Guerra Mutante: A Relíquia Roubada
14 14 - Royal destrói um exército
Os corredores da base estavam muito vazios. Phill nos levou até uma sala que ficava próxima da nossa cela. Por sorte, também estava vazia. Lá haviam armaduras, e ele ordenou que vestíssemos alguma para passarmos despercebidos. Eu peguei uma armadura de capitão, e Royal pegou uma armadura de soldado de elite: era branca, com detalhes negros e azuis.
Colocamos nossos capacetes, e eu me senti muito mais protegido. Dentro da armadura era confortável, como se eu não estivesse revestido de metal. Em meu visor havia informações sobre várias coisas: qualidade da armadura, temperatura ambiente, mapa da base, quantidade de munição e armamentos que havia na armadura, entre outras coisas que não dei muita importância.
Saímos da sala, e Phill colocou seu capacete também, e ele nos guiou pelos corredores vazios. Todas as salas tinham o vidro escuro, para que não pudéssemos ver o que havia lá dentro. Mas eu só sei que eram muitas salas.
– Onde estão todos? – Perguntou Royal, e sua voz saiu um pouco abafada.
– Estão em uma reunião na área de decolagem. – Respondeu Phill, tenso. – Irão mandar esquadrões para buscarem o resto de seu grupo dentro de uma hora.
– Precisamos nos apressar, então. – Falei, e Phill concordou. Estranhei a mudança de lado dele tão repentina, mas mediante o que eu fiz com ele, Phill deve ter se sentido ameaçado ou fraco.
Quando entramos em um outro corredor, estava tudo indo muito bem.
Até aquele momento.
Atrás de nós, uma voz no chamou. Eu a reconheci imediatamente. Era a voz do mesmo homem que estava conversando com Phill na nave.
– Vocês três, onde pensam que vão? – Perguntou o capitão, e Phill dirigiu-se à frente.
– Senhor, estamos indo à área de decolagem, para a reunião. – Falou Phill, e o homem deu uma rápida olhada para mim e para Royal através de sua armadura.
– E aonde vocês vão? – Falou, e eu e Royal nos entreolhamos.
– Iremos junto com ele, senhor. – Falou Royal, engrossando sua voz.
– Irão junto com ele... – Repetiu o homem. Aproximou-se de nós três. Estava estranhando tudo aquilo. E quando pensei que havia descoberto nosso disfarce, ele se virou. – Não se atrasem. E Phill, não demore. Preciso de você logo em minha sala, haverá uma reunião entre os capitães para discutir a estratégia. Você também virá, Kin. – Percebi que ele falava comigo, e eu somente assenti. Quando ele desapareceu, Phill suspirou.
– Essa foi por pouco. Vamos continuar.
Nós chegamos à área de decolagem. Era gigantesca, e eu espantei-me com a quantidade de soldados que havia ali. Phill estava nervoso, e pude ouvir Royal murmurar algo para ele mesmo.
Eram soldados com armaduras muito diferentes: Haviam soldados normais, capitães, soldados de elite, soldados juggernauts – Nos quais vestiam armaduras de dois metros, onde servia como um enorme escudo –, mechas – Robôs gigantes com cockpits, onde eram controlados por dentro –, e vários outros soldados com armaduras especiais para cada tipo: furtividade, rastreamento, proteção e vários outros gêneros. Se tentássemos participar de uma batalha naquele lugar, seria uma morte horrível para todos nós.
Phill estava hesitante. Olhou para mim e para Royal, questionando se era aquilo mesmo que queríamos. Assentimos, embora estivéssemos com receio de que tudo desse errado.
Andamos pela plataforma, e observei a enorme abertura que havia no centro, na qual dava para uma encosta de uma montanha. Ao fundo podia ver as nuvens, colinas, a muralha de proteção da base e as florestas muito ao longe.
Na plataforma de decolagem haviam várias naves e caças, helicópteros e drones, mochilas a jato e carros voadores. Era uma variedade enorme de coisas para voar. Quanto mais coisas via naquela base, mais temia se sairíamos vivos. Phill era o único que sabia pilotar entre nós três ali, aparentemente. E caso ele nos traísse, eu e Royal estaríamos mortos.
E a missão falharia.
Nós passamos por alguns soldados que riam e jogavam. Alguns conversavam sobre como mataram Mutantes, e a forma que falavam era terrível, como se fosse tudo uma brincadeira.
