Guerra das Duas Faces
15 Rumo aos Elíseos
Notas iniciais

– Já passamos por aqui!
– Não passamos não!- Eles estavam praticamente perdidos naquele lugar enorme. Desta vez não havia uma guia. Eles teriam que se virar, torcendo pra não encontrar com nenhum juiz indesejado numa hora inoportuna.
Mas infelizmente, como se o destino tivesse lido o pensamento deles, e quisesse brincar com estes, um juiz pulou na frente deles, com olhar ameaçador e procurando alguém entre eles.
– Onde ela está?!- Kárin gritou.
– Ela quem?- André perguntou, fazendo-se de desentendido.
– Não é esta a resposta que eu quero!!- Kárin balançou as mãos, criando um fluxo de vento e lançando o grupo contra a parede.
– Me digam de uma vez! Onde ela está?!
– Eu estou aqui Kárin! Não precisa se dar ao trabalho de me procurar!- A espectra de Morcego parou atrás de seu antigo mestre.- Deixe eles irem! Eles não tem nada a ver com isso!
– Claro que tem!
Num impulso raivoso, Nicole se lançou pra cima de Kárin, tendo em mente acertá-lo sem parar, até que o juiz caísse no chão desfalecido. Entretanto, outro lado de sua mente, o lado consciente, sabia que isso não ia acontecer. Kárin era muito maior e forte que ela; apenas as asas de sua zinfo, se arrastavam no chão.
– Eu serei sua oponente!
– Que assim seja! MARIONETE CÓSMICA!- O pior golpe de Kárin, que insistia em fios cósmicos que o possibilitavam controlar a vítima contra a sua vontade.
Pegaram as espectra de surpresa. Os fios agarraram-lhes braços e pernas a levantando no ar:
– O que farei primeiro?- Kárin disse pensativo.- Já sei! Vamos dar um jeito nesse seu rostinho bonito!
O juiz movimentou os dedos de onde saiam os fios. Fez Nicole se auto-espancar, movimentando os próprios punhos que atingiam o rosto dela sem parar deixando marcas grandes e arroxeadas.
Levantando o olho roxo, e sorrindo maldosamente, ela disse:
– Minha vez! LUAR DA CONFUSÃO!
– Mas o quê? É um golpe da Ninroh de Lobo, não de uma espectra!
Os fios voltaram-se contra Kárin, que se viu preso em sua própria armadilha:
– Este golpe consiste em virar toda e qualquer técnica contra quem a lançou!- Ela era mantida sob olhares atentos do grupo atrás dela:
– O que estão esperando? Vão derrotar Hades!- Ela diz com um sorriso.
– Não! Vocês! Esperem!- Kárin grita envolvido ainda no próprio golpe.
– Assuma Kárin! Eu te derrotei, não há mais porque lutar!
– Há sempre pelo que lutar! DESTRUIÇÃO MÁXIMA!
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O estrondo vindo de trás assustou o grupo, que foi surpreendido por todo chão atrás deles se quebrando:
– Corram!- Flávia gritou ao grupo enquanto toda a estrutura desabava atrás deles, causando uma avalanche de destruição.
Em meio a gritos e pés correndo, eles conseguiram chegar na saída antes que tudo se fechasse em destroços.
Mas aquele lugar...era diferente de toda morte, sofrimento e dor que já haviam visto ali, no Mundo dos Mortos. Tinham campos vivídos de flores coloridas, misturadas em pássaros e borboletas radiantes. Um horizonte iluminado se erguia ao fundo de milhares de colunas gregas e prédios arquitetônicos.
– Será que aqui é o paraíso da mitologia?- Rafael indagou, deslumbrado de tanta beleza.
– Está falando dos Campos Elíseos?
– Exatamente...porque aqui parece mesmo o paraíso, o...céu!
– Mas esse lugar não era permitido apenas para deuses? Como entramos aqui sem virar pó?
– Acho que o sangue de Gaia funcionou mesmo.- André observou.
– Ainda me pergunto como seres humanos impuros, pecadores e de natureza tão baixa, conseguiram vir sujar o único lugar puro do universo!- Uma voz disse à frente deles, uma voz talvez até mais imponente que de Kárin e Cétis...aquele ser, trajava uma armadura ainda maior e mais brilhante que a dos Tenmas de Diamante.
– Quem é você?- Gabriel indagou em voz baixa, até mesmo, com uma pontada de nervoso em tom trêmula nesta;
– Eu sou Thanatos, o Deus da Morte! Um dos deuses gêmeos que guardam os Elíseos!
– Deus da Morte...- Flávia repetiu indo pra frente.- Não tenho medo de você!
– Deveria...mas vocês humanos são tão teimosos que nem me atrevo a perder tempo lhes dirigindo a palavra!- Thanatos se mostrou surpersticioso e arrogante na questão dos mortais. Não parava de lançar insultos e palavras torpes contra os seres humanos. E isso irritou profundamente Rafael, que num momento de descontrole acertou um soco no rosto impecável do Deus, deixando os outros boquiabertos:
– Perdeu a cabeça?!
– Não...ele perdeu a vida!- Os olhos de Thanatos faíscaram em raiva pura.
Indo pra trás após perceber o que havia feito, a sapuri de Rafael começou a brilhar intensamente, superando todo e qualquer brilho que os Elíseos possuissem em sua paisagem.
Quando toda aquela luz deu lugar à visão normal, veio a surpresa:
– Uma Kamui!- Emílio gritou. Kamui é como uma armadura celestial, uma sapuri divina. Nunca se ouviu falar em qualquer Tenma ou Ninroh que alcançou um nível de deuses em sua sapuri. Mas Rafael conseguiu. A Kamui de Órion era simplesmente deslubrante, nem a paisagem dos Campos Elíseos se comparava a tal.
– Quer dizer que alcançou o nível de Thanatos ao soca-lo! Agora, ambos estão no mesmo patamar!- Gabriel explicitou.
– Agora chega de joguinhos, estamos em igualdade, Thanatos!
– Como você ousa se igualar a um deus como eu?! ORÁCULO DIVINO!- Um único dedo. Apenas um dedo da mão de Thanatos quase trucidou o grupo inteiro. Aquela esfera de energia imensa os havia transportado para outra dimensão. Um local paralelo.
– É muito vergonhoso sujar os Elíseos com sangue impuro dos humanos!- Thanatos constatou, arrogante.
– ASTERÓIDE PREDADOR!- Rafael tentou conter aquela massa de destruição com seu golpe primário, qua agora, tinha muito mais força graças à Kamui.
Foi um pequeno jogo de empurra-empurra de golpes com potencial destrutivo imenso, entre o Deus da Morte e o Tenma de Órion. Mas de repente, a força no lado de Rafael aumentou:
– Emílio! Quer se suicidar??- Rafael gritou preocupado com a frágil sapuri, que não aguentaria aquela imensa bomba de energia.
– Por Gaia!!- Foi a resposta que ele recebeu antes da sapuri de Emílio começar a brilhar incessantemente.
Continua...
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