Notas iniciais
Este capítulo será narrado por vários personagens em diferentes pontos de vista. Espero que gostem.

Dia 15 de Fevereiro.

Em uma tarde fria de Primavera eu me encontro sentado em um banco conversando com Thomas. Discutimos quase o dia todo planos de reforçar o local em que vivemos e armazenamento dos suprimentos.

No pátio algumas crianças brincam, Haruka conversa com Helena e Julie encostadas na grande arvore que ali reside. Tiberius fica junto à namorada Mikayla pertos do portão tirando fotografias uns dos outros. Logan flerta com Mary ambos sentados em um banco, Angelo observa tudo possivelmente com ciúmes. Charlie conserta uma janela quebrada do apartamento de Helena. Viktor e Lucy cantam musicas alegres juntos na porta de um dos prédios. O xerife Dim fuma um charuto enquanto caminha pelos pátios checando se tudo está correndo bem.

-É uma bela estação, melhor que aquele inverno maldito. – diz Thomas a meu lado segurando uma inchada. Ele estava abrindo espaço para as sementes que iremos plantar. Estou sentado no banco após dar uma pausa para o lanche da tarde.

-Sim, podemos plantar e colher a própria comida. É gratificante.

-Mas, aliás... Você acha que eles vão se dar bem lá fora? – coço minha barba pensativo.

-Com toda certeza.

-Certo... O que tá achando daqui?

-O paraíso, muros altos, muitas pessoas. Aqui é fácil sentir aquela sensação de segurança, sabe?

-Sei. – olho ao redor ao som das canções de Lucy e Viktor, das várias vozes de crianças felizes, das discussões saudáveis entre as garotas. Dos risos de amor de Tai e Mikayla. Levanto-me esticando o corpo.

-Será que vamos viver assim para sempre? Fugindo. – Thomas bota a inchada por cima do ombro e nega com a cabeça.

-Acho que não, já devem estar produzindo a cura em massa. O exercito vai limpar tudo isso e vamos voltar a nossas vidas de antes, é só questão de tempo. – rio da fala de Thomas e começo a caminhada até nossa horta que é de grande tamanho.

-Olhe Thomas, vou contrariar totalmente o que você acabou de falar. Não tem cura, o exercito não se importa conosco e essa é a vida que teremos daqui em diante. – ele fica quieto me seguindo.

-Você tem que ter fé.

-Tenho que ser realista meu amigo... Realista.

Angnel.

Eu e Fred nos movemos o mais rápido que pudemos perseguindo o comboio de Muller secretamente entre becos e prédios.

No fim da corrida paramos encima de um prédio que dá de vista a um condomínio fechado de outros prédios.

-Muller é um cara ambicioso, vai matar todos os infelizes ali dentro, estuprar essas gostosas e... – comenta Fred vendo tudo através da lente de seu rifle de precisão. – Puta que pariu! Que chinesa peituda do caralho! Vamos nos juntar ao Muller, você dá pra ele e eu como a chinesa! – tomo o rifle das mãos de Fred.

Vejo pela lente várias crianças, jovens, mulheres e homens, todos espalhados por aquele gramado verde de grande espaço. São oito prédios e muitas pessoas, em torno de quarenta.

-Vê aquilo? É uma chance! – Fred sorri olhando para minha bunda. Afasto-me lhe devolvendo o rifle.

-Chance de que?

-De vida! Se aquelas pessoas morrerem Muller vai dominar a cidade! Todos os pontos de mantimentos, armas e segurança serão dele!

-E cê acha que to ligando para aqueles trouxas ali? Só vou atirar no viado do Muller e vamos dar o fora. – sempre odiei esse jeito egoísta de Fred. Conheci-o após lhe dar uma carona. Este velho acha que tem vinte anos de idade.

-Então me dá a porra da arma, você me deve uma não se esqueça. – ele resmunga irritado.

-Vai querer mesmo ajudar aqueles retardados?

-Sim. – estendo a mão e ele me entrega seu rádio comunicador resmungando.

-Não admito receber ordens de uma mulher. Só to fazendo isso porque quero te comer. – ouço sua voz de fundo enquanto entro em contato com Muffy e os outros.

-Muffy! Está na escuta?

