Guerreiros das Esmeraldas
12 Promessa
Notas iniciais
Aproveitem ^^.
Guerreiros das Esmeraldas
Era menos um problema para enfrentar, mas mesmo assim, mais uma tristeza para seus corações. Apesar de vampiros serem considerados seres sem almas ou até mesmo sem corações, tanto por eles mesmo quando pelos outros seres, a perda de alguém importante era pior que a dor que um humano sentia quando se machucava da pior maneira. Para um vampiro perder um parceiro, um amigo ou até mesmo um parente era o sofrimento eterno e torturante de cair em uma depressão tão profunda que era capaz de adormecerem eternamente. Não estariam mortos, mas também não estariam conscientes.
E para todos ali isso estava acontecendo, apesar de não terem entrado em depressão por ainda terem um assunto pendente. A perda de Mephiles fez os quatro vampiros primários se sentirem desolados, como se um pedaço faltasse naquele enorme castelo. O mais velho dos irmãos podia ter feito de tudo para magoá-los, mas não fora por sua intenção e todos ali entendiam, se lembrando apenas dos momentos bons que tiveram juntos. Shadow era o que mais sofria pelo fato, depois de todos aqueles anos quando finalmente tinha a oportunidade de ter seu irmão de volta ele morria e talvez dessa vez fosse de maneira definitiva. Sua parceira estava em perigo e nem tinham começado a bolar um plano para salvá-la junto com as outras que se encontravam com ela. Isso era de se desesperar.
— Rússia... – murmurou Manic em um suspiro depois de vários minutos de silêncio. Shadow tinha passado toda a informação que seu irmão havia lhe dado e agora só lhes restava bolar um plano para ganhar de Gaia. Sabiam que o plano inicial de Gaia era tomar o controle de tudo estava marcado para acontecer no dia do alinhamento de três galáxias, contando com a deles, mas pelo visto ele tinha se adiantado um pouco. – De qualquer jeito não vamos conseguir matá-lo. Os garotos ainda não estão prontos para enfrentar aquele poder.
— Não precisamos fazer isso. Apenas mandá-lo de volta para o mundo dele para atrasá-lo e assim treinar mais intensamente os garotos. – falou Sonic em um murmuro levantando apenas um pouco a cabeça para mirar aqueles que estavam na sala. – Quando chegar o momento do alinhamento dos planetas arrumamos um jeito de fazer os garotos lutarem contra Gaia.
— Não pode dar nenhuma ajuda com suas visões Knuckles? – perguntou Manic para o equidna que se encontrava escorado na parede mirando a cena com um pouco de melancolia. Negou com a cabeça levemente.
— Não funciona assim Manic. Meus poderes são iguais aos de Ramon, ele pode encostar em qualquer pessoa sem ver o destino delas em nenhum momento, mas em determinadas horas isso simplesmente aparece revelando coisas que sinceramente tem horas que não queremos saber. – respondeu o equidna cruzando os braços – Não controlamos isso. De certo modo é ela que nos controla.
— Se contarmos com previsões no futuro não iremos a lugar nenhum. – comentou Shadow, falando pela primeira vez desde que tinha contado tudo que seu irmão tinha dito. Seus olhos foram diretos para os de Manic o mirando com determinação. – O melhor que temos a fazer é alertar os vampiros para que assim se preparem caso não conseguirmos mandar Gaia de volta. As outras raças que se virem agora para se salvar, como não estamos mais no conselho não temos obrigação nenhuma de protegê-las. Nos prepararemos agora e daqui a duas noites partiremos.
— Acha que apenas nós conseguiremos derrotá-lo? – perguntou Manic um pouco descrente dessa suposição. Sabia que Shadow estava furioso com Gaia por ter matada seu irmão, mas ele também estava e mesmo assim não sugeria coisas tão imprudentes. Tinham que pensar bem nisso.
— Podemos chamar alguns vampiros guerreiros para nos ajudar. Não precisamos de muitos. – falou Sonic se levantando do sofá um pouco mais animado. A idéia de Shadow lhe parecia bem atraente. – Tudo o que temos que fazer é distrair aos Dark Chaos e logo enquanto isso mandarmos Gaia de volta para o mundo dele, empurrando-o para dentro do portal que ele mesmo criou!
