Guerreiros de Gáler
12 Fome no deserto
Não se via nada além de areia, até mesmo para os olhos aguçados dos Arknats. A areia era branca como a cor de seus dentes, referencia esta feia por Jhuan em certo. Ora eles caminhavam, ora eles montavam em seus cavalos e seguiam por longos percursos, mas o dia ainda reinava. O tempo parecia ter parado definitivamente, já que o sol parecia estar na mesma posição de quando saíram das Terras dos Mártires, agora chamada de Álderi.
– Veja, se Kaàkur é um nome tipicamente oncoriano, agora que ele mudou de lado, seu nome não deveria ser mais, enfim... vocês me entendem, söllysyano?
– Uma ótima questão Jhuan. – disse Káros pensativo – O que você acha Táro?
Mas por mais que eles tentassem Táro nada dizia, apenas seguia com os olhos fixos no horizonte. Estava perdido não apenas naquele imenso deserto, como também em seus pensamentos. Logo, tanto Káros como Jhuan, apressaram os passos e seguiram a frente onde podiam conversar.
– Estou com fome. – sibilou Jhuan.
– Por mais que você sempre esteja com fome meu caro, devo confessar que eu também estou. Ah, aqueles deliciosos porcos d castelo que comemos quando partimos, foi lamentável termos comido tudo tão rápido. Eu deveria ter apreciado mais.
– Minha mãe é especialista em fazer um porco na fogueira com ervas e margaridas rosa.
– Margaridas rosa? Mas são flores, servem para embelezar o ambiente.
– Nós tínhamos uma plantação em frente de casa, mas um belo dia bateu um forte vento enquanto festejávamos o dia da chegada, com toda a nossa grande família de três pessoas, belos tempos aqueles... e eis então que nesse dia as margaridas rosa simplesmente voaram enfeitando todo o local. Ficamos boquiabertos com tanta maravilha, mas infelizmente elas caíram sobre todo o porco. Meu pai sempre foi adepto a novos sabores, e então ele resolveu comer para saber se tinha algum gosto diferente. E ele estava certo. É a coisa mais fantástica que eu já experimentei.
– Um tanto estranho, devo admitir, mas quando eu for a sua casa eu gostaria de experimentar.
– Sinta-se convidado, embora não saibamos se estaremos vivos até lá. – comentou Jhuan desolado – Sabe Káros, no começo eu achei até divertido vir nesta jornada, mas já estou me cansando. Agradeço pelo pior não ter acontecido ainda, Madros deve realmente saber o que faz.
– Deve ser bom ser Madros e ouvir Sölly a todo o momento. Será que ele esta falando ao nosso rei como estamos? – Káros olhou para o sol – Avise Madros que estamos com fome e não sabemos o que fazer, nós estamos perdidos. – continuou ele caçoando de suas situações.
Eles tinham certeza de que se havia passado horas e horas desde que partiram, mas ainda assim o sol ainda estava a pino, como se fosse meio do dia. A areia ficava cada vez mais branca e começava a esquentar demasiadamente o corpo dos Söllys, que por ventura aguentavam por si só grandes temperaturas. Logo Káros e Jhuan tiraram a parte de cima da túnica ficando com a metade do corpo a mostra, e começaram a discutir quem seria o mais forte, já que ambos tinham belos corpos torneados com músculos. No entanto era Jhuan o mais forte, sem sombra de dúvida, ele é o Söllys guerreiro. Mas Káros não se sentiu inferior, ele era dotado de magia e logo sua mente era muito mais ampla. O que preocupava era Táro, que começava a suar naquele momento, e mesmo assim ainda permanecia com os olhos vidrados a frente.
Káros resolveu parar a campanha, dizendo não mais aguentar aquele sol e que precisava fazer algo para aliviar a aflição do calor. Ergueu os braços e mostrou seus dotes mágicos, sibilou algumas palavras e poucas nuvens se formaram no céu, dando a eles um pouco de sombra. Mas continuaram caminhando, ainda quase desnudos. As sombras nunca foram tão bem vindas naquelas horas. Ou seriam dias? Difícil de dizer, uma vez que o tempo nunca fora de fato medido naquelas terras.