-Sim. – ouço sua voz pelo rádio.

-Mande Bill e os outros ao Sul o mais rápido que puder, encontramos o Sol.

-Encontraram? Vou mandar o mais rápido possível! – ela desliga o rádio. “O sol” é uma expressão que inventamos para esperança. Ali eu vi isto, um novo sol parecia flamejar dentro daquele lugar. É claro que me aproveito bastante destas pobres pessoas, não pensarei duas vezes caso precise usar Fred como escudo humano.

-Blá! Blá! – comenta Fred encostado na beira do prédio bebendo sua tequila com o rifle encostado.

Pego a arma e começo a procurar por Muller nos arredores. Vejo seu comboio virando a rua e indo de encontro ao portão. Merda!

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Thomas.

Enquanto fincava a inchada na terra escutei um estrondo seguido de vários tiros. Virei-me e vi o portão da entrada caído no chão e uma caminhonete parada com vários homens armados descendo. Detrás também vinham outros três veículos cheios de pessoas.

-Não matem as mulheres! – gritava um homem louro com um fuzil em mãos. Vários homens desceram e começam a atirar para todos os lados. Nikolai rapidamente pegou sua pistola e gritou para todos se adentrarem dos prédios.

Vi várias crianças sendo mortas, eles não tinham pena mesmo com a mira horrível disparavam para matar. Peguei a pistola em minha cintura e atirei contra os homens armados, eles revidaram e me escondi atrás do muro da horta que é bem pequeno. Merda!

Os tiros atingiam o muro e muita poeira caia sobe mim. Devem ter vinte homens ali, dez com armas de fogo.

Olhei pela lateral do muro e vi Charlie atrás de um prédio com Mary e outras crianças. Helena estava lá ajudando. Mas onde está Haruka?

--------- Nikolai.

Fui atingido, levei um tiro na perna direita e comecei mancar, consegui levar algumas pessoas para dentro de um prédio e matar um deles. Dim desce as escadas carregando dois rifles nas costas. Ele me entrega um Winchester e uma caixa com poucas balas.

-Faça bom uso das balas, atire para matar. – concordei, guardei a pistola no coldre e recarreguei o rifle rapidamente. Os tiros continuavam ecoando lá fora.

Dim deixou o prédio e começou a atirar com seu rifle contra os homens, deixei o local junto a ele revidando os tiros.

-Merda! – gritei após Dim receber um tiro na costela que fez um jato de sangue esguichar. Logo após um tiro de escopeta atingiu seu braço esquerdo e quase o arrancou fora, como eu estava atrás acabei sendo encoberto por seu cadáver gordo.

-Matem todos! – era a voz do louro rindo enquanto os tiros continuavam. Eles devem ter pensado que morri. Encoberto pelo corpo de Dim peguei seu rifle e munições no bolso traseiro, o recarreguei junto ao meu.

Os inimigos estavam atrás dos carros e alguns encima. Vi um deles ser atingido e cair, olhei para trás e vi Charlie com duas pistolas em mãos atirando escondido atrás de uma parede de um prédio.

Por baixo da caminhonete que destruiu o portão estava Tiberius todo ensanguentado e baleado, fora morto. Mikayla não se encontrava ali.

Virei o corpo de Dim para usa-lo como barricada e deitado apontei o Winchester contra os inimigos, como é uma arma de repetição consegui efetuar os dez disparos e atingir três. A potência desta arma é descomunal, destrói tudo que atingi. Como resposta uma chuva de balas vieram em minha direção, mesmo com o corpo de Dim me protegendo acabei recebendo outro tiro no antebraço direito, é uma dor tremenda.

------------ Mary.

Eu sabia que eles iriam voltar, eu sabia! Meu coração se toma pelo medo novamente ao ver o rosto daquele monstro. Ao lado de Helena estava colocando as pessoas para dentro dos prédios.

-Entre Mary, você não pode ficar aqui! – gritou Charlie atirando contra os homens. Ele pausou para recarregar as armas, são os últimos pentes.

-Não! Não vou recuar! – ele me olhou irritado e Helena me puxava pelo braço.

-Mary! Por favor, não! – era a voz de Logan sendo levado para dentro de um prédio. Soltei-me de Helena e com tristeza ela me deixou ali.