— Não sei porque eu ainda discuto. – murmurou Manic com a voz um pouco preocupada, mas dentro de si sentia essa enorme vontade de lutar contra Gaia, de vaze-lo pagar por tudo o que fez. – Pedirei que alguns vampiros venham para o castelo para nos ajudar, é melhor que já estejamos preparados porque eles não vão demorar muito a chegar.
- Ótimo. Daqui a duas noites mandaremos aquele vampiro desgraçado de volta para aquele mundo dele. – falou o ouriço azul empolgado e logo depois todos saíram da sala sem perceberem que alguém os havia escutado.
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Depois de descansar um pouco e se alimentar com um bom copo de sangue se encontrava na biblioteca lendo um pouco do livro que seu tio a havia entregado e que contava os segredos de Gaia. Procurava saber alguma coisa que pudesse utilizar para ganhar dele, mas ao parecer seu tio estava certo e muita coisa tinha mudado desde a ultima vez que Gaia escrevera naquele caderno de capa de couro. Suspirou e fechou o livro deixando suas costas encostarem no frio vidro que tinha atrás de si.
Se perguntava se de alguma forma poderia ter evitado a morte de seu tio e assim seu pai não se encontrasse tão triste. Gaia com certeza pagaria pelo o que tinha feito, mas apesar de tudo sabia que no final das contas algo de bom tinha acontecido. Percebera que seu tio parecia gostar muito da raposa que o viera buscar quando morrera e ela parecia corresponder esse sentimento, só esperava que agora seu tio não tivesse mais problemas e estivesse feliz, queria pelo menos ter feito as perguntas que até agora permaneciam em sua cabeça lhe incomodando.
A porta da biblioteca então se abriu e ao direcionar seus olhos para a mesma se encontrou com Ramon e Mitsuki que cambaleavam um pouco, mas já estavam melhores do que antes que mal conseguiam se mover. Eles se sentaram perto de onde estava, mas nenhuma palavra foi dita, ninguém começou uma conversa ou algo para quebrar o gelo que tinha ao redor deles e nem precisava. O silêncio não era incomodo, na verdade o simples fato de saber que estavam juntos já ajudava a se sentir bem melhor.
Yin escondeu o livro para que ninguém lembrasse de tudo o que aconteceu nesse tempo todo. Abraçou um pouco mais seu pequeno ouriço de pelúcia que se encontrava do seu lado, a tensão voltara a pairar no lugar como se o seu pensamento já tivesse feito os outros pensarem a mesma coisa e assim se lembrarem dos sofrimentos que estavam passando. Queria dizer alguma coisa para acalmá-los, mas esse não era seu departamento, não tinha talento nenhum para isso. Onde estava Racer quando se precisava dele?
Novamente a porta da biblioteca se abriu e dela entrou o a pouco mencionado ouriço azul que tinha paços tristes e um pouco sem jeito passando pelas mesas quase como se não as visses. A franja rosa tampava seu olho e causava sombra no outro não deixando que vissem o que o garoto sentia, apesar de já saber que, o simples fato dele estar dessa maneira, significava que estava triste e se ele estava triste era por algo bem ruim mesmo.
— Racer? – perguntou Mitsuki logo depois que o ouriço colocou uma cadeira do lado da que Ramon estava sentado e se sentou, não, praticamente jogou seu corpo na cadeira. Tinha alguma coisa errada com ele e não era pouca. – Por que esta tão triste?
Primeiro o garoto ficou em silencio sem dizer uma só palavra que pudesse responder a pergunta que tinham lhe feito. Não levantou a cabeça, não mexeu na cadeira... Nada. Ficou parado do mesmo jeito que se encontrava antes enquanto parecia mirar o chão sem realmente vê-lo debaixo de seus pés. Só depois de alguns minutos o garoto respirou fundo.
— Nossos pais. – ele sussurrou em um tom quase inaudível, mas que captara a atenção de todos os que estavam ali. – Eles vão enfrentar Gaia para mandá-lo de volta e não vão nos levar. Eles vão se arriscar e provavelmente não vão voltar mais...
O clima ficou ainda mais tenso, as palavras morreram na garganta de cada um que estava ali e o desespero ficou preso no peito, apertando-o pouco a pouco. Eles não podiam fazer isso, não podiam se arriscar dessa maneira... Já tinham perdido suas mães não podiam perder os pais também, isso seria o sofrimento final para que a vida terminasse. Yin praticamente saltou da cadeira na janela que estava sentada e correu corredor a fora deixando seus amigos cabisbaixos para trás.
