Guerreiros das Esmeraldas
9 E o pesadelo não termina!
Notas iniciais
Aproveitem esse cap!!!
Guerreiros das Esmeraldas
A sala estava em um silencio fúnebre. Os garotos estavam completamente calados enquanto pensavam em tudo o que estava acontecendo. Todos ali destroçados, completamente abatidos pelos ocorridos a poucos instantes. Sonia estava cuidando dos pequenos que se encontravam igual ou pior que cada um ali na sala. Yin, entre todos era a que se sentia pior. Shadow foi vê-la só para que assim a garota se sentisse mais cômoda em saber que pelo menos seu pai estava bem, mas para falar sobre a mãe... Isso fora um custo para ambos.
O ouriço negro ainda se encontrava um pouco afetado pela cara que sua pequena tinha feito ao ter a noticia. E pensar que no mesmo dia tinham prometido que nunca a deixariam... Estava louco para que aquela reunião terminasse e pudesse ir ficar com ela. Assim garantiriam um ao outro que estavam ali, apesar de logicamente um vazio incomodo ficar sempre presente, pelo menos até conseguirem resolver tudo. Suspirou, vai se saber por quantas vezes, era sua função proteger as duas e acabara perdendo Maria...
— Dessa vez foram todas... – comentou Sonic um pouco cabisbaixo. Era a primeira vez que ele perdia a parceira, devia estar arrasado com essa nova sensação de culpa. Queria dizer alguma coisa para animar o irmão, mas no momento não tinha nada, sem falar que nunca fora bom com isso. – O que querem dessa vez?
— Gaia esta planejando algo bem maior do que pensávamos. – murmurou Silver abaixando a cabeça mais do que seu pescoço poderia suportar. Ele não devia estar ligando para as dores que o mesmo lhe proporcionava, mas mesmo assim era preocupante a maneira encurvada que se encontrava. Parecia querer entrar em si mesmo. – Vocês viram quantos Dark Chaos tinham na floresta. Quase se comparavam ao numero que tinha em Station Scare.
— Mas lá era diferente. Eles pareciam estar furiosos e aqui eles queriam alguma coisa. – comentou Manic pensativo, mas ao mesmo tempo não conseguia manter o foco no assunto que se trava ali. Sua mente voltava varias e varias vezes no momento que Cassandra lhe dissera aquelas palavras tão cortantes. Seu coração ainda estava despedaçado e provavelmente nunca mais se curaria. Para os vampiros a frase: o tempo cura qualquer ferida não tinha cabimento. Para eles só se amava uma vez e era para sempre.
— Talvez a esmeralda caos. – comentou Knuckles também bastante abatido. O estado que Ramon tinha chegado era preocupante apesar de o de Mitsuki ser pior, mas ele foi quem viu a própria mãe ser pega e ter a força de vontade para falar. Devia estar se culpando até não poder mais por provavelmente ter previsto aquilo e mesmo assim não poder ter feito nada.
— Gaia não mandaria um numero tão grande por causa disso. – falou Shadow jogando a cabeça para trás de mirando o teto com suma atenção como se nele tivesse a resposta. Suspirou e se jogou para frente se levantando quase que de uma maneira mecânica. – Não conseguiremos nada estando cansados. Vamos dar uma pausa para relaxar e depois voltamos a nos reunir. Talvez quando os garotos estejam bem.
Todos assentiram e caminharam para seus próprios quartos. Shadow caminhava de uma maneira lenta até seu quarto, imaginava como Yin estaria reagindo a tudo aquilo. Ela era muito nova e não devia estar suportando a perda de um parente tão intimo como a própria mãe. Se pensasse bem ele também perdeu a mãe quando muito novo, apesar de ser em um sentido diferente do de sua filha ainda conseguia imaginar a dor que ela devia estar sentindo. Pelo menos ele estava ali com ela, diferente de seu pai que apenas os deixara sozinhos no mundo, no meio de uma guerra onde eles poderiam ser usados como armas a qualquer instante.