Muito ao fundo da plataforma, quase saindo da base, havia uma nave pousada. Ela era grande o suficiente para caber vinte pessoas dentro. Phill fez sinal para esperarmos ali, e avançou em direção dela, tentando ser o mais discreto possível. Eu e Royal nos afastamos dos demais soldados, indo até uma parede, e lá ficamos esperando. Mas Phill demorava cada vez mais.
Foi quando os alto-falantes ligaram, e um ruído alertou a todos que a reunião começaria. No alto, onde havia uma sala presa à parede que parecia ser um tipo de zona de controle da base um homem apareceu. Sua armadura era amarelada, branca e negra, e vi que o amarelo na verdade era ouro.
– Soldados da base 365! – Exclamou o homem, chamando a atenção. Aparentemente era o soldado de nível maior naquela base. – É hora de procurarmos os Mutantes responsáveis pela aniquilação da equipe KJ2. Dois Mutantes foram capturados, todos sabem disso, mas eles escaparam. – Murmúrios começaram repentinamente, e alguns soldados protestaram. Royal e eu nos entreolhamos. – O responsável pela fuga deles foi um traidor entre nós, Phillip Jay. Agora mesmo, ele prepara a fuga dele e dos fugitivos na base. E ali estão os fugitivos. – O homem apontou para nós, e todos nos olharam, já sacando suas armas. Senti meu coração disparar. – Podem matá-los.
Uma chuva de plasma começou a vir em nossa direção, e Royal e eu começamos a correr. Ao fundo da plataforma, Phill acenava para nós dois. Lancei um olhar para trás, observando a multidão que se aproximava de nós.
– Não vamos conseguir fugir! – Exclamei para Royal, que corria ao meu lado em zigue-zague, tentando escapar dos disparos. – São muitos!
Ele olhou para mim, e depois olhou para Phill, então parou de correr e virou-se, erguendo seus braços em direção dos soldados. Um campo de força apareceu, erguendo-se até o topo, impedindo que os disparos chegassem. Alguns soldados começaram a correr até nós. Os julggernauts vinham na frente.
– O que está fazendo?! – Exclamei, tenso, parando de correr na mesma hora.
– Vá, eu te dou cobertura! – Ele gritou, e eu me desesperei.
– Está maluco?! – Gritei, aproximando-me dele. Nossos capacetes entraram na armadura repentinamente, mas não dei atenção àquilo. – Não deixarei você morrer! Não quero que mais pessoas morram por minha causa!
– Franklyn, você deve voltar ao grupo! – Exclamou Royal, confiante. – Você é aquele destinado a recuperar a Espada Dourada, não nós! Estivemos somente te ajudando, mas você é quem irá verdadeiramente recuperá-la! Jake me contou sobre o motivo de você querer tanto matar Torrance! A vingança é sua, e não nossa!
– Mas eu não sou um herói! – Gritei, e senti lágrimas escorrendo pelo meu rosto. Mais disparos atingiam o campo de força.
– Sim, você é! – Gritou Royal, e me olhou. – Heróis, diferente dos que contam em histórias, não são aqueles que salvam a cidade e ficam com a mocinha no final! E sim aqueles que, independente da situação, fazem de tudo para salvar e proteger seus amigos! – Ele deixou uma lágrima escapar, e com um movimento de mãos me lançou para trás com um tipo de impulso mental, fazendo meus pés se arrastarem pelo chão de metal. – Agora, vá! Hora de mostrar para esses desgraçados do que eu sou capaz! Se tiver sorte, escaparei com vida após o que eu vou fazer!
– E o que você fará?! – Gritei, preparando-me para correr, mas ele não respondeu. Então fugi para a nave, onde Phill já havia entrado. Ouvi impactos, e os soldados julggernauts acertavam o campo de força com murros. Gritei por Royal para vir, mas ele ignorou. Havia criado uma arma, uma besta, que automaticamente se recarregou com uma flecha.
Entrei na nave, e a porta traseira se fechou. Eu não tinha escolha a não ser fugir. Phill levantou vôo para fora da base. Pela janela, podia ouvir os estrondos. E tudo ficou em um silêncio absoluto repentinamente.
Mas o silêncio logo foi quebrado por uma luz intensa, e uma onda de impacto que fez a nave balançar. Uma bola de fogo surgiu da enorme base, transformando-se em uma enorme explosão, fazendo tudo em volta ser lançado. Eu gritei por Royal, e a nave fez um som estranho. Phill apareceu, apontando uma pistola contra mim. Eu sabia que ele me trairia, de alguma forma. A nave balançava ainda mais.
