Todas as noites eu sonho que estou salvando o mundo. Teve um em que ocorreu uma guerra de espadas e escudos, verdadeiros cavaleiros lutando entre si, num trilho de trem sobre um solo árido.

Não sei por que sonho que salvo o mundo todas as noites e nem por que o cenário sempre evoca um caminho íngreme difícil de trilhar. Agora que me recordo, só consigo vencer se eu superar o medo que me abate.

Quando estou acordada eu penso no passado. A infância surge para testar meus 5 sentidos; um disco me faz lembrar da fase que eu o ouvia o tempo inteiro e que já não consigo mais escutá-lo como antes.

Todas as suas nuances já recolhi e nada mais me surpreende. Mas lembro de como eu era na época e de pessoas que já não estão mais no mundo.

Olhando o futuro vejo um borrão, pelo menos era assim há pouco tempo.

Sinto que Deus quer me lembrar de trilhar o caminho íngreme até quando estou dormindo, momento que baixo minha guarda e que, infelizmente, deixo tomar boas horas do meu dia.

Ele é esperto, me perturbando com sonhos que me dão calafrios. Ou atencioso por me preparar porque a hora chega. De qualquer forma, é legal pensar que sou uma guerreira em todos eles.

Não sei se isso quer dizer algo ou se eu quero procurar significados e se sequer Deus existe... mas eu lembro do passado como já disse, de eu tentando com o tato buscar aquela fotografia no super 8 do meu cérebro e chegando na conclusão de querer testar os 5 sentidos no futuro também.

Talvez não precise despertar o sétimo sentido como mostra os quadrinhos que leio — e que deve ser eles o motivo de eu sonhar que salvo o mundo toda a noite —, porque 5 são suficientes pra eu ajeitar minha vida.

E há progresso, porque o meu eu do passado sempre me parece menor do que o de agora.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!