A viagem estava cansativa e mais uma vez a fome os trouxeram para a realidade. Jhuan chegou a comentar que Madros era louco por não ter enviado ao menos oito cavalos de cargas com comidas extras e água. Ah, a água! Este precioso liquido começou a fazer falta. Seus olhos começaram a embaçar conforme o corpo desidratava, e as pernas a ficarem bambas. Obviamente não apenas as deles, mas de seus cavalos também, que pareciam relinchar de tanta sede e cansaço. A frente via o mormaço, e naquela areia branquíssima os olhos pareciam arder cada vez mais. Onde estava aquilo que chamaram de noite? Será que naquele lugar a escuridão não podia entrar, ou seria apenas uma artimanha de Netus para enfraquecê-los? Estavam certos que sim.
Mas foi então que Jhuan parou, e desta vez foi ele quem ficou com os olhos vidrados porque viu ao longe algo que os outros não estavam vendo, Káros foi quem percebeu que havia algo errado, então desmontou de seu cavalo e apenas observou. Nesse momento Táro pareceu ganhar vida e então perguntou o que estava acontecendo.
– O que houve com ele, o que ele está vendo? – Táro pareceu perturbado nesse momento. Foi até o amigo e colocou a mão em seu ombro, na esperança de conforta-lo. Mas Jhuan continuava estranho e com o olhar perdido.
– Ele ficou assim de repente, não sei o que pode ter acontecido, alias, ele esta idêntico a você há alguns minutos. – respondeu Káros.
Eles jamais veriam realmente o que Jhuan estava prestes e dizer, porque o que ele via estava aprisionado em sua mente. Ele estava faminto, com sede, era normal ter tais visões.
Jhuan começou a arfar e colocou a mão no peito, como se tivesse sentindo uma forte dor, embora aos olhos de Táro e Káros ele estivesse apenas imóvel. Ele via sua frente à escuridão e no meio dela um pequeno foco de luz que estava sendo causada por uma chama, acima dele estava uma criatura com asas alta e com uma túnica negra. A sensação é que a criatura estava flutuando. Em volta dela havia uma névoa estranha, que parecia arrancar toda a sua felicidade. Em determinado momento a criatura pareceu lhe observar.
– Veja o que temos aqui? Um visitante inesperado. — disse a criatura com sua voz horripilante. Neste momento a criatura pareceu flutuar mais alto, ganhando força, e então deu um salto para cima de Jhuan.
Neste momento Táro e Káros estavam a postos para segurar o seu amigo, que fora arremessado contra o chão, embora eles não soubesse o porquê. Ainda assim Jhuan ficou imóvel no chão com os olhos perdidos na sua frente. Táro neste momento pareceu redobrar a consciência e gritava pelo nome do amigo na expectativa dele voltar à realidade. Káros foi até o lado e pegou a túnica para vestir um amigo, embora estivessem no deserto Jhuan estava gelado, o que deixou seus amigos muito preocupados. Demorou até que Jhuan voltasse ao normal e contasse a eles o que tinha visto, mas logo eles se acalmaram e perceberam que aquilo era algo da mente de Jhuan, que de fato, não tinha acontecido.
– Será que não aconteceu mesmo? – perguntou Jhuan em certo momento. Mas Táro justificou a falta de água para tão evento.
– Eu já passei por esta situação na Montanha Árida, eu fiquei por lá por mais de três anos, até suspeitei do amor que meu pai dizia sentir por mim, uma vez que levou tanto tempo para ele mandar alguém me procurar. Lá existia água, mas era de pântanos, eu jamais teria coragem de beber, então eu via coisas que me assombravam. Foi por este motivo que os aldeões de Aniadu não acreditavam em mim, quando eu disse que a Montanha Árida estava sendo invadida por monstros.
