Notas iniciais
Era para eu ter postado esse cap ontem, mas a net tinha que dar suas caidas ¬¬. To começando a achar que isso ta me perseguindo, nem estou em casa e isso aconesse. bom não tenho muito tempo por isso aproveitem a fic.

Guerreiros das Esmeraldas.

Sua mãe a levou até o quarto que compartilhava com ela e com seu pai.Tinha um banheiro no quarto e sua mãe o deixou nele pedindo que tomasse um banho para tirar a sujeira da terra que tinha debaixo da neve e assim poder descansar, já que o sol estava quase surgindo. Não disse nada sobre o que tinha visto na carta que Manic tinha recebido, foi direto para o banho demorando não mais de cinco minutos para terminar e colocar um vestido azul escuro para ficar um pouco mais confortável. Saiu do banheiro e se sentou na cama abraçando seu pequeno ouriço de pelúcia enquanto olhava para a janela que tinha do lado da cama, procurando na noite perto de acabar a silueta daquele ouriço. Por alguma razão sentia que ele era importante para seu futuro.

Sentiu como a cama se movia ligeiramente e sabia que sua mão estava sentada atrás de si. Ela esticou o corpo fechando a cortinha da janela e logo depois se ajoelho atrás da pequena pegando delicadamente no cabelo da mesma e penteando-o com cuidado e delicadeza enquanto cantarolava uma pequena musica que ambas gostavam. Adorava quando sua mãe fazia isso, a relaxava e a fazia se esquecer de todos os problemas que tinha antes e ficava concentrada apenas no leve toque dos dedos de sua mãe em seu cabelo, mas também sabia que isso só podia significar que sua mãe também estava nervosa.

— Algum problema mãe? – perguntou dando a volta para ficar de frente para ela. Era estranho estarem sozinhas no quarto, seu pai normalmente ficava junto delas sempre mesmo que parecesse que nem estava ali já que ficava calado apenas observando as duas brincarem e conversarem. Agora tudo parecia ter mudado e não queria imaginar se era para uma coisa ruim.

Sua mãe negou com a cabeça e passou os braços por seu corpo a pressionando contra o busto de sua mãe. Primeiro se sentiu confusa pelo ato, mas logo fechou os olhos e se deixou relaxar por aquele abraço tão carinhoso onde sua mãe praticamente a fazia desaparecer entra seus braços e a acariciava levemente na cabeça. Maria a ajeitou em seu colo dando ligeiros beijos na cabeça de sua filha, e isso a tranqüilizava, mas ao mesmo tempo aumentava suas suspeitas de que algo de errado estava acontecendo. Sabia que sua mãe não ia falar nada do que estava acontecendo para não preocupá-la, então talvez fosse sua chance de perguntar outra coisa.

— Mãe. – chamou levemente enquanto a mesma apenas soltava um leve “hum” informando que estava prestando atenção. – Você já sonhou?

— Quando era humana costumava sonhar todas as noites. – comentou a ouriça loira, mas sabia que não era isso que sua filha se referia – Mas quando vampira isso nunca aconteceu.

— Você me acha estranha por poder ter sonhos? – perguntou a garota um pouco temerosa levantando ligeiramente a cabeça para ver a expressão de sua mãe. Mas tudo o que viu foi um sorriso carinhoso no rosto dela, com os olhos brilhando cheios de amor.

— Claro que não te acho estranha. Você é meu pequeno presente dos seus e nunca poderia achar uma coisa dessas de você. – falou dando um pequeno beijo na testa da garota logo em seguida. Acariciou o rostinho dela e a alinhou mais contra si sorrindo levemente. – Você é especial Yin, e não quero que confunda isso com estranho.

Yin voltou a se acomodar no peito de sua mãe, sentindo cada caricia que ela fazia em sua cabeça. Ficara feliz com o que ouvira de sua mãe, mas mesmo assim não conseguia convencer a se mesma que era especial. Em sua cabeça só conseguia pensar nas varias coisas que tinha de estranho. Primeiro, sonhava, segundo, tinha o poder da escuridão e da luz e por ultimo bebia um sangue diferente do de todos já que já havia provado um pouco do que eles bebiam e o gosto era diferente. Bom, a única coisa que tinha a fazer para não receber a mesma resposta era deixar para lá.

— O que esta acontecendo para o papai não estar aqui? – perguntou a garota. Onde estava a sua tão doce mania de falar “pergunta” antes de perguntar? Simples, havia ido embora junto com sua tranqüilidade. Talvez voltasse, mas quando a sua curiosidade para coisas estranhas diminuísse.

— Resolvendo uns assuntos, logo ele vem. – respondeu ainda acariciando levemente a cabeça da garota. Cada vez parecia que ela estava mais nervosa, seja o que for que estivesse acontecendo não parecia ser uma coisa muito boa. O medo que sua mãe sentia passava para seu corpo quando percebeu que ela estava ali como uma despedida ou um aviso de que algo estava prestes a acontecer. Não queria perder todos aqueles que mais amava, os únicos que a faziam sorrir como sorria agora, mas com essa atitude de sua mãe tinha medo de que isso fosse realmente acontecer. Se apertou mais contra ela e segurou a blusa que ela usava com força e, se fosse possível não queria deixar de estar assim nunca.

— Mãe. – chamou novamente, só que dessa vez com a voz abafada pela ânsia de chorar e por tampar o rosto na blusa da mesma. – Você e o papai não vão me deixar né? Sempre estarão aqui.

— Claro pequena. Não importa o que aconteça estaremos do seu lado. – falou Maria apertando mais sua pequena filha contra si. A união deles era tão grande que sua pequena podia sentir o medo que sentia de deixá-la caso algo acontecesse, como tinha ocorrido cinco anos atrás. Uma pequena lagrima escorreu por seu rosto enquanto um sorriso triste tomava sua face. – Agora descanse minha linda, estarei do seu lado quando volte a abrir os olhos. Sempre estarei.