Fechou os punhos com força enquanto parava na frente da porta de seu quarto. Não seria igual a seu pai, estaria sempre pronto para ajudar sua filha seja no que ela precisava. Abriu a porta com cuidado e se encontrou com o quarto completamente escuro, as cortinas fechadas completamente fazendo com que uma sombra ainda maior que o da noite tomasse conta do quarto. Deitada na cama estava o pequeno vulto de sua filha que abraçava com força o pequeno ouriço de pelúcia. Sabia que ela ainda estava acordada por seus olhos brilhantes de uma cor tão peculiar se destacarem na escuridão o mirando com uma tristeza de pesar o coração.
Andou letamente até ela e se sentou na cama a seu lado acariciando a cabeça da pequena ouriça negra que o mirava com os olhos cristalinos. A pequena ficou um tempo apenas o mirando para logo depois esconder o rosto na cabeça do ouriço e deixar as lagrimas saírem enquanto a única evidencia de que estava chorando eram os leves balançares de seu ombro. Shadow sentiu um aperto ao ver a filha tão triste e apesar de não ser bom em consolar as pessoas faria um pequeno esforço.
— Yin, não chora. Sua mãe não gostaria de te ver dessa maneira por causa dela. – murmurou sabendo que esse não era o melhor consolo do mundo, mas funcionara para fazer a pequena parar de chorar por um instante, tirando o rosto do ouriço e limpando as lagrimas com as costas das mãos. Sorriu com a cena tão doce de sua pequena, o único tesouro que agora lhe sobrava.
— Acha que mamãe esta bem? – perguntou a pequena mirando uma parte do quarto com os olhos perdidos, sem realmente parecer verem alguma coisa. Shadow suspirou, devia imaginar que ela faria uma pergunta desse tipo e apesar de estar indeciso com relação aquilo tinha que falar uma coisa que relaxasse a pequena.
— Sua mãe é forte, com certeza esta bem. – falou tentando convencer a si mesmo disso. Yin se encolheu mais na cama e abriu um espaço atrás de si para seu pai se deitar. O mesmo se acomodou cuidadosamente e a abraçou, não sabia como dar o mesmo conforto que Maria sempre fazia com ela, mas ao parecer a pequena se alegrava com apenas senti-lo perto então tudo o que fez foi apertá-la um pouco mais contra seu corpo e deixar seus olhos se fecharem para mais um descanso, talvez assim podia fazer a mesma coisa que Yin fazia e sonhar com sua parceira estando bem, de volta em seus braços junto com sua pequena filha.
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A ouvia reclamar das dores e não sabia exatamente o que fazer para acalmar aquilo. Mephiles tinha pegado pesado com as ilusões e ele podia nunca tê-las sentido, mas Blaze já e ela dizia que era a pior coisa que podia acontecer. Era como se sua mente forçasse seu corpo a sentir dores terríveis, as mesmas dores que aconteciam em suas ilusões. Mitsuki agora sentia essa mesma dor, se contorcendo debaixo dos cobertores enquanto ele não sabia o que fazer alem de acariciar a testa de sua filha esperando que aquilo passasse.
— P-pai... – murmurou a garota com dificuldade virando ligeiramente a cabeça para o lado e o mirando com apenas uma brecha do olho aberta. Sorriu de maneira triste para ela e logo a acomodou com cuidado em seus braços, a sentando em seu colo e a abraçando com um pouco de força. Por um instante a garota parou de se contorcer e suspirou um pouco mais cômoda. – Q-que dor é e-essa?
— É um poder do vampiro que te atacou. Ele causa ilusões tão reais que você sente a dor que elas te mostram. – respondeu com delicadeza acariciando de leve a cabeça da garota que tinha agora em seu colo. Sabia que ela estava confusa, assustada e completamente perdida naquela confusão toda e se pudesse dar pelo menos um conforto a sua filha já se sentiria satisfeito.
— Ramon também esta sentido isso não é? – perguntou a garota com um tom de culpa enquanto escondia o rosto no peito do pai.- Por minha causa ele teve que tocar aquela sombra e deve estar sentindo a mesma dor...
— Ele esta bem Mi. – falou Silver tentando acalmar a garota, acariciou delicadamente a cabeça da pequena enquanto a mesma fechava levemente os olhos preparando para descansar. – Agora descansa ok? Temos muita coisa o que fazer amanhã.
— Encontraremos a mamãe não é? – perguntou a garota antes de finalmente deixar a mente em branco e o corpo completamente relaxado finalmente se livrando daquela terrível dor. Silver suspirou e olhou para o teto procurando achar a resposta da pergunta da garota.
