Guerreiros de Gáler

6 Protetoras do O Portal


Notas iniciais
Bora para mais um capítulo.

Já passava da hora do almoço quando os nobres Arknats avistaram ao longe uma imensa montanha. Como dita nas histórias, seria ali o local habitado pelos filhos de Lyha. Bem mais ao longe, via-se outra imensa montanha, onde já se sabia que criaturas de grande poder também seriam criadas e abençoadas pelos Lyhas, nome dado ao povo da deusa Lyha.

— Vejam meus amigos, ao longe, ali está O Portal, local sagrado que abrira caminho ás terras desconhecidas de Gáler. – disse Káros — Talvez devamos...

Não houve necessidade de continuar a falar, já que tanto Táro como Jhuan ordenaram aos seus cavalos que fossem até o local rapidamente, deixando Káros para trás. Rapidamente todos chegaram e contemplaram O Portal. Havia ali um grande arco de pedra, enfeitada com lírios e folhas douradas, tinha também um grande jardim de flores amarelas e vermelhas à frente. O arco era magicamente iluminado pela luz do sol e trazia extrema paz aos Arknats.

Eles desmontaram de seus cavalos, e seguiram até próximo a ela. Os pássaros cantavam enquanto uma leve brisa assoprava em seus corpos. Táro foi quem circundou o arco primeiramente, não entendendo que tipo de magia aquela estrutura de pedra tinha, já que tudo parecia tão normal. “Era como uma janela”, ressaltou Jhuan, seguindo o amigo. Káros ficou apenas de frente observando e estudando as flores e a forma como elas dançavam com a brisa.

— Será que precisamos dizer algumas palavras, algum tipo de feitiço para conseguirmos ver o que está do outro lado? – perguntou Jhuan.

— Eu receio que não. Talvez tenhamos apenas que atravessar. – respondeu Táro.

— Mas quem será o primeiro? – perguntou Káros.

— Deixo essa para o futuro rei de Aniadu. – disse Jhuan ironicamente, zombando do posto de seu colega de jornada.

— Muito bom amigo você, Jhuan. – respondeu Táro rindo.

Táro ficou ali observando atentamente a estrutura de pedra, tentando ainda entender como tal artifício poderia funcionar ao seu favor. Ele jamais soubera como ela funcionava, e muito menos, o senhor Madros deixara escapar alguma informação sobre ela. Sabia-se que atravessar para o outro lado, pelo O Portal, traria riscos... isso por que jamais outro Söllys tentara tal façanha. Logo, dependeria deles arriscar e acertar a forma de fazer, para que outros fossem capazes do mesmo feito. Táro ainda pensava quando Káros se aproximou com uma afirmação pertinente.

— Vejo algo de diferente à frente do O Portal. – disse ele.

— E o que seria? – perguntou Jhuan olhando apreensivamente para ela na ânsia de ver algo.

— As flores. São muitas e em todos os lugares, no entanto em frente ao O Portal existe apenas aquela. – e Káros apontou para um lírio solitário.

— Será que a magia se encontra naquela única flor? – perguntou Táro.

— Só saberemos se tentarmos...

— E como faremos isso Káros? – perguntou Jhuan.

A resposta não era obvia, no entanto entre os três, o único que adorava desafios era Táro, logo sobrou a ele tal missão.

Ele se aproximou do lírio e firmou seu pensamento, lembrando das falas de seu senhor Madros, e o imaginou. Sabia que seu majestoso rei poderia falar através de seus pensamentos. No entanto, nenhuma resposta veio e a pergunta ainda se fazia presente.

— Tente tocá-la! – disse Jhuan.

O príncipe de Aniadu então se abaixou e esticou sua mão até o lírio, e eis que algo mágico aconteceu. Algo que até então, mesmo sendo do cotidiano dos Söllys, jamais havia acontecido.

Um vento soprou do leste, e pareceu focar sua direção diretamente na flor. Um fino raio de sol a iluminou e ela pareceu ganhar vida, ficando ofuscante e aumentando seu tamanho. Eis que logo, a flor, pareceu ganhar a forma de uma bela dama, que girava enquanto um belo vestido branco ganhava forma. Seus cabelos escuros trançados foram se modelando conforme toda a silhueta que se criava. Uma forma translucida e bela de uma Söllysyana de aparência amável e olhar penetrante. Táro não chegou a conhecê-la pessoalmente, ao menos mal se lembrara dela, mas soube naquele momento de quem se tratava. Era sua mãe, outrora viva, agora uma protetora do O Portal.

— Não posso acreditar! – sussurrou ele a si mesmo, em espanto.

Tão misteriosa aquela aparição em volta deles, as outras flores foram ganhando vida, e da mesma maneira se transformaram em outras belas damas. O encanto e fascínio de todos, os calou por breves momentos, e até lagrimas insistiam em brotar no canto de seus olhos.

— Táro, meu filho! – disse ela, docemente.

— Por toda uma pequena vida, desejei vê-la com meus olhos, e não através de meus sonhos, e agora que eu a vejo ainda me sinto preso a eles... – disse o príncipe embargado.

— Em momento algum, seja nos seus sonhos ou fora deles eu deixei de estar presente. É uma promessa ao qual eu fiz ao nosso senhor antes de decidir partir. – disse ela.

— Posso tocá-la?

—Receio não ter esse poder, mas posso acalantar seu coração se assim desejar. Você é meu filho, o que mais eu serviria se não a isso, além de amá-lo?

Táro caiu no chão, ainda deslumbrado com a visão de sua mãe, mesmo que não carnal. Era como seus sonhos, só que diferente, era real.