Ele sorriu para mim e sibilou algo, mas antes mesmo de me acertar um disparo eu já estava em cima dele, com uma faca em minhas mãos, fincando-a sem parar em seu rosto, desfigurando-o. A nave começou a perder o controle e inclinar para o chão, caindo, mas eu não ligava para aquilo. Minha outra personalidade estava controlando meu corpo, o mundo girava à minha volta. Royal estava morto, havia se sacrificado por mim explodindo a base e matando a todos. E Phill quase havia me matado. Agora estava caindo em direção da morte.
E então a nave atingiu o solo e eu só pude ouvir o som do metal raspando no chão e destruindo árvores antes de desmaiar.
Acordei muito rapidamente. Estava repleto de ferimentos. A armadura que antes eu vestia havia simplesmente sumido. Minha outra personalidade, no entanto, não havia me ajudado a curar. Meu braço esquerdo não me obedecia, e logo vi que estava quebrado. Sentia que ela também estava muito fraca. Milagrosamente eu havia sobrevivido. Mas de quê adiantava tudo aquilo? Não sabia onde estava meu grupo, caí em um lugar desconhecido, e Royal, o líder do grupo, havia se sacrificado para me salvar. Mas de que adiantou seu sacrifício? Eu não era um herói.
Saí da nave por um buraco que havia sido aberto. Phill estava completamente desfigurado, sua aparência era assustadora. Cambaleei para fora, dando de cara com uma floresta de árvores altas. Caminhei e eu escorreguei, caindo em uma descida. Acertei minha perna em uma pedra, e logo me levantei, agarrando-me no tronco de uma árvore.
Eu estava muito fraco. Iria morrer ali. Continuei meu caminho para algum lugar longe dali. Uma das asas da nave estava logo à minha frente, pegando fogo na ponta. Árvores estavam derrubadas em alguns lugares. Lembrei-me então da parte da profecia que eu havia ouvido em meu sonho. Numa situação dolorosa, a lágrima descerá, e a honra do herói é o que tudo salvará. Estava tudo se encaixando. Tudo seguia uma ordem, como se o destino já estivesse definido. A situação dolorosa havia sido o sacrifício de Royal, e a honra do herói referia-se ao que ele faria. Quanto mais eu pensava sobre as frases da profecia, mais eu tinha medo.
Foi quando fui surpreendido por uma flecha que acertou um tronco de uma árvore logo à minha frente. Eu virei-me para trás, e uma garota apontava um arco para mim, com uma outra flecha já preparada.
– Por favor. – Sussurrei, sentindo sangue sair de minha boca. – Não me mate.
Ela me observou, estranhando-me, mas não abaixou o arco. A flecha tremia. Ela estava hesitante. Esperava que ela soubesse que eu fosse amigo. Mas não pude descobrir o que aconteceria, pois eu caí no chão, desacordado.
Acordei completamente enfaixado, em uma cama confortável. Estava em uma caverna, onde havia uma goteira. A caverna tinha o tamanho de dois quartos, e havia uma outra cama próxima a mim, vazia. Tentei me sentar, mas não consegui. Meu corpo não queria me obedecer.
– Não se preocupe. – Falou uma voz feminina, e aquela garota apareceu, entrando na caverna pelo buraco que levava a uma clareira. Seus cabelos eram negros e compridos, seus olhos eram cinzentos como um céu nublado, e sua pele era morena. Usava uma jaqueta marrom por cima de uma camiseta branca com uma caveira preta desenhada, vestia uma calça beje, também calçando um tênis de escalada branco. Seu arco pendia em suas costas, com uma aljava repleta de flechas. – Você vai ficar bem.
– Vou ficar... Bem? – Murmurei, juntando forças para falar.
– Sim. – Falou uma outra garota, que não havia percebido que havia entrado na caverna também. Seu cabelo era avermelhado, e seus olhos eram verdes. Sua pele era clara, e usava uma roupa camuflada ao estilo do exército. – Se você não tivesse sido trazido até aqui de imediato, estaria morto.
– O que houve? – Perguntei, e a garota de cabelo vermelho riu.
– Nós é que perguntamos isso. – Falou, me observando. – O que diabos aconteceu para você ter ficado naquele estado?
– Por que eu deveria contar à vocês? – Murmurei, e ela me olhou com seriedade.
– Nós salvamos você. – Disse a garota de cabelos negros. – Isso já não basta?