Aos poucos Jhuan foi se recuperando. A ideia foi rasgar um pedaço da túnica dele, e passar por todo o seu abdômen, nuca e rosto, já que estava suando muito, depois torceu o pedaço de pano em sua boca. Foi quando Jhuan reclamou do gosto de seu próprio suor que os outros souberam que ele já estava totalmente recuperado, e então puderam continuar.
O silencio foi cortado numa hora quando Táro espirrou e todos começaram a rir compulsivamente. Não era normal Söllys adultos espirrar, sendo que são sempre tão sadios. Mas Táro, apesar dos sorrisos, ainda guardava o que tinha feito ao seu amigo nas Terras dos Mártires, e ainda se perguntava se o que tinha feito foi o melhor, ou se teria aprovação de seus amigos e de Madros. E se teria obviamente a aprovação de seu pai, sendo Hérkai um filho de Aniadu.
Pelos cálculos de Jhuan já fazia dois ou três dias que eles estavam naquele deserto, o que era muito contestado por Káros e até mesmo Táro, já que para eles ainda não havia passado nem um dia. Mas tais alucinações estavam apenas por começar, o próximo a sofrer foi Káros. Por mais que ele tentasse através de seus poderes localizar o final daquele deserto ele não conseguia. Então em determinado momento, ele começou a chorar de uma forma que seus amigos nunca viram. Káros estava de joelhos quando colocou sua mão no peito e sentiu fortes pontadas. Sua fisionomia passou para o que Madros alertava em tempos antigos. Seus olhos ficaram totalmente negros como a escuridão, seus dentes ficaram maiores, suas unhas cresceram como grandes garras, sua voz mudou ligeiramente ficando um pouco mais grossa enquanto seu rosto mais largo. Esta era a forma verdadeira de um guerreiro Söllys.
Seus amigos tentavam ajudar da forma como podiam. Káros foi capaz de ver a guerra, mas não a que estava por vir, e sim uma guerra mental. Ele foi capaz de ver as terras claras do oeste em chamas, onde Madros fora derrotado e acima a luz do sol destruída por sombras malignas. Foi capaz de ver seus pais serem assassinados de forma cruel, tal qual seus amigos e outros familiares. Mas da mesma forma que aconteceu com Jhuan seu sofrimento terminou e ele pode respirar novamente sentindo um forte alivio.
– É culpa desse deserto, o ar aqui está impregnado de feitiço. – disse Jhuan.
E eles estavam certos do que começaram a desconfiaram, e precisavam sair de lá o mais rápido possível. Mas como sair de um lugar onde para qualquer canto que se olhasse não se via um final, ou até mesmo um resquício de terra? Foi então que eles decidiram parar um momento, e ficaram em circulo observando todo o terreno, na expectativa de que poderiam ver, talvez de diversos ângulos, se havia uma saída.
– É impossível, não vejo nada. – disse Káros.
Táro olhou para o lado, e viu um de seus cavalos se deitar, estava cansado, com sede e com fome, e dos três era o animal que parecia mais fraco. Ele tinha que acabar com o sofrimento dele de alguma maneira. Foi quando veio em sua mente o que acontecera nas Terras dos Mártires, quando ele arrancou o coração do Söllys para dar de presente a Kaàkur. Mas porque ele tivera aquele lapso de memória justo naquele momento? Será que ele teria que fazer algo parecido? Sua emoção falou mais alto naquele momento, no entanto ele teria cometido o maior de todos os sacrilégios e ainda não sabia se sua atitude seria bem vista aos seus amigos de jornada ou até por Madros.
– Vamos sacrifica-lo. – disse Táro.
Káros e Jhuan o olharam neste momento com total desaprovação, e foi Jhuan quem começou a chorar neste momento.
– Um ser belo como esse? Não. Vamos encontrar uma saída, ninguém colocara um dedo nele.
– Mas Jhuan, é o que tem que ser feito, pode ser que levamos muito tempo até encontrar uma saída, e então? Prefere que ele sofra de uma morte agonizante?
– Não Táro, eu não desejo isso, no entanto não aceito que o faça. Ele é forte, ele irá aguentar.
