamos nossos olhos e entregamos nossa alma ao Divino, que nos trouxe até Gáler, e aqui estamos desde então.

— Estão há muito tempo?

— A vida de um deus passa muito rápida, porem em seus anos, diria que por mais de oito mil ficamos apenas a espreita. Este reino já era governado por Sölly, e Lyha ainda não tinha criado a capacidade de falar. Seu deus nem percebeu nossa chegada, pois ficamos adormecidos até que despertamos com sua chegada, e foi nos dada a orientação de aguardar até que os Arknats chegassem.

— Madros mencionou que tínhamos que encontrá-los antes de Netus, pois temia que ele pudesse levá-los para o seu lado. Se vocês sabiam da nossa chegada, qual o temor de Madros?

— Netus. O que mais seria? – dizia ela enquanto a névoa ganhava mais vida – Ele é astuto e difamador, poderia facilmente se passar pelos Arknats e nem íamos perceber, e quando menos pudesse esperar, estaríamos consumidos por seu ódio. Ou como pensa que ele dominou mundos e até Aluar?

— Kaàkur nos contou outro lado da história, um que deveríamos temer o Divino e suas ações.

— O que você sente em seu coração, meu jovem Söllys?

— Que devemos acreditar no que Madros diz. Não sinto em meu coração que os motivos de Netus sejam verdadeiros.

— Então isso já basta. Embora, devo dizer que chegará uma era em que muitos de vocês se revoltaram e iriam contra a aliança do Divino.

— E por que isso iria acontecer?

— Por que é da natureza de cada um, acreditar naquilo que o convém.

Jhuan chegara agora no O Portal, e a deusa ordenou que ele entrasse em suas terras consagradas. Assim o fez sem hesitar em nenhum momento. Atravessou O Portal de pedra, sentindo o mesmo enjôo que antes, mas logo tudo cessou, e não acreditou quando pode sentir o cheiro de grama molhada e a luz de Sölly queimar levemente sua pele branca.

A sua frente viu as belas flores que protegiam a entrada do O Portal, ao qual a mãe de Táro havia lhes dado o deslumbre de sua mágica, no entanto, devido à presença da Dama da Floresta, elas permaneceram imóveis e pareceram murchar, mas Jhuan sentiu que as flores estavam reverenciando a entrada da deusa nas terras consagradas. Ele seguiu ao sul até onde estava o castelo de seu rei, deslumbrando as montanhas, de onde seria o reino dos filhos de Lyha que agora já ficavam distantes. Jhuan estava com fome, e seu cansaço aumentara então ordenou que seu cavalo corresse o máximo que conseguia para que pudessem chegar em casa e descansar.

Ao longe já podia ver as quatro pontas do castelo de Söllaghe e a torre central, onde o rei Madros tinha o seu trono, e via as florestas adjacentes que pareciam estar mais vivas do que quando partiu. A felicidade tomou conta do coração do jovem que soltou um imenso sorriso quando viu outros jovens Söllys treinando no Jardim do Sol, a frente do Castelo. Por um breve momento a fome e o cansaço pareceram sumir, até mesmo em seu cavalo que pareceu acelerar as grandes passadas. Aquela grama lhe era convidativa demais.

— Vejam. É um dos Arknats. – gritou um Sölly que correu até mais próximo do portão de entrada do castelo. Três outros saíram e tocaram grandes cornetas feitas com chifres de gado, anunciando a presença de um dos Escolhidos.

Jhuan desmontou de seu cavalo, e com duas leves batidas no dorso do animal o agradeceu pela ajuda.

— Vá e se delicie com o melhor que nossa terra tem a oferecer. – se virou e subiu a escadaria que dava para o Jardim do Sol enquanto crianças Söllysianas viam lhe abraçar. Elas já tinham conhecimento do que estava por vir e a chegada de um dos Arknats era sinal de esperança. Ou não.

— Um nobre retorna, mas dois estão ainda fora de nossas terras, talvez deva ter uma boa explicação. Seja mais do que bem vindo, jovem Jhuan. – disse um Söllys com armadura prateada de olhos negros. Era Háster, um dos capitães reais.

— Agradeço pelas boas vindas. – disse Jhuan — Trago comigo novidades, mas só irei contar ao nosso senhor. Diga que estou aqui com um dos três deuses.

Háster o reverenciou levemente e se virou, e Jhuan o seguiu, ainda sendo abraçado pelas crianças e alguns outros jovens Söllys que ansiavam por histórias do mundo de fora. O jovem entrou no castelo e fora aplaudido por todos que ali estavam no hall principal. Eram aplausos e gritos de felicidade, pois sabiam que o jovem Arknat tinha noticias. Outros Söllys já brandiam suas espadas nos escudos indicando o sinal de começo da batalha, o que preocupou Jhuan por certo momento. Sabia que todos estavam felizes, mas será que o que tinha a dizer os deixariam assim por muito tempo.

— Veja quem retornou! — Era Madros, com sua imponência costumeira, e ao lado os conselheiros da Tríplice Aliança, Anydes, Rhamos e o seu senhor, Juréd.

Jhuan os reverenciou e subiu as escadas até os seus senhores. Juréd desceu alguns degraus e ao encontro com o seu escolhido, o abraçou, desejando boas vindas. Anydes foi a próxima e logo depois Rhamos, que parecia descontente em vê-lo.

— Diga-me que Táro está bem, meu jovem. – sussurrou Rhamos para Jhuan, que o olhou com total desolação.

— Tudo a sua hora, meu amigo. Primeiramente vamos oferecer ao jovem Jhuan uma boa comida e um descanso digno, quem sabe se banhar com as águas da Cachoeira Cantante?

— Seria mais que um honra, meu senhor. Alias, acredito que um banho seja mais necessário do que a comida em si, embora se possível eu possa fazer as duas coisas ao mesmo tempo seria por demais agradável.

— Certo que seria. Preparem o banho de Jhuan e levem sua comida ao seu aposento. – Madros firmou o olhar para o jovem – E seja bem vindo a Maad!

Notas finais
E então? Assim que o proximo estiver pronto eu posto, não vai demorar. Não esqueça de deixar o seu comentário, e se conhecer alguém que curte esse tipo de historia, indique. Um forte abraço!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.