Guerra Fria
5 Capítulo 5 - Enfim, chega a cavalaria
Notas iniciais
Riza andou em meio à neve e, logo a alguns metros de distância, já dava para avistar a guerra que se agravava cada vez mais.
– Coronel! – Ela gritou, não acreditando no que via. – Não acredito nisso! Você tem trabalho pra fazer!
O Coronel gelou, e não foi por causa da bola de neve que o atingira na nuca. Ele olhou pra trás, assustado e acanhado ao mesmo tempo.
– Te-tenente! O... o que está fazendo aqui? – Ele perguntou, gaguejando, em uma mistura de medo e surpresa.
– Eu é que deveria lhe perguntar isso! – Esbravejou a tenente. – Como pode vir pra cá, ciente de que ainda tem pilhas de papéis para assinar?
– É que estava tão chato... – Ele disse, como uma criança que sabia que tinha feito algo errado. Edward riu alto.
– Ora, ora, Coronel, não parece mais tão corajoso agora, não é? – Disse Edward, provocando-o. Mustang o olhou irritado.
– Não se meta nisso, do Aço! Lembre-se que a minha patente é maior do que a sua, e exijo respeito! – Respondeu Roy, irritado.
– Tome aqui o seu respeito! – Exclamou Edward, jogando uma bola de neve que atingiu ele na cabeça. O Coronel se irritou tremendamente, e se agachou para pegar um punhado de neve para fazer uma bola, mas parou ao sentir algo gelado atingi-lo nas costas. Ele se virou e viu a tenente dar uma leve risada.
– Isso é tão nostálgico, não concorda, Coronel? – Ela disse, se agachando para pegar outra bola de neve.
Roy soltou um riso vitorioso.
– Ah, será que aqui eu vejo a Hawkeye de antigamente? – Roy comemorou. Hawkeye olhou pra ele, desafiadora.
– Vamos ver! – Ela disse, jogando a outra bola de neve que o atingiu em cheio no peito. – Nunca subestime uma franco atiradora, coronel.
Então Riza entrou na guerra, e agora eram três no time de Edward e dois no time de Roy, uma vantagem injusta. O Coronel e Winry estavam recebendo uma chuva de bolas de neve, uma atrás da outra, e não conseguiam revidar com a mesma eficiência.
– Coronel, a gente tá perdendo feio! – Disse Winry, logo depois sendo atingida por uma bola de neve atirada por Alphonse.
– Você tem alguma idéia? – Perguntou Roy, se protegendo com os braços de uma bola atirada por Riza.
– Infelizmente não. – Respondeu Winry, de desviando de uma bola de neve atirada por Edward.
– Droga, não temos mais nenhum aliado! – Bufou Roy, desviando-se de mais uma bola atirada por Edward.
-----------~~-----------
– Querido, já viu quem está lá fora? – Disse Gracia, rindo enquanto olhava pela janela.
Hughes se levantou do sofá, foi até a janela e viu Edward, Winry e Alphonse trocando bolas de neve. Ele deu uma sonora risada.
– Não acredito, não é que são o Ed, o Al e a senhorita Rockbell no meio de uma guerra de bolas de neve?
– Será mesmo que só são eles? – Disse Gracia, apontando pela janela e revelando mais duas pessoas.
Hughes tirou os óculos, os limpou e colocou novamente, não acreditando nos seus olhos. Logo depois disso deu uma risada mais alta que a primeira ao ver Roy sendo coberto por uma chuva de bolas de neve vindas de Riza.
– Não é que aquele miserável achou um jeito de filar o trabalho? Só me surpreende que a Riza também esteja envolvida nisso. Ele deve tê-la subornado! – E riu sonoramente mais uma vez. Aquilo não era algo que se via com freqüência.
Hughes foi até a porta e correu para fora. Tinha que ver isso de perto. Quando saiu, deu mais uma risada gostosa ao ver todos rindo e se divertindo.
– O que é que eu estou vendo aqui? – Comentou, com um grande sorriso. – Todos decidiram tirar uma folga hoje?
– Hughes! Por que você não me dá uma ajuda aqui? Eu e a senhorita Rockbell estamos em desvantagem! – Roy o convidou, também sorrindo, com uma bola de neve em mãos.
A guerra havia momentaneamente se cessado. Todos olhavam para Hughes, que andava lentamente em direção ao “campo de batalha”.
– Desvantagem, é? – Hughes riu levemente e se abaixou, juntando um punhado de neve para formar uma bola. – Roy, Roy... Você devia estar se concentrando em subir de cargo logo!
Hughes jogou a bola que tinha nas mãos em Roy, que foi pego desprevenido, sendo atingido em cheio no ombro direito. Hughes riu mais uma vez.
– Hughes! O que você está fazendo?! – Exclamou Roy, limpando a neve da sua roupa e voltando a juntar neve para fazer mais bolas.
– O mesmo que vocês, me divertindo. – Hughes arrumou os óculos e se aproximou de Riza, Al e Ed, juntando-se definitivamente ao time deles.
Roy, depois de formar várias bolas de neve, voltou a atacá-los sem piedade, sendo acompanhado por Winry. Dois contra quatro parecia ainda mais injusto, mas, no fundo, eles não se importavam. Não se divertiam assim havia muito tempo. A guerra voltou a tomar um ritmo frenético, e os seis envolvidos pareciam não se cansar nunca.
-----------------~~-------------------
Ainda no escritório, Breda, Havoc e Fallman estavam realmente entediados. Mesmo com uma pilha de documentos sobre a mesa, aquele dia parecia estar parado demais. O frio também não estava ajudando.
– Subtenente Breda, você pode fechar aquela fresta na janela? Não agüento mais esse frio! – Pediu Havoc, olhando desinteressadamente para um documento em sua mão.
