Guerreiros Da Noite
2 Capítulo 1
Senti uma dor forte no ombro, me sentei e tentei pensar o por que dessa dor. Depois de um
tempo raciocinei que deveria ser por causa do chão em que eu dormi. Meus pulsos também doíam,
mas não era por causa do chão, e sim por causa de duas algemas feitas de prata que me prendiam.
Prata...odiava esse nome, uma das coisas mais eficazes contra a minha espécie.
Fiquei de pé e me alonguei um pouco, afinal, precisava estar pronto para a minha cerimonia de
morte. Olhei em volta para analisar onde haviam me colocado. Eu estava em uma sela pequena,
nela haviam apenas uma cama encostada na parede, uma pia e um vaso sanitário, não havia nada
para iluminar o ambiente a não ser o Sol, que lançavam seus raios através das barras da única
janela no local.
Quando eu acabei de me alongar foi que eu ouvi, as 5 badaladas do sino indicando que eram 5
horas. A hora marcada para a minha morte era as 6.
Não demorou muito até alguns guardas chegarem. Ambos eram bem altos e fortes, um deles
tinha cabelos brancos e longos, até o meio das costas, o outro tinha cabelos curtos e castanhos.
Ambos estavam, ou melhor, eram bastante pálidos e tinham olhos vermelhos.
-Pronto para sua morte, fedelho? — perguntou o de cabelo branco, com uma voz parecida com
o sibilo de uma cobra.
-Não sei. Você está para a sua? — perguntei, como quem simplesmente quer conversar.
-Mas eu não vou morrer! — retrucou ele. Dei de ombros.
-Todos vão, mais cedo ou mais tarde.
-Ora seu...
-Pare! Não está vendo que ele está brincando com você? — disse o outro, a voz dele era
grossa, parecia que ele gostava de inspirar medo com a voz.
Vampiros, a raça mais desprezível existente, se sentem superiores a tudo e a todos. Mas
isso vai mudar.
Eles me puxaram com força e, depois de checar se as minhas algemas estavam bem presas,
me levaram até um anfiteatro ao ar livre. Ele era totalmente feito de mármore, onde o palco
ficava no meio, e o publico sentava-se envolta. Era um anfiteatro normal, porém, havia algo
diferente nele. No centro do palco havia um apoio para cabeças, provavelmente onde os prisioneiros
poem a cabeça para serem decapitados.
Fui forçado a subir no palco pelos guardas e a esperar uns vinte minutos em pé. Foi quando
os outros prisioneiros começaram a aparecer e a serem forçados a se sentarem por outros
guardas. “Ótimo!” — pensei — “não vou ter que ir de cela em cela”.
Foi ai que apareceu o carrasco. Ele era o maior homem que eu já vi! Deveria ter uns 2
metros e meio! Ele estava com roupas pretas, como se ele ficasse em luto pelo morto, e vestia
um gorro também preto, o que fazia com que ele parecesse um fantasma preto gigante. Ele
carregava nas costas um machado de duas lâminas que deveria ser maior que eu. O decapitador
subiu no palco e ficou do meu lado. O gorro só deixava seus olhos aparecerem, mas eu tinha
certeza que ele estava sorrindo.
Ele pôs as mãos nos meus ombros e me empurrou para baixo, me forçando a ficar de
joelhos, em frente ao apoio. Foi ai q surgiu no palco uma figura muito peculiar. Ele era alto e um
pouco musculoso, porém sua feições eram velhas, seu rosto era enrugado, seu nariz era grotesco,
sua boca era fina como a de um rato. Porém seus olhos eram negros como a noite. Ele estava
vestindo uma túnica longa e vermelha que cobria o seu corpo todo, porém ele deixava bem a
mostra sua espada feita de prata que se encontrava na bainha em sua cintura.
-Senhoras e senhores! — gritou o homem – Estamos aqui para presenciar a morte de uma
criatura ridícula e insignificante! Esse garoto, que só quis se identificar como Cody, estava
organizando uma revolta contra nós! Esse mero lycan queria tentar destruir a nossa...pacifica vida.
Agora, vocês senhores! Estarão prestes a ver, para que lhes sirvam de exemplo, o que acontece
com as pessoas que se voltam contra nós!
O homem sacou a espada. O carrasco me empurrou para ficar com a cabeça na posição
correta para ser cortada. Foi ai que fechei os olhos, e esperei calmamente tudo acontecer.
5...4...3...2...1...
E o barulho de carne sendo perfurada chegou aos meus ouvidos. Eu levantei num pulo e vi
o que havia acontecido. Uma espada foi arremessada e acertou o coração do carrasco.
-De onde veio isso!? — gritou o homem.
Não dei tempo de alguém responder, pois pulei sobre as correntes de prata para levar minhas
mãos para frente e acertei um golpe com as duas mãos no rosto do homem que caiu de costas.
-O que diabo você fez!? — ele perguntou, seus olhos ficaram vermelhos e ele se levantou.
Ele não havia largado a espada, então logo avançou na minha direção e tentou me acertar com um
golpe vertical, porém eu consegui me defender usando as correntes, usando aquela vantagem, dei
um chute no peito dele, fazendo o vampiro cair do palco.
Peguei a espada no chão e as chaves da minha corrente no bolço do carrasco, me livrei das correntes em alguns segundos e me preparava.
Esse seria o primeiro passo da revolução!
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