– Ele não vai.
Táro saiu do circulo e foi até o cavalo, e desembainhou sua espada e no momento que iria aferi-la no pescoço do animal, eles ouviram um vento soprar em seus ouvidos. Não era como os ventos das terras de Madros, e tampouco igual ao vento que soprava naquelas terras antes de caírem no deserto. Era mais como um sussurro em seus ouvidos, uma voz harmoniosa que lhes trouxe naquele momento paz.
– O que foi isso? – perguntou Káros.
– Não pagarei pra ver, talvez seja esse maldito deserto...
Táro levantou novamente os braços e fez nova menção em aferir sua espada contra o animal, quando de repente uma forte rajada o jogou para longe do animal Não era nenhum ser mítico, e sim Jhuan que havia conjurado tal feitiço dos ventos. Mas e quanto à voz?
– Esta louco? – vociferou Táro.
– Não, você é que parece estar. Um futuro regente de linhagem pura a cometer tal sacrilégio? Onde está sua sanidade?
– Jhuan, é preciso...
– Não o estou reconhecendo Táro. Você esta diferente.
– Devo concordar com Jhuan amigo. Desde que saímos das Terras dos Mártires... ou melhor, desde que você e Kaàkur saíram daquela sala você está agindo de uma forma estranha. Tem certeza de que não quer nos falar nada?
Táro ficou pensativo.
– Diga-nos. Você nem ao menos permitiu que enterrássemos seu amigo decentemente, o deixou largado naquela sala fria.
– Ele esta morto, o que importa onde seu corpo repousa?
– Táro, você deixou de ser o Söllys que eu conhecia.
– Káros, às vezes nós temos que tomar certas decisões que não sabemos se valerá ou não a pena.
– E que decisões são essas. Fale-nos.
– Eu entreguei o coração de Herkái a Kaàkur.
Os dois Söllys ficaram o admirando com extrema repulsa.
– Eu fiz o que achei que deveria ser feito, não sei se isso valerá no futuro, mas eu acredito que Kaàkur precisava de algo com que pudesse se importar, e o que melhor o coração de um Söllys?
– Você é uma decepção a todos os filhos de Sölly.
Era mais que evidente a decepção nos olhos de Jhuan e Káros, e Táro podia sentir isso cravando em seu peito a cada leve suspiro que dava. Ele fez o que achou certo se fazer, e obviamente isso não seria bem visto aos outros. Eles não precisaram dizer muito, ele já sabia também qual seria a reação de Madros.
– Eu sei que não se justifica, mas isso não vem ao caso neste momento. Fomos incumbidos de realizar uma tarefa e vamos cumpri-la. E quanto a este animal, o que devemos fazer, me diga Jhuan? Conjura o feitiço dos ventos contra mim ao invés do nosso favor.
– Se for preciso farei novamente.
– Se for preciso eu o enfrento. – disse Táro, agora apontando sua espada para Jhuan.
– Quer realmente me desafiar? Se confrontar com um irmão por ele não permitir que você assassine um dos filhos de Sölly?
– Se for preciso, assim o farei.
– Táro, meu amigo, é evidente que você foi corrompido, repense em suas atitudes e não tome uma atitude tão precipitada.
O silencio cortou aquelas terras secas, enquanto um leve deslumbre do que seria um vento cortava seus rostos. Foi então que ele puderam ouvir a voz novamente, um pouco mais melodiosa no entanto com certo sofrimento.
Nada sou até que sou,
não sou se assim posso dizer.
Sibilando entre as nuvens,
tento encontrar o meu novo Ser!
– Quem ousa nos atormentar com essas palavras? – vociferou Jhuan.
– Oras quem mais seria, senão uma grande deusa perdida.
– Será ela uma das deusas? – murmurou Káros.
– Tudo posso ouvir, até seus mais singelos pensamentos e murmúrios nobre Káros. Sou uma deusa sim, das terras além da onde os olhos podem ver. Mas não aqui desse mundo ao qual fui julgada a permanecer.
– É de onde então? Poderia nos dizer?