— Assim espero Mi. – sussurrou mais para si mesmo do que para a garota “adormecida” em seu colo. – Assim espero.
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Abriu os olhos talvez por volta de três ou quatro da tarde. Não conseguia relaxar mais, não conseguia tirar da cabeça o fato de sua mãe provavelmente estar em perigo. Seu pai ainda a abraçava e seria um pouco difícil sair para dar suas típicas voltas no castelo sem “despertá-lo”, mas talvez nem quisesse fazer isso no momento. Estava feliz por ele estar do seu lado, apesar de ainda sentir o vazio que sua mãe tinha deixado ao desaparecer.
Respirou fundo sentindo o cheiro de sua mãe ainda preso na cama. O aperto no peito ficou ainda maior e a falta dela apenas crescia. Aquele carinho que ela lhe dava, aquela tão cômoda sensação de amor materno. Se encolheu nos braços de seu pai querendo se sentir segura, querendo sentir que não perderia mais ninguém. Seu pai resmungou alguma coisa, que supôs ser o nome de sua mãe, e logo a abraçou com mais força se mexendo um pouco incomodo na cama. Ele também sentia a falta de sua mãe, ele também sofria com isso...
Yin...
Quase deu um salto da cama ao ouvir aquela voz. A conhecia, aquela tão doce voz que transmitia tanta tranqüilidade... Não podia ser de outra pessoa alem de sua mãe. Olhou para seu pai tentando achar alguma indicação de que ele também tinha ouvido, mas nada, ele nem tinha aberto os olhos e provavelmente estava muito disperso em pensamentos para poder notar seus movimentos bruscos de completo desespero.
Yin...
Novamente e dessa vez de maneira mais clara. Olhou na direção da porta e viu um vulto brilhante sair por ela. Não teve duvidas ao ver um inconfundível cabelo loiro longo de sua mãe esvoaçando para fora do quarto. Delicadamente deslizou para fora dos braços de seu pai e tocou com cuidado os pés no frio chão. Correu atrás do vulto com a doce esperança de que sua mãe pudesse ter escapado e tinha voltado para casa. A doce e ilusória esperança que tudo estivesse voltando a se encaixar e ficar feliz.
Vem minha pequena...
Virou mais um corredor tentando alcançar aquele vulto, mas ele apenas parecia desaparecer atrás de cada corredor e pensara nunca o encontrar. Quando pensava que o tinha perdido ele logo voltava a aparecer indicando para virar mais um corredor. Se perguntava porque sua mãe fazia isso. Por que estava fugindo dessa maneira, mas cada vez que a ouvia a chamar sua mente voltava a ficar em branco e seu impulso era apenas segui-la.
Quero te mostrar uma coisa...
Abriu as portas da biblioteca, lá fora o ultimo lugar que vira o vulto entrar. Caminhou letamente por aquela enorme biblioteca cheia de estantes lotadas de livros que provavelmente leria ou já tinha lido. Olhou para os lados, vendo através das varias sombras que dominavam o lugar. Esperava algum sinal de sua mãe, alguma coisa que indicasse que estava ali.
Por aqui...
Olhou para uma das estantes e viu novamente aquele vulto brilhante de sua mãe e não duvidou nem um pouco em segui-lo. Correu pelas estantes, procurando e procurando sua mãe. Chegou em uma parte onde tudo parecia mais escuro que o de costume, os livros exalavam um cheiro de mofo horrível. Era uma parte que nunca tinha ido e talvez nem mesmo seu pai e seus tios a conheciam.
Aqui...
De repente um grosso livro caiu a sua frente a fazendo dar um pequeno salto pelo susto. Um pouco mais tranqüila ao ver que não tinha nenhum perigo se aproximou do livro se ajoelhando para vê-lo melhor. A capa de couro estava completamente empoeirada de tanto tempo que tinha ficado parado ali, e nem dava para ver o que estava escrito. Com cuidado passou a mão pela capa, limpando-a para assim revelar o nome do livro que estava escrito em letras pretas arroxeadas parecendo até mesmo reluzir.
