Notas iniciais
----- Quanto a pronúncia dos nomes. Cárin - Cárin Neycok - Neicoque Maedi - Maedi Toekok - Toecoque Kárian - Kárian Bësto - Bêsto Ízira - Izira Nádeyn - Nadein Lákeryn - Láquerin Kèo - Quéo Maledrin - Maledrin Ikáu - Icáu Tékyok - Téquioque Bian - Bian Anydes - Anides Juréd - Jurédi Rhamos - Ramos Jhader - Jader ------ Cidades Andropes - Andropes Amapes - Amapes Aniadu - Aniadu -----Castelo de Madros Söllaghe - Sôlage

Aquela majestosa voz ecoou por todos os cantos daquele lugar iluminado pela luz no alto da maior torre do castelo. Todos os soldados então ganharam vida. Um primeiro sopro fez com que muitos caíssem no chão, em busca de auxílio para se erguer. O vento ainda soprava para longe em busca de lugares onde a luz ainda podia reinar, e assim se estendeu até além de onde os olhos de Madros puderam enxergar. Sua visão aguçada lhe mostrara um mundo, além disso, onde também um enorme castelo negro era construído, a base de sombras e fogo. Era ali o lugar onde Netus escolhera para trazer sua legião de malditos, aquele lugar outrora abençoado pela deusa Lyha. Era aquele lugar que sua visão e mente almejava destruir. Como um impulso involuntário de seu corpo, o alto rei de Gáler rugiu como um leão, mostrando seu poder, mostrando quem ele realmente era.

Do outro lado, nas terras escuras e pecaminosas de Netus, o vento soprou e logo cessou. O Difamador soubera então que aquele lugar não seria dele, se ele não lutasse. Ele já havia ganhado sua forma física, embora ainda não estivesse totalmente composto por carne, como os seres criados por Sölly. Uma criatura humanóide com uma capa roxa, ainda esquelética com uma imensa coroa pontiaguda, segurando um enorme cajado feito de ossos. Ele apenas observava, no alto do castelo, com um semblante de ódio e amargura.

— Ergam-se criaturas do Oncor e contemplem sua nova morada. – disse ele, com sua voz austera e gélida, erguendo seu cajado.

Nas terras já dominadas pelo fogo, lavas de um vulcão brotavam da terra, e dali, sombras com asas surgiam, e assim como criado por Sölly, formas físicas também foram ganhando vida. Não tão belas e puras, mas sujas, necrosadas e horrendas. Netus sabia o que estava por vir. Mas ele era o Difamador, e iria lutar com aquilo que acreditava. Ele se igualava ao Divino, tanto em força, como em sabedoria.

Do outro lado, a luz ainda reinava e brilhava intensamente, a ponto de cegar os próprios guerreiros de Sölly. Tudo ainda estava sendo criado, e a luz de seu deus, no alto do céu, ajudava a estabilizar a visão de todos. Nas gramas surgiam flores. Árvores. Uma imensa cachoeira em uma colina próximo a eles, criando um extenso lago, que cortou caminho até atrás do castelo.

Madros ainda observava ao longe a criação de Netus, e por mais que seu primeiro sentimento surgisse que era o ódio, ele acalmou seu coração. Virou o olhar para o céu, e contemplou seu deus, e sentiu força. Ele se virou e ficou atento aos seres ainda ajoelhados, ganhando vida.

— Acalantem seus corações. A dor da vida logo cessará. – disse ele, caminhando entre seus soldados.

Ele nada mais disse durante todo o percurso, até o castelo. Apenas observava e raramente tocava em um ou outro soldado que se levantavam já certos do que diriam.

— Cárin, meu senhor. – disse um soldado loiro, de belos olhos negros.

— Neycok, meu senhor. – disse outro, de pele escura, e extremamente forte.

— Eu sou Maedi, meu nobre senhor. – disse outro.

— Toekok!

— kárian!

— Bësto meu senhor, ás suas ordens.

Conforme levantavam, cada soldado dizia seu nome, pois a primeira palavra de um soldado de nada significava aos outros, pois o nome escolhido era de importância única e somente a eles.

— Ízira! – disse uma mulher.

— Nádeyn, meu rei! – disse outra.

— Lákeryn. – mais uma.

Madros ainda caminhava, mas neste momento não tocou em mais ninguém. Já sabia ao certo a função de cada um deles. Ele se virou.

— Seus nomes denotam nobreza. Não a de um rei, ou rainha, mas sim de um soldado fiel ao vosso rei, deus e ao Divino. – disse ele calmamente – Ajudem aos outros e forcem para que ditem seus nomes, pois um Söllys sem um nome, ainda não é um soldado do deus guerreiro.

Todos então caminharam e tocavam nos soldados ainda sem fôlego. Cada toque, um ser anunciava seu nome. Cada toque, um novo soldado se fortalecia.

— Kèo.

— Maledrin.

— Ikáu.

— Tékyok.