– Não sei se posso, ou quem sabe eu poderei. Mas antes jovem Jhuan, que sua bravura possa aparecer eu te direi: Táro tem razão em crer no que quiser crer. Pois sinto que ações outrora tomadas em meu mundo, já estão se criando nessas novas terras, então baixe sua guarda e sua espada, ou até mesmo seus cânticos de poder, pois sim eu sou uma deusa, e você jamais poderá me vencer.
– E como teremos certeza de que não pertence às trevas que chegaram a esse mundo? Como não acreditar que seja a senhorita um comandante de Netus?
– Netus tem seu poder, mas tem muito ainda o que aprender. Ele não foi capaz de me prender uma vez, não será agora que irá vencer. Seu linguajar define sua coragem, tão ameaçador que mal posso me conter. Mais ainda não sei se posso confiar em vocês. Antes de dizer quem sou, uma vez que ainda não sou ninguém, digam nobres viajantes, de onde são vocês?
– Com toda certeza e clareza sua voz não remete nenhum mal. – disse Táro – Somos das terras de Madros.
– Creio que agora posso entender um pouco mais. Madros não é mesmo? O primeiro entre tantos que através da luz de Sölly ganhou vida. Mas ainda não entendi o que fazem tão longe de suas terras?
– Estamos, a seu pedido, a procura de três deuses perdidos.
– Perdidos? Mas vocês me encontraram não foi? Creio então que agora tudo faz sentido. Madros teme que sejamos encontrados pelo difamador, e que ele possa nos submeter aos seus castigos e profanações, nos tornando aptos a lutar na guerra a seu favor. Sim. Não digam mais nada. Agora eu sei quem sou, ou melhor, quem eu era. Uma deusa em Alunàr, tão longínqua quanto os confins do universo. Habitado apenas por seres dignos a perfeição do Divino. Mas ainda não entendo o que faço nessas terras. Como vim parar aqui, é uma questão a se pensar. Mas ainda não é o momento. Diga a seu rei que estarei ao seu favor. Ou melhor, deverá ser você jovem Jhuan a partir neste momento e dar este meu recado.
- Devo discordar senhorita, não podemos nos separar e já estamos com problemas demais aqui nestas terras. Seria arriscado!
– Não tema jovem Káros, Jhuan é forte e voltara com vida. Estas terras ainda estão a ganhar vida, muito ainda precisa ser criado, embora a magia não funcione muito bem como em Alunàr. Não tema Jhuan, faça o que te peço, te guardarei até que chegue com vida. Mas a jornada a você termina aqui.
– E eu poderia perguntar o motivo de ter terminado?
– Eu vagava por essas terras antes mesmo de vocês nascerem, e nunca encontrei nada alem de pó e terra seca. Embora eu sinta algo vivo ao norte, nunca me atrevi a ir até lá. Naquele lugar já existem habitantes. Habitantes desconhecidos de vocês, embora ainda irmãos de criação. Mas existe algo por lá que os protege. Um pouco antes existe uma massa de escuridão, não cruel como as que Netus carrega em sua cabeça. Mesmo sendo quem agora sei que sou, fiz bem em não ir até lá, ao menos não se fez necessário ainda. No entanto vaguei por todos os cantos em busca de vida, e nada. Até que senti algo. Eu senti você. E embora eu saiba o motivo eu não posso neste momento te dizer, sou por enquanto apenas uma voz, e por assim ainda ser, me resguardo. Não faça tantas perguntas Jhuan. Siga para o abrigo de seu rei e não tema. Será melhor, eu posso garantir. Estarei guiando seus passos. Táro, quanto a você eu digo. Não vou puni-lo pelo o que iria fazer porque é passível de entendimento, mas não o faça, ele agora pertence a mim, assim como todas as plantas, animais, e até mesmo o ar que vocês respiram. Tenha uma pouco mais de calma e siga a frente, logo terão um pouco de descanso. Agora vão, pois estou cansada, e preciso pensar. Estarei contigo Jhuan, e não olhe para trás.
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