Não permitiria... Não deixaria... Não podia deixar que seu pai se arriscasse dessa maneira. Não podia perdê-lo, ele também não. Caso contrario não saberia como seguir em frente.
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Já tinha chamado os guerreiros que daqui a pouco chegariam para ajudar, enquanto isso preenchia alguns documentos que eram necessários para terminar logo com sua participação no conselho. Eram apenas formalidades, mas mesmo assim tinham que ser feitas para que os demônios tivessem arquivados todas as provas que isso tinha acontecido e não ocorresse nenhum problema depois. Em sua opinião isso era uma chatice, mas estava feliz por ter saído daquele conselho estúpido e se livrado de um problema, apesar de seu coração ainda estar completamente destroçado pelo que tinha acontecido.
Suspirou parando um pouco de escrever e passando uma mão pela franja que tinha quase tampando seus olhos, completamente bagunçada em sua cabeça. Se pudesse esquecer o que tinha acontecido lá... Mas se não esquecia um fato que tinha acontecido a milhares de anos atrás como poderia esquecer o que tinha acontecido agora? Estaria fadado a se lembrar daquelas palavras o resto de sua vida. De sua eterna vida.
Por que diabos vampiros tinham que se apaixonar apenas uma vez?! Isso apenas complicava a vida!!
Porque estamos juntos. E não quero perder meu parceiro.
Grunhiu com força batendo sua cabeça na mesa. Por que não podia esquecer essas palavras?! Por que tinha que ser ela?! Por que tinha que ser justo ela?! Dairos sempre fora seu inimigo, sempre fora aquele que o maltratava, que o irritava e fazia perder a paciência. Cassandra era seu refugio, a única pessoa lá dentro que sentia que podia confiar que sempre estaria do seu lado, o aconselhando e ajudando nos momentos difíceis. Mas ao parecer tinha se enganado...
— Manic. – suspirou ao ouvir aquela voz lhe chamando. Não precisava levantar a cabeça para saber quem era, já sabia apesar de tê-la ouvido poucas vezes já a tinha gravada na memória como muitas outras coisas. Sendo que varias delas não queria lembrar.
— O que faz aqui Aquaros? – perguntou virando um pouco o rosto para ver o monstro que se encontrava na sua frente. O mesmo tinha uma cara séria, mas Manic pode notar um pouco de hesitação na mesma, como se estivesse duvidando em fazer o que queria. Ergueu o corpo e o mirou diretamente. – Pelo que saiba não estou mais no conselho para receber esse tipo de visita, apesar de não ter proibido você de vir a minha casa como fiz com os outros.
— Vim aqui pedir desculpas pelos outros. – falou o que fez Manic erguer uma sobrancelha e apoiar o rosto em uma mão mirando sem entender o monstro que tinha a sua frente.
— Não pense que só com um pedido de desculpas vou voltar para o conselho. – disse de imediato cortando qualquer expectativa que imaginava que o monstro poderia ter. – Minha decisão de sair foi definitiva, não um momento de fúria e insensatez.
— Não vim aqui por isso. – respondeu o monstro um pouco mais seguro do que estava fazendo. – Entendo seu ponto e o respeito. Venho aqui oferecer minha ajuda caso precise de algo, já que você não era o único a não gostar de Dairos.
Manic soltara uma ligeira risada ao ouvir aquilo. O pai de Dairos, como Manic conhecera e lutara, era um lobisomem meio que honesto e sabia admitir quando estava errado, o filho já era algo completamente diferente e desde que vira o pai sendo derrotado por Manic tomou um ódio dos vampiros querendo sempre mostrar que os lobisomens eram superiores querendo enfrentar ao rei dos vampiros sempre que podia. Mas isso acabava irritando as outras raças também.
— Muito obrigado pela oferta Aquaros. Tenho certeza que tendo você do nosso lado teremos mais chances de ganhar isso tudo. – falou Manic com um pequeno sorriso erguendo uma mão em um sinal amistoso. Aquaros esboçou o que parecia ser um sorriso também e levou a enorme mão na direção da de Manic apertando a mesma com um ligeiro cumprimento amigável. Mas quando o monstro já estava se afastando Manic falou. – E Aquaros. – o monstro o mirou interrogativo e Manic o mirou de maneira séria. – Melhor pedir a todos os monstros que achem lugares seguros para ficarem. Não temos certeza do que pode acontecer daqui a alguns dias.