— Bian.

O alto rei de Gáler parou mais uma vez e observou o céu. A luz do sol ainda queimava sua pele branca, e seus olhos agora estavam brancos tais como a nuvens. Os soldados de Sölly estavam cada vez mais altivos, e agora urravam como Madros fizera ao ver as terras das sombras. Tornou a andar sentindo a firmeza nos pés. Parou. Viu ao lado um graveto e o pegou. Estudou tal material e levou consigo o protegendo na manta que cobria todo o seu corpo.

Sim. O vento que ainda soprava e a luz do alto da torre emoldurava mantas, túnicas e vestes de guerra aos recém criados. Vestes azuis, verdes, de tons mais fortes para alguns. Para algumas Söllys tons mais claros. Mas não as vestes de nosso alto rei. Branca, folheada com linhas douradas. Logo surgiram botas, e no alto de sua cabeça uma coroa de três pontas cravejada de diamantes.

— Os três reinos de Gáler eis que serão Andropes, regido por Anydes. – logo uma bela moça se aproximou de Madros – Amapes, regido por Juréd, — um rapaz — e Aniadu por Rhamos. Sigam o caminho por detrás da colina, seguindo pela encosta que já está visível. Saberão os lugares onde devem habitar. Quanto aos outros, quem quiser se juntar a eles, devem apenas seguir os regentes de Gáler. Ao chegar às suas terras olhem ao céu, e aguardem que nosso senhor Sölly trará uma morada á todos. Vão em paz, pois onde a luz de Söllaghe alcança o mal não pode dominar.

Nesse momento grandes legiões de soldados começaram a andar e seguir os regentes de Gáler. Cada grupo seguindo o seu mestre à frente. Madros tornou a caminhar e a seguir rumo ao seu castelo.

— A luz em Gáler se fará presente por tempo indeterminado, ou até que a escuridão criada por Netus seja literalmente levada para as profundezas das montanhas. Nós protegeremos este lugar com garra, virilidade e astucia. Somos criações de Sölly, pois somos guerreiros. No entanto, vocês são meus filhos, — dizia ele aos outros que o seguiam – e como pai, lhes dou graças e sabedoria, força e longevidade. Mas não a imortalidade, pois nem mesmo eu serei capaz de viver por tanto tempo. Seus ouvidos e olhos e músculos ganharam força. Seus reflexos aumentaram. Suas destrezas serão aguçadas. Seus sentimentos, agora já estão criados. Suas habilidades em manuseio de armas já estão aperfeiçoadas. Seus sentidos já estão focados no que devem fazer. No entanto, como alto rei de Gáler, lhes dou nesse momento uma habilidade essencial. Saberão do futuro que os aguarda, e assim serão impetuosos em realizar aquilo que fora pedido. Ouviram á mim e eu saberei o que vão pensar, no entanto, não terão a capacidade de fazer o mesmo, pois isto cabe ao rei e a ninguém mais. Vocês irão dançar, cantar, se divertir a cada batalha ganha. Irão se amar, se respeitar, mas também terão voz ativa e sentimentos contrários, e serão entendidos por isto. Pois cada Söllys é cada Söllys. Terão a habilidade de criação. Alguns lutarão. Alguns servirão. Outros, porém, irão ensinar. Mas sempre aos meus olhos, e aos olhos de nosso deus, o grande Sölly. Assim sou, pois eu sou seu primeiro.

Madros já estava próximo à entrada do castelo. Havia um imenso jardim verde a sua frente e logo ali uma grande sacada que levava a outro jardim, de fronte a porta.

— Este lugar receberá um nome, mas ainda não sei qual.

— Jardim do Sol. – disse um jovem soldado, com armadura dourada e um elmo que lhe cobria todo o rosto. No topo deste, três pontas fazia menção que ele seria um soldado de Söllaghe.

— Agradeço pela sugestão, e é bem vinda aos meus ouvidos. – disse Madros – Muito do que está ainda sendo criado não tem um nome. Aos que sentirem vontade de pronunciar, sejam claros e assim será. Este é o Jardim do Sol, onde festas e grandes reuniões serão bem vindas. Logo atrás temos um rio, e qual seria o nome dele?

— Percebo meu senhor, um som doce e angelical vindo a leste. – disse um soldado. Uma voz melancólica e serena que causava arrepios e tranquilidade ecoava por aquele vale.

— Pois sim meu caro rapaz. Como devemos chamá-la? – disse Madros – Aguce sua audição e visão e veja. Anuncie o nome.

O rapaz prestou atenção por algum momento.

— Podemos chamá-la de Cachoeira Cantante.

— Que assim seja. Logo à frente temos um lago...

— Lago Söllys meu senhor. Visto que passa por detrás de nosso majestoso castelo, e não em outros reinos.

— Um belo nome, e digo mais, sua água trará paz. – disse Madros – Logo à frente temos árvores.

— Solitárias. – anunciou outro.

