Guerreiros da Noite: A filha perdida
2 Legado
− Daqui uma hora passamos para te pegar − avisa Natasha ao fechar a porta.
− Tá bem − levo Kitty pra dentro e começo a gritar por Hannah, esquecendo que ela deveria estar no trabalho − Hannah, Hannah, Hannah − paro de gritar, não porquê eu deveria saber que não tinha ninguém em casa, mas tinha gente em casa, meu pai, Hannah e... minha mãe. Eu nunca havia imaginado ver minha mãe vindo me visitar, nem em sonhos eu imaginava essa cena.
Perséfone estava vestida como uma mortal qualquer: blusa branca, calça jeans, colete preto e salto alto preto, ela estava sentada em uma poltrona com meu pai e Hannah de frente pra ela sentados no sofá. Quando nos vê todos se levantam.
− Ola crianças − ela abre um sorriso pálido e forçado − estávamos só esperando a chegada de vocês. Tenho pouco tempo, Hades não me deixa sair muito do mundo inferior e o assunto que eu tenho a tratar aqui é serio. Sentem-se, a conversa pode ser um pouco demorada.
Levo Kitty até um sofá que estava vazio e me sento junto com ela.
− Que assunto é esse que você tem a tratar com a Katie? − pergunta meu pai.
− Com ela nada − ela responde calmamente.
− Se não é ela, é com quem? − meu pai estava com um pouco de apreensão para saber a resposta − E que assunto é esse de tão importante para você sair do mundo inferior para vir aqui no mundo mortal?
− Não se preocupe Bill, o assunto que eu vim tratar aqui não é sobre você − minha mãe estudava meu pai com aqueles olhos que pareciam tão sem vida − o assunto de hoje é sobre a Kitty − sinto uma pontada de ciúmes quando minha mãe vira o olho para Kitty.
− O que você quer comigo?
− Esse ano eu quero que você passe o verão no acampamento meio-sangue.
− Mas mortais não podem passar pela entrada − digo com firmeza.
− Que autoridade você tem sobre minha filha para dizer aonde ela vai passar o verão? − Hannah estava um pouco exaltada com a presença dela em nossa casa.
− Respondendo a pergunta da Katie, ela não é uma simples mortal e respondendo a da Hannah − minha mãe a encara de uma forma maligna − Você vai ver a autoridade que eu tenho sobre ela e você também.
− Ela não é uma semideusa − meu pai fala − eu tenho certeza que a Hannah não teria coragem de me trair.
− Eu não estou dizendo que ela te traiu.
− Se ela fosse uma semideusa, ela deveria estar lá desde os 12 anos, mas ela tem 16 – digo − foi esse o acordo que os deuses fizeram com o semideus Percy Jackson faz uns 10 anos por ai.
− Verdade minha filha, ela não é uma semideusa, ela é um legado.
− Um o que? − indaga Kitty.
− Legado – digo − É um descendente de um semideus. Por exemplo, se a Natasha e o Marvel tiverem filhos, os filhos deles serão legados de Quione e Hipnos, todos os filhos, netos e descendentes deles serão legados.
− Pelo visto o Quiron ensina muito bem lá no acampamento.
− Mas eu não sou filha de um deus, muito menos o Bill − rebate Hannah.
− Você não, mas seus pais eram.
− Meus pais? Eles não eram semideuses, não podiam, eles me contariam – Hannah parecia muito abalada – eles nunca me contaram.
− Nunca? − Perséfone levanta e vejo ódio naqueles olhos que há pouco estavam “mortos” − você tem a cara de pau de dizer na minha cara que minha filha nunca te disse a origem dela? E que seu pai era filho de Lissa?
− Nunca − Hannah também se levanta.
− Nunca minta para mim − minha mãe da um bofetada na cara da Hannah − só não faço coisa pior porque minha filha e meu legado estão presentes aqui. Eu tenho nojo de você e dos seus tios.
− O que meus tios-avôs e minha mãe fizeram de tão grave? − Pergunta Kitty.
− O que sua mãe contou sobre a morte do seu avô?
− Falou que foi um simples acidente de carro, minha avó também estava no carro, mas ela sobreviveu − responde.
− E o que aconteceu com sua avó depois do acidente?
− Ela nunca me contou.
− Então vou te contar toda historia: tudo que aconteceu com seus avós. Seu avô, filho de Lissa, já quando velho foi fazer um piquenique com sua avó, minha filha, e quando eles estavam voltando o minotauro foi atrás do carro deles, o seu avô tentou despistá-lo, mas não tinha como, o minotauro conseguiu alcançar o carro e jogou ele pelo penhasco, minha filha acabou tendo sorte e saiu via do acidente, mas o meu genro não teve tanta sorte. Desde esse dia minha filha ficou com medo, achando que o minotauro a estava perseguindo, que ele voltaria para pegá-la. E sabe o que sua mãe e seus tios-avôs fizeram? − ela olhou para a cara da Hannah e disse − a colocaram em um hospício, afirmando que ela havia batido cabeça muito forte no acidente. Depois de dois anos do ocorrido, você tinha alguns dias de nascida, o minotauro entrou no hospício e matou sua avó, ainda por cima disseram que ela tinha se matado − Hannah já tinha começado a chorar − Você preferiu acreditar que sua mãe era louca a acreditar que esse mundo existia que existiam mesmo monstros no mundo, mesmo depois de você ter conhecido o Bill e a historia dele comigo, mesmo depois de você ter conhecido uma semideusa, conviver com isso, você preferiu fingir que nada tinha acontecido de errado com seus pais.
− C-o-m-o... vo-voc-você acha que eu reagi quando soube que tudo que minha mãe havia falado era verdade, que meu pai foi morto por um minotauro e que ele estava à procura dela, que ela estava certa e eu errada, que foi por minha culpa ela ter morrido − ela tentava conter as lagrimas em quanto falava − Eu me odeio por ter naquela época ter preferido acreditar em uma ilusão a ter acreditado na verdade. Preferia pensar que minha mãe estava louca a acreditar em todos esses “mitos”. Preferia acreditar que estávamos todos seguros. E depois que eu descobri da historia do Bill e da Katie eu continuei deixando minha mãe lá no hospício pensando que lá era o local mais seguro para ela nesse mundo.
− Cale-se, não quero ouvir essas suas desculpas esfarrapadas e tenho algo mais importante a dizer. Kitty, eu já falei com o Quiron e o Dionísio, eles disseram que vão te receber de braços abertos no acampamento.
− Quem é Lissa? − Kitty queria saber.
− É uma deusa menor como Perséfone, deusa da possessão e da loucura − digo vaziamente.
− Correto. Agora subam que já já os amigos de vocês vão chegar para pegá-las − Perséfone fala ao ir indo para a porta.
− Vamos − Kitty me pega pelo braço e me leva para a escada − Obrigada Perséfone.
− Tchau mãe − digo.
− Tchau minhas crias.
Quando entro no meu quarto, vou correndo ate a janela e vejo minha mãe se transformar na rainha do mundo inferior, ela troca aquela roupa de mortal por um vestido preto, ela estrala os dedos e uma carruagem vem do fundo do chão. Minha mãe sobe na carruagem e eles entram por outro buraco que ao passarem se fecha, como se nada tivesse mudado.
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