— Gaia. – leu a garota em voz alta se surpreendendo com o nome do livro. Limpou um pouco mais procurando mais alguma coisa escrito, mas não tinha nada. Com cuidado abriu o livro vendo uma pequena dedicatória na primeira pagina. Se é que aquilo podia se chamar de dedicatória. – “Para o meu retorno. Que assim eu tenha gravado todos os meus feitos desde o inicio”. – leu mais uma vez. – Deve ter sido escrito por Gaia para se gabar do que fez...
De repente o som de uma leve respiração chamou sua atenção. Se encontrava atrás de si, mas pela energia que emanava sabia que não era sua mãe. Seu sangue gelou e logo percebeu que estava em uma grande enrascada.
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Se remexeu incomoda na cama, procurando o corpo macio de seu pai para novamente se sentir segura e protegida como tinha sentido antes. Mas ao contrario disso sentiu como uma mãe passava por sua cabeça, descendo lentamente até seu pescoço, segurando de leve seus cabeços que se encontravam soltos escorrendo por seu ombro. Elas não eram macias iguais a de seu pai, nem delicadas iguais a de sua mãe. Eram ásperas e pesadas quase esmagando seu corpo contra o colchão só com aquele leve toque.
Abriu levemente os olhos e ao se encontrar com dois olhos verdes quase negros abriu a boca para soltar um alto grito, mas ao invés disso saiu um gemido abafado já que aquele ouriço branco tinha colocado a mão em sua boca e a pressionava com força. Ele praticamente dava a volta em sua cabeça com a mão, chegando com os dedos as laterais de sua cabeça com tranqüilidade. Levou a mão com desespero ao braço dele tentando tirá-la de sua boca.
— Agora vou poder ter minha vingança. – murmurou ele erguendo um pouco o outro braço fazendo com em sua mão se concentrasse uma alta quantidade de energia. De tão grande dava até mesmo para ver as ondulações no ar. Sabia que se recebesse aquilo seu corpo inteiro ia se espatifar tinha que agir rápido para escapar.
Segurou com força o pulso daquele ouriço e fez suas mãos pegarem fogo, queimando o braço do ouriço desde o punho até o cotovelo fazendo o mesmo a soltar e perder a concentração, fazendo a concentração de energia em sua mão desaparecer. Rapidamente saltou da cama e correu na direção da porta tentando abrir a mesma, mas ao parecer aquele ouriço a havia trancado. Não tinha muito tempo até ele se recuperar das queimaduras por isso a única opção que encontrou foi se esconder...
Aquela maldita praga tinha queimado seu braço e agora a havia perdido no quarto. Só por raiva lançou uma de suas ondas de energia na escrivaninha do quarto fazendo a mesma se quebrar em um alto estrondo. Respirou fundo logo depois e sorriu, o quarto não era muito grande, tudo o que precisava fazer agora era procurá-la e assim matá-la. Ficar um pouco mais no quarto esperando Silver voltar ver a cara de desespero dele e depois desaparecer. Ah! Mas não podia ter idéia melhor.
Caminhou com cuidado pelo quarto pisando de leve na madeira que compunha o chão. Olhou debaixo da cama, mas não havia nada lá, foi até o armário e o abriu, mas ela não estava lá. Era uma garota boa no esconde-esconde, tinha que admitir, mas logo ele ganharia a brincadeira, era uma questão de tempo.
Tentava não respirar naquele espaço minúsculo que tinha para se esconder. Estava atrás do armário, escondida nas sombras do mesmo esperando que aquele ouriço desistisse ou que pelo menos seu pai chegasse e a ajudasse. Ouvia as portas de gavetas, armários, banheiros tudo sendo abertas. Ele a estava procurando e talvez logo a acharia. Fechou os olhos com força torcendo para que ele não pensasse no esconderijo que estava, enquanto em sua mente pedia para que seu pai aparecesse rápido e assim a livrasse desse enorme problema.
- Te achei. – ouviu sussurrarem a fazendo abrir os olhos rapidamente e perceber que o armário tinha sido jogado ao chão e agora aquele ouriço estava a sua frente com a mão preparada para jogar uma daquelas ondas de energia que antes estava preparando. Levou as mãos a cabeça esperando o choque da onde, mas tudo o que pode foi ouvir um leve “bang” de um corpo se chocando com o que parecia ser a parede. Tirou as mãos da cabeça e viu seu pai parado na porta do quarto com as mãos brilhando levemente de verde enquanto aquele ouriço estava preso na parede do quarto.