Fui ao lado de Charlie que atirava, ao olhar para o lado e me ver ele se irritou mais ainda.

-Falei para entrar! Que merda! – nunca o vi tão furioso.

-Me dá uma arma, eu sei atirar agora!

-Não! Entre lá agora!

Eu sabia que Charlie não ia me dar uma arma. Então tomei de suas mãos uma pistola e corri para os fundos daquele corredor estreito entre um prédio e o outro. Ao som de seus gritos eu desapareci entre as sombras procurando por um local seguro e efetuar meus disparos.

---------- Angelo.

Subi ao terraço junto a Emma, ela carregava uma mochila pesada que saiba se o que tinha lá dentro.

-Emma! Espere! – ela chutou a porta que dá acesso ao terraço e correu direto na beirada. Segui-a e parei ofegante e assustado. Os tiros diminuíram de ritmo, mas não cessaram há nenhum instante.

-Esta posição é ótima. – ela diz séria. A garota se abaixa abrindo a mochila e retira de dentro várias garrafas pequenas com panos enfiados dentro das mesmas. Parecem coquetéis molov...

-O que é isso? Vai queima-los? – meu coração dispara mais ainda. Ela segura um com cuidado e pega seu isqueiro.

-Isso não é álcool. É acido sulfúrico, eu mesma fabriquei com alguns produtos.

-E porque fabricou isto? Que merda! – evitei chegar à beirada com medo. Porém Emma estava determinada.

-Era para usarem contra os mortos, mas vejo que as situações se inverteram. Vai me ajudar? – recuo com alguns passos e ela me olha de cara feia.

-Certo, eu faço sozinha. – Emma estende sua mão e arremessa com força a garrafa em direção aos homens.

---------- Viktor.

Lá embaixo atrás de uma caixa escondido me estendi para visualizar o estrago feito. Lucy estava a meu lado encostada contando as balas de sua arma.

Os homens diminuíram em alguns números, porém continuavam em vantagem e bem municiados. Admito que o medo tomou conta de meu corpo mas algo ocorreu. De repente algo vindo do céu atingiu uma das caminhonetes com os atiradores. Uma explosão de gás os atingiu e vi pelo menos quatro deles caindo se derretendo. Suas peles se desfaziam do corpo e tornavam-se liquido. É ácido. Os homens gritavam como se estivessem sendo queimados vivos. Aquilo foi gratificante e terrível ao mesmo tempo.

-O que foi isso? – indagou Lucy séria a meu lado. Os tiros cessaram por um tempo daquele lado, porém do nosso lado só aumentaram.

-Ácido... Alguém lançou uma garrafa com ácido neles. – vi Thomas atrás de um murinho levantando sua mão e gritando.

-Munição, munição Lucy! – ela botou a mão por dentro da blusa e retirou entre os seios um pente de pistola. Arremessou para Thomas que agradeceu.

-Merda! Cadê você Sven? – ela se questiona tentando criar forças para se levantar e atirar.

-Amigos! Amigos! Vamos parar com isso, agora! – é a voz do homem louro. Olhei pelo canto da caixa e o vi descendo da caminhonete com as mãos levantadas. – se ousarem disparar meus homens aqui vão foder com vocês atirando granadas para todos os lados. – os tiros pararam dos dois lados agora. – meu nome é Muller, sou um homem de negócios. Alguém ai para negociar comigo?

O silêncio durou longos dois minutos, então Lucy se levantou.

-Eu. – merda! Merda!

-Que bela jovem, pode sair dai, não vou atirar, é palavra.

-Palavra? Não confio em você, matou quase todas as pessoas aqui dentro e quer negociar? Filho da puta.

-Ei! Lave essa boca garotinha, não fui eu quem matou todas as pessoas aqui dentro. E por proposito formaram um belo tapete vermelho.

-Seu desgraçado! – Lucy pegou sua pistola e antes de atirar o homem retirou a sua com mais agilidade e atirou. Escutei aquele som ecoado e tapei meus ouvidos, vi no chão sangue ser derramado e uma voz vindo do outro lado onde o homem atirou.

-Perdeu... Cowboy.

Notas finais
O que acharam? Deixem seus reviews e flw. Até sexta.