Guerreiros da Noite: A filha perdida
11 Digo adeus
Notas iniciais
Aquela casa não mudou nada, continuava a mesma de alguns dias atrás, mas parecia que a ultima vez que eu estive aqui foi a éons. Kitty e eu estávamos meio em que um debate mental com nós mesma, para ver se íamos ou não ter coragem de entrar.
Decidimos que era melhor entrar. Tocamos a campainha e esperamos um tempo, eu estava pensando se eles já não tinham saído para trabalhar, mas Hannah abre a porta e Kitty pula em seus braços.
– Senti tanta sua falta mamãe.
– Minha filha – ela estava meio assustada – o que vocês estão fazendo aqui? Não deveriam estar no Acampamento meio-sangue? E para que são essas malas?
– Longa história – digo – podemos entrar? Temos assuntos muito importantes.
– A casa é de vocês.
– Cadê papai? – pergunto.
– Está dormindo.
– Acorde ele, por favor.
– O que é de tão importante que não pode esperar seu pai acordar?
– Acorde-o primeiro, depois digo.
Ela sobe as escadas e eu e Kitty vamos para a sala de jantar. Esperamos um tempinho até ver nosso pai entrando na sala só de pijama. Dou um longo e apertado abraço e depois é a vez de Kitty.
– O que é garotas? Vocês deveriam estar no acampamento uma hora dessas – ele nos diz.
– Sente-se papai – Kitty pede – E mamãe também – ela me encara – você pode contar?
– Sim – eu me sento também – Pai, Hannah... Eu e Kitty não voltaremos a passar os verões no acampamento meio-sangue e não moraremos mais aqui.
– Por que? – meu pai pergunta.
– Por favor, vai ser mais fácil se o senhor não me atrapalhar – eu não sabia como falar aqui, eu nem mesmo queria falar aquilo – quando eu e Kitty chegamos ao acampamento, uma presença interrompeu a cerimônia da fogueira. Essa presença era a deusa Noite ou Nyx. Ela nos avisou que faria um teste com todos os meio-sangues do acampamento.
“E de todos os testados, 8 seriam escolhidos para servi-la, esse 8 escolhidos virariam vampiros e teriam que abandonar toda sua vida antiga.”
– Espera – meu pai se levanta – você não ta me dizendo isso...
– Sim papai – Kitty não conseguia olhar nos olhos dele.
– Nós fomos escolhidas – digo – já nos transformamos e...
– Vocês só vieram pegar as coisas e se despedirem de nós?
– Sim – continuo – nós amamos vocês muito, não escolhemos fazer isso. Eu nunca quis matar nenhum mortal – começo a chorar – eu só queria levar a vida mais normal que um semideus pode levar. Mas ela nos escolheu e não pudemos fazer nada.
Meu pai me abraça, coloca sua cabeça em meu ombro e eu sinto meu obro ficar molhado, meu pai estava chorando. Uma coisa que eu nunca tinha visto.
– Você é forte minha filha – meu pai me encarava, com aqueles olhos cheios de lagrimas – eu te amo. Você sempre será minha princesa, não importa o que aconteça – ele me abraça novamente e depois vai falar com a Kitty.
– Eu sei que não sou sua mãe – Hannah vem falar comigo – mas te tratei como uma filha.
– Você foi minha mãe mais do que a Perséfone foi – digo a abraçando.
– Me parte o coração de saber que não vou mais ver minhas duas garotinhas, que não as terei me enchendo o saco para fazer festas do pijama ou para ir em festas.
– Eu também vou sentir muita a sua falta. De você reclamando de ter que levar a gente em todos os lugares e insistindo pro papai me ensinar a dirigir – eu abro um pequeno sorriso ao relembrar desses momentos que antigamente eu odiava.
“Vamos Kitty, temos q arrumar nossas coisas.”
– Vocês nos ajudam? – ela pergunta a eles.
– Claro.
Hannah vai comigo até meu quarto e meu pai vai com Kitty até o dela. Ela me ajuda a por todas minhas roupas dentro da mala, por mais improvável que parecesse.