Ela estava certa. Eu suspirei, e contei tudo à elas. Sobre a missão que havia sido concedida à mim, sobre o que havia acontecido em minha viagem até então, e sobre como eu havia ficado naquele estado: Royal sacrificando-se, explodindo a base, fazendo a nave em que eu e Phill estávamos cair. Elas faziam perguntas de vez em quando, e eu respondia sem me preocupar.
Elas então me contaram suas histórias: eram amigas de infância, que quando a Guerra Mutante começou descobriram serem Mutantes. Não acharam seus pais desde então, e por isso ficaram juntas, ajudando-se umas às outras. Haviam criado aquele abrigo improvisado na caverna, e quando havia invasores elas lutavam contra. A garota de cabelos vermelhos se chamava Hariel Pieczarka, e seu poder era Mimetismo Élfico e seu subpoder era Cura. A de cabelos morenos, Emma Mills, tinha como poder Instintos de Caçador e seu subpoder era visão trigonométrica. Eu apresentei-me à elas, falando meu nome, meus poderes (inclusive do meu colar) e meus subpoderes. Elas ficaram surpresas por eu ter dois poderes e dois subpoderes, assim como o pessoal do meu grupo ficou.
– Então... – Murmurou Emma, tentando parecer gentil. – O que irá fazer quando for embora?
– Eu não sei... – Falei, um pouco mal. – Tentarei encontrar meu grupo e terminarei minha missão. Preciso salvar todos que estão sofrendo por causa da Espada.
– Mas você sabe onde eles estão? – Perguntou Hariel.
– Devem ter seguido viagem ao sul. – Respondi, ficando sonolento. – Com certeza estão procurando por mim e por... – Antes de terminar a frase, lembrei-me do que havia acontecido. Temia qual seria a reação deles ao descobrirem o que havia acontecido.
– Você não conseguirá ir muito longe nesse estado. – Falou Emma, que lançou um olhar a Hariel. Elas duas pareceram entender o que fariam somente pela troca de olhares. – Iremos te ajudar a encontrar seu grupo.
– Sério? – Murmurei, surpreso. – Mas e quanto ao abrigo de vocês? E sem falar que eu ao menos conheço vocês... E se me traírem? Se tentarem me matar?
– Não deixaremos você sair assim, dessa maneira. Irá morrer logo no primeiro dia. – Falou Emma, sendo curta e grossa. Mas ela tinha razão. – E mais, não iremos abandonar nosso humilde abrigo. Quando você encontrar seu grupo, voltaremos.
– E se quiséssemos te matar, não teríamos te curado, não é? – Continuou Hariel, cruzando seus braços. – Iremos te ajudar.
– Não sei como agradecer vocês... – Falei, fechando meus olhos.
– Não precisa. – Disse Emma, e foi a última coisa que ouvi antes de adormecer.
Sonhei que estava em uma floresta. Corria por ela, junto de mais pessoas. Devia ser meu grupo. Uma luz iluminava toda a floresta, muito longe de onde eu estava, em uma clareira. Ouvia o som de metal contra metal, e eu apertei o passo.
Na medida que me aproximava do som da batalha, meu coração ficava mais acelerado. Sentia que algo ruim ia acontecer. Foi então que uma explosão de luz aconteceu, e logo após uma nuvem de sombra ocorreu. A luz parecia lutar ao lado da sombra contra algo. Jake e Yordle, pensei. E a cena congelou no momento em que as vozes voltaram a me assustar.
– Mas a luz e as trevas terão que juntas lutar, ou pagarão um preço pior do que não amar. – Falaram, e senti um frio na barriga quando acordei.
Estava sendo alimentado por Emma, que me dava uma sopa. Eu despertei, e ela tomou um pequeno susto, e depois riu.
– Está me dando comida na boca? – Falei, e ri de vergonha. – Sério?
– Desde que você chegou aqui, eu e Hariel te alimentamos. – Falou ela, e eu percebi algo.
– Emma, me diga, quanto tempo estou aqui? – Perguntei, e ela ficou um pouco aflita.
– Cinco dias. – Respondeu, e eu me sentei. Minhas forças haviam voltado. Sentia-me forte novamente.
– Está brincando, não está? – Exclamei, levantando-me. Minhas roupas cobriam as faixas pelo meu corpo. Fui até um espelho, e me encarei. Estava com um corte cicatrizado em minha testa. – Preciso procurá-los, agora!
– Mas você ainda não se recuperou por completo! – Falou Emma, deixando o prato e a colher com sopa sobre um criado-mudo. – Deve esperar!
– Emma, me foi concedida uma missão! – Falei, arrumando-me. – Precisamos partir! Temo que meus amigos estejam em perigo!