Aquaros assentiu e já estava prestes a sair, mas foi então que se lembrou de uma coisa. Antes de ir para o castelo dos vampiros tinha passado nas bruxas para ver se Cassandra realmente tinha dito a verdade em ser parceira de Dairos, sendo que antes ela não o suportava. Mas quando chegou lá a viu chorando, completamente abatida e desolada. Ela estava na forma de uma pequena criança e se encolheu em um canto. Quando o viu limpou as lagrimas e se aproximou com um pequeno sorriso apesar de seus olhos ainda permanecerem tristonhos. Depois de muita insistência ela lhe contara o que tinha acontecido e como ela não podia fazer nada ele decidira dar um pequeno empurrãozinho.
— Ah! Manic. – chamou fazendo o ouriço verde tirar os olhos dos papeis novamente e o mirar um pouco confuso, pensara que o assunto já tinha acabado, mas ao parecer ainda tinha mais coisa que ouvir. – Não fique tão estressado com a Cassandra,ela tem um bom motivo para ter feito o que fez e sei que ambos estão sofrendo com isso.
— Não sei do que você esta falando. – disse se levantando e indo para a janela que tinha atrás de sua cadeira. Seu coração voltara a doer com a pronuncia desse nome. Pensara que pensar nele era ruim, mas falar... Isso era ainda pior.
— Não seja orgulhoso. Sei que esta sofrendo, todo vampiro sofre quando ama alguma pessoa que não é um vampiro também. –falou o monstro e não obteve nenhuma resposta em troca. Suspirou um pouco triste por ver o vampiro tão triste. Podia não ser muito próximo a ele, mas sabia que era um garoto honesto e que não merecia aquilo e os monstros sempre tinham um respeito muito grande por pessoas que mostravam ser merecedoras. – Só pense no que falei e dê uma chance a ela de se explicar algum dia, ok?
Ficou alguns minutos esperando a resposta, mas como nada veio então decidira ir embora deixando o vampiro sozinho em seu escritório. Poucos instantes depois um pequeno soluço encheu o ar e os ombros do vampiro começaram a tremer ligeiramente, enquanto ele deixava escapar novamente aquelas lágrimas tão incomodas e que parecia nunca se secar, escorrendo pela mesma pessoa, pela única que fez seu morto coração bater com força mesmo depois de milênios sem isso acontecer.
— Cassandra...
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Procurou por todo o castelo. Olhou em todos os quartos, em todas as salas, nos escritórios, nos sótãos, no jardim... Em todas as partes que se poderia imaginar! Mas não encontrava seu pai de nenhuma maneira. Foi só então que parou em um dos corredores do castelo que se lembrou que tinha uma parte que não tinha olhado, uma que fora criada quando Gaia atacara pela primeira vez para sustentar quase toda a população de todas as raças. Eram tuneis e salões subterrâneos que tinham debaixo do castelo que agora eram usados como parte de treinamento.
Sem perder tempo correu até a porta que levava ao subterrâneo e mais rápido ainda desceu as escadas procurando seu pai a toda velocidade. Tinha que encontrá-lo antes que ele fizesse o que planejava, tinha que encontrá-lo para impedir que fosse embora para uma batalha que provavelmente não o permitira voltar. E se já perdera sua mãe não podia perder seu pai também. Tinha que impedir isso antes que alguma coisa de ruim acontecesse.
Foi então que chegou, a parte onde estava reservada para os equipamentos de guerra, onde tinham as armas e as roupas usadas para diminuir algum ataque. E lá estava seu pai, já com a “armadura” colocada apenas ajeitando uma proteção que tinha no braço esquerdo. Ele estava de costas para se, mas devia ter notado sua presença já que se virou e a mirou um pouco surpreso.
— Yin... – murmurou preocupado ao ver a garota com a respiração agitada parada na porta abraçando com força o pequeno ouriço de pelúcia. Seus olhinhos azuis avermelhados ou vice-versa o miraram com desespero e reprovação enquanto ficavam cristalinos lentamente. Deu um passo na direção dela, mas parou logo que ela começou a falar.
— Vou com você. – não era uma pergunta, a garota estava mais que determinada em participar dessa batalha o que fez o ouriço negro suspirar um pouco preocupado e um pouco melancólico se aproximando da pequena que continuava a olhá-lo com aquele olhar determinado.