— Árvores Solitárias. – disse o rei – Lá irá morar uma deusa, ainda para ser reconhecida. Mas fará de Gáler um lugar cheio de verde, e belos animais.

— Senhor eu vejo um enorme Vale Verde.

— Um campo extenso e sereno. Será lá que nossos cavalos descansarão. – disse o rei apontando para um ponto distante onde se via os cavalos, criados junto com eles, já se alimentando.

— Aquelas colinas meu senhor, poderia nos dizer o que seriam? – disse outro jovem rapaz. Mas este vestia uma túnica, e não uma armadura.

— Lar dos Anjos Dourados, ainda não criados por nosso senhor. Mais a frente um novo reino chegará. Mas ainda é cedo, pois ainda a escuridão habita onde este será criado.

— Seremos apenas nós meu senhor?

— Não, outros além destes virão com o tempo. Iremos como guerreiros de Gáler, afugentar os servos de Netus, o Difamador. Vejam meus filhos... Ali em cima reina uma luz única em toda Gáler. É um pedaço de nosso deus, em terra. Ao oeste alguns de vocês irão minerar ouro, ferro e diamante. Destes, grandes armas serão criadas e serão banhadas naquela luz, onde ganharão poderes contra as trevas. Tais armas serão únicas e quando o seu dono sucumbir a morte, elas irão desaparecer. Muitos de vocês só terão a força necessária se criarem ligação com nosso senhor. Mineradores, assim estes serão chamados. E aqueles que assim quiserem ser, já podem seguir e minerar. Mas cuidado com o fogo. Este fogo será usado para o nosso bem, e é diferente do fogo criado por Netus, é algo que já vem deste lugar, mesmo assim é tão perigoso quanto.

— Senhor, eu sinto uma vontade enorme de estar em outro lugar. Sinto um reino ao qual o senhor ainda não mencionou. – disse outro jovem rapaz, também com vestes ao invés de armaduras.

Madros focou seu olhar ao longe.

— Este é Tráveu. Onde seres puros acabam de ser criados. Mas não devemos ir até lá. Não é o momento meu jovem Jhader.

Ainda centenas de soldados estavam sendo criados e conforme iam ganhando forças nas pernas, outros já comentavam sobre as descobertas narradas pelo senhor Madros, que ainda era jovem.

Uma multidão seguiu ao oeste, já festejando pela graça e obrigação cedida e aceita voluntariamente. Eram mineradores. Outros optaram por partir para as florestas, ainda em criação em Gáler, para se tornarem exímios curandeiros. Outros iriam domesticar os cavalos, e assim seguiram até onde eles estavam. A outros fora dado à chance de serem mestres das forças da natureza. Outros teriam a capacidade de induzir o passado nas mentes dos mais jovens. Alguns partiram mais ao oeste, onde seriam ferreiros. Assim como os caçadores para alimentar a todos. Jardineiros e mestres em hortaliças. Muitos optaram por serem guardas e já estavam assumindo o posto defronte a entrada do castelo. E uma grande parte desejava apenas serem soldados, embora já se soubesse, pois eram fortes e altos. Já tinham em sua aparência, orelhas pontiagudas, dentes ferozes e garras, mesmo assim ainda continuavam belos.

— Eis que belos Söllys criaram a música. – disse Madros.

E então se ouviu ao longe dezenas de belas vozes, tanto masculinas e femininas cantando em coro.

— Eis que belos Söllys serão exploradores. – continuou Madros.

E então, outras dezenas deles, saíram do meio da multidão em busca de novos lugares.

— Outros serão guardiões de um lugar chamado de O Portal. Tal lugar trará um elo entre nosso mundo protegido pela luz, e o mundo de Netus. Vão até lá e protejam a entrada. Este lugar fica próximo às colinas, no entanto não será eterna a proteção de vocês, pois aquele lugar será protegido por aquilo que chamarei de mãe, visto que apenas o amor delas pode banir a escuridão que nos cerca. – disse ele.

Tudo em Gáler ia ganhando forma conforme Madros anunciava, e a cada minuto que se passava mais e mais Söllys eram criados pelo vento e pela luz no topo do castelo.

—Cárin, Neycok e Maedi. – os primeiros Söllys tocados por Madros – Vocês serão meus conselheiros. Principalmente você Maedi, que terá muita importância no futuro.

— Que assim seja vosso rei. – disseram todos.

— Eis que Gáler está criada. Reinos, funções, seres e principalmente vida. Aos que sentirem necessidade de entrar no castelo, sejam bem vindos. Aos outros, andem e conheçam nossas terras. Construam suas moradas e procurem por uma família. Sentirão a quem devem ter ao seu lado com um toque. E assim que tivermos concluído e os reinos regidos estiverem prontos, que as armas tiverem criadas enfrentaremos Netus. Mas não por enquanto. Ainda levará tempo.

Notas finais
E então? Será que rola uma ajuda no comentário? Um forte abraço. Bora pro próximo.