Guerra dos Seres - volume1
6 Capítulo VI
Notas iniciais
7° REINO
O reino todo estava reunido no pátio externo do castelo. Fileiras de pessoas cercavam um caminho por onde passava o caixão de Hylis. Um som fúnebre ao fundo tocado por um músico que havia parado no reino por uns dias. Quatro guardas levavam o caixão fechado, na tampa de madeira havia um círculo com um X no meio, esse símbolo significava "Descanse em paz" e, segundo as crenças do reino, garantia uma estadia da alma no paraíso.
O povo foi abaixando a cabeça conforme o corpo passava pela passarela, era um dia de luto para todo o reino.
Do lado de fora das muralhas do Sétimo Reino, bandeiras vermelhas, símbolo do luto para aquele povo, estavam pregadas; não havia ninguém nas ruas da cidade, todos no pátio do castelo; nas muralhas do castelo também havia bandeiras vermelhas; os soldados carregavam estandartes vermelhos.
O caixão chegou ao fim da passarela, uma escada ainda subia para a entrada do castelo e, no topo da escada, encontrava-se um sacerdote. Era um homem velho vestido em um manto negro com detalhes em vermelho, nas mãos ele tinha uma faca, mas não uma faca comum, era a Faca da Sentença, uma faca ungida em óleo sagrado que era usada em funerais para declarar a morte do indivíduo perante Oulis, deus das almas.
— Estamos reunidos aqui para lamentarmos a perda de uma mulher importante para o nosso reino. Oulis passa a cuidar, hoje, da alma de Hylis, a rainha que deu tudo por nós e convenceu nosso rei Regën de coisas para a nossa salvação, sem ela não seríamos o povo unido de hoje. Antes de prosseguirmos com o ritual fúnebre, Regën vai dizer algumas coisas. Majestade, por favor.
Regën tomou o lugar do sacerdote, estava com os olhos marejados devido ao derramamento de lágrimas, o rei pigarreou antes de começar.
— Seria egoísmo de minha parte dizer que apenas eu perdi, pois todos nós perdemos. Não estamos aqui apenas para chorarmos, mas sim para também pensarmos no acontecimento dessa manhã. Todos temos um tempo contado de vida, mas Hylis se foi antes de seu momento, sua jornada foi interrompida. Quantas coisas boas ela ainda faria por nós? Por vocês? Isso nos faz perceber que a única certeza que temos, é a de que a vida acaba em algum momento e, muitas vezes, acaba antes do planejado. Faço diante de minha mulher, uma declaração: Encontrarei o assassino e vingarei a alma de minha esposa, lançarei seu corpo contra minha espada que o atravessará fazendo dele apenas mais um ser sem vida nem alma, e ele será torturado, pois quem mata alguém de um cargo tão nobre, não tem espaço no paraíso. Vou mostrar que o povo do Sétimo Reino não deixa algo tão sério passar despercebido, porque quando queremos algo, vamos até o fim! Ahe Hylis, Ahe Oulis, Ahe Sétimo Reino!
E o povo respondeu "Ahe" em um som único, o som da força, da união, o som do povo!
Ahe era uma expressão daquela religião que significa algo como: "Glória". Mas o "Ahe" da população veio junto com um gesto, quando todos gritaram aquilo Regën fez um X com os braços em frente ao seu corpo, o movimento foi imitado pela população.
O ritual fúnebre prosseguiu, a música ainda tocando e o sacerdote fazendo suas preces.
No interior de Regën nascia um sentimento de vingança, nascia ali um tirano.
Fale com o autor