Ainda um pouco temerosa a garota fechou os olhos deixando que mais uma vez aqueles estranhos sonhos voltasse a tomar sua visão. Dessa vez era o mesmo sonho de sempre, o que se encontrava com aquele homem encapuzado tão estranho. Ainda se sentia um pouco bem na presença dele, mas dentro de si sabia que ele queria lhe informar sobre alguma coisa, só queria saber o que era...

-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-

Caminhou rapidamente pelos corredores, subindo e subindo escadas e mais escadas para chegar ao local que os outros estavam. Seu olhar estava serio e mais do que nunca preocupado. A noticia que tinha recebido não era nem um pouco agradável, nem chegava perto do agradável. Como agora formavam uma equipe especial para controlar o que acontecia com os Dark Chaos, por serem, claro, os primeiros a ter lutado contra eles quando estavam voltando, estavam a cargo de impedir que essas coisas voltassem para seu mundo e agora que tinham os controladores do caos isso parecia uma coisa simplesmente fácil, pelo menos era o que todos achavam. Ah! Mas como estavam enganados!

Entrou no quarto que ficava no topo da mais alta torre do castelo percebendo que era a única que faltava para começar a reunião. Tinha se distraído muito com sua pequena e custara a sair de perto dela. Novamente, depois de tanto tempo, aquele medo de perder tudo tinha voltado, mas não era hora de fraquejar, tinha que ser forte e ajudar seus amigos a proteger aos pequenos que eram agora o mundo de todos.

Se colocou do lado de seu parceiro e mirou os outros. Assentiu levemente informando que a reunião podia começar e com isso Manic chamou os outros dois lideres das raças para assim pudesse discutir sobre o que estava acontecendo. Sentiu como dois braços passavam por sua cintura quando a chamada ainda estava para ser aceita. Sabia muito bem quem era e talvez soubesse até mesmo a pergunta que ele faria.

— Como ela esta? – é, estava certa sobre a pergunta e sorriu ligeiramente ao ouvi-la. Ele tinha ficado muito apegado a Yin quando ela nasceu, sempre a afastando de tudo e todos para que ficasse bem, sempre tentando ficar o mais próximo dela possível. Ainda se lembra das varias vezes que o pegara descansando abraçado a pequena, era uma cena muito linda e sabia que ele dava muito valor a pequena.

— Descansando. – respondeu levemente continuando a olhar para frente observando como o líder dos monstros atendia a chamada primeiro e mirava a Manic com uma mirada seria, informando que já sabia o que estava acontecendo.

— Sabe que ela não vai ficar assim por muito tempo. – comentou seu parceiro fazendo a ambos sorrirem levemente. Como pais deviam conhecer bem sua pequena e por isso sabiam que ela nunca conseguia ficar descansando até a noite voltar a aparecer completamente.

— Ela provavelmente vai para a biblioteca ler mais um pouco. Não precisa se preocupar. – falou tentando acalmar seu parceiro, mas o mesmo apenas lhe apertou mais contra si a fazendo ficar um pouco confusa.

— Agora mais do que nunca devo me preocupar. – disse no mesmo instante que Dairos aceitava a chamada a aparecia também com um olhar serio, mas diferente de Aquaros o olhar do lobisomem também transmitia raiva e tédio, mostrando que só atendera a chamada por obrigação. Ele e Manic se encararam, dava para notar a tensão que pairava no ar e por algum motivo alguns perceberam que não era apenas pela rivalidade das espécies.

— Estou vendo que já receberam o comunicado sobre Eggman. – falou Manic cruzando os braços. Aquaros assentiu levemente, os monstros eram isolados e muito pouco falavam quando estavam em grupos. Raramente Aquaros fazia algum comentário nas reuniões só quando o assunto lhe interessava bastante, ai ele não calava a boca. Mas Dairos, ele era completamente o contrario de Aquaros. Não calava a boca nem um minuto, não tinha respeito por ninguém, era grosseiro, tudo o que você pudesse imaginar. E definitivamente, não gostava de Manic.

— Isso apenas mostra que você não esta cumprindo seu trabalho como deveria. – comentou de maneira grossa Dariso que nem se incomodou em mirar ao vampiro com um olhar critico que foi rebatido por um olhar frio, sem qualquer emoção.

— Caçamos mais de vinte Dark Chaos por noite, vigiamos todas as áreas do planeta terra, procuramos saber o que esta acontecendo com os humanos e os demônios, analisamos cada movimento de magia e cada distorção da realidade. Se isso for fazer um trabalho mal feito então estou mais que feliz se pudesse me dizer como melhorar ainda mais meu trabalho. – comentou Manic de maneira seca. O lobisomem grunhiu em desgosto com as palavras de Manic ficando calado logo em seguida. – O que quero saber é como vamos achá-lo e capturá-lo antes que cometa alguma coisa impossível de se reverter.

— Não sei como as coisas podem piorar. – comentou Cassandra enquanto estava sentada no parapeito de uma das janelas fechadas que tinha no local. – Ele já libertou os nossos piores prisioneiros, sendo que vários deles estavam prestes a serem mortos por crimes que absolutamente nem tenho coragem de comentar.

— Então sinto muito bruxinha, mas ainda tem muita coisa pela frente. – dessa vez ninguém sabia de onde vinha a voz. Ela simplesmente aparecera no local com um tom profundo e longínquo, era uma voz grossa que quatro que estavam ali pareciam conhecer um pouco. No meio de todo o salão vazio que se encontravam um ouriço roxo azulado com um olho verde e outro vermelho apareceu. Em suas costas tinham duas asas de plumas negras, o que só significava uma coisa ele era um demônio.