– Se lembra quando a Kitty derramou café nessa sua blusa – era uma blusa que tinha o desenho de uma girafa e escrito “Eu Amo Girafas” – ela era novinha, e você tava indo para um encontro com um garoto, você quase matou ela – eu me lembrava sim daquela blusa, de como eu havia corrido atrás da Kitty pela casa, dela se escondendo atrás do papai.
– Isso foi no começo do ano – digo ao lembrar de como eu era fútil. Eu vivia chamando a Natasha de fútil, mas eu era mais que ela.
– Eu fiquei sabendo o que aconteceu com a mãe da Natasha – ela me encarava – como ela está?
–Bem na medida do possível – digo olhando para baixo – ela só me contou ontem.
–Tinham muitos policiais na frente da casa dos Roberts. Os policiais me contaram que tentaram convencer a Natasha de ficar pela cidade, mas ela preferiu ir para o acampamento. Eu acho que foi o melhor que ela fez, porque a imagem lá dentro era horrível.
– Verdade.
Termino de colocar tudo dentro da mala (ursos de pelúcia, suvenires de infância, fotos, retratos, uns quadros que eu havia pintado). Desço as escadas e fico esperando Kitty descer também. Quando ela desce eu me levanto.
– Tchau pai, tchau Hannah – eu não queria, mas tínhamos que dizer o adeus e quando estamos pra sair da casa eu digo – Vamos sair juntas – seguro a mão dela e saímos da casa. Faço um portal e entramos por ele.
Vou para o meu quarto guardar as coisas. Natasha já esta lá quando chego, o guarda-roupa do nosso quarto cobria quase uma parede toda. A pintura que eu tinha feito da Natasha estava pendurada em cima de sua cama.
– Ola Nat – digo.
– Ola Katie – sua mala estava em cima da cama e ela estava colocando todas as roupas dentro do guarda-roupa. Tinha alguns retratos dela junto com a mãe em cima da cabeceira.
Coloco minha mala em cima da cama e começo a desfazê-la. Coloco um porta retratos aonde esta toda a minha família e outra aonde tem eu e Natasha crianças em cima da cabeceira. Tiro de dentro da mala meus ursos de pelúcia, meu caderno de desenhos, minhas tintas e pinceis, e as telas para a pintura.
Guardo todas as minhas roupas e fico esperando Natasha sair do banheiro.
– Quer dar um volta pela cidade? – ela pergunta.
– Não, eu vou desenhar.
– Quer uma modelo?
– Não, eu já sei qual desenho vou fazer, pode sair com o Marvel sem se preocupar, você que tem que melhorar.
Ela sai. Eu começo a montar as coisas. A molhar os pinceis para ficarem moles, abrir as tintas e a posicionar a tela.
A pintura que eu faço é meio enigmática. Desenhei uma garota de cabelo castanho longo, com o cabelo cobrindo todo o rosto, essa garota estava sentada sobre os joelhos com um vestido branco e segurava uma rosa murcha no meio do deserto, o vento do deserto batia sobre o corpo dela, o que bagunçava mais seu cabelo. Mesmo por trás dos cabelos, quem via a imagem percebia que a garota chorava.
Coloco aquela pintura sobre minha cama.
Depois que eu terminei de pintar fui almoçar. Natasha e Marvel não tinham chegado ainda, então só nos 6 almoçamos, o almoço era um risoto de arroz com estrogonofe de frango e uma salada de tomates, almocei sem falar uma palavra sequer. Dormi durante a tarde toda e só acordei quando o sinal bateu. Nyx havia chegado e queria explicar a primeira fase da missão, a primeira fase para acharmos sua filha.
Encontro com Natasha no corredor que liga a casa com a torre.
– A primeira missão é nossa Katie? – Natasha segura minha mão – está pronta?
– Estou muito nervosa, mas que venha essa primeira missão, vamos realiza-la com sucesso.
– Você está otimista hoje – ela sorri – o que mudou? Foi aquela pintura da garota?
– Quase, eu expressei naquela pintura todo o meu medo, desespero, angustia e tudo, agora só sobrou as coisas boas.
– Pintura é uma boa forma de relaxamento?
– Sim.
Entramos no escritório e ficamos esperando Nyx nos dar as informações para realizarmos a primeira missão. E tudo vai começar.
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