— Somos mães que escolhemos nosso destino para proteger nossos filhos e resgatá-los quando for necessário. – disse outra dama que se aproximou, levitando.

— E o que acontece a aquelas que não escolheram tal fardo? Nós seremos penalizados? – perguntou Jhuan.

— Jamais, pois quando escolhemos a isso, nos tornamos mães de todos, e sempre estaremos lá. – disse a mãe de Táro, que agora olhou para o seu filho.

“Madros, nos disse sobre a missão dada aos chamados Arknats, e caberá a nós os guiar através do O Portal. Como mães, não podíamos apenas liberar a passagem, sem ao menos alertá-los sobre os riscos antes não mencionados. Logo prestem atenção, pois o tempo é curto e nossas forças podem desaparecer a qualquer momento.”

Todos se puseram a ouvir.

— Netus, o senhor do submundo deseja Gáler. Isso todos já sabem. No entanto seu empenho maior é a entrada a essa terra, uma vez que a outra, já esta sob seus domínios. A única forma de entrar é através do O Portal, que cabe salientar, nunca foi usada antes. No entanto, a partir do momento que vocês atravessarem, Netus saberá sua localização e uma guerra de proporções homéricas será instalada á nossa frente. Mas até que ele tenha tal poder, vocês, deveram encontrar três deuses enviados e adormecidos por nosso grande senhor. Mas não achem que será fácil. Netus sempre soube dos planos de nosso mestre, e está em busca de todos os três.

Nesse momento, a mãe de Táro se afastou e tornou a virar aos Arknats. Com um leve movimento com a mão, ela criou folhas que começaram a circular a sua silhueta.

— Um deles, é uma deusa. Seu poder? Criar lindos campos onde antes a terra sucumbiu ao sangue. – com a outra mão, e o mesmo gesto, algumas pedras levitaram e a rondaram — O outro, um grande senhor de pedras preciosas, onde a entrada de uma mina guarda um terrível mostro. – ao unir as palmas, eles viram se formar uma nuvem tempestuosa — O terceiro e não menos importante, reina o tempo, e as águas da fronteira do norte.

“Cada um deles responderam apenas a cada um de vocês. No entanto, não se deixem enganar pelas artimanhas de Netus, pois ao atravessar O Portal, ele saberá de seus planos, e de seus passos. Apenas tenham cuidado para que as trevas não os dominem.”

Táro ainda estava encantando com sua mãe.

— Tenham cuidado. – disse ela olhando a Káros e Jhuan – E quanto a você meu filho... eu jamais o abandonarei.

Nesse momento, a mãe de Táro elevou-se mais do chão, e sua luz ficou um pouco mais intensa, as outras mães fizeram o mesmo, e rapidamente se aglomeraram em frente aos Arknats, e como numa explosão, todas partiram para dentro do O Portal. Ali como numa fusão dos elementos, a energia foi se condensando até formar uma pequena bolinha de luz, que explodiu novamente, fazendo com que os exploradores fossem arremessados no chão. Ao se levantaram eles perceberam um véu cobrindo O Portal. Uma fina cortina translúcida que se bem focada, poder-se-ia ver algo de diferente. O outro mundo.

— Ainda insisto... – disse Káros — Quem será o primeiro?

Táro, ainda atônito com o acontecido, se levantou e seguiu passando pelo O Portal. Uma náusea tomou conta de seu corpo e tudo pareceu girar. Ele estava com medo, mas sentia necessidade de continuar. Fechou os olhos e acelerou os passos até que por fim a péssima sensação cessou, e ele abriu seus olhos, que custaram em acreditar no que via.

Gáler era linda. Mas aquela não era a sua Gáler. Aquele lugar era diferente. Não ventava, não tinha flores e nem uma grama fofa. Havia poucas árvores, ou o resto delas. A terra parecia ser feita de sangue seco e o cheiro o atormentava.

— Jamais imaginaria um lugar como esse. – disse Jhuan às costas de Táro.

Káros se aproximou com seus cavalos, também afoito com o que via a frente.

— Não pode ser Gáler! – disse ele.

— É o lado habitado pelas trevas. – disse Jhuan.

— E o senhor Madros espera que nós curemos essa terra?

— Lógico que não Káros. – disse Táro – Mas os deuses podem, por isso precisamos encontrá-los.

O Portal atrás deles se fechou, e aquela grande estrutura de pedra, parecia pequena com a magnitude daquele lugar, que logo os Arknats nem deram mais importância a ela. Jhuan olhou para todos os lados, para gravar a posição em que eles estavam, pois eles sabiam que para voltar, precisariam passar pelo O Portal novamente, e como aquele era um lugar novo, eles temiam se perder.

Este novo lugar era diferente do que vinha na imaginação de todos, principalmente na visão de Táro, que dentre os três era o único que sempre conseguia ir mais longe com sua mente. No entanto, ele temia aquele lugar, até então sem um nome, mas sabia que precisaria agir rápido, pois tal lugar não poderia ser desabitado e frio sem de fato, nenhuma vida.

E por onde vamos começar? – perguntou Káros — Sua mãe pouco falou sobre onde estão os deuses.

— Era de se esperar que falasse se dissesse não seria uma busca. – disse Jhuan.

— Vamos apenas seguir em frente, e pedir para sejamos abençoados em nosso caminho.

Ao lado via-se um grande vale, com pequenos brotos pútridos do que seriam belas árvores, abaixo de uma pequena colina. Eles resolveram passar por aquele vale, e seguir, já que Jhuan tinha certeza de que estava sentindo cheiro de água. Então montaram em seus cavalos e seguiram adiante.

Notas finais
Queria agradecer a você que está acompanhando a história!