— Você não pode Yin. – disse calmamente se ajoelhando na frente da garota e colocando uma mão em sua cabeça enquanto ela fechava a cara, mas continuava com aquela mirada determinada. – Tem que ficar aqui segura para assim garantirmos que no dia do alinhamento das galáxias vocês derrotem a Gaia definitivamente.
— Mas eu não quero que você vá e se machuque!! – gritou ela balançando com força a cabeça negando com a mesma e fechando os olhos com força. – Não quero que se machuque de novo! Não quero que morra! Mamãe já foi embora eu não quero que o mesmo aconteça com você!!
— Não vai acontecer o mesmo, Yin. – murmurou um pouco triste por ela ter falado como se Maria tivesse morrido. Levou uma mão até o rosto da garota e o acariciou com cuidado. – E sua mãe não foi embora, ela só precisa de ajuda e eu vou lá para fazer com que ela possa ter essa ajuda. Logo nós dois estaremos de volta.
— Não acredito em você. – murmurou a garota abraçando com mais força o pequeno ouriço e fechando os olhos com mais força ainda. Aquelas palavras magoaram o ouriço negro, mas sabia que nesse momento tinha que ter paciência. – Toda vez que vocês falam algo desse tipo nunca acontece. Então eu não acredito mais no que vocês falam!
— Yin... – murmurou o ouriço carregando levemente a pequena e a apertando levemente contra seu corpo de uma maneira que ela pudesse ficar mais confortável e relaxada. Ela se encolheu em seus braços, mas continuou repetindo varias e varias vezes que não acreditava como se quisesse se convencer disso. – Sei que é difícil para você, mas peço que entenda que é preciso. Tudo o que fazemos é para manter vocês bem, não só vocês como todo mundo.
— Não é verdade!! – gritou ela dando pequenos murros no peito do pai se contorcendo sem parar enquanto sua voz ficava lentamente chorosas. – Vocês sempre falam que é para deixar a todos bem, mas nunca alguém fica bem!! Sempre alguém se machuca ou morre!! Eu não acredito mais nessas palavras!!
— Sei que não esta falando a verdade. Sei que acredita. – murmurou o ouriço negro a abraçando com um pouco mais de força. – E você sabe que temos que fazer o que é preciso pelas pessoas que queremos proteger.
— Mas eu não quero perder nenhum de vocês... – murmurou parando de se contorcer e se deixando relaxar nos braços do pai, forçando para que não chorasse naquele momento.
— Eu sei, e não vai. – respondeu para logo ouvir como a pequena deixava as lagrimas saírem e começava a gritar em um choro excessivo e ao mesmo tempo necessário.
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Caminhou lentamente para dentro daquele enorme lugar onde seu pai agora se encontrava, mirando o nada como se realmente estivesse vendo alguma coisa. Sabia que ele estava muito concentrado, seja em lembranças ou em apenas pensamentos. Se aproximou lentamente dele com passos silenciosos e cuidadosos tentando não chamar a atenção dele, mas que não adiantaram muita coisa.
— Sei que já descobriu Mi. – ouviu seu pai falar fazendo com que parasse de andar e abaixasse um pouco a cabeça. Ouviu ele respirar fundo e logo depois soltar o ar em um largo suspiro.
— Tem mesmo que ir? – perguntou com a voz um pouco embaçada pela tristeza. Sabia que isso era coisa de adulto, e passara a não querer crescer tão rápido como já fazia por isso queria entender apenas porque não podia ir com ele para ajudar. – Não podemos nem mesmo ajudar um pouco?
— Sabe que não podemos arriscar a segurança de vocês. – falou seu pai virando levemente e a mirando com um pouco de tristeza a pequena que tinha a sua frente. Sabia que ela entedia o motivo de tudo o que estava acontecendo e que não precisava explicar muito detalhadamente, mas também sabia que ela ainda era pequena para entender que nem tudo saía como se planejava. – Vocês são a única esperança de toda essa confusão acabar.
— Não quero ser isso. Sinto que por ter essa capacidade perco todas as pessoas que mais amo. Incluindo a mamãe. – murmurou o ultimo com tristeza quase de maneira inaudível. Ouviu seu pai soltar mais um suspiro e sentiu como se aproximava só para colocar uma mão em sua cabeça.