— Mitsuki, para cá! – disse seu pai em um tom autoritário e não demorou muito que o obedecesse e fosse para trás dele. Silver ainda mantinha Nazo preso na parede enquanto sua filha ia em sua direção se escondendo atrás de si rapidamente. – Não sabe quando desistir Nazo?
— Agora que tenho uma chance de acabar com você vampirinho de araque? Não. – respondeu o ouriço branco fazendo Silver soltar um suspiro de monotonia ao mesmo tempo que era de preocupação.
— Onde esta Blaze? – perguntou em uma voz seca sabendo que essa era uma de suas únicas oportunidades de saber onde estaria sua parceira. Não podia desperdiçar nenhum momento.
- Acha mesmo que eu te diria? – perguntou Nazo com uma voz divertida enquanto ria a gargalhadas de uma maneira escandalosa. – Seus dias estão contados vampirinho. Logo todo esse mundo cairá!
— Não se pudermos impedir. – rapidamente Silver jogou Nazo na direção da janela fazendo o mesmo atravessar as cortinas, levando-as junto, e quebrando o vidro deixando o sol entrar. Sabendo muito bem o que estava fazendo Silver tampou sua filha com seu próprio corpo e saiu da luz do sol sendo exposto apenas um pouco, mas mesmo assim ficando exausto. A luz estava quase desaparecendo no horizonte, mas mesmo assim causava um grande estrago.
Pelo menos Nazo teria um prejuízo maior estando exposto todo esse tempo. Só esperava que fosse o suficiente para deixá-lo longe por um tempo.
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Estava um pouco atordoada. Em um minuto se encontrava em uma situação completamente perigosa, com seu tio completamente dominado pela escuridão atrás de si se preparando para atacar, um golpe que seria provavelmente o único que precisaria para matá-la, mas agora se encontrava zonza com a cabeça sangrando, logo depois de se estatelar contra uma das estantes enquanto seu pai lutava arduamente contra seu tio.
Não era um luta muito justa devia se dizer. Seu pai parecia ser bem mais fraco que seu tio, mas mesmo assim lutavam de igual para igual tendo golpes mortais para ambos os lados. Sacudiu a cabeça vendo como seu tio era jogado contra uma das estantes as derrubando junto com vários livros. Seu pai se aproximou com passos pesados, ele se posicionou encima de seu tio e logo se preparou para dar um murro no mesmo. Mas antes que pudesse conseguir seu tio desapareceu para dentro do chão fazendo seu pai atingir a estante quebrando a mesma e um pouco do chão de mármore.
Um pouco confuso, Shadow mirou todos os lados procurando seu irmão, mas percebeu tarde de mais que o mesmo saíra do chão atrás de si e agora fora acertado nas costas com um murro, sendo lançado na direção de uma das paredes do lugar a atingindo com um forte choque. Rapidamente Mephiles foi até o irmão se colocando perto dele e preparando seus afiados caninos para perfurar a pele do mesmo que segurou seu pescoço antes que pudesse fazer o que queria.
— Por que me atormenta tanto Mephiles? – perguntou com um pouco de força já que estava usando uma grande quantidade de energia para segurar o irmão que continuava tentando mordê-lo. Os olhos verdes do irmão encontram seus olhos vermelhos fazendo uma faísca de tensão passar no ar ao mesmo tempo que um fleche de memórias.
— Pelo o que você me fez! – respondeu Mephiles com a mesma voz forçada só que em seu caso era por dois motivos. Alem da grande quantidade de energia que usava para tentar morder o irmão ainda gastava bastante tentando retomar a sanidade que ainda tinha em sua mente.
- Então deixe minha filha em paz! – exclamou Shadow empurrando o irmão para longe e logo depois se levantando. Mephiles voltou a recuperar o equilíbrio e mandou suas sombras na direção de Shadow que fez a mesma coisa. As sombras se chocaram em um golpe forte carregado de energia, uma energia tão grande que fez muitas das coisas que tinham na biblioteca serem lançadas para as paredes, e isso contava com Yin.