Breda se levantou lentamente e se arrastou até a janela. Mas, ao se aproximar o suficiente para ter uma boa vista, viu uma cena interessantíssima. O Coronel, Riza e Hughes envolvidos em uma guerra de bolas de neve, junto de Edward, Winry e Alphonse.
– Ei, pessoal, vejam isso aqui. – Chamou Breda.
Fallman e Havoc andaram até a janela e observaram, chocados. Era normal ver o Coronel arrumar desculpas e motivos para não trabalhar, mas nunca tinham visto Riza fazer isso. E, ainda mais, junto com o Coronel.
– Eu vi isso mesmo? – Comentou Havoc, incrédulo.
– Todos nós vimos. – Concluiu Fallman, observando atentamente. – Ou melhor, estamos vendo.
– E por que eles podem sair e se divertir no meio do expediente e nós temos que ficar aqui?! – Reclamou Havoc.
– Hmm... – Breda colocou a mão no queixo, pensativo. – Mas... Será que nós realmente temos que ficar aqui?
– Aqueles documentos não vão se revisar sozinhos. – Lembrou Fallman.
– Basta alguém ficar aqui para adiantar o trabalho. – Sugeriu Breda.
– Mas não é muita coisa para só uma pessoa? – Fallman lembrou-os mais uma vez.
– Talvez, mas o Coronel já deve ser recordista mundial em terminar o trabalho em cima da hora. Ele vai dar um jeito, principalmente se tiver que se apressar para algum encontro. – Suspirou Havoc. Não só ele, como todos os subordinados de Roy confiavam na capacidade do Coronel, apesar de tudo.
– Deixem que eu faço uma boa parte das coisas depois, então. Termino rapidinho – Fallman sugeriu.
Já que tinha quem fizesse o trabalho depois, não havia motivos para que eles ficassem mais tempo naquele escritório chato e monótono, enquanto podiam estar no meio de uma divertida guerra de bolas de neve. Eles saíram cautelosamente do escritório, em fila indiana, para que nenhum outro soldado decidisse fazer o mesmo que eles, senão com certeza o exército iria parar para ficar o dia inteiro em uma guerra de bolas de neve, o que, com certeza não poderia acontecer.
Assim que chegaram até a porta, Sieska, a nova subordinada de Hughes, que tinha sido admitida há pouco tempo, se encontrou com eles no corredor enquanto levava uma pilha de papéis até a mesa de Hughes.
– Aonde vocês estão indo? – Perguntou Sieska, estranhando eles estarem andando pelo corredor em filinha indiana tão silenciosamente. – O que vocês aprontaram dessa vez?
Sieska deu um leve riso e eles olharam para ela surpresos. Que poderiam dizer?
– Nós estamos indo dar uma checada nos armários dos fundos – Disse Fallman, inesperadamente. – Vamos procurar mais tinta para a máquina de escrever e também pegar mais um bloco de papéis a pedido do Coronel, porque já estão acabando.
Os outros dois homens olharam surpresos. Aquela mente tinha a capacidade de formular uma desculpa tão rápida que conseguia impressionar até o mais esperto dos soldados.
– E onde está o Fuery? – Perguntou Sieska, notando sua ausência.
– Ficou doente, não veio ao trabalho – Disse Breda, suspirando. Fuery tinha escolhido o dia errado para ficar doente.
– Que pena... Bom... Se o encontrarem, digam que sua amiga Sieska mandou melhoras! – Disse Sieska, dando um leve sorriso. Um sorriso meio preocupado... Era o que parecia? Será mesmo?
Havoc, Fallman e Breda se entreolharam, estranhando a preocupação de Sieska com Fuery. Breda acenou com a cabeça.
– Pode deixar que damos o recado – Disse Breda, voltando à realidade.
– Obrigada! – Disse Sieska, sorrindo um pouco sem graça. Estava ficando ligeiramente rubra... Seria mesmo? – Bom... Boa sorte na caça aos papéis e à tinta! – Sieska sorriu, andando rapidamente até a sala do Tenente Coronel Hughes, para que não notassem que sua face estava ficando rubra.
Eles voltaram a atenção à sua fuga, e saíram pela porta rapidamente para não se esbarrar em mais ninguém que pudesse interrogá-los.
Andaram mais a frente, e a alguns metros já era possível avistar o campo de batalha, onde bolas de neve voavam e atingiam até as pessoas que corriam por perto do local.
Eles riram ao ver que Roy e Winry estavam sendo soterrados por bolas de neve vindas do time de Edward. Hughes, Edward, Alphonse e Riza com certeza formavam um belo time.
– Precisa de ajuda aí, Coronel? – Disse Breda, rindo.
O Coronel olhou para eles, não compreendendo o que via.
– O que estão fazendo aqui? – Perguntou Roy, surpreso.
– Você acha que é o único que tem o direito de se divertir? – Disse Havoc, rindo ao ver que Roy tinha acabado de levar uma bolada de neve na cara, vinda de Hughes.
– Não baixe sua guarda, Coronel! – Disse Hughes, dando uma risada alta. Edward também jogou uma bola em Winry, que deu um gritinho.
– Você também não! – Ele disse, rindo. – Hora de me vingar de cada chave inglesada que você me deu!
– Você mereceu cada uma que recebeu! – Disse Winry, pegando mais um bolo de neve no chão, mas Al a acertou antes.
– Venham ajudar logo! – Disse Roy, pegando mais neve no chão. – Isso é uma ordem! Nosso estado está crítico!
– Certo, Coronel! – Disseram os três, em coro e batendo continência, e logo se espalhando pelo campo, rindo animados. A cavalaria enfim tinha chegado.
Fale com o autor