— Realmente é uma responsabilidade muito grande para uma garota tão pequena como você. – murmurou fazendo sua filha olhar ligeiramente para cima e encontrar com o sorriso sincero de seu pai, apenas fazendo seus olhos encherem de lagrimas. – Mas esta se saindo muito bem, e sempre estarei orgulhoso de você.
Sem suportar mais o abraçou com força deixando as lágrimas escorrerem por seu rosto. Se pudesse, trocaria todos esses poderes que tinha para ter sua família unida como era antes... Sem problemas...
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Sentado naquela cadeira viu seu pai entrar e se acomodar no lugar, logo depois que seus amigos tinham saído. O mirava diretamente nos olhos, azul com azul. Não tinha necessidade de desviar o olhar, não tinha desconforto na ação, apenas uma compreensão inigualável. Podia entender que seu pai estava triste e ao mesmo tempo orgulhoso do que fazia. Sabia que mesmo tendo a capacidade de ver o futuro ele não se importava com o que aconteceria em seguida, apenas se concentrava no agora. Talvez por esse motivo tivesse recebido aquele dom... mas mesmo assim...
— Isso que temos é uma maldição? – perguntou quebrando o silencio que pairava no lugar. Não sabia quanto tempo tinham ficado apenas se encarando, mas era melhor assim, sem dizer nenhuma palavra e deixar que os problemas se resolvessem sozinhos.
— Talvez sim, talvez não. Depende de como você olha. – respondeu seu pai dando ligeiramente de ombros, mas continuando a encará-lo, mostrando a sinceridade de suas palavras e a experiência que tinha tido nos anos que se encontrava com esse dom. – De certo modo é bom, mas de outros é ruim. Mas é nas boas coisas que devemos nos concentrar para não perdermos o controle.
— Não vejo nada de bom em ter um dom que não me permite impedir o que vai acontecer, apenas sofrer antecipadamente. – respondeu o garoto abaixando a cabeça e quebrando o contato visual. Queria tanto tirar esse dom que tinha de seu corpo para finalmente se sentir livre de viver as coisas sem que soubesse do sofrimento que vinha a frente. Por que mesmo sabendo não dava para se preparar para a dor que vinha depois.
— Então não esta olhando do lado certo. – falou seu pai de maneira lenta e simples como se aquilo respondesse ao sofrimento do garoto. O mesmo ergueu o olhar um pouco desconcertado.
— Então qual é a maneira certa de ver as coisas? – perguntou desconcertado não entendo o que seu pai queria dizer com isso. Não conseguia ver nenhum lado bom em ver a morte ou a separação de pessoas importantes em sua vida. Seu pai sorriu levemente.
— Lembra quando você era pequeno e aquele lobisomem possuído entrou e te levou? – perguntou coisa que o garoto apenas assentiu com a cabeça sem entender o que tinha haver com tudo o que falavam. – Eu te gritei poucos instantes antes de tudo acontecer, porque eu vi você sendo levado e mesmo assim não consegui impedir. Sei que isso é frustrante, mas o futuro não se muda, por mais que nosso desejo seja impedir que as coisas aconteçam isso é impossível.
— Ainda não vejo o lado bom nisso tudo. – murmurou Ramon abaixando novamente a cabeça. O pai do garoto sorriu e com delicadeza levantou a cabeça dele para que assim o mirasse novamente.
— Ramon, não estamos aqui, não temos essa capacidade para impedir o rumo das coisas. Estamos aqui para guiar nossos amigos e assim superar os obstáculos que temos pela frente. Enquanto eles se lamentam pelo o que aconteceu agora não podem ver o belo caminho que tem a frente, e nosso dom permite isso! – Knuckles começou a se animar no que falava, colocando mais potencia nas palavras para que assim seu filho entendesse que mesmo nos momentos difíceis os bons apareciam. – Nosso dom é apenas uma porta que nos mostra as coisas além do sofrimento. Sei que é complicado essas questões de tempo, mas somos nós que podemos ver a luz no fim do túnel e guiar a quem precisa.
— Esta dizendo que o bom de nossos poderes é poder guiar nossos amigos para um caminho que apenas nós podemos ver? – perguntou o garoto um pouco confuso. O pai dele assentiu e se levantou da cadeira que estava sentado. – Mas se eu não conseguir ver através do sofrimento? E se meus poderes não me mostrarem a alegria como você diz?