— Pai?! – exclamaram os quatro vampiros primários arregalando os olhos ao ver a figura bem diante de seus olhos. Literalmente, a milênios não viam seu pai e pensavam que nunca mais o veria. Agora lá estava ele, bem na frente deles do mesmo jeito que se lembravam. Os olhos multicores miraram seus filhos enquanto um pequeno sorriso surgia em seus lábios.

— É bom ver você de novo meus filhos. – falou o demônio ainda com um pequeno sorriso no rosto. Os quatro vampiros primários tinha o queixo caído de surpresa enquanto os outros não entendiam o que estava acontecendo. – Vejo que minha presença não era esperada.

— Mas é claro que não! – exclamou Shadow se afastando um pouco de Maria e se colocando praticamente na frente dela. Tinha lembranças de seu pai que nunca poderia esquecer, mas que desejava nunca tê-las tido. – Da ultima vez que te vimos Sonic ainda parecia um garoto de doze anos e Sonia e Manic de dezessete! Nunca esperávamos que você voltasse a aparecer depois da guerra e da morte da mamãe.

— Então a pergunta é, por que apareceu exatamente agora? – perguntou Manic tão impressionado quanto seus irmãos. A ultima vez que vira seu pai foi antes de Shadow ser levado para participar do exercito de demônios durante a guerra e Maphiles o seguir para trazê-lo de volta. Pensara que seu pai não se importava com o que estava acontecendo.

— Será que não posso comemorar o aniversario de minha neta? – perguntou o demônio sorrindo ligeiramente, mas antes que pudesse continuar Shadow o cortou levantando a mão mostrando apenas um dedo.

— Primeiro: nem sei como você ficou sabendo que tem uma neta ou do aniversario dela, sem falar que chegou atrasado, o aniversario dela foi ontem. – comentou o ouriço negro com uma mirada fria para seu pai que perdeu o sorriso no mesmo instante. Logo ele ergueu mais um dedo. – Segundo: Você não vinha visitar nem mesmo seus filhos para ajudá-los quando estavam em problemas no meio da guerra. – continuou erguendo mais um dedo. – E terceiro: praticamente todos os demônios voltaram para seu submundo e você é o único na terra, e pelo o que eu me lembre você não gosta de ficar sozinho.

O demônio suspirou desanimado. Sabia que seu segundo filho mais velho seria o primeiro a reclamar. Ainda se lembrava do que havia acontecido dentro do exercito de criaturas da noite que os demônios tinham e desde aquele momento Shadow nunca mais olhou para ele sem ser com esse olhar indiferente e sombrio. Por que agora seria diferente?

— Sei que não gosta de mim Shadow, mas vim aqui para lhe avisar de uma coisa. – falou deixando a brincadeira de lado e finalmente tomando uma expressão seria em seu rosto. – A alma de seu irmão, Mephiles não foi encontrada, nem a do amigo dele Nazo. Mandamos alguns demônios procurá-los pelo planeta, mas eles não encontraram nada.

— Mas isso é impossível! – exclamou Shadow, apesar que dentro de si sentia um grande alivio. Se repreendeu mentalmente por sentir aquilo, mas não podia evitar. Afinal, Mpehiles era seu irmão.

— Ele tem razão. Eu mesma vi Maphiles morto. Shadow o mordeu logo depois que ele me mordeu e me transformou no que sou hoje. – disse Maria calmamente colocando uma mão no ombro de seu parceiro, apertando ligeiramente para acalmá-lo.

— Sinto muito garota, mas não achamos nada. Também tenho que informá-los que sentimos algo estranho no ar, pensamos que aquele vampiro maluco vai querer se libertar novamente. – disse ainda com uma mirada séria em seu rosto. Sabia que aquela era a parceira de seu filho e não conseguia evitar analisá-la por completo, ainda tinha a preocupação de um pai normal, apesar de ter que admitir que não seria considerado um pai, muito menos normal.

— Isso é problema duplo. – comentou Sonic pensativo, não querendo encarar muito seu pai. Foi o que menos conviveu com ele, então preferia ignorar o assunto. – Será que Eggman pode ter algo haver com isso?

— Não sei, mas é melhor mantermos a todos alertas. Se aquelas mortes começarem de novo acho que não suportaremos fazer um ataque em maça como fizemos da ultima vez.- comentou Manic lembrando das varias mortes que tinham ocorrido a cinco anos atrás. – Podemos informar a maior parte dos seres da noite no baile de comemoração ao surgimento das espécies da noite. Como essas coisas se espalham rapidamente duvido que fique só entre as pessoas que estarão lá.

— Baile de comemoração do surgimento dos seres da noite? – perguntou Rouge sem entender muito bem o que era aquilo. Uma festa, é claro, mas porque uma comemoração que unia todas as raças e que poderia dar em uma confusão bem grande. Afinal, só lobisomens e vampiros quase entravam em guerra quando se viam.

— É um jeito da elite das classes comemorar seu surgimento. – comentou Sonia com uma cara de desgosto. – Apesar de eu não gostar nada de ter que ir nessas coisas. É uma chatice só ter que ficar ouvindo aqueles vampiras falando sobre sua beleza. Arg!!!

— Vocês estão convidados também. Afinal, agora fazem parte da elite mais alta. – comentou Manic sorrindo ligeiramente para os vampiros transformados que tinham no lugar. Até mesmo para Scrooge que não tinha costume de ir em festas como essas.

— E não vai dar nenhuma confusão deixar todas essas pessoas misturadas? – perguntou Amy pensando em um encontro entre lobisomens e vampiros. Teve um calafrio só de imaginar.