– Tem certeza que quer partir agora? – Falou Hariel, entrando na caverna. Ela segurava um arco de madeira, idêntico ao de Emma, e tinha uma aljava cheia de flechas nas costas. – Emma está certa, você não está totalmente recuperado.
– Eu não ligo. – Murmurei, e fui até a cama em que eu estava antes. Procurei por minha mochila, e eu me esqueci completamente que ela havia ficado na base. Sabia que estava esquecendo algo.
– Bom, se quer partir agora, então que assim seja. – Falou Hariel, indo até sua cama, pegando sua mochila e colocando-a em suas costas. – Mas iremos com você.
– Não, vocês podem ficar aqui. – Falei, repentinamente. – O que vocês me fizeram já foi o bastante.
– Mas... – Falou Hariel, e não completou. Eu saí da caverna, ficando um pouco tonto por causa da luz do dia.
O ar era fresco e puro, e os pássaros cantavam durante aquele dia – Eu não sabia se era de manhã ou de tarde. – Observei o céu com algumas nuvens negras no céu. Choveria em breve. Hariel e Emma apareceram logo atrás de mim, com ambas as mochilas e os arcos nas costas.
– Iremos com você. – Falou Hariel, virando-se para a caverna aberta. Murmurou algo em uma língua estranha, e uma rocha magicamente apareceu, tampando a entrada. Ela me olhou. – Língua elfica.
Eu ri, e Emma não ficou nem um pouco surpresa. Ela foi até a frente, inspirando o ar puro. Agachou-se, então, e moveu uma moita no chão, colocando-a ao lado, revelando um buraco. De lá ela retirou uma luva negra. Nisso, reparei que também havia perdido as minhas luvas. Ela entregou-me a que havia retirado, e ela era totalmente negra, de meio-dedo, revestida com uma proteção de metal nas costas.
– Coloque-a em sua mão direita. – Falou, e eu o fiz. – É uma luva mágica. Pode sentir sua Energia?
De fato, a luva emanava uma energia. Era o terceiro Item Mágico que eu havia adquirido.
– E o que essa luva faz? – Perguntei, curioso. – Me permite controlar fogo? Me faz ficar super-rápido? Me torna invencível?
– Ela faz isso. – Ela agarrou meu braço esquerdo, abrindo a palma de minha mão, e pressionou um botão, afastando-se na mesma hora. A luva começou a se transformar na palma de minha mão, tornando-se cada vez maior, até tomar a forma de um arco. O arco era negro, com uma mira adaptada e com revestimento de metal.
– É lindo. – Murmurei, e ela concordou.
– Irei te emprestar. – Falou, e eu fiquei surpreso. – Caso fique fraco, terá uma arma para lhe ajudar.
Lembrei-me que também havia meu bracelete-manopla (que eu havia colocado em meu braço direito) no qual permitia que eu controlasse raios, lançando-os pela mão, e também havia meu colar que me fazia mimetizar-me e ter instintos super-avançados. Não estava fraco em equipamentos. Mas naquilo eu ficaria fraco.
– Como eu usarei um arco sem flechas? – Perguntei, e Hariel riu.
– Puxe a corda. – Falou, e eu o fiz. Uma flecha magicamente apareceu, feita de uma luz acinzentada. Eu fiquei surpreso.
– Posso testar? – Murmurei, e Emma fez que sim.
Mirei em uma árvore, e puxei a corda mais ainda, prendendo minha respiração, então soltei-a. A flecha acertou certeiramente o tronco dela, atravessando-o e atingindo uma rocha logo atrás, fazendo uma enorme rachadura. Eu gritei de animação. As duas se puseram a rir.
– Você tem uma ótima mira. – Falou Emma, tocando em meu ombro. – Pode ficar com o arco, se quiser.
– Está falando sério? – Perguntei, e ela fez que sim com um aceno de cabeça. – Mas ele é tão poderoso, por que uma de vocês não fica com ele?
– Preferimos os arcos tradicionais. – Falou Hariel, e eu olhei para as duas, muito agradecido.
– Obrigado por tudo, garotas. – Falei, animado, tomando a dianteira. O arco voltou a se transformar em uma luva. Pensei em tudo que havia passado até ali: meu encontro com Torrance, quando matei novamente uma pessoa, nossas longas caminhadas cansativas, a batalha no túnel, o sacrifício de Royal, tudo. E nada daquilo seria em vão. A minha confiança estava enorme agora. – Hora de encontrarmos meu grupo.
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