— Eles vão e você vai perceber que tem mais capacidade do que imagina. – disse o pai do garoto sorrindo extensamente para ele. E logo ergueu a mão em sua direção. – Acredito em você, e sei que vai ajudar seus amigos enquanto estivermos fora.
Ramon sorriu e segurou a mão do pai saindo da biblioteca e caminhando pelos corredores. Nunca mais pensaria que seu dom era uma condenação, nunca mais se subestimaria. Por que agora sabia que todos precisavam de sua ajuda e seu pai depositava toda a confiança nele. Não podia decepcioná-lo.
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As estralas pareciam tão bonitas vendo de onde estava. Nunca parou para analisá-las, sempre estava ocupado de mais pensando em como poderia ser o dia, em como se divertir, em coisa que agora considerava sem importância... Porque nunca parou e olhou para o céu? Por que sempre se preocupou mais com o que não podia alcançar? E por que se importava em tentar ajudar sendo que sempre fazia besteira? Talvez se não fosse tão hiperativo seus amigos estivessem mais seguros. Talvez se fosse mais calmo e tranqüilo pudesse ver as coisas que eram realmente importantes, os detalhes que escapavam de seus olhos e que faziam seus planos serem um fracasso.
Tinha problema em começar a concertar seus erros um pouco tarde? Queria recompensar a todos pelos erros que cometera em suas atitudes imprudentes e ainda não entendia como ninguém lhe culpava por varias coisa que tinham acontecido com o decorrer desse inverno sombrio. Ou talvez lhe culpassem, mas não tinham coragem de falar na sua cara que a culpa era sua... Suspirou. Queria ser diferente...
Voltou novamente sua concentração para as estrelas. Pequenos pontinhos brilhantes no céu que muitas vezes indicavam o caminho a se seguir. Serpa que elas indicariam o que deveria tomar? Aquele que o guiaria para fora dessa culpabilidade que sentia dentro de si? Talvez sim, talvez não. Afinal quem se importava? Não dava para mudar o passado e tinha medo de como seria o futuro. Ainda não compreendia como Ramon agüentava...
— Observando as estrelas? – perguntou uma voz atrás de si, mas não precisava se virar para saber quem era. Sentiu como seu pai se aproximava de onde estava, e logo viu pelo canto do olho como ele se sentava do seu lado. Estavam na parte mais alta do castelo, o lugar onde se podia observar o céu de uma maneira que parecesse estar perto dele. E nesse momento era tudo o que queria, ficar perto do céu e longe dos problemas que estavam acontecendo.
Tudo ficou em silencio e por alguma razão isso lhe incomodou. Nunca se importara com conversas perto de seus pais, apesar de ser tagarela e nunca saber a hora de calar a boca, gostava apenas de sentir a presença de seus pais perto de si, sem que nenhuma palavra fosse dita. Nesse momento o silencio era irritante e tenso o obrigando a quebrá-lo.
— Por que ninguém me culpa pelo o que aconteceu com nossas mães? – perguntou logo depois de um suspiro. Seus olhos permaneciam grudados no céu, observando cada pontinho brilhante que tinha nele e montando os vários desenhos que os humanos tinham criado para se localizarem. – Se eu não tivesse tido aquela idéia idiota elas ainda estariam aqui.
— Talvez. – murmurou seu pai em um tom despreocupado o que incomodou um pouco o garoto. Mas logo o mais velho continuou. – Ou talvez eles nos estivessem esperando e mesmo que vocês não tivessem sido puxados para a floresta eles nos pegariam desprevenidos e as garotas estariam na mesma situação.
— Mas por causa de meu plano coloquei a vida de Yin, Ramon e Mitsuki em perigo. Por minha causa Mitsuki quase não saía da cama, Ramon mal podia andar e Yin ficara amedrontada. – falou abaixando a cabeça fazendo sua franja tampar seus olhos não permitindo ver o brilho de tristeza que tinham neles. – Foi minha culpa...
— Racer, nem sempre fazemos uma coisa certa. Você cometeu um erro, mas concertou quando nos deu a informação de onde elas estavam apesar de ser tarde de mais, mas esse erro foi nosso por não termos sido mais rápidos. – falou Sonic passando o braço pelo ombro do filho que permaneceu cabisbaixo.
— Mas... – ele começou a dizer, porem seu pai o interrompeu começando a falar no mesmo instante.