— Pode ficar tranqüila. Enquanto os lideres do conselho estiverem presentes, nada de ruim pode acontecer. – falou Cassandra com um ligeiro sorriso no rosto comprovando o que falava.

-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-

Não demorou muito tempo para abrir os olhos depois de sonhar novamente com aquele homem encapuzado. Era incrível como esse sonho lhe atormentava todos os dias. Saiu da cama para fora do quarto lentamente, seus passos leves até mesmo quando andava sem se preocupar com ser ouvida ou não. Seu pai lhe ensinara a ser discreta e como sua mãe a garota não tinha problema algum com isso. Carregava em seus braços seu pequeno ouriço de pelúcia, ele era seu pequeno companheiro, se sentia segura se estivesse com ele por perto, não sabia se era por causa dele ser tão parecido com seu pai ou se fosse porque foram seus pais que o deram. Seja como for, em todo lugar que ia, ele ia junto.

Abriu cuidadosamente a porta da biblioteca, aquela enorme porta de madeira que se esticava até onde sua visão podia chegar. Nem consegui alcançar a maçaneta que a porta tinha, por isso precisava usar seu poder, erguendo uma sombra até o lugar e abrindo o trinco e tudo o que precisava fazer depois era empurrar a posta. Com passos rápidos pegou aquele livro de capa de couro que estava lendo da ultima vez e novamente se sentou naquela pequena cadeira que tinha na janela. A cortina da mesma ainda estava fechada, mas no momento não tinha vontade nenhuma de abri-la.

A derrota daquele terrível vampiro foi um marco para a união das espécies. Ao perceberem que separados não teriam chance alguma de derrotar os inimigos que apareciam, um conselho foi criado para que assim cada líder das espécies pudessem discutir os assuntos mais importantes e assim manter a paz entre eles. Apenas algumas confusões aconteceram.

Uma delas foi quando o líder dos lobisomens desafiou o rei dos vampiros para uma luta que definisse a melhor das raças. Apesar das reclamações dos monstros e das bruxas a disputa foi aceita e todos se reuniram em uma parte das florestas dos lobisomens. A luta não fora como todos esperavam, era de se imaginar que iria ser uma luta demorada e acirrada entre as duas raças, mas ela não durara nem alguns minutos. O rei dos vampiros, com sua vantagem de controlar os elementos ganhara a luta em questão de segundos, mostrando a todos a diferença de poder.

Esse pode ser um dos vários motivos que levaram ao desentendimento entre as duas raças que não se olhavam mais desde essa época, com raras exceções. O conselho se mantêm ativo, tendo seus lideres substituído de tempos em tempos, apenas o rei dos vampiros ainda se mantêm no trono.

Fechou o livro por um momento e se ajoelhou naquela cadeira tão peculiar. Jurara ter ouvido alguma coisa e ficara curiosa para saber o que era. Levou uma mão até a cortina que tampava a janela, sabendo muito bem que já tinha anoitecido, empurrou as cortinas para o lado se deparando com as janelas embaçadas por causa do frio enquanto do lado de fora vários flocos de neve caiam levemente no chão, fazendo os pequenos montes de ontem ficassem ainda maiores. O céu estava acinzentado pelas nuvens e a paisagem mais a frente parecia tudo preto e branco.

Ficou mais perto da janela vendo como sua respiração embaçava ligeiramente o vidro, podia ver seu reflexo refletido nos vidros da janela e por alguma razão não gostou de ver seus olhos azuis avermelhados. Via um buraco tão profundo neles, tão negro e sombrio que pareciam ocultar alguma coisa que nem ela mesma sabia o que era. Colocou uma mão no vidro, um pouco abaixo do reflexo de seu rosto, vendo como o mesmo fazia a mesma coisa. Queria tanto poder desvendar seus próprios mistérios...

— Racer, sabe que eu não gosto que você fique me desenhando. – falou logo depois de ouvir o ligeiro barulho da ponta de um lápis batendo levemente na capa de um caderno, sendo abafado ligeiramente por umas cinqüenta folhas. Continuou olhando para seus próprios olhos na janela ainda querendo ver se conseguia desvendar os mistérios que tinham neles.

— Não consigo evitar Yin. Sabe que eu adoro te desenhar. – comentou o garoto terminando de uma vez seu desenho e logo indo até a garota sentando do lado dela. Observando os flocos de neve caindo Yin nem percebeu a presença do garoto que a mirava atentamente e logo depois dirigiu seu olhar para o livro que ela lia antes. –O que esses símbolos querem dizer?

— Não sei. É linguagem de demônio, não consigo traduzir. – disse a garota ainda sem tirar seus olhos da janela. Vendo aquilo o ouriço azul percebeu que tinha algo errado acontecendo. Ia perguntar quando a garota tomou sua frente. – Sabe quando você acha que tem coisas sobre você que nem mesmo você consegue entender?

— Todos nós sentimos isso algum dia Yin. – comentou o garoto se ajoelhando do lado dela e a mirando levemente. – Ta vendo a neve? Ela esta caindo por você, começou no seu aniversario e vai continuar assim até você se cansar. Você é especial prima e estamos aqui para te ajudar no que for. Se tiver algo a me dizer eu vou estar aqui para te ouvir e te consolar se precisar.

A ouriça sorriu levemente e acomodou sua cabeça no peito do garoto fechando levemente os olhos para se encontrar mais confortável. Se encontrava tão bem estando daquela maneira. Racer passara um braço por seu ombro e agora se sentia ainda mais protegida. Todos os problemas desapareceram e tudo o que queria nesse instante era ficar daquela maneira, sem sonhos, sem mistérios, apenas relaxando.