O grito que a garota soltou ao se chocar com força com a parede de concreto fez Shadow se distrair dando a oportunidade perfeita para Mephiles usar uma de suas sombras e empurrar o irmão de volta para a parede, perfurando-o com a mesma. Yin arregalou os olhos ao ver como seu pai era ligeiramente erguido do chão enquanto seu sangue escorria pela sombra que os perfurava e pingava no chão. Tudo parecia ter passado em câmera lenta, mas mesmo assim a cena não ficara menos marcante enquanto seu pai caia sentado no chão arfando de dor, tanto pelo ferimento que se fechava quanto pelas ilusões que a sombra de seu irmão tinha provocado.
Mephiles balançou a cabeça tentando tirar aquele incomodo sentimento de culpa e preocupação que seu lado normal sentia. Caminhou lentamente até Shadow, enquanto suas sombras tremiam a sua volta de uma maneira ameaçadora. Uma delas se ergueu, se sobressaltando as outras e foi em disparada na direção de seu irmão, e o teria acertado em cheio no rosto se aquela pequena ouriça negra não tivesse entrado em sua frente e feito sua sombra parar de alguma maneira.
— Tio Mephiles, por favor, pára. – pediu enquanto as lágrimas saiam de seus olhos. Seus pequenos bracinhos estavam erguidos para os lados como se assim quisesse proteger o pai que ainda arfava de dor atrás de si. As sombras de Mephiles se mexeram inquietas enquanto ele encarava os olhos de cores tão peculiares da garota. Apenas aquilo mostrava a luta mental que tinha.
— Yin... – murmurou seu pai logo atrás de si, se mexendo para tentar se levantar, mas as dores que sentia eram muito fortes para que assim conseguisse. Yin permanecia a sua frente de uma maneira determinada mirando a Mephiles que não fazia nada para atacá-la até parecia recuar.
— Eu sei que você não é assim tio Mephiles. – continuou a garota dando um passo na direção do tio que se afastou. O mesmo grunhiu dolorido e levou uma mão a cabeça a sacudindo com brutalidade. – Sei que você esta ai em algum lugar, sei que esta lutando para ter o controle, mas precisa se esforçar mais! Eu quero ajudar, mas preciso que me diga como!
— Y-Yin... – murmurou ele se afastando mais um pouco soltando um uivo de dor e sacudindo com força a cabeça de uma maneira quase desesperada.
- Você quer pedir desculpas para meu pai não quer? – perguntou a garota com doçura se aproximando mais de seu tio e erguendo uma mão em sua direção enquanto um pequeno sorriso aparecia em seu rosto. – Deixa eu te ajudar. Deixa eu trazer você de volta.
Shadow mirava tudo impressionado. Parecia mesmo que Yin conseguia fazer Mephiles retomar a consciência de seus atos, porque em um momento, seus olhos se encontraram e uma coisa que não via a muito tempo nos olhos do irmão voltou a aparecer. Arrependimento, magoa e tristeza. Se pudesse, falaria que aquele era seu velho irmão gêmeo que estava sempre ali para ajudar e se culpava por cada coisinha que acontecia com ele e seus irmãos.
A boca dele se mexeu algumas vezes, mas nada saia dela, como algo o estivesse impedindo. Mephiles sacudiu mais algumas vezes a cabeça e desapareceu porta a fora deixando aos dois ouriços negros perdidos na biblioteca, sem saber exatamente o que tinha passado.
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O sol já tinha desaparecido no horizonte e a noite recaia sobre aquela imensa floresta onde um ouriço negro com raias verdes acinzentadas nos espinhos sofria com suas pensamentos confusos, lutando por sua sanidade. Se apoiou em uma das varias arvores que tinha no local e olhou para o céu azulado lembrando de vários momentos de sua infância. Aquele céu era o mesmo que vira anos atrás, vários anos atrás para ser exato. Nem mesmo podia dizer quanto ao certo.
Seus olhos verdes se tornaram cristalinos enquanto uma pequena lagrima solitária escapava dele em um arrependimento marcado de tudo o que tinha acontecido, de tudo o que tinha feito. E um pedido de perdão era lançado ao ar, um pedido que talvez nunca chegasse aos ouvidos daquele que devesse ouvi-los.
— Shadow... Realmente sinto muito irmão...
Notas finais
Bjsss... Nossa acabei de peceber que postei dois caps em um só dia O.o
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