— Sabia que quando lutamos com Gaia da primeira vez Shadow me mordeu quando era um Dark Chaos e para me salvar Mephiles teve que mordê-lo e assim se tornar o que era? – perguntou fazendo o garoto se impressionar com a informação sem saber o que dizer em resposta. – Pois eu me culpei bastante pelo o que tinha acontecido. Questionava-me se caso não tivesse sido mordo Mephiles nunca teria feito o que fez e estaria igual até hoje. Mas quando ouvi Shadow se culpando uma vez percebi que isso não valia de nada, que culpa só atrapalha. As coisas acontecem e não podemos mudá-las, apenas aceitá-las por mais que não gostemos. Você é um grande líder Racer e se ficar abatido dessa maneira vai afetar os outros também.
— Eu? Um líder? – perguntou o garoto em um tom irônico soltando uma gargalhada sem humor. Por mais que a idéia lhe agradasse não conseguia se imaginar daquela maneira, não se via um líder... Afinal cometia vários erros. – Não viu como meus planos só dão errado? Não viu que não consigo fazer nada certo?
— Você pode ter até razão, mas eu percebi uma coisa que você não percebeu. – falou fazendo o garoto erguer uma sobrancelha e o mirar de maneira interrogativa. – Quando todos estão abatidos e sem esperança é você que os anima. Quando ninguém sabe o que fazer é você que aparece com um plano. Quando todos mais precisam de ajuda é você que sempre aparece para ajudar. Você é sempre o ultimo a cair, é o que carrega a esperança e o coração de todo o grupo e essas são as qualidades essenciais para um líder.
— Mas eu não sei liderar ninguém! – exclamou o garoto indignado, duvidando que tinha feito alguma daquelas varias coisas que seu pai tinha mencionado.
— Sabe, e muito bem. Só não tem toda experiência necessária para fazer isso com a perfeição que se precisa no momento, mas sei que um dia vai ter. É só questão de tempo até você ser o melhor líder de todos. – falou Sonic tentando animar o filho que ainda permanecia descrente sobre essa sua capacidade. Sonic suspirou. – Tira essa cara amarrada que sabe muito bem que sua mãe não gosta quando você fica assim, e eu também não.
— Acha que ela esta bem? – perguntou mudando de assunto e olhando para o horizonte negro logo a frente, mas que já começava a clarear levemente, mostrando que faltava pouco tempo para o sol nascer. Sonic perdeu a empolgação do rosto e olhou para o mesmo lado que o filho. As vezes se fazia a mesma pergunta que ele e queria estar seguro da resposta.
— Gosto de acreditar que sim. – respondeu em um suspiro. O silencio voltou a dominar o lugar e dessa vez nenhum dos dois percebeu se era incomodo ou não. Suas mentes estavam em outro lugar. – Melhor entrarmos. O sol já vai nascer e os guerreiros que Manic chamou já devem ter chegado.
Racer apenas assentiu se levantado e seguindo o pai para entrar no castelo enquanto o dia tomava conta da noite logo atrás.
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Naquele lugar subterrâneo os quatro garotos observavam atentamente enquanto seus pais analisavam os guerreiros que tinham sido enviados. Daqui a duas noites eles iriam partir e assim tudo poderia mudar. Perguntavam-se se tudo aquilo fora uma maneira de seus pais se despedirem discretamente sem que eles perceberem que pretendiam não voltar ou que não tinham certeza de seu destino.
Racer segurou de leve a mão de Yin, que logo segurou a de Ramon que segurou a de Mitsuki, em uma leve demonstração de companheirismo. Não permitiriam que aquele fosse um adeus, não deixariam nada acontecer com aqueles que amavam, não pelo o trabalho que eles deveriam realizar. Era uma promessa silenciosa que os quatro faziam enquanto observavam o treinamento começar.
Talvez essa promessa não tivesse nenhum sentido em ser feita, que não importava o que fizessem o destino deles era falhar, mas nesse momento nada mais importava alem da união que tinham com as mesmas emoções. Medo, tristeza, esperança, carinho e amor. Cada um ali daria seu melhor para que essas mãos nunca se soltassem e assim pudessem ter certeza que no final tudo acabaria bem...
Que mesmo um ser da noite poderia ter seu final feliz... Apesar de ser improvável e distante...
Notas finais
Bom... sem mais nada a dizer.
Bjsss e Bye
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