— O que é isso? – perguntou uma voz meio grossa e sedutora fazendo a ambos ouriços virarem para trás só para ver Ramon pegando o caderno de Racer e olhando os desenhos que tinham nele. Por alguma razão o garoto corou fortemente e saltou do banco que estava ajoelhado e tentando pegar seu caderno de desenhos, mas Ramon o tirou de seu alcance antes que pudesse pegá-lo.

— Me devolve! – exclamou ainda com o rosto corado e tentando de todas as maneiras pegar seu caderno, mas Ramon sempre o tirava de perto de suas mãos quando ia pegá-lo.

— Qual o problema Racer? – perguntou Mitsuki acabando de aparecer sentada na cadeira que Yin permanecia ajoelhada observando toda a cena com um olhar sério. Não que não se importasse, só não achava muita graça no que estava acontecendo. – O que tem nesse caderno que a gente não possa ver.

— N-nada. – gaguejou o garoto ainda tentando pegar seu caderno. – Só não quero que vejam meus desenhos. Não gosto que fiquem olhando.

— Vamos Racer, deixa a gente ver. – falou Ramon tentando abrir o caderno, mas toda vez que tentava Racer tentava pegar o caderno o obrigando a fechar o mesmo e tirar do alcance de seu amigo. – Não vai ter nenhum problema em dar apenas uma espiadinha.

— Não! – negou-se Racer tentando mais uma vez pegar o caderno, só que dessa vez Ramon saiu correndo da biblioteca obrigando o ouriço azul a segui-lo. Os dois correram a alta velocidade pelos corredores do enorme castelo, sendo que Racer por varias vezes quase conseguiu chegar até Ramon, que era bem menos rápido que ele, mas em compensação Ramon tinha os reflexos melhores o que possibilitava que tirasse rapidamente o caderno de perto das mãos de Racer.

Em um certo momento Ramon entrou em um quarto qualquer e fechou a porta, deixando Racer do lado de fora esmurrando a porta para que a mesma se abrisse. Com um pequeno sorriso Ramon abriu o caderno em sua primeira pagina começando a ver os desenhos que seu amigo tinha feito. A cada pagina que passava sua expressão mudava de alegre para confusa e de confusa para surpresa. Ainda com a mesma expressão abriu a porta fazendo Racer perder o equilíbrio e cair para frente rolando pelo chão até bater a cara na escrivaninha que tinha do lado de sua cama. Ramon fechou a porta e se aproximou de seu amigo ainda um pouco atordoado.

— Por que desenha tanto a Yin? – perguntou olhando para seu amigo que deixou de esfregar a cabeça e passou a olhara para ele enquanto um vermelho vivo tomava conta de seu rosto. Rapidamente Racer se levantou e pegou seu caderno de volta, o fechando e o guardando dentro de uma das gavetas de sua escrivaninha. – Racer, por que você só desenha ela?

— Eu não só desenho ela. Já desenhei você, a Mitsuki, algumas paisagens que gosto, minha mãe, meu pai... – o garoto ia continuar citando seus desenhos quando Ramon o interrompeu, o fazendo se virar para mirá-lo e ver toda a verdade.

— Mas você desenha mais ela! – exclamou o garoto. Yin era como se fosse sua irmãzinha, os dois faziam quase tudo juntos, mas sabia que ela tinha bem mais carinho por Racer, sendo que o mesmo tinha ainda mais carinho por ela. Porem, agora... agora não sabia mais o que ele sentia por ela. – Ela dormindo, ela brincando, sorrindo, seria... De todas as maneiras você a tem desenhada. Você não desenhou mais ninguém tantas vezes, e não adianta falar que ela é sua prima porque isso não cola comigo.

Com um suspiro Racer fechou os olhos, ponderando sobre o que deveria falar. Quando os voltou a abrir seu olhar estava baixo e um pequeno sorriso triste apareceu em seu rosto.

— Sinceramente eu não sei. Gosto de gravar cada momento que a vejo e com os desenhos acho que fica mais fácil de lembrar. – confessou ele sem mirar Ramon diretamente nos olhos, mas o mesmo podia ver que alguma coisa acontecia com seu amigo. Se afastou um pouco dele para assim deixá-lo mais a vontade. – De alguma maneira, sinto que não a terei por muito tempo e que deveria aproveitar cada momento que tenho com ela. E para me lembrar disso no futuro gravei isso em meus desenhos... Sei que ela é minha prima, sei que temos um laço de sangue nos prendendo, mas mesmo assim eu... Eu não consigo evitar sentir o que sinto quando estou com ela.

Agora compreendia tudo, agora entendia o que estava acontecendo, mas não conseguia acreditar. Todo aquele apego que Racer tinha com sua prima tinha um motivo maior que apenas amor de parentes. Toda aquela atenção que ele dava a ela tinha mais cabimento que apenas o desejo de proteção que todos sentiam por ela. Estava abismado, mas entendia o lado dele e sabia que ele devia estar se torturando por isso.

— Racer, no mundo dos vampiros não existem regras sobre a separação do sangue. – falou tentando animar o amigo que se encontrava cabisbaixo. O mesmo levantou o olhar e lhe sorriu ligeiramente, mostrando que tinha entendido o que ele quis dizer. Levou uma mão ao ombro do amigo, mas com o contato imagens foram transmitidas até sua mente, imagens confusas e rápidas que podia identificar apenas levemente, e devia dizer nenhuma delas lhe agradava. Vira uma forte luta de seus pais contra os Dark Chaos e tudo parecia estar perdido, viu como eles lutavam contra Gaia e logo depois viu a mão de Yin escorregando da de Racer. Sacudiu a cabeça logo depois que tudo acabou e logo depois voltou a mirar a Racer. – Acho que você deve mesmo aproveitar seu tempo com ela.

— O que... Ramon o que você viu? – perguntou Racer quase no desespero ao se dar conta do significado das palavras do amigo. Mas antes que ele pudesse responder um grito foi ouvido fazendo os dois garotos saírem correndo do quarto.

-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-

Logo depois de verem os garotos saindo correndo porta afora as duas que tinham ficado na biblioteca logo se encontravam caminhando pelos corredores do castelo conversando sobre coisas triviais. Na verdade era mais a ouriça prateada que falava, a outra apenas andava lentamente do lado dela, abraçando seu ouriço de pelúcia com força. Tinha um mal pressentimento, alguma coisa iria acontecer...

— Yin, você também esta sentindo? – perguntou Mitsuki em um tom meio temeroso enquanto a ouriça negra assentia levemente com a cabeça, entendendo o que sua amiga queria dizer. Quase que inconscientemente Mitsuki levou uma de suas mãos até a de Yin segurando levemente – Será que os meninos estão bem?

— Acho que não são eles que vão ter problemas. – comentou Yin olhando para os lados, preocupada que alguma coisa fosse sair das paredes para lhe pegar. Mitsuki respirou fundo e fechou um pouco os olhos, voltando a abri-los depois de alguns segundos. No mesmo instante que fez isso viu o mesmo vulto que tinha visto antes passar novamente pelo corredor indo para outro.

— Yin, fica aqui, eu já volto! – falou para a ouriça negra enquanto saia correndo na direção que tinha ido o vulto. Dessa vez ia conseguir ver quem era, disso era garantido.

Correu pelos corredores do castelo seguindo aquele vulto o mais rápido que conseguia não se preocupando se ele a via ou não, tudo o que queria era ver quem. Chegou até seu quarto e entrou rapidamente vendo que não tinha ninguém lá dentro. Confusa foi até o meio do quarto olhando para todos os lados para ver se encontrava alguma pista se alguém havia entrado. De repente a porta se fechou atrás de si a fazendo dar um salto e se virar rapidamente se encontrando com um ouriço branco, de olhos verdes escuros quase parecendo negros, os espinhos voltados todos para cima enquanto os das costas pareciam duas asas de tão grandes que eram. Ele a mirou, sorrindo extensamente mostrando seus caninos afiados e perigosos.

— Ola garota. – falou ele para logo mexer ligeiramente as mãos lançando a garota para trás fazendo ela acertar a parede um pouco acima de sua cama, caindo logo em seguida na mesma. Novamente, a onda de energia que aquele ouriço lançava a fez sair voando novamente, dessa vez acertando seu guarda roupa, fazendo com que suas costas atingissem as maçanetas do mesmo causando uma forte dor. Quando caiu no chão soltou um grito abafado levando uma mão até suas costas, tocando a área que havia machucado. – Não sabe por quanto tempo eu esperei para ter essa oportunidade. Finalmente achei alguma coisa que vai realmente atingir aquele ouriço miserável.

— Q-quem é v-você? – perguntou Mitsuki quase sem ar nos pulmões. O ouriço sorriu e novamente usou sua onda de energia para lançá-la para longe, dessa vez em umas prateleiras com alguns bonecos. A mesma se estremeceu e todos os bonecos caíram junto com o lado esquerdo dela que não suportou o impacto e se despregou da parede, tombando para o lado. Antes que a garota pudesse voltar a si uma nova onde de energia a lançou na janela, fazendo o vidro se quebrar e cortar algumas partes do corpo da garota. Ela caiu no chão no meio de todos aqueles cacos de vidro soltando um gemido de dor.

— Por que não pergunta para seu pai? – perguntou o ouriço colocando o pé na cabeça da garota apertando a mesma contra o chão, pressionando seu rosto nos cacos de vidro que cortaram seu rosto profundamente, fazendo pequenos fiapos de sangue escorrerem entre aqueles que estavam mais longes. – Tenho certeza que ele vai saber te responder muito bem. Mas primeiro tem que se manter com vida.

O ouriço apertou sua cabeça com mais força contra o chão fazendo ela soltar um grito alto de dor. Tinha que sair dali antes que aquele ouriço acabasse espatifando sua cabeça só com o pé. Levou uma mão até o tornozelo dele e fez com que a mesma ficasse rodeada de chamas esverdeadas o que fez com que o ouriço gritasse de dor e afastasse o pé de sua cabeça dando a oportunidade perfeita para escapar. Ainda um pouco tonta por causa da pressão que tinha colocado em sua cabeça se levantou e cambaleou até a porta, mas ao tentar abrir a mesma percebeu que estava trancada.

Como todas as coisas da casa, tinha reforços mágicos para nada se quebrasse com a força que tinham, apenas com impactos muito extremos, e do jeito débil que estava seria difícil arrebentar aquela porta. Deu uma ligeira olhada para trás vendo como aquele ouriço já tinha se recuperado e agora andava lentamente até sua direção. Voltou sua atenção para a porta, puxando e empurrando a mesma tentando fazer com que abrisse, mas nada parecia adiantar, estava presa com aquele ouriço psicopata e tudo por culpa de sua maldita curiosidade.

Ia dar um forte murro na porta quando a mesma se abriu e a fez perder o equilíbrio, caindo para frente e sendo segurada por dois braços fortes que reconheceu sendo de seu pai. Olhou para trás com a respiração agitada, mas aquele ouriço havia desaparecido e só restava agora a confusão que estava seu quarto. Suspirou aliviada e se deixou ser abraçada por seu pai que não estava entendendo nada do que tinha acontecido.

— Mi, o que aconteceu? – perguntou ele usando o apelido carinhoso que tinha dado a ela. Nunca tinha ficado tão feliz em ouvi-lo, olhou para cima com os olhos meio marejados e pode ver a expressão assustada de seu pai ao ver um lado de seu rosto completamente sujo de sangue ao mesmo tempo que vários cortes profundos no lugar se curavam rapidamente, mas ainda dava para vê-los. – O que houve com você? Por que esta toda machucada? Por que seu quarto?

A garota não tinha mais forças para responder a pergunta. A poucos minutos tinha a certeza de que iria morrer e agora se encontrava nos braços de seu pai ouvindo todas aquelas perguntas ao mesmo tempo que sentia a preocupação dele. Queria abrir a boca para responder, mas tudo o que conseguiu foi abraçar com mais forte o corpo de seu pai e esconder seu rosto na blusa do mesmo, não se importando se a sujava de sangue ou não.

— Yin. Onde ela está?! – perguntou Racer preocupado. Se isso tinha acontecido com Mitsuki não queria nem imaginar o que poderia ter acontecido com sua prima. Viu como a ouriça apontava para o corredor a esquerda e sem perder tempo saiu correndo torcendo para que Yin ainda estivesse bem.

-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-0-

Mitsuki havia desaparecido sem motivos e agora se encontrava sozinha naquele corredor imenso sentindo como o medo começava a circular por seu corpo. Sem pânico, quais eram as chances de encontrar aquele ouriço dentro de sua casa? Sempre o encontrara do lado de fora então tecnicamente era para ele estar lá não? Como queria acreditar nessa teoria...

Como se por obra do destino ouviu uma o forte estrondo de uma porta, e estava perto. Abraçou com mais força seu ouriço de pelúcia e logo andou lentamente até onde tinha vindo o barulho. Podia ouvir o som repetidas vezes, a assustando ainda mais. Engolindo em seco virou a curva que tinha para passar para outro corredor e nesse mesmo instante percebeu que era a porta de um dos banheiros do castelo. Ela parecia não estar fechando e por causa do vento do lado de fora ia e vinha atingindo seu caminho final com força causando o estrondo de choque de madeira com madeira.

Antes que a porta pudesse bater mais uma vez a segurou e empurrou para trás, fazendo com que se abrisse totalmente e ficasse fora do alcance da corrente de ar. Olhou para dentro do banheiro vendo os azulejos brancos reluzindo levemente. O banheiro era grande como todos os cômodos do castelo, mas esse não tinha janela, e os moveis que tinha dentro eram um pouco grandes ocupando boa parte do espaço.

De repente, a porta veio a tona em sua direção a lançando para dentro do banheiro e se fechando, parecendo ser trancada logo em seguida. Seu pequeno ouriço tinha caído de suas mãos e agora se encontrava do lado de fora daquele cômodo que nem ela mesma queria ficar. Rapidamente se levantou e correu até a porta tentando abri-la de todas as maneiras, mas estava muito bem trancada e tudo o que conseguia fazer era que se movesse para frente e para trás de uma maneira limitada, não permitindo passar daquilo.

Uma corrente de ar gelado passou por sua nuca a fazendo ficar congelada no lugar, com a respiração se acelerando lentamente, ficando pesada e pausada. Lentamente se virou para trás, se encontrando com aquele mesmo ouriço que tinha visto no dia de seu aniversario, ele a mirava com um pequeno sorriso no rosto e a sua volta algumas sombras se erguiam de maneira ameaçadora. Prendeu levemente a respiração se pressionando contra a porta querendo ficar o mais distante possível daquele ouriço.

— Como se parece com o pai... – sussurrou aquele ouriço se levantando da beirada da banheira que estava sentado e sorrindo um pouco mais. Em seus olhos brilhava uma energia negra, mas a ouriça podia ver uma menor ainda, pura, lutando para ter o controle, mas que estava perdendo por ser muito pequena. Novamente escutara em sua cabeça os lamentos de socorro, aqueles sussurros agonizantes pedindo ajuda, mas não sabia porque. De repente aquele ouriço mandara suas sombras na direção, obrigando a garota a utilizar de seus poderes para se defender, chocando assim sombra com sombra. – É ágil. Bem como se devia esperar. Vamos ver por quanto tempo agüenta.

Mais sombras vieram em sua direção e novamente teve que usar as suas para se defender, só que uma das sombras dele desviou das suas e foi direto em sua direção. Com um rápido movimento desviou da sombra fazendo ela acertar a porta fazendo um enorme amassado na madeira branca da porta. E as coisas não paravam ai, sombras viam de todas as partes e a garota tinha que se defender de todas as formas, seja usando suas sombras ou desviando dos ataques daquelas que escapava. De vez em quando as sombras dele atingia algum móvel, seja um armário ou a pira, e os quebrava levemente fazendo com que destroços deles fossem direto em sua direção, e como não podia se distrair das sombras que a atacavam era atingida por lascas de madeira ou pedaços de azulejos.

Seu corpo estava se cansando cada vez mais, e parecia que aquele ouriço não tinha nem começado a usar todos os seus poderes. Tinha que abrir a porta, mas não conseguia mandar nenhuma sombra naquela direção por mais que quisesse. Percebeu que o ouriço se aproximava lentamente de onde estava. Se encolheu em um canto da porta, fechando fortemente os olhos enquanto deixava que sua força da luz rodeasse seu corpo dando uma sensação de conforto para seu corpo.

Não queria saber o que acontecia, queria que tudo acabasse logo, queria poder ver seu pai e sua mãe, queria poder estar fora dali. De repente sentiu como alguém lhe carregava com facilidade e a tirava daquele cômodo tão assustador. Não sabia quando a porta tinha sido aberta, nem se aquele que a salvou tinha visto o ouriço que a atacava, só sabia que tinha sido tirada do lugar, já que fora puxada para trás, para o lugar onde a porta deveria estar. Ainda permanecia de olhos fechados, não querendo abri-los de maneira alguma. E se fosse aquele ouriço que a tivesse pego? E se não estivesse segura? Não queria saber de nada.

— Yin! – ouviu uma voz exclamar a suas costas e pode reconhecer a voz como sendo a de sua mãe. Logo depois sentiu como outros braços passavam por seu corpo e dessa vez eles não pareciam ser desconhecidos, eram aconchegantes e carinhosos a apertando contra um corpo macio e acolhedor. Abriu ligeiramente os olhos e encarou os olhos azuis de sua mãe que a mirava com preocupação.

— Mãe. – murmurou passando os braços pelo pescoço da mesma e escondendo seu rosto na dobra do mesmo. Agora se sentia mais segura, estava sendo carregada por sua mãe e sentindo como ela lhe acariciava levemente a cabeça. Maria a abraçava como se sua vida dependesse daquilo, sua pequena estava com alguns arranhões e parecia estar bastante cansada. Era incrível como a tinham achado, ouviram vários barulhos vindo dessa direção e quando Valcon, o pai de seu parceiro, abriu a porta encontraram com ela encolhida, como uma pequena luz a sua volta.

— O que aconteceu? – perguntou Manic acabando de chegar junto com Sonic e Shadow, e um pouco depois Racer chegaram, cassando. Parecia ter corrido até onde estavam. Shadow se abaixou levemente e pegou o pequeno ouriço de pelúcia que estava jogado no chão se aproximando logo em seguida de sua pequena que o mirou apenas com o canto dos olhos.

— Pai. – murmurou ela ainda com a voz um pouco quebrada e assustada, passando do colo de sua mãe para o de seu pai que a entregou o pequeno ouriço e logo a abraçava com carinho tentando acalmá-la de toda aquela tensão que ela sentia. O ouriço negro logo levantou o olhar para seu pai que analisava o banheiro que haviam encontrado a pequena com muita determinação.

— Quem a estava atacando? – perguntou com um tom sério. Podia sentir o corpo de Yin tremendo levemente por causa do susto que tinha levado. Yin não era de se assustar com facilidade, seja o que for que tinha feito isso fez para caprichar.

— Não sei. A energia é muito confusa para conseguir identificar. – comentou o demônio ainda mirando todo o banheiro tentando ver se tinha mais alguma coisa que pudesse usar para saber quem era o causador de toda aquela confusão. – Mas seja quem for já foi embora.

— Quem é ele? – perguntou a pequena ouriça mirando o ouriço azul arroxeado de asas negras com muita atenção. Seus olhinhos estavam um pouco marejados e seu rosto estava praticamente todo escondido no peito de seu pai que não parecia muito feliz com a pergunta que ela tinha feito.

— Seu avô. – falou ele apertando levemente os dentes. O demônio o mirou com um pequeno sorriso triste e logo depois voltou a ter uma expressão seria mirando os dois pequenos ouriços que estavam no local.

- Eles são os novos controladores do caos? – perguntou mirando a Manic com muita atenção. O mesmo assentiu levemente um pouco em duvida se falava a verdade ou não. – Então intensifiquem o treinamento deles.

— O que?! São apenas crianças, não vão agüentar um treinamento desse tipo! – exclamou Shadow desconcertado. Não podia acreditar que seu pai tinha falado isso, ele não sabia que a força caos era maior do que se podia imaginar? Aumentar o treinamento tão de repente podia levar a morte dos garotos.

— Você viu o que aconteceu aqui. Se eles não tiverem um treinamento melhor não vão poder lutar contra Gaia. – disse o demônio mirando seu filho de maneira séria.

— Eles ainda tem tempo! – falou Manic pensando na mesma possibilidade que Shadow. Se algum deles fraquejasse no treinamento ficando cansado ou algo do tipo poderia ser o fim de todos. – Eles podem aumentar lentamente o nível, arrumamos tempo para eles!

— Não tem mais tempo Manic. Gaia esta planejando se soltar e esta fazendo de tudo para isso. – falou o demônio ainda com sua opinião resistente. – Quem esteve aqui não tinha nem metade de seu poder, sem falar que estava sendo controlado por ele.

Yin que tinha ouvido essa fala ficara tensa por um instante. Então isso explicava os lamentos que ouvia em sua cabeça, era ele pedindo ajuda, era o jeito normal daquele ouriço pedindo para que tirasse aquele controle mental dele. Mas como poderia fazer algo desse tipo, não haviam nenhuma informação sobre Gaia para saber como isso funcionava.

— Mas... – ia protestar Manic, mas fora interrompido por Shadow que tinha uma mirada penetrante na direção de seu pai.

— Tudo bem, intensificamos os treinos. – falou concordando com o pai, o que surpreendeu a todos. – Mas vamos aumentar apenas um pouco para que eles se acostumem com a força, depois iremos para uma parte mais avançada. E mais uma coisa, eles vão descansar primeiro, depois veremos o que faremos com os treinos.

Sem esperar uma resposta ou reclamação o ouriço negro saiu do lugar, levando sua filha e sua parceira junto. Não queria olhar nem mais um instante para aquela criatura que era seu pai. Se fosse para colocar sua filha em risco que fosse de uma maneira que ela pudesse suportar e se manter viva, porque a ultima coisa que queria era perder seu tesouro.

Notas finais
Ok, fiquei com medo dessa parte da Yin e da Mitsuki, eu escrevendo isso a noite não foi uma boa ideia *nem ficar acordada até onze e meio escrevendo* tinha que terminar o cap u.u. Ia ter mais uma parte, mas estava tarde e decidi deixar para o proximo cap ok? Espero que tenham gostado e não esqueçam